Dramione - Side Effect

53 A culpa é toda sua


Notas iniciais
Oi gente... Dois capítulos em uma semana! O/ Até o Nyah sair do ar tem seu lado bom... Obrigada, JoyGilberttSalvatore, pela recomendação! Ah, só mais uma aviso, antes de deixar vocês continuarem... Pensando bem... deixa para lá! Não vou estragar a surpresa! Bjos

Parei, encostada na parede, e espiei antes de entrar no corredor. Corri o mais depressa que pude, agradecida pelo carpete escuro que abafava meus passos. Não sei como, mas eu sabia que precisava chegar à terceira porta, que o que eu procurava estava lá. Girei a maçaneta devagar e dei uma última olhada por cima do ombro antes de entrar.

Foi como dar um passo em direção ao abismo, entrar em queda livre. Não havia nada em que me segurar para evitar o vazio. De uma hora para outra, alguém havia roubado toda a força do meu corpo, toda a vontade da minha alma. Quase não notei a dor nos meus joelhos quando eles atingiram o chão. A textura do carpete sob as minhas mãos, encharcado e grudento, era muito pior.

Os olhos cor de tempestade haviam desvanecido, perdido definitivamente o brilho. A força magnética e avassaladora que antes eles exibiam não existia mais. Meu coração acelerou, desesperado. E por mais que eu me concentrasse em respirar e reestabelecer o ritmo normal de batidas, ele parecia querer rasgar o peito. A dor tornava cada vez mais difícil fazer o ar entrar e sair. E eu não conseguia me concentrar em nada. Só havia agonia.

— Hermione!

A voz surgiu do nada e me jogou em outro tipo de queda, para dentro de uma escuridão silenciosa. Senti o vento assolar meu corpo, impiedoso e, dessa vez, atingi o chão.

Esperei pela dor, pela sensação aguda e incômoda que se espalharia pelo meu ser quebrado, mas ela não veio.

Então, abri o olhos assustada.

Eu ainda estava na cama com Draco, que estava curvado sobre mim, segurando-me pelos ombros. Ele parecia preocupado e quando repetiu meu nome, a urgência ficou clara em sua voz. Agarrei-me a ele com toda a força que consegui, em busca de uma prova de que aquilo era real, com medo de ainda estar sonhando. Quando o sonserino fechou os braços em volta de mim, parte da tensão se dissipou e eu pude, enfim, respirar.

— Está tudo bem. Você está segura agora. — Ele murmurou, enquanto acariciava as minhas costas, fazendo meu corpo se arrepiar.

— Não era sobre mim. — Sussurrei.

Afastei-me para encará-lo. Eu precisava olhar para ele, ter certeza que cada pedacinho ainda estava em seu devido lugar. Mas a lateral do rosto estava roxa, especialmente o maxilar — onde Rodolfo o havia atingido. Os ombros e braços tinham escoriações e hematomas. E o tórax estava envolto em ataduras. Engoli em seco, sentindo, como se pertencessem a mim, cada um daqueles machucados.

— Hermione…

Neguei com a cabeça. Como eu queria poder levar embora toda a dor que ele estava sentindo.

— Como vou te ajudar se não souber? — Ele insistiu.

Fechei os olhos e fiz sinal negativo mais uma vez. Não era comigo que ele deveria estar preocupado, não era eu quem precisava de repouso e cuidados.

— Venha. Vamos verificar se eles estão bem!

Draco começou a se levantar da cama e eu, rapidamente, agarrei seu braço.

— Eles? — Perguntei confusa.

— A Weasley e o Potter.

A ferida aberta dentro de mim, que era a perda de Lily, latejou. Mas meu egoísmo foi maior e eu não me movi.

— Era você. — Finalmente contei. — Era sobre você. Eu tentava desesperadamente te encontrar e quando finalmente consegui… — Um soluço subiu pela minha garganta sem autorização e matou a frase.

— Tão ruim assim? — A voz dele era suave e tranquila.

— Ainda pior que no Havaí. Havia sangue por toda parte: no carpete, nas paredes, nos móveis e você… você…

A angústia paralisante que me atingiu no sonho tentava me capturar de novo, arranhando as paredes do meu estômago, dificultando meus movimentos, inundando a minha mente com as lembranças da cena horrível. Encolhi-me nos braços de Draco tentando bloquear a imagem.

