Drama Total: Ilha Tayo
2 02. Alta Voltagem, Baixa Moral
Notas iniciais
Chris estava sentado em uma cabana de madeira aconchegante, com direito a uma poltrona felpuda vermelha e uma lareira acesa. O apresentador tomava chocolate quente em uma xícara de porcelana enquanto observava uma janela, que mostrava o exterior da ilha. Do lado de fora, a ventania arrastava folhas e alguns pequenos animais juntos, parecia estar mais forte que no episódio anterior.
Chris: No episódio anterior... Quinze concorrentes, três equipes e um prêmio! É claro que o caminho até o grande milhão começou quente! Ethan, o nerd, criou uma amizade inesperada com o atleta Tyson, que ainda não aprendeu o nome de ninguém. Sophia tentou fazer um momento de entrosamento com sua equipe, mas Alfred decidiu que não era uma boa comparecer, o que foi a oportunidade perfeita para Dylan plantar uma semente de dúvida sobre o empresário e ainda comprar briga com a jogadora de basquete.
Mostra Dylan e Sophia discutindo no refeitório.
Chris: No primeiro desafio da temporada, as equipes precisaram se equilibrar em pilares enquanto tentavam derrubar os adversários com bolinhas explosivas. Chloe fez questão de usar seus “recebidos pagos” – O apresentador fez aspas com os dedos das mãos. – Para se manter de pé, enquanto Ricardo passou uma boa parte da prova desaparecido, o que irritou alguns. Tiffany usou sua câmera como arma extra para cegar os outros com o flash das fotos, mas quem brilhou mesmo foi o palhaço Lucas, que caiu, mas levou dois participantes juntos!
A câmera mostra Lucas caindo, mas acertando suas bolinhas em Arturo e Chloe, derrubando-os também.
Chris: No fim, a equipe das Águias Malucas perdeu o desafio e tiveram de eleger o primeiro eliminado do jogo. Cada participante já estava certo de seu voto, com exceção de Margaret, que estava mais perdida que formiga em criadouro de tamanduá. Após muito cochicharem no ouvido da garota, os votos foram dados e Lucas foi o primeiro eliminado, que ainda fez a palhaçada de ir embora antes de contar uma informação chocante que teria descoberto sobre Alfred.
A cena em que Alfred faz um sinal de silêncio enquanto Lucas vai embora é mostrada.
Chris: Agora restam quatorze, e mais um dirá adeus hoje. Mas quem será? Descubra agora mesmo em Drama Total: Ilha Tayo!
Abertura
Lily estava sentada em um banquinho. A garota estava do lado de fora das cabanas, regando algumas pequenas flores que estavam plantadas nos arredores.
Lily: Prontinho! – Ela falou para uma planta que tinha pequenas e delicadas flores vermelhas. – Agora vocês não vão mais ter problema com o calor. – Sorriu.
Margaret: São lindas. – A garota falou despretensiosa, mas ainda assim, assustou a jardineira. – Oh, perdão. Não quis te assustar.
Lily: Ah, tudo bem. – Sorriu. – Eu que me distraio com facilidade quando estou na jardinagem. Eu estava me preparando para adubar essas plantinhas.
Margaret: A companhia das plantas parece mais agradável que a de algumas pessoas. – Ela ajoelhou-se, próximo ao canteiro improvisado e ergueu a mão para Lily, pedindo uma das pazinhas que estavam nas mãos da jardineira. – Posso?
Lily: Claro! – Sorriu. – Você não me parecia do tipo de pessoa que entende de jardinagem. Com todo esse estilo, achei que você seria mais próxima, não sei, da Chloe, sabe? Ela é tão estilosa, igual você.
Margaret: Olha, eu não vou negar que eu não abro mão de um gloss super estiloso. – Riu de si mesma. – Mas isso não é motivo para deixar de mexer com terra.
Lily: As pessoas aqui me surpreendem. Eu achava que ia ser a única pessoa que gostava dessas atividades mais naturais, e então eu conheço a Kayla, e agora, você!
Margaret: Ah, eu me acostumei a fazer minhas coisas também, sabe? – Margaret começou a colocar adubo nas plantas. – Fazer alguma coisa diferente me ajuda a colocar a mente no lugar. E eu estou pensativa desde a última eliminação.
Lily: Do Lucas?
Margaret: Sim. Ele surtou com o Alfred, sabe? Lucas saiu acusando o garoto como se fosse um criminoso ou coisa pior.
Lily: Que estranho. – A jardineira colocou as mãos no avental, sujando-o levemente de terra. – O que será que houve entre eles?
Margaret: Quando o Lucas foi anunciado como eliminado, ele continuou insistindo que o Alfred tinha algo pra contar. – Lily parecia intrigada com a história de Margaret. – O Lucas disse algo como “Seja homem e encare sua verdade”. Todo mundo ficou sem entender.
Lily: O Lucas não me parecia o tipo de pessoa que ficaria assim sem motivo. Lembra que ele, você e eu viemos juntos no mesmo barco, aqui pra ilha? – Lily observou Margaret concordar com a cabeça. – Ele parecia ser uma pessoa legal.
Margaret: Do mesmo jeito o Alfred não me pareceu alguém pra ter desconfiança.
Lily: Será que a gente devia ficar de olho nele? – Margaret encarou a jardineira, genuinamente pensativa.
Confessionário
Margaret: Certo. Vamos supor, só supor, que o Alfred realmente fez algo para o Lucas ficar irritado. – Ela levantou o dedo. – Eu vou ter culpa no cartório, afinal eu também ajudei a eliminar o coitado, né? Espero que eu tenha feito a coisa certa.
Lado externo do acampamento
A conversa entre Lily e Margaret foi interrompida por uma figura sem camisa e óculos de sol.
Ricardo: Olá, garotas! – O ator baixou os óculos com uma das mãos e lançou uma piscadela para as meninas. – Vim aproveitar esta luz solar para exercitar meus músculos! – Sorriu. – Preciso estar em forma caso me contratem para viver o guerreiro Chris numa autobiografia. Esses papéis são muito disputados.
Lily e Margaret trocaram olhares e a jardineira segurou a risada. Ricardo pareceu se preparar para falar algo, visivelmente incomodado com a atitude nada acolhedora das garotas.
Porém, o grupo logo foi surpreendido pela presença de Chloe. A influencer chegou usando um par de óculos de sol com lentes laranjas e um lenço azul cobrindo todo o cabelo.
Chloe: E aí, gente? – A garota fez uma selfie, antes mesmo de observar quem estava no local. – Margaret, querida, você por aqui neste ambiente tão... – Chloe observou Ricardo da cabeça aos pés e mirou Lily. – Insalubre?! – Forçou um sorriso.
Margaret: Na verdade, eu diria terapêutico. – Olhou de lado para a influencer. – Aprendi em um cursinho na internet sobre plantas. Você deveria tentar.
Chloe: Eu também vendo cursinhos na internet, dá uma olhadinha depois. – A influencer entregou um papel com um código de leitura para Margaret. – Se você tiver interesse eu consigo até um cupom de desconto. Mas o cupom é exclusivo para pessoas estilosas, sem ofensas, Lily.
Lily: Quê? – A garota voltou a atenção para a conversa, já que até então, parecia estar mais concentrada em colocar algumas sementes no solo.
Ricardo apoiou-se em uma árvore, esperando que alguém o notasse. Chloe foi a primeira a dar atenção.
Chloe: O que você tá fazendo? – Indagou com má vontade. – Tá com dor no braço?
Ricardo: Estou me alongando para minha sessão de abdominais matinais. Quer acompanhar? Eu posso até ser o seu personal trainer particular!
Chloe: Eu prefiro acompanhar uma lesma subindo um poste de quatorze metros, obrigada.
Ricardo: Aposto que você iria gostar, meu treino foi indicado por experts da Noruega. – Sorriu para Chloe, tentando manter uma postura conquistadora. – Tenho certeza de que você não vai se arrepender.
A influencer rolou os olhos, completamente desinteressada.
Chloe: Sinceramente, Ricardo?! Eu só vim aqui para fazer algumas selfies nesse jardim rústico das meninas.
Lily: Rústico?! – A garota arqueou a sobrancelha, fitando Chloe.
Chloe: Agora não, Lily! – A influencer ergueu uma das mãos, interrompendo a jardineira e voltando a atenção para Ricardo. – Mas pelo visto deixaram uma erva daninha crescer e ela criou boca para falar asneiras. – Encarou o ator uma última vez.
Lily e Margaret trocaram olhares mais uma vez, enquanto assistiam a influencer se afastar do local.
Confessionário
Chloe: Olha, vocês têm que concordar que socializar é uma tarefa difícil, dependendo do tipo de vida com a qual você interage. – Suspirou e teclou algo no celular. – Eu mesma falo três palavras com esse povo e já fico exausta.
Cabana Masculina – Corujas Tagarelas
A cabana estava vazia. Aparentemente, todos já estavam do lado de fora fazendo alguma atividade.
A tranquilidade do local foi interrompida por um barulho na maçaneta, alguém estava querendo entrar lá, mas não conseguiu destrancar a porta.
Do lado de fora da cabana, Dylan parecia frustrado, com a mão na maçaneta.
Dylan: Mas que droga! Por que trancaram isso? – O jogador de damas olhou para os lados, conferindo se alguém estava se aproximando.
Confessionário
Dylan: A melhor forma de vencer seu inimigo é sabendo como a mente dele funciona. Então decidi observar as cabanas das outras equipes para tentar descobrir algo relevante. – Ele mostrou um grampo de cabelo. – O que não está sendo uma missão fácil. Agora, além de ser uma mente extraordinária em um jogo de tabuleiro, também preciso saber arrombar maçanetas para me dar bem?
Cabana Masculina – Corujas Tagarelas
Dylan caminhou silenciosamente para a parte dos fundos da cabana. Ao encontrar uma janela aberta, o rapaz sorriu.
Dylan: Bingo! – O garoto saltou, alcançando uma altura suficiente para apoiar-se na janela e entrar para dentro da cabana.
Ao entrar, Dylan observou as camas ocupadas naquele ambiente: A primeira, estava com o lençol de um time de futebol, a segunda, estava com algumas camisas de botão dobradas de forma profissional, enquanto a terceira, parecia bagunçada, com uma peteca caída ao lado do travesseiro.
Dylan: Certo, temos um fanático por esportes, um perfeccionista e um... Bom, um Vince. – Vamos ver o que mais descobrimos por aqui... Tyson, você primeiro!
O rapaz caminhou até a cama que julgou ser de Tyson, com a logo do time de futebol. Dylan pegou a mala que estava debaixo da cama e a abriu, começando a procurar por algo interessante.
Dylan: Camisas de time, bolinha de pingue-pongue e... – O jogador de damas pegou algo que chamou sua atenção. – Ora, ora, o que temos aqui?
Dylan tirou da mala uma foto de Tyson. A imagem, rasgada ao meio, mostrava o atleta abraçado a alguém. Era impossível saber quem seria aquela pessoa.
Dylan: É de um mês atrás. – O rapaz concluiu ao ler uma inscrição no verso da fotografia. – Parece que alguém teve seu coração partido antes de vir pra cá. – Sorriu maliciosamente.
Então, um novelo de lã parou ao lado de Dylan. Ele olhou para o fio que se desenrolava por todo o quarto, tentando encontrar de onde o objeto tinha saído.
Dylan: Estranho.
O garoto vira-se de costas, dando de cara com ninguém menos que Vince. Este último, estava visivelmente irritado.
Vince: Grr... – Vince grunhia, mostrando parte de seus dentes.
Dylan: Ah! Vince! Oi! – Cumprimentou, com uma mistura de surpresa e nervosismo. – Não tinha visto você por aqui, que coisa, né? – Ele colocou a foto de Tyson no bolso, rapidamente. – Então, eu vim dizer oi e perguntar er... – Olhou para os lados, procurando uma justificativa. – Se você quer jogar peteca com a gente!
Vince ergueu uma das sobrancelhas, grunhiu novamente e levantou uma das luvas de gato, mostrando que elas eram equipadas com pequenas garras afiadas. Coisa que assustou Dylan mais que o esperado.
Dylan: Mas eu a-acho que você n-não quer brincar hoje, né? – Sorriu desconcertado, vendo que Vince avançava em sua direção, silenciosamente. – Calminha, gatinho! Sou eu, Dylan, seu amiguinho humano!
Vince então, partiu para cima de Dylan, arranhando o rosto do rapaz, que gritou, chamando a atenção de alguns do lado de fora.
Dylan: AAAHHHH! ME LARGA!
Dylan subia nas camas, enquanto Vince pulava de um lado para o outro, perseguindo-o. Ocasionalmente, algum dos dois derrubava um objeto, fazendo mais barulho ainda.
Dylan: SOCORRO! ESSE GATO QUER ME MATAR!
A porta da cabana foi aberta por Ethan, que estranhou a confusão dentro do quarto.
Ethan: O que está acontecendo aqui?!
Dylan: ELE É UM MONSTRO! – O jogador de damas correu até a porta, abraçando Ethan por um momento. – Obrigado por salvar minha vida!
Dylan saiu correndo, enquanto Vince encarava tudo, agachado numa escrivaninha.
Ethan: Eu... Hã... – Ele ainda estava na mesma posição de quando foi abraçado, tentando assimilar algo. – Tenho que arrumar esse quarto. – Concluiu de forma automática.
