Drama Total: Ilha Tayo
3 03. Shake Chris: Agite Antes de Votar!
Notas iniciais
Chris caminhava tranquilamente pelo píer da ilha, segurando um copo de limonada em sua mão direita, com uma expressão de alegria. Algumas nuvens cobriam o céu.
Chris: No episódio anterior... As equipes começaram a se solidificar e criar relações que podem explodir a qualquer momento! Kayla e Arturo se encontraram acidentalmente na floresta, e o caos reinou graças a ativista, que ficou responsável por manter as tintas do artista a salvo. Tarefa que seria até fácil, se ela mesma não tivesse decidido jogar todos os tubos na floresta e pintado todas as árvores.
A câmera mostra uma cena de Kayla jogando as tintas de Arturo na floresta.
Chris: E isso tudo teria passado despercebido se não fosse a presença da enxerida da Tiffany, que fotografou tudo para futuras reportagens. Enquanto isso, Dylan também foi xeretar a cabana dos rapazes do time Corujas Tagarelas, conseguindo uma foto rasgada de Tyson. O que ele não esperava, é que Vince estava pronto para atacá-lo e arranhá-lo completamente.
Chris tomou um gole de limonada antes de continuar. Enquanto isso, uma rajada de vento fez o cabelo do apresentador balançar.
Chris: No desafio, os competidores tiveram de atravessar passarelas de diferentes formatos na Rosa dos Ventos, a nossa plataforma eletrizante! Enquanto alguns caminhavam sem dificuldades, outros eram eletrocutados por seus adversários e caiam queimados na areia. Dylan não perdeu tempo e sabotou a uma das passarelas para conseguir ganhar pontos sem ser eletrocutado, o que acabou levantando as suspeitas de Sophia, que tentou entrar em um acordo de paz e jogo justo com o jogador de damas.
A cena em que Dylan sabota os fios da passarela para evitar que ela fosse eletrificada é exibida.
Chris: No fim, Chloe decidiu ser esperta e aproveitar a pista sabotada por Dylan para pontuar também, o que rendeu a vitória das Corujas Tagarelas em primeiro lugar. Todavia, os esforços de Dylan não foram em vão, afinal, as Águias Malucas também ganharam a imunidade graças a Sophia, que mostrou ser uma jogadora habilidosa e marcou pontos na passarela mais difícil de se atravessar.
Outra ventania faz o esquilo que Kayla pintou no episódio anterior passar voando, o que faz Chris expressar uma face de confusão por um instante, ao ver o animal. O apresentador, porém, logo se recompõe e volta a sorrir para a câmera.
Chris: No final, os momentos mais chocantes não vieram do desafio, mas sim, da cerimônia de eliminação. Tiffany revelou para Arturo e Ricardo a bagunça que Kayla fez na floresta. Por consequência, a ativista quase levou três votos contra ela, o suficiente para ser eliminada. O que quase ninguém esperava, é que Kayla usasse sua estátua do veto, cancelando o voto de Arturo.
O apresentador soltou uma leve risada, ao mesmo tempo, a cena em que Kayla revela sua estátua do veto é transmitida.
Chris: No final, com o empate de votos nas Gaivotas Trapalhonas, uma berlinda se formou entre Kayla e Arturo. Então, usamos nossa dinâmica de voto da Tempestade, onde a equipe vencedora do desafio, as Corujas Tagarelas, deveria votar entre os dois e definir o eliminado da noite. Com isso, Arturo acabou sendo eliminado e perdeu sua chance de ganhar o grande prêmio.
Ele sentou-se numa cadeira de praia.
Chris: E agora, com 13 participantes, temos novas tramas e possíveis discussões chegando. E você não pode perder nenhum detalhe do que acontece aqui mesmo em Drama Total! Ilha Tayo!
Abertura
A noite ainda reinava na ilha, e apenas alguns animais noturnos caminhavam pelo local. Os ventos estavam com uma força capaz de levantar alguns gravetos e derrubar alguns objetos da produção que estavam espalhados e mal posicionados.
Na cabana feminina da equipe Gaivotas Trapalhonas, Kayla e Tiffany dormiam em suas respectivas camas, tranquilamente. Em contraponto, Penelope estava acordada em sua cama, observando metodicamente qualquer movimento na floresta, através de sua janela, a única que, curiosamente, não era aberta pelo vento.
Penelope: Está na hora. – A garota levantou-se da cama e começou a caminhar compassadamente pelo quarto.
Penelope pegou o livro de capa preta que carregava desde o incidente. Após folhear algumas páginas, ela caminha lentamente até a cama de Kayla. A ativista continuava dormindo, sem mover um músculo sequer.
Penelope respirou fundo e começou a cutucar a garota com o dedo indicador, fazendo a ativista acordar.
Kayla: Hã... – Ela boceja. – O que foi? Eu perdi o desafio?! – Ela bocejou e coçou os olhos, piscando algumas vezes para se situar. – Pene... Marie?! O que foi?
Kayla olha para a janela, percebendo que ainda estava de noite.
Penelope: Preciso da sua ajuda.
Kayla: Espera, você diz agora?! Tipo, não devem ser nem quatro da manhã... Não dá para esperar um pouco?
Penelope: O que foi escrito deve ser respeitado. – Ela ergueu o livro. – Não podemos desobedecer ao que nos foi cabido. O mal maior não dorme, então, nós também não estamos autorizadas a dormir.
Kayla: Você me assusta um pouco quando fala em códigos, sabia?
Confessionário
Kayla: Então... A Penelope foi a única pessoa que realmente não votou em mim na última eliminação. Até a Tiffany votou em mim! Dá para acreditar? – Suspirou. – Então, eu meio que fiquei em dívida, prometi ajudar a Penelope no “projeto” dela. – A ativista fez aspas com uma das mãos e bocejou, mostrando que ainda estava com sono. – Mas eu não esperava que esse projeto fosse acordar de madrugada pra caminhar pela ilha.
Floresta
Penelope sai caminhando tranquilamente da cabana, enquanto Kayla a segue, um tanto emburrada. Ao sentir uma rajada de vento, a ativista se abraça institivamente.
Kayla: Ah... Eu não lembrava que os ventos podiam ser tão frios. Você não sente?
Penelope: Não. – Olhou para a colega de equipe por cima do ombro.
Kayla: Olha, eu realmente acho lindo caminhar na floresta e acredite, eu sou a fã número um da natureza. – Ela posicionou-se em frente a misteriosa Penelope. – Mas, você pode explicar o que eu preciso fazer? Eu não quero ficar muito tempo nesse frio.
Penelope: Há um grande mal se aproximando. Precisamos detê-lo antes que seja tarde.
Kayla: Mal?! – Arqueou uma sobrancelha. – Por que exatamente precisamos detê-lo a essa hora?
Penelope: Não vamos deter ele agora. Mas vamos começar a coletar itens na ilha para impedir que ele se aproxime. Existem coisas que só podemos capturar antes que amanheça. – Ela abriu o livro, folheando algumas páginas.
Kayla apoiou-se em uma árvore, bocejando. A garota assistiu, com desânimo, Penelope ler em voz baixa algumas instruções no livro de capa preta.
Penelope: Para que o ciclo se complete, é preciso reunir elementos primordiais e entregá-los aos ventos da ilha. – Penelope parecia imersa na leitura, como se estivesse com medo de errar a pronúncia de alguma das palavras. – Só assim, será possível evitar o colapso das forças que protegem este lugar.
Kayla: Certo, e o que isso significa, em palavras normais?
Penelope: Quer dizer que precisamos coletar alguns itens e jogá-los em uma fogueira na hora e dia exatos.
Kayla encarou Penelope por alguns segundos, com certa má vontade.
Kayla: Você poderia ter explicado isso antes. – Concluiu. – E o que exatamente eu preciso fazer?
Penelope: Ah, sim! – A garota avançou algumas páginas, retirando um pequeno papel dobrado que estava preso entre duas páginas com gravuras feitas à mão. – Aqui, tome! – Penelope entregou o papel para Kayla.
A ativista imediatamente abriu a folha, deparando-se com uma pequena lista de itens.
Kayla: Então nós vamos precisar de... – Ela estreitou os olhos, forçando a visão, já que a luz da lua minguante não parecia ajudar muito a leitura da lista. – Uma pena de um pássaro que tenha testemunhado algo importante, uma migalha de pão que tenha sido ignorada por mais de uma hora, a água da bica que corre para o norte, um grão de arroz cozido que tenha sido esfriado por um ventilador de 4 pás... – A garota parou de ler tudo em voz alta, apenas passando o olhar por cima do restante dos itens.
Confessionário
Kayla: Olhem, eu já fui chamada para vários protestos no meio da madrugada, já invadi reuniões políticas para impedir um desmatamento e já passei noites em claro debatendo na internet sobre a importância do uso do transporte coletivo. – A garota, ainda sonolenta, contava nos dedos cada um de seus feitos. – Mas nada disso me preparou para ser assistente de uma teórica mística às três da manhã.
Ilha Tayo – Noite
Kayla e Penelope caminhavam pelo acampamento, enquanto Kayla coletava alguns objetos da lista, Penelope seguia divagando sobre seus ideais.
Penelope: Tudo está conectado. – Iniciou outro pensamento, desta vez, direcionado a Kayla. – Cada elemento vai influenciar o outro, como um efeito dominó. O fato de estarmos aqui essa noite é o que vai mudar nosso destino de uma vez por todas, não viemos a essa ilha por acaso.
Kayla: É claro que não viemos, nós queremos o milhão.
Penelope: É claro. Mas esse foi apenas o fator de caos, ele que deu início as linhas da história que nos trouxeram aqui. – Penelope abriu seu livro novamente.
Kayla tentou aproximar-se para saber o que estava escrito naquelas páginas, no entanto, Penelope fechou o livro. Com a força, uma leve brisa formada pelo impacto das páginas balançou seus cabelos.
Penelope: Você não pode ler isso. Sua mente é pequena e despreparada para entender a verdade neste momento. – Kayla fez uma careta. – Por favor, respeite os desígnios.
Kayla iria contestar, contudo, foi distraída por um vulto que estava correndo em direção ao refeitório.
Kayla: O que foi aquilo?
Penelope encarou a entrada do refeitório por alguns segundos, mas logo voltou a sua atenção para o livro.
Penelope: Não importa. Se fizer parte do destino, saberemos em breve.
Kayla apenas encarou a colega de equipe, com um misto de curiosidade e pavor.
Cabana Masculina das Gaivotas Trapalhonas – Manhã
O sol já tinha nascido e começava a aquecer o ambiente. Pela janela, era possível notar alguns animais se assustando com a presença de um esquilo colorido.
Ricardo acordou com energia, logo observando o quarto. Ao redor, não restava nada além de suas malas. Na cama ao lado, restava uma fotografia da floresta colorida. O ator pegou a foto e a observou triste.
Confessionário
Ricardo: Eu realmente não sei como me sentir quanto a isso. Eu e o Arturo não erámos os melhores amigos do mundo, mas ele estava ali, votamos juntos. Poderíamos ter um plano agora. E eu fiquei triste com o que a Kayla fez com ele, eu posso viver uma dualidade aqui, mas nunca fiz nenhum jogo sujo com os sonhos meus colegas de time.
Cabana Masculina das Gaivotas Trapalhonas
Ricardo anda de um lado para o outro, pensativo.
Ricardo: Mas agora temos um problema... – Ele levou a mão direita ao queixo, como se estivesse pensando em algo. – Eu sou o único menino da equipe. E se Kayla e Tiffany fizerem as pazes e chamarem a Penelope para uma aliança feminina? Eu irei ser transformado em um alvo fácil, então, preciso manter a Tiffany ao meu lado. Mas como?
Ricardo cruza o olhar com as páginas de um roteiro na escrivaninha.
Ricardo: É isso! As minhas técnicas de atuação vão ajudar! Mas agora, é hora de voltar a ser Alfred novamente. Eu posso não ter mais um colega de quarto, mas o nosso empresário ainda tem. – O rapaz se agacha, puxando uma mala que estava guardada embaixo da cama. – A parte boa é que agora eu tenho um quarto só pra mim aqui. Não preciso me preocupar em me trocar na floresta.
O rapaz parou e piscou os olhos, aparentemente refletindo sobre algo.
Ricardo: Desde quando eu peguei essa mania de falar sozinho?
Então, Ricardo começa a vestir-se como Alfred.
Área externa das cabanas
Sophia estava caminhando tranquilamente, observando a paisagem. A velocidade do vento diminuiu um pouco, o que deixava o trajeto mais agradável. A garota então, notou a presença de Chef Hatchet. O cozinheiro estava descartando alguns equipamentos numa lata de lixo, com cara de poucos amigos.
Sophia: E aí, Chef! Muito trabalho? O Chris anda pegando pesado hein? – Sophia seguiu os movimentos do homem com o olhar.
Chef: Apenas descarte diário. – Explicou com mal humor. – As empresas de coleta de lixo estão de olho na gente desde a época que o Chris resolveu brincar com radiação.
Sophia: A gente não vai mexer com esse tipo de coisa nessa temporada... – Sorriu nervosa. – Não é?
Chef Hatchet lançou um olhar desinteressado para a jogadora de basquete.
Chef: Claro que não! – Jogou um saco preto dentro de uma lixeira cinza. – Tudo isso é só descarte de coisas que não vamos usar para os desafios. – O cozinheiro tirou um segundo para encarar Sophia. – E que também não são comestíveis.
Sophia arqueou a sobrancelha, preocupada.
Chef: Agora eu vou servir o café da manhã. Avise aos outros. – Suspirou. – Eu devia ser uma lenda culinária, mas olha as coisas que me submetem! – O cozinheiro retirou-se do local, ainda reclamando.
Sophia ouviu um barulho vindo de uma das lixeiras. A garota aproximou-se um pouco mais dos sacos de lixo, em uma posição de ataque.
Sophia: É melhor sair daí lentamente! – Alertou. – Hm... Deve ser só algum animalzinho.
Sophia coletou um graveto no chão e cutucou o saco de lixo que julgou emitir o barulho. Então, um guaxinim saltou, rasgando o saco e assustando a garota.
Sophia: Credo! Como esse bicho foi parar dentro do lixo? – Sophia analisou o saco rasgado, percebendo um objeto arredondado. – Espera aí...
A garota abriu um pouco mais o saco, revelando uma bola alaranjada.
Sophia: Tá de brincadeira! – Abriu um sorriso, pegando a bola com as mãos. – Não acredito que iam se livrar dessa belezinha! – Comentou, enquanto quicava a bola no chão. – E tem boa aderência!
A jogadora de basquete arriscou um lance, rebatendo a bola na parede de uma das cabanas. Só então, a garota percebeu que tinha plateia. Tiffany estava segurando sua câmera, fotografando Sophia de todos os ângulos possíveis, enquanto Chloe parecia incrédula.
Chloe: Você... – Ela analisou Sophia da cabeça aos pés. – Estava mexendo no lixo?
Tiffany: Babado!
Sophia: Er... – Lançou um sorriso desajeitado. – Oi Chloe! Oi, Tiffany! Vocês por aqui?! Escuta, não é o que tá parecendo! Quer dizer, é, mas tem uma explicação!
Chloe lançou uma careta julgadora, enquanto Tiffany tirou mais uma foto.
Chloe: Nojenta. Achei que você tivesse mais critério, querida.
Antes que Sophia tentasse se explicar, Chloe se afastou. Tiffany soltou mais um flash e saiu correndo, como se segurasse um item valioso em mãos.
Confessionário
Sophia: Eu não acredito que os meus colegas da temporada vão ficar me julgando por isso! – Suspirou. – Anos lutando por um título nos campeonatos, mas sou a garota que mexe no lixo agora. Mas foi por uma boa causa, agora eu tenho uma bola para treinar!
Chloe: Alô, papi! Sou eu, a Chloe! – Ela levantou-se, procurando sinal para o telefone. – Lembra quando combinamos de praticar boas ações? Então, eu pensei bem e acho que estou pronta para fazer minha boa ação do mês. – Ela fez uma pausa enquanto ouvia a pessoa ao outro lado da linha. – Eu sei que sou seu orgulho, pai! – Ela sorriu. – Você poderia me enviar um par de luvas tech impermeáveis? É para uma amiga. – A influencer ouviu a resposta, logo lançando uma face consternada. – Papai, você nem imagina, a coitadinha da Sophia...
Área das Cabanas
Sophia respira fundo e volta a praticar alguns movimentos com a bola, fazendo o objeto ser lançado e rebatido por diversos pontos do cenário. Até em lances mais arriscados, a garota conseguia recuperar a bola. Após um último lançamento, Sophia passou a girar a bola em seu dedo.
A jogadora estava imersa novamente em seu jogo imaginário, não percebendo quando Tyson aproximou-se, com uma garrafa na mão.
Tyson: Aí, isso é uma bola? – Questionou, fazendo a jogadora sair de um transe imaginário. – Quer dizer, é claro que é. Mas tipo, dá pra jogar mesmo com ela?
