Dramione - Side Effect
17 Borboletas
Notas iniciais
Capítulo novinho para vocês...
Não é por nada não, mas esse capítulo tá muito fofo! Adorei escrevê-lo!
Então... Aproveitem
Eu sentei entre as raízes do velho carvalho, aconchegando-me e abri o livro. Não sabia se Potins iria demorar, mas também não me importava. Não estava com vontade de comer, o que tornava a ida até o salão principal para o café totalmente dispensável. Tentei me concentrar no livro, mas a lembrança de Draco ontem, na Torre, invadia a minha mente. Seus olhos azul-acinzentados me fitando cheios de dor e tristeza. Eu não vou desistir de você, Hermione Granger. Você vai ser minha! Escreva as minhas palavras!. Eu não queria acreditar que ele levaria aquela declaração a sério, mas ele era um sonserino. E sonserinos não costumavam desistir das coisas com facilidade.
Fechei o livro resignada. Era inútil continuar tentando ler. Precisaria me distrair com outra coisa. Quase como que atendendo ao meu pedido uma pequena flor roxa caiu suavemente sobre a capa do livro fechado. Estiquei o dedo para tocar suas pétalas macias e antes que eu encostasse nela, ela se transformou em uma borboleta da mesma cor e saiu voando. Segui seu percurso até o topo da árvore a tempo de ver que uma chuva de flores coloridas havia começado acima da minha cabeça. Assim que tocavam o chão, as flores se transformavam, da mesma forma que a primeira. E me vi no meio também de uma revoada de borboletas multicoloridas. Foi impossível não sorrir diante da mistura de beleza e delicadeza ao meu redor. O espetáculo durou cerca de um minuto ou dois. A última borboleta demorou-se na ponta do meu dedo indicador antes de atravessar o jardim até uma árvore próxima e pousar nas costas da mão de... Draco! Que me observava com os braços cruzados sobre o peito e um dos pés apoiados no tronco. Um sorriso de satisfação brincando em seus lábios.
– Srta. Granger? — virei-me a contragosto para a voz irritante que me chamava. Poucos metros à minha direita estava Annie Potins.
– Bom dia, srta. Potins. — cumprimentei sem vontade.
Seus olhos esquadrinhavam o jardim à minha frente, procurando por alguma coisa. Ou alguém. Mas ele não estava mais lá.
– Espero não tê-la feito esperar por muito tempo. — balancei a cabeça negativamente e forcei um sorriso. Melhor que não tivesse chegado nunca!
Ela me pediu para fingir que este era um dia como qualquer outro. Abrir o livro, fingir ler. O quer que eu fizesse quando estava no jardim. E foi o que fiz.
– Conversei com Gina Weasley e ela comentou alguma coisa sobre um baile beneficente para arrecadar fundos para o Instituto Lílian Potter… — ela jogou a isca.
– Ainda não inauguramos oficialmente, as reformas na mansão Black ainda não acabaram. Mas avisaremos a toda a imprensa, não se preocupe.
– Ah, eu gostaria de abordar um pouco mais este assunto. Talvez fazer uma matéria especial. É um gesto tão bonito. De quem foi a ideia?
Notei, com surpresa, que ela parecia realmente interessada no que eu tinha a dizer, pela primeira vez.
– Bem, do Harry. É claro! Começando do início… Andrômeda Tonks começou a acolher crianças que não tinham para onde ir, que haviam perdido os pais, irmãos, ainda durante a guerra. Quando Harry descobriu, bem, ele sabe o que é crescer sozinho, e queria que com essas crianças fosse diferente. É ele quem está patrocinando a maior parte, quem doou a casa. E está pagando a reforma. Mas muitas outras pessoas querem ajudar também, por isso o baile. Mas vai ter que falar com ele para mais detalhes.
– Ah, eu vou sim. — ela disse feliz. — Muito obrigada srta. Granger. Também quero fazer uma foto de grupo, com todos os entrevistados juntos… Eu aviso o horário e o local.
– Tudo bem. Com licença, mas preciso ir para a aula.
Potins assentiu e eu sai caminhando em direção ao castelo.
Agradeci silenciosamente o lugar que Simas guardou para mim, quando entrei na sala segundos antes de Minerva. A bruxa começou a explicar como procederíamos durante a aula e o conteúdo surgiu no quadro negro. Mas eu não estava prestando muita atenção, as perguntas de Potins sobre o Instituto haviam me dado uma idéia e eu precisava compartilhá-la com Gina. Felizmente, ela estava bem na minha frente. Peguei uma pena e um pedaço de pergaminho.
Acho que encontrei a desculpa que precisávamos! HG
Cutuquei-a nas costas com a varinha e passei o bilhete por baixo da mesa para a ruiva. Segundos depois, estava de volta.
Acho que encontrei a desculpa que precisávamos! (HG)
????? Explique tudo de uma vez e acabe com o suspense, Mione. Ou vomito o meu café da manhã em você! (GW)
Tão delicada!