Vince encarou Ethan entrar e começar a organizar os objetos caídos. Após gastar alguns segundos na missão de observar, Vince cheirou a mala de Tyson, ronronou e deitou-se nas coisas do atleta.
Vince: Miau...
Confessionário
Dylan: Talvez eu tenha um pouco de medo de gatos. Só um pouco. – Falou seriamente, ainda com um arranhão no rosto. – E isso não foi engraçado, entenderam?! – Encarou a câmera do confessionário, apontando o dedo indicador de forma intimidadora. – Agora, eu saí no lucro. – Mostrou a foto de Tyson. – Só não sei ainda como eu vou usar isso a meu favor...
Vince: Humanos... Tão previsíveis... – Ele afiava as garras de sua luva na parede de madeira dos confessionários.
Floresta
Arturo estava admirando a paisagem, enquanto respirava profundamente. Ele encarou o horizonte azul ao fundo, enquanto as árvores de diversas alturas e formas criavam sombras e acolhiam diferentes espécies de pássaros. Alguns animais pequenos também pareciam aproveitar da liberdade na grama alta do terreno.
Com a mão esquerda, o rapaz pegou o pincel que estava no chão, e, como se fosse uma varinha, fez um movimento circular com o objeto e sorriu.
Arturo: Perfeito! – O garoto formou uma espécie de quadro com os polegares e os indicadores das mãos. – Eu não sou de pintar paisagens, mas essa aventura no Drama Total merece ser valorizada.
O pintor fincou delicadamente um tripé de pintura em uma parte do chão, logo se certificando que o objeto estava firme e seguro, pois percebeu que o vento tentava derrubar o instrumento.
Arturo: Espero que não caia... – O pintor observou o cavalete mais uma vez, temeroso. Mas logo em seguida, voltou a observar o céu azul e os diversos tons de verde que a floresta lhe proporcionava.
Após finalizar a organização das tintas de uma forma quase metódica, Arturo abriu sua mala prateada, um pouco temeroso. O pintor observou os papéis e revistas que estavam dispostos de uma maneira desorganizada, engolindo a seco.
Arturo: Droga... – Suspirou, decepcionado com algo. – Como a gente chega a esse ponto?
Arturo pegou um pote de tinta azul e, antes de começar a pintar, ele decidiu colocar o pincel o pincel na boca, experimentando a tinta.
Arturo: Hm... Ácido. – Fez uma careta. – Como uma fruta cítrica recém-colhida de um pomar selvagem.
Kayla: Suas tintas são ecológicas? – A ativista apareceu, o observando de costas.
Arturo: AAH! – O pintor levou a mão em direção ao peito, completamente aflito, virando-se para Kayla.
Kayla: AHH! – Soltou um grito agudo, apontando para Arturo, que só então tirou o pincel da boca.
Arturo: AAAHHH! – Tentou esconder a tinta, sem sucesso. – Que susto, Kayla!
Kayla: Que susto você, Arturo! – Devolveu.
Arturo: Você não pode chegar assim nas pessoas, ainda mais quando elas estão se conectando com a arte. Entende o que eu quero dizer?
Kayla: Eu me conecto com o planeta Terra. – Pensou, cruzando os braços. – Acho que isso é bem semelhante.
Arturo: É... – O pintor levou a mão ao queixo, refletindo sobre os dizeres da ativista. – É tipo isso mesmo.
Kayla: Mas por qual motivo você estava pintando sua língua? – Questionou de forma curiosa, tentando esconder o leve estranhamento.
Arturo: Eu não estava fazendo isso! É coisa da sua cabeça! – Negou, completamente nervoso.
Kayla: E sua língua azul é coisa da minha cabeça também? – Ergueu a sobrancelha direita.
Arturo: Certo, você venceu. Olha, eu provo tintas, como qualquer pintor. Mas de uma maneira diferente. É assim que eu me conecto à arte!
Kayla ficou calada por alguns segundos.
Arturo: É... Eu sei que é estranho, tá bem? Mas olha, se puder não explanar, eu agradeceria do fundo da minha alma de artista. E quando um artista fala da alma, é coisa séria.
Kayla: Tudo bem, eu não entendo, mas vou fingir que não vi. – Os dois foram atingidos por uma rajada de vento, que levou um dos papeis da mala de Arturo ao rosto da garota. – O que é isso?
Arturo: Não é nada! – Nervoso, o rapaz puxou o papel de volta, guardando-o na mala novamente. – São só artigos e...
Kayla: Você esconde muita coisa, né?! Uma caixinha de surpresas! – Arturo concordou com um murmúrio, enquanto fechava a mala.
Arturo: Olha, eu... Preciso guardar essa mala aqui, são papeis muito importantes! – Ele saiu correndo, mas logo deu meia volta, olhando fixamente para Kayla. – Kayla, eu vou confiar a você uma das coisas mais sagradas que eu possuo!
Kayla: Ai não! Não fala essas coisas que eu já fico nervosa!
Arturo: São minhas tintas! Não misture, não perca elas e pelo amor da deusa da inspiração, não deixe elas caírem! São raríssimas.
Kayla: Então tá bem, né... – Jogou os ombros, tentando transparecer calma. – Vou abraçar umas árvores enquanto isso, ao menos elas não me deixam falando sozinha.
Kayla virou-se, seguindo seu caminho para as árvores, mas logo parou e pegou os tubos de tinta que estavam no chão, próximo ao tripé.
Confessionário
Kayla: É... Eu não tenho um bom histórico de cuidar bem das coisas dos outros. – Explicou, com um pote de tinta em mãos. A garota olhou para o produto, analisando o rótulo. – Gente, mas quem consegue ler essas letras miúdas?
Floresta
Kayla andava em uma pequena trilha, abraçando algumas árvores e arbustos.
Kayla: É a melhor coisa que a natureza pode nos oferecer!
Kayla parou em algum ponto da trilha, olhando para o tripé de Arturo ao fundo, e decidiu observar com mais atenção o pote de tinta que estava carregando. – Hm... Tintas McLean, a única no mercado que contém o aroma da natureza. – Leu o rótulo, esboçando um sorriso. – Uh, devem ser bastante ecológicas!
O sorriso se desfez após a ativista fazer uma rápida leitura das letras miúdas, forçando um pouco a vista.
Kayla: Atenção, este produto contém uma quantidade considerável de ÓLEO DE SARDINHA FRITA?! – Exclamou, completamente chocada. – Alérgicos, pode conter alguns traços de pena de pombo?! Isso é a coisa mais criminosa ao meio ambiente que eu já vi! – Falou para si mesma, desesperada. – Preciso me livrar disso agora!
Kayla começou a jogar os potes de tinta entre as árvores, completamente aflita.
Kayla: É um absurdo que exista um produto assim no mercado! – Ela olhou para as mãos, enojada. – Não acredito que eu toquei nisso! Eu preciso avisar ao Arturo o quão nociva a arte dele é para o meio ambiente, o mais rápido possível! E falar que essas tintas podem... – E só então, a garota pareceu refletir. – Ai não! Eu joguei as tintas fora! Ele vai acabar comigo!
Kayla corre até o local onde achou que as tintas teriam caído, surpreendendo-se com a cena: Os potes se abriram com o impacto, ao serem jogados contra as árvores, e acabaram pitando alguns troncos, galhos e arbustos.
A ativista soltou um grito agudo e tentou tirar a tinta de algumas árvores, ação que acabou espalhando a tinta mais ainda.
Confessionário
Kayla: Certo. Eu sei o que vocês devem estar pensando. – Respirou fundo. – Eu sei que eu posso ter errado duas vezes, com o Arturo e principalmente com a natureza. Eu também não sei como eu transformei essa linda floresta natural em um catálogo de toxicidade! Foi tudo um acidente! Eu fiquei nervosa e... E então tudo aconteceu.
Kayla começou a girar seus polegares de um modo desconexo, olhando para um lado e outro, respirando rapidamente.
Kayla: Olha, eu não me orgulho disso, e eu sei que os ursos pandas diriam que estão decepcionados comigo, se eles falassem minha língua... – Comentou, com a cabeça baixa. – Vocês sabem como eles são vulneráveis e sensíveis.
Floresta
Kayla: Certo... Como eu vou explicar tudo isso? – A ativista encarava o estrago artístico que causou, até que foi atingida por uma rajada de vento. – É isso! O vento! O vento derrubou tudo e foi tão forte, que eu não consegui segurar nenhum dos potes de tinta! Ninguém vai desconfiar!
Kayla se aproximou de uma das árvores pintadas e a abraçou.
Kayla: Espero que vocês possam me perdoar! – Kayla percebe uma pequena abertura na árvore, que parecia esconder algo. – Espera, isso é...? – A ativista puxou uma pequena estátua de um buraco na árvore.
Kayla olhava para o artefato, sem palavras. Entretanto, mais sem palavras ainda, estava Tiffany, escondida em um arbusto, fotografando as ações da ativista.
Confessionário
Kayla: Isso só pode ser um sinal do perdão da natureza! É uma estátua do veto! – A garota ergueu o objeto, com um brilho no olhar. – Só espero que o Arturo me compreenda. Mas, vai dar tudo certo, pelo amor ao meio ambiente!
Tiffany: Eu. Não. Acredito! – Falou pausadamente. – Kayla pintou a floresta inteira e ainda tem uma estátua do veto? Esse é o meu primeiro furo exclusivo da temporada! – Levou as mãos ao rosto, alegre e embasbacada.
Área das cabanas
Chloe caminhava despretensiosa, quando Arturo apareceu correndo com sua mala, esbarrando na influencer. A maleta abriu-se com o impacto e alguns papéis voaram pelo ambiente. Os dois participantes foram ao chão, com Chloe caindo de costas, sentada; enquanto Arturo mais parecia ter tropeçado numa pedra, pois estava com a cara quase enterrada no chão, coberta de areia.
Chloe: Ai! Olha por onde anda, garoto!
Arturo: Mil perdões, Chloe. Não vi você passando aqui...
Chloe observa Arturo recolher as folhas que caíram para fora da maleta. Um dos papéis cai próximo a influencer, deixando visível um carimbo vermelho.
Chloe: Como não me viu?! –A garota aproveita a distração do pintor e guarda o papel carimbado em seu bolso. – É cada doido que a gente tem de encontrar aqui.
Arturo: Não precisa vir na defensiva. – Ele recolheu o último papel. – Eu elogiei você quando você chegou na ilha, tá bem? E olha, foi só um acidente.
Chloe: E eu posso saber o motivo de tanta pressa, Picasso de quinta? – Ergueu uma sobrancelha.
Arturo parou o que estava fazendo e encarou a influencer.
Arturo: Primeiro de tudo, Picasso era cubista, e minha arte é abstrata. Se você quer arrumar uma forma de me insultar, que ao menos seja precisa. – O pintor coletou a mala, que ainda estava no chão. – Picasso de quinta! Onde já se viu? Estou mais para um Pollock em ascensão. – Resmungou.
Chloe rolou os olhos, claramente insatisfeita com a correção.
Chloe: Tanto faz, Pollock de liquidação. – Corrigiu com um tom irônico. – Por que toda essa correria? Viu um fantasma de algum artista?
Arturo: Ah Chloe, alguns momentos de inspiração acabam nos deixando instáveis. Às vezes, um artista precisa correr para conseguir produzir sua obra-prima!
Chloe: Atropelar as pessoas não tem nada de artístico. – Cruzou os braços. – Talvez seja até crime.
Arturo: Se arte é um crime, podem mandar me prender. – Sorriu com olhos fechados. – Agora se me permite, Chloe, tenho que ir, preciso criar arte!
Arturo saiu andando rapidamente, desta vez, prestando mais atenção no caminho. Chloe fez uma careta de desdém e retirou o papel que guardou no bolso, lendo com cautela cada linha.
Chloe: O quê? Contrato de vendas de quadros autorais?! Interessante...
Confessionário
Chloe: Então, o nosso Pollock de liquidação não é apenas um artista indie que vende a arte na praia. – Ela continuava a ler a folha. – Eu recebi um pouco de educação sobre vendas de artes e gente, deixa eu dizer uma coisa, esse cara não precisa estar nesse programa, ele precisa é de um contator, porque lucro na vida dele, é o que não falta!
Refeitório
Embora fosse o horário do café da manhã, eram poucas as pessoas presentes para degustar os pratos oferecidos no programa. De um lado, Ethan comia uma panqueca levemente queimada, enquanto Vince estava ao seu lado, agachado no chão, degustando um copo de leite. Do outro lado, Sophia estava de pé, com uma postura determinada, encarando Margaret.
Sophia: Eu não consigo acreditar que perdemos o último desafio, Maggie. – Ela calou-se por um instante, parecendo envergonhada – Ah, eu posso te chamar assim, né?
Margaret: Claro. – Sorriu. – Na minha escola esse era meu apelido carinhoso no grupo B.
Sophia: Grupo B? – A jogadora de basquete sentou-se, parecendo mais interessada no assunto.
Margaret: Você sabe. Eu sou estilosa, dizem que eu tenho uma certa “atitude” – Fez aspas com as mãos. – Eu sempre sou encaixada no grupo das garotas populares. E as pessoas levam muito a sério essa coisa de “grupinhos sociais”, então eu meio que fui obrigada a estar no grupo daquelas garotas que só queriam pintar as unhas e fofocar sobre como a garota nerd da sala nunca vai subir na vida.
Sophia: Uh, isso é tenebroso. – Sophia deu um leve abraço em si mesma. – Eu nunca tive um grupo certo, demorei a me enturmar.
