Dramione - Fotografias

28 Encarcerados Parte I / Encarcerados Parte II


Notas iniciais
Esse capítulo é dois em um, conforme eu havia postado na outra fic.

Encarcerados parte I

Pov. Mione.

Minha cabeça doía, mas não era só ela, todo o meu corpo estava dolorido. Tateei o local antes de abrir os olhos, era uma cama estreita e eu estava com o corpo encostado numa parede muito fria. Abri os olhos receosa, mas e a iluminação era muito fraca e foi fácil me acostumar com a pouca luz.

–Hermione, acorde.

Sentei-me com dificuldade e me virei para trás, Natalia estava ajoelhada ao meu lado com uma mão no meu ombro enquanto Jeovane estava em pé perto dela. Ambos voltados ao normal, como eles realmente são de aparência. Natalia era negra com cabelos comportados, era pouco mais alta que eu e mais velha, tinha a idade do marido, 34 anos, e era uma mulher com um coração muito bom e muito inteligente que em Hogwarts pertenceu a Corvinal. Já Jeovane era muito mais alto do que Rafael, tinha costas largas e era meio intimidador, mas ao conhecê-lo mais qualquer um poderia notar que ele era muito legal, tinha cabelos castanhos claros e compridos que batiam nos ombros e sua pele era de um tom muito claro, exatamente como a Draco e tinha todas as características de um Lufa-Lufa.

–Onde estamos? Perguntei me colocando de pé e passando a mão na minha cabeça que estava dolorida.

–Não sabemos, acordamos aqui e ninguém até agora veio nos ver. Respondeu Jeovane.

Olhei o lugar que era todo iluminado por tochas, parecia um corredor de uma prisão, mas apenas com uma cela e muito extenso onde era fechado por uma porta de carvalho grande e grossa no final do corredor íngreme e alto que mais parecia uma ladeira cimentada com dois corrimãos, um de cada lado. Não precisava ter varinhas para sentir o tanto que aquele lugar era protegido, nem mesmo vigias eram necessários já que se sentia o peso da magia negra pelo lugar. A sensação sufocante, como se a o ar pesasse mais do que devido e a sensação de angustia que só senti na mansão Malfoy quando fui torturada.

Pela primeira vez observei a figura de um menino deitado na outra cama de solteiro, parecia ser uma criança pelo tamanho miúdo, devia ter no máximo cinco anos, seu corpo estava completamente encolhido e ele dormia muito cansado tremendo.

–É uma criança? Perguntei exasperada.

–É sim, Isaac – Natalia falou com os olhos marejados – Estava com muito frio, nós estamos acordados desde a hora que saímos do avião, ele estava chorando e eu cantei uma canção para ele até dormir.

–Augustus... Augustus me disse que estava se sacrificando pelo filho, deve ser o filho dele. Falei preocupada.

–Augustus o informante? Foi ele que te pegou? Perguntou Jeovane.

–Foi sim, quem pegou vocês?

–Dois capangas de Melgaço – ele respondeu – Entraram pela janela, nos amarraram abriram a passagem para o quarto dos capangas com alguma poção liquida que mais parece um feitiço e nos apagou. Hermione, Melgaço é muito mais estranho do que pensamos, tudo dele é com poções, são como feitiços, mas com efeitos mais demorados ou eficientes, tem muitas pessoas que vieram no jato com a gente, mas foram levadas para longe da mansão. Acho que devemos estar numa ilha, mas parece que nem os capangas tem a localização, e isso não foi o mais sinistro. O mais sinistro foi Melgaço pilotar o jatinho para cá com seus homens todos sem saberem para onde ele estava nos levando, ele não confia nem na própria sombra, podemos contar nos dedos de uma só mão quantos que realmente sabem onde estamos.

–Como os capangas e Augustus conseguiram entrar pela janela sem que os vissem? O hotel estava com câmaras por tudo quanto é lado, Harry, Draco... – falar o nome dele em voz alta fez um nó em minha garganta – Eles estavam vigiando, os veria pelos corredores ou escalando a varanda dos nossos quartos.

–Devem ter usado os pontos cegos, sempre há pontos cegos – respondeu Natalia – Mas não acredito que eles subiram todos os andares, e aparatar é impossível.

–Melgaço deve ter dado a eles poções para voar, Narcisa tinha nos falado que ele que fornecia para Voldemort e alguns comensais, inclusive Snape. Respondi olhando o menino.

–A gente não vai conseguir sair daqui, eles podiam liberar o menininho. Falou Natalia.

–Eu sei o que Melgaço quer, mas ele não vai ter – falei me virando para ela – Ele quer meus filhos, e se depender de mim, ele nunca vai ter eles.

–Vamos ficar ao seu lado, essa troca não vai ser feita. Falou Jeovane firme.

Apenas acenei e me sentei encolhendo as pernas por causa do frio, aquele lugar era de certa forma aterrorizante.

Tínhamos caído na cova cavada pelo inimigo, na armadilha dele e não tinha mais jeito. Se Melgaço sabia da Missão, ele sabia dos gêmeos. Eu tinha que pensar rápido, tinha que pensar numa forma de sair dali, mais cedo ou mais tarde.

O menino gemeu de frio mesmo estando coberto e meu coração se apertou bastante, Natalia se aproximou dele e se ajoelhou como se velasse o sono dele preocupada. Eu não conseguia ter raiva de Augustus, ele podia ter feito tudo, mas se sacrificou pelo seu filho e isso era nobre. Numa hora dessas, ele já devia ter partido, a quebra do voto dá apenas poucas horas para a pessoa que descumpriu e apesar de tudo, o que eu conseguia sentir era pena do pobre menino que não teria um pai, mesmo que esse pai tenha escolhido um lado errado, ainda sim era seu pai e nunca mais eles iriam se ver.

–Enquanto a Simas e Walisson? – perguntei tentando me livrar dos pensamentos que só me deixavam pior – Eles eram infiltrados como nós, pegaram eles?

–Ainda não, eles não foram descobertos, Simas conseguiu falar com a gente durante poucos segundos. Pediu para acharmos uma solução está tudo um caos lá fora, mas disse que vão fazer o possível para nos ajudar.

Levantei-me e me encostei na grade, e o menino começou a bater queixo com mais frio e Natalia pegou mais um cobertor para ele. Aquele lado que os gêmeos despertaram em mim, o lado protetor de mãe, falou mais alto, aquele menino devia ter poucos anos menos que os meus.

–EI, OU... ALGUÉM AÍ, O MENINO ESTÁ MORRENDO DE FRIO SEUS IDIOTAS – gritei contra as grades – EU QUERO FALAR COM MELGAÇO...

A porta de carvalho se abriu de uma vez e eu arregalei os olhos me afastando um pouco. Quatro homens entraram, dentre eles Simas e Walisson disfarçados. Eles não vestiam mais ternos, mais todos estavam vestidos iguais como se fosse um uniforme, vestiam calças pretas com coturnos, camisas vermelhas lisas e sobretudos camuflados com os de exercito azul e verde, sofisticados demais para serem capangas e despojados demais para serem seguranças. Fora o modo como andavam organizados, sempre em números pares e a mesma quantidade na frente e atrás, no caso dois na frente e dois atrás.

–Pra que essa gritaria sangue ruim? Perguntou um homem muito branco com um cabelo comprido e claro de no máximo 30 anos, além de muito arrogante para um capanga.

–O menino está com frio seu idiota, faça alguma coisa. A criança está doente. Falei sem me abalar pelos insultos.

–Oras, e o que o moleque tem a ver com você? Perguntou o insolente.

–ELE É UMA CRIANÇA. Gritei com raiva.

O homem olhou para os outros que deram de ombros.

–Aqui só tem agua fria, podemos levar ele para um banho quente. O chefe vai devolver ele, não vai gostar em saber que o garoto está doente. O que acha Marciano? Falou o outro mais velho que parecia ter uns 50 anos, mas estava em boa forma.

Walisson apenas acenou com uma carranca confirmando.

–Eu o ajudo, sei cuidar de doentes, já fui medibruxa – ofereceu-se Natalia e Jeovane olhou preocupado com ela – Por favor, é só uma criança.

Novamente os homens olharam para o Walisson, que estava disfarçado como um dos capangas de confiança de Melgaço.

–Vocês dois – ele falou para o mais velho e o arrogante – Leve a mulher e a criança para o banheiro mais próximo.

O mais velho abriu a cela enquanto o homem arrogante pegou no braço de Natalia com força e Jeovane avançou sobre ele sendo segurando por mim.

–Se tocarem num fio de cabelo dela... Ameaçou fazendo-os rir.

–Você não vai fazer nada. Respondeu o homem a jogando perto de Isaac.