— Foi só um sonho. Eu estou vivo. Estou bem aqui, com você.

Ele me apertou contra si, como que para provar suas palavras. Inalei profundamente, em busca do conforto e da segurança do perfume amadeirado que vinha da pele dele. E, finalmente, consegui me acalmar. Levantei a mão para tocar o rosto anguloso, mas hesitei. O contraste entre a pele alva e as marcas escuras era tão drástico que fez meu coração se apertar.

— Eu não vou quebrar, Hermione. — ele ficou sério, quase compenetrado.

Draco segurou minha mão na dele e levou as duas ao rosto. Pressionando nossas mãos unidas contra a bochecha machucada, ele fechou os olhos. Aproveitei para admirá-lo com calma, a beleza altiva, que mesmo os machucados não conseguiam diminuir; os longos cílios loiros que batiam contra as maçãs do rosto quando ele baixava as pálpebras; os lábios finos e suaves. Ele era perfeito. Da maneira dele, na nossa realidade amalucada e meio torta, mas ainda assim, perfeito. Feito para mim. Minha respiração falhou diante da convicção e da força com que aquela realidade me atingiu, invadindo meu coração. Éramos um do outro e para o outro.

Quem diria! Apesar de toda a minha predisposição para ver as coisas de maneira lógica, acabei nas mãos do improvável. O amor — puro, verdadeiro e avassalador, capaz de transformar — veio de onde eu menos esperava. Draco Malfoy chegou, de forma nada sutil, e se estabeleceu no meu coração.

— A culpa é todo sua, Draco Malfoy.

Ele piscou algumas vezes, claramente assustado com a declaração. E vi os olhos azul-acinzentados escurecerem de tristeza.

— Sinto muito. Sei que o melhor seria me afastar de você e, assim, garantir sua segurança. Mas eu não posso. — Ele segurou meu rosto entre as mãos, com cuidado. — Assumo meu egoísmo e a minha fraqueza. Mas meu amor é egoísta, Hermione, ele não aceita outra possibilidade a não ser ter você para mim. Só espero que algum dia você possa me-

Coloquei meus lábios nos dele com cuidado, mas ainda assim consegui interrompê-lo como queria. Esperei, ainda com a boca na dele, queria abraçá-lo, trazê-lo mais para perto, mas tinha medo de encostar nos hematomas e machucá-lo ainda mais. Draco revirou os olhos de forma teatral e colocou minha mão no próprio ombro.

— Eu não vou quebrar. — Repetiu contra a minha boca, enquanto me empurrava, de forma delicada, de volta para cama.

O loiro cobriu meu corpo com o dele enquanto aprofundava o beijo. Entrelacei meus dedos em seus cabelos, para mantê-lo por perto. A língua dele explorava cada canto da minha boca, levando com ela a coesão dos meus pensamentos. Até que desisti de tentar ser cuidadosa e me entreguei completamente. Ele começou a passear com os dedos pelo meu corpo, acariciou a linha do meu queixo, desceu pelo pescoço e acompanhou a minha clavícula até o ombro. O sonserino roçou os dedos pela lateral do meu corpo com uma suavidade agoniante, da lateral do seio até o quadril, tirando-me o ar.

Então, ele deixou minha boca e começou a fazer o mesmo caminho que tinha seguido com os dedos, dessa vez com os lábios. Agarrei o lençol, tentando controlar os tremores que começavam a balançar meu corpo. Quando alcançou meu ombro, Draco parou por um instante. A respiração dele estava ainda mais irregular que a minha. O loiro mordiscou a pele exposta e quando achei que ia continuar a trilha de beijos até a minha barriga, voltou a unir nossos lábios.