Margaret: Acho que nosso caso é bem semelhante. Acontece que eu nunca me senti parte daquilo. Então, secretamente, eu descobri que existia um grupo de pessoas diferentes. – Abriu um sorriso. – Eles saíam pra comer pizza, riam, iam no fliperama, teatro. Uma coisa meio alternativa, né? Mas eu adorei. E eu me enturmei com eles.
Sophia: Parecem mais legais que as outras garotas.
Margaret: E são! A gente se denominava o grupo B por gostarmos de coisas mais alternativas e não nos encaixarmos nesses estereótipos que tanto querem nos forçar. É sério, se eu não tivesse feito amizade com eles, eu certamente seria uma Chloe da vida, ou pior...
Sophia: Eu gostaria de ter um grupo assim. – Suspirou. – Mas pelo visto, até uma equipe estável é uma coisa difícil de se manter por aqui.
Margaret: Dylan é uma pessoa difícil de lidar, mas no fundo, vocês se parecem bastante. Ele é bem resiliente nos princípios dele, né? Joga com raça. Igual você.
Sophia: Mas nossa diferença é que eu quero jogar limpo. Você viu como ele agiu no último desafio? Não se importava com ninguém, só ele. Eu não vou me render ao jogo dele. – Ela cruzou os braços, com força. – Não mesmo!
Margaret: Acho que a questão aqui não é você se render ao jogo dele. Talvez você só precise achar um ponto de equilíbrio.
Alfred apareceu e sentou-se à mesa, prestando atenção aos dizeres de Margaret.
Alfred: Encontrar pontos de equilíbrio é uma tarefa difícil. Mas sair da nossa zona de conforto é algo essencial na administração.
Margaret e Sophia encararam o rapaz.
Alfred: O que foi?
Sophia: Por que você tá usando uma touca?
Alfred arregalou os olhos, retirando o adereço da cabeça.
Alfred: Ah... É, e-então... A-a touca? – As duas garotas observaram o empresário com curiosidade. – É que... Eu fui nadar! É isso!
Margaret: Mas você nem tá molhado...
Alfred: Isso mesmo! Não estou porque eu não nadei! – Sorriu. – Eu acabei de lembrar que eu não tinha comido nada, então decidi lanchar antes de fazer um exercício. É importante pro desafio, não é, Sophia?
Sophia: Com certeza! – Sorriu, dando a entender que aceitou a justificativa do rapaz. – Precisamos estar com a alimentação em dia para praticar esportes, e até mesmo ir com tudo para o nosso desafio! Temos que vencer, não é mesmo? – Margaret e Alfred assentiram com a cabeça.
Do outro lado do refeitório, é Tiffany quem chega, com uma face de nervosismo e felicidade.
Tiffany: Oi meninos! – A garota soltou um sorriso de orelha a orelha.
A jornalista então, cumprimenta Ethan e Vince, aproveitando para fazer um carinho na cabeça do último, que solta um ronronado em resposta.
Ethan: Oi... – Sorriu, timidamente.
Tiffany: Vocês não vão acreditar! Eu tenho notícias em primeiríssima mão!
Ethan: Do que se trata?
Tiffany: Eu estava caminhando hoje pela floresta, em busca de alguma notícia bombástica para minhas redes sociais, e vocês não sabem o que eu encontrei!
Vince: Hm...? – Pareceu atento a conversa.
Tiffany: Alguém encontrou uma estátua!
Ethan: Certo. – Estranhou. – Prossiga.
Tiffany: Uma estátua do veto!
Ethan: Mas já? Tão cedo assim? Não é possível!
Tiffany: Exatamente! E eu capturei tudo com minha câmera! – Ela tenta ligar o dispositivo, mas, nada acontece. – E eu acho que vou precisar recarregar ela primeiro. Mas fiquem por aqui, assim que a bateria estiver cheia, eu venho e conto todos os detalhes! Tintim por tintim!
Assim que a jornalista se levanta, o barulho estridente do alto-falante é ouvido, com uma microfonia horrível.
Chris (Alto-falante): Atenção competidores, compareçam a praia para o nosso próximo desafio vai ser eletrizante! Hahaha! – Soltou uma risada de satisfação.
Confessionário
Tiffany: Eu sei que soltei uma bomba e saí correndo, mas, jornalismo é sobre divulgar e incitar as pessoas a buscarem conhecimento, né? E, sinceramente? Esse pode ser o melhor furo da minha carreira até agora!
Campo de provas – Praia
Era um dia ensolarado e sem nuvens. Embora o calor parecesse excessivo, o vento forte da Ilha Tayo ocasionalmente surgia como uma brisa suave, que trazia o aroma e frescor do mar. A areia da praia aparentava estar quente.
A praia não estava vazia: De um lado, uma grande estrutura metálica quadrada estava fincada na areia, com alguns fios elétricos espalhados na base. Além disso, quatro passarelas se estendiam em cada um dos lados, formando o que parecia ser uma grande rosa dos ventos, com cada passarela apontando para um dos pontos cardeais. Ao final de cada passarela, havia um pequeno palco onde um mastro com um sino estava posicionado.
Ao Norte, estava uma passarela reta, e ao sul, uma passarela em zigue-zague. Nas outras pontas, a passarela do lado oeste seguia uma forma oscilante, com alguns pontos do caminho fazendo uma subida, e outros, uma descida. A mais destoante, no entanto, era a plataforma do lado leste, que consistia em uma linha reta, mas com pequenos espaços em falta, parecendo exigir que aquele que fosse atravessá-la, pulasse.
Do lado oposto a plataforma, Chris estava posicionado ao lado de três grandes círculos desenhados na areia da praia, cada um pintado com a cor de uma das equipes.
Os participantes chegaram aos poucos, cada um demonstrando um pouco de curiosidade, seja com a plataforma, seja com os círculos.
Chris: Boas-vindas! Sentiram minha falta? Eu sei que sim! – Sorriu. – Está na hora do segundo desafio da temporada. Quem pediu por algo complexo?
Todos ficaram calados.
Chloe: Ninguém pediu, óbvio.
Chris: Azar o de vocês, porque o desafio de hoje envolve equilíbrio, coragem e força!
O apresentador riu levemente, deixando alguns competidores com feições preocupadas.
Chris: Este é o desafio da rosa dos ventos. Um competidor de cada equipe vai subir na nossa plataforma e escolher uma das quatro passarelas para atravessar. Ao final de cada passarela, há um pequeno sino que, se tocado, garante uma pontuação para a equipe. A plataforma do norte oferece 50 pontos, a do Oeste, 100 pontos, a plataforma do sul pode conceder 200 pontos e a plataforma do leste, 300 pontos.
Tyson aproximou-se de Lily e apontou para a plataforma oeste.
Tyson: Aquela ali é perigosa, precisamos pular de uma parte da passarela pra outra, mas acho que eu consigo ir nela. – Comentou, em tom baixo.
Chris: E para deixar as coisas mais interessantes, vocês devem realizar o caminho da passarela vendados! – Tyson mostrou-se desanimado. – Se você cair, deve passar a vez para o próximo competidor do seu time. Enquanto isso, nós inserimos uma mecânica divertida para vocês não ficarem entediados enquanto esperam a vez de jogar!
Chris aponta para os círculos no chão, com um olhar maldoso.
Chris: As nossas passarelas são equipadas com alguns fios elétricos para iluminação, mas também podem ocasionar “pequenos” choques em quem estiver atravessando alguma delas. Dentro de cada círculo, estão escondidos alguns controles que podem ativar um choque elétrico em uma plataforma da sua escolha, e um controle universal azul, que energiza todas as plataformas. Quem não aguentar a onda de choque e cair, também terá que dar a vez para algum outro colega.
Ethan engoliu a seco. Chloe pareceu soltar uma risada breve, enquanto Dylan estava muito interessado no que o apresentador explicava.
Chris: Durante o desafio, os que estiverem fora da plataforma podem cavar e procurar estes controles, ou não, fica a critério de vocês. O fato é, que as duas primeiras equipes a somarem 1000 pontos, vencem o desafio e garantem imunidade. Então, se organizem, porque o desafio começa em breve!
Confessionário
Lily: Eu fico em choque com esse programa as vezes. Olha o nível desse desafio!
Campo de Provas – Praia
Agora, cada equipe se encontrava em um respectivo círculo. As Corujas Tagarelas pareciam estar em uma discussão acalorada, enquanto o clima na equipe das Gaivotas Trapalhonas estava um pouco tenso, com alguns participantes trocando olhares, em silêncio.
Os membros das Águias Malucas, porém, estavam completamente desorientados.
Sophia: Gente, cadê o Alfred?
Margaret: Estranho, eu jurava que ele estava aqui, atrás de mim, agorinha.
Dylan: Deve ter ido no banheiro. Ele deve ter algum problema de nervosismo, toda hora que tem algo importante ele corre para lá. – Encolheu os ombros, dando pouca importância para a ausência do colega de time.
Margaret: Certo, alguém quer ir primeiro?
Sophia: Podem deixar comigo! Vocês já sabem qual passarela vão atravessar?
Dylan: A de cem pontos, ou talvez a de duzentos... O que for mais agradável. Se duvidar eu me arrisco até na de trezentos.
Sophia: Só não burle as regras. Eu vou tentar a passarela mais difícil, embora seja eu esteja vendada eu sei reconhecer um campo. – Dylan rolou os olhos ao ouvir as recomendações de Sophia.
Margaret: Eu não estou muito confiante, talvez eu pegue o caminho reto.
Dylan: A gente tem uma mina de ouro nesses círculos, se procurarmos os controles e eletrocutarmos eles na hora certa, vamos atrasá-los o suficiente. Então podemos dar uma jogada forte enquanto eles estão caindo e ainda levam um belo de um choque.
Margaret e Sophia encararam o rapaz.
Dylan: E nem venham me falar que eu estou sendo ardiloso. – Mirou o olhar para Sophia. – Vocês ouviram, o próprio Chris falou que faz parte do desafio.
Confessionário
Sophia: Ah, porque faz parte do desafio... – Imitou o companheiro de equipe. – Ele é irritante a um ponto que... – Ela respirou fundo. – Certo, vou fazer o que a Maggie disse, é hora de encontrar um ponto de equilíbrio.
Dylan: Ai... – Jogou a mão para um lado, imitando Sophia. – Não burle as regras, seja certinho. – Fechou a cara. – São pequenas coisas que vão construindo uma grande muralha. E sabe o que eu faço com muralhas? Eu as derrubo.
Campo de Provas – Praia
A câmera filmou um plano aberto da praia, mostrando a estrutura que Chris denominou como rosa dos ventos e as equipes em seus círculos. De repente, o quadro é trocado para um foco na equipe Gaivotas Trapalhonas.
Tiffany: Então... – A palavra saiu quase que de forma melódica da boca da jornalista. – Será que alguém se dispõe a ir primeiro? Alguém com muita coragem e garra?! – Olhou para Ricardo, que carregava uma mochila.
Ricardo: Não se preocupe, eu irei salvar o dia! – Sorriu. – Vou aproveitar que me exercitei bastante hoje, estou no pique pra vencer!
Tiffany: Isso aí, Ricardo! É disso que eu gosto!
Ao lado da dupla, Penelope seguia calada, apenas encarando horizonte.
Confessionário
Tiffany: Certo, eu tenho uma notícia impactante, que é o fato de a Kayla ter encontrado a estátua do veto. E tem aquela pintura nas árvores da floresta que ela produziu hoje. De muito mal gosto aliás. – Ela começou a coçar os braços. – Mas eu estava pensando em aprofundar mais essa história. Ela pretende usar a estátua? Quando? Em quem? Ahhh! – Levou as mãos ao rosto, com um misto de alegria e inquietação. – São tantas possibilidades! Eu preciso descobrir tudo! Eu nunca aceito uma informação pela metade!
Campo de provas – Praia
Chris: Preparados para o desafio? – Alguns negaram com a cabeça. – Valendo!
Então, os três primeiros competidores correram em direção a rosa dos ventos. Sophia, com seu porte atlético e determinação, chega primeiro à plataforma e já trata de colocar sua venda no rosto. Pouco tempo depois, Tyson e Ricardo também chegam, tratando de vendar-se.
Sophia decide ir pelo caminho do leste, que exigiria alguns pulos, enquanto Ricardo inicia a caminhada no caminho do sul, em zigue-zague. Os companheiros de equipe observavam nervosos.
Margaret: Ela vai mesmo no caminho mais difícil? – Falou, apontando para Sophia.
Dylan: Hump, exibida! – Ele fez um sinal de desaprovação com a cabeça, agachando-se na areia, em seguida. – É melhor a gente ir cavando, não vamos apenas nos confiar na jogadora ali, não!
Margaret: E o Alfred? – Margaret começou a cavar dentro do círculo da sua equipe.
Dylan: Olha, eu estava brincando quando sugeri que ele poderia estar caçando a estátua no outro dia, mas dessa vez, eu acho que ele está mesmo aprontando algo do tipo.
Margaret: Não sei se ele colocaria um alvo tão fácil assim nas costas.
Dylan encontrou um saquinho com um controle remoto na areia, o que fez o rapaz sorrir automaticamente.
Dylan: É hora da diversão! – Dylan aponta o controle para a pista onde Ricardo estava, eletrocutando o ator.
Ricardo: AU! Quem fez isso?! Pagará com a alma! – Ele fez uma pose e cerrou o punho, levantando o braço. – Vocês filmaram isso? Eu ensaiei muito essa fala! – Sorriu.
