Dramione - Side Effect

15 Bônus: Visão de Draco Malfoy


Notas iniciais
Oie! Olha eu aqui de novo como prometido! Espero que isto seja visto como um sinal de boa fé e eu receba mais reviews... Sei que o capítulo anterior foi fraquinho, mas vocês verão em breve que ele era extremamente necessário. Sem mais, deixo vocês com a visão de nosso querido Draco Malfoy sobre os últimos acontecimentos! XOXO

Dramione 15 — Bônus: Visão de Draco



Assim que todos desapareceram de vista no jardim, Hermione desmoronou. Parecia que toda a força e energia haviam sido sugados dela. Alcancei-a antes que caísse no chão, o choro convulsionando seu corpo pequeno e delicado. Passei o braço direito por baixo de suas pernas e a ergui. Ela enterrou o rosto na curva do meu pescoço, sua respiração contra a minha pele enviando descargas elétricas pelo meu corpo. Um arrepio percorreu a minha espinha. Caminhei decidido até o castelo, não me importando com quem pudesse nos ver. Estava cansado de me esconder.

Empurrei a porta da enfermaria com o ombro e chamei pela velha curandeira. Coloquei Hermione sobre a cama mais próxima com a maior delicadeza que consegui. Meu corpo protestando ao se separar do dela. Hermione estava pálida. Até mesmo seus lábios haviam perdido a cor.

— Nã... Por... – ela tentou dizer. Fechando os dedos em volta do meu braço.

— Estou aqui! – eu disse bem perto de seu ouvido. — Vou apenas chamar Madame Pomfrey! Descanse. Estarei aqui quando acordar. – sussurrei.

Não precisei me afastar de Hermione. No mesmo instante, a bruxa surgiu de uma porta no fundo do aposento e correu até nós.

— O que aconteceu com ela sr. Malfoy? — exigiu, enquanto me empurrava de lado e começava a examinar a garota.

— Ela teve uma discussão com o babaca do Weasley no jardim e desmaiou. — disse, sentindo a bile na garganta. Minha vontade era voltar lá e matar aquele cabeça de fósforo imbecil.

— Que tipo de discussão? Houve um duelo? — ela parecia alarmada.

— Ele não viveria pra tentar. — rosnei. — Não. Acho que ela está apenas exaurida, sem forças. — completei.

— Tudo bem, vou preparar um tônico. Se puder aguardar lá fora…

— Eu não vou a lugar nenhum. — rebati com mais agressividade do que gostaria. — Quer dizer, eu gostaria muito de ficar, se puder. Por favor?! Prometo que não vou atrapalhar. — completei com a voz mais calma. A bruxa suspirou e balançou a cabeça positivamente, antes de sair em direção à porta nos fundos da enfermaria.

Sentei na beirada da cama ao lado de Hermione e tomei a não dela na minha. Eu desenhava círculos em sua palma com a ponta dos dedos. De repente, ela arfou. Olhei para seu rosto e estava lívido, assustado.

— Nada, eu não sei de nada! — ela disse em meio ao sono, e algo despencou em meu estômago. Eu já havia escutado ela gritar aquela frase antes.

Ela puxou a mão que eu segurava e agarrou os lençóis embaixo de si. Os nós de seus dedos ficaram brancos com a força que ela colocava no gesto. De repente, Hermione inalou uma grande quantidade de ar e prendeu a respiração. Afastei-me da cama aos tropeços. Quando ela gritou — um som agudo, cortante — precisei me apoiar na beirada da cama para não desmoronar. Meu coração parecia ter parado de bater.

Madame Pomfrey veio correndo do aposento anexo, com vários vidros de poção nas mãos. Ela olhou para Hermione se debatendo e gritando no colchão e de volta para mim.

— O que aconteceu? — ela exigiu saber.

— Eu… Ela começou… Eu… Não… Nada... — minha garganta parecia fechada, não havia som, muito menos ar.

Meus dedos se fecharam com mais força em volta do beiral da cama de ferro batido. Inalei com força. Nada! Foi isso o que aconteceu… NADA! Eu ouvi os gritos, eu reconheci a voz, eu desci as escadarias da mansão de três em três degraus, enquanto minha mente gritava: Não é possível! Você está enganado! Eles não são vistos à meses! Não pode ser! Eu cheguei à sala com os pulmões prestes a explodir e o coração nas mãos. Eu a vi deitada no chão, imóvel aos pés de Tia Bela e senti o sangue deixar meu rosto. Vi seu braço sangrando violentamente, sua expressão de dor e angústia. Eu caminhei trôpego e inútil em sua direção e esbarrei no sofá. Então, a nojenta da minha tia me viu e gritou para que eu ficasse onde estava... E eu fiquei. Foi isso o que eu fiz: NADA! Foi assim que eu agi, como um grande e inútil NADA. Até que o cabeça de fósforo e o cicatriz conseguiram sair do porão.

— Eu não sei de nada. — Hermione balbuciou da cama.

— Sr. Malfoy? — Madame Pomfrey, chamou. — O sr. também não parece nada bem. Talvez deva se sentar um pouco. Já chamei a diretora, ela deve estar aqui em alguns minutos...

Até então, Hermione nunca havia dado pistas de que se lembrava do que aconteceu, mas depois daquele sonho…

— Eu estou bem — declarei, cortando-a. — Preciso ir Madame Pomfrey. Por favor, não diga a ninguém que fui eu quem a trouxe. Os amigos dela não gostam muito de mim, a Sra. sabe.

Não esperei pela resposta, apenas me virei e sai em disparada até a porta. Atravessei a soleira e olhei para fora com cautela. Não havia ninguém nas imediações. Tentei caminhar casualmente pelos corredores e escadas enquanto me dirigia para o quinto andar. Quanto mais eu subia, mais o número de pessoas ao redor aumentava. Estava decidido a não olhar mais para baixo, não me esconder ou fugir mais, mas o que tinha acontecido na enfermaria me consumia. Um quintanista da Corvinal esbarrou em mim de propósito quando cruzei com ele no corredor próximo ao banheiro dos monitores. O garoto parou e ficou me encarando, um sorriso perverso no rosto enquanto esperava pela minha reação. Balancei a cabeça negativamente e segui meu caminho.

Virei à esquerda e me apoiei na parede ao lado de uma armadura, tentando parecer distraído e casual. Cruzei os braços com força no peito tentando esconder a tensão. Assim que o corredor ficou vazio, apressei o passo. Andei três vezes em frente a parede, pensando que precisava de um lugar seguro para pensar, onde ninguém me encontrasse. A porta surgiu e eu me esgueirei para dentro o mais rápido que pude. O lugar parecia muito com o salão comunal da Sonserina, para ser sincero. Paredes de pedra preta polida, com tapeçarias em verde e prata. Poltronas de couro e uma grande lareira acesa no fundo. Deixei-me cair de qualquer maneira na poltrona mais próxima a lareira. Aquela altura, Hermione já devia ter acordado. E eu não estava lá. Quebrei a promessa!, pensei.

— Droga! — gritei para as paredes. — As coisas que fiz e que deixei de fazer durante essa droga de guerra vão me perseguir para o resto da vida. — murmurei. Não finja que você não merece! , minha consciência gritou.

— Hermione nunca vai me perdoar…

Sentei com os cotovelos nos joelhos e apoiei a cabeça nas mãos. Odiava ser contrariado, sentir-me frustrado. Eu estava acostumado a ter tudo o que queria, quando queria. Foi a maneira que eu fui criado. Meu sobrenome intimidava as pessoas, abria portas. Até mesmo pernas… pensei, com asco de mim mesmo. Mas, desde que essa guerra infeliz havia acabado e o idiota do meu pai tinha sido preso, o nome Malfoy não valia mais nada. Eu queria, eu precisava ter de volta o respeito das pessoas. Tudo bem, antes eu não era respeitado, era temido. Mas eu queria respeito. Por que, principalmente, e acima de tudo, eu queria Hermione. E essa era a única maneira de tê-la. Tornando-me uma pessoa melhor. Alguém que a merecesse.

DROGA! Como eu queria Hermione. Sempre quis. Desde o meu primeiro ano em Hogwarts. A sangue-ruim, sabe-tudo, irritante, amiga do menino que sobreviveu e do pobretão Weasley. A garota que vivia enfurnada na biblioteca, estava sempre com um livro nas mãos e parecia sentir nojo de mim, era minha maior obsessão. Ela era a coisa que eu mais queria na vida e, por ironia, a única para quem meu sobrenome, status, sangue nobre e dinheiro não significavam absolutamente nada. Pare de ter pena de si mesmo. Você é um Malfoy! Ela não está à sua altura. Escutei a voz da minha mãe. A única pessoa que um dia soube como eu me sentia.

— Argh! — Soltei o ar pesadamente e me levantei de um salto. Soquei a parede mais próxima com toda a força que pude. A raiva que sentia de mim mesmo, da minha covardia, de meu pai, de Voldemort, crescendo em mim a casa soco. Meus dedos protestavam, mas eu ignorei. Eu merecia a dor. Depois de alguns minutos, a exaustão fez meus braços se negarem a continuar e fui obrigado a parar. Escorreguei com as costas na parede até cair sentado. Não conseguia sentir meus dedos das mãos, meus ombros doíam, mas eu estava mais leve. Então, fiquei ali por horas, concentrando-me apenas em respirar.

Depois de um banho quente no banheiro dos monitores, percebi que, apesar de tudo, minhas mãos tinham apenas grandes esfolados vermelhos nos nós dos dedos. Estava examinando os estragos enquanto fazia meu caminho até o salão principal para o jantar, quando alguém, de repente surgiu ao meu lado.

— Devia deixar Madame Pomfrey dar uma olhada nisso. — ela trinou. Levantei a cabeça assustado. Luna Lovegood estava caminhando ao meu lado de maneira displicente. Não respondi, apenas encarei a garota loira. — É sério, pode ficar feio se infeccionar. Não se preocupe, não há muitos pacientes lá por esses dias, só a Hermione Granger. Ela foi levada para lá desmaiada depois da briga hoje de manhã, mas ninguém sabe por quem. Não é estranho? — completou.

— Luna. — Gina Weasley chamou a loira do outro lado do corredor, mas fixou os olhos em mim.

— Até mais. — ela disse, simplesmente, antes de sair saltitando até a garota Weasley.

Se Luna havia visitado Hermione na enfermaria, poderia significar que ela tinha melhorado. A mão gélida e pesada que estava apertando meu estômago desde o episódio do pesadelo pareceu relaxar seu aperto, mas só um pouco. O fluxo maior de estudantes ia em direção ao grande salão. Pelo horário, os professores e funcionários também estariam por lá.

Sem nem mesmo pensar no que estava fazendo, mudei minha rota. Quando parei em frente às grandes portas de carvalho, precisei tomar coragem antes de girar a maçaneta. Será que ela estava acordada? Tentei fazer o mínimo de barulho possível enquanto caminhava em direção à cama. Ela estava deitada encolhida de lado, os cabelos espalhados sobre o travesseiro branco. O rosto estava sereno, as maçãs já com um pouco mais de cor, assim como os lábios. Não consegui resistir à vontade de esticar a mão e acariciar seus macios cabelos castanhos.

Meu estômago roncava quando adentrei o salão vazio. Consequência de ter ido para a cama sem jantar no dia anterior. Mas tinha valido cada minuto a mais ao lado de Hermione. Sentei na ponta da mesa da Sonserina e olhei com desdém para a comida a minha frente, apesar da fome. A coruja deu um rasante na mesa, derrubou minha cópia do Profeta Diário sobre o prato e saiu. Aparentemente, nem as corujas queriam passar muito tempo perto de mim. Peguei o jornal amaldiçoando o animal e limpando minhas vestes. Desenrolei-o sem muito interesse e derrubei-o de novo sobre os ovos mexidos.

PRecisei ler o texto de capa três vezes para acreditar. Então, o maldito jornalista havia, finalmente, chegado a Hogwarts. Não era de se espantar que Hermione estivesse tão preocupada com ele. O salão começou a encher e o correio coruja se intensificou. Peguei uma maçã, o jornal e sai.

Desde a guerra, os alunos evitavam alguns lugares do castelo, como a Torre de Astronomia e se aglomeravam em outros, como o jardim próximo ao Monumento. Por isso, escolhi aquele em que, sabia, haveria menos chances de ser interrompido. Ficar naquele lugar me trazia lembranças desagradáveis, mas eu precisava encará-las. Eu era o maior responsável por tudo o que aconteceu naquela noite. E nos dias que a sucederam. Eu ainda podia ouvi-lo suplicar... Severo, por favor! A voz do velho Dumbledore ainda enchia meus ouvidos, visitava meus sonhos. Era a morte em que eu tinha a maior parcela de culpa, mas apenas uma das várias de que participei e com as quais eu teria que viver.

Admirando o horizonte, sentei próximo à grade, com os pés pendurados no abismo e abri o Profeta Diário na página três.

AMIZADE AMEAÇADA?

TRIO DE OURO DISCUTE NOS JARDINS DO CASTELO DE HOGWARTS

Por Annie Potins

Gritos histéricos e azarações chamaram a atenção dos alunos da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts na manhã deste sábado (29). Uma discussão acalorada entre Gina Weasley, Ronald Wealey, Hermione Granger, Harry Potter e Draco Malfoy reuniu uma multidão de alunos no jardim próximo ao Monumento da Guerra. Fontes afirmam que as opiniões divergentes dos irmãos Weasley sobre o destino dos Comensais da Morte originaram o estardalhaço.

O sr. Ronald Wealey foi acusado pela irmã e os amigos de perseguir com rigidez desnecessária os ex-aliados Daquele-que-não-deve-ser-nomeado. Aparentemente, o restante do grupo não concorda com as penas que vêm sendo aplicadas aos bruxos das trevas. “Inclusive, na semana passada, eles interferiram em favor de Draco Malfoy durante seu julgamento e a pena dele foi a mais leve aplicada a um ex-comensal até agora”, contou em primeira mão uma de nossas fontes.

Alunos afirmam que o clima entre o trio está tenso desde o primeiro dia letivo, quando o sr. Weasley, sabiamente, quis impedir que o ex-comensal da morte, Draco Malfoy, retornasse a Hogwarts e seus, até então, amigos interferiram em favor do rival. Testemunhas dão conta de uma briga na Estação de King’s Cross, que acabou com alguns narizes quebrados; e, dias depois, um início de duelo no grande salão do castelo, em que algumas pessoas foram azaradas e um romance chegou ao fim.

“Então, tudo acabou gerando essa grande confusão no jardim, hoje de manhã. O Weasley disse algumas verdades e o Malfoy não gostou. Mas a Granger e os outros interferiram de novo”, confidenciou uma testemunha ocular do ocorrido. “Nunca soube que a Granger e o Malfoy eram próximos. Achava que eles se odiassem. Mas, é como dizem, a linha entre o amor e o ódio é tênue”, completou.

Ao que tudo indica, a aproximação de Hermione Granger, famosa aliada de Harry Potter na luta contra Aquele-que-não-deve-ser-nomeado, e Draco Malfoy, ex comensal da morte, parece ter prejudicado a amizade do trio de bruxos mais famoso do mundo. O baque deve ter sido grande para Ronald Weasley, já que a srta. Granger, até pouco tempo, era namorada do melhor amigo de Harry Potter, irmão do vice-Ministro da Magia e figura de destaque na luta pela condenação dos bruxos das trevas envolvidos na guerra.

Não era difícil imaginar quem tinha sido uma das fontes para a matéria da srta. Potins. O texto todo beneficiava e exaltava Ronald Weasley. Aquele babaca! Não posso dizer que achei ruim ler sobre as insinuações de um relacionamento entre Hermione e eu. Mas sabia de algumas pessoas que não iam gostar nada, nada. Encostei a testa no ferro gelado do beiral, pensando até que ponto aquelas insinuações eram benéficas para o meu propósito. Então, escutei passos na escada. Rapidamente dobrei o jornal e enfiei no bolso das vestes. Fiquei de pé e esperei, pronto para mandar o invasor embora. Eu só não esperava que o invasor fosse Hermione.

Ela parou no último degrau e fechou os olhos. Parecia nem ter me notado. Esperei por alguns segundos para ter certeza e percebi que sim, ela não tinha me visto. De olhos fechados, ela respirava profundamente, seu tórax subindo e descendo de forma visível por baixo da blusa de linho. Ela inclinou o queixo para cima, recebendo de bom grado o vento que batia em seu rosto e açoitava seus cabelos castanhos e meu coração saltou uma batida. Merlin, como ela era linda!

Eu queria ficar ali e admirá-la, olhar sem pudor para seus delicados e macios lábios e como eles se curvavam para cima nas laterais quando ela estava gostando de alguma coisa, observar a forma como seus longos cílios batiam em suas bochechas quando ela estava de olhos fechados, ou como seus cabelos ao vento pareciam acariciar seu rosto. Mas eu não tinha certeza se estava preparado para o que ela diria, para o desprezo que ela devia estar sentindo. Então, comecei a contorná-la, passando próximo a parede. Eu estava quase na escada, quando o piso rangeu e Hermione abriu os olhos para mim.

Notas finais
Se acharem erros, avisem a titia! Ah, e não se esqueçam de me contar o que acharam!