Acho que encontrei a desculpa que precisávamos! (HG)
????? Explique tudo de uma vez e acabe com o suspense, Mione. Ou vomito o meu café da manhã em você! (GW)
O Instituto Lílian Potter. Harry precisa checar as reformas e nós temos que terminar as compras para abastecer o casarão. Ainda não compramos todas as roupas de cama, mesa e banho. Nem suprimentos. Não checamos se falta alguma coisa essencial. E precisamos começar a organizar o baile beneficente para ontem! (HG)
Passei o pergaminho de volta para Gina. Dessa vez, demorou um pouco mais pra voltar.
Acho que encontrei a desculpa que precisávamos! (HG)
????? Explique tudo de uma vez e acabe com o suspense, Mione. Ou vomito o meu café da manhã em você! (GW)
O Instituto Lílian Potter. Harry precisa checar as reformas e nós temos que terminar as compras para abastecer o casarão. Ainda não compramos todas as roupas de cama, mesa e banho. Nem suprimentos. Não checamos se falta alguma coisa essencial. E precisamos começar a organizar o baile beneficente para ontem! (HG)
Mamãe e papai supostamente estão ajudando com isso, resolvendo parte dessas últimas questões. (GW)
Revirei os olhos e devolvi o bilhete.
Acho que encontrei a desculpa que precisávamos! (HG)
????? Explique tudo de uma vez e acabe com o suspense, Mione. Ou vomito o meu café da manhã em você! (GW)
O Instituto Lílian Potter. Harry precisa checar as reformas e nós temos que terminar as compras para abastecer o casarão. Ainda não compramos todas as roupas de cama, mesa e banho. Nem suprimentos. Não checamos se falta alguma coisa essencial. E precisamos começar a organizar o baile beneficente para ontem! (HG)
Mamãe e papai supostamente estão ajudando com isso, resolvendo parte dessa últimas questões. (GW)
A Minerva não precisa saber desse detalhe. E, Gina, você quer mesmo deixar a sua mãe escolher a cor das paredes e a estampa das cortinas? (HG)
Harry, que estava ao lado da ruiva, teve que tapar a boca para abafar o som das gargalhadas. Eu sabia que ele estava lendo tudo desde o início. Gina suspirou e balançou a cabeça positivamente.
– Precisamos ir este fim de semana mesmo. Vou dar um jeito de marcar a consulta ainda hoje! — sussurrei. E vi a postura dos dois enrijecer.
McGonagall não pareceu desconfiada quando falamos com ela no fim da aula. Na verdade, a bruxa ficou muito animada em saber que já estava quase tudo pronto para a inauguração e surpreendeu-nos.
– Não sei se já escolheram um local para o baile beneficente, mas gostaria de oferecer nosso salão.
Harry encarava a bruxo com a boca aberta, parecia ter perdido a fala. Então, respondi por ele:
– Não poderia haver lugar melhor professora. Muito obrigada! — cantarolei.
Harry confirmou com a cabeça, ainda sem articular nenhuma palavra.
– Ah, já ia me esquecendo… Sei que o Instituto ainda não está oficialmente pronto, mas o Ministério me pediu para que Draco Malfoy seja incluído nos trabalhos de reforma e organização, como parte da pena. — ela disse resignada. Sua voz parecia conter um que de impaciência, mas podia ser apenas impressão minha. — Acredito que o trabalho será mais produtivo se for supervisionado. Por isso, gostaria que o levassem com vocês.
Não pude deixar de me lembrar da noite em que supervisionei a detenção de Draco na sala de troféus. E tive de me conter para não rir. Gina levantou uma sobrancelha de forma inquisitiva para mim, como quem diz “Qual é a graça?”. Apressei-me em negar com a cabeça. Realmente, trabalho supervisionado podia ser muito produtivo… ou não. Era tudo uma questão de ponto de vista! Pena não poder revelar meus pensamente, Gina teria dado rido muito se soubesse.
Não havia como marcar a consulta sem a ajuda de mamãe. Não era como se eu pudesse enviar uma coruja ao Dr. Augustus. Ela havia me levado lá quando menstruei pela primeira vez e depois, uma vez por ano para exames de rotina. Mas eu nunca havia pedido para ir. Sabia que soaria estranho, mas que opção eu tinha. Selei a carta já imaginando quantas e quais hipóteses passariam pela cabeça dela.
Ao meu lado, Gina preparava uma coruja para Andrômeda e outra para o sr. e a sra. Weasley. Por mais que a vista ao Instituto Lílian não fosse nossa principal razão para deixar o castelo, ainda queríamos organizar o máximo de coisas que conseguíssemos por lá.
Fizemos uma lista do que precisávamos comprar durante o jantar e Neville se Luna se ofereceram para cuidar da parte dos brinquedos. “Podemos encomendar algumas coisas pelo correio e comprar outras na nossa próxima visita a Hogsmade”. Eu tinha minhas ressalvas quanto à Lua escolhendo brinquedos, queria deixar essa parte com George. Mas Gina avaliou:
– Bem, se tivesse crescido na minha casa concordaria que a noção de George do que são brinquedos, às vezes, pode ser bastante perigosa.
Antigamente, teríamos gargalhado abertamente do comentário, mas as palavras George e brincadeiras ou brinquedos não se encaixavam na mesma frase sem um complemento — Fred. E no lugar de risadas, sorrisos doloridos, acanhados e sem graça espalharam-se pela mesa.
Gina comeu mais do que o normal — que para ela já representava uma enorme quantidade de comida — e eu sabia que a noite não seria agradável. Nem bem entramos no salão comunal e a ruiva pediu desculpas dizendo que estava cansada e queria se deitar. Eu não precisava nem ter visto o olhar suplicante e desesperado que Harry me lançou quando ela desapareceu escadaria acima para me convencer de que precisava segui-la. Então, me despedi de todos rapidamente e subi.
Na pressa de chegar ao banheiro, Gina havia deixado a porta do dormitório aberta, apressei-me para dentro e passei a chave. A ruiva estava meio verde, sentada no chão frio de mármore, apoiada contra a parede.
– Refrigerante é bom para enjoo. — falei por falar.
– O que é refrigerante? — ela murmurou.
– Um tipo de suco gasificado. — expliquei, me arrependendo em seguida. Gina parecia ter ficado ainda mais verde com a visão da bebida. — Desculpe, só pensando alto em opções para te ajudar. Não posso simplesmente te dar uma poção ou um remédio trouxa.
– Um copo d’água seria bom. — ela sugeriu jogando a cabeça para trás de olhos fechados.
Corri até a jarra que ficava no móvel perto da porta. Aquamenti!, murmurei com a varinha em punho. Servi um copo quase transbordando. A ruiva bebeu tudo de uma vez só.
– Mais? — sugeri. Ela balançou a cabeça afirmativamente. Repeti o gesto. Dessa vez, obriguei Gina a beber a água mais devagar. A cada gole ela inspirava e expirava de forma lenta e profunda.
– Acho que estou bem agora. Mas precisamos dar um jeito no banheiro.
Ela riu da minha cara de nojo. Balancei a varinha com displicência e o mau-cheiro e a bagunça sumiram.
– Ah, Hermione… — ela chiou. — O que seria de mim sem você?
A última frase foi um choramingo. E percebi que seus olhos estavam mesmo cheios de lágrimas. Rindo, ajudei Gina a se levantar, trocar-se e ir até a cama. Ela me observava com atenção enquanto eu me trocava também.
– Se não te conhecesse diria que está apaixonada por mim, Ginevra Weasley. — ela rolou os olhos.
– Já tem muita gente nessa fila, tá bom… Essa eu passo. — brincou.
Ignorei a vontade desesperadora de perguntar quem eram “muita gente” e me encaminhei para a minha cama. A esperança e o medo de que o nome Draco Malfoy pudesse sair da boca dela lutavam dentro de mim.
– Mione? — Gina chamou manhosa.
– O que foi…
– Dorme na minha cama hoje? Por favor?
– Estou dizendo… Tudo bem. Entendo você totalmente, é claro! Sou muito mais bonita, sexy e interessante que Harry Potter. Mas acho que ele não vai gostar de saber que foi trocado por mim!
Gina jogou um dos travesseiros em mim. Eu desviei com facilidade mesmo em meio às gargalhadas e ela murmurou:
– Vem logo!
Voguei o travesseiro de volta, peguei meu próprio travesseiro, minhas cobertas e me juntei à ruiva manhosa.
– Mas vê se não vai vomitar em mim, hein?
Ela me deu um soco no ombro e se aconchegou, caindo no sono quase instantaneamente.
Eu estava em um sono tranquilo e sem sonhos, quando senti Gina se mexer inquieta ao meu lado. De repente, ela se levantou e correu para o banheiro. Pulei da cama e fiz o caminho inverso em direção à jarra com água. Quando ela se sentou no chão, estendi o copo. Ela me lançou um olhar agradecido e bebeu. O episódio desagradável dentro do banheiro se repetiu mais umas duas ou três vezes. E eu já estava operando em piloto automático.
Na última, estávamos nos ajeitando na cama novamente quando Parvati acordou, provavelmente despertada pelos inevitáveis barulhos que estávamos fazendo. Tanto cuidado para esquecer o mais básico! Abaffiato, Hermione… Por que você não lançou um Abaffiato?!
– O que aconteceu? — ela perguntou ainda meio grogue. Gina congelou ao meu lado.
– Nada de mais, só estou um pouco enjoada. Acho que foi o pudim. — inventei. Parvati não discutiu. Apenas me lançou um olhar desconfiado.
– Tudo bem. Qualquer coisa me acorde!
– Não vai ser preciso, já estou bem. Obrigada!
Ela deu de ombros e voltou a dormir. Gina relaxou e apertou forte a minha mão em um “Obrigada”.
Notas finais
Ah! E me contem o que acharam nas reviews...
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