Dramione - Fotografias
32 Trinta e Seis Dias Sem Ela

Pov. Draco
–Papai... A mamãe vai chegar hoje?
Não era a primeira vez que eu ouvia aquela pergunta, na verdade todos os dias eu a escutava e não sabia o que responder. Olhei para a menina de cabelos castanhos que tanto parecia a Mione e apenas neguei com a cabeça. Sophia fez uma cara triste e se aproximou mais de mim se aninhando no meu peito, enquanto eu tinha certeza que Enzo fingia que dormia na outra borda da minha cama de casal.
Eu havia voltado no mesmo dia que ela tinha sido sequestrada junto com os outros e a primeira coisa que fiz foi ir direto para a França buscar os gêmeos sem me importar de estar longe ou perto do prazo deles voltarem. Minha mãe havia se instalado aqui em casa para me ajudar com eles e dormia no quarto de Enzo e Sophia que agora sempre dormiam comigo até a mãe deles voltar, ou melhor dizer, eu busca-la.
Melgaço era uma fumaça, era como se ele nunca tivesse estado no hotel, nenhuma pista, nenhum lugar que ele possivelmente poderia estar.
Eu não podia ficar com os braços cruzados, o momento que eu me levantei daquela cama de hotel eu comecei num trabalho árduo e extremamente cansativo ao lado de Harry atrás de Fabricio Melgaço, onde consequentemente, nos levaria até Hermione.
O Departamento de Aurores estava um caos, os primeiros dias foram dedicados a investigações internas onde qualquer um que não fosse eu e Harry era um possível suspeito de ter entregado o plano para Melgaço. Eu desconfiava da minha sombra, e com Harry não era diferente...
Foram possivelmente os dias mais angustiantes da minha vida... Cada um deles. Eu não era a Hermione, eu não sabia me esquivar das perguntas inteligente de Enzo e Sophia, e por mais que eu quisesse esconder deles no começo que a mãe deles estava desaparecida, eu não consegui. Eles eram espertos de mais para não desconfiar.
Eu não sabia o que fazer em relação a muita coisa, me sentia uma verdadeira barata tonta andando de um lado para o outro procurando pistas que não existiam.
Os primeiros dias foram os piores... Eu não sabia simplesmente o que dizer, e estava cansado de ser consolado pelas pessoas. Na minha casa já tinha passado todo mundo, sempre ofereciam ajuda com Enzo e Sophia e eu recusei todas elas a não ser a da minha mãe e da Gina que se revezavam com eles aqui dentro de casa ou na Toca.
Minha casa podia ser considerada o lugar mais protegido para eles, eu mesmo fiz todos os tipos de proteções que pudesse se imaginar nela por garantia, eu não podia simplesmente dar-me ao luxo de perder Enzo e Sophia também, estava fora de cogitação.
A primeira noticia real chegou treze dias depois dos sequestros, alguns aurores entraram na sala de reunião, onde eu e Harry discutíamos os próximos lugares que podíamos tentar achar alguma pista, quando eles nos avisaram que Jeovane havia sido encontrado na orla de uma floresta em Londres e que tinha sido levado para o St. Mungus junto com o filho de Augustus.
Menos de dez minutos depois eu e Harry havíamos chegado ao hospital e nos encaminhado para o quarto dele. Era para ser um quarto reservado, os aurores tinham alguns privilégios, mas ele estava com um garoto com olhos negros e cabelos pretos sentado com uma poção estranha que passava por um tubinho e entrava no braço dele.
Jeovane nos trouxe bastante informação, mais do que imaginávamos que íamos conseguir com ele. Ele não sabia onde era a ilha, havia tomado uma poção que até agora ainda não tinha devolvido os poderes deles, e sido abandonado com a criança no meio da floresta onde tiveram que andar muito para chegarem até a orla e conseguir avisar os aurores.
Eu já suspeitava que Melgaço era um sádico, mas tudo que Jeovane nos contou me deixou ainda mais impressionado. O homem era completamente maluco e obsessivo, onde já se viu usar pessoas para fazer experiências? Quanto mais eu escutava, mais preocupado eu ficava, as coisas não estavam boas lá e mesmo ele falando que desconfiava que a ilha era bruxa as chances de acharmos eram mínimas pelo simples fato de que eles podiam muito bem estar ocultos com algum feitiço legal ou ilegal.
Melgaço e Mione também me preocupava um pouco, Jeovane foi bem claro ao dizer que o Chefe da Máfia mais poderoso da atualidade tinha uma certa obsessão por ela, e que todos os dias a ficava observando e mandando convites e isso me deixou ainda mais perturbado. O que ele queria com ela? Eu sabia que tinha o risco dele se interessar, mas isso durante a missão, agora ela era apenas uma prisioneira... Uma prisioneira que o almofadinha velhote estava completamente obcecado. Não tinha como não sentir uma pontada de ciúmes!
O primeiro pedido de troca me surpreendeu, ele não pediu os gêmeos. Pediu meu pai e o amigo comensal dele, o que Fabricio Melgaço tanto queria com comensais? Será que a quantidade de capangas que ele tinha não era o suficiente? O homem estava num lugar quase impossível de ser pego e estava querendo velhotes imprestáveis, comensais a morte.
–E como ela está? Perguntei a Jeovane após pegarmos o depoimento dele, eu não conseguia mais lidar com a falta de noticias, era desgastante demais.
–Sua namorada está bem Draco Malfoy, Hermione é uma das mulheres mais duras na queda que eu conheço. Cuidou de Simas todos os dias o ajudando com o joelho deslocado, não se rebaixou para Melgaço em nenhum segundo e acho que é por isso que ele está tão encantado por ela – falou Jeovane com admiração – Ela é o cérebro e coração ali, ela pensava por nós e de certa forma nós a seguíamos. Talvez o maior problema lá seja a falta de comida, Melgaço se recusa alimenta-la se não for ao lado dele e achamos que seria perigoso demais ela ficar a sós com ele, Walisson sozinho não ia conseguir cuidar dela... Na verdade o termo “cuidar dela” é completamente desnecessário, na primeira noite ela “se cuidou sozinha” o cara que a chamou de sangue ruim quebrou o nariz e duas costelas, vivem numa briga constate, mas acho que eles não vão fazer nada com ela.
Eu sorri de lado, era bem a cara da Hermione não abaixar aquele nariz empinado dela para nenhum homem, ainda mais os arrogantes e psicopáticos. Eu conhecia minha morena, talvez ela tivesse dando muito mais problemas para ele do que eles davam para ela.
–Ela pediu para não me esquecer de uma coisa, na verdade eu já ia me esquecendo – Jeovane falou com um sorriso cansado – Não existe traidores na nossa equipe, não para aquela missão, porque nunca houve uma missão para capturar Melgaço.
–Como assim? Perguntou Harry.
–A missão não era nossa Sr. Potter, a missão era de Melgaço – falou Jeovane – Ele nos atraiu para lá, era a missão dele, ele armou cada detalhe, cada lugar... Mione suspeita do gerente bruxo do hotel, ela acha que ele passou as informações para eles. Estávamos apenas fazendo o que Fabricio Melgaço “armou” para nós.
Passei os dedos pela testa nervoso, e Harry tirou os óculos para limpa-lo. Nossos primeiros dias de investigação deram tudo errado... Ficamos num jogo de rato e gato caçando quem entregou a nossa missão, quando na verdade nunca existiu missão.
Depois de fazermos o interrogatório, Harry seguiu para o Ministério para debater com o Ministro a primeira troca que possivelmente faríamos, enquanto eu voltei para casa. Eu não gostava de ficar muito tempo fora, não enquanto eu podia ficar com Enzo e Sophia junto comigo...
Eles estavam péssimos e preocupados com a mãe, a minha e Gina até que tentavam anima-los mais era cada vez mais difícil para eles saber que a mãe deles estava em perigo. É claro que agora com as informações de Jeovane estávamos mais bem preparados para assumir uma nova linha de investigação, mas isso era completamente impossível.
–Papai? Chamou a voz de Enzo.
Eram mais um dia qualquer, talvez terça ou quinta, eu havia chegado no fim da tarde e estava sentado no sofá, minha cabeça doía e eu me sentia o mais completo idiota imprestável do mundo por não conseguir saber onde Hermione estava.
– O senhor não está bem, não é mesmo? Perguntou Enzo.
Tentei sorrir para ele, Enzo estava muito quieto esses dias, não era mais aquele menino bagunceiro que corria de um lado para o outro, estava um verdadeiro rapazinho cuidando da irmã.
–Papai está cansado garotão – falei o sentando no meu colo – O que você fez hoje?
–Vovó Narcisa nos levou até a Toca, mas não demoramos.
–Vocês deviam ter ido brincar. O que foi que aconteceu? Perguntei para ele.
–O senhor está triste por causa que a mamãe está longe, não é? Por que aquele homem malvado pegou ela, o mesmo que queria pegar a gente no orfanato, não é?
Apenas sorri de lado.
–Eu só estou preocupado.
–Não precisa ficar preocupado papai, é da mamãe que estamos falando... Ela prometeu para mim que íamos nos ver e ficarmos juntos para sempre, minha mãe nunca descumpre uma promessa feita para mim.
Baguncei o cabelo dele com uma das mãos e ele gargalhou descendo no meu colo.
–Sua mãe é teimosa demais para descumprir uma promessa, não é mesmo? – perguntei retoricamente, Enzo e Sophia eram tão inteligentes para a idade deles, que naqueles momentos eu sentia os papeis completamente invertidos – Por esses dias você vai ter que cuidar da sua irmã, eu vou trabalhar muito mais.
–Se ela demorar voltar, o senhor vai busca-la? Perguntou Enzo.
–É claro que ele vai buscar ela Enzo, papai é o príncipe, um príncipe nunca deixa sua princesa. Não é mesmo papai? Perguntou Sophia entrando na sala.
Eu sorri para eles, como alguém em sã consciência conseguiria fazer algum mal a eles? Não tinha a possibilidade de nem ao menos culpa-los por ela estar lá, e nem cogitar a possibilidade de entrega-los...
–Está certa sim meu amor, papai vai buscar a mamãe.
–E o senhor pode fazer isso hoje papai? – perguntou Sophia se sentando no meu colo, seus olhos se encheram de lágrimas – Eu estou com muitas saudades dela, busca a sua princesa hoje papai.
Eu não sabia ao menos o que responder, na verdade... Eu nunca ia conseguir responder aquilo para Sophia. Eu sabia que não podia buscar ela ainda, a única coisa que eu sabia era que não ia deixa-la lá.
–Hoje não dá meu amor, mas assim que der o pai de vocês vai buscar ela. Falou minha mãe em pé ao lado de Enzo, eu nem ao menos tinha percebido ela entrar.
–Promete que vai buscar a mamãe? Perguntou Sophia e eu enxuguei as lagrimas dela com as pontas dos dedos.
–É claro que prometo.
Prometo, prometo, prometo... Eu apenas fazia promessas quase todos os dias para os dois.
Cada dia que passava era extremamente difícil, todo mundo parecia a se dedicar apenas para isso. O casamento de Harry e Gina que estavam marcados para esse o mês de fevereiro foi cancelado, os Weasley entraram quase todos na investigação assim como todos os dias eu recebia ligações inclusive da Adriana, terapeuta, e do Rafael que me ligava duas vezes por dias para saber dela e das crianças.
O conselho de adoção estava pegando bem leve com a gente, sabiam que Mione estava com o cara que queria os gêmeos, e estavam nos dando uma folga e uma aceleração do caso para nos dar a guarda definitiva o quanto isso, já que era nítido para qualquer um que meu relacionamento com ela não é fingimento, pelo menos não mais. Além que dar um certo “apoio” nesse momento difícil que a nossa família estava passando.
O Ministério estava um caos com a soltura de dois comensais em troca de reféns, o sequestro de Hermione e de mais três aurores tinha vazado para o Profeta Diário que fez um estardalhaço ao saberem que ela estava trabalhando como auror durante todo esse tempo e principalmente, que eu e ela estávamos “juntos”.
Harry dormia tanto quanto eu. Estava cada vez mais cansado e não era para menos já que ele não parava nunca, Rony havia se juntado a nós para ajudar nas investigações de uma forma informal mesmo o filho, que nasceu um dia depois do sequestro de Mione, estar em casa com Lilá.
Os dois restantes do trio de ouro acharam melhor eles mesmos interrogarem Lucio do que eu, o que eu concordei plenamente mesmo sabendo que o crápula que eu tinha que chamar de pai, nunca falaria nada que pudesse ajudar Hermione Granger, ainda mais a gente sendo um casal.
Antes de mandar meu pai e Avery, investigamos a floresta inteira que eles nos mandaram deixa-los, não encontramos nada, nenhum sinal que pudesse indicar que eles estavam em algum lugar. Feitiços de rastreamento eram anulados na tal ilha, já que nenhum dos que tínhamos feito nos deram resultado e qualquer material trouxa não funcionava naquele lugar.
Melgaço era inteligente demais para deixar qualquer ponta solta, da mesma forma que ele nos emboscou no hotel, tínhamos que conseguir invadir aquele local para tira-los de lá, porque de certa forma, sabíamos que mais cedo ou mais tarde teríamos que fazer isso, porque a próxima troca não seria feita.
Enzo e Sophia não iam chegar perto de Melgaço.
Não tinha como não sentir o tempo passar, tudo que podíamos fazer estava sendo feito, mas nunca parecia o suficiente para mim. Eu queria resultados, e nunca conseguíamos tais resultados da forma que eu queria.
Kingsley tentava dar o seu melhor como Ministro, mas estava tendo sérios problemas de saúde, enquanto Harry estava sendo cogitado para ser o próximo Ministro da Magia, mesmo negando confirmar os boatos. Ninguém tinha tempo para pensar em Ministério quando na verdade corríamos contra o tempo esperando Fabricio Melgaço dar as cartas.
Um grupo especial foi mandado para o Japão quando descobrimos que ele havia sido visto lá e que novamente os aurores trouxas do Japão estavam tendo problemas com contrabando, nos levando a acreditar que ele estava dando uma volta por lá. Outros aurores estavam circulando por todas as ilhas bruxas da Europa o que reduziu bastante os que restavam no Ministério.
Nem um detalhe podia ser perdido, cada dia que Mione ficava longe era mais perigoso para ela, e mais difícil para eu ficar tanto tempo longe dela... Quando foi que me tornei tão dependente de Hermione Granger? Quando foi que a vida dela se tornou mais importante que a minha? O que eu não daria para ser eu lá, no lugar dela...
A liberação dos reféns estava no prazo limite, já fazia um tempo que tínhamos mandado a troca, os comensais, e esperávamos pela chegada de Natalia e Simas a qualquer momento. No dia 27 de fevereiro se passava das nove da noite quando chegou a noticia que Natalia havia sido encontrada por meio de um patrono do Harry.
–Mãe! Chamei do primeiro andar.
–O que aconteceu Draco? Perguntou ela já de camisola.
–Pega as crianças, eu vou levar vocês para a casa dos Weasley, eles liberaram mais uma refém.
Em poucos minutos minha descia as escadas com os dois ainda de pijamas, peguei Enzo que era mais pesado, e usamos a lareira para deixa-los lá. A senhora Weasley já nos esperava e nem perguntou nada, Gina apareceu depois de nós com Theo dizendo que Harry estava me esperando na porta do St. Mungus.
Eu não aguentava mais de ansiedade, precisava saber como Mione estava e se tínhamos mais algumas informações que fosse necessária. Subimos direto para o quarto privado dela e Jeovane estava lá com ela.
Ela parecia muito mais bem cuidada que o marido quando chegou aqui, afinal ela estava bem mais confortável que os outros trabalhando na enfermaria. Harry não perdeu tempo e começou o interrogatório de praxe, Natalia tinha mais informações que o Jeovane... Ela teve um pouco mais de liberdade do que ele lá dentro e pode nos informar o numero de capangas que geralmente ficavam no lugar, assim como o numero de pessoas, como eles diziam, cobaias. Simas não quis vir, e eu o compreendi, era bom saber que ele estava lá com ela, que ele protegeria ela enquanto nós não tínhamos ideia de por onde começar a procura-los.
Natalia também contou que nem todo funcionário lá dentro estava satisfeito com o que acontecia e que um antigo amigo meu, Theodore Nott, que vi pela última vez alguns dias depois da guerra, havia trabalhado para Melgaço, mas que pela segunda vez tinha sido pego descumprindo as ordens. Nos contou sobre os aliados que ela conseguiu mesmo quando Theo já tinha sido trancafiado, mas quando perguntei se ela sabia como Mione estava ela não sabia muita coisa.
–Eu não a vi desde o dia que fui para a enfermaria, eu sinto muito... Eu tive contato apenas com Walisson uns sete dias antes deles me mandarem, mas ele falou que não podia ficar indo me ver porque podiam desconfiar. Ele me avisou sobre uma tal de Alice, parece que Mione disse que ela é uma capanga ou algo do tipo.
Eu e Harry trocamos um olhar preocupado. Aquela vadia! A culpa e ódio tomou conta de mim, eu nunca devia ter deixado Alice entrar nas nossas vidas. Se eu não fosse tão idiota ela não teria se aproximado tanto de nós.
–Ele apenas me avisou sobre os dias de poção que ele ainda tinha e que Simas não ia vir, isso foi antes de sabermos sobre a troca. Simas já estava decidido a ficar com Hermione – contou Natalia – Ela também criou um laço de amizade muito forte com o Theo, ela e Simas se aproximaram muito do Theo e pouco antes deu sair, assim que Melgaço voltou para a ilha a noticia espalhou que eles iam executa-lo no dia 6 de março.
–Não vai dar tempo de chegarmos lá, Droga! Nem sabemos onde eles estão. Theo é meu amigo, Blás procura por ele até hoje. Falei com raiva.
Eu gostava de Theo, ele era o único que realmente podia me entender na época que fui obrigado a virar comensal, porque ele também teve que virar. Quando eu mais precisei pude contar apenas com Blás e Theo durante quase toda a minha adolescência, eles não eram meus amigos porque meu pai era rico e poderoso como Crabbe, Pansy e Goyle eram, eles não precisavam ficar na minha sombra e quando meus pais se tornaram menos influentes depois da invasão no ministério, não viraram as costas para mim, mesmo Blás nunca sendo um comensal.
–Eu sinto muito. Falou Harry para mim.
–Esse garoto é um rapaz muito bom, vai ser realmente uma grande perda. Ele que me recrutou lá dentro, tenho certeza que ele se arrependeu completamente do que estava fazendo já que ajudou bastante os prisioneiros. Falou Natalia.
Não prologamos muito nesse assunto partimos para o pedido de troca que era o que já esperávamos, Enzo e Sophia, por Hermione em no máximo quinze dias. Nem nos olhamos, sabíamos que essa troca não seria feita, eu nunca faria isso e se eu fizesse Mione nunca me perdoaria.
–Obrigada. Acho que por hoje é só Natalia, qualquer coisa me avisa. Falou Harry apertando a mão dela.
–Não a de que! – respondeu Natalia – Desculpe Draco, eu queria realmente poder trazer mais informações para vocês principalmente sobre ela, mas é tudo que eu sei.
–Não tem problema, espero que descanse – falei sincero e me virei para Harry – Acho melhor mandar um grupo atrás da Alice, ela fingia trabalhar com a madame Rosmerta.
–Vou mandar um grupo para lá assim...
–Espera... Pediu Natalia enquanto saiamos do quarto dela.
–Aconteceu alguma coisa? Perguntou o marido dela.
–Não, é essa Alice, eu conheci a irmã dela na ilha. Mas a irmã dela parece que é aliada do Dore, como todo mundo chama o Nott por lá. Ela me entregou um pedaço de papel pouco antes de eu ser solta, não me disse o que era, apenas que os que estavam na cela pediram para me entregar, eu não tive tempo de olhar. Mas acho que vai ser importante porque a moça é proibida de andar por lá e se ela se arriscou tanto foi porque eles realmente queriam que chegasse em minhas mãos.
–E onde está esse pedaço de papel? Perguntou Harry.
–Eu estava com pressa, ela pediu para eu escondê-lo e eu tive que encontrar os capangas para tomar a poção... – ela falou pensativa massageando as têmporas – meu sapato!
–O que tem seu sapato querida? Perguntou Jeovane.
–Está na meia do sapato, eu lembro que me abaixei e coloquei no coturno, deve estar lá ainda. Onde está minhas coisas?
Harry nem a deixou terminar, abriu a porta e conversou com a enfermeira que voltou poucos minutos depois com uma bolsa, as roupas da Natalia e os sapatos dela num saco plástico. Jeovane pegou as coisas da esposa e revirou o sapato tirando dele um pedaço bem pequeno de papel muito bem dobrado.
–É isso? Perguntou para a esposa e ela afirmou.
Harry pegou o papel o restaurando, já que estava um pouco amarrotado e machado de preto devido ao suor e leu.
–É uma citação do livro. Falou passando o papel para mim.
Li o pedação pequeno e embolado de papel que havia sido dobrado várias vezes até se tornar muito pequeno, sorri de canto, e não deixei de me sentir eufórico ao recitar o que estava escrito ali.
–“O quintípede é um animal carnívoro perigosíssimo com um certo gosto por humanos. Seu corpo atarracado e rente ao chão é coberto por pelos castanho-avermelhados, do mesmo modo que suas pernas, que terminam em patas tortas. Ele é encontrado na ilha de Drear, ao largo do extremo norte da Escócia, razão pela qual a ilha foi considerada imapeável.”
–O que é isso? Perguntou Harry.
–Isso é a Hermione sabe-tudo-irritante nos dando uma pista.
–Isso quer dizer que?
–Hermione está na ilha de Drear.
...
Não tínhamos muito tempo, naquela mesma noite nos reunimos com todos aqueles que participaram da missão para contarmos a novidade. Muitos assim como eu, estavam empolgados, Nathanael pelo seu parceiro, Dino pelo seu melhor amigo... Eu pela Hermione.
O problema maior era como achar a ilha, a ilha de Drear era uma jogada de mestre de Melgaço pelo simples fato que mesmo a gente descobrindo que eles estavam numa ilha bruxa, nunca iriamos procurar nela por ser imapeavél. Para acharmos a ilha tivemos que seguir outra linha de raciocínio, nada de feitiços localizadores e muito menos imagens de satélites trouxas. Tivemos que seguir as orientações que ela nos mandou e estratégias evasivas para descobrirmos onde ela estava exatamente.
O problema era o numero de pessoas que teríamos que tirar de lá, não era mais uma missão apenas para resgatar Mione, Simas e Walisson, era uma missão para resgatar mais de duzentas pessoas e tentar prender mais de 300.
Sabíamos que não íamos nunca conseguir fazer isso com poucas pessoas. Natalia no terceiro, dia de preparo da missão, se juntou a nós junto com Jeovane para nos ajudar a preparar tudo.
Não estávamos indo em quantidade suficiente, reunimos todo o setor de auror para a missão, desde os investigadores até grande parte dos guardas de Azkaban, cerca de cento e cinquenta aurores. O modo de chegarmos lá também era um problema que tivemos que partir para a área de Melgaço, segundo Natalia, os jatos funcionavam na ilha por causa do combustível a base de magia e poções... O que era um grande problema e tivemos que colocar os inomeavéis do Departamento de Mistério para resolver esse probleminha com o combustível enquanto eu e Harry traçávamos estratégias para tentarmos chegar sem chamarmos muita atenção, o que era muito difícil já que estavam em grande número.
Em busca de tempo Harry mandou uma confirmação para Melgaço falando que iriamos sim entregar as crianças, mas que para isso queríamos Mione e Simas. Eu não gostei disso, mas estávamos precisando de tempo, nem por um segundo cogitei essa possibilidade de entregar os dois para ele.
Finalmente eu sentia esperanças... Finalmente eu iria busca-la...
Acordei com o barulho do celular tocando na cômoda, esfreguei os olhos pensei seriamente em não atender, era apenas mais um dia comum, onde estava fazendo trinta e seis dias que eu estava sem ela.
Foi um alivio receber uma ligação ás seis da manhã do Chefe do Departamento dos Mistérios nos informando que os jatos estavam prontos. Eu apenas desliguei o celular colocando-o no criado-mudo suspirando fundo e virei-me para o lado das crianças na cama.
– Papai... A mamãe vai chegar hoje?
Ela estava com uma voz embargada, todo santo dia ela me fazia aquela pergunta, e isso nunca foi irritante, era só a forma dela não se esquecer da mãe... Mas naquela manhã era mais especial.
–Vai sim meu amor, hoje vocês vão ver a mamãe de vocês.
O sorriso dela foi tão grande que eu nem deixei de rir com ela, ela não se aconchegou em mim, pelo contrario, ela se levantou de uma vez e começou a sacudir o irmão dela. Os dois ficaram durante muito tempo só falando disso, antes do almoço fui para o Ministério apenas para confirmar as coisas e voltei para casa para me despedir deles antes de irmos.
Minha mãe não era uma grande amiga da senhora Weasley, mas aos poucos as duas foram se reconhecendo e aprendendo a se gostar. Usamos a lareira para levar as crianças que saíram correndo para contar para Teddy e Victoria que finalmente a mãe deles iria voltar.
Achei estranho o grande barulho que vinha do lado de fora da casa e segui para o jardim, que estava cheio de gente. Harry estava discutindo com Gina e Rony em alto bom som enquanto todos falavam entre ao mesmo tempo.
Susana, Ana, Cho, Parvati, Padma, Dênis, Neville, Luna, Terêncio, Antônio, Blásio, Rafael e até mesmo a terapeuta, Adriana e o marido dela que eu vi apenas uma vez quando ela foi lá em casa ver os gêmeos poucos dias atrás. Ali junto desses estavam os Weasley e suas esposas, até Lilá balançando a pequena Rose no braço discutindo com ela. Uma verdadeira confusão.
Enzo, Sophia, Victoria e Ted estavam rindo no canto apenas os quatro.
–Chega!
Não chegou a ser um grito, mais a voz autoritária que eu tanto conhecia fez todo mundo ali calar ao mesmo tempo. Minha mãe estava reta ao meu lado com um olhar severo e pude ver alguns olhares envergonhados para nós, principalmente da senhora Weasley que discutia com Arthur e Carlinhos.
–O que está acontecendo? Perguntei.
–O que está acontecendo? É que Ginerva Weasley reuniu todo mundo para ir na nossa missão.
–É GINA! – gritou a ruiva e depois se virou para mim com um sorriso cínico – Dá para explicar para ele que isso não é apenas uma missão do Ministério da Magia?
–E não é uma missão do Ministério? Perguntei.
–Não – respondeu Luna com um sorriso, nem parecia que ela estava no meio de uma discussão coletiva – Estamos indo com vocês porque desde o momento que nossos amigos estão lá, parou de ser uma missão do Ministério para ser um resgate.
–Resgate? Perguntou minha mãe.
–Sim, esse bruxo está lidando com pessoas como lida com animal! – falou Adriana – Não podemos ficar aqui de braços cruzados, tem centenas de pessoas lá.
–A gente vai com vocês. Gina finalizou cruzando os braços.
Levei alguns segundos para entender a confusão.
–Espera aí – falei em duvida – O que minha terapeuta está fazendo aqui?
Todos começaram a rir, mesmo eu não tendo noção nenhuma do que estava acontecendo ali realmente.
–Gina me chamou. Respondeu Rafael.
–E meu irmão me chamou. Falou Adriana.
–E ela me chamou.
Todo mundo olhou para o marido de Adriana que tinha um sorriso de divertimento nos lábios ao se meter na conversa.
–Tudo bem então – falei pensativo – E quem chamou Gina?
–É isso que eu estou tentando explicar para a cabeça dura da minha noiva! Harry falou erguendo as mãos para cima.
–Eu não preciso ser chamada, não quando a minha melhor amiga está naquela ilha. Respondeu Gina como se fosse obvio demais.
–Gina está certa, a gente vai ajudar. Falou Carlinho, o único que não tinha uma esposa para brigar ou convencer a ficar.
–Vocês precisam de reforços, nós somos o reforço. Blás falou naturalmente.
–E o que você está fazendo aqui? Perguntei para ele.
–Theo está lá, ele é nosso amigo, você sabe o quanto eu procurei por ele durante esses anos. Falou Blás.
Eu apenas acenei concordando com ele e uma nova onde de confusão e discussão aconteceu no jardim. No final foi engraçado ver o Chefe dos Aurores ceder para a noiva. Eu gostava dos Weasley, mas gostava ainda mais das esposas deles. Percy tentou usar todas as artimanhas dele, mas não deu em nada, a pequena filha deles de agora quatro anos ficaria com os avós. Angelina e Jorge foi de longe a briga mais engraçada, eu não sabia se eles estavam rindo ou se estavam discutindo realmente, só sei que no final ela também ia. Fléur foi a melhor de todas, Gui não cedia em momento algum, de forma alguma, mas quem disse que a meia veela cedeu?
“Você não manda nem nas cuecas que usa. Eu que escolho quando você entra no banho.” Foi a frase dela antes de ir usando seu sotaque francês.
Lilá discutia sozinha, Rony já ia com a gente de todas as formas, mas mesmo assim ela insistia em usar a pequena Rose a seu favor, o que não abalou ele apesar de amar a filha, eu sabia que a amizade de Rony e Hermione era grande demais para ele não ajudar.
Apenas Cho ficou para trás junto com a minha mãe, Molly e Arthur Weasley para cuidar das crianças. Aparatamos no lugar que os jatos estavam, numa fazenda muito discreta. Os aurores estavam todos numa posição impecável e nos distribuímos pelos jatos com feitiços de desilusão. Os que não eram aurores, Harry e todos os investigadores e melhores aurores no mesmo jato, seriamos a frente do ataque, mas queríamos causar o menor dos impactos, pega-los de surpresa...
Melgaço havia escolhido o lugar perfeito, mas dessa vez nosso plano não ia falhar. O silêncio era notável, ninguém dos que estavam no mesmo avião/ jato que nós proferia uma palavra.
Era difícil acreditar que no pouco tempo que tivemos para organizar tudo, conseguimos montar tudo. E pensar que antes de Jeovane nos contar um pouco sobre a ilha pensávamos que era apenas um pequeno sequestro, nunca imaginamos que no final das contas não era só minha morena que estava nas mãos dele, havia uma quantidade absurda de pessoas que estavam sendo tratadas como animais.
Nem no meu tempo de comensal eu conseguiria acreditar ou ao menos aceitar que isso é aceitável e possível... Quem era Fabricio Melgaço? O homem impecável de terno que vimos pela primeira vez na missão, que não era nossa e sim dele, não aparentava ser assim... Mas quem realmente é o que aparenta ser?
Eu consideravelmente não... Não mesmo, eu lutei muito depois da guerra para tentar superar o que eu sempre fui, e com o passar dos anos apesar de tentar ao máximo possível, eu me estabeleci, só que no fundo, bem no fundo mesmo, eu não conseguia aceitar ser tão bem tratado por todos aqueles que eu humilhei... Eu não me sentia merecedor disso por que no fundo, que eu sempre insisti em guardar, eu sempre me considerava uma pessoa ruim. Por isso sempre tive medo de me apaixonar, eu tinha que deixar meu lado ruim lá no fundo para não acordar meus outros sentimentos, sentimentos esses que a paixão sempre acorda.
Mas para que adiantou guardar tudo isso? Pra uma mulher, que conheci garota, bagunçar tudo de uma só vez?
Hermione Granger pegou a minha vida confortável e jogou dentro daquele negócio trouxa, que ela usava para fazer vitamina e que tinha o nome mais estranho de todos os utensílios da cozinha, fazendo uma verdadeira bagunça na minha vida. Ela me desafiou desde o primeiro dia... Ela jogou, me fez sair da minha zona de conforto, me tirou o sono, me tirou a sanidade, o meu sossego... E bagunçou minha vida virando-a do avesso... E eu só tinha que lhe agradecer por isso.
Ao mesmo tempo que ela bagunçava tudo que eu estava acostumado, ela colocava outras coisas no lugar... Ela me deu Enzo e Sophia, como um dia eu consegui viver sem eles? Eles eram meus, eram nossos, com eles eu aprendi um sentimento que talvez só tivesse sentido da parte da minha mãe, eu aprendi a ama-los.
E eles me ensinaram o é realmente amar.
O que era apenas para ser uma atração física entre mim e Mione se tornou algo intenso, eu passei logo de cara a descobrir sentimentos que nunca pensei sentir por nenhuma mulher... Eu senti ciúmes... De cada homem que olhava para ela, de cada pedaço do corpo dela porque mesmo antes de nos casarmos, eu ainda sim não conseguia imaginar que outro alguém pudesse tocar naquele corpo.
Ela despertava o pior em mim exatamente como eu tinha medo, mas felizmente esse pior era acompanhado de outra coisa que eu demorei meses para desenvolver. Amor.
Piegas... Claro!
Mas tão real que naquele momento, sentado naquele banco do jato, a única coisa que eu conseguia pedir era que ela estivesse bem... Eu queria vê-la, eu queria protegê-la com minha vida se possível e era ai que eu entendia que o piegas era real, era bom... Era necessário.
A voz do piloto nos avisando que íamos entrar no campo de visão da ilha, me acordou dos meus devaneios. Era a hora que tínhamos que nos preparar para entrarmos no campo de visão dos capangas e eles com certeza tentariam derrubar o avião, era difícil não escutar o barulho de um jato mesmo ele estando com feitiço de desilusão.
–O que está acontecendo ali? Perguntou a voz de Harry.
Levantei-me do meu lugar e fui até ele, o piloto se encaminhava para a pista de voo o que me surpreendeu bastante já que iriamos tentar descer na mata.
–O que...
Eu parei de falar, lá embaixo estava uma verdadeira confusão. Todo mundo no jato se encaminhou para olhar a grande bagunça que estava acontecendo ali, pessoas vestidas de preto corriam de um lado para o outro, uma quantidade enorme dos capangas tentavam contornar a situação, parecia um verdadeiro formigueiro no começo de uma noite fria de inverno.
A porta do jato abriu e todos descemos correndo, os outros iriam vir ao nosso sinal de aviso, um jato parecia que ia levantar voo, mas alguns aurores o impediu. Ali a confusão era menor... Os nossos amigos, não aurores, logo identificaram que devíamos atacar todos que usavam sobretudo camuflado por cima das roupas pretas e assim começaram os duelos.
Gritos, pedidos de socorro, xingamentos e choros eram ouvidos. Desferi o máximo de feitiços que pude indo em direção a confusão. O que era um palco de forca estava quase totalmente destruído e as pessoas usavam seus pedaços para atacar e arremessar naqueles que tentavam prendê-los de novo.
–Eu quero um grupo naquela direção – gritou Harry para a mata onde agora os capangas que tentavam pegar as pessoas, corriam de nós e tentavam nos atacar – Nathanael organize os prisioneiros de Melgaço. Miguel avise os outros jatos que podem descer. Gina e Rony vocês ficam comigo, Carlinhos, Adriana, Hugo, Jorge, Angelina sigam o Dino... O restante se espalhem, logo os outros vão descer. Rafael e Blás vão com o Draco, Draco... Você vai atrás da Hermione.
Apenas confirmei com a cabeça e ele saiu correndo com Gina e Rony do lado. A porta do jato que estava levantando voo se abriu e para minha surpresa, os prisioneiros de Melgaço começaram a descer. No meio de tanta gente de preto eu reconheci apenas uma, um homem vestido de branco.
Eu não sabia o que estava acontecendo, mas ele e Simas assim que me viram vieram na nossa direção se esquivando dos feitiços que passavam por nós, e desferindo naqueles que estavam contra nós.
–Theo! Cara, não acredito que é você. Disse Blás o abraçando.
–Bom te ver também cara! Disse Theo.
Num abraço rápido eu o cumprimentei, era estranho, fazia tanto tempo que não nos víamos.
–O que está acontecendo aqui? Estupore. Perguntei estuporando um cara muito baixo e musculoso.
O semblante de Theo e Simas mudaram, ambos trocaram um olhar preocupado e cumplice.
–Hermione começou a revolução para eu não morrer – Theo falou resistente – Eu sinto muito, seu pai pegou ela. Num momento ela estava sorrindo para nós e correndo para o galpão, no outro seu pai e Alexandre estavam com ela.
–Tentamos ajuda-la, mas... Mas ela nos impediu. Completou Simas.
Era como se me faltasse folego no momento, meus olhos percorreram o lugar inteiro que parecia estar devastado, eu já nem me defendia dos feitiços e senti que eles não chegavam até mim por causa de Blás e o troglodita. No final das contas, e se eu não achasse ela?
–Precisamos ir atrás dela, acho que ainda estão aqui... Mas o seu pai não gosta nem um pouco dela – falou Theo – Eu temo que ele possa fazer algo contra Mione, a revolução começou por causa dos dois.
Eu senti a adrenalina percorrer meu corpo, ao longe lá estava uma mansão. Tudo indicava que ela estava lá... Era minha ultima opção de acha-la... E se Melgaço conseguiu leva-la? Pior. E se meu pai fizesse algo com ela?
Eu não havia percebido, mas já estava correndo apenas escutando os outros atrás de mim. Era como se a minha visão estivesse vermelha, embaçada, como se eu sentisse que algo muito ruim estivesse acontecendo com ela... Eu não podia perdê-la, eu a amava demais!
Eu podia sentir um movimento maior atrás de mim, os outros deviam ter chegado. Mas eu ainda não a tinha nos meus braços.
Não. Eu prometi a Sophia e Enzo que eu ia leva-la de volta hoje, assim como ela, eu era teimoso demais para descumprir essa promessa...
A mansão estava uma verdadeira bagunça, e entramos atacando de frente, muitos capangas estavam ali se organizando para fugir, eu apenas apontava as varinhas e os feitiços saiam enquanto na verdade eu só pensava nela. Em acha-la.
Avistei a tão famosa porta de carvalho que Jeovane e até mesmo Natalia, tanto falaram. Rafael, Blás, Simas e Theo iniciaram duelos que eu não iria conseguir me concentrar.
–Hermione! Gritei.
Não ouve resposta, mas os capangas estavam insistentes em não me deixar passar. Nos livramos deles, mas a porta estava trancada.
–Bombarda Máxima...
A porta se explodiu em milhares de pedaços.
–Hermione. Chamei congelando-me.
Dois feitiços passaram sobre meus ombros acertando os dois homens que estavam ao lado do meu pai, que se virou surpreso para nós.
–Hermione... Hermione?
Eu a avistei no fundo daquele corredor, de frente para uma parede, no chão onde uma poça de sangue estava ao redor dela. Meu coração se acelerou... Ela não podia estar... Ela não estava...
Eu simplesmente não conseguia terminar essa frase, eu tinha vontade de correr até ela, mas tinha medo... Medo dela não me responder. Nem três segundos tinham se passado desde o estouro da porta e meus olhos se focaram apenas no homem tão parecido fisicamente comigo, de cabelos platinados que me encarava com olhos frios e um sorriso de lado. Eu recusava chama-lo de pai, ele não era mais isso... E a vendo tão distante, e que ele que fez isso, eu não conseguia admitir.
–Veja quem resolveu aparecer. Falou Lucio.
–O que você fez? Perguntei, minha voz ainda mais rouca.
–Não chore por uma sangue ruim Draco Malfoy. Falou desdenhoso apontando a varinha para mim.
–Você a matou? VOCÊ A MATOU!
O sorriso dele aumentou, aquilo era um sim!
Eu não tinha percebido que tinha descido, mas minhas pernas simplesmente caminhavam na direção dele, e quando vi, estávamos nós dois a menos de três metros de distancia. Eu podia sentir as varinhas ao meu lado contra ela.
–Walisson! Escutei a voz de Simas.
Meu coração estava acelerado, ele tinha a machucado... Ele havia lhe matado.
–Entra aí. Mandei.
Ele sorriu e entrou na cela apontando a varinha para mim, é claro que ele estava em desvantagem, mas ainda sim não abaixava a varinha. Simas e Rafael passarem por mim, Simas se agachou perto de Walisson fazendo o contra feitiço do que provavelmente era o Sectumsempra e Rafael foi na direção do corpo de Mione, enquanto eu encarava os olhos do homem que tinha feito eu destruir a minha vida e que matou a mulher que eu amava.
–Eu não acredito realmente que está assim por causa dela, faça me favor! Você é um Malfoy, meu filho.
–EU NÃO SOU SEU FILHO. – gritei, mas senti a raiva dar lugar a outra coisa... A dor. – Eu a amava. Eu a amava e o senhor a matou.
Uma risada debochada saiu dele, alta e controlada, como se nada tivesse acontecendo e eu tivesse lhe contando uma piada, mesmo outras varinhas estando apontadas para ele.
–Você estava apenas obcecado por ela. Não sei o que essa mulher tem para desvirtuar um homem como Melgaço, e até mesmo meu filho. Ela tem um corpo atraente, tenho que confessar que deveria ter me aproveitado, mas ainda sim ela é apenas uma vadia de sangue ruim... Morte é pouco para alguém com ela.
Minha visão embaçou ainda mais, minha varinha caiu no chão e quando eu fui ver meu punho se chocou com a cara de Lucio Malfoy fazendo-o cambalear e cair sentado na cama. Eu tinha tanta raiva, eu queria que ele sofresse com a dor... Avada era simples e rápido, eu queria que ele fosse machucado assim como ela tinha sido.
Um, dois, três, quatro, cinco, seis... Eu não sei quantos, mas a cada vez que meus punhos se chocavam nele eu sentia vontade de fazer mais, eu tinha vontade de mata-lo assim, enquanto ele apenas sentia dor causada pelas minhas mãos. Tudo estava vermelho demais na minha visão... Eu queria soca-lo mais... Eu queria mata-lo assim... Queria acabar com a vida dele, da mesma forma que ele acabou com a minha.
Em algum numero qualquer ele já não estava mais consciente, nem eu, porque continuava a desferir socos contra ele... Como um bárbaro. Como um trouxa. Com ódio. Sem ela.
–Draco... Draco... Para você vai matar seu pai. Para com isso.
Duas pessoas me tiraram de cima dele, mas eu não queria, eu queria terminar isso até toda essa dor passar. Virei de uma vez golpeando quem for que fosse e voltei novamente a socar o desgraçado. Não se chuta cachorro caído, mas aquele... Eu precisava fazer isso.
–Draco... Para com isso.
Novamente os dois me impediram, só que um deles era ainda maior. Senti mais raiva ainda, mas o troglodita segurou meus braços e me pressionou com a cara na parede. Será que ele não entendia que o mostro ali, não era eu?
–Draco, o que você acha que a Mione queria que você fizesse? Acha mesmo que ela queria que você matasse seu pai? – perguntou Theo ao meu lado, enquanto eu ainda era acuado na parede.
–Ela não tem que achar nada! Ela não tem mais nada para achar... Ela está morta.
–Ela não tá morta! Falou o troglodita me soltando.
Pisquei algumas vezes tentando entender o que acontecia.
–Ainda. Completou Rafael saindo da cela.
Ela não estava morta... Ainda? Olhei para ela e o vi a pegando no colo, Theo e Blás, que tinha sangue no rosto causado por mim, arrastaram Lucio para fora da cela, e Rafael a deitou numa das camas.
–Eu preciso de ajuda. O outro está bem?
–Os reforços estão levando Walisson.
Rafael apenas acenou com a cabeça e então eu percebi que não era mais só nós ali, havia muito mais gente, alguns conhecidos, alguns aurores.
–Precisa de ajuda? Perguntou Adriana ao irmão.
Quanto tempo eu passei perdido batendo em Lucio? Minha cabeça doía, ela não estava morta, mas eu estava a perdendo... De novo... De verdade.
–Ela tem uma perfuração no abdome, acho que atingiu o pulmão. Preciso que estanque o ferimento Adriana, não temos poção ou magia para isso, será arriscado demais.
A mulher pegou um pedaço de pano e colocou onde o sangue saia em maior quantidade, os restos dos ferimentos eram grandes cortes, mas não sangravam tanto.
–A respiração dela está fraca. O coração dela... Se afastem! Pediu Rafael.
Eu não o obedeci. A cela novamente com poucas pessoas dentro, Lucio já não estava mais ali. Tudo parecia acontecer tão rápido e tão devagar ao mesmo tempo, eu só olhava para ela ali, mesmo daquele jeito, machucada, ensanguentada... Ainda sim tão linda.
A varinha de Rafael disparava algum feitiço que formava uma espécie de corrente azul que ia direto ao coração dela fazendo seu corpo se arquear uma, duas, três vezes... Vez ou outra ele parava, encostava a cabeça no peito dela e voltava a fazer...
–Vamos Mione... Vamos... Volta... O troglodita repetia.
Uma, duas, três... O peito dela arqueava com o feitiço, mas ela não voltava... Parecia estar tão pálida. Até que ele parou, colocou a mão no ombro da irmã e ela apenas balançou a cabeça tirando o pano de onde sangrava.
–Por que você parou? Perguntei com raiva.
–Eu sinto muito...
–Você não sente nada. Você precisa fazer o que estava fazendo troglodita! Falei com desprezo.
–Ela não aguentou, o coração dela não aguentou.
O coração dela não aguentou? Que idiotice! Passei por ele e pressionei o peito dela com força uma, duas, três vezes...
–Você não tem o direito de deixar agora! – falei sem parar entredentes – Que Droga Hermione! Você á a bruxa mais teimosa que eu conheço. Você não tem o direito de me deixar, de deixar Enzo e Sophia.
Eu fazia sempre o mesmo movimento, uma mão sobre a outra, pressionando o peito dela... Uma, Duas, três vezes... Eu já sentia as lágrimas escorrerem pelo meu rosto, mas não ligava... Que eles me vessem chorar! Eu não ligava mais para nada... Eu só queria que ela acordasse pra eu xinga-la, para mandar ela para o raio que a parta por me deixar todos esses dias sem ela.
–Draco, eu sinto muito. Falou Adriana.
–Você não tem que sentir nada doutora! Ela vai acordar, sabe por quê? Porque eu fiquei trinta e seis dias sem ela. Porque essa imbecil prometeu para o Enzo que ia voltar para ele. Porque eu prometi para Sophia que ia levar minha princesa de volta para casa porque para ela... Eu sou o príncipe da mãe. Eu não vou voltar para casa sem ela. Por que ela é teimosa demais para morrer... Ela não pode morrer! Ela ainda tem que me infernizar muito, ela tem que me seduzir e me implicar para podermos fazer todas as nossas loucuras... Tem que estar sempre certa em tudo que diz, e ser teimosa demais para me escutar... Ela tem que voltar para nossos filhos... – senti minha voz falhar – Ela tem que voltar para mim.
Me abaixei de novo, apertando com força o peito dela, sem pausas dessa vez.
–Você tem que voltar para mim... Você tem que voltar para mim...
Mas ela não ia voltar para mim... Ela era teimosa demais para fazer isso, me obedecer.
–Pelo menos uma vez, você podia me obedecer...
Ela não me obedeceria... Parei de pressionar o peito dela, ela não me obedeceria.
Não olhei para os outros, apenas para as minhas mãos, estavam todas machucadas devido aos socos em Lucio, mas eu nem poderia senti-los. Eu sentia dor pior, no meu peito enquanto o coração dela não batia no dela.
A olhei, ali... O que eu faria agora sem ela? O que eu iria falar para Enzo e Sophia? Eu nunca saberia o que falar para eles, eu nunca seria capaz de dizer qualquer coisa para eles.
–Você disse que ia ficar tudo bem. Péssima hora para passar a ser uma mentirosa Mione – acusei com raiva – Você mentiu para eles. Mentiu para mim. Mentiu para todo mundo. MENTIROSA.
E num ato de raiva e sem pensar, bati com meu punho no tórax dela. Uma, duas vezes até alguém me tirar de lá.
–MENTIROSA!
–Você não está pensando direito...
–Rafael... Chamou Adriana
–Por Enzo e Sophia...
–Rafael...
Ele parou de falar e me soltou virando para a irmã.
–O coração dela. Adriana falou de uma vez.
Meus olhos desceram para o tórax dela, era quase imperceptível, mas... Ela estava respirando...
O troglodita se abaixou perto dela, uma maleta que eu não tinha visto chegar ali foi passada pela Adriana enquanto ele reproduzia o mesmo feitiço fazendo o peito dela arquear apenas mais duas vezes e a respiração dela ficar um pouco mais forte. E junto com o ela, meu coração pareceu voltar a bater do jeito certo de novo...
Alguns ruivos agora estavam ali, junto com um moreno que tentava ser forte. Lá fora já devia ter acabado...
Duas poções foram tiradas de dentro da maleta e dadas a ela, Adriana novamente soltou o ferimento da barriga que continuava aberto, mas não sangrava mais...
–Precisamos levar ela daqui, isso é tudo que eu posso fazer. Falou Rafael.
–Ela vai ficar bem? Perguntou a voz chorosa de Gina.
–Hermione é teimosa demais para morrer... – Ele falou olhando para mim – Podemos leva-la para o jato, mas não sei se vamos ter tempo. Ela perdeu muito sangue, seu coração está fraco por causa da maldição.
–Melgaço fugiu com alguns capangas, eles mesmo desfizeram os feitiços de aparatação da mansão para aparatar. Respondeu Harry.
Antes que qualquer falasse algo eu a peguei nos meus braços e comecei a andar para longe daquela cela que ela havia ficado durante todo esse tempo. A boca dela estava seca, sua pele muito branca e cheia de cortes profundos... Ela tinha sofrido tanto, que eu não conseguia pensar. A respiração dela estava tão fraca, eu a sentia tão vulneral como ela nunca foi...
–Aguente firme meu amor... Sussurrei para ela, apenas para ela me ouvir.
Ela não ia morrer, ela não era uma mentirosa... Ela havia prometido para mim, fiquei trinta e seis dias sem ela, não poderia ficar o resto da minha vida... Eu ia leva-la para casa, como dizia Sophia, o príncipe sempre resgata a princesa... A minha princesa não iria morrer.
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