Passeei com a ponta dos dedos pelas costas dele, de cima para baixo e de volta até a base do pescoço e senti Draco se arrepiar sob o meu toque. Continuei brincando, desenhando caminhos erráticos pelos ombros e braços. Minhas mãos pareciam querer memorizar cada pedacinho dele. Alcancei a barriga lisa e tracei o desenho dos músculos definidos. O desespero bom que era ter Draco comigo e para mim ameaçava me afogar, crescendo em um sem tamanho. Tentando extravasar — e também para provocá-lo, admito — arranhei a pele abaixo do umbigo e Draco retesou o corpo. Mas o gemido que ele deixou escapar contra a minha boca não foi de prazer. Uma pedra de gelo gigante parecia ter surgido dentro do meu estômago. Fechei os olhos envergonhada com meu gesto e agarrei a lateral da calça de flanela que ele usava com força, odiando a mim mesma.

Draco encostou a testa a minha e soltou o ar de forma pesada.

— Olhe para mim… — Pediu num sussurro rouco, que arrepiou todos os pelos do meu corpo.

Ele estava ainda mais pálido que o normal, mas as íris escuras derramavam desejo, não dor.

— Está tudo bem. — A voz dele saiu entrecortada. Então, Draco segurou com força o meu quadril, puxando-me para si.

— Draco…

Quase não ouvi minha própria voz. Era para ser um pedido, uma tentativa de chamá-lo para a razão. Isso podia acabar fazendo mal a ele. Mas não existia a mínima convicção em mim também.

— Eu… eu preciso de você, Hermione.

Draco não precisava ter dito nada, não diante da intensidade com que me encarava. Eu tinha a impressão que aqueles olhos cor de tempestade podiam desnudar a minha alma e desvendar todos os meus segredos, até os que nem eu mesma conhecia.

Ele voltou a me beijar e eu não tive forças para impedir. Meu corpo pedia por mais proximidade, por ele. Eu precisava do hálito fresco dele contra a minha pele, invadindo a minha boca; do cheiro de âmbar, sândalo e musgo de carvalho dominando os meus sentidos, impregnado em mim. Tocar, beijar, sentir cada parte dele parecia tão necessário quanto o ar, chegava a doer.

Mais uma vez, a sensação dos lábios de Draco nos meus estava levando embora a minha razão. Então, distraída, passei a mão sobre as ataduras e ele estremeceu.

Deixei meus braços caírem ao lado do corpo, frustrada e decepcionada com a minha falta de responsabilidade. Mas Draco segurou meu queixo com firmeza e beijou meu nariz.

— É só ignorar... essa parte. — Disse olhando nos meus olhos de novo.

— Ignorar? — Sussurrei, tentando manter a voz estável. — Você está sentind-

Ele interrompeu o que eu ia dizer com um beijo muito menos cuidadoso que os anteriores, voraz. Mesmo agora, tão perto, ainda havia uma saudade avassaladora de nós, juntos, unidos em um só. Ao mesmo tempo em que atacava minha boca com vontade, Draco passou o braço entre as minhas costas e colchão, puxou-me para ele e praticamente me levantou da cama.

Minha respiração falhou quando a ideia passou pela minha cabeça. Aproveitando a forma como ele me segurava, impulsionei nossos corpos e nos virei, ficando sobre ele. Foi a vez de Draco parar tudo o que estava fazendo. Ele me encarou com uma expressão indecisa, os olhos arregalados, a testa meio vincada, a boca começando a se curvar para cima. Acho que estava dividido entre ficar assustado e sorrir de forma sacana. Coloquei o dedo indicador sobre os lábios dele e meneei a cabeça num gesto mínimo. Eu podia sentir meu rosto esquentar sob o olhar atento das íris azul acinzentadas, meu céu noturno particular. Apesar de ter tomado a iniciativa, eu agora estava intimidada, quase sem reação. Então, Draco alcançou meus tornozelos e trouxe minhas pernas uma para cada lado de seu corpo, fazendo-me sentar sobre ele e soltar um gemido sufocado.

Quando ele se moveu embaixo de mim e se sentou na cama, aumentando ainda mais o contato, eu praticamente choraminguei. Draco parou por um instante, com os olhos colados nos meus, aproveitando a sensação e, especialmente, a reação incrédula — uma mistura de espanto e prazer — estampada no meu rosto. Percebi que o brilho verdadeiro estava de volta aos olhos dele, uma espécie de chama, o rastro de um cometa que ilumina a escuridão do céu. E eu podia ver meu reflexo dentro deles, queimando em meio ao fogo.