Natalia pegou o garoto no colo e o apertou num abraço protetor.

–Ele está queimando de febre, preciso de agua quente e alguma poção para resfriado. Ela falou protetora.

–Eles vão conseguir para você. – Walisson falou firme – Andem logo, vocês tem dez minutos.

–Sim senhor. Respondeu o arrogante.

Natalia saiu na frente sendo seguida pelos dois homens pela subida cimentada, assim que eles fecharam a porta, Simas e Walisson se aproximaram das grades.

–Vocês estão bem? Perguntou Jeovane e os dois acenaram.

–O que vamos fazer? Perguntou Simas que estava disfarçado de um homem baixo, mas musculoso de pele morena escura.

–Eles não sabem de vocês? Perguntou Jeovane.

–Não, não sabem... Somos um pouco importantes aqui, na verdade Walisson é muito importante aqui, é o chefe dos capangas. Respondeu Simas.

–Mas nem eu sei onde estamos, ele esconde dos capangas para que eles não possam fugir quando desistir. Aqui é assim, se você entra não sai mais. Acima de mim ainda temos três capangas, eu somente os comando na forma geral e todos os grupos, Simas os medianos do grupo de cinco capangas dele. – contou Walisson – Não tem como nos achar, não podemos aparatar, e assim que entramos aqui todas as formas de tecnologias passam a falhar, até as armas trouxas que usávamos no hotel não funcionam aqui. O poder dele, a influência é maior do que a gente imagina. Não sei como, mas eles já sabiam de tudo, tentamos avisar, mas era impossível.

–Lembra do elevador? – perguntou Simas e eu afirmei – Eu tentei avisa-los, Melgaço pediu para ficarem a sós com você, e você deve ter reparado que ele nunca fica só com outra pessoa, todos os capangas dele sabiam do plano e nós dois tivemos que improvisar fingindo saber, apenas seguimos os outros e quase fomos pegos quando tivemos que sair de lá voando pela janela com aquela poção maldita, os vultos negros lembravam o dos comensais e ficamos um pouco perdidos.

Passei a mão pelo cabelo nervosa.

–Vão demorar muito tempo para nos encontrar aqui – falou Jeovane tentando pensar com clareza – Sabem de alguma coisa, algum plano?

–Só sei que ele vai usar você ou sua esposa para levar o garoto e um recado para Draco, era para ser ele a estar aqui no seu lugar Mione. Melgaço queria o Draco, mas você era um alvo mais fácil – contou Simas – O plano de pegar o Draco estava marcado para depois do leilão da terça, no caso amanhã, foi de ultima hora que ele resolveu que seria você.

–Antes eu do que Draco. Falei suspirando.

–Ele está em reunião, mas vai falar com você – falou Walisson muito rápido – Só que temos um problema ainda maior. Não sabemos quanto tempo vamos ficar aqui, o nosso disfarce é a única coisa que temos para manter vocês seguros além de tentarmos alguma coisa. Trouxemos nossas poções, mais dá vinte dias no máximo para cada, mas e se demorar mais?

Meu peito estava pulando e minha cabeça doendo muito, ele estava certo. Iriamos demorar muito aqui, as chances eram mínimas deles nos acharem ou da gente sair tão cedo.

–Acha que conseguem ingredientes para mais poção? Perguntou Jeovane.

–Eu provavelmente consiga, temos muito cabelo mesmo eles, digamos que Nathanael deixou os caras carecas então fica fácil – falou Walisson, ele aparentava naquele momento ter uns quarenta anos e era muito alto e musculoso, de certa forma lembrava Rafael – Acha que conseguem preparar poção polissuco para nós, posso dar um jeito de evitar que os capangas fiquem vindo até aqui disfarçar o banheiro com feitiços, essas coisas.

–Acha que consegue Hermione? Perguntou Jeovane se virando para mim.

–Acho que sim, mas demora quase um mês para ficar pronta. Vocês vão ter que dar um jeito de me trazerem o quanto antes.

–Mesmo assim a quantidade não vai ser muito grande, e temos poucos dias de estoque. Observou Walisson.

Cocei minha cabeça tentando pensar com clareza.

–Eu só vejo uma solução. – Falei olhando para eles. – Um de vocês vai ter que se entregar, assim o estoque dos dois vai ficar apenas para um. Ao invés de vinte os dois, um vai ter pelo menos quarenta, e por precaução vamos tentando preparar mais aqui.

Os dois se olharam e a porta foi aberta de uma só vez causando um grande baque, Natalia vinha com um menino coberto nos braços como se fosse um bebê, na frente dela o homem mais velho, atrás o mal humorado.

–Foi mal pela demora chefe – o arrogante falou para Walisson – Os levamos ao banheiro da copeira, mas a sabichona aqui demorou muito arrumar a criança. A copeira separou algumas roupas para o pirralho.

–Tudo bem, os coloque ai dentro Alexandre.

–Será que o Senhor chefia de vocês poderia arrumar uma cama a mais? – perguntei sem olhar para Walisson, apenas para o mais velho – Somos quatro e apenas duas camas que nem de solteiro é devido ao tamanho minúsculo.

–Garota abusada, temos que dar uma lição nessa sangue ruim... Começou Alexandre.

–Alexandre... O senhor Melgaço pediu para trata-los bem, principalmente ela – ponderou o mais velho – O que você acha Marciano?

Reparei a importância de Walisson, já que os três buscaram a resposta nele, e decidi que era ele que tinha que continuar se disfarçando. Walisson/ Marciano acenou com a cabeça concordando, o homem mais velho tirou a varinha do bolso do sobretudo e apontou para o canto da cela onde outra cama estreita apareceu junto com um lençol branco, um travesseiro fino e um cobertor vermelho.

–Espero que seja suficiente. Falou o mais velho.

–Eles são reféns, François. Não podemos deixa-los mal acostumados. Disse Alexandre enquanto os dois saíram na frente.

Simas e Walisson ficaram um pouco para trás.

–Pense em alguma coisa Hermione – Falou Walisson para mim – Por favor.

Apenas acenei com a cabeça e eles nos deixaram sozinhos. Minha cabeça doía, e não era mais apenas por causa da pancada do feitiço, eu tinha que arrumar um jeito de sair dali, eu tinha que saber quem contou o plano para Melgaço, e o que Melgaço queria com os gêmeos.

Natalia estava com Isaac no colo, enquanto Jeovane passava a mão pelo ombro dela de uma forma protetora, que me lembrava Draco. Se conhecia bem meu namorido, eu sabia exatamente como ele deveria estar se sentindo, confuso e culpado.

Não sei quanto tempo fiquei encolhida ali, peguei o cobertor vermelho e me enrolei na tentativa de conter o frio. Pela umidade daquele lugar, devíamos estar no subsolo, ainda mais por causa da íngreme entrada do corredor.

Todos os meus sentimentos estavam dispersos naquele momento, minha cabeça estava confusa e tentando montar quebra-cabeças que não tinha peças suficientes para eu poder terminar sozinha. Encostei a cabeça na parede e fechei os olhos, Draco uma hora daquelas devia estar tendo um treco, Enzo e Sophia enquanto estivessem sob a proteção dele, ficariam seguros.

E pensar que a pouco mais de 24 horas atrás eu estava sobre proteção dele...

A porta do fim do corredor se abriu e eu me levantei, de certa forma e de uma maneira irônica ela significava para mim a luz no fim do túnel, minha ultima esperança, a porta da saída desse lugar horroroso e deprimente.

Lá na entrada íngreme Walisson descia com mais três aurores, só que dessa vez Simas não estava com ele. Alexandre trazia minha mochila e minha bolsa de rodinhas sem muita vontade, aquela cena congelou a minha espinha. Como aquele psicopata conseguiu as minhas coisas?

–Melgaço quer te ver – falou Walisson abrindo a cela – Ele pediu para te entregarmos.

Peguei a mochila e a minha bolsa e abri imediatamente, todas as minhas coisas desde escova de dente até minhas lingeries estavam ali. Como eles conseguiram pegar tudo isso antes de dos aurores chegarem? Eu havia dado um jeito deles saberem que tinha alguém no quarto, eles não tiveram tanto tempo assim.

–Como vocês conseguiram isso? Perguntei exasperada.

–Não é da sua conta sangue ruim – falou Alexandre, o mal humorado – Melgaço pediu para você ficar pronta as oito para jantar com ele. Não se atrase.

–Por acaso eu tenho cara de relógio? Por que não estou vendo nenhum por aqui seu imbecil.

–Insolente...

Alexandre ergueu a mão para me dar um tapa, mas Walisson foi mais rápido e o segurou.

–Se o chefe ver um arranhão nela, você sabe o que vai acontecer com você. Falou o soltando.

–Sangue ruim nojenta.

–Olha seu insuportável, eu só vou te dar um aviso, pare de me chamar assim. Já faz tempo que essa palavra não me incomoda, mas vindo da sua boca está começando a me dar raiva. Eu disse com os dentes trincados.

O homem escroto riu alto e fechou a cela.

–Comece a se arrumar. Mandou Walisson.

Eles trancaram a cela.

–Já vasculhamos tudo ai sangue ruim – falou Alexandre perto da porta do corredor – Não tem nada ai que pode te ajudar sua nojenta. Vê se veste alguma coisa que te deixe menos feia, é um jantar com o chefe, não com as pessoas da sua laia.

É sério, eu estava no limite com aquele cara, respirei fundo e tentei pensar em coisas mais importantes.

–Como eles conseguiram pegar isso? Perguntei para Jeovane.

–Eu não sei, você disse que tinha ligado o áudio, são mais habilidosos do que eu realmente pensei. Mas não é isso que me preocupa Hermione, não estou gostando nada dele querer jantar com você, é perigoso demais. Falou Jeovane.

–Eu concordo com meu marido, é perigoso demais. E se ele tentar alguma coisa com você? Simas e Walisson não dão conta de te defenderem sozinhos.

–Eu sei Natalia, mas o que eu posso fazer? Perguntei perdida.

–Eu sinto muito querida. Vai se arrumar, não vai ser nada bom irritar esse Melgaço. Aconselhou Natalia.

Peguei minhas coisas e segui para o banheiro da cela, parecia luxuoso demais para uma prisão, na verdade tudo ali era luxuoso demais para uma prisão. Ao invés de apenas colchão jogado no chão, havia agora três camas de solteiros ( isso porque eu exigi a terceira apenas para irritar Alexandre) uma na parede de frente para as grades, uma na parede esquerda próxima a porta do banheiro e outra do lado direito, cada uma das camas com lençóis brancos e cobertores vermelhos. No banheiro havia um chuveiro, um vaso sanitário e até mesmo uma pia. Era estreito, mas muito comprido 1.50 cm por quase 3.

Tudo era estranho, se não fosse as grades que separavam a cela do corredor se passaria por um quarto, era do tamanho do quarto de empregados que tinha na minha casa e que Draco havia dormido depois que descobriu sobre a missão, 4 por 4.

Mas nem tudo era de luxo Hermione Granger, a agua era gelada, muito gelada. Tá vendo? Não é tão bondoso assim, pensei com sarcasmo.

Tomei um banho rápido e me enxuguei, abri o bolsinho menor da mochila e peguei os pontos eletrônicos que estavam todos danificados, nem mesmo o celular e rastreador estavam funcionando exatamente como Walisson e Simas tinham nos contado. Tudo que eu havia levado para o hotel de aventura estava ali também, desde minha câmara fotográfica até a maleta de remédios trouxas e primeiro socorros. Era obvio que eles revistaram tudo, e nem se incomodaram em tirar aquele equipamento inútil dali, santo humor deles quererem me constranger com isso. Affs.

Minhas roupas estavam todas arrumadas e os feitiços de expansão continuavam funcionando, mas não tinha utilidade nenhuma porque aquilo que eu mais precisava não estava ali, uma varinha. Se eu ao menos tivesse uma varinha.

Enfie mais a mão e bati em algo gelado, uma espécie de vidro, puxei e um sorriso debochado saiu dos meus lábios, um grande espelho mais ou menos da minha altura com um grande laço e uma recado “ Aceite esse presente, para ver o quanto é bonita. F M.” Simplesmente ridículo. Mais um embrulho e esse me fez rir, abri e devo admitir, ele tinha bom gosto, muito bom gosto. Um lindo vestido azul longo, com um decote V e estilo sereia com pequenas pedras no colo que davam um ar sensual as mangas longas estava ali.

Mas apesar de lindo eu não ia usar, não mesmo.

Coloquei o espelho no chão do banheiro, troquei de roupa e olhei no espelho. Um short jeans confortável e curto, se eu tivesse oportunidade de fugir eu ia e o short iria me ajudar, com um cropped manga longa no meio da cintura. Prendi meu cabelo num rabo de cavalo e calcei uma rasteira simples de zíper atrás que não sai fácil do pé.

Separei uma roupa laica minha, com uma das três toalhas que eu tinha e joguei para Natalia, eu podia imaginar o quanto ela estava com vontade de sair daquelas roupas que ele nem gostava de usar.

–Obrigada – ela agradeceu – Eles estão quase vindo, toma cuidado.

Apenas acenei e a porta do corredor se abriu. Walisson, François, Alexandre e outro auror mais novo, que no máximo devia ter uns 19 anos, entraram juntos.

–Eu não acredito sua sangue ruim – Alexandre falou abrindo a cela – O patrão mandou você usar o vestido.

–Ele não manda em mim. Falei me virando enquanto ele colocava as algemas.

Alexandre pegou no meu braço com força e me empurrou para fora da cela.

–Vou rir quando ele te der uma lição, nunca descumpra uma ordem dele. Ele falou com os dentes trincados.

–Por que? Ele andou dando uma surra em você? Você é uma das mulheres dele?

Foi tão rápido que eu nem vi, apenas senti a mão dele na minha cara e cai nos braços de François.

–O chefe não vai gostar nada disso. Falou Walisson empurrando ele.

–Essa sangue ruim está me dando nos nervos, isso sim.

Me endireitei saindo dos braços de François e caminhei na frente indo na direção da porta. Aquilo não ia ficar assim, ouvi a risada debochada de Alexandre e os passos dele atrás de mim até eu parar na porta.

–Me desculpe. Sussurrou Walisson e eu apenas assenti.

Alexandre chegou perto de mim e puxou meu braço segurando o meu queixo.

–Tira. Suas. Mãos. Nojentas. De. Mim. Falei com dentes trincados.

–Eu só quero ver o estrago sangue ruim.

–Vai pra puta que te pariu.

–Larga ela.

Walisson me puxou das mãos dele e ele passou na nossa frente rindo de lado. Pela primeira vez eu vi o local que estávamos por fora do corredor. Era enorme.

Olhei para a porta atrás de nós e ela se passava perfeitamente por uma porta de um cômodo qualquer. Qualquer um que estivesse ali pensaria que era a porta qualquer de um escritório próximo a uma grande escada luxuosa que levava para outros cômodos da casa.

O hall da escada onde estávamos tinha uma cor creme, com alguns vasos de flores escuras como rosas e margaridas para dar contraste. A sala era enorme com sofás de couro e um grande carpete branco felpudo, tudo ali parecia combinar perfeitamente com o lugar. Era a maior mansão que eu já vi, a distancia entre as coisas era enorme e tudo era perfeitamente combinado, nas paredes alguns quadros de Picasso que eu tinha certeza que não deviam estar ali.

Alexandre puxou meu braço e caminhamos até uma sala de jantar, a mesa era enorme e cabia no mínimo umas vinte pessoas, na cabeceira dela Melgaço.

Ele estava com um terno azul, (ótimo, ele queria combinar com o meu vestido, que eu não usava affs), uma gravata preta e uma camisa branca, tudo muito bem alinhado.

–Hermione Granger, muito bom saber que gostou do meu presente. Ele falou se levantando da mesa repleta de comida.

–Na verdade, eu odiei. – Menti, eu ia ficar com aquele vestido quando desse o pé dali.

–Mesmo assim, ainda está muito linda. É realmente uma garota encantadora – ele falou caminhando para o lado da cadeira dele – Por que está algemada? Que indelicadeza dos meus “amigos”, solte a nossa convidada.

Alexandre puxou meu braço, não estava com aquele ar confiante mais, por contrario, estava com receio.

–Marciano vocês ficaram cobrindo o turno. Melgaço falou para Walisson que apenas concordou.

Simas entrou na sala com outro capanga mais velho. Ele estava meio perturbado, mesmo em outro rosto ele parecia muito pálido e nervoso, os dois que entraram se posicionaram em forma de leque ao redor da sala de jantar. Senti as algemas ficarem frouxas e se soltarem, e o idiota do Alexandre me dar um empurrão para chegar perto de Melgaço.

–Realmente foi lamentável não almoçarmos hoje, está realmente encantadora.

O cara que estava no topo da minha lista negra puxou a minha mão e a beijou, mas eu puxei assim que senti seus lábios tocarem ela e limpei no meu short. Ele se levantou da pequena reverencia, e escutei duas pessoas bufar atrás de mim.

–Realmente adorável...

Ele parou de falar e uma das suas seguraram meu queixo, sua mascara de sarcasmo dando lugar a outra completamente diferente.

–Te machucaram? Marciano, quem ousou machuca-la? Quem te machucou Hermione? Perguntou Melgaço com um tom falso irritado.

–Primeiro é Granger – falei dando as costas para ele e caminhando até os capangas – E segundo, isso é pelo tapa...

Eu estava com tanta raiva que senti o impacto do meu punho direto no nariz de Alexandre e escutei o estralo. Golpe que Harry havia me ensinado certa vez.

–E isso é pelo sangue ruim...

Alexandre segurou o nariz que sangrava, girei o corpo e levantei a perna acertando um chute certeiro nas costelas dele que caiu no chão com uma mão no local e outra no nariz gemendo de dor. Walisson e Simas se seguravam o máximo para não rir, enquanto os outros que estavam com eles me olharam com os olhos arregalados.

–Eu não preciso de magia para me defender seu bastardo. – com raiva tirei as mãos dele do rosto e o fiz olhar para mim – Eu tenho orgulho de ser uma sangue ruim...

Ergui a manga do meu cropped e aproximei perto do rosto dele.

– Sou sangue ruim, mas tenho orgulho próprio – falei mostrando minha cicatriz – Ao contrario de você que fica se curvando para qualquer um sangue puro.

Levantei-me limpando minha mão na blusa dele que gemia de dor, eu sabia que devia ter quebrando umas duas costelas dele no mínimo.

–Luan, leve Alexandre para a ala hospitalar, a curandeira vai cuidar dele. Mandou Walisson.

Virei-me para Melgaço ainda trincando os dentes, ele que ousasse mexer comigo. Eu estava no meu limite, com saudades, com raiva, ódio, fome... E medo... Medo de nunca mais ver meus amigos e família, medo de nunca mais ver Enzo e Sophia, medo de nunca mais ver Draco... Naquele momento eu me considerava a pior pessoa para qualquer gracinha no quesito mal humor.

–Quer que eu peça para te levar a ala hospitalar também Srta. Granger? Perguntou Melgaço.

–Precisa de muito mais para me machucar, vamos parar e enrolação e conversar logo. Falei seca.

É sério, eu estava começando a odiar os sorrisos desse homem. Melgaço acenou para eu acompanha-lo novamente até a mesa e puxou uma cadeira para eu me sentar. Olhei para ele, olhei para a cadeira, rodeei e sentei em outra do outro lado.

–Você não facilita as coisas.

–Não para você. Respondi seca.

–Pedi que fizesse uma grande variedade de comida, principalmente salada e frango grelhado. Vejo que gosta de manter o corpo em forma. Ele falou se sentando e eu escutei meu estomago roncar.

–Nunca esteve tão errado – falei – Gosto de comida, uma coisa que eu aprendi durante a guerra e tive que passar fome é que comida é sempre bem vinda. Ainda mais se vier em boa quantidade e depois de passar um dia inteiro com fome numa cela feito um animal.

–Meus capangas não estão te alimentando direito? Me desculpe Srta. Granger, estive em reunião mais cedo, eles vão cuidar melhor da senhorita.

–Não sou a única lá naquela cela Melgaço. Meus amigos estão lá sem comida, bebendo agua da pia e sem nem ao menos ter uma higiene para poderem trocar de roupa. O senhor se esqueceu que tem uma criança lá? Acho um absurdo eu estar aqui comendo do bom e do melhor enquanto eles estão com fome desde ontem, e Isaac? Quando foi a ultima vez que ele comeu? – perguntei com raiva, meus dentes estavam trincados e meu punho fechado – Augustus cumpriu a parte do plano dele Melgaço, você já conseguiu me pegar, ele já sacrificou a vida dele contando tudo para vocês, o mínimo que ele merece depois de sacrificar a própria vida é ter o filho dele liberado. Eu sei que você é um monstro, um monstro nojento e sem coração que procura crianças para fazer suas monstruosidades, mas o mínimo que eu esperava de um homem que come ao lado de uma mulher que odeia, numa mesa repleta dessa é que ofereça pelo menos algo de comer às três pessoas que estão reféns lá embaixo e morrendo de fome.

Em nenhum momento eu desviei meus olhos do nele, eu sentia minhas narinas infladas e ele me encarava com uma sobrancelha erguida sem me interromper, somente quando parei que ele realmente se mexeu, virando-se para mim completamente.

–Eu realmente lamento muito pela falta de educação, não é minha intenção deixar meus convidados com fome. Não sou o monstro que pensa que sou.

–É muito pior, e para começar não somos seus convidados. Não me lembro de receber convites, e aqui, seja lá onde seja esse lugar, é o ultimo que eu queria estar na face da terra. Assim como você é a ultima com a que eu realmente quero fazer minha refeição.

Afastei o prato. Eu não ia comer aquela comida, por mais que meu estomago roncasse de fome, e que minha ultima refeição tenha sido a mais de vinte e quatro horas atrás eu não ia conseguir comer olhando para aquele monstro.

–Você é mais intrigante do que pensei Granger. Não tem medo de mim, me desafia quando sabe que eu num estralar de dedos posso mandar qualquer um te matar, mesmo que eu prefira fazer isso caso seja necessário.

–Então me mate – falei me levantando – Me mate e acabe logo com isso. Eu sei que você sabe sobre os gêmeos, se sabia sobre a droga da missão sabe sobre Enzo e Sophia. E é por isso que estou aqui, não é? Você os quer em troca de mim. Quer que meu melhor amigo e Draco os troque por mim, não é? Mas quer saber de uma coisa Melgaço, eles não vão entregar MEUS filhos para você NUNCA. Então me mata logo! Acabe logo com isso, parta para outro plano e tenha certeza que vai falhar, porque eu não tenho uma máfia e capangas para protegê-los, mas tenho uma família enorme e que tem algo muito mais forte do que essas maluquices suas, eles amam meus filhos e quando você me matar, eles vão protegê-los por mim. Cada um deles vai se colocar entre você e os dois, porque ao contrario de você, ninguém da minha família faria nenhum mal aos dois, comigo Enzo e Sophia ganharam uma mãe, um pai, vários tios e tias, vários avos, varias pessoas que se jogaria na frente deles para impedi-los de chegar nas suas mãos. Acabe logo com isso, acabe logo com essa loucura, você não vai me soltar, você não vai tê-los em suas mãos. Me mate e parta para o próximo plano, porque esse já falhou a muito tempo.

Eu sentia minhas mãos tremerem freneticamente assim como as minhas pernas, todo o ódio que eu sentia dele saia na minha voz e a frieza dele apenas me dava mais raiva ainda para continuar. Eu o odiava. Melgaço era a pessoa que eu mais odiava no mundo inteiro e esse joguinho dele apenas estava me deixando ainda com mais raiva do que antes.

–É muito mais inteligente do que eu imaginava Hermione Granger – Falou batendo palmas e contornando a mesa – Vamos dizer que esta completamente certa sobre os gêmeos, eu sei que você e Draco Malfoy os adotaram, pelo que sei um casamento falso... Devo dizer que pelas suas palavras você se apaixonou pelo ex comensal, melhor dizer filhote de comensal, porque esse seu namoradinho é ridiculamente tudo menos um comensal da morte. As informações chegaram a mim aos poucos, a da adoção por exemplo, consegui mandar uma pessoa da minha confiança para vocês e dai veio as informações sobre vocês, devo admitir que fiquei decepcionado em não saber antes que você havia se tornado uma auror. Acho que meu informante não era tão inteligente quanto você, e pensou que esse não era um fato importante. Sobre a missão, o pobre Augustus estava rodeando demais por aqui, logo descobriram que ele tinha sido pego pelo seu marido e que vezes ou outra ele era visto com Harry Potter ou uma morena bonita, segundo meus capangas. Para mim você estava em casa cozinhando para as crianças – debochou Melgaço com um sorriso de lado – Então depois de tudo isso...

–Você nos deu as pistas – falei deixando a ficha cair – Tudo foi um plano seu desde o começo, você já sabia que independente do local que você fosse na Inglaterra iriamos atrás de você, que montaríamos um circo para te pegar e apenas deu a nós as informações necessárias. Não precisava de alguém dentro da missão, você arquitetou ela toda... O gerente do hotel deve ter te ajudado – falei com raiva – por isso você sabia de tudo, meu Merlin! Eles devem estar loucos querendo saber quem dentro dos aurores nos entregou, quando na verdade foi você que arquitetou tudo. A missão não era nossa. Cada passo que dávamos foi desenhado por você...

Meus olhos nem parecia estar em foco, escutei apenas o barulho da risada dele.

–Santa Corvinal, muito mais inteligente do que pensava. Mas devo admitir que não esperava que soubessem tanto sobre mim a ponto de você se infiltrar na missão, sabiam que você é o padrão de beleza que eu nunca recusaria. Tão linda, inteligente, intrigante... Acertaram em cheio, ninguém chamaria mais a minha atenção do que você naquele hotel. Se eu não soubesse de tudo, melhor dizer, se eu não arquitetasse tudo, com certeza vocês avançariam bastante na missão, estou encantado com você até agora, se me permite o galanteio.

–Não seja ridículo. Falei me afastando.

–É claro que eu tinha planos para ele, mas nada que eu não possa conseguir contornar. Por que eu pegaria o insuportável do Draco Malfoy, quando eu posso ter sobre minhas vistas uma mulher tão linda quanto a senhorita? – perguntou-se Melgaço – Quando Augustus me falou sobre você, que você era a infiltrada devo admitir que meu sorriso se abriu e não pensei duas vezes antes de decidir que era você quer eu queria aqui.

–Só um aviso, não trisca em mim – falei com um sorriso falso e furioso – Se pensa que você ou qualquer um desses capangas nojentos seus vão triscar num fio de cabelo meu, estão muito enganados.

–Eu nunca faria isso Srta. Granger. Não contra a sua vontade.

–Oh não, só entregou sua filha para o Lorde Voldemort, o segundo homem mais nojento do mundo – falei irônica – Só para constar, você é o primeiro.

–Mas tudo por uma causa nobre.

–Claro, muito nobre obrigar a filha engravidar de um ser asqueroso como Voldemort.

–Coisas que você não vai entender tão cedo minha querida...

–Deixe-me ver... Você é um herdeiro de sangue legitimo de Gryffindor, a mãe de sua filha Melissa das duas fundadoras de Hogwarts e Tom Riddle herdeiro de Slytherin. Enzo e Sophia são os herdeiros de sangue mais poderosos porque eles ligam os quatro sangues dos quatro maiores bruxos que já existiu. A bruxa mais inteligente, o mais corajoso, o coração mais leal e o mais audacioso e sagaz. O sangue deles, ao contrario do meu, são valioso. Seja lá o que esteja planejando, tem alguma coisa haver com o sangue deles e tudo que envolve sangue e magia negra não é muito agradável, não é mesmo?

–Essa mulher é incrível – Melgaço falou para seus capangas que pareciam bem tensos, principalmente Simas – Bingo, bingo e bingo. Andou fazendo a lição de casa Granger, o Malfoyzinho nunca me daria a honra de escuta-lo, eu teria que contar eu mesmo e isso seria muito chato e blá blá blá.

–Que bom que eu te divirto Melgaço, porque eu não estou me divertindo.

–Bom, um avô não pode querer ver os netos? Qual é Granger? Eu vou cuidar deles, enquanto eles conseguirem resistir...

Avancei com toda a minha raiva para cima dele, mas fui segurada por Walisson e o rapaz mais novo.

–Resistir? Eles vão viver Melgaço. Você não vai chegar perto deles, eles não vão precisar resistir.

–Não vamos falar sobre isso hoje querida Granger, quero que relaxe – falou sorrindo – Logo um dos seus amigos vai ser mandado para casa, e levar o filho do traidor, além do meu primeiro pedido de resgate...

–ELES NÃO VÃO TE ENTREGAR NENHUM DOS DOIS. Gritei com raiva.

–Calma Granger, não vai ser ele, Ainda. Tem alguém que está em Azkaban que vai ser muito útil para mim aqui... Alguém que vai adorar saber que seu filho se casou, me desculpe a palavra e a ofensa, sangue ruim. Eu quero Lucio Malfoy e Avery comigo, quero que seu amiguinho herói e seu namorado me entreguem os dois. Vou avisa-los minhas condições, e infelizmente não vão ter jeito de recusar, não quando a queridinha Hermione Granger está em perigo aqui nas mãos do monstro Melgaço – dessa vez ele usou o sarcasmo – Eu sou um homem apegado aos detalhes Granger, e simplesmente adoro vinganças. Quero me vingar de Potter por ele matar o meu grande amigo e ficar com você aqui, é apenas uma das vinganças que tenho para ele.

–Vá a merda Melgaço. Como se você realmente se importasse com Voldemort. Falei revirando os olhos.

–Devo muito mais ao Lorde das Trevas do que imagina.

–Mais um sangue puro, se ajoelhando nos pés de um mestiço.

Ele riu, e se virou andando para o lado de lá.

–Vamos conhecer um pouco do meu serviço Granger... Um pouco do que construí com a ajuda dele.

Melgaço andou na frente me guiando para o lado de fora da mansão que era ainda mais incrível vista de fora. Uma grande mata circulava o local assim como uma praia mais ao longe. Entretanto o que era realmente estranho mesmo era um galpão tão grande quanto a mansão para o qual ele nos guiava. Era enorme e adentrava a floresta, os capangas dele simplesmente se multiplicavam conforme íamos andando se tornado um total de dez assim que chegamos na porta do galpão que praticamente nos rodearam e nos deixaram no meio.

–Primeiro as damas. Falou Melgaço abrindo a porta.

Passei por ele dando um encontrão e ele riu.

O local era incrível. Nos meus sonhos juvenis, onde eu simplesmente não sabia que profissão seguir, entre elas tinha medibruxaria e mestra de poções então estar ali era fascinante.

Havia centenas de frascos com poções, o armário de Snape em Hogwarts parecia um mini banheiro perto daquele lugar. Havia dez bruxos trabalhando com jalecos brancos pegando frascos e misturando, criando substancias conhecidas e algumas desconhecidas, havia ali os mais variados e imagináveis ingredientes que eu apenas havia ouvido falar, como dente de quintípede e até mesmo chumaços de pelo de Nundu, que já nem ao menos existia a tantos anos.

–Acho que não preciso explicar muito para uma mulher tão inteligente quanto a você. Falou Melgaço.

Apenas neguei com a cabeça olhando o local, os homens e mulheres que trabalhavam ali simplesmente não olhavam para a gente, um alarme soou alto marcando nove horas da noite e eles tiraram o jaleco e guardaram saindo pela outra porta, como se fizessem isso no automático.

–Onde estão indo? Perguntei.

–Dormir, não sou mutantes que não dormem nunca. Precisam de descanso. Respondeu Melgaço.

Ele passou por mim enquanto eu olhava alguns ingredientes de poção polissuco, Walisson ia poder pegar a vontade, havia centenas de tudo ali. O segui até uma grande portão de aço reforçado, do outro lado apenas um grande barulho de talheres se chocando com pratos de um salão era ouvido, conforme nos aproximávamos pequenos sons eram ouvidos, mas nada alarmante demais.

–Onde estamos indo? Perguntei.

–Bom Granger, eu sou um cientista, como os trouxas chamam. Alguns chamam de mestre de poções ou apenas maluco no nosso mundo – falou Melgaço parando no portão enorme – Eu não posso simplesmente usar, ou experimentar minhas invenções nos meus capangas. Digamos que eu devo muito a Voldemort, e uma coisa que devo a ele é a oportunidade de testar os experimentos, de cobaias.

–Do que você esta falando? Perguntei sem entender.

A grande porta atrás dele se abriu e meu queixo caiu assim como o meu coração disparou. Havia ali cerca de duas centenas de pessoas sentadas nas mesas, desde crianças de um ano no colo das mães até pessoas idosas de uns 80 anos de idades.

Um bebê de colo começou a chorar, e uma mãe ao invés de dar leite para ele uma das capangas de Melgaço lhe entregou um frasco de poção. Um adolescente de no máximo dezesseis anos estava sentado próximo a porta e sua camisa estava suja de sangue, ela se virou para nós e seu peito estava um grande buraco oco que sangrava bem pouco, mas o suficiente para deixa-lo sujo.

–Uma poção de troca de órgãos, estou quase conseguindo substituir os órgãos internos – ele falou de forma animada, mas sem perder a pose – Mas como eu disse, quase, esse infeliz ainda vai morrer. Mas pense pelo lado positivo. Quando eu tiver na minha mão uma poção que possa substituir o coração humano por algo magico, sem falhas, sem maquinas trouxas, sem filas de doação, muito mais dinheiro pra mim, e vai chegar um tempo em que o monstro aqui vai salvar a vidas de todos.

Aquilo era mais terrível do que eu pensava, como algo assim podia acontecer? Quem esse homem pensava ser?

–Retiro o que eu disse – falei com a garganta seca e os olhos marejados ao ver aquelas pessoas tão destruídas e machucadas por ele, estavam sendo tratadas como animais – Você não é um monstro, é louco.

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Encarcerados parte II

Pov. Mione.

Eu fiquei entorpecida com aquela cena. Melgaço era louco, completamente louco. Depois do que vi e dele balbuciar algumas explicações fanáticas e estranhas, caminhamos de volta para a mansão em silencio, Melgaço na frente cercado de seguranças e eu, sendo puxada por Simas.

–Precisamos fazer alguma coisa Mione – sussurrou Simas tão baixo que quase não ouvi – Sobre a poção.

Ele deu um solavanco disfarçando me fazendo andar mais rápido e eu fingi irritação.

–Precisamos te entregar – ele olhou para mim sem entender – Walisson vai ser mais útil.

Ele apenas acenou e mais dois capangas passaram por nós. Olhei para os lados, caminhando junto com Melgaço estava Walisson e mais três bem próximos ao chefe, atrás de nós mais quatro. Do meu lado esquerdo Simas, do direito outro capanga.

–Não vai ser minha ideia mais inteligente, mas vai ser a única forma de te entregarmos e explorar um pouco o local sem denunciar o Walisson. Me solta devagar...

Simas concordou com a cabeça e senti as algemas se soltarem disfarçadamente atrás de mim, respirei fundo.

–Um... –sussurrei – dois... Três...

Empurrei o capanga da direita puxando sua varinha para mim e Simas acertou três atrás de nós. A adrenalina do momento tomando conta de mim e ao lado de Simas, eu corri.

Corri com todas as minhas forças, rumo a grande mata que cercava o lugar, sobre o ombro lançava feitiços de bloqueio e proteção.

As arvores sobre nós eram muito altas com raízes traiçoeiras, senti a mão de Simas pegando na minha e me arrastando enquanto eu tentava a todo custo nos proteger das dezenas de feitiços que nos eram lançados. A chuva fina do inverno começou a cair sobre os nossos ombros, e os passos daqueles que nos caçavam chegava cada vez mais próximos, mas não podíamos ser pegos por eles, desconhecidos. Queríamos ser pegos pelo nosso aliado e o grupo dele.

–Alarte Ascendare.

O homem que estava mais próximo de nós dois acendeu como numa chama subindo alto e despencou no chão. Meu feitiço assustou Simas que derrapou rolando ao desviarmos para a outra direção e eu cai em cima dele escutando um estalo do seu joelho e arregalando os olhos, mas ele não pareceu sentir no momento, pois me ajudou a levantar e mesmo mancando, corremos...

Eu tinha esperanças de chegar ao outro lado da ilha, mas parecia que quanto mais corríamos mais passos eram ouvidos ao nosso redor. Meu parceiro cada vez mais manco, se esforçando no seu máximo enquanto corríamos lado a lado, seu joelho sob a calça parecia estar num ângulo muito estranho.

–Temos que parar. Falei ofegante.

Simas parou e começou a respirar fundo fazendo um careta, deveríamos ter corrido por cerca de uns vinte minutos sem parar. Apontei a varinha para Simas, assim que o barulho dos capangas foram ficando mais alto.

– Finite Incantatem...

O rosto dele foi voltando ao normal, suas roupas foram ficando um pouco mais largas e o rapaz que eu conhecia desde os onze anos foi voltando ao normal. Eu sabia que ia funcionar, Finite Incantatem podia reverter além de feitiços, poções polissuco, se fosse muito bem feito, é claro.

–Fica atrás de mim. Ele falou tentando firmar mais o joelho.

O ignorei, eu não era tão frágil assim, e apesar de tudo ele que estava mais machucado. Olhei ao redor, tínhamos parado no abeto das arvores, onde a pouca claridade da lua passava entre as copas e de lá eu vi um pássaro que eu não sabia de onde, mas eu conhecia. Era azul todo sarapintado... Tentei olhar melhor olhar o pássaro minúsculo, mas ele foi espantado pela chegada dos nossos “amigos”.

–Fiquem parados. Gritaram várias vozes.

–Já estamos, não esta vendo. Retruco Simas.

– Vocês dois estão cercados, larguem essas varinhas e vamos parar de brincar de pique pegue. Estão grandinhos demais para isso. Um traidor entre nós durante todo esse tempo – falou Walisson nos olhando acusador, sabíamos que ele estava improvisando – O chefe não vai gostar nada do que você fez rapaz. Prendam a mulher e carreguem o bastardo.

Joguei a varinha nos pés deles e Simas fez a mesma coisa. Os capangas nos cercaram de todos os lados e dois deles ajudaram Simas, de um jeito nada carinhoso, enquanto Walisson se encarregou de mim um pouco mais atrás.

–Vocês deviam ter me avisado. Falou prendendo as algemas.

–Não dava tempo, sabe onde está a poção do Simas?

Ele acenou sutilmente me empurrando para andar mais rápido.

–Agora é com você Walisson, cuida da gente.

–Eu vou cuidar.

Walisson me passou para outro capanga que quase me arrastou atrás dos outros, todos ali pareciam me ver de outra forma. Me olhavam curiosos, como se ao invés de ser burra demais por tentar fugir, eu era corajosa e de certa forma gostei disso.

–Quer ver o quanto isso é interessante? Perguntou um dos capangas para mim e eu dei de ombros.

O homem se agachou pegando uma pedra media e tacou no ar, eu não entendi até ver o pássaro azul caindo no chão, ele era mais pequeno do que pensei e alguns sons começaram a ser regurgitados de trás para frente começando pelo barulho do zunido da pedra no ar, seguindo para sons de passos como se fossem uma cavalaria ( que eu sabia que era dos capangas) e seguindo por outros... Eu conhecia aquele pássaro, eu só precisava me lembrar dele e alguma coisa me dizia que ele era muito importante. O capanga não o deixou terminar, apenas pisou no coitadinho o impedindo de continuar regurgitando os sons.

–Íamos demorar muito.

–Monstro. Falei com ódio e ele riu alto me ignorando.

O caminho de volta eu apenas me deixei ser guiada, eu estava com fome, com raiva e muito cansada. Demorou muito mais para chegar até a mansão, e quando chegamos Melgaço estava parado na porta junto dos seus temidos capangas, inclusive Alexandre que não estava mais coberto de sangue.

–Vejo que Augustus escondeu alguém de mim – falou caminhando até nós, aquela pose, aquele rosto bonito escondia completamente o monstro que ele era – Um infiltrado entre meus capangas, isto é muita coisa levando em conta que conseguiu ficar comigo por mais de trinta e seis horas sem ser descoberto. Diga-me o que está fazendo aqui e quem é você?

–Finnegan, Simas Finnegan – respondeu formalmente, como se apresentávamos para missões ou para o Ministro – Vinte e cinco anos, segunda categoria de auror, grupo de apoio dos investigadores número um, Hermione Granger e Draco Malfoy.

–Um amiguinho. Se conhecem há muito tempo? Melgaço perguntou a mim.

–Não que seja da sua conta, mas eu e Simas temos longos anos de amizade. Nos conhecemos desde o primeiro ano na casa da Grifinória.

–É obvio que eles iriam colocar alguém próximo a você para te proteger – riu Melgaço sem nem ao menos perder a pose – Espero que seu marido não se importe, em dividi-la com ele.

–Deixe de ser nojento Melgaço, Simas e eu somos só amigos – falei com raiva – O mínimo que exijo é respeito.

–Não tem muito o que desejar depois da sua fuga com seu amiguinho “querida”. Devo dizer que estou realmente chateado com você, esperava muito mais já que estou te tratando tão bem. Só que sou um homem bondoso, mais um refém é bom para minhas contas. Leve-os para cela – falou para Walisson e Alexandre – Enquanto a você Srta. Granger, acho melhor não tentar fazer nada, pelo bem dos seus amigos, colabore se não as coisas não vão sair boas... Para você. é claro. Eu vou ser um bom anfitrião e todos os seus amigos vão receber duas refeições por dia, enquanto a você só irá comer comigo, na mesa. Espero você para o nosso almoço de amanhã, caso contrario vai continuar com fome.

Ele virou as costas e entrou com nós atrás dentro na mansão. Seguiu para a grande porta de carvalho dando passagem para nós e seus capangas andando pelo corredor que imediatamente se acendeu inteiro. Walisson destrancou a cela, mas Melgaço nos impediu de entrar parando na porta dela.

–Jeovane Barbosa não é mesmo? – perguntou e Jeovane confirmou se levantando com sua mulher e Isaac – Se prepare, daqui alguns dias você vai ser liberado junto com o filho do traidor do Augustus.

–Eu prefiro que minha esposa seja liberada antes de mim. Falou Jeovane tentando manter-se educado.

–Lamento, mas aqui quem dá as cartas sou eu – respondeu frio – Sua esposa me será muito útil. Estou precisando de uma nova curandeira, a nossa ultima, vamos dizer que tentou se rebelar e tivemos que dar um jeito nela. Você vai com meus capangas Sra. Barbosa.

–Ela não vai a lugar nenhum. Jeovane disse entre dentes.

–Vou fingir que não te ouvi. Marciano, leve a esposa dele para os aposentos dos curandeiros. E acho bom a senhora não tentar nada, Natalia Barbosa, nem sonhe em fazer nada e nem tentar revoluções, até eu decidir você vai trabalhar para mim. Pode levar a criança com você, quando estiver na hora ele irá com seu super herói.

Natalia lançou um olhar preocupado e perdido para nós, mas suspirou fundo. Beijou minha testa me dando um abraço e deu um selinho demorado no marido.

–Eu vou ficar bem. Falou para ele.

–Eu vou te tirar de lá. Grunhiu Jeovane.

–Bem pouco provável, mas a esperança é a ultima que morre. Não é assim que os trouxas costumam dizer? Debochou Melgaço.

Natalia passou por nós com Isaac no colo e os capangas jogaram Simas de qualquer jeito na cama.

–Enquanto vocês, comportem-se, nada de orgias. O Sr. Barbosa é um homem casado, e eu prefiro Hermione Granger continuar intocada, pelo menos aqui. – falou virando as costas e andando pelo corredor íngreme – Boa noite.

–Só se for para você. Falei com raiva.

–Prometo sonhar com você Hermione, tenho certeza que será uma boa noite de sono.

– Eu passo. Mas você não vai levar suas fêmeas não? Corre lá Alexandre, seu chefe está te chamando. Retruquei.

–Por isso que gosto de você Granger, devolve a altura. Disse Melgaço rindo alto e abrindo novamente a grande porta de carvalho.

Alexandre não levou tão na boa assim “minha brincadeira”, rosnou e deu dois passos na minha direção.

–Um nariz e duas costelas não foram o suficiente? Se encostar em mim, vai ser pior. Ameacei.

François me soltou e me empurrou para dentro da cela enquanto Walisson trancava e saia junto com os outros.

Jeovane nos fez narrar cada detalhe do que aconteceu e ficou tão assustado quanto eu ao saber que Fabricio Melgaço era muito mais do que apenas um Chefe da Máfia, era também um tipo de cientista maluco que sequestrava pessoas para suas experiências.

Meu novo amigo estava uma pilha de nervos, agora Natalia estaria ainda mais exposta cuidando de algumas experiências dele enquanto a gente estava aqui, trancados como animais em jaulas. Enquanto narrava para ele, eu cuidava de Simas, sua perna tinha deslocado o osso do joelho quando cai em cima dele e não sei como antes ele conseguiu correr por tanto assim.

O que o ajudou, na minha opinião, era a adrenalina do momento e o sangue quente que o anestesiou das dores durante um tempo, mas que chegou com tudo após ele finalmente parar. Abri minha mochila e os frascos de poções tinham sido todos pegos pelos comensais, assim como as coisas de viagem que eu levava já que se a missão não tivesse sido forçada por Melgaço, e tudo desse certo era para eu ainda atuar como a aventureira Granger tentando conquistar o monstro que queria pegar meus filhos... Enzo e Sophia...

Sacudi a cabeça tentando não pensar neles, deixando apenas o buraco ali no meu peito, e me concentrei apenas em ajudar meu amigo. No meio de tanta coisa consegui achar uma faixa, com a ajuda de Jeovane colocamos o joelho de Simas no lugar e estiquei a perna dele que gemeu de dor xingando alguns palavrões incoerentes. Enrolei a faixa na esperança que pelo menos o ajudasse um pouco.

Vasculhei minhas coisas da época de aventureira também, e encontrei alguns anestésicos que eu sempre usava quando me machucava em alguma aventura, era obvio que os capangas que se orgulhavam em ser puro sangue ou pelo menos mestiço (coisa que eles assumiam, na cabeça deles eram sangue puros, todos eles) que odiavam sangues ruins e não se preocuparam com artigos trouxas.

Como eu vivi muito tempo longe do mundo bruxo tinha muita coisa ali comigo, pelo menos o básico do básico. Peguei uma seringa que ainda não tinha usado e espalhei os frascos e doses de remédios pelo chão, Jeovane apenas me observava enquanto eu tentava apenas diminuir as dores de Simas.

–O que é isso Mione? Perguntou Simas erguendo a cabeça um pouco.

–Qual é Simas, você é Mestiço, sabe o que são remédios – brinquei e ele riu um pouco forçado, por causa da dor – É que de vez enquanto acontecia algumas coisas comigo, algum dedo quebrado, até mesmo uma perna quebrada e eu já convivi muito tempo com um curandeiro que atuava vez ou outra como medico trouxa – eu tagarelei tentando mantê-lo distraído e estava funcionando – Rafael me ensinou a carregar uma mini farmácia, remédios trouxas não são tão eficiente, mas são mais fáceis de conseguir.

Ele deu um sorriso de lado e um silêncio nada incômodo durou por alguns minutos.

–Acha que Walisson vai conseguir tudo sozinho? Perguntou Jeovane.

–Acho que sim. Simas respondeu.

–Mas eu me preocupo com ele sozinho com aqueles capangas, Simas. Eu disse.

–Ele consegue se cuidar, Walisson é mais experiente que eu, você fez certo. Fora que ele comanda muita coisa lá, os capangas têm que obedecê-lo quando os outros superiores não estão e isso é muito frequente pelas poucas horas que vi.

–Precisamos sair daqui, o mais rápido possível – falei me levantando – Mas nem sabemos onde estam.. Espera um minuto...

Uma luz acendeu. Corri para a minha mochila e os dois me olharam como se eu fosse louca.

–O que foi Hermione? Perguntou Jeovane.

–O pássaro...

–O pássaro que o capanga matou? Não liga para eles, são assim mesmo gostam de matar tudo que tem pela frente. Falou Simas e eu bufei.

Simas era um pouco lerdo.

–Não, não é isso. Aquele pássaro é um dedo duro, os trouxas o confundem com o bem te vi quando os encontram, eu sabia que tinha visto ele em algum lugar – falei pegando um catalogo de viagem bruxo – O Dedo Duro era encontrado facilmente, mas com o decorrer do tempo eles passaram a migrar apenas para ilhas, mas precisamente ilhas bruxas, ou que contem uma grande quantidade de bruxos por que eram bem tratados por nós, a magia de certa forma o atraia.

–E o que isso tem haver? Simas perguntou.

–Por Merlin Simas, você pega só no tranco? Perguntei sorrindo, ele era tão Ronald Weasley.

–Ela quer dizer que estamos numa ilha bruxa, estou certo? Perguntou Jeovane.

–Isso mesmo – falei – O problema é que esse pássaro pode habitar ilhas bruxas tanto da Europa quanto das Américas.

–E isso é um problema? Perguntou Simas.

–Sim quando há vinte ilhas habitadas por muitos bruxos só aqui na Europa e mais de vinte na América. Respondeu Jeovane.

Cocei minha cabeça e mordi o canto da boca.

–Demoramos muito para chegar aqui Simas?

–Não fomos direto para o jato, ficamos algumas horas num galpão próximo a Londres. De lá que fomos para o jato, tivemos que colocar a “carga” de Melgaço, eram mais de cinquenta pessoas, santa magia, se não cairíamos na certa. Ele falou.

–O engraçado é que não era para um jato funcionar aqui se nem armas funcionam – falei pensativa e Jeovane também concordou comigo – Mas o voltando ao foco... Quanto tempo de viagem?

–Duas horas no Máximo.

Suspirei aliviada e Jeovane me acompanhou.

–O que foi? Perguntou Simas e eu e Jeovane rimos.

–Estamos na Europa, – respondeu Jeovane – Isso é bom saber.

–Só vão ter que nos procurar por vinte ilhas. Tentou sorrir Simas, mas acabou gemendo por causa da perna.

–Você não pode esquecer de contar tudo isso para eles quando chegar lá – falei a Jeovane – Eles precisam saber que estamos na Europa e que eles não tem culpa de sermos pegos, o plano foi de Melgaço, não era a nossa missão, a missão era dele.

–Pode deixar.

–Mas mesmo assim, até eles conseguirem nos achar vai ser tarde demais – falou Simas – Temos que dá um jeito de sair daqui, isso sim.

Ele estava certo, não sabíamos quando Jeovane seria mandado e nem quanto tempo eles levariam para nos achar.

–Somos apenas cinco, contra mais de cem capangas, se não houver mais por aqui. Ponderou Jeovane.

– Não podemos sair daqui sozinhos... Espera... Essa curandeira que a Natalia está substituindo, ela estava aprontando o que?

–Eu não sei muito, ela estava planejando uma fuga hoje cedo, eles a mataram no meio do caminho e as pessoas que a seguiam tiveram que ser levadas para a prisão próxima do galpão. Respondeu Simas.

–Prisão? Por que não nos levaram para lá ao invés de nos deixar aqui? Perguntou Jeovane.

–Pelo pouco que sei, e olha que eu passei o dia circulando entre os capangas, aqui é a prisão principal. Melgaço gosta de deixar o perigo por perto, os que lhe trazem mais riscos são trazidos para cá porque é quase impossível sair daqui de dentro, a casa em si é lotada de capangas. Eles confiam tanto que não precisam colocar um guarda aqui, é apenas uma cela, mas essa cela é a mais protegida de todas. Até conseguirmos sair daqui, pelo menos uma dezena de capangas já não abateram, assim como fizeram com a curandeira da revolução. Respondeu Simas.

–Então não somos os únicos a ficar indignados com o que Melgaço faz? Perguntei.

–Não é bem assim, uma vez capanga é difícil sair, é como os comensais da morte, mas sem muito valor, uma grande Máfia comandada por castas e as castas comandadas por um único dono, que é Melgaço. Só que apesar de tudo, nem todos concordam com os métodos do chefe. Hoje... – Simas parou de falar para respirar fundo, como se fosse difícil para ele lidar com suas palavras – Hoje eu vi, vi não, fiz algo que mexeu comigo. Me fez pensar um pouco no que estamos fazendo, e no que essas pessoas fazem... Não há só trouxas ali, tem bruxos e até mesmo pouquíssimos puro sangue, pela lista uns quinze entre duzentos. Só que ali todo mundo é igual, mas não o igual que pensamos, são iguais ratos de laboratório. Eles usam aquelas pessoas como se elas não fossem exatamente nada... Quando eles vieram trazer suas coisas, eu... Eu estava com os outros, era uma poção maluca que eles inventaram...

Ele parou de novo, as duas dores se misturando, a da perna e a da que ele viu. Algo me dizia que aquele era o motivo de Simas estar tão pálido quando entrou na sala, e me solidarizei com ele.

–Eles estavam tentando criar uma poção para mutação – continuou Simas – Mutação genética, como se fosse transfiguração ou criar animagos, mas algo deu errado... Eles fizeram o teste com mais de vinte pessoas de uma só vez, parece que estava dando certo... As pessoas conseguiam se transformar nos últimos dois dias, pelo que me disseram, mas hoje alguma coisa deu errado. Eles e transformaram em animais selvagens, lobos para ser mais exato, só que não conseguiam voltar ao normal nem com os antídotos. Foram ficando ariscos e os cientistas tentaram fazer de tudo para reverter, mas fugiu do controle, a medibruxa viu naquilo a oportunidade de fuga e os soltou... Ela correu junto com algumas dezenas de pessoas, mas a mataram no caminho, prenderam os que ela tentava ajudar, mas as pessoas que estavam transformadas não estavam reagindo bem, começaram a espalhar pânico lá fora e em poucos minutos desenvolveram uma espécie de doença trouxa que dá em cachorros...

–Raiva? Sugeri.

–Isso, foi tudo muito rápido a paz voltando em menos de uma hora e quando eu dei por mim lá estávamos nós, dez capangas na beira da praia com vinte lobos arrastados até lá. Dois para cada. Eu não podia fazer nada! Eles não tinham mais salvação, não conseguiriam viver... Mas mesmo assim que direito eu, Eu um bruxo qualquer, teria de acabar com eles assim? Não tive escolhas, todos já tinham matados seus dois, então eu apenas lancei duas maldições e eles morreram de vez.

–Você não tem culpa meu amigo – falou Jeovane colocando a mão no seu ombro – Eles que condenaram aquelas pessoas, o culpado é Melgaço.

–Mesmo assim, fui eu que os matei e sabe o que é pior? O pior foi que eles foram voltando ao normal, vinte pessoas nuas mortas no chão da praia, a boca espumando, e os olhos perdidos. Havia crianças ali – as lagrimas já corriam pelos olhos sem foco dele – o outro homem que os matou pareceu tão perdido quanto eu, na verdade erámos os únicos que ficamos parados os olhando durante um tempo. Os outros começaram a rir e falar asneiras arrastando os corpos e jogando no mar aberto enquanto eu fiquei olhando para as duas mulheres que eu matei, uma tinha idade de ser minha mãe, a outra... A nossa idade... Como não se achar um monstro quando na verdade foi você que os matou? Nem na guerra eu matei alguém Jeovane, não matamos ninguém lembra Hermione? – apenas acenei concordando e me sentindo abalada com tudo aquilo, Simas não estava sendo lerdo quando estávamos falando com ele, ele estava perdido na sua própria bolha de sofrimento – E agora, sem necessidade alguma eu matei duas pessoas inocentes.

–Elas já estavam condenadas Simas, eu sei que nada que eu falar ou fizer vai te ajudar nesse momento – falei me sentando próximo ao seu joelho – Mas a culpa realmente não é sua.

–Mesmo assim fui eu que terminei o que Melgaço começou. Eu sei que devo parecer fraco...

–Você não é fraco.

–Jeovane está certo Simas. Você não tem culpa, Melgaço tem culpa disso. Você não é fraco, é apenas humano. Eu disse veemente.

–Pode até ser, mesmo assim eu ainda não vou conseguir me esquecer disso tão cedo – ele falou dando de ombros e fechando os olhos – Mas respondendo sua pergunta original, não somos os únicos a ficar indignados. Tem um outro rapaz, o que acabei de falar, o que ficou encarando os corpos das duas crianças que ele teve que matar... Ele me parece confuso, ele não chegou a mim porque acho que o cara que eu estava disfarçado não o permitiu isso devido a autoridade que tinha, mas eu vi ele chegando em outros aqui e ali durante o dia. O pequeno grupo dele, ele ficou depois que chegamos apenas no laboratório olhando tudo e foi obrigado pelo superior, Joseph, a nos ajudar. Joseph é superior até mesmo de Walisson, ele é um dos três acima do “Marciano”, já o homem que acho ser mais ou menos do bem é quase tão importante quanto eu, tem um grupo dele, mas assim como eu, ele também é comandado por “Marciano” que é comando por Joseph que é comando por outros até chegar naquele que comanda todo mundo, Fabricio Melgaço.

–Acha que ele é um possível aliado ou se está planejando alguma fuga? Perguntou Jeovane.

–Eu não sei, os outros o chama de Dore... Ele deve ter nossa idade e segundo um outro capanga ele está aqui a sete anos, precisamente depois da Guerra e era de Londres. Apesar de ser líder de um bando e ter muito tempo aqui, ele ainda sim parecia não concordar com tudo aquilo, mas também não impediu seus homens a dar respeito aos mortos, bom eu também não impedi, mas...

Simas ficou perdido de novo.

–Mas nada Simas Finnegan, agora a única coisa que precisa se preocupar é com a sua perna. Já que minha gordura te machucou. Falei o cortando, já tinha dado para ele, eu não queria vê-lo mal.

Peguei a seringa que tinha quase abandonado.

–Eu sei que é perigoso, mas eu misturei sonífero com anestésico, você precisa descansar.

Apliquei em sua veia e ele fez apenas uma misera careta encarando eu e Jeovane.

–Você não vai comer com Melgaço, não é? Perguntou Simas se ajeitando.

–Não vou dar o gostinho da minha presença a ele. Brinquei.

–Eu acho melhor você ficar aqui, podemos dividir nossa comida com você. Ofereceu Jeovane.

–Eu concordo, é perigoso demais ficar com ele, apesar de tudo Walisson não vai conseguir manter o disfarce e te proteger lá em cima. Disse Simas.

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Apenas acenei para ele.

–Acho melhor nos deitar Mione... – falou Jeovane meio sem graça ao falar eu apelido e eu apenas sorri de lado para incentiva-lo – Pode ficar com essa cama, foi você que a conseguiu mesmo e ela parede um pouco mais larga, se não é impressão minha.

–Obrigado.

Peguei um cobertor e embrulhei Simas, que parecia ter apagado de uma hora para outra, e me deitei. Minha cabeça doía muito, tudo que eu tentava era tirar aquelas cenas da minha cabeça, aquele tanto de pessoas... A história infeliz de Simas... A saudade dos meus amigos e da minha família... Saudades de Enzo, Sophia... E Draco...

Apesar da dor, eu não podia me permitir sucumbir, tinha que dormir, porque era a única forma que eu conseguia, pelo menos de certa forma, anestesiar tudo que eu estava sentindo.

A fome brigava sozinha com o cansaço e o sono, numa batalha árdua enquanto eu fitava a parede escura na minha frente... E pelo menos daquela vez, a maioria ganhou.

Notas finais
Próximo Capítulo: Theodore Nott ;)