Enquanto isso, Sophia e Tyson estavam bem avançados, quase alcançando o final das suas passarelas.
Confessionário
Tyson: Eu não tenho dúvidas que eu conseguiria atravessar a passarela dos pulos, mas eu pensei que se eu corresse pela passarela reta, eu conseguiria finalizar mais rápido e abrir uma vantagem que seria cem por cento garantida. Não é esperto?!
Área de Provas – Praia
O restante da equipe Corujas Tagarelas analisava o desempenho de Tyson.
Chloe: Mas que estratégia doida é essa? Ninguém avisou a ele que aquela é a pista que vale menos? – Tyson consegue tocar o sino da sua passarela. – Uau, ele é bom.
Tyson: UHU! – Comemorou ao longe, tirando a venda.
Chris: E as Corujas Tagarelas ganham 50 pontos, assumindo a liderança! Mas Sophia está quase chegando no final da passarela de 300 pontos para as Águias Malucas, será que eles irão abrir vantagem?
Do outro lado, Dylan continuava a eletrocutar Ricardo, que tentava ao máximo se manter de pé na passarela, mas sofria espasmos ocasionalmente.
Ricardo: Eu... Tenho que tentar! – Ricardo começa a engatinhar na passarela.
Vince: Hm... – O rapaz ajustou o capuz de seu pijama, enquanto encarava Ricardo.
Confessionário
Vince: Alguns papéis nunca serão dignos de alguns atores!
Área de Provas – Praia
Tyson chegou, e passou a vez para Ethan.
Tyson: Vai Ivan! Você consegue! Foco nos 50, aí serão 100 pontos!
Chloe: O nome dele é Ethan! – Corrigiu, ao ver que o estudante não estava perto o suficiente para fazer isso.
Tyson: Ah! – Ele pareceu ter uma iluminação na mente.
Chloe: É tão difícil assim gravar nomes?
Tyson: Sim, você não acha?
Chloe: Eu trabalho com nomes, é óbvio que eu não acho difícil. – Cruzou os braços. – Agora vamos cavar, a gente não pode deixá-los marcarem pontos!
Pouco após Chloe encerrar sua fala, Sophia saltou para o último bloco da passarela escolhida. A jogadora de basquete tateou o chão da plataforma, tentando encontrar a base do sino para tocar.
Chris: E... Sophia bate o sino, garantindo 300 pontos para as Águias Malucas! – A equipe comemora, enquanto Sophia retorna ao círculo. – Enquanto isso, as Gaivotas Trapalhonas seguem com zero pontinhos.
Os membros das Gaivotas Trapalhonas que estavam no círculo se encaram, preocupados.
Kayla: Vamos cavar pessoal! Nossas chances serão maiores se eletrocutarmos eles! – Arturo, Penelope e Tiffany concordaram e continuaram a cavar.
Do outro lado, Ricardo ainda sofria com os choques elétricos que Dylan acionava.
Ricardo: Eu... Ai! Vou... Ai! Conseguir... – Próximo ao final da passarela, Ricardo finalmente perde o equilíbrio, e cai.
Tiffany: É... E lá se vai nossa chance de sair do zero.
Ricardo volta ao círculo das Gaivotas Trapalhonas, com o cabelo arrepiado. Ao mesmo tempo, Sophia, que havia conseguido tocar o sino, chegou no círculo das Águias Malucas.
Sophia: Viram só? É fácil! – Soltou um sorriso sincero. – Concentrem-se e sintam a passarela! – Olhou para o restante da equipe. – Sua vez, Maggie!
Margaret: Pode deixar! – Levantou-se da areia, porém, foi interrompida por Dylan, que se levantou mais rápido.
Dylan: Pode deixar, eu vou antes.
Sophia: Não! Você vai ficar aqui! – Apontou para o jogador de damas. – A Maggie vai primeiro, eu quero ter uma conversa com você enquanto isso.
Dylan suspirou, mas sentou-se novamente na areia, ainda segurando o controle de choques elétricos.
Dylan: Por favor, só não me diga que é outra daquelas reuniões de time, Sophia.
Sophia: Não vai tomar muito do seu precioso tempo, Dylan. – Soltou com um leve desdém. – Pode confiar!
Dylan: Certo... Pode ir para a passarela, Margaret! – A garota sorriu e começou a correr para a passarela, após a autorização de Dylan.
Sophia: Certo... Por onde eu devo começar?
Ao fundo, é possível ouvir Tiffany comemorar por encontrar um controle remoto, ao mesmo passo que Penelope sobe na plataforma. Dylan percebe a alegria da equipe adversária, mas Sophia chama sua atenção com um estalo.
Sophia: Ei, foco! – Sophia acenou. – Olha, a gente já perdeu o primeiro desafio.
Dylan: É sério?! – Ironizou. – Não tinha percebido! Só agora que notei que a gente eliminou uma pessoa, Sophia!
Sophia: Eu tô falando sério! Me escuta! – Bateu as mãos, procurando se concentrar. – Acho que, talvez, a gente deva procurar uma forma de trabalharmos juntos para evitar novas perdas.
Dylan arqueou a sobrancelha direita, cruzando os braços.
Dylan: Talvez...?
Sophia: Margaret acha que você e eu temos perspectivas de jogo bem parecidas, mas de formas opostas. Você não se importa com regras, eu quero um jogo da forma mais justa possível. Mas nós dois queremos jogar ao extremo! Então, se encontrarmos um meio-termo, talvez isso possa nos beneficiar e todos saem ganhando no time.
Dylan: Meio-termo? – Dylan soltou uma leve risada. – Então você está dizendo que eu meio que posso criar minhas regras e meio que posso acabar com meus inimigos?
Sophia: O quê? – A jogadora de basquete olhou chocada para o rapaz. – Não é nada disso! Eu quero sugerir que você use sua mente brilhante para criar estratégias que sejam divertidas e justas, ao mesmo tempo.
Dylan: Então eu posso aprontar algo com os outros times, mas não de fato sabotar?
Sophia: Você nem tá tentando!
Dylan: Epa, epa! Eu tô sim. – Ergueu as mãos, nunca pose de rendição. – A questão é que eu acho que essa coisa de jogo justo só dura até alguém pisar no seu pé. – Apertou o botão do controle, sem prestar atenção em quem eletrocutava. – Aposto que se alguém te pressionar o suficiente, você vai acabar aderindo a tentação de burlar um pouco as regras do jogo, Sophia.
Sophia ficou calada, ao passo de que era impossível discernir o que se passava em sua mente.
Sophia: Você por acaso tem resposta pra tudo?
Dylan: Pior que é bem difícil me deixar sem palavras. Fazer o quê? É meu jeitinho... – Falou com um sorriso angelical.
Sophia cruzou os braços, claramente indignada com os gestos debochados do colega de equipe.
Enquanto isso, nas plataformas, Ethan estava completando seu trajeto na plataforma reta de maneira concentrada. Na passarela do lado Oeste, era Penelope quem percorria o caminho, um pouco temerosa. Margaret optou pelo caminho do Sul, em zigue-zague.
Ethan: Certo, é só uma linha reta... – Ao longe, dos círculos, Kayla acionou o controle para eletrocutar a plataforma em que Ethan estava. No entanto, o rapaz soltou apenas um leve grunhido de dor. – Gr... Ai, isso vai me dar problemas cardíacos.
Ethan conseguiu avançar, e tocou o sino da plataforma.
Chris: E Ethan consegue marcar mais 50 pontos para as Corujas Tagarelas! Agora eles estão com 100 pontos no total.
Kayla olhou preocupada para Tiffany e Arturo.
Kayla: Será que a gente vai conseguir ao menos o segundo lugar? – Indagou com um semblante triste. A gente foi muito bem no último desafio.
Tiffany: Relaxa, fofa. A Penelope tá indo muito bem.
Kayla: Ou Marie, né? – Corrigiu, lembrando de como a historiadora queria ser chamada após o incidente.
Tiffany: Ah, sim. Ainda tem isso, né? – Observou Penelope ao longe. – Mas ela está jogando. Mesmo estando estranha...
Kayla: Estranha é pouco. Eu acordei de madrugada para ir ao banheiro, e adivinha?! – Tiffany pareceu mais interessada no assunto, aproximando-se de Kayla.
Tiffany: O quê?! O quê?! Me conta tudo, menina! – Seus olhos brilhavam, enquanto saltitava.
Kayla: Ela estava lá encarando a janela com um sino na mão.
Arturo: Tem certeza de que não sonhou? – Entrou na conversa, ainda cavando no círculo, diferente das duas garotas. – Às vezes acontece comigo.
Kayla: Eu juro pela preservação dos coalas! – Ela levantou a mão direita, em pose de juramento. – E com os coalas, o assunto é sério.
Tiffany: Menina... – Ela estava animada com a conversa. – Adorei essa fofo... Digo, informação! Eu preciso fazer um plantão de notícias durante a madrugada. O que será que ela queria com o sino?
Kayla: Não sei, eu achei tão esquisito que só fui ao banheiro e depois voltei correndo para a cama. Vai que ela começava a levitar ou alguma coisa assim, né?
Na plataforma, Penelope andava lentamente na sua passarela oscilante, murmurando um pouco a cada passo, como se estivesse recebendo instruções de alguém.
Penelope: A energia me guia, e o destino já está selado!
Os dizeres não passaram despercebidos dos colegas de time.
Kayla: Sei não, isso tá me deixando nervosa.
Arturo: É melhor fingir que não está ouvindo.
Penelope para no final da plataforma, antes de tocar o sino, a garota vira o rosto na direção em que Arturo, Kayla e Tiffany estavam. Mesmo vendada, Penelope aponta diretamente para a equipe.
Penelope: Você!
Kayla: Eu...?!
Penelope: O universo sussurra. Ele vê tudo. Ele sabe de tudo!
Então, uma rajada de vento atinge os competidores. Kayla engole a seco e dá um passo para trás, ao mesmo tempo em que Tiffany abraça a si mesma, desconfortável.
Arturo: É melhor a gente ficar de olho nela mais vezes. – Tiffany concorda lentamente com a cabeça.
De alguma forma, Penelope consegue tocar o sino, retirando sua venda logo após.
Chris: E Penelope consegue 100 pontos para as Gaivotas Trapalhonas!
Penelope: Como eu disse, tudo estava predestinado. – Ela afirmou, ainda na plataforma.
Kayla: Será que se a gente der um lanche pra ela, ela nos deixa em paz? – Encarou Arturo e Tiffany, tentando quebrar o clima tenso da situação.
Chris: Agora temos um empate entre as Gaivotas Trapalhonas e as Corujas Tagarelas, com 100 pontos cada, enquanto isso, as Águias Malucas seguram o primeiro lugar com 300 pontos! – O apresentador atualizou o placar no seu tablet. – Será que a Margaret vai aumentar ainda mais a vantagem do time?
A atenção se voltou para Margaret, que estava caminhando na passarela em zigue-zague.
Sophia e Dylan estavam atentos de modo que não perceberam que Alfred se aproximou deles.
Alfred: E aí gente? Acham que ela consegue? – A pergunta do rapaz assustou Dylan. – Opa, foi mal, amigão!
Dylan: Finalmente você chegou, hein!
Sophia: Exatamente! Estava por onde? – Sophia colocou as mãos na cintura, tentando assumir uma pose intimidadora. – Precisamos de foco e dedicação para não perdemos mais um desafio!
Dylan: Estamos na frente, mas isso não garante vitória. O jogo muda o tempo todo!
Alfred: Calma pessoal, eu tive uma emergência pra resolver. E depois, eu estou aqui, né? Um bom administrador sempre vai estar presente para entregar o projeto final!
Dylan e Sophia trocaram olhares, aceitando o argumento de Alfred. Neste momento, Margaret toca o sino da sua plataforma.
Chris: E a equipe Águias Malucas ganham mais 200 pontos graças ao desempenho de Margaret! Agora eles já estão na metade do caminho para vencer, com 500 pontos!
Alfred: Bom, agora é minha vez! – Ele apressou-se para caminhar até a plataforma, enquanto Margaret voltava para o círculo. – Aliás, alguém já falou que vocês são bem parecidos? – Perguntou para Sophia e Dylan. – Pareciam meus dois superiores de estágio me dando um sermão.
Sophia: Tá vendo o que eu falei? – Encarou Dylan.
Dylan: Aparências enganam, né? – Soltou um sorriso descarado.
Do lado das Corujas Tagarelas, Tyson observava a situação.
Tyson: Ótimo, agora vai ser difícil virar.
Ethan: Eu não diria que é tão difícil assim. Nenhum da nossa equipe caiu até agora, ao contrário das Gaivotas. Então se continuarmos nesse ritmo, a gente pode virar fácil, ou pelo ao menos garantir o segundo lugar.
Chloe apareceu com um pacote em mãos, já se pronunciando.
Chloe: Deixem com a maioral, que ela vai mostrar como se faz!
Vince surgiu atrás de Tyson, com um brilho no olhar nunca visto.
Vince: Caixa...! – Ele parecia hipnotizado, falando lentamente. Chloe o observou com desdém.
Chloe: Você fala?! Chocada.
Lily: O Vince tem razão. O que tem nessa caixa, Chloe? – Lily manifestou-se, parando de cavar por um momento.
Chloe: É surpresa, logo vocês descobrirão! Agora, continuem a cavar e encontrem o máximo de controles que conseguirem. – Ela ordenou com vontade. – Principalmente você Lily, eu sei que esse pessoal da jardinagem é muito bom com escavação!
Confessionário
Lily: Gente, é sério, até agora eu não entendi se ela estava me elogiando ou não.
Área de provas – Praia
Chloe aproveitou que Lily, Ethan e Tyson voltaram a cavar a areia no círculo da equipe, e puxou Vince para um canto.
Chloe: Aqui, gatinho... Pss! – Fez um som, chamando a atenção do rapaz de pijama.
Vince: ... – Aproximou-se desconfiado.
Chloe: Você gostou dessa caixa né? – Ela mostrou a caixa novamente, deixando Vince deslumbrado.
Vince: Caixa!
Chloe: Seguinte, eu a dou de presente pra você, com uma condição!
Vince: Diga seu preço. – Vince olhou para os lados, como se estivesse sendo vigiado.
Chloe: Fique de olho naqueles dois. – Apontou para Tyson e Ethan. – Me conte qualquer coisa suspeita que notar, conversas, risadas, planos... Quero ficar informada de tudo.
A influencer retirou um objeto do pacote e entregou a caixa para o rapaz.
Chloe: Combinado?
Vince: Sim!
Confessionário
Chloe: É como eu sempre digo, um unboxing sempre agita as coisas! – Sorriu.
Vince: É a minha primeira caixa na ilha! – Ele olhava admirado para o objeto, colocando sua cabeça dentro. O rapaz então, voltou o olhar para a câmera e piscou algumas vezes. – Certo. Preciso de foco! Eu acabei de ser manipulado?! Não posso deixar isso acontecer de novo! Eu caí como um patinho. Ou um gato, no caso.
Área de provas – Praia
Agora, na plataforma, Chloe se preparava para cruzar a passarela do leste, que garantia 300 pontos. Enquanto isso, havia uma pequena discussão na pista do lado oeste, pois tanto Alfred quanto Arturo iriam tentar cruzar a passarela.
Os dois, já vendados, estavam tentando decidir quem ia primeiro.
Alfred: Acho melhor eu ir na frente.
Arturo: Ué, eu posso ir logo. Olha, meu time só tem 100 pontos, eu quero garantir pelo ao menos o segundo lugar, e mesmo que eu marque essa pontuação, não vamos alcançar seu time, só aumentar as chances de pegar o segundo lugar. Então não vai ser um incomodo pro seu time. Vai lá, fico te devendo essa!
Alfred: Você está pensando na pontuação, mas eu estou pensando na oportunidade, meu amigo! Se eu for antes, posso me destacar como um líder na minha equipe, que aliás, precisa vencer porque já perdeu um membro no último desafio. Se você observar tudo de um modo mais empreendedor, perceberá que a equipe que mais necessita disso, é a minha!
Arturo: Isso é um reality de sobrevivência, Alfred, não um escritório! – Tentou apontar para Alfred, mas acabou apontando para o lado oposto.
Alfred: Talvez você veja assim, mas ambas as situações exigem estratégia, competição e um pouco da inevitável dor do trabalho humano. – Alfred rebateu.
Arturo: Certo, isso foi dramático.
Os dois continuaram em silêncio por um momento.
Arturo: Tudo bem, vamos resolver isso como dois adultos devem resolver!
Alfred: Concordo! – Sorriu. – Um debate estruturado de três turnos com um júri imparcial? Podemos chamar os jogadores que não fazem parte das nossas equipes!
Arturo: Não. Pedra, papel ou tesoura, cara!
Alfred: Ah! Certo!
Os dois erguem as mãos e jogam. Após isso, um silêncio invade o local.
Arturo: Então... Quem ganhou?
Alfred: Hã... Cara, a gente tá vendado. Não dá para saber quem venceu.
Arturo: Isso explica muita coisa.
Do lado oposto, Chloe usava um dispositivo semelhante a um aspirador de pó, mas que emitia alguns sons robóticos. Alguns observam atentamente a influencer, que chamava a atenção ao cruzar a passarela de pulos com seu adereço.
Tyson: Por que ela tá andando com um aspirador de pó?
Lily: Eu não sei, talvez seja um objeto de sorte.
Na passarela, a frequência de “bips” emitido pelo dispositivo de Chloe aumentou, chamando a atenção de alguns. A influencer então, preparou-se e saltou. Surpreendendo a todos, ela avança com uma precisão absoluta, como se soubesse exatamente onde pousar.
Sophia: Como?! – Sophia assiste a influencer tocar o sino. – Não é possível!
Chris: E Chloe garante 300 pontos para a equipe das Corujas Tagarelas!
Chloe tira a venda dos olhos, e observa a equipe comemorar de forma animada, com Vince erguendo as patas do pijama e Tyson abraçando Lily e Ethan.
Chris: Agora temos um placar de 100 pontos para as Gaivotas Trapalhonas, 400 pontos para as Corujas Tagarelas e, ainda na frente, as Águias Malucas com 500 pontos! Será que nós teremos uma virada de alguma equipe?
Os membros das Gaivotas Trapalhonas se entreolham, tensos.
Kayla: O que eles estão fazendo ali? – A ativista forçou a visão, tentando entender o que se passava no início da plataforma onde Arturo e Alfred estavam.
Tiffany: Não faço ideia! Tenta dar um choque neles pra chamar a atenção.
Kayla: Não vai funcionar, eles nem estão na passarela.
Penelope: Eles estão aceitando o destino que lhes foi imposto. – Penelope emergiu de um buraco fundo que ela escavou anteriormente.
Kayla e Tiffany viraram para encará-la, entretanto, a garota já tinha voltado para o espaço que cavou na areia.
Enquanto isso, na plataforma, Arturo e Alfred ainda debatiam sobre quem iria atravessar primeiro.
Arturo: Que tal fazer um sacrifício em nome da arte? Tenho certeza de que seria muito bem-visto na sua rede de contatos para novos investidores! – Alfred finalmente parece ponderar sobre isso.
Alfred: Hm, isso é verdade! – Ele abriu espaço para Arturo passar, mas moveu-se para o lado errado, esbarrando no pintor. – Tudo em nome da arte!
Arturo finalmente começa a se equilibrar na passarela, dando pequenos passos de forma cautelosa. Porém, nos círculos da equipe, Dylan não perde a oportunidade e aciona seu controle remoto, eletrocutando a passarela.
Logo, uma descarga elétrica percorre o corpo de Arturo, fazendo-o chacoalhar.
Arturo: AHHH!
Por reflexo, Alfred segue o som dos gritos e estica a mão para apoiar o pintor.
Alfred: EU TE SALVO, AMIGO!
Alfred consegue agarrar o braço de Arturo, e então, a corrente elétrica passa para o empresário também.
Arturo: A-aa-a-Alfred s-se-seu bobão! – A onda de eletrochoque passa. – Por que você fez isso?!
Alfred: Desculpa, foi reflexo!
Do outro lado, Chloe ria descontroladamente.
Confessionário
Chloe entrou no confessionário tentando manter a seriedade, mas logo soltou uma gargalhada.
Chloe: Foi tipo aqueles episódios de sitcom onde todo mundo parece estar dançando enquanto leva um choque. – Bateu palmas. – É muito mais divertido quando você assiste ao vivo.
Campo de provas – Praia
Arturo e Alfred tentam dar alguns passos, mas isso acaba tendo um efeito negativo: ambos caem para trás, com fumaça saindo dos cabelos, atraindo olhares dos outros competidores.
Lily: Isso foi meio trágico. – Era possível perceber um tom de pena em sua fala.
Tiffany: Trágico, mas extremamente documentável! Que pena que eu não trouxe minha câmera...
Na areia da praia, caídos, Alfred e Arturo tiram as vendas.
Alfred: Ah... Acho que a gente devia ter tentado uma moeda no lugar de pedra, papel ou tesoura.
Chloe passou entre os dois, com um tom de superioridade.
Chloe: Ou talvez, só terem cedido a vez logo de cara. – Os dois rapazes trocam olhares, refletindo sobre a sugestão da influencer.
Arturo e Alfred: Nem vem!
Ao chegar no círculo da sua equipe, Chloe é encarada pelo restante do time.
Lily: Como você conseguiu atravessar assim tão fácil?
Chloe: Fico feliz que tenha perguntado! – A influencer ergue o dispositivo, como se fosse um troféu. – Esse é o incrível Chloe Detection 3000™!
Uma música instrumental alegre começou a tocar ao fundo.
Tyson: De onde veio essa música?
Chloe: É o único no mercado com uma incrível detecção aprimorada de metais, permitindo não apenas que você caminhe por plataformas metálicas, mas também identifique buracos com o seu radar embutido! – Sorriu para a câmera, fazendo uma pose.
Ethan e Vince trocaram olhares.
Tyson: Você tinha um radar que podia ajudar a equipe, e só usou ele agora? – Indagou com um misto de indignação e confusão.
Chloe: Claro meu bem, eu não ia perder a chance de ganhar meus merchan, né? – Piscou para a câmera.
Confessionário
Chloe: Quer andar sem medo de ser eletrocutado? Quer evitar armadilhas no caminho para o trabalho? Então você precisa do Chloe Detection 3000™! – Um QR code aparece na tela. – E se você usar o nosso cupom CHLOENAPASSARELA você vai garantir um incrível desconto de 3%! Não é o máximo?!
Margaret: Eu tenho que admitir, ela é um gênio do marketing.
Área de provas – Praia
Dylan não perdeu tempo e subiu na plataforma. Embora tenha olhado para a passarela de 300 pontos, acabou optando pelo caminho do Sul, que poderia adicionar 200 pontos a somatória da equipe Águias Malucas. Enquanto se preparava, Dylan notou alguns fios que se conectavam as passarelas.
Por outro lado, Tiffany resolveu cruzar o caminho de 300 pontos, claramente temerosa. A jornalista observou Vince vendar-se, pronto para arriscar a plataforma oscilante e tentar ganhar 100 pontos para as Corujas Tagarelas.
Tiffany: Certo, é hora de fazer isso virar notícia! – Ela vendou-se, enquanto respirava fundo.
Dylan: Boa sorte pessoal! – O jogador de damas gritou. – Vocês vão precisar... – O rapaz baixou o tom de voz na segunda frase, soando intimidador.
Confessionário
Dylan: Eu posso não ser um profissional em elétrica, mas eu sei que se nenhum ponto de energia está conectado a um condutor, então não tem como ele ser eletrificado.
Área de provas – Praia
Ao perceber que Tiffany e Vince estavam vendados e iniciavam seus caminhos nas passarelas, Dylan recuou delicadamente para perto dos fios.
Sophia: O que ele tá fazendo? Por que não tá avançando? – Sophia olhou para Alfred e Margaret, que pareciam tão confusos quanto ela.
Dylan: Opa! – Sorriu maliciosamente. – Acho que o meu sapato está desamarrado.
Dylan agachou-se e, enquanto fingia amarrar os cadarços, seus dedos ágeis puxaram os fios que levavam energia para a passarela do lado sul. Após a sabotagem, ele levantou-se e colocou a venda nos olhos, como se nada tivesse acontecido.
Dylan: Prontinho, segurança em primeiro lugar! – Logo, o rapaz começou a caminhar pela passarela tranquilamente, até esboçando um sorriso momentaneamente.
Enquanto isso, Tiffany estava caminhando nervosa na passarela, até que começa a narrar o momento.
Tiffany: E voltamos para o momento mais tenso dessa maratona! O salto mortal! – Fez uma pose profissional, enquanto se preparava para pular de um lado para o outro da plataforma. – Eu sou Tiffany Hudson, diretamente do Drama TotaAAAAHHHH – A garota foi eletrocutada.
Nos círculos, Alfred estava acionando o controle remoto que Dylan deixou com ele.
Sophia: Isso é muito brutal.
Margaret: Quase todas as provas nesse programa são.
Alfred: É mais divertido quando você se joga! – Ele ri ao dar outro choque em Tiffany. – Quer experimentar?
Alfred ofereceu o controle para Sophia, mas ela negou veemente.
Sophia: Obrigada, mas eu prefiro me manter fora desse tipo de coisa.
Enquanto isso, na passarela dos 100 pontos, Vince caminhava engatinhando. O rapaz tateava o caminho com cuidado, e parecia estar atento aos sons ao redor. Quando Alfred acionou o botão na direção da plataforma oscilante, o menino-gato saltou, evitando ser eletrocutado.
Confessionário
Vince: Eu treinei muito para aguçar alguns dos meus sentidos. Apesar de me sentir como um verdadeiro gato, eu tenho uma pequena dificuldade na visão. – Sorriu, conformado. – Por isso eu aprendi a ouvir com mais atenção. A questão aqui, é que eu ouvia quando a plataforma acionava o choque, então, era só pular durante o tempo que a onda de energia passava na passarela.
Área de Provas – Praia
Dylan é o primeiro a cruzar a plataforma e tocar o sino, garantindo olhares dos outros competidores, que variavam entre sentimentos de parabenização, preocupação e até mesmo, de acusação.
Chris: Dylan atravessa a passarela e garante 200 pontos para as Águias Malucas! Agora eles somam 700 pontos no total! – Ele virou-se para os competidores que estavam com os controles em mãos. – O mais incrível é que ele conseguiu atravessar sem tomar nenhum choque! Cadê a raiva e competitividade de vocês? Vocês sabem que a gente precisa de audiência, né?!
Chris não parecia ser o único incomodado com a sorte de Dylan. Após o jogador de damas voltar ao seu círculo com um sorriso no rosto, ele logo é abordado por Sophia.
Sophia: O que você fez?
Dylan: Desculpa? – Encarou Sophia, confuso.
Sophia: Eu vi. Você manipulou o desafio para não levar nenhum choque. Você fez alguma coisa!
Dylan dá um passo para trás, mas, antes de se afastar da jogadora de basquete, ele decide rebater.
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Sophia fica calada. Dylan sorri.
Dylan: Exatamente. – Cruzou os braços. – Agora, se me der licença, tenho alguns choques para dar!
No círculo ao lado, Chloe observava atentamente a pequena discussão entre a dupla.
Chloe: Ei pessoal! – Chamou a atenção dos membros das Corujas Tagarelas. – Vocês notaram que o Dylan usou a passarela do Sul e não foi eletrocutado, né?
Lily, Ethan e Tyson olharam para a influencer, processando a informação.
Chloe: Acho que aconteceu alguma coisa naquele lado, talvez os fios tenham dado problema, porque falta de tentativas para eletrocutarem ele, não foi.
Lily: Então você quer que a gente use a plataforma defeituosa para atravessarmos?
Chloe: Exatamente, Lily! Adoro quando você decide ser inteligente! – Bateu palmas, animada.
Lily ergue uma sobrancelha e se prepara para falar algo, mas é interrompida pela manifestação do apresentador.
Chris: E Vince atravessa a plataforma! Mais 100 pontos para a equipe Corujas Tagarelas. – O apresentador atualiza o placar em seu tablet. – Agora são 700 pontos para as Águias Malucas, 500 pontos para as Corujas Tagarelas e no final da corrida, as Gaivotas Trapalhonas, com apenas 100 pontos!
No círculo das Gaivotas Trapalhonas, o clima não parece ser dos melhores, a apreensão dos membros era visível.
Arturo: A gente não vai perder assim, de lavada, né?
Kayla: A gente ainda pode virar, mas antes precisamos que a Tiffany consiga terminar a passarela sem cair, ao menos nós vamos alcançar 400 pontos. – Ela mirou o artista. – Ao menos não vai ser uma pontuação tão humilhante, né?
Arturo: Bom, é verdade. – Ele concordou. – A propósito, onde você guardou minhas tintas? Eu não consegui voltar para pegar elas, antes do desafio começar.
Kayla travou, ficando sem reação.
Kayla: Suas... Tintas? – Lançou um sorriso forçado.
Arturo: Sim, Kayla. Minhas tintas. – Kayla deu um passo para trás. – Você guardou, né?
Kayla: Er... Claro que guardei. Quer dizer, não guardei...
Arturo: Não guardou?!
Kayla: Guardei! Guardei sim, mas é que aconteceu um acidente e...
Arturo: Acidente? – Arturo elevou o tom de voz. – Como acontece um acidente com tintas?
Kayla: Então... – Abraçou-se, nervosa. – Sabe, eu coloquei elas em um lugar da floresta que eu achei seguro.
Arturo: E...?
Kayla: E então veio o vento... E você não vai acreditar! – Kayla contava tudo de um modo nervoso, atropelando algumas palavras. – O vento derrubou todos os potes de tinta, as tampas saíram e tudo caiu no chão!
Arturo ajoelhou-se na areia, incrédulo.
Arturo: O quê?! Kayla... Como... Você sabe o quão difícil é conseguir aquelas tintas? Ainda mais aqui dentro do Drama Total?
Kayla: Olha... Se serve de consolo, elas não eram tão ecológicas assim. Tenho certeza de que a gente pode encontrar outra coisa pra se divertir. Tipo, você pode fazer origamis com papel reciclado.
Arturo: Kayla, você tá se ouvindo?! – Levantou-se, com lágrimas nos olhos. – Você não entende o verdadeiro significado dessas coisas, não é?
Kayla: Eu entendo sim. Você não acha que eu não fiquei com vergonha de vir contar a verdade para você?
Arturo: Então você não estava planejando me contar? Ia fazer o quê? Esconder tudo e deixar eu descobrir sozinho?
Kayla: Mas eu ia estar lá! Não é como se eu tivesse cometido um crime. – Argumentou, nervosa.
Arturo: Talvez se você tivesse colocado elas dentro da cabana do nosso time, isso não tivesse acontecido.
Kayla: Olha, eu fiquei nervosa na hora da ventania! Não passou esse tipo de coisa pela minha cabeça. A minha mente não funciona bem quando eu fico ansiosa.
Arturo: Espero que você tenha ao menos conseguido salvar um pouco das tintas. – Ele colocou as mãos na cabeça, puxando alguns fios de cabelo.
Kayla: Er... Eu estava um pouco longe das tintas também, não consegui chegar a tempo de salvar nada.
Arturo: E por que estava longe? – Cruzou os braços, mudando o semblante de tristeza para indignação. – Ah, claro, foi abraçar as árvores, né?
Kayla: Exatamente! Algum problema com isso?
Arturo: O problema aqui não é você colocar o meio ambiente em primeiro lugar, é que eu confiei uma coisa de valor a você, e você não cuidou!
Ricardo aparece atrás dos dois, confuso.
Ricardo: Ei pessoal, o que está rolando aqui?
Arturo: Nada demais, Ricardo. Acontece que eu só pedi para a Kayla cuidar das minhas tintas...
Ricardo: Aquelas de edição limitada que você falou?
Arturo: Exato! – Apontou para o ator. – Tá vendo? Ele sabe como são importantes!
Kayla: Arturo, eu entendi. São importantes. Desculpa, eu não tive a intenção, não me passou pela cabeça que o vento podia dar um fim nas suas tintas!
Ricardo: Nossa, hein, Kayla. Aí foi vacilo...
Arturo: Olha, eu preciso de uns minutos, não estou me sentindo bem. Continuem jogando sem mim.
Arturo retirou-se do local, deixando Kayla, Ricardo e Penelope sozinhos.
Chris: E Tiffany consegue 300 pontos para as Gaivotas Trapalhonas! – O apresentador atualiza o placar, ao perceber que Tiffany conseguiu tocar o sino da passarela do leste. – Agora a equipe soma 400 pontos!
Mesmo assim, o clima na equipe não era de comemoração.
Kayla: Eu não vou negar, eu tô péssima, Ricardo. Mas você sabe como os ventos são por aqui...
Ricardo: Bom... Isso é verdade.
A dupla observa Tiffany chegar, animada.
Tiffany: Vocês viram como eu brilhei? – Ela sorria, mas logo percebeu que o clima no grupo não era dos melhores. – O que foi que eu perdi?
Confessionário
Kayla: Eu não costumo mentir. E eu estou me sentindo péssima pelo Arturo. Mas se eu não fizesse isso, eu ia rodar na primeira oportunidade que a equipe tivesse de eliminar alguém.
Área de Provas – Praia
Chris: E mais pessoas sobem na plataforma! Kayla e Lily vão tentar a sorte pela primeira vez, enquanto Margaret quer provar que ela pode pontuar, não importa a rodada que for!
Sophia: Margaret! – Gritou para a colega de equipe. – Vai na passarela de 300 pontos! Só precisamos disso para vencer!
Dylan fechou a cara, decidindo também dar uma ordem para a garota.
Dylan: Margaret! Não atravessa essa, é muito complicada! Por favor, pega a passarela de 200 pontos!
Sophia olhou torto para o jogador de damas.
Sophia: Por que você está dizendo pra ela jogar na passarela de 200 pontos? Tem alguma coisa especial lá, que eu precise saber?
Dylan rolou os olhos.
Dylan: Não tem nada demais lá, Sophia. Deixa de ser louca. Eu só tô recomendando a passarela de 200 pontos porque a Margaret não vai conseguir atravessar e acertar os pulos na de 300!
Sophia: Você devia confiar mais no potencial dos seus colegas de equipe.
Dylan: Eu não estou deixando de confiar, só sou realista, ela não vai conseguir pontuar 300, ainda mais com você gritando assim, dando ordens.
Sophia: Eu não dei ordens, eu sugeri.
Dylan: Engraçado, eu tenho certeza de que eu ouvi um “vai na de 300” saindo da sua boca. – Ironizou a fala de Sophia.
Sophia: Esse é meu jeito de falar, e ela sabe muito bem disso. – Fechou os olhos, convencida. – E certamente você também saberia se estivesse disposto a conhecer como os outros realmente são, ao invés de perder tempo sabotando desafios.
Dylan: De novo essa história de sabotagem?! – Fingiu-se de ofendido. – Você ficou com paranoia só porque eu criei uma estratégia no primeiro desafio e agora quer me culpar do nada? Me poupe, Sophia. Você mesma sugeriu que eu não fizesse nada, e eu não fiz!
Margaret: Pessoal! – Chamou a atenção da dupla. – Já decidiram por qual caminho eu vou?
Dylan: É melhor o de 200!
Margaret, já vendada, tentou andar para um lado.
Sophia: Maggie, vai no de 300! Arrisca! Eu confio em você!
Margaret vira-se, tentando encontrar o início da passarela do leste, mas acaba caindo para fora da plataforma no percurso.
Chris: É, parece que a Margaret nem conseguiu tentar, que triste. Isso dá chances para as Corujas Tagarelas e as Gaivotas Trapalhonas tomarem a liderança! Mas isso vai depender da Lily e da Kayla!
Chloe: Não esquece, Lily! Vai na de 200 pontos! – Lily obedeceu e começou a atravessar a passarela em zigue-zague.
Dylan observou a influencer dar ordens, curioso.
Tiffany: Estranho, eu não consigo eletrocutar ela! – Explicou para Ricardo, enquanto apontava o controle para a passarela de Lily.
Ricardo: Será que a pilha do controle acabou? – Tiffany entregou o controle para Ricardo, que passou a apertar todos os botões, sem sucesso.
Chloe soltou um sorriso ao ver que a equipe adversária não conseguia eletrocutar Lily.
Chloe: Perfeito! – Dylan franze a testa, ao ver a reação da garota.
Confessionário
Chloe: Cupom extra de 2% para quem aprende a ser esperto!
Dylan: Então a Chloe também gosta de um jogo sujo, hein? – Levou a mão ao queixo, numa pose analítica. – Interessante... Acho que vou precisar alinhar algumas estratégias.
Área de Provas – Praia
Enquanto Lily atravessava a pista de 200 pontos sem dificuldades, Kayla parecia estar com problemas para pular na passarela de 300 pontos.
Kayla: Vamos lá, eu preciso garantir a vitória do time... – Pulou, sentindo-se aliviada quando tocou a outra parte da passarela. – Isso! Consegui mais um! – Foi eletrocutada. – AAAI! Isso não tem graça, gente!
Ricardo olhou envergonhado para Kayla, mesmo que a ativista não pudesse vê-lo por estar vendada.
Tiffany: Você apertou o botão de choque para a passarela dela sem querer, né? – Tiffany olhou para Ricardo em tom de desaprovação.
Ricardo: Foi mal, eu queria ver se ainda tinha bateria.
Então, um barulho de sino foi ouvido, revelando que Lily atravessou a pista e pontuou para seu time.
Chris: E Lily traz mais 200 pontos para as Corujas Tagarelas! Agora as Corujas Tagarelas e as Águias Malucas estão empatadas com 700 pontos cada!
Kayla apressa o passo, dá um salto final para o último pilar da passarela e...
Chris: Sino tocado! Kayla consegue tirar as Gaivotas Trapalhonas do fundo do poço e garante 300 pontos extras para a equipe, que agora soma 700 pontos! É um empate triplo!
Ao passo que Chris anunciava o placar, Lily voltou para o círculo de seu time, bastante alegre.
Lily: Ah! Eu consegui! Eu me senti tão útil!
Chloe logo recepcionou a garota.
Chloe: Parabéns, Lily, você realmente é uma garota de sorte. – Lançou um olhar de alegria claramente forçado. – É bom ter você no time, agora estamos mais perto da vitória!
Lily: E obrigado pela dica da passarela, Chloe. Eu adorei, acho que até iria de novo. – Chloe sorriu ao ouvir isso.
Chloe: E por que não vai de novo? Todo mundo aqui já foi alguma vez, tenho certeza de que ninguém vai se importar de ver você arrasar na pista de novo. Não é, pessoal?
Ethan: Por mim, tudo bem!
Tyson: Manda ver, garota! A gente vai procurar outro controle enquanto isso.
Lily abriu um sorriso.
Lily: Tudo bem! Obrigada! – Ela saiu saltitante, voltando para a plataforma.
Confessionário
Lily: Eu gosto de ajudar os outros, e gosto ainda mais quando estou em um dia de sorte. Vocês viram como eu não levei nenhum choque?!
Ricardo aparece no confessionário, sem dizer uma palavra sequer. O rapaz apenas trocava de roupas para voltar a ser Alfred. Ao perceber que a câmera estava filmando-o, ele sorriu desconcertado.
Ricardo: Ah, e aí?
Arturo: Vocês viram isso? – Ele mostrava uma tela em branco. – Estão vendo essa arte? Não, né? Porque não há nada aqui, e vai continuar sendo uma tela em branco porque minhas tintas se foram! – Começou a chorar.
Área de provas – Praia
Lily estava pronta para atravessar a passarela de 200 pontos novamente, enquanto isso, Penelope estava caminhando na passarela de 100 pontos. O único que parecia em dúvida de onde ir, era Dylan, que ainda estava no círculo de sua equipe.
Sophia: Vai jogar de novo, Dylan?
Dylan: Sim, podem deixar comigo.
Sophia: Deixa eu adivinhar, vai jogar na passarela de 200 pontos?
Dylan: Eu pretendia. – Suspirou, irritado. – Mas pra provar a você que eu não fiz nada demais, eu vou na de 300 pontos que você tanto queria que a coitada da Margaret fosse.
Dylan apontou para Margaret, que voltava um pouco desorientada e ziguezagueando.
Sophia: Ótimo então, vou te dar um voto de confiança.
Ao passo que as Águias Malucas finalizavam o debate, os membros da equipe Corujas Tagarelas continuavam cavando. Tyson era o que mais se dedicava na função, enquanto Ethan parecia estudar cantos estratégicos na areia para cavar. Chloe estava sentada, apenas observando Vince cavar com as pernas.
Tyson: Cara... – Limpou o suor do rosto, dirigindo-se a Ethan. – Isso aqui é praticamente um treino de resistência. Eu acho que perdi uns dois quilos só de tanto suar. – O rapaz parou de falar, sentando-se próximo a Ethan.
Ethan: Cientificamente falando, seu corpo está criando um efeito de resfriamento evaporativo. – Encarou o atleta por uns segundos. – Mas você pode acelerar o processo com um banho no mar, iria ser uma boa atividade e de fácil acesso.
Tyson: Hã...?
Ethan: A gente está na praia. Você sabe, mar, sol, calor... Essas coisas que as pessoas sempre falam quando querem se divertir.
Tyson: Você não gosta?
Ethan: Eu não vou ser clichê e dizer que eu prefiro um livro, mas olha, eu moro numa cidade pequena e que não é litorânea. As duas únicas vezes que fui à praia foram para um projeto científico sobre dessalinização e bom, para fazer esse desafio.
Tyson: Você devia tirar um dia para curtir as ondas com a galera. Não iria se arrepender.
Ethan: Eu não tenho muitos amigos, Tyson. E eu não acho que os amigos que tenho me convidariam para “curtir ondas” – Fez aspas com os dedos e voltou a concentrar-se na escavação, cortando o contato.
Tyson: Caramba, que coisa chata. – Pensou por uns segundos, tentando mudar de assunto. – Ei, é legal ver você falando mais.
Ethan: Eu sempre falo.
Tyson: Normalmente você fala umas quinze palavras a cada quatro horas. Isso não é ser comunicativo.
Ethan iria responder, mas Margaret aparece ao lado da dupla.
Margaret: Oi, meninos! – Ela cumprimenta os dois, olhando especialmente para Tyson. – Quer um pouco de água? Acho que você deve estar exausto.
Tyson: Você trouxe água?! Aceito!
Margaret: Eu sempre trago uma garrafinha comigo, é muito útil. A gente tem que estar preparado pra tudo. – Sorriu, entregando uma garrafa para Tyson.
Tyson: Valeu, eu devia pegar umas dicas com você depois! – O rapaz bebeu um pouco da água. – Aí, amigão, quer um pouco?
Tyson procurou por Ethan, mas notou que o garoto se afastou um pouco.
Margaret: Ele é uma peça, né? – Apontou para Vince, que estava rolando na areia.
Os dois soltaram uma risada.
No círculo ao lado, os membros das Gaivotas Trapalhonas assistiam Penelope atravessar a passarela lentamente.
Tiffany: Ela não era assim antes da queda, era?
Kayla: Com certeza não era.
Tiffany: Será que foi algo com a queda?
Kayla: Você não acha que isso deixou ela possuída, ou algo assim, né?
Tiffany: Eu não acredito nesse tipo de coisa. – Encolheu os ombros. – Mas... Que isso é uma história instigante, é sim.
Confessionário
Tiffany: Antes de uma boa investigação jornalística, você precisa verificar se o local é propício para sua entrevista. Então, eu fiz questão de antes de iniciar minha entrevista a Kayla sobre a estátua, abordar ela com outro assunto, para que tudo soe o mais natural possível!
Área de Provas – Praia
Tiffany: Mas então, Kayla, como você está se sentindo no meio desse desafio superintenso, amiga?
Kayla: Tô... Normal.
Tiffany: Normal? – Sorriu. – Que coisa mais interessante! Eu adoro quando as pessoas estão normais e fazem coisas normais! Tipo, competir nos desafios, fazer passeios na floresta, atividades artísticas, caça ao tesouro, sabe? Você é do tipo artística? – Kayla arqueou a sobrancelha ao ouvir a pergunta da jornalista.
Kayla: Isso é uma pergunta normal ou você tá insinuando alguma coisa?
Tiffany: Imagina! Longe de mim, amiga! – Sorriu, tentando parecer casual. – É só curiosidade jornalística! E eu sou fã de registros artísticos! Por exemplo, algumas pintam quadros, como o Arturo!
Kayla estreitou os olhos.
Kayla: Sei... – Concordou, desconfiada.
Tiffany: Outras pessoas preferem grafite! E tem aquelas que gostam de criar suas artes em ambientes mais inusitados. Tem que ter coragem, né?
Kayla ficou calada por um momento, de braços cruzados.
Kayla: Tô começando a achar que essa conversa tem um propósito estranho.
Tiffany: Que isso, que isso! Só estou tentando conhecer melhor minha nova amiga, saber do que ela gosta, o que ela assiste, suas posses no jogo...
Kayla: Posses?! – A ativista quase gritou ao ouvir a palavra.
Tiffany: Posses? Eu disse potes!
Kayla: Potes? O Arturo também foi falar das tintas pra você?
Tiffany: Não, amiga! Ele não me disse nada. E eu falei dotes! – Tentou corrigir-se. – Tipo, dotes culinários! Acho que entrou areia no seu ouvido, viu?! – Supôs, com nervosismo. – Enfim, a gente conversa depois, amiga!
Confessionário
Tiffany: E é assim que você faz uma entrevista discreta, sem levantar suspeitas de que sabe de tudo!
Kayla: Ai... – Suspirou. – Eu vou ter problemas com essa garota.
Área de provas – Praia
Penelope finaliza o percurso na passarela de 100 pontos, ao passo que Lily está prestes a tocar o sino da passarela de 200 pontos. A jardineira não tomou nenhum outro choque. Dylan era o único que parecia ter problemas em seu trajeto, de 300 pontos.
Margaret: Vai Dylan! Você consegue!
Sophia: Acho que seria melhor eu ter ido essa rodada... Não sei, acho que ele está muito inseguro.
Chris: Penelope e Lily toca os sinos das suas passarelas! – Ele olha para o tablet por um momento. – E agora como placar atualizado temos 900 pontos para as Corujas Tagarelas, 800 pontos para as Gaivotas Trapalhonas e 700 pontos para as Águias Malucas. Será que o Dylan vai conseguir virar o jogo e fazer sua equipe ser a primeira a ter imunidade no desafio?
Tiffany: Não se depender de mim! – Sorriu e acionou um controle remoto, fazendo Dylan ser eletrocutado e cair para fora da plataforma.
Chris: E Dylan cai! Nenhum ponto para a equipe Águias Malucas! Mas eles ainda têm chance de vencer!
Sophia: Droga!
Margaret: Acontece, a gente ainda pode vencer! – Tentou conformar a amiga.
Sophia: Dessa vez eu vou, e eu vou garantir os 300 pontos!
Enquanto isso, as Corujas Tagarelas se organizavam.
Chloe: Muito bem pessoal, assim que a Lily chegar, eu serei a próxima! – Falou para os outros membros. – Estamos a 100 pontos da vitória!
Tyson: E talvez ficaremos em primeiro lugar! Melhor time disparado! – Ele ergueu os braços, comemorando.
Lily retorna para o círculo, cedendo a vez para Chloe cruzar a plataforma. A garota vai para a rosa dos ventos com um sorriso confiante.
No círculo ao lado, Penelope retorna, sem esboçar reação.
Kayla: Parabéns, Penelo... Digo, Marie! – Forçou simpatia. – Agora, alguém mais quer ir? Estamos quase vencendo!
Tiffany: Cadê o Ricardo e o Arturo? Eles sumiram faz anos!
Arturo retorna, cabisbaixo.
Arturo: Podem deixar, eu vou essa rodada. – Disse, com pouco ânimo. – Torça para eu conseguir, Kayla. – Lançou um olhar intimidador, que fez a ativista engolir a seco.
Ao passo que Arturo se aproximava da plataforma, Sophia já tinha começado seu percurso, confiante a cada passo que dava.
Sophia: É só não errar o lugar onde você deve pular, Sophia. É fácil.
Na passarela ao lado, Chloe cumpria seu papel de atravessar o caminho em zigue-zague tranquilamente.
Chloe: Eu não acredito que aquele rapaz entregou essa prova de bandeja pra gente. – Riu.
Enquanto isso, Tyson, Lily, Ethan e Vince assistam ao progresso da influencer, ansiosos.
Tyson: A gente mandou muito bem nesse desafio, né? – Comentou para Ethan, sorridente.
Ethan: Sim... – O rapaz baixou a cabeça, observando a areia fora do seu círculo. – Espera, acho que tem algo ali! – Apontou discretamente para um ponto específico na terra.
Tyson: É um controle? Por que estaria fora do nosso círculo?!
Ethan: Coisas do Chris! – Cruzou os braços, com um leve tom de humor. – Acho que nem vale a pena pegar, né? Se a Chloe finalizar o trajeto, já ganhamos!
Tyson: Hm... E se ela não conseguir? – Os dois se encararam, pensativos.
Ethan: Tem razão, vamos pegar o controle!
Ethan e Tyson começam a cavar fora do círculo, ao passo que Vince e Lily seguem distraídos com Chloe. Enquanto cavam, a dupla percebe que o que estava enterrado não era um controle remoto.
Ethan: Espera aí... Você acha que é...
Tyson: A estátua do veto? – Ele cava mais um pouco, revelando a escultura de Chris com um X na mão.
Ethan: Minha nossa... O que a gente faz? – Os dois observaram ao redor, para terem certeza que não estavam sendo assistidos por mais ninguém.
Tyson: E se a gente esconder aqui e vier pegar mais tarde?
Ethan: Boa ideia! – Os dois começaram a enterrar a estátua novamente.
Chris: E... Chloe toca o sino e ganha mais 200 pontos para a equipe Coruja Tagarelas, que alcança 1100 pontos! É a primeira equipe a ganhar imunidade no desafio de hoje!
Lily: UHU! É isso aí! – Ela vira-se para observar os dois meninos da equipe, que estavam cavando. – O que estão fazendo aí?
Tyson: É... Procurando um controle?!
Lily: Vocês levaram esse desafio muito a sério. – Riu, aceitando a justificativa do atleta. – A gente já ganhou, deixem disso!
Chloe retornou ao círculo, saltitante.
Chloe: E então, imunidade duas vezes consecutivas! O que acham? Merecemos até uma selfie né?
A influencer ergueu o telefone, enquanto os outros membros do time se juntaram para tirar uma foto.
Entretanto, a competição continuava na plataforma. Arturo seguiu o percurso dos 200 pontos, o que era suficiente para trazer a vitória para as Gaivotas Trapalhonas, mas Sophia estava prestes a saltar para o último setor do caminho de 300 pontos.
Margaret: Ela vai conseguir, ela é ótima nisso! – Olhava fixamente para Sophia.
Kayla: Vamos lá, Arturo! Eu sei que eu falhei com você, mas não falha comigo, por favor! – Pediu, quase que silenciosamente.
Então os dois chegaram ao final da passarela. Arturo começou a tatear o chão, procurando o mastro onde ficava o sino. Enquanto isso, Sophia sorriu, como se soubesse exatamente para onde ir.
Sophia: Vamos lá, Sophia, é como se você estivesse na quadra. Um, dois, três, salta!
O artista conseguiu encontrar o mastro do sino, tratando logo de erguer a mão para tocá-lo o mais rápido possível. Enquanto isso, Sophia aproximou-se delicadamente de onde o sino estava, também preparando-se para tocá-lo. Nos círculos, todos os jogadores estavam atentos aos movimentos deles.
PLIM!
O barulho do sino ecoou pela praia.
Chris: E... SOPHIA TOCA O SINO PRIMEIRO! Vitória das Águias Malucas!
Alfred: Isso! – Ele e Margaret se abraçam, e acabam puxando Dylan também.
Dylan: Ei, ei! Eu não gosto dessas coisas, não!
Margaret: Deixa disso, a gente tá imune!
Chris: Gaivotas Tagarelas, não foi dessa vez. Mas não se preocupem, ao anoitecer eu encontrarei vocês para a nossa cerimonia de eliminação!
Tiffany cruzou os braços com um semblante triste, enquanto Penelope parecia conformada com o resultado. Entretanto, a mais preocupada era Kayla.
Kayla: Essa não...
Cabana Masculina das Gaivotas Trapalhonas
Ricardo estava fazendo abdominais, tentando tranquilizar-se. Logo que termina a sessão de exercício, Arturo entra na cabana, indignado.
Arturo: Está vendo isso?! – Ele jogou alguns potes vazios no chão. –A Kayla me entregou os potes assim, vazios! Ela acabou com as minhas tintas!
Ricardo: Caramba...
Arturo: Eu só pedi para ela ter cuidado, Ricardo. Era por pouco tempo!
Ricardo: Ela disse que foi o vento, né?
Arturo: Mesmo assim, ela podia ter salvado ao menos um pouco. – Uma lágrima saiu dos seus olhos. – Agora eu não tenho mais como expressar minha arte!
Ricardo: Vai ficar tudo bem, a gente vai dar um jeito nisso! Olha, cara... Eu sei que não é a mesma coisa, mas eu tenho umas canetinhas coloridas na mochila. Eu uso pra marcar minhas falas nos roteiros, sabe?
Arturo olhou friamente para o ator.
Arturo: Canetinhas. – Ele fez uma pausa dramática. – Coloridas.
Ricardo: Isso! Tem até na cor bronze!
Arturo: Ricardo, você está basicamente sugerindo que eu queime o roteiro de um filme bom e substitua por um roteiro de uma criança de três anos. – Ricardo olhou para o artista ofendido.
Antes que a conversa pudesse continuar, Tiffany invade o quarto dos meninos, com uma expressão séria.
Tiffany: Olá meninos, precisamos conversar.
Ricardo: Hã... O que você tá fazendo aqui no quarto masculino, Tiffany? Não que eu me importe, mas...
Tiffany: Porque eu sou uma jornalista, meu bem. E a notícia não pode esperar!
A garota joga uma foto na cama de Ricardo. Na imagem, estava a floresta que Tiffany fotografou, em um cenário devastador. Árvore, pedras e até mesmo o chão, estavam completamente coloridos pelas tintas de Arturo.
Arturo: Isso... Isso é...?
Tiffany: Exatamente. O trabalho de arte que suas tintas fizeram.
Ricardo: O vento estava bem forte, então...
Tiffany: Não foi o vento. – Corrigiu. – Foi a Kayla.
Silêncio. Arturo e Ricardo piscaram algumas vezes, confusos.
Ricardo: Então ela decidiu fazer arte nas árvores?
Tiffany: Acho que isso está longe de ser arte, o Arturo pode confirmar pra gente. Eu, particularmente, acho que isso está mais para vandalismo. Uma catástrofe ambiental!
Arturo: Minhas tintas... Então... Ela mentiu, não foi o vento?
Tiffany: Não mesmo. O vento levou embora seu tripé de pintura, isso sim. – Cruzou os braços.
Arturo: Não pode ser...
Tiffany: Mas, essas pinturas na floresta? Não mesmo. A Kayla, por algum motivo que eu não sei, jogou os potes de tinta nas árvores.
Ricardo: Cara, tem até um esquilo parecendo um arco-íris aqui. – Ricardo soltou uma breve risada, apontando para a foto, parando ao perceber o momento sério entre os outros participantes presentes.
Arturo: Eu não fazia ideia disso...
Tiffany: Pois é. E eu como defensora da verdade, vim aqui dizer pra vocês que meu voto será na Kayla.
Ricardo: Então, podemos mesmo confiar em você?
Tiffany: Eu sou uma jornalista, não uma vilã de novela mexicana. Meu compromisso aqui é com a verdade. Se tiverem dúvidas, é só passarem na floresta para ver o estrago causado.
Logo após finalizar sua fala, a jornalista saiu do quarto, deixando os dois garotos encarando a foto.
Ricardo: Bom... Parece que hoje vai ser uma noite interessante...
Enquanto isso, no lado feminino, Kayla caminhava de um lado para o outro, roendo as unhas. Ao lado, sentada em sua cama, Penelope encarava a janela.
Kayla: Não posso sair agora... Não posso! Ricardo some toda hora, o Arturo não marcou nenhum ponto na prova... Eles podem ser votados. – Ela contava nos dedos as opções existentes. – Eu ainda tenho chances, é isso!
Penelope, que até agora estava imóvel, decidiu encarar Kayla.
Penelope: Não é sua hora. – Disse, friamente.
Kayla, finalmente, para de caminhar pelo quarto, prestando atenção no que Penelope falava.
Kayla: O quê?
Penelope: Ainda não. – Inclinou a cabeça. – Você tem um propósito para o bem de todos. Eu votarei em Arturo. Mas precisarei de sua ajuda.
Kayla: Certo... Obrigado! – Agradeceu, visivelmente nervosa com o modo de falar da colega de equipe. – Mas ainda tem os outros, e...
Penelope: Apenas não mostre que tem medo. O medo atrai a desgraça. Use sua garra.
Penelope olhou mais uma vez para Kayla, e, após isso, deitou-se em sua cama, fechando os olhos tranquilamente.
Kayla ficou encarando Penelope por mais alguns segundos, até que um estalo percorreu sua mente.
Noite – Área de Eliminação
A noite estava iluminada pela lua cheia, e o vento ameaçava ficar mais forte em breve. Os participantes da equipe Gaivotas Trapalhonas chegavam aos poucos, ocupando os espaços dos bancos de madeira improvisados.
Em seu pequeno palanque, Chris notou a chegada silenciosa de seu colega, Chef Hatchet.
Chris: Aí, onde você estava o dia todo?
Chef: Eu... Estava em... Um curso.
Chris: Curso?! – Arqueou a sobrancelha. – Depois a gente conversa sobre isso. Porque agora, é hora da eliminação!
Ricardo, Tiffany, Kayla, Arturo e Penelope ouviam atentamente as palavras do apresentador. O silêncio parecia reinar entre eles.
Chris: Muito bem, Gaivotas Trapalhonas, primeira derrota em um desafio! Como se sentem?
Tiffany: Sinceramente, lutamos até o último minuto, e até mesmo viramos o jogo em alguns momentos. Não acredito que foi uma derrota vergonhosa.
Arturo: Como o último a tentar pontuar, eu concordo com a Tiffany, não temos do que nos envergonhar. Quer dizer, ao menos eu, não tenho.
Chris: Arturo parece estar um pouco exaltado hoje, não é Penelope? – A garota não reponde. O apresentador estreita os olhos, mas acaba cedendo. – Marie... – Soltou em um tom de desânimo.
Penelope: Sentimentos nos levam a tomar decisões que não possuem conexões com o que devemos ser. Se ele me permitisse uma dica, eu diria para tomar cuidado, a raiva também afeta o dono dela.
Arturo olhou confuso para a garota.
Ricardo: Acho que ela está dizendo que estresse faz mal à saúde. – Ele sussurrou para o amigo.
Chris: Muito bem, é hora de votar!
Cada participante, na sua vez, vai a uma pequena cabine, semelhante ao confessionário, e dá seu voto. Enquanto Chris e Chef trocam olhares animados, a tensão é visível no olhar dos participantes.
Após os cinco jogadores votarem, Chris recebe uma notificação em seu tablet.
Chris: Certo, é hora de contabilizarmos os votos e...
Kayla: Um momento, Chris! – A ativista levanta-se, interrompendo o apresentador. – Eu gostaria de ser a primeira pessoa a usar a estátua do veto na temporada!
A ativista revela que estava com uma estátua do veto, chamando a atenção de alguns. Penelope permanecia apática, embora tenha erguido levemente a sobrancelha. Tiffany soltou um breve sorriso e fotografou o momento, enquanto Ricardo parecia chocado. Arturo, no entanto, parecia processar a informação.
Chris: Ah, é disso que eu gosto! Reviravoltas, Kayla! – Sorriu. – Muito bem, então teremos um voto anulado nesta votação. De quem será, Kayla?!
Kayla: Do Arturo! – Olhou consternada para o pintor.
Arturo: Você só pode estar brincando! – Comentou, incrédulo.
Kayla: Desculpa, mas... Eu sei que serei um alvo hoje. Tenho que tentar me proteger.
Chris: Certo! Então, o voto de Arturo será desconsiderado. – Ele atualizou algo no tablet. – E agora sim, vamos a contabilização dos votos e entrega dos nossos amuletos de nuvem!
Chef: O primeiro amuleto vai para Penelope!
Penelope ergue a mão para pegar o amuleto lançado por Chef.
Chris: E Tiffany também está a salvo! – A jornalista comemora, pegando seu amuleto.
Chef: Ricardo, você continua no jogo.
Ricardo: É, isso aí, baby! – Piscou para a câmera.
Chris: E estamos entre Kayla e Arturo.
Os dois se entreolham.
Chris: Kayla, você prometeu que ia cuidar das tintas do Arturo, mas não cumpriu com a palavra. Além disso só fala em proteger os coalas, muda o disco, garota! – Kayla cruzou os braços, ofendida. – Arturo, você passou mais tempo chorando por suas tintas do que jogando, sem contar que não marcou nenhum ponto no desafio.
Arturo: Mas eu... – O apresentador interrompe o pintor.
Chris: Mas ainda não há um eliminado. – Alguns olharam surpresos para o apresentador. – Temos um empate, dois votos para Kayla e dois para o Arturo.
Kayla: Isso significa que...
Arturo: Teremos um desafio de desempate? – Complementou a frase da ativista.
Chris: Na verdade, nosso tempo está quase acabando, vocês sabem quantos minutos já tem esse episódio? Não dá tempo mostrar mais uma prova. Por isso, vocês conhecerão a nova mecânica da nossa temporada: O Voto da Tempestade!
Alguns piscam os olhos, curiosos.
Chris: Chef, faça as honras!
Chef: O Voto da Tempestade nada mais é do que um voto de desempate. Nos casos em que a votação da equipe perdedora terminar em um empate, por qualquer motivo que seja, nós convocaremos a equipe que ganhou o primeiro lugar no desafio para votar entre os participantes que estiverem na berlinda e eliminar um deles.
Chris: Assim sendo... Vamos dar espaço para os membros da equipe vencedora do desafio entrar!
Ethan, Tyson, Chloe, Lily e Vince organizam-se ao lado do apresentador.
Chris: Parece que vocês não se livraram de aparecer aqui na cerimonia de eliminação, não é?
Chloe: Espero que seja por um bom motivo. Eu estava no meio da minha sessão de skin care.
Chris: Tivemos um empate na votação de hoje, entre Arturo e Kayla. De acordo com as regras da temporada, cabe a vocês, da equipe vencedora, votarem e decidirem qual dos dois vai embora e não voltará mais ao jogo!
A equipe Corujas Tagarelas parecia surpresa com a novidade.
Chris: Algum argumento? – Encarou Arturo e Kayla.
Kayla: Gente, eu fiz uma grande jogada! Eu seria eliminada, mas eu usei a estátua do veto e anulei o voto do Arturo! Eu estou conseguindo me salvar! E só depende de vocês, agora!
Arturo: Ela pode estar jogando, mas depois do que ela fez com as minhas tintas?! Imperdoável! Eu não jogaria ao lado dela. Não vale a pena confiar na Kayla. Eu confiei, e fiquei sem nada!
Chloe observou pensativa, e fez um sinal de positivo para Kayla. Enquanto isso, Vince parecia compadecido com a história contada por Arturo.
Vince: Maldosa! – Olhou para Kayla.
Chris: É hora de votarem!
Enquanto Vince se dirige a cabine de votação, Chloe aproveita e cochicha algo entre Ethan e Lily, iniciando um leve debate. Tyson pareceu discordar, cochichando outra coisa, a qual Ethan pareceu ponderar e considerar um fato relevante. Pouco a pouco, todos os cinco jogadores votaram.
Chris: Agora sim! É hora de lermos os votos!
Chef: Um voto para Arturo!
Chris: Um voto para Kayla!
Chef: Mais um voto para Kayla!
Chris: E outro voto em Arturo!
Arturo e Kayla ouviam os votos atentamente, apreensivos.
Chef: E com o terceiro voto, quem está fora do jogo é você...
Chris: Arturo!
O artista levantou-se, indignado.
Arturo: Isso... Isso não é possível!
Lily: Desculpa, é que... Sabe, talvez ela precise mais.
Arturo olhou para a jardineira, expressando um olhar confuso.
Arturo: Do que você tá falando?
Antes que Lily explicasse com calma, Chef arrastou Arturo para o asa-delta, lançando o rapaz ao vento.
Arturo: EU AINDA VOLTAREI COM MINHAS TINTAAAAAAAAAASSSS! – O som de sua voz foi sumindo aos poucos.
Chris: E lá se vai o mais alegre e colorido de todos. Agora, como será que as Gaivotas Trapalhonas vão lidar com a eliminação? Será que Kayla vai buscar vingança? Será que mais estátuas do veto aparecerão por aí? Logo mais, vocês saberão, pois estaremos aqui com mais desafios eletrizantes em Drama! Total! Ilha Tayo!
A câmera se afasta, deixando visível o morro onde ocorre a eliminação.
Pós eliminação – Área das Cabanas
A equipe Corujas Tagarelas voltava da eliminação de desempate, enquanto Dylan observava tudo por um arbusto.
Dylan: O que será que eles foram fazer lá em cima? Será que foram espiar a eliminação? – Coçou o queixo, pensativo. – Eu devia começar a fazer isso também. A Chloe é esperta e tá puxando a equipe inteira nessa estratégia. Vou ficar de olho nisso.
O jogador de damas começa a caminhar para sua cabana, silenciosamente, mas acaba sendo abordado por uma figura nas sombras.
Vince: Olá...
Dylan sente um calafrio na espinha.
Dylan: Oi... Gatinho Vince! Tudo bem com você? Que noite linda para... Er... Miar no telhado de uma casa, né? – Soltou, nervoso.
Vince: Eu vi que você pegou algo do Tyson. Eu estou de olho em você. – O menino-gato mostrou as garras, desenhando algo no chão.
Dylan engoliu a seco, enquanto assistia Vince sumir nas sombras dos arbustos.
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