O sonserino levou uma das mãos às minhas costas, para me manter no lugar, com a outra segurou meu cabelo, perto da nuca, e puxou minha cabeça para trás. Então, ele roçou os lábios na curva do meu pescoço exposto, enviando ondas de choque por todo o meu corpo. Tive de me segurar para não cravar as unhas em sua pele já maltratada. Por isso, obriguei minhas mãos a subirem até os cachos macios e os agarrei com força. Draco respondeu ao gesto aumentando a intensidade das carícias, ele mordiscava, beijava e sugava todos os pedacinhos a que tinha acesso, ao longo da minha clavícula e até a parte de trás da minha orelha.

Te amo. Tanto te amo. Ita hic amor non est in me, Hermione! — ele sussurrou.

Segurei o rosto dele entre as mãos e mergulhei na tempestade do céu noturno.

— Eu também te amo. Eu… — hesitei por um instante, enquanto reunia coragem para admitir em voz alta. — Eu também preciso de você, Draco.

Ele imediatamente agarrou a barra da camisetinha de alças que eu usava e levantei os braços para ajudá-lo. Draco fez a peça de roupa deslizar pelo meu corpo vagarosamente e, no meio do caminho, roçou os polegares pelos meus mamilos, fazendo-me arfar. Mal havíamos nos livrado da blusa, nossas bocas já estavam mais uma vez uma na outra. A pele dele era quente contra a minha, já febril. E a cada segundo meu corpo gritava por mais e mais contato. Nada parecia suficiente e, a todo momento, eu segurava seus ombros com força, puxando-o para mim, enquanto ele apertava o braço ao redor da minha cintura.

De repente, Draco nos girou mais uma vez, voltando a me deitar na cama. Ele forçou o corpo contra o meu e eu achei que fosse enlouquecer. Mordi o lábio inferior do sonserino e ele gemeu contra a minha boca. Sua mão, que passeava pela minha perna, finalmente chegou ao cós da calça de flanela que eu usava. Ele brincou com o elástico, para me provocar, e escorregou os dedos para dentro da peça. Suguei o ar com força e prendi a respiração quando Draco começou a me acariciar. Os movimentos eram leves e precisos, enviando ondas de prazer por todo o meu corpo. Gradativamente, ele aumentou a pressão e a velocidade. Meu corpo todo correspondeu, sobrecarregado de sensações.

— Draco…

Não consegui evitar os gemidos, que escapavam da minha boca sem permissão. O calor parecia estar se concentrando na parte baixa do meu ventre.

— Olhe para mim, Hermione. — Era uma ordem, sussurrada na voz rouca e pesada dele, ao pé do meu ouvido, mas ainda assim uma ordem.

Obedeci. E me perdi em meio às nuvens do céu noturno. Meus pensamentos se esvaíram como fumaça. Era como se alguém tivesse injetado água quente nas minhas veias. Enquanto eu tentava controlar os tremores que balançavam meu corpo, Draco fez minhas últimas peças de roupas escorregarem pelas minhas pernas. Eu estava totalmente exposta para ele de novo. Mas dessa vez, não me senti constrangida, nem tinha forças para isso.

— Nunca vou me cansar de olhar para você. — Ele disse mais para si mesmo.

Depois, levantou meu pé direito e começou a beijá-lo, subindo pelo tornozelo, até a perna, passando pelo joelho e pelo osso do quadril, mordiscou minha barriga e beijou o vale entre os meus seios. Quando ele chegou à minha boca, meu corpo já estava quente e totalmente aceso de novo, pedindo por ele. Draco envolveu um dos meus seios com a mão e acariciou a auréola. Só havia uma fina camada de tecido entre nós agora. Então, soltei o laço do cordão que segurava a calça dele e a fiz escorregar pelo quadril do sonserino. Ele arfou e deixou meu seio para agarrar minha coxa. Nenhum de nós queria ou podia esperar mais. E com a testa colada na minha, Draco começou a me preencher, fazendo o mundo ao redor desbotar um pouco mais a cada centímetro. Até desaparecer na imensidão azul-acinzentada.

Notas finais
Quero reviews e recomendações... Finalmente temos DRAMIONE de volta! Bjos