Sophia: Não é uma bola oficial, mas dá pro gasto. – Explicou, enquanto quicava a bola.
Tyson: Irado! Sabe, eu sou mais voltado pro futebol americano, mas acho que basquete não fica atrás. Mesmo não tendo aquelas ombreiras estilosas, ainda é algo que eu toparia tentar qualquer dia.
Sophia deu um riso leve.
Sophia: Acho que você gosta de esportes por um motivo diferente do meu.
Tyson: Eeei! Não venha aqui subestimar o poder de um uniforme de futebol! – Cruzou os braços, devolvendo a risada. – Aí, você já jogou em campeonatos, né?
Sophia: Sim! Já venci três campeonatos com meu time. – Respondeu completamente animada.
Tyson: Uau! – Tyson exclamou com um brilho no olhar. – Três campeonatos?! Caramba! Isso é muita coisa. – Contou nos dedos. – Meu time nunca chegou a um campeonato. Mas se nós tivéssemos conseguido, eu tenho certeza de que eu teria arrasado!
Sophia: Ah, é?! – Arqueou a sobrancelha. – Grande jogador, então?
Tyson: Você está diante do grande “Tornado Tyson”!
Sophia: Tornado? – Riu. – Certo, essa foi boa! Eu vou querer saber o motivo?
Tyson: Eu gostaria de dizer que é porque eu era um jogador avassalador, mas... – Ele coçou a cabeça. – Tudo começou porque em um jogo com a escola rival, eu saí rodopiando acidentalmente depois de uma trombada com um jogador de outro time... No único jogo em que tivemos a sorte de ser transmitido para a televisão local.
Sophia gargalhou.
Sophia: Eu não acredito! Mas vocês ao menos ganharam, não é?!
Tyson: Então... – Seu sorriso diminuiu um pouco. – A gente perdeu de 42 a 7.
Sophia: Ah, que pena! – Falou de forma suave e sincera. – Esse tipo de coisa acontece, até com as melhores equipes, acredite!
Enquanto os dois estavam distraídos com a conversa, foi possível notar que Ricardo, já caracterizado como Alfred, saindo de uma das cabanas, puxando uma mala. O rapaz percebeu que havia pessoas por perto e apressou-se para não ser notado, o que pareceu funcionar, já que nem Sophia e nem Tyson o viram passar.
Tyson: Mas eu marquei os 7 pontos!
Sophia: Então você foi o único do seu time que pontuou? – Demonstrou um interesse, tentando animar o rapaz. – Até que o “Tornado Tyson” teve seu momento de glória, né?
Tyson: Olha, eu não diria isso. – Riu levemente. – Mas, um dia, eu vou fazer esse nome ser lembrado. E pelo motivo certo! – Ergueu o dedo indicador de uma das mãos.
Neste momento, Tyson sua atenção para a garrafa que trazia, que estava presa no cós da calça. O rapaz, então, estala os dedos.
Tyson: Agora eu preciso devolver essa garrafa para a Margaret antes que ela ache que eu roubei dela. – Sorriu. – Mas depois disso, que tal um desafio? Um contra um?
Sophia: Se você quiser passar vergonha... Aceito!
Tyson: Aí, não duvide do Tornado Tyson! – O rapaz lançou um sorriso desafiador para Sophia, logo antes de sair andando tranquilamente, acenando para a colega.
Refeitório
Poucas pessoas estavam presentes no refeitório naquele momento. Lily estava segurando uma cesta e não pegou nenhum prato; Ethan estava comendo a substância pastosa que lhe foi servida; Tiffany parecia pensativa, intercalando os movimentos entre mexer em sua câmera e beber um pouco de água. Talvez a mais desinteressada em tudo fosse Chloe, que analisava suas unhas como se não houvesse nada mais importante naquele momento. Kayla e Dylan também estavam por ali.
Pouco tempo depois, Vince mostrou-se no refeitório. Caminhando sonolento, ele trazia uma tigela vazia em mãos, enquanto se dirigia ao balcão onde Chef Hatchet juntava algumas panelas.
Vince: Bom dia Chef! – O cozinheiro lançou um olhar curioso para Vince. – Você poderia me ceder uma garrafa de leite? Estou faminto! – Ele passou a mão na barriga, enquanto fazia um olhar pidão.
Chef: Eu tô meio ocupado agora, garoto. – Ele ergueu a pilha de panelas sujas. – Mas você pode pegar uma garrafa na geladeira. Só uma! Não mais que isso!
Vince abriu um sorriso para o cozinheiro, caminhando saltitante para em direção ao refrigerador. No entanto, ao abrir a porta da geladeira da cozinha, sua expressão muda para o mais puro horror.
Vince: O... O quê?!
O rapaz começa a jogar alguns pacotes de alimentos ultraprocessados no chão e atira alguns produtos ao ar, abrindo todas as gavetas e verificando as prateleiras. Enquanto isso, pacotes de ketchup voam pelo refeitório e Tiffany quase é atingida por um repolho voador.
Vince: Não pode ser...
Vince fecha a porta da geladeira, esperando alguns segundos antes de abri-la novamente. Mesmo assim, tudo continuava vazio. O bigode desenhado em seu rosto começou a tremer.
Vince: CADÊ MEU LEITE?!
O silêncio invadiu o espaço. Alfred, que tomava um suco, assustou-se com o grito e cuspiu tudo na cara de Lily, que por sua vez, engasgou-se com a fatia de pão que provava. Tiffany e Ethan observaram curiosos a pose de Vince, enquanto Chloe apenas rolou os olhos.
Ethan: Er... O quê?
Lily: O que tá acontecendo?!
Alfred: Cara, você tá bem? – Ele perguntou, ainda secando a boca molhada de suco, enquanto Lily limpava o rosto com um lencinho.
Vince: Não. Tem. Leite! – Ele exclamou, com as mãos na cabeça.
Chloe: Isso é sério mesmo?
Vince: Você não entende! – O rapaz aproximou-se da influencer. – Eu tomo leite todo dia! – Ergueu os braços. – O chefe sempre me dá um pouco pois... – Ele pisca algumas vezes. – Bem, porque sim. Mas isso não vem ao caso!
Vince voltou para onde Chef estava, com um olhar esperançoso.
Vince: Chef Hatchet, você tem um estoque secreto, né?! Uma reserva, não sei, qualquer coisa?!
Chef: Não sei do que você tá falando, menino. – Deu de ombros. – Se acabou, acabou. Agora só quando recebermos a nova remessa semana que vem.
Vince: Isso... É o fim! – Levou as mãos a boca. – Como isso foi acontecer?
Enquanto alguns voltaram ao cotidiano, tentando comer o café da manhã, Dylan parecia sorrir ao ver o sofrimento de Vince.
Flashback
Na noite anterior, enquanto Penelope e Kayla procuravam os itens da lista que tinham em mãos, Dylan passou correndo, entrando rapidamente no refeitório para evitar ser visto por alguma delas.
O jogador de damas abre a geladeira e sorri ao ver todas as caixas de leite posicionadas nas prateleiras.
Dylan: Bingo!
Dylan abre um saco preto e começa a colocar todas as caixas de leite dentro.
Confessionário
Dylan: Poxa... Quem faria uma coisa tão terrível com o pobre Vince, não é? – Soltou uma risada.
Vince: Eu nunca vi uma geladeira sem leite antes. Foi como olhar para um abismo... E o abismo te olhar de volta.
Floresta
Longe de toda a confusão que estava acontecendo no refeitório, Margaret estava tranquila, observando um pequeno lago. A garota sentou-se sobre a toalha quadriculada e passou a organizar os petiscos e pratos que trouxe na cesta de piquenique.
Enquanto a garota ainda estava distraída, Tyson aproximou-se, com uma garrafa em mãos.
Tyson: Oi Margaret! – Ele acenou, sorrindo. – Finalmente te encontrei! Eu queria devolver sua garrafa. Percebi que era personalizada, achei que fosse importante.
Margaret: Ah! – Sorriu. – Obrigada, Tyson! Você é um amor! Fico feliz que tenha notado. – Ela recebeu a garrafa, observando alguns desenhos e cores feitos manualmente. – Foi um presente da minha vó. Significa muito pra mim!
Tyson: Então eu fiz bem em devolver logo! Acho que minha avó me mataria se eu perdesse algo que ela me deu.
Margaret soltou uma risada leve.
Tyson: Mas é sério! Se duvidar, ela ganha de mim na briga de polegares.
Margaret: Você é mais atencioso do que a gente imagina. – Sorriu, colocando a garrafa ao lado da cesta.
Tyson: Ah, qual é! Não vai me dizer que você é igual todo mundo e acha que eu sou apenas um brutamontes sem cérebro! – Fingiu estar ofendido. – Eu sou cheio de surpresas!
Margaret: Bom... – Ela olhou para os lados. – Que tal me surpreender mais um pouco e se juntar ao meu piquenique? Eu estava esperando a Lily aparecer, mas até agora ela não deu sinal de vida. Será que aconteceu alguma coisa com os sucos do refeitório?
Tyson não perdeu tempo e sentou-se próximo a Margaret.
Tyson: Então... – Lançou um olhar um tanto interesseiro. – Tem comida?
Margaret: Com certeza! – Ela tirou uma torta da cesta, partindo um pedaço para Tyson. – Prova! Eu mesma fiz!
Margaret entregou o pedaço da torta com um sorriso orgulhoso, e o atleta logo pegou uma garfada para si.
Tyson: Caramba, Margaret! Isso tá... Delicioso! Não sabia que você era uma chef disfarçada de garota estilosa!
Margaret: Um elogio duplo?! Obrigada, senhor crítico culinário disfarçado de atleta.
Tyson: Eu prefiro comer a dar notas, acredite. – Ele sorriu. – Tem mais alguma coisa que eu deva provar nessa cesta?
Margaret: Biscoitos, sanduíches, trufas e chá gelado.
Tyson: Só em biscoitos, você já teria me ganhado.
Enquanto os dois estavam distraídos na conversa e nas comidas, Lily apareceu ao fundo segurando uma cesta. Ao vê-los dois juntos, a jardineira sorri e se afasta silenciosamente.
Chris (Alto-falante): Atenção, pessoal! Me encontrem na área de provas próxima as cabanas em 10 minutos! É caso de vida ou eliminação!
Margaret e Tyson se encararam.
Tyson: Será que dá tempo de provar os biscoitos? – Tyson questionou, dando a última garfada na torta, enquanto Margaret riu.
Área de Provas
Todos os jogadores estavam posicionados em frente a um palco improvisado com as cortinas fechadas. Ao redor dos participantes, estavam distribuídas algumas caixas de madeira, lacradas. Alguns encaravam as caixas com curiosidade, enquanto outros pareciam cochichar entre si, amedrontados. O vento estava um pouco forte, sendo capaz de derrubar uma das caixas que estava empilhada em cima de outra.
Então, Chef Hatchet apareceu, puxando a cortina com uma delicadeza. No palco, estava Chris, sentado em uma poltrona vermelha. Ao fundo, um papel de parede colorido enfeitava o ambiente, que era complementado por um grande copo de cor rosa, com a cara de Chris estampada nele.
Chris: Bom dia competidores! Como estão? Preparados para o nosso desafio? – Lançou um sorriso.
Tiffany: O Chris está mais sorridente que o normal hoje, não é, Kayla?
Kayla: Será que ele está mais sorridente, ou ele só parece mais feliz? Quando você está cercado de pessoas zangadas, qualquer sorriso simples vai parecer uma gargalhada, não acha?
Tiffany congelou por alguns segundos, surpresa com a resposta da colega de equipe.
Confessionário
Tiffany: Eu votei na Kayla na última votação, e desde então ela decidiu me ignorar. Acreditem ou não, é a primeira vez que a gente tem um diálogo desde aquela noite. Eu gosto dela, mas achei absurdo tudo o que ela fez com as tintas do Arturo.
A garota olhou para as fotos que tirou da floresta colorida.
Tiffany: Mas, surpresa! O Arturo foi eliminado e ela continua aqui, então eu vou ter que encarar as consequências de ter optado pela verdade ao invés da fidelidade de uma possível amizade. Mas isso é sobre jornalismo, levar a verdade a todos. Não é? – Olhou para os lados.
Campo de Provas
Chris: O nosso desafio de hoje irá testar a mira de vocês! – Jogou os braços para cima, animado. – Mas antes disso, quero que vocês saibam dessa novidade em primeira mão!
Chef aparece com um carrinho, com miniaturas do copo gigante. As miniaturas estavam cheias de um líquido viscoso azulado e com um canudo listrado.
O apresentador fica de pé e pega um dos copinhos.
Chris: Senhoras e senhores, preparem-se para presenciarem a maior revolução em bebidas! Sabe aquele smoothie de banana com morango sem graça que você pega no fastfood? E aquele energético com gosto de guaraná que ninguém aguenta mais? Pois digam adeus a esses itens irrelevantes na sua alimentação e digam olá ao novíssimo... SHAKE CHRIS!
Chris ergue o copo de forma dramática, enquanto um show de luzes piscantes e fumaça colorida invadem o fundo do cenário.
Chris: O Shake Chris é o mais novo milkshake do mercado produzido com ingredientes naturais e uma pitada de inovação que só a família McLean pode proporcionar! Ele contém tudo o que você precisa para um dia cheio: vitaminas, proteínas e uma dose de mistério que só alguém como você poderia experimentar!
Chris finge dar um gole demorado no produto, soltando um sorriso logo em seguida. E então, os participantes olham para o apresentador em silêncio absoluto.
Chris começa a encarar os competidores, como se esperasse algo deles. Nada.
Só então, Lily decide começar a bater palmas, timidamente.
Lily: Adorei Chris, muito inovador!
Tyson: É! – Forçou um sorriso. – Vai vender muito, cara!
Os outros participantes permaneceram imóveis, claramente confusos ou desinteressados. O silêncio, porém, é quebrado por Chloe, que observava tudo com os braços cruzados.
Chloe: Amador.
Chris: Como é?! – Ele piscou, incrédulo.
Chloe: É sério que esse foi o melhor texto que você conseguiu? Um texto estilo anos 90 sobre vitaminas e smoothie de banana?! Por favor, né?!
Chris: Inveja mata, minha filha! E para provar o nosso Shake Chris, vocês terão que ralar! Esse será o nosso desafio! – Ele posicionou-se ao lado do copo gigante, que tinha quase o dobro da altura do apresentador.
Chef: O Shake Chris vem em diversos tamanhos. A versão “mini” para você que não quer sair da dieta, a versão “trabalhador assalariado” que vem com dois canudos, para você que só tem 15 minutos de almoço e a versão “vou passar cinco dias tomando Shake Chris”! – Apontou para o copo gigante. – E no desafio de hoje, cada equipe vai ter que encher seu copo gigante com Shake Chris, até a borda!
Chloe: Ótimo, viramos trabalhadores não remunerados! – Reclamou.
Chris: O nosso delicioso shake está preso em diversos balões flutuantes pela ilha. – O apresentador apontou para o céu, onde dezenas de balões coloridos flutuavam, sendo carregados por drones. – As duas primeiras equipes que encherem seus copos até a borda, ganharão imunidade e escaparão da eliminação, além de claro, poderem experimentar o novíssimo Shake Chris!
Os participantes olham para os balões. Alguns pareciam se mover com o vento, enquanto outros, pareciam sacudir, como se estivessem se debatendo.
Margaret: Por que esses balões parecem estar tremendo?
Chris olha para um dos balões que Margaret apontou.
Chris: Ah, sim! Alguns balões estão cheios de Shake Chris, e outros... Bom, vamos dizer que eles têm um toque especial para animar a competição. Espero que ninguém tenha alergia a abelhas, não tivemos tempo de ler esses dados nas fichas de inscrições que vocês enviaram. – Sorriu.
Alguns jogadores se entreolharam, preocupados. Alfred engole a seco, enquanto Dylan abre um sorriso.
Chris: E claro, como eu sou um cara justo, irei conceder alguns apetrechos para auxiliarem vocês a acertarem os balões! – Soltou um sorriso cínico. – Cada participante pode escolher uma das caixas de madeira ao redor, mas nem todas vão conter uma arma muito útil, então, boa sorte. O desafio começa... Agora!
Então, a correria se inicia. Alguns participantes agarram a primeira caixa que encontram, enquanto outros, decidem brigar por elas.
Alfred: Vamos ver... – Ele abre a caixa, revelando sua arma. – Uma zarabatana? Vai ser útil!
Lily: Isso é... Um espelho? – Tirou o objeto da sua caixa. – Como eu vou estourar um balão com isso?
Kayla: Acho que vou querer essa aqui! – Ela segura a caixa, mas logo em seguida, Tiffany põe as mãos no objeto. – Opa!
Tiffany: Eu estou com uma boa sensação com essa caixa, sabia? Que tal abrirmos e vermos o que é, e então a gente decide quem tem mais habilidade para usar ela!
Kayla: Pelo amor dos golfinhos, Tiffany... Larga essa caixa! – Lançou de forma ríspida. – Não tá vendo que eu peguei ela primeiro?!
Tiffany: Tudo bem, então! Mas saiba que estamos na mesma equipe, independente do que for, vai tudo ser usado para o bem do grupo.
No lado oposto do mapa, Dylan abre sua caixa, revelando um secador de cabelos portátil.
Dylan: Ué... – Ele coçou o queixo, pensativo.
E aparentemente, Dylan não era o único que questionava a serventia do seu item. Próximo ao jogador de damas, estava Vince, que encarava uma miniatura de um patinho de borracha.
Vince: Isso tem alguma utilidade, ou está aqui só para questionar minha sanidade? – Ele falava com o pato de borracha, mantendo uma pose agachada e curiosa.
Enquanto isso, Margaret se preparava para abrir sua caixa, mas fez uma pausa ao ver Tyson se aproximar.
Tyson: Ei, olha o que eu consegui! – Ele mostrou um estilingue. – Vai querer ajuda? – Ele apontou para a caixa.
Margaret: Ah, não precisa. – A garota puxou um pedaço de madeira da caixa com facilidade, como se não houvesse nenhum prego na caixa.
Tyson: Uau! – Exclamou, impressionado com a habilidade da garota. – Como você se livrou tão fácil desses pregos?
Margaret: Há um tempo, eu decidi bancar a artista e entrei nas aulas de artesanato. Então eu fiz um curso rápido sobre remover pregos e abrir caixotes. – Sorriu. – Ajudou bastante, sabe? Eu ficava sem paciência pra remover tudo com um martelo.
Tyson: Esse foi o curso mais específico e aleatório que eu já vi. – Margaret assentiu. – Mas eu também já tentei inovar bastante participando de algumas aulas com temas paralelos, então, não julgo. Na verdade, acho isso legal.
Margaret: Oh, olha só! – Ela tira o objeto da sua caixa, um bumerangue afiado. – Vai ser útil demais!
Com o tempo, cada jogador apossou-se de um objeto, fosse algo de utilidade grande ou algo completamente inconveniente para o desafio. Ethan inclusive, parecia deslumbrado com uma Gel Blaster que ganhou.
Tiffany sorriu ao abrir uma caixa e encontrar uma lupa, ao seu lado, Kayla encarava uma vuvuzela. As duas são assustadas por Alfred, agora vestido de Ricardo, que passa correndo para pegar qualquer caixa que estivesse trancada.
Ricardo: É hora de ganhar o prêmio mais sensacional! – Ele retira os pregos da caixa, com bastante dificuldade. – Ahá! – O ator ergue um martelo avermelhado, com detalhes amarelos e um pedaço de tecido formando um laço, claramente um brinquedo.
Enquanto isso, Penelope surge com uma varinha dourada em mãos. Seu objeto para o desafio estava envolto de muito glitter e alguns sininhos, além de contar com uma estrela dourada na ponta.
Restavam apenas Chloe e Sophia, que pareciam ter dificuldades para abrir as caixas.
Chloe: Precisava mesmo usar pregos, McLean? Qual é?! – Ela finalmente abre a caixa, revelando seu item. – UM LEQUE?! O que eu devia fazer com isso?! Isso é uma falta de respeito, Chris!
A influencer começa a caminhar em direção aos outros membros das Corujas Tagarelas, tirando um momento para ver o que Sophia ganhou.
Sophia: Um desentupidor?!
Chloe: Ah, que fofo! – Soltou de forma ácida. – Combina com o seu hobby novo, né?! – A garota cobriu o rosto com o leque e soltou uma breve risada.
Sophia: Eu já disse que aquilo tem explicação! – Apontou o desentupidor na direção de Chloe. – E eu te agradeceria se você não explanasse isso para os outros!
Chloe lançou um último olhar julgador para a adversária e seguiu seu trajeto.
Após todos se organizarem, Chris toma a palavra, novamente subindo ao palco.
Chris: E para comemorar o lançamento do nosso produto, também vamos presentar o participante que mais estourar balões com um jantar preparado pelo nosso querido Chef Hatchet! O menu? Sushi importado das águas mais profundas da Noruega!
Vince: Uaaaau! – Vince lançou um olhar deslumbrado para o apresentador. Os outros participantes também pareciam interessados.
Chris: Era esse o tipo de reação que eu queria para o meu comercial! – Comentou, emburrado. – Chega de conversa, o desafio começa... Agora!
Então, cada equipe pega um dos copos gigantes e adentram na floresta.
Águias Malucas
Dylan e Margaret puxavam o copo com um pouco de dificuldade. Mesmo vazio, o tamanho do copo parecia ser um desafio considerável para a progressão da equipe no caminho da ilha. Enquanto os dois colegas de equipe sofriam arrastando o recipiente em grande escala, Sophia cobriu parte do rosto com as mãos, tentando focar a visão no céu.
Sophia: Vamos lá pessoal! – Soltou entusiasmada. – Vamos estacionar esse copo aqui e estourar o máximo de balões que conseguirmos na área! – A jogadora de basquete olhou para o desentupidor. – Só não sei como vou fazer isso...
Margaret: Tenho certeza de que você vai encontrar uma utilidade pro desentupidor. – Sorriu, na tentativa de passar algum otimismo. – Agora, deixa eu testar minha mira...
Então, Margaret lançou o bumerangue com alguma força. O objeto cortou o ar, e, embora não tenha acertado um balão, fez uma trajetória satisfatória, atingindo uma altura chamativa.
Sophia: Lançamento perfeito! – A jogadora de basquete comentou com alegria, ao ver que o bumerangue posou na mão de Margaret. – Você por acaso fez um curso de como soltar bumerangues?
Margaret: Não, não! – Riu. – Mas eu já joguei freesbee com meus amigos, é bem parecido.
Enquanto isso, Dylan encostou-se em uma árvore qualquer, fechou os olhos ao mesmo tempo que cruzou as penas e ligou o secador portátil, usando-o em seu cabelo. Não demorou muito para que Sophia percebesse a pose relaxada do rapaz.
Sophia: Dylan! Foco!
Dylan: Você adora essa palavra, né?! – Ele desligou o secador, mas continuou apoiado na árvore. – Foco, foco, foco! A gente já está aqui tem dias, e parece que seu vocabulário só inclui essa palavra!
O rapaz finalmente se desencostou da árvore e aproximou-se de Sophia. A garota apenas cruzou os braços e não recuou.
Dylan: E se quer mesmo saber, eu estou focado, chefinha! Mas eu não sei se você percebeu, você não é a única que recebeu um item que não estoura balões!
Sophia encarou Dylan por alguns segundos após o jogador de damas mostrar o secador de cabelos para ela, ao mesmo tempo, Margaret observava ao fundo.
Sophia: Certo, você tem um ponto. – A garota descruzou os braços, derrotada.
Dylan: Adoro quando admitem isso, sabia? – Abriu um sorriso. – Quase me dá vontade de colaborar com sua utopia de equipe unida.
Sophia: Dylan, eu não preciso do seu deboche agora. – Sophia virou-se, ficando de costas para Dylan. – Nós temos um problema, e precisamos de uma solução.
Margaret observou um novo balão ser trazido por uma rajada de vento. A garota mirou seu bumerangue, lançou-o e logo estourou o balão verde. Um líquido de tonalidade roxa caiu no copo.
Sophia: Boa, Maggie! É desse tipo de atitude que precisamos na equipe! – Olhou para Dylan de soslaio.
Dylan: Margaret, você tá de prova que eu não estou fazendo nada dessa vez!
E quando menos percebeu, Margaret encarou os outros dois colegas de equipe, surpresa por ter sido incluída na discussão.
Margaret: Olha, pessoal, eu adoraria dar meu ponto de vista sobre esse assunto. Mas nós temos problemas maiores. Por exemplo, precisamos arrastar esse copo por quilômetros até que ele esteja cheio. Além disso, alguém viu o Alfred?
Os membros da equipe passaram a se encarar por alguns segundos, finalmente percebendo a ausência do quarto integrante.
Sophia: Ele não estava com a gente quando o desafio começou?
Dylan: Com certeza. – Colocou o secador nos ombros. – Será que ele se perdeu ou caiu em algum buraco por aí? – Soltou um riso baixo, quase imperceptível.
Sophia: Isso não é engraçado! – Repreendeu.
Margaret: Mas esses sumiços dele estão ficando cada vez mais frequentes...
Sophia: Vamos precisar de uma reunião de equipe depois desse desafio.
Margaret: E de preferência que não seja na área de eliminação...
Margaret adotou uma expressão reflexiva, ao mesmo tempo que uma ideia surgiu na cabeça de Dylan.
Dylan: Querem saber?! Eu vou procurar o Alfred!
Sophia: Sério?! — A jogadora de basquete arqueou a sobrancelha. — Você?!
Dylan: Ao menos eu vou colaborar com o espírito de equipe unida que você tanto quer, madame. — O rapaz soltou uma reverência debochada para Sophia.
Sophia: Se quer mesmo saber, eu não confio na sua palavra. O seu histórico não te ajuda também...
Dylan: O que passou, já passou! – Interrompeu a colega de equipe. – E depois, como eu disse, eu não vou conseguir estourar nenhum balão com meu secador.
Margaret pareceu concordar com a justificativa de Dylan, embora Sophia continuasse com uma feição de discordância.
Margaret: Bem, a gente tem que admitir que ele tá certo, Sophia.
Sophia: Maggie! – Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Dylan tomou a palavra.
Dylan: Encontro vocês assim que eu resgatar o Alfred! Não vai ser difícil localizar vocês com esse... Copo gigante.
Dylan acenou e iniciou um trajeto em meio a floresta, logo sumindo do campo de visão das garotas.
Sophia: E lá se vai mais um! – Balançou a cabeça em negação.
Margaret: Talvez ele ajude a encontrar o Alfred dessa vez.
Sophia: Se fosse no meu clube de basquete, os dois seriam suspensos. Maggie, se ele não voltar com o Alfred até o fim do desafio, eu juro que meu voto vai no Dylan.
Confessionário
Dylan: Procurar o Alfred?! – Ele ri entredentes. – É claro que eu vou fazer isso. Porém, no caminho eu espero encontrar algumas pessoas. Tenho assuntos pendentes para tratar e eles são inadiáveis.
Margaret: De coração, eu adoro a Sophia! Ela tem uma força de vontade que com certeza pode levar ela longe no jogo. – A garota retocava sua maquiagem. – Mas... Eu não sei se eu votaria no Dylan na próxima votação. No último desafio ele nos ajudou bastante. Ele tem uma energia caótica? Com certeza! Só que ainda é um caos... Útil, digamos.
Corujas Tagarelas
O grupo estava unido, adentrando em uma área menos arborizada da ilha. Ali, alguns balões flutuavam no céu livremente e o ar parecia menos agitado que o comum. Algumas borboletas voavam junto aos balões.
Ethan mirou em um balão qualquer com sua gel blaster, enquanto Chloe estava encostada no copo gigante, observando seu celular.
Lily: Uau! Aqui tem muitos balões! Por que nenhuma equipe veio pra cá ainda?
Chloe: Talvez a gente tenha dado sorte de encontrar um lugar acessível. – Ela fez uma selfie. – É tipo uma área VIP, mas só pra nossa equipe.
Ethan: Hm... – Ethan pareceu fazer um trajeto mental do balão, até que viu um pequeno besouro azulado ser levado de um ponto a outro da grama pelo vento característico da ilha.
Tyson: E aí amigão! – Aproximou-se de Ethan. – Acho que hoje o desafio vai estar em nossas mãos, né?!
Ethan: Espera! Tive uma ideia! – Ele pegou o braço de Tyson e puxou o atleta para o perto do besouro. – Fica aqui.
Tyson: Certo! Em posição de ataque!
Ethan sorriu com a animação do rapaz e deu alguns passos.
Ethan: Chloe, você tem cronômetro no seu celular?
Chloe: Sim. Vai querer contar quanto tempo estamos perdendo aqui? – A garota abre o aplicativo no aparelho e entrega a Ethan. – Divirta-se. – Sugeriu com pouca vontade.
Ethan: Certo... – O rapaz analisa o besouro azulado ser arrastado pelo vento novamente, saindo dos pés de Tyson.
Chloe: Ethan, eu não quero bancar a chata. Longe de mim! – Colocou a mão no peito. – Mas você pode me dizer o que um besouro tem de tão importante?
Ethan: Simples! – O besouro, carregado pela brisa, pousou ao lado dos pés de Ethan. – Eu queria calcular a velocidade aproximada do vento.
Chloe: E?
Ethan: E eu posso dizer que o vento está a uma velocidade aproximada de trinta quilômetros por hora.
Tyson: Maneiro! Dá pra soltar pipa! – O atleta adentrou na conversa.
Ethan: Levando em conta esse dado aproximado, nós vamos precisar empurrar o copo um pouco para a esquerda antes de estourar aquele balão ali! – Apontou para um balão amarelo no céu.
Chloe: Não vai deixar o copo um pouco longe do balão? – Indagou, enquanto Ethan lhe devolvia o telefone.
Ethan: Na verdade, eu não posso te dar uma certeza disso, já que eu não estou com os materiais mais adequados para realizar os cálculos corretos. – Ele encolheu os ombros, envergonhado. – Porém, movendo o copo, a gente tem um aumento de 65% de chance do shake cair no copo.
Tyson: Ouviram o nosso Pitágoras! Vamos mover esse copo pra esquerda pra ganhar mais shake!
Chloe deu um meio sorriso e ajudou Lily e Vince a empurrarem o copo, que até então, seguia vazio.
Ethan respirou fundo, mirou sua gel blaster e atirou duas vezes. As bolinhas de gel voaram em uma linha reta para o céu, perfurando o balão amarelo. O líquido caiu em seguida, enchendo uma boa quantidade do copo, como previsto.
Tyson: Boa, campeão! – Colocou a mão no ombro de Ethan. – O grande cientista do shake! – O nerd sorriu por um momento.
Chloe analisou a situação de longe. Inquieta, ela puxou Vince para uma distância segura.
Chloe: Vince, acredito que você já teve tempo o suficiente para observar esses dois. Hoje eu quero um relatório detalhado. – Ela apontou discretamente para Ethan e Tyson. – Aquilo ali com certeza me cheira a aliança.
Vince: Ou amizade. – Supôs.
Chloe: Vince, por favor... Eu sou expert em conhecimento comportamental.
Vince: Tem certeza?
Chloe: Claro! Só me entregue os dados, e eu tiro minhas próprias conclusões. Se eles estiverem em uma aliança secreta, precisaremos agir o quanto antes.
Lily: Oi gente! – A jardineira apareceu saltitante. Tanto Vince quanto Chloe se assustaram com a chegada da garota. – O que estão fazendo?
Vince olhou para os lados por um momento, enquanto Chloe limpou a garganta e virou-se novamente para o menino-gato.
Chloe: E mais uma vez, Vince! – Disfarçou. – Você não pode comer borboletas!
Vince: O quê?! – O rapaz se sobressaltou, indignado. – Eu não tentei comer borboleta nenhuma! – Era difícil distinguir se Vince realmente entendeu o improviso de Chloe ou não.
Chloe: Tentou sim! Eu vi tudinho! Foi horrível, Lily!
Lily: Vocês dois são tão estranhos. – Comentou, balançando a cabeça e rindo.
Vince: Miau. – Vince encarou a influencer com um olhar de “você me paga por esse mico” e se afastou, engatinhando.
Enquanto as meninas assistiam Vince se dirigir ao copo de Shake Chris, Chloe aproveita o momento e se vira para Lily, assumindo um tom de voz mais doce.
Chloe: Lily, querida... Você gosta dos garotos do time?
Lily: Ah, com certeza, adoro os três! O Vince é meu favorito, ele é uma graça! – Comentou com alegria.
Chloe: Eu penso a mesma coisa! – Sorriu forçadamente. – Porém, o Ethan me preocupa, sabe? Você não tem a sensação de que ele está querendo controlar o time? Todo mundo poderia estar estourando balões, mas não! O Ethan foi mostrar que é o cérebro da equipe e jogou probabilidades e informações que ninguém entende.
Lily: Acho que o Ethan só está tentando ajudar a equipe.
Chloe: Às vezes, eu tenho a impressão de que ele quer ser superior. E ainda leva o Tyson junto! Eles são os mais fortes e parece que querem isolar a gente. Deve ser por isso que o coitado do Vince passa mais tempo caçando borboletas do que interagindo com eles.
Lily franze o cenho e abre a boca para responder a influencer, contudo, um grito corta o ar mais uma vez.
Tyson: Acertei! – Exclamou saltitante, chamando a atenção das duas garotas. – Mais shake Chris! Um ponto extra pro time! Se você continuar calculando, a gente vai vencer de lavada! – Tyson lançou um olhar para Ethan.
Ethan: Na verdade, ainda temos 35% de chance de cometer erros. Mas é um valor oportuno.
Tyson: Você não precisa focar nos erros, cara! Você tá fazendo algo que ninguém mais consegue aqui! – Olhou para o líquido caindo no copo. – Você é incrível!
A cena voltou para Chloe e Lily, que assistiam impressionadas.
Lily: Eles só estão ajudando o time. Parecem pessoas confiáveis.
Chloe: Não sei não... – Comentou, em tom de dúvida. – Confiar é importante, mas quem confia demais, vira alvo.
Chloe se afasta, deixando uma Lily pensativa para trás.
Confessionário
Lily: Como esse jogo foi do nível fácil para o difícil em um piscar de olhos? Em um dia, eu estava plantando mudas de plantas floridas e agora, já preciso me posicionar na equipe.
Chloe: Ethan é uma mente brilhante e perigosa. E hoje eu vou descobrir o que tá acontecendo entre ele e o Tyson. Enquanto isso, eu precisei plantar uma dúvida na Lily só por precaução. – Uma mão desconhecida aparece, com um pacote em mãos. – Ah, obrigada! Adoro entregas expressas!
Gaivotas Trapalhonas
A equipe das Gaivotas Trapalhonas também decidiu seguir o caminho da floresta. Ali, o vento soprava mais forte, agitando as copas das árvores. Penelope assistia, sem animação, os balões flutuarem no céu.
Ao estacionarem o copo na clareira, Tiffany ergueu sua lupa, tentando ser engraçada. Kayla percebeu e passou direto, ignorando até mesmo a presença de Ricardo.
Tiffany: Certo, temos um problema aqui... Nenhuma das nossas armas é útil. – Ela olha para a própria lupa. – Ao menos não para explodir balões. Porque eu consigo pensar em várias utilidades pra essa belezinha aqui!
Penelope: A inutilidade é apenas uma concepção relativa das almas que já desistiram de vencer.
Ricardo, Tiffany e Kayla se entreolham, assustados.
Confessionário
Kayla: Eu posso passar madrugadas caçando objetos aleatórios com a Penelope, mas eu acho que nunca vou me acostumar com essa energia tenebrosa dela.
Gaivotas Trapalhonas
Ricardo notou a preocupação de Kayla e Tiffany com o desafio e tomou a frente do grupo. Apenas Penelope parecia apática a tudo.
Ricardo: Meninas, nós não podemos desistir assim tão fácil! Mesmo em situações extremas como essas, podemos encontrar soluções dignas de uma tela de cinema!
Tiffany: Bom, o Ricardo tem razão. Nós não podemos perder dois desafios seguidos.
Ricardo: Sabem... – Ele tomou a palavra, com um olhar firme. – Isso me lembra da vez que eu estava gravando as últimas cenas do filme “Perdidos na Selva das Piranhas Amarelinhas”!
Kayla: Eu nunca ouvi falar desse filme... – Arqueou a sobrancelha.
Ricardo: Pois foi sucesso de bilheteria numa cidade chamada Xique-Xique! – Cruzou os braços. – Enfim, eu estava gravando uma cena de perseguição onde o vilão do filme, o Bentinho Pescador estava perseguindo meu personagem com um tridente perigoso e afiado! Até aí tudo bem, mas o ator que fazia o Bentinho era o Pierre Devone. Meu maior rival na indústria cinematográfica!
Tiffany: Parece interessante! – Ela pega um bloquinho do bolso e começa a fazer algumas anotações. – Conta mais!
Ricardo: Então, no dia da gravação dessa cena, meu dublê ficou doente. Dizem que foi uma alergia, mas eu tenho certeza de que foi uma armação do Pierre! Tudo pra ele ter uma chance de me espetar com aquele tridente perigosíssimo!
Penelope: Sua suposição é ultrajante, além de equi...
Tiffany: Shh! – Fez um sinal de silêncio com os dedos. – Adoro uma treta de bastidores! Continua, menino!
Ricardo: Bom, mas como um bom ator, eu assumi o risco e gravei a cena. Aquele canalha do Pierre passou uma tarde inteira espetando meu bumbum. – Explicou com um tom de indignação. – Mas ainda assim, eu estava brilhante no filme inteiro. Porque eu sou desses.
Ricardo tenta fazer uma pose majestosa com seu martelo, mas o objeto emite um som de apito, fazendo Tiffany e Kayla soltarem uma breve risada.
Kayla: Ricardo, sua história é realmente tocante. Só que eu não acredito que uma história sobre como espetaram você possa ajudar nossa equipe a... – Ela estala os dedos. – Espera, é isso! Podemos usar galhos pontiagudos como lanças para espetar os balões!
Ricardo: Estão vendo? – Sorriu e soltou uma piscadela. – Valeu a pena ter colocado o meu... Legado artístico em jogo naquele filme!
Kayla: Eu vou procurar alguns galhos, já volto! – Começou a procurar por alguma rota apropriada em meio as árvores e arbustos. – Ah, a mãe natureza vai ficar muito orgulhosa de mim!
Kayla entra em um caminho da floresta que era composto por árvores de galhos e raízes secos. Tiffany observa por um momento e decide segui-la.
Kayla: Marie, eu não tenho tempo de procurar itens da sua lista. – Kayla começou a falar, ao perceber que estava sendo seguida. A ativista ainda não tinha visto quem estava atrás dela. – Eu prometo que a noite te ajudo com isso de novo.
Tiffany: Vocês têm uma amizade estranha. – Concluiu, fazendo Kayla se virar rapidamente, com um misto de surpresa e indignação.
Kayla: O que você tá fazendo aqui, Tiffany? Eu disse que voltava já.
Tiffany: Você vai ficar fugindo de mim como se eu fosse uma abelha tóxica até quando?
Kayla respirou fundo antes de responder, já percebendo que seus dedos começaram a tremer.
Kayla: Ao menos as abelhas têm uma importância ecológica! – Esbravejou.
Tiffany: Ai, fofa... – Rolou os olhos. – Olha, eu entendo que você está chateada, afinal, você quase foi eliminada.
Kayla: E eu seria eliminada, se eu não tivesse usado a estátua do veto!
Tiffany: Essa foi uma jogada esperta, eu admiro.
Kayla: Porém, isso não apaga o fato de você ter votado em mim! – Apontou o dedo indicador para a jornalista.
Tiffany: Ah, Kayla... Por favor! O problema aqui, é que você está agindo como se eu fosse a única causadora de uma desgraça ambiental! – Ergueu os braços. – O Ricardo também votou em você e eu não estou vendo você sendo ríspida com ele!
Kayla: A questão é que o Ricardo nunca veio conversar comigo me chamando de amiga! Coisa que você fez!
Tiffany: Escuta, meu bem... Isso é um jogo, em algum momento nós vamos ter que votar uns nos outros, até mesmo em pessoas que nós gostamos.
Kayla: Você veio me pedir desculpas, usando esse discurso mal elaborado?
Tiffany: Eu não vim te pedir desculpas, eu vim para chegarmos a um acordo. Como eu falei, isso é uma competição. Se alguém votar em mim, eu não fico maluca.
Kayla: Você tá me chamando de maluca?!
Tiffany: Tô sim. – Kayla ameaçou responder, porém, a jornalista continuou. – Quer colocar as cartas no jogo? Então vamos lá, Kayla! Eu gosto de você, mas como uma pessoa que quer se dedicar ao jornalismo, eu tenho que prezar pelos fatos e pela verdade.
Kayla: Verdade?! Que verdade, Tiffany?
Tiffany: O que você fez com o Arturo.
Kayla bateu a mão na testa, claramente exausta do assunto.
Kayla: Eu já falei que foi um acidente! Todo mundo sabe que o vento carrega objetos pequenos e com as tintas do Arturo não foi diferente.
Tiffany encarou a ativista por alguns segundos, com a mão no queixo.
Confessionário
Tiffany: Que interessante... – Concluiu, pensativa. – Então a Kayla ainda não sabe que eu tenho provas de que ela jogou as tintas do Arturo nas árvores. E ainda por cima, continua com essa história de que o vento levou tudo. – Bateu palmas lentamente. – Que engraçada essa garota, né, gente? Será que ela esconde algo mais? E se ela mente em outras coisas? – A jornalista, animada, colocou a lupa próximo ao rosto. – Precisamos investigar isso a fundo!
Floresta – Kayla e Tiffany.
Tiffany: Olha só, fofa... Eu não estou pedindo para a gente virar uma dupla de amigas inseparáveis. – Rolou a lupa na mão. – Só fica o conselho, se a gente continuar brigando assim, com certeza nós vamos virar alvo de votos da Penelope e do Ricardo na próxima eliminação.
A jornalista reflete um pouco após dizer o nome dos companheiros de time.
Tiffany: Minha nossa! – Levou as mãos ao rosto, preocupada. – Eu deixei o Ricardo sozinho com a Penelope!
Kayla: Ai não! Será que ele está bem?
As duas se encararam, genuinamente preocupadas.
Não muito longe dali, Ricardo e Penelope aguardavam as duas colegas de equipe. Enquanto o ator caminhava de um lado para outro, um tanto inquieto, a misteriosa agora autonomeada Marie parecia simplesmente não se importar com nada ao seu redor, assumindo uma posição neutra e sem reação.
Ricardo: Então... Marie, agora, não é mesmo? – O rapaz tentou iniciar um diálogo, mesmo que Penelope permanecesse imóvel e sem esboçar interesse. – Então, você gosta de filmes? Eu gravei vários.
Penelope: O seu desespero será sua queda. – Ricardo, que até então estava caminhando em círculos, finalmente deixa de andar.
Ricardo: Isso... É de algum filme? – Ele pergunta amedrontado. – Você... Gosta de imitar personagens?
Penelope: Somos todos personagens do cosmos, o autor universal.
Ricardo: Er... Eu acho que nunca vi esse filme... – Ricardo estava visivelmente apavorado, e completamente arrependido de ter iniciado um diálogo.
O ator começou a dar pequenos passos para trás, enquanto esboçava um sorriso forçado.
Penelope: Pare! – O ator obedeceu, arregalando os olhos. – Eu vejo.
Ricardo: Eu adoraria jogar isso com você, Marie, mas eu a-acho que...
Ricardo virou as costas para Penelope, pronto para fugir, contudo, uma frase o fez parar.
Penelope: Há uma força dupla.
Ricardo: Dupla?! – O garoto quase saltou. – O que você quer dizer com isso?
Penelope: Você está atraindo uma força que só pode ser carregada por duas pessoas!
Ricardo: Duas pessoas?! – Soltou, em desespero. – Eu juro que não faço a menor ideia do que você está falando...
Confessionário
Ricardo: Ela também descobriu?! – O ator quase gritou, com indignação. – Como ela descobriu? Eu não deixei ninguém me ver!
Floresta – Ricardo e Penelope
Penelope caminhou uma curta distância, se aproximando de Ricardo.
Ricardo: Olha, Marie... Eu tenho certeza de que se você ouvir minha explicação, você vai entender o meu lado e...
Penelope: Mãos para o alto!
Ricardo engoliu a seco e ergueu os braços, Penelope o acompanhou, erguendo também as próprias mãos. A garota fechou os olhos e sorriu.
O que adveio foi uma situação quase mística. Uma ventania começou e criou alguns pequenos redemoinhos que levantavam folhas, besouros e galhos. Ricardo olhava para os lados, descrente, mas apavorado o suficiente para sequer sair do lugar. Um esquilo de peruca passou voando atrás do ator.
Então, uma nuvem cobriu o céu e Penelope ergueu sua varinha em direção a um balão roxo. Dois raios cruzaram o céu, iluminando a floresta e criando ilusões de que as árvores estavam observando e rindo de Ricardo. Por fim, três balões estouraram no céu, com o Shake Chris caindo diretamente no copo gigante.
E tudo voltou a ser como era antes: As folhas caídas voltaram ao chão, o sol reapareceu no céu azul e as árvores estavam com seus galhos farfalhando fracamente com a força de uma brisa.
Penelope: O destino não deve falhar, Ricardo.
A garota abriu os olhos para encarar o colega de equipe, que tinha urinado na própria roupa.
Ricardo: AAAAAHHHHH! – Soltou um grito agudo. – BRUXA! BRUXA!
O rapaz saiu correndo sem rumo definido, alheio ao retorno de Kayla e Tiffany, que traziam alguns galhos pontiagudos em mãos.
Tiffany: O que deu nele?! – Questionou com seu clássico tom curioso.
Penelope: Alguns seres simplesmente não aceitam que o melhor destino é se entregar ao absoluto vazio do universo.
Kayla: Precisamos evitar de deixá-la sozinha com qualquer outra pessoa. – Sussurrou para a ativista, que concordou com a cabeça.
Confessionário
Ricardo: Eu gostaria de deixar claro que em momento algum eu senti medo do que estava acontecendo ali. – Esclareceu, quase atropelando algumas palavras. – Foi apenas uma atuação. É isso! Atuação! Eu precisava ver como estava a minha outra equipe, fingi que estava com medo e saí correndo. Sem levantar suspeitas! É assim que um ator de verdade trabalha! – Tentou lançar um sorriso galanteador, mas o som de um raio o assusta novamente. – AAAAHHHHHH!
Corujas Tagarelas
Lily: O que foi aquilo?! – Perguntou, observando uma nuvem carregada atravessar a floresta.
Ethan: Com certeza uma nuvem de tempestade. O que é estranho. – Ele olhou para o chão. – Não deviam ter chuvas nessa ilha. Ao menos, não nessa época do ano.
Vince: Não gosto de tempestades... – Ele ajustou o capuz de seu pijama.
Chloe: Deve ser aquela coisa de aquecimento global que a Kayla estava falando esses dias. – Lily e Ethan encararam a influencer. – O que foi? Eu trabalho ouvindo o público. É claro que eu sou uma boa ouvinte. – Ela pegou o celular e tirou uma foto da nuvem.
Tyson: Pessoal! – O rapaz chamou a atenção do time. – Eu vou tentar estourar aquele grande ali! – O atleta apontou para um balão azul.
Chloe: Ah, vai lá. – Comentou, completamente desmotivada. – Arrasa!
Tyson mirou seu estilingue, atirando uma pedrinha em direção ao balão. O barulho da explosão ecoou no ar e uma fumaça azulada cobriu o céu. Entretanto, para a infelicidade de todos, ao invés do líquido roxo cair, uma figura emergiu do céu, soltando um rugido estrondoso.
Lily: Aquilo não é o que eu tô pensando... É?!
Tyson: Ah, relaxa. – Sorriu. – É só um urso pardo de jetpack.
Lily, Chloe, Vince e Ethan: É UM URSO PARDO DE JETPACK?!
E a confusão começou: O grupo corria de um lado, enquanto o urso sobrevoava o céu, seguindo-os.
Chloe: FUJAM PRAS COLINAS!
O grupo começa a correr em uma direção.
Lily: Mas ele tem um jetpack, ele vai subir nas colinas!
Tyson: ENTÃO FUJAM PRAS CAVERNAS!
O grupo dá meia-volta e começa a correr na direção oposta. O urso, com uma expressão confusa, encara o grupo, manobrando a jetpack para continuar a perseguição.
Ethan: Espera! – Os cinco participantes param de correr. – Não tem cavernas na ilha!
Vince: ESPALHAR!
E o grupo se divide. Enquanto Chloe e Lily correm em direção a floresta, Ethan e Tyson correm em direção a uma trilha de árvores secas. Vince, o único que restou, ficou paralisado por alguns segundos, sem saber qual rumo tomar, mas acabou correndo seguindo seus instintos felinos e subindo em algumas árvores de folhas amarelas, conseguindo se camuflar.
Chloe: Você viu, Lily?! – Chamou a atenção da jardineira. – Eles tinham que ir juntos! Isso com certeza é uma aliança!
Lily: Bem... – A jardineira iniciou um raciocínio, todavia, estava ofegante demais para continuar.
Chloe: Nós temos que nos unir. Que tal uma aliança?
As duas cessam a corrida, acreditando que despistaram o urso.
Lily: Eu sei que isso é um jogo, mas ainda acredito que eles são apenas amigos. E eu me sinto amiga deles, de certa forma.
Chloe: E eu nunca falei que precisamos cortar laços com os meninos ou acabar com amizades. Mas nós precisamos estar protegidas! Eu espero que não aconteça, mas se a gente perder qualquer desafio, eu tenho certeza de que eles irão mirar em uma de nós duas!
Lily: Bom, acho que não faz mal termos essa segurança. – Ela estende a mão para Chloe, que retribui o gesto. – Parceiras de jogo?!
Chloe: Aliadas! Eu sabia que você era mais esperta do que parecia. – Piscou o olho.
Lily: Isso foi um elogio? – Arqueou a sobrancelha.
Chloe: Claro que foi, Lily! Que ideia! – Riu.
As duas passaram a caminhar, sem olhar para trás.
Lily: Só uma dúvida sobre nossa aliança...
Chloe: Diga. – Cruzou os braços, um pouco temerosa com o que a jardineira iria perguntar. – Eu adoro ouvir, você sabe.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Lily: Nós somos duas e eles também. – Ela soltou o pensamento. – É claro, se realmente os dois estiverem em uma aliança.
Chloe: Tá vendo! – Ela aplaudiu. – Era disso que eu estava falando, você é esperta! Não se preocupe, eu mesma falo com o Vince para garantir que nós teremos a maioria dos votos quando for necessário.
Lily: Isso é bom! – Sorriu. – Pensando por outro lado, é bom estar segura no jogo.
Então, alguém cutuca o ombro de Chloe.
Chloe: Pode falar, Lily. Estou bem aqui.
Lily: Mas eu não ia falar nada.
Chloe: Então você me cutucou pra quê? – Ela parou de andar. A jardineira fez o mesmo.
Lily: Eu não cutuquei você, você me cutucou!
Chloe: Eu?! – Apontou para si mesma com o dedo indicador. – Nunquinha, meu bem!
Lily: Então isso foi...
As duas garotas se viram, dando de cara com o urso de jetpack, acenando para elas.
Chloe: CORRE!
E a perseguição começou novamente. Enquanto Lily saiu correndo em zigue-zague, Chloe seguiu uma linha reta em um caminho íngreme.
Lily: Precisamos de um plano!
A jardineira começa a olhar para os lados, em busca de algum lugar seguro, enquanto olha para trás, vendo o urso travar o olhar para ela.
Após um leve momento de distração do urso, Lily consegue se esconder atrás de uma pedra, enquanto Chloe tropeça, caindo. O urso aproveita a distração e avança para um ataque, alcançando facilmente a influencer.
Chloe: Socorro! Alguém me ajuda! – Gritou, desesperada. – Eu quero ter uma morte digna de filme, não de podcast de terror!
Lily, nervosa, examinou os arredores, em busca de algum objeto que pudesse usar para distrair o animal. Quando a jardineira encontrou uma pedrinha e preparou-se para atacar o urso, ela deparou-se com uma cena tão cômica quanto desesperadora: O urso agarrou Chloe pela cintura e voou para o alto, desaparecendo entre as nuvens antes que Lily pudesse fazer alguma coisa.
Lily: Minha nossa! O urso sequestrou a Chloe! – Exclamou, levando as mãos ao rosto. – Preciso encontrar os outros!
Águias Malucas
No topo de uma árvore alta, estava Dylan. O rapaz forçava a vista, procurando por algo ou alguém. O vento balançava alguns galhos, porém, o jogador estava abraçado em um galho mais firme, impedindo que a brisa prejudicasse seu equilíbrio.
Dylan: Certo... Nada de Alfred. Apenas um céu cheio de balões de ar quente e meu secador de cabelo inútil. – Sorriu. – Ou, ao menos é o que eu fiz meu time pensar.
Dylan ligou o secador, aumentando para a velocidade máxima. O jogador de damas mirou o objeto em direção aos balões mais próximos, conseguindo movê-los significativamente e soltando uma risada enquanto observava a ação.
Por fim, apontou o secador para um ninho próximo. O rapaz assistiu um ovo cair direto para o chão, enquanto outro objeto seguiu no ninho. Curioso, ele aproximou-se do galho onde o ninho estava.
Dylan: E olha só... – Colocou as mãos no rosto, formando um binóculo imaginário. – O que temos ali?!
Dentro do ninho, estava uma estátua do veto. O jogador de damas não perdeu tempo, logo esticou seu braço para pegar o objeto, guardando-o em uma mochila.
Dylan: Dia de sorte! – Sorriu. – E parece que temos visitas...
No solo, era possível observar a aproximação de três figuras femininas. Penelope, Kayla e Tiffany debatiam entre si sobre o melhor local para estourar balões, enquanto puxavam o copo gigante. A tarefa parecia estar mais complicada que o normal, afinal, elas também traziam em mãos as lanças improvisadas por Kayla.
Kayla: Ok... – Soltou durante uma respiração ofegante. – Eu estou cansada de carregar esse copo. – A ativista olhou para o céu. – Mas vejam só! Temos muitos balões por aqui!
Tiffany: Então, vamos estourá-los!
Tiffany se prepara para lançar seu galho, mas é interrompida por Kayla.
Kayla: Prestem atenção onde os restos dos balões podem cair!
Tiffany saiu da posição de ataque e colocou a mão na cintura, intrigada com o que Kayla ia falar.
Tiffany: Eu tô tentando, né?!
Kayla: Não esqueçam que o plástico dos balões pode levar até quatro anos para se decompor na natureza. Estamos liberando microplástico nessa ilha, podemos prejudicar animais inocentes.
Tiffany: Já acabou com o momento documentário do greenpeace, fofa?! Estamos precisando vencer um desafio.
Kayla: Os documentários educam as pessoas. – Cruzou os braços. – Você como jornalista deveria saber disso.
Tiffany: É claro que eu sei! – Sorriu de canto. – Você está falando com a pessoa que mais entende de documentar aqui!
Kayla: E eu quero que você entenda sobre meio ambiente também!
Tiffany: Então, o que você quer, Kayla? Que a gente estoure os balões enquanto a Marie vai juntar os restos de bexiga pra colocar em uma lixeira quando o desafio acabar?
Penelope arregalou os olhos.
Kayla: Olha, até que você deu uma boa sugestão!
Confessionário
Kayla: Desde que entramos aqui, nós estamos mudando o ecossistema da ilha. – Encolheu os ombros. – Tiffany pode ser irritante e definitivamente um alvo de voto, mas ela deu uma boa ideia.
Penelope: É tudo parte do propósito. – Respirou fundo. – Mas uma serva fiel não pode ser submetida a certas humilhações. É degradante...
Penelope se levantar para sair do confessionário, contudo, é interrompida por Ricardo, que entrou na cabine imaginando que ela estava vazia.
Ricardo: AAHHHH! A bruxa! – O ator sai correndo.
Gaivotas Trapalhonas
Kayla: Pronto... Agora!
A ativista mirou sua lança improvisada em um balão rosa. Embora tenha lançado o objeto com força, a lança errou o alvo, passando direto pelo balão e descendo em um formato de arco. O galho pontiagudo acerta um galho maior, em uma árvore, que se quebra e quase cai em cima de Tiffany.
Tiffany: Ei! – Exclamou após o susto. – Cuidado aí, mulher-natureza!
Kayla: Foi mal, é que a natureza percebe quem ajuda ela de verdade ou não.
Tiffany encara Kayla com um certo desdém e logo em seguida, volta sua atenção para sua lança. A jornalista lança seu galho concentrada, porém enraivecida. Quando o trio imaginou que o balão amarelo ia ser estourado, uma estranha rajada de vento faz com que a bexiga voe para longe.
Penelope: Esse movimento... Ele não é natural. – Concluiu, intrigada.
Do topo de uma das árvores, Dylan ria baixinho.
Dylan: Se depender de mim, vocês não vão nem encher a metade do copo.
Voltando para o trio feminino das Gaivotas Trapalhonas, Kayla e Tiffany pareciam decepcionadas com a fuga do balão, enquanto Penelope analisava tudo ao seu redor.
Kayla: Que droga! Perdemos mais um! – Cruzou os braços.
Tiffany: Onde o galho foi parar?
Logo após a indagação de Tiffany, ouviu-se um “PLOC”. Era claro que algo caiu no chão, mas definitivamente, não era a lança.
Tiffany: O que foi isso?
Kayla: Eu não sei, é melhor ir ver. Talvez tenha sido o Ricardo.
Tiffany: Acho que ele estaria gritando, se fosse ele.
Kayla: Vai que ele desmaiou. – Supôs. – Eu iria, se fosse você.
Kayla e Tiffany caminharam em direção ao barulho, ouvindo leves zumbidos, que ficavam gradativamente mais nítidos à medida que caminhavam.
Kayla: Você não acha que isso são...
Tiffany: Abelhas? – Ela olhou por cima de um arbusto, observando que sua lança conseguiu derrubar uma colmeia. – Eu não acho, tenho certeza. E se quer saber, elas não parecem muito felizes...
As duas garotas tentam se afastar delicadamente do local, contudo, já era tarde. O enxame percebeu a presença das duas participantes e logo tratou de persegui-las, como se cada abelha soubesse de onde saiu aquela lança que destruiu o lar delas. Kayla e Tiffany iniciaram uma corrida entre as árvores, numa tentativa engraçada e desesperada de voltar para onde o copo de Shake Chris estava.
Tiffany: Kayla! Se essas abelhas não acabarem com a gente, eu acabo com você! – Ela debatia os braços, tentando afastar os insetos que se aproximavam dela.
Kayla: Eu não tenho culpa! Foi você que acabou com o equilíbrio natural! – Kayla tirou um folheto ecológico do bolso e cobriu o rosto. – Elas só estão se defendendo!
As duas começam a correr em zigue-zague, passando direto por onde Penelope estava.
Kayla: Fuja enquanto há tempoooo! – Gritou durante a corrida.
Penelope apenas encarou o movimento das abelhas, que, por algum motivo, ignoraram a garota e continuaram a perseguir Kayla e Tiffany. A garota misteriosa apenas respirou tranquilamente e olhou para sua varinha, que ainda soltava pequenas partículas de glitter.
Enquanto isso, Dylan continuava assistindo o movimento no galho da árvore.
Dylan: Foi mais fácil do que eu pensei.
Confessionário
Dylan: Eu fiquei um pouco preocupado com as abelhas. Pobrezinhas. – Soltou um riso abafado. – Mas eu tenho que admitir que foi engraçado ver elas confusas com o que aconteceu, até a hora que elas começaram a gritar. Elas alcançam um agudo que eu nem sei classificar. – Colocou a mão nos ouvidos.
Corujas Tagarelas – Ethan e Tyson
Tyson e Ethan estavam escondidos, ainda apavorados com o urso voador que atacou o time anteriormente. Enquanto Ethan estava escondido atrás de uma pedra, Tyson tentava ficar camuflado atrás de um tronco caído. Obviamente, devido ao seu tamanho, a tarefa não estava sendo bem concluída pelo atleta.
Tyson: E aí, algum sinal do urso malvado?
Ethan: Por enquanto, não. – Fez uma vistoria ao redor, apenas encontrando folhas e pequenos objetos sendo levados pelo vento. – Acho que é seguro voltar.
Tyson: Você acha que o resto do pessoal foi pra muito longe?
Ethan: Vince deve estar no topo de uma árvore. Lily tem energia, mas gosta de ter companhia. – Pensou. – Como ela estava com Chloe, com certeza não deve ter ido muito longe. A Chloe não ia arriscar borrar a maquiagem em uma corrida tão aleatória. – Concluiu, observando que Tyson parou de andar e ficou observando-o.
Tyson: Uau, você conseguiu prestar atenção em tudo isso?! Que irado! – Soltou um sorriso, enquanto Ethan baixou o rosto e encostou a mão direita no seu braço esquerdo, fazendo um movimento nervoso.
Ethan: Eu tô sendo estranho de novo, né?!
Tyson: Sabe o que eu acho estranho? Aquelas comidas que o Chef Hatchet serve no café da manhã. – Ergueu o polegar e apontou para trás, mesmo sem ter certeza de onde estava o refeitório. – Eu acho maneiro você ler as pessoas assim!
Ethan: Não é leitura, é uma análise de comportamento. E mesmo assim, é algo estranho. – Encolheu os ombros, recomeçando a caminhada.
Tyson: É o que você faz de melhor, e isso é legal. Se alguma hora surgir uma prova de conhecimentos sobre os outros participantes, você seria o número um! – Mostrou o polegar, num sinal de positivo. – Aí, o que você analisou em mim?!
Ethan pareceu travar novamente, surpreso com a pergunta feita de modo tão direto.
Ethan: Ah... Você é um cara legal. – Comentou, um pouco sem jeito. – E um ótimo jogador.
Tyson: Aí sim! – Sorriu, satisfeito com a resposta. Ethan suspirou um pouco aliviado.
Confessionário
Ethan: Tyson tem uma necessidade de aprovação constante. Ele precisa ser valorizado de alguma forma para que possa trabalhar de modo eficaz. Só que eu não ia falar isso diretamente pra ele, pode ser ofensivo, né? – Encolheu os ombros. – E eu não quero estragar a coisa mais próxima que eu tenho de uma amizade aqui... E antes que perguntem, eu não menti pra ele. – Cruzou os braços. – Ele é um cara legal. – Lançou um sorriso.
Corujas Tagarelas – Ethan e Tyson
A dupla, agora posicionada próximo ao copo, decidiu observar o céu novamente. Os balões foram levados pela ventania para outro local, entretanto, alguns continuaram por ali. Tyson apontou para três balões que estavam próximos.
Tyson: O que você acha daqueles ali?
Ethan: Perfeitos! – Sorriu. – Pega uma pedrinha e atira no balão verde, eu vou usar a gel blaster pra derrubar o vermelho e o azul.
Tyson: Pode deixar, capitão! – Tyson catou uma pedrinha no chão e mirou com seu estilingue.
Assim como Ethan sugeriu, eles fizeram. O balão azul foi o primeiro a ser estourado, lançando uma quantidade moderada de Shake Chris dentro do copo. O balão verde acabou liberando mais shake Chris, alegrando Tyson.
O problema, porém, veio quando Ethan estourou o balão vermelho. Do balão, caíram não apenas um, mas dois animais. E os bichinhos não pareciam nem um pouco felizes. O primeiro era uma cabra de capacete de ciclismo vermelho e ao seu lado, estava um pavão com um crachá escrito “equipe de segurança McLean”.
Ethan: Eu acho que nós vamos ter problemas...
A cabra foi a primeira a avançar. Ethan conseguiu desviar do ataque, e Tyson por pouco também não foi atingido. Em seguida, o pavão aproximou-se de modo furtivo, surpreendendo o nerd com um chute digno de artes marciais, jogando o participante no chão.
Ethan: Por que um pavão sabe lutar muay thai? – Perguntou, ainda no chão. – POR QUÊ?!
Do outro lado, a cabra decidiu focar em Tyson. O atleta balançou a cabeça para o lado e estalou os dedos da mão. Em resposta, a cabra bufou e raspou o casco no chão.
Tyson: Tá querendo um desafio, não é?! – Riu. – Então cai dentro, eu não fujo do perigo!
A cabra não esperou nem um segundo a mais. O animal soltou um berro agudo e partiu em linha reta, mirando Tyson. O atleta tentou desviar novamente, mas desta vez, a tentativa falhou. A cabra saltou e atingiu o ombro do rapaz.
Tyson: AU! – Gritou. – Eu vou precisar de um saco de gelo depois dessa! Ethan, você viu como essa cabra é perigosa?! – Tyson olhou para os lados, procurando o amigo. – Ethan?!
Tyson procura novamente pelo gramado alto e localiza o nerd. Agora, Ethan estava em uma situação mais perigosa ainda, pois o pavão decidiu que seria uma boa ideia segurar o garoto pelas pernas e girá-lo.
Ethan: Socorro!
Tyson: Eu vou te salvar, cara! Espera aí!
Tyson tenta se aproximar do pavão, que seguia rodopiando Ethan. Porém, o animal notou a presença do atleta e resolveu atacá-lo usando Ethan como arma. Ainda girando como um pião, o pavão jogou Ethan contra Tyson, que foi atingido de surpresa. Os dois rapazes caíram no chão.
Tyson: Caramba, essa doeu... – Ele levantou-se e ajudou o amigo. – Você está bem?
Ethan: A chance de... – Ele soltou, completamente zonzo e confuso. – Um rato ser sequestrado por uma princesa é de... – O nerd rodopiou mais uma vez e caiu no chão. – Eu não sei, eu faltei nessa aula... – Concluiu, ainda atordoado.
Tyson: Eita... Perdemos o cérebro do time. – Brincou, mas ainda transparecendo preocupação.
Contudo, o golpe final não foi o do pavão. A cabra voltou para uma revanche, e dessa vez, parecia disposta a tirar Tyson do campo.
Tyson: Calminha aí... Eu não tenho todos os equipamentos para jogar contra você! – Apontou para a própria cabeça, indicando que a cabra ter um capacete era injusto.
A cabra não quis ouvir nenhuma justificativa, ou talvez nem entendesse o que o atleta queria dizer. Ela apenas avançou e atingiu Tyson nos países baixos. O pavão, logo após, aproveitou o momento de fragilidade e usou uma das pernas para chutar o rapaz, lançando-o em direção ao sol.
Tyson: Tornado Tyson está decolandooooo...
A voz do atleta foi ficando mais distante à medida que sua silhueta também desaparecia entre as nuvens. Ethan, assistia tudo acontecer, ainda jogado no chão, completamente incrédulo com tudo que viu.
Ethan: Eu vou te encontrar, amigo... – Olhou em volta, tentando se situar no tempo e espaço novamente. – Assim que eu recuperar minha coordenação motora... E minha dignidade!
Águias Malucas – Sophia e Margaret
Sophia e Margaret entraram noutra área da floresta. Agora, diversos cipós cobriam as árvores e algumas trepadeiras se estendiam do chão até a copa das árvores. Sophia estava carregando o copo, que já estava com uma quantidade chamativa de shake Chris, enquanto Margaret segurava e lançava seu bumerangue frequentemente, na tentativa de estourar algum balão.
Sophia: Tá vendo isso?! – Ela deu um salto e agarrou-se na borda do copo, para averiguar o quanto de shake já tinham coletado. – Conseguimos encher a metade do copo. E sozinhas! Quando eu encontrar o Alfred e o Dylan, eles vão aprender de verdade o que significa trabalho em equipe! – Cerrou os punhos.
Margaret: A floresta é imensa, Soph. – Comentou enquanto tirava um nécessaire de um dos bolsos da saia que usava. – Dá mais um tempo pra eles.
Sophia: E você vai se maquiar no meio do desafio? – Indagou ao ver a colega de equipe aplicando blush no rosto.
Margaret: É só uma retocada. Minha pele tá enfrentando mosquitos, suor e muita poeira. Ela merece ser mimada um pouco. – Sorriu e ofereceu um mini estojo de maquiagem. – Quer?
Sophia: Não, obrigada, eu estou bem!
Margaret: Está mesmo, plena como sempre. Mas eu te recomendo uma esfoliação depois, estresse faz mal pra pele.
Sophia: Mas eu não tô estressada!
Margaret: Você chutou três pedras nos últimos cinco minutos. – Constou. – Propositalmente.
Sophia: Tudo bem, hoje eu estou um pouquinho irritada com os meninos. – Fez um sinal de pequeno, usando o polegar e o indicador da mão esquerda.
Margaret: Então vamos usar esse sentimento ao nosso favor! – A garota deixou o nécessaire em cima de uma pedra, pegou seu bumerangue e o entregou a Sophia. – Estoura um balão pra gente!
Sophia: Certo, Sophia... – Falou consigo, tentando se concentrar. – Você consegue, o time precisa de você!
Sophia lança o bumerangue de Margaret, atingindo um balão. Entretanto, nenhum líquido caiu de lá, mas sim, um vulto escuro, que caiu direto para o chão.
Margaret: Foi um belo arremesso! – Elogiou, enquanto agarrou o bumerangue, que voltava em direção a elas. – Pena que não era Shake Chris.
A conversa foi interrompida por um barulho estranho, como se alguém estivesse batendo nos troncos de madeira secos que estavam próximos a ela.
Sophia: O que foi isso?
Margaret: Com certeza uma das surpresinhas do Chris.
De repente, um pica-pau aparece, sobrevoando a região em uma velocidade anormal. O animal pousa em uma pedra, pegando um espelho do nécessaire de Margaret com o bico.
Margaret: Meu espelho!
Pica-pau: He-he-he-he!
O animal soltou um som semelhante a uma risada e saiu voando para o topo de uma árvore, segurando o espelho de Margaret.
Margaret: Ele tá rindo da minha cara?! – Questionou, indignada.
Sophia: Er... Maggie, acho que não tem problema. É só um espelho. E nós temos um copo para encher!
Margaret: Não é só um espelho, amiga. É uma forma de encontrar dignidade.
O pica-pau soltou uma risada novamente, do topo da árvore, e começou a bicar o espelho, arranhando o objeto.
Margaret: Ah, mas não vai ficar assim! Amiga, segura minha jaqueta! – Ela entregou sua jaqueta verde para Sophia. – E se prepara, a gente vai resgatar um espelho e estourar alguns balões!
Confessionário
Sophia: Eu nunca tinha visto a Margaret tão determinada! Por um momento agradeci que ela é da minha equipe, imagina enfrentar uma pessoa assim, com sangue nos olhos?!
Águias Malucas – Sophia e Margaret
Margaret fez um alongamento e começou a escalar as árvores, subindo numa precisão e velocidade que deixou até mesmo Sophia impressionada.
Margaret: Me devolve esse espelho agora! Ele é de edição limitada! – A garota saltou de um dos galhos, logo alcançando o local onde o pássaro repousava.
O pássaro tentou atacar Margaret, mas ela desviou e protegeu-se com um ramo de folhas. O passarinho ameaçou voar e fugir com o espelho, mas antes que pudesse agir, Margaret o capturou o pica-pau com suas mãos, recuperando também seu espelho.
Sophia: Tá tudo bem aí em cima?
Margaret: Agora está! – Sorriu, ainda com o pássaro em mãos. – Tá a fim de ganhar esse desafio, amiga?!
Sophia: Pode crer!
Margaret: Então arrasta esse copo! – Ela voltou sua atenção para o pica-pau, que olhava para ela aterrorizado. – E você, é melhor começar a bicar onde eu mandar!
Sophia obedeceu a garota, e começou a puxar o copo para as árvores próximas de onde Margaret estava. A jogadora de basquete ficou impressionada quando Margaret saltou do galho, dando um impulso para alcançar um balão, que foi estourado com o bico do pica-pau.
Sophia: Isso aí, amiga! – Ela comemorou ao ver que o balão continha uma quantidade de Shake Chris.
Confessionário
Margaret: Kayla, quando você estiver vendo esse episódio, eu quero que fique claro que eu estou com você na luta para salvar o planeta. – Ela soltou um sorriso sem jeito. – Eu correria uma maratona para arrecadar fundos e salvar os bebês focas que você tanto fala. Mas ninguém mexe no meu nécessaire sem autorização. – A garota fica de pé e aponta para a câmera. – Ninguém!
Corujas Tagarelas — Vince
Vince andava entristecido pela floresta. O rapaz via alguns balões passando no céu, sendo levados por uma rajada de vento que vez ou outra ameaçava tirar o capuz da sua cabeça.
Vince: Será que vai demorar muito pro jantar? – Se perguntou, ouvindo sua barriga roncar. – Que saudades das minhas garrafas de leite matinais...
O menino-gato sentou-se em uma pedra acinzentada, respirando fundo. Ele viu um graveto próximo e pegou o objeto, usando-o para desenhar algumas patinhas de gato no chão úmido.
Vince: Como pode haver tanta injustiça nesse mundo?!
Subitamente, uma figura humana surge por entre os arbustos, assustando Vince. Num primeiro momento, o rapaz ficou esperançoso de ser algum conhecido, todavia, assumiu uma posição defensiva quando percebeu de quem se tratava.
Dylan: Ora, ora! Se não é meu grande colega de um time adversário! – Soltou um sorriso irônico. – Como vai, Vince? Eu soube que seu café da manhã foi muito... Diet!
Vince: Não é hora pra fazer piada. – Repreendeu, com cara de poucos amigos.
Dylan: Ah... Assim você me ofende! Eu vim em missão de paz!
Vince: Não quero saber de ser pacífico com você. – Vince deu as costas para o jogador de damas.
Dylan: Nossa! – Exclamou em um tom de voz teatral. – Você parece faminto. Eu tenho certeza de que seu humor melhoraria com um pouco disso!
Vince se vira lentamente para encarar o adversário. Dylan se aproxima aos poucos, segurando uma garrafa de leite como se fosse um troféu. Os olhos de Vince se estreitam e o menino de pijama passa a encarar o jogador de damas como um gato, prestes a atacar.
Vince: Você pegou todo o leite...?!
Dylan: Aposto que você faria qualquer coisa por um golinho, né?
Vince não respondeu nada, apenas cruzou os braços, incrédulo.
Dylan: Vamos entrar em um acordo. – Abriu a garrafa de leite e estendeu o braço na direção de Vince. – Você poderia apenas... Esquecer qualquer coisa que tenha visto. É só fingir que eu nunca invadi o quarto de vocês e eu te deixo tomar um golinho. Que tal?
Vince lambe os lábios, parecendo considerar a proposta. Porém, em um movimento rápido, ele arranha o braço de Dylan.
Dylan: Ei! – Gritou, pulando pra trás.
Vince: Eu não negocio com ratos! – Rosnou.
Dylan olha para a marca do arranhão, irritado. Vince, ainda escarando o jogador de damas, começa a recuar apara a floresta.
Dylan: Bom... Então eu acho que você vai precisar encontrar outro jeito de matar sua fome. – Falou em um tom sarcástico, enquanto derramava o leite no chão.
Confessionário
Vince: Isso ainda não acabou. – Balançava a cabeça, em sinal de negação.
Gaivotas Trapalhonas – Kayla
Kayla estava andando sem fôlego, feliz por ter fugido das abelhas.
Kayla: Essa foi por pouco. – Riu. – Eu não quero fazer parte do processo de produção de mel das abelhas. E parece que eu me perdi também. Ao menos eu posso me sentir em casa com a natureza!
A garota abraçou uma árvore próxima, percebendo o barulho de um pequeno animal.
Kayla: O que é isso? – Ela olhou para cima da árvore, vendo que o esquilo colorido estava preso em um galho. A garota demonstrou uma feição preocupada. – Tadinho! Deve ter ficado preso depois de ter sido levado pela ventania! Eu vou ajudar você, fique paradinho aí!
Confessionário
Kayla: Eu poderia apenas deixar a produção cuidar disso e voltar para ajudar minha equipe a vencer o desafio, já que com certeza eu serei um alvo na próxima votação? Sim! Só que uma ativista de verdade não pode deixar um animal em apuros! – Ela olha na direção da câmera. – Será que eu consigo fazer um cipó de resgate com o fio do microfone? Seria uma ótima reciclagem!
Floresta
O esquilo observou Kayla se afastar, enquanto procurava algum objeto pelo chão. Logo em seguida, o animal foi surpreendido pela chegada de uma figura voando em sua direção, assustando-se.
Tyson: AAAAAAHHHHH! – Tyson caiu do céu, tombando entre as árvores, até parar em um galho próximo ao esquilo.
O atleta e o esquilo trocaram olhares.
Tyson: Dia puxado, né? – Comentou para o animal, tentando se desvencilhar dos ramos da árvore. – Aqui, deixa eu te ajudar! – Ele esticou a mão e soltou o esquilo, que subiu no braço do garoto.
Após ver que o esquilo estava seguro em seu ombro, o rapaz desceu da árvore, dando de cara com uma Kayla completamente encantada pela cena.
Kayla: Tyson! – Exclamou com uma alegria exagerada. – Você salvou o pobre esquilo!
Tyson sorriu em resposta, ainda tirando algumas folhas e pequenos galhos do cabelo.
Tyson: Hã... Obrigado? – Coçou a nuca.
Kayla: Você é tipo um herói ecológico! – Ela pensou por um momento. – Ou um anjo da fauna!
Tyson: Mas eu só caí da árvore! – Sorri, sem jeito.
Kayla: E caiu com um propósito!
Tyson: Eu só queria fugir de um assassino de crachá que luta muay thai. – Piscou algumas vezes. – Mas se você prefere contar uma versão que eu pareço mais heroico, tudo bem!
Kayla: É esse o tipo de coisa que os documentários não mostram! A alma humana e a animal juntas, em harmonia!
O esquilo dá um tapinha no ombro de Tyson e segue seu rumo pela floresta, deixando os dois competidores sozinhos.
Kayla: Eu preciso encontrar minha equipe agora. Eles devem estar em algum lugar... Eu vejo você por aí, salvador da natureza! – Ela abraçou o rapaz. – Obrigada pela ajuda, a mãe natureza agradece muito!
Kayla seguiu por uma entrada na floresta, deixando Tyson sozinho. O atleta tossiu duas vezes, cuspindo algumas folhas que engoliu durante a queda.
Tyson: Credo... – Outro barulho chama sua atenção. – Quem tá aí?!
Lily: Tyson! Finalmente eu te encontrei! – A jardineira tirou alguns segundos para recuperar o fôlego. – Você não vai acreditar no que aconteceu!
Tyson: Você não vai acreditar no que aconteceu comigo! Eu tava com o Ethan e uma cabra bateu na gente! E tinha um pavão faixa preta!
Lily: Que horror! – Exclamou, levando as mãos à boca. – E onde está o Ethan?
Tyson: Eu não faço ideia, eu fui lançado nos ares depois de levar um chute do pavão. – Piscou algumas vezes, refletindo. – E agora eu tô preocupado com ele, o Ethan é meio baixinho, sabe? Não sei se aguenta tantos chutes e socos.
Lily: Eu tenho certeza de que ele vai ficar bem. – Colocou a mão no ombro do atleta, tentando confortá-lo. – Ele é esperto, vai saber fugir e vai voltar inteiro pra nossa equipe.
Tyson: Assim espero... E o que você queria me contar?
Lily: Nossa, eu quase esqueci! – Riu, mas logo voltou ao semblante sério. – O urso raptou a Chloe.
Tyson: Precisamos encontrar eles, agora! – Lily concorda com a cabeça.
Lily: Eu lembro do caminho que o urso seguiu, vem comigo! – Lily entrou em uma passagem dos arbustos, guiando Tyson.
Corujas Tagarelas – Chloe
O urso jogou Chloe no topo de uma árvore, onde estava construída uma espécie de casa improvisada, feita de madeira e coberta por folhas e musgo. Algumas pedras eram usadas como decoração.
Chloe: Credo! – Ela olhou a casa na árvore. – Desde que os estilistas de Paris decidiram que o rústico estava na moda, o mundo não foi mais o mesmo.
O urso rugiu ao ouvir o comentário, fazendo a influencer cobrir o rosto, amedrontada.
Chloe: Tá bom! Tá bom! É uma casa linda, eu super moraria aqui! – Lançou um sorriso forçado. – É ótimo conhecer esses lugares mais apáticos e coloridos com tons pastéis, mas agora eu preciso ir embora, sabe? Eu tô no meio de um desafio e...
O urso rosna para Chloe, fazendo a garota recuar para longe da saída.
Chloe: Tá bem... – Parou para pensar um pouco. – Que tal se eu te deixar um mimo? Eu estou usando essa super cotoveleira que solta glitter!
Ela entregou uma cotoveleira para o urso, que pareceu se distrair um pouco, mas logo jogou o objeto em direção a ela.
Chloe: AI! – Gritou, ao desviar por pouco. – Droga... Negociar com o Vince é mais fácil. – Soltou, emburrada.
Alfred: Chloe?! – A voz do participante chamou a atenção da influencer. – É você?
Chloe correu para a janela da casa, procurando por Alfred. O urso observou o movimento, claramente descontente. A influencer olhou para baixo, notando a presença do rapaz.
Alfred: O que você tá fazendo aí em cima? Tá tudo bem? Era você que tava rugindo?
Chloe: Eu?! – A garota quase bateu a cabeça no canto da janela, indignada. – É claro que não! Eu tô presa aqui com um urso!
Alfred: Eita!
Chloe: Exatamente! Eita! – Cruzou os braços. – Consegue me tirar dessa? Eu te dou um desconto no meu site!
Alfred: Hã... Escuta, eu conheço alguém que pode te ajudar, vou chamar ele! – Deu um sorriso motivador. – E um conselho, não faça movimentos muito bruscos, o urso pode querer te atacar!
Chloe: Ah, obrigada Alfred, a coisa que eu mais valorizo é conselho útil de microempreendedor de esquina! – Ironizou.
Chloe assistiu Alfred sumir entre os arbustos. Quando perdeu o rapaz de vista, ela voltou sua atenção para o urso, que agora estava com um pote de mel nas mãos.
Chloe: E pensar que meu pai ia me enviar um repelente de urso com aroma artificial de sucesso, mas eu pedi um presente pra Sophia no lugar. – O urso a encarou, confuso. – Olha o que a gente ganha por ser uma boa pessoa, né?
Alguns segundos depois, Alfred retorna, agora vestido como Ricardo. O rapaz traz em mãos o martelo de brinquedo que ganhou para o desafio e uma caixinha de som.
Chloe: Ótimo... Agora o outro chegou com trilha sonora! – Comentou para o urso, ao ver Ricardo colocar uma música instrumental medieval para tocar.
Ricardo: Señorita Chloe! Não tema! – Ele abre os braços dramaticamente, mas também os flexionando. – Pule em meus fortes braços e eu lhe segurarei!
Ao fundo, outro competidor se aproximava. Era Ethan, que estava forçando a vista para conseguir enxergar o caminho, pois estava sem óculos.
Ethan: O que tá acontecendo? – Perguntou, entretanto, ninguém pareceu ouvir sua voz, já que a música instrumental de Ricardo abafava os outros sons. – E por qual motivo o... – Forçou a visão. – Alfred, eu acho, tá fazendo flexões?
Antes que pudesse se aproximar para observar a cena de perto e de forma minimamente nítida, ele foi puxado por um braço para dentro de um arbusto.
Ethan: Quê? – Encarou a garota de óculos escuros que lhe puxou. – Tiffany?! O que tá pegando aqui?
Tiffany: Shh! – Colocou o indicador na própria boca, pedindo silêncio. – O amor que está pegando, amigo!
Ethan: Amor?! Certo, vamos por partes. – Respirou. – Tudo tem uma explicação lógica, eu acho. Primeiro, me diz o que você tá fazendo em um arbusto.
Tiffany: Então, eu estava fugindo de algumas abelhas quando vi a Chloe sendo raptada por um urso.
Ethan: Bom, eu vi o urso a seguindo mais cedo, faz sentido.
Tiffany: Então eu decidi seguir os dois né, vai que rolava algum furo inédito? Eu não podia perder! – Sorriu. – E como toda boa repórter investigativa, eu me escondi aqui nesse arbusto pra ninguém me ver, enquanto eu cobria essa notícia bombástica! Chloe De LaBelle estava sendo mantida em cativeiro por um urso de jetpack!
Ethan: Isso é bizarro em diversos âmbitos. – Jogou os olhos de um lado para o outro, enquanto processava as informações. – E por que você não foi ajudar ela?
Tiffany: E correr o risco de ser sequestrada e morta também? Hoje não, fofo! Meus planos eram fotografar e depois buscar por ajuda. Mas a ajuda chegou antes do que eu pensei. – Apontou para Ricardo.
Ethan: O Alfred?!
Tiffany estreitou os olhos, confusa. A jornalista até colocou a cabeça para fora do arbusto para conferir quem realmente estava lá fora.
Tiffany: Não, aquele é o Ricardo, fofo!
Ethan: Ah... Eu tô sem meus óculos, perdi eles em algum lugar.
Tiffany: Eu sei que é horrível, antigamente eu vivia perdendo minha câmera pelos lugares. É por isso que hoje eu sempre uso uma alcinha! – Ela mostrou o cordão que envolvia a câmera. – Meu chefe disse que é fashion!
Chloe: Eu não vou! – O grito da influencer chamou a atenção da dupla escondida.
Ricardo: Você não precisa ter medo, eu estarei aqui para garantir que você chegue ao chão em segurança!
Chloe: Quer saber, pode ficar com ele! – A garota falou para o urso, apontando para Ricardo. – Pode me trocar por ele, te dou até um acesso grátis para um cursinho meu!
O urso olhou para Ricardo, analisando o rapaz. Depois, o animal mostrou a língua para a influencer e fez um sinal de negativo.
Chloe: É... – Colocou uma mão na cintura, decepcionada. – Pelo ao menos tem bom senso.
Ricardo: Não espere mais, musa digital!
Chloe: Quer saber? – Ela aproximou-se da entrada da casa na árvore e gritou para o ator. – Eu passo. Prefiro negociar com um urso!
A garota vira de costas, mas acaba escorregando sem querer em uma parte do chão que tinha musgo. A influencer solta um grito alto, caindo para fora da cabana. Ethan e Tiffany assistem a garota girar no ar, como se estivesse fazendo uma performance de olimpíadas. Por fim, Chloe ainda cai nos braços de Ricardo.
Ricardo: Viu, só? Eu disse que lhe manteria segura! – Sorriu.
Chloe: É, ao menos você tem palavra. Obrigada! – Ela encarou o ator. – Dá pra me colocar no chão agora?!
Ricardo: Com certeza! – Ele liberou a garota, colocando-a delicadamente no chão. – Então, que tal darmos uma volta depois do desafio? Eu poderia lhe dar dicas de saltos! Eu sou especialista nisso. Eu sempre gravei saltos nos meus filmes.
Chloe: Ai Ricardo, me poupa, vai! – Chloe sai caminhando, enquanto Ricardo a observa.
Ao fundo, Ethan e Tiffany assistiam a cena, ainda sem ouvir claramente o que os outros dois conversavam.
Tiffany: Você viu que romântico? O Ricardo tá caidinho pela Chloe!
Ethan: Eu acho que não é recíproco. Ainda mais vindo da Chloe.
Tiffany: É claro que é! Ela confiou no Ricardo e pulou nos braços dele! – Juntou as mãos esperançosa. – Eu acho que estamos diante do primeiro futuro casal do jogo! E eu vou documentar tudo! – Começou a fotografar.
Ethan: Ainda acho que ele só tava ajudando a Chloe a fugir do urso.
Tiffany: Qual é, Ethan, é óbvio que tem um climinha ali. Você não reconhece? Por acaso nunca se apaixonou?!
Ethan: É claro que sim! – Ethan quase pulou, fazendo Tiffany arquear a sobrancelha. – Mas sentimentos podem atrapalhar e te dar cefaleia, às vezes.
Tiffany: Awn... Quer desabafar? – Ela aproximou-se do rapaz, curiosa. – Conta tudo! Eu tô aqui atentíssima!
Ethan: Eu tô bem, obrigado! – Ele levantou-se, saindo do arbusto. – Agora eu vou procurar meus óculos, até mais!
Tiffany não perdeu tempo e levantou-se, seguindo o garoto.
Tiffany: Pera aí, fofo! Eu vou ajudar você com essa fofoc... Quer dizer, com esse problema dos óculos!
Águias Malucas – Sophia e Margaret
A dupla estava visivelmente cansada, embora continuassem apresentando um bom desempenho. Enquanto caminhavam entre árvores floridas, elas cruzaram com uma figura curiosa. Penelope estava parada em frente a uma árvore alta, observando algo fora de vista.
Margaret: Sophia, olha!
Margaret apontou discretamente para Penelope, que ainda não tinha notado a presença das outras duas garotas. Ou talvez, apenas as ignorasse.
Sophia: Ela também está sozinha?! – Comentou em tom de indignação. – Como as pessoas da equipe dela deixam ela fazer o desafio assim, sem ninguém por perto? Ela ainda deve estar se recuperando da pancada na cabeça.
Margaret: Quer ir falar com ela? – Questionou, um pouco temerosa. – Já tem um bom tempo que ela está encarando aquela árvore.
Sophia: Com certeza, vamos lá.
As duas se aproximaram de Penelope, que levou o olhar para a dupla por um curto período.
Margaret: Oi Penelope, como vai o desafio? Se divertindo? – A garota soltou no tom mais simpático possível.
Sophia: Vimos que você está sozinha, cadê o resto do seu time?
Penelope: Eles estão no exato lugar que o vento premeditou que eles estivessem.
Sophia e Margaret cruzaram olhares.
Penelope: Vocês também estão cumprindo com a função. Parabéns.
Sophia: Ah, sim! Alfred e Dylan nos abandonaram, mas isso não dá desculpa para a gente para de coletar o Shake, não é? – Sorriu, mesmo que não tenha compreendido totalmente o que a garota quis dizer.
Penelope: Os ventos te chamam, eles vão te levar longe.
Penelope apontou para Sophia e depois começou a caminhar, empurrando seu copo.
Margaret: O que será que ela quis dizer?
Sophia: Acho que ela quis dizer que eu vou longe no jogo. É um apoio, mesmo que esquisito.
Margaret: Não sei, me pareceu um enigma. – Colocou a mão no queixo, pensando.
Sophia: O meu time de líderes de torcida também tem um grito de guerra que parece uma ameaça. Eu já tô acostumada com esse tipo de coisa. – Ela observou um balão voando rapidamente no céu. – Aí, consegue pegar aquele? É dos grandes!
Margaret: Hm... – Ela mirou o bumerangue, mas o balão já tinha mudado de direção. – Tá se movendo muito rápido!
Sophia: Acho que se eu subir na árvore consigo segurar ele. – Concluiu, subindo na mesma árvore que Penelope estava encarando anteriormente. – Só não joga o bumerangue na minha cara! – Brincou.
Margaret: Vou dar o meu melhor!
Sophia subiu na árvore com pouco esforço, logo alcançando um galho alto. Quando se equilibrou, fez um sinal de positivo para Margaret.
Sophia: Se prepara, quando o assunto é manter uma bola na mão, é comigo mesmo!
O plano de Sophia parecia bom. Mas na prática, foi um caos. Quando o balão se aproximou da jogadora de basquete, ela tentou agarrá-lo, sem sucesso. O vento mudou de direção e Sophia preparou-se para a ação, desta vez, com o desentupidor em mãos.
O balão passou voando e Sophia conseguiu segurá-lo com o auxílio do seu item, porém, uma forte ventania fez o balão mover-se mais uma vez, levando a garota junto, que não se soltou do desentupidor a tempo.
Sophia: SOCORRO! – Gritou. – Ah! Eu sabia que esse desentupidor não ia servir de muita coisa!
Margaret: SOPHIA! Volta aqui! – A garota começou a empurrar o copo e seguir Sophia, que saiu voando para longe.
Gaivotas Trapalhonas – Kayla
A ativista seguia seu trajeto abraçando árvores, completamente despreocupada, mesmo ouvindo um rugido de urso ao fundo.
Kayla: Ah... A natureza em sua forma mais pura e singela. Eu também estaria feliz sabendo que tem tantas pessoas que cuidam de algo tão importante. Eu, a Lily e agora o Tyson! – Ela sorriu encantada, abraçando um caule com musgo.
A garota apenas saiu de seu mundo quando sua atenção se voltou para a outra pessoa que surgia entre as árvores. Chloe estava com uma feição emburrada, enquanto tirava folhas do cabelo. A influencer percebeu a presença de Kayla e logo abriu um sorriso.
Chloe: Kayla! Querida! Quanto tempo, não é? – Acenou para a garota.
Kayla: Ah, olá Chloe! Tudo bem?
Chloe: Tudo ótimo! Que bom que te encontrei a sós aqui, porque eu estava mesmo querendo conversar em particular com você!
Kayla assumiu um semblante confuso e logo colocou-se na defensiva.
Kayla: Você também vai falar sobre o Arturo? As tintas...
Chloe: Sim, eu vou falar sobre o Arturo! – Fez questão de interromper Kayla, indo direto ao assunto. – E eu estou do seu lado nessa história toda. Inclusive, eu que salvei você da eliminação!
Kayla: Me salvou? – Arqueou a sobrancelha.
Chloe: É claro! Olha, depois de tudo o que aconteceu, quando chamaram a minha equipe para decidir entre você e o Arturo, a maioria ia votar para te eliminar. – Aproximou-se de Kayla. – Mas acontece que eu convenci algumas pessoas a mudarem de opinião.
Kayla: E como você fez isso?
Chloe: Simples. Acontece que fora daqui o nosso Arturo é um pintor bem requisitado. – Cruzou os braços. – Ele passou por mim correndo e deixou cair alguns papéis. Eu acabei vendo o conteúdo de um deles, era um contrato milionário de uma das obras dele.
Kayla: Sério?! – Ela não conseguiu esconder sua surpresa. – Quer dizer, o que ele pintava realmente era bonito.
Chloe: Então, quando o Chris pediu pra gente decidir entre vocês dois, eu pessoalmente contei tudo o que eu sabia para as corujas, disse que o Arturo estava ganhando mais vendendo quadros do que participando do programa. E pronto, você continuou no jogo!
Kayla: Poxa, sério?! Obrigada, Chloe! Isso foi muito legal da sua parte!
Kayla deu meia-volta, preparando-se para seguir seu caminho, contudo, Chloe continuou o discurso.
Chloe: Sabe, eu não estou aqui para cobrar nada, é claro! – Iniciou, com um tom mais teatral. – Só acho que, numa situação como essa, é bom a gente pensar que talvez seja útil nos ajudarmos mutuamente. Só no caso de algo parecido acontecer no futuro, sabe? Posso contar com você?
Chloe estendeu a mão, enquanto Kayla lhe encarou receosa.
Kayla: Tudo bem, eu acho... – A garota apertou a mão de Chloe.
Chloe: Sabia que eu tomei a decisão certa em convencer eles a te manterem no jogo.
Confessionário
Chloe: E é assim que o mundo das collabs funciona, amores. – Lançou um beijo para a tela.
Kayla: Mais um problema para mim... – Kayla começou a movimentar alguns dedos das mãos freneticamente. – É como se eu fosse uma pobre tartaruga rodeada por diversos sacos de lixo no oceano!
Águias Malucas – Dylan
Dylan estava caminhando tranquilamente numa trilha que encontrou. O jogador de damas intercalava olhares para o céu e para o chão, evitando tropeçar. Ele notou alguns pedaços de balão estourado e um líquido roxo gosmento entre as plantas mais baixas.
Dylan: Parece que alguém passou por aqui tem pouco tempo. – Coçou o queixo, analisando o local. – Mas nenhum sinal do Alfred ainda. Onde esse cara foi parar?
De repente, ouve-se um estalo vindo de um dos arbustos. Dylan se vira, tira uma garrafa de leite da mochila e a usa como arma. Do mato, sai Alfred, completamente suado, com a roupa amarrotada e uma peruca em mãos. Além disso, há um cacho de cipós pendurado em seu ombro.
Dylan: Alfred?! – O cumprimento quase soou como um grito. – Onde você estava?
Alfred: Ah! Oi, nossa! Eu me distraí vendo um pássaro e me perdi de vocês! – Improvisou uma justificativa. – Onde está o resto da equipe?
Dylan: Sophia e Margaret ficaram enchendo o copo, e eu me ofereci para te procurar. – Cruzou os braços. – E ainda bem que você apareceu. As garotas já estavam começando a cogitar uma aliança para te eliminar.
Alfred: Não! – Desesperou-se. – Elas não podem fazer isso, eu vou ajudar o time!
Dylan: Então é melhor se apressar. Se você não estourar ao menos um balão perto delas... – Ele faz um gesto de corte com a mão direita, fazendo Alfred engolir a seco. – Aí, e essa peruca?
Alfred: Que peruca?! – Ele jogou o objeto atrás de um arbusto.
Dylan: A que você acabou de jogar no mato.
Alfred: E essa garrafa de leite aí? – Apontou para uma garrafa que Dylan estava segurando. – O leite da ilha não tinha acabado?!
Dylan: Eu tinha guardado uma pra mim.
Os dois estreitam os olhos e um silêncio constrangedor invade o local.
Alfred: Eu não pergunto nada sobre esse leite, se você não perguntar nada sobre o que viu.
Dylan: Trato feito. – Concordou, com os dedos cruzados nas costas. – Agora, vamos procurar as meninas, aposto que a Sophia vai dar uma palestra sobre união e trabalho em grupo mais tarde.
Dylan começa a caminhar, confiando que Alfred iria segui-lo, mas o último acaba interrompendo a ação.
Alfred: Só um minuto! – Dylan dá meia volta, observando Alfred desenrolar os cipós. – Não vamos chegar de mãos vazias lá, né?
Alfred começa a dar nós em cada um dos cipós, se certificando que estão firmes o suficiente. Quando termina, ele olha para o céu e localiza um balão laranja. Como se estivesse em um rodeio, ele começa a girar os cipós e consegue laçar o balão. Dylan assistia a tudo, impressionado.
Dylan: Caramba! Como você fez isso?
Alfred: Instinto de empreendedor. Você vende melhor quando sabe usar o seu produto.
Dylan arqueou a sobrancelha.
Alfred: Cipós vão ser tendência de mercado na próxima década, vai por mim!
Dylan: Cara... Ninguém vai comprar cipós.
Alfred: Foi o que disseram quando sobre as criptomoedas em 2009. – Encolheu os ombros. – Agora vamos, preciso encontrar mais balões.
Dylan: Espera aí... Acho que eu posso te ajudar com isso! – Dylan tira o secador de cabelos da mochila e Alfred responde com um sorriso.
Corujas Tagarelas – Tyson e Lily
A câmera corta para Tyson e Lily voltando por uma trilha lamacenta. Lily tentava encontrar pegadas no chão, enquanto Tyson mirava seu estilingue de um lado para o outro. A dupla finalmente alcançou um local conhecido.
Tyson: Tá vendo? – Apontou para onde o copo estava e anteriormente, ele e Ethan foram atacados por animais ferozes. – Eu te disse que o caminho certo era o que tinha as árvores tortas!
Lily: Tyson... Você disso isso nos últimos três caminhos. – Falou calmamente, arrumando o cabelo. – E em dois deles, a gente quase caiu em um formigueiro.
Tyson: É só uma técnica de reconhecimento de campo. Funciona no futebol. – Olhou em volta. – Ethan! Você tá por aqui? – Gritou.
Lily: Vamos checar o copo de perto. Talvez ele esteja escondido. – Tyson concorda com um aceno na cabeça.
Os dois caminham até o local onde o copo do desafio está. Lily fica surpresa com o estado da grama: coberta por balões estourados, poças de shake Chris e a presença de uma cabra mascando algo no chão.
Tyson: Aquela cabra ali é perigosa, cuidado Lily! – Tyson puxou Lily delicadamente, afastando a garota de perto da cabra.
Então, a cabra levantou a cabeça. Na boca dela, um pedaço de tecido vermelho.
Lily: Ai, minha nossa! – Pôs a mão na boca.
Tyson: Não! A cabra comeu o Ethan! – Entrou em pânico.
Lily: Calma, Tyson! Pode ser só a roupa dele. – Sorriu. – Não precisamos exagerar! Cabras não fazem esse tipo de coisa.
Tyson: Cabras normais podem não fazer isso. Mas essa daí? – Apontou para o animal. – Ela é capaz de tudo! – Concluiu, traumatizado.
Inesperadamente, outro animal reaparece no campo. Ao lado da cabra, o pavão de crachá ressurge, como se fosse o segurança de um artista famoso. Tyson dá um passo para trás.
Tyson: Ah, não! Você de novo não!
Lily: Calminha, Tyson! A gente vai ficar bem, vamos apenas pegar esse copo e sair daqui. – A garota encarou o pavão e virou-se para Tyson. – Por que esse pavão tem um crachá?
Tyson: Porque ele é um lutador de muay thai da produção. Eu juro, ele sabe o que faz!
Antes que a situação piorasse, Chloe surge atrás da dupla, com a maquiagem borrada, folhas e galhos presos no cabelo e uma expressão de poucos amigos.
Chloe: O que vocês estão fazendo? Estão brincando de zoológico agora?
Tyson: Chloe! – Os olhos do rapaz brilharam. – Você tá viva!
Tyson tenta abraçar Chloe, mas a influencer desvia, fazendo uma careta de nojo.
Chloe: É claro que eu tô viva. Lendas nunca morrem. – Encarou a dupla mais uma vez. – O que vocês vieram fazer aqui?
Lily: Encontrei o Tyson por acaso, na floresta. E então viemos procurar os outros membros da equipe. Mas não encontramos ninguém. – Disse com um certo desânimo.
Tyson: Então nós decidimos levar o copo enquanto procuramos o restante da equipe. – Ele se aproxima do copo, preparando-se para empurrá-lo. – Tá pesado... Podem ajudar?
Chloe: Claro... – Rolou os olhos e aproximou-se, ajudando a empurrar usando apenas o dedo indicador.
Lily: Aliás, Chloe, como você conseguiu fugir do urso?
Chloe: Eu... Prefiro não falar sobre isso. – Cortou a conversa com um tom sério, mas ainda assim soltou um meio sorriso.
Cabra: Béeeh. – A cabra começa a levantar poeira do chão, arrastando a pata.
Lily: O que foi isso?
Tyson: Ela tá se preparando para atacar! Empurrem!
O trio começa a empurrar o copo, enquanto a cabra começa a persegui-los.
Corujas Tagarelas – Vince (Tiffany e Ethan)
Tiffany estava caminhando com um graveto e sua lupa em mãos. Ocasionalmente, a garota usava o graveto para investigar e abrir caminho por entre a grama. Ao seu lado, Ethan estava de cócoras, tateando o chão de forma metódica.
Ethan: Obrigado por vir comigo para procurar meus óculos. – Sorriu, mesmo que Tiffany não pudesse ver seu rosto.
Tiffany: De nada, fofo! – Ela passou a procurar entre as pedras. – Tem certeza de que você caiu por aqui?
Ethan: Sim. Eu passei voando e bati naquela rocha. – Indicou o lugar com o dedo. – Daí, dois passarinhos falaram comigo.
Tiffany: Falaram?!
Ethan: Tenho noventa e dois porcento de certeza que foi uma alucinação. – Corrigiu-se. – E depois eu rolei até ali. – Apontou para um lado onde a grama estava amassada.
Tiffany: Adoro como você é específico! – Ela colocou uma das mãos na cintura. – E eu acho que o Ricardo merecia um pouco mais de privacidade.
Ethan: Privacidade aqui, Tiffany? Tem um operador de câmera bem aí, do seu lado! – Tiffany se vira para a esquerda e percebe a presença do rapaz, soltando um aceno para ele.
Tiffany: Você entendeu o que eu quis dizer.
Ethan: Então o seu hobby é ficar escondida em arbustos?
Tiffany: Meu hobby não, minha profissão! E seu hobby por acaso é fugir de perguntas?
Ethan: Eu coleciono pedras.
Tiffany estava pronta para desenvolver o assunto, mas acabou sendo interrompida pela chegada de Vince, que caminhava com seu pijama cheio de polén.
Vince: Como que pode, é um absurdo isso! Absurdo!
Tiffany: O gatinho tá bastante falante hoje, não é? – Sorriu, chamando a atenção do menino-gato.
Vince: Oi pessoal. – Ele apertou o capuz. – Bem?
Ethan: Com certeza melhor que você. O que houve?
Vince: Tentaram me subornar! Com leite!
Tiffany: Babado!
Ethan: Mas não tinha acabado?
Vince: Eu vou falar sobre isso mais tarde. Quero que esse desafio acabe logo. – Ele massageou a barriga. – Estou com fome. E quando eu fico com fome, eu lembro das minhas garrafinhas de leite! E quando eu lembro que estou sem elas...
Vince mostra as garras do seu pijama. A câmera se afasta, mostrando que ele apontou sem querer para o operador de câmera que estava ali. O funcionário sai correndo assustado.
Tiffany: Bem, que tal uma fofoca para distrair a mente?
Vince: Justo. – Cruzou os braços e sentou-se próximo a garota.
Tiffany: Eu descobri que o Chris calça 44!
Ethan: Que informação específica.
Tiffany: Até aí tudo bem! A questão é aqui para a TV, ele usa sapatos número 40. Pra não falarem que ele tem o maior pé de apresentador da emissora, sabe?
Vince: Típico do Chris.
Tiffany: Pois é, mas nessa brincadeirinha de usar um número menor, o pé dele ficou cheio de calos! Agora, ele vai na pedicure duas vezes ao dia para cuidar disso. Tudo porque ele fica com medo de alguém olhar pra ele e pensar algo tipo “nossa, que pezão”!
Vince e Ethan soltam uma risada.
Ethan: Uma informação inútil, mas eu gostei.
Tiffany: Informação inútil constrói confiança social, fofo! – Bateu o dedo indicador na têmpora. No processo, ela jogou fora o graveto, que bateu em algo. – Ah, olha só!
Tiffany investiga o objeto que o graveto atingiu, revelando ser os óculos de Ethan.
Tiffany: Encontrei! – Bateu palmas rapidamente, quase saltitando.
Vince aproximou-se e pegou os óculos, entregando ao dono.
Ethan: Obrigado! Vocês salvaram meu dia! – Agradeceu, colocando os óculos no rosto.
Vince: Você é boa. – Elogiou, agachando-se ao lado da jornalista.
Tiffany: Eu queria ser boa pra achar objetos que me deixem poderosa no jogo, isso sim.
Ethan: Você já tem uma câmera. – Brincou. – O que tem de mais poderoso que isso?
Tiffany: A estátua do veto. – Soltou um sorriso audacioso. – Eu tenho uma teoria, a estátua que a Kayla encontrou já foi usada, certo? – Ela viu os dois garotos concordarem com a cabeça. – E se o Chris colocou uma nova? Eu tenho quase certeza que tem mais uma escondida pela ilha!
Ouvindo isso, Ethan parece congelar por um breve momento.
Ethan: Mais uma?!
Tiffany: Ainda é o terceiro desafio da temporada. Se o Chris for esperto... – Ela ergue o indicador para o ar. – E nós sabemos que ele é, com certeza vai colocar outra por aí.
Ethan: É... – Deu um sorriso nervoso. – É possível, né?
Tiffany: Eu vou investigar isso a fundo, e assim que eu descobrir, eu vou contar tudinho pra vocês! – Ajustou os óculos de sol que sempre usava.
Vince: Atento.
Tiffany: Ai, acho uma injustiça eu não estar na mesma equipe que vocês dois, vocês não tratam as minhas investigações como uma coisa inútil.
Confessionário
Ethan: No desafio anterior, Tyson e eu encontramos uma estátua do veto na praia e a mantivemos enterrada lá. O que foi uma boa decisão, já que a Tiffany está atenta ao jogo. – Ele cruzou os braços. – Não é como se ela fosse uma ameaça, mas se todo mundo souber que eu e o Tyson temos uma estátua do veto, podemos virar um alvo. Então eu decidi ficar calado.
Águias Malucas – Margaret
Margaret estava de pé, em cima de uma pedra, olhando para o céu. A garota tentava encontrar, sem sucesso, sua amiga Sophia. Ao seu lado, o copo das Águias Malucas estava quase cheio. A garota pisca algumas vezes ao ver um conjunto grande de balões se aproximando no céu.
Margaret: Eu tô ficando maluca? – Esfregou os olhos com as mãos, até notar a presença de Dylan e Alfred.
Dylan: Adivinha quem voltou?!
Margaret: Finalmente você apareceu, Dylan! E ainda trouxe o Alfred junto!
Alfred: E trouxemos balões! – Apontou para o cacho de balões, que estavam presos aos cipós.
Dylan: E eu falei que ia trazer ele de volta, né? – Sorriu vitorioso. – Cadê a Sophia, aliás?
Margaret: Ela foi levada por um balão.
Dylan: Ah, olha só! – Ironizou. – Quem diria, a senhorita certinha fugindo do desafio!
Margaret: Foi uma coisa acidental. – Ela justificou, mudando o foco para os balões que Alfred trouxe. – E a gente vai encontrar ela, mas primeiro, vamos estourar esses balões! Eu não sei como vocês conseguiram encontrar tantos assim, estão de parabéns!
Alfred: Nós também temos nossos segredos e astúcias! – Fez um sinal de positivo com o polegar.
Margaret: Tô vendo. – Ela riu da brincadeira, genuinamente orgulhosa dos dois rapazes. – Acho que vai ter Shake Chris o suficiente pra gente ganhar!
Margaret ergue o bumerangue, pronta para lançar seu apetrecho, mas antes que a garota possa estourar o primeiro balão, uma voz autoritária ecoa entre as árvores.
Chloe: Pode parar aí mesmo!
Chloe surge por trás das folhas, com os braços cruzados e uma expressão ameaçadora. Atrás dela, Tyson e Lily aparecem, carregando o copo de shake Chris. O trio parecia uma equipe de espiões pronta para uma missão.
Chloe: Preparem-se para a encrenca!
Tyson: Vocês estão ferrados! – Ele soltou um uivo, usando as mãos como alto-falante.
Lily: Tyson, não foi assim que a gente ensaiou! – Deu um sermão baixinho no rapaz e depois dirigiu-se a Chloe. – E a gente não deveria resolver isso de forma mais civilizada?
Chloe: Lily, querida, ser civilizada não vai nos trazer imunidade!
Alfred: Ah, por favor! Vão caçar os balões de vocês, eles são nossos, até amarramos eles!
Um novo som ecoa: Passos são ouvidos e um som de vuvuzela invade a floresta. Kayla surge, arrastando o copo das Gaivotas Trapalhonas com dificuldade. Penelope caminha atrás dela, com uma feição julgadora e enigmática.
Kayla: Não se a gente os estourar primeiro!
As três equipes se encaram, já sabemos o que viria a seguir. Dylan é o primeiro a tomar uma atitude. Com o secador em mãos, ele sopra no chão, levantando uma nuvem de poeira que faz folhas voarem, cabelos desarrumarem e alguns balões oscilarem no ar.
Chloe: Tá achando que é só você que tem um brinquedinho? – Ela abre o leque com um estalo e, usando o objeto como um escudo, consegue se aproximar de Dylan. – Esse é um jogo de dois!
Dylan: Vai mesmo querer lutar comigo com esse abanador de formigas? – Provocou.
Chloe: Meu leque tem estilo! Coisa que lhe falta!
Margaret: Ela falou uma verdade... – Cochichou para Alfred, que riu baixinho.
Dylan: Aí Margaret, você é da equipe, ajuda!
Margaret: Foi mal! – Sorriu. – Deixa comigo!
Margaret entrou na luta, erguendo seu bumerangue. Percebendo a desvantagem, Chloe decidiu chamar reforços.
Chloe: Atacar! – Tyson e Lily se aproximam.
Alfred se prepara para usar sua zarabatana, contudo, Lily percebe a tempo e usa seu espelho para refletir um raio de sol nos olhos do rapaz, que se desequilibra.
Lily: Desculpa, mas é pelo bem do time!
Logo após, Alfred começa a tossir, batendo no próprio peito com a mão fechada. Dylan olha para o rapaz, incrédulo.
Dylan: Cara... Você engoliu sua própria arma?!
Margaret: Eu ajudo o Alfred, você cuida deles! – Apontou para as outras equipes.
Dylan concordou, assistindo Margaret desengasgar Alfred, que tossia comicamente. Enquanto isso, Kayla aproveitou aa distração e entrou na luta, tocando a sua vuvuzela novamente, fazendo alguns taparem os ouvidos.
Tyson: Eu acho que fiquei surdo depois dessa!
Lily: O QUÊ?!
Penelope, num golpe de sorte, joga a lança improvisada que Kayla fez e estoura um balão. Alguns percebem e correm para tentar pegar um pouco do líquido que estava caindo. Tyson empurra o copo das Corujas Tagarelas, porém, a maior parte do líquido cai no copo das Gaivotas Trapalhonas.
O caos se intensifica, alguns correm, outros caem e os que restaram, se empurravam. Kayla escorrega no glitter da varinha de Penelope, Dylan continua a soprar o vento aleatoriamente, ao passo que Lily tenta pedir calma para todos, sem sucesso.
Margaret, ao fundo, tenta fazer Alfred cuspir o projétil, todavia, a única coisa que o garoto expele é uma bolinha de golfe.
Margaret: Eu não vou nem perguntar...
No meio da confusão, outro balão se solta de um dos cipós. Agora, o objeto é levado por uma rajada de vento, batendo em uma árvore e explodindo ao encostar num galho pontiagudo. A explosão joga Shake Chris para todos os lados, incluindo dentro dos copos e principalmente, nos participantes. Um coro de “ahhh” é ouvido.
Posteriormente, Tiffany, Ethan e Vince chegam no local da guerra, um com a expressão facial mais confusa que o outro.
Ethan: O que tá acontecendo aqui?
Tiffany: Eu não sei, só sei que eu amei! – Ela fotografa o momento. – Tá melhor que o casamento do meu primo com a amante do meu irmão!
E então, todos estavam presentes. Não apenas os participantes, mas também o pavão e a cabra apareceram, fazendo Tyson e Ethan engolirem a seco. Enquanto o pavão abre a cauda e começa a gritar com todos, a cabra corre na direção de Alfred e dá uma cabeçada no rapaz. O impacto do golpe foi o suficiente para fazê-lo cuspir o projétil da zarabatana.
Tiffany, determinada a ajudar a equipe, tenta alcançar um balão, porém, a garota escorrega em uma poça de Shake Chris que estava no chão. Nesse deslize, a jornalista tenta se apoiar em Ethan, mas o rapaz acaba caindo junto.
Ethan: Chloe! Segura aí! – O rapaz lançou a sua gel blaster para a influencer, que agarrou o objeto no ar.
Chloe: Ah! Agora sim, estamos de igual para igual! – A influencer se vira para Dylan, que agora engole a seco.
Chloe começa a atirar, fazendo Dylan reclamar quando as bolinhas o atingem. Penelope consegue desviar de alguns projéteis e se esconde atrás do copo de sua equipe. As bolinhas de gel atingem até o mesmo o pavão, que faz um giro dramático e desmaia de propósito.
Tyson, percebendo que as Corujas Tagarelas estão perdendo território, parece ter uma ideia.
Tyson: Aí, Lily! – Chamou a atenção da jardineira. – Você fica tonta muito rápido?
Lily: Não. – Estranhou a pergunta. – Por quê?
Tyson: Então se segura, o tornado Tyson vai brilhar!
O atleta entrega seu estilingue e algumas pedrinhas para a jardineira. Depois, Tyson ajuda Lily a subir nos seus ombros e parte para o ataque.
Tyson: Vai Lily! Pega eles!
Como um tanque de guerra, Tyson avança em linha reta, dando piruetas entre os participantes, enquanto Lily joga pedrinhas nos adversários. Ela acerta Dylan três vezes na testa, Alfred no cotovelo e Kayla no pé.
Lily: Desculpa pessoal, é tudo estratégia!
Confessionário
Lily: Em toda a minha vida, eu nunca me senti tão... IRADA!
Floresta
No meio da confusão, o barulho estridente do alto-falante ecoa.
Chris: Atenção pessoal! Faltam cinco minutos para o fim do desafio! Qualquer equipe que não encher seu copo com o nosso maravilhoso Shake Chris, irá para a cerimônia de eliminação!
Os participantes ficam mais fervorosos com o aviso do apresentador. Margaret retorna ao jogo, enquanto Alfred aparece ofegante, mas a com a zarabatana em mãos. Tiffany e Ethan se levantam, mas são atingidos pela cabra, que os derruba novamente.
De repente, um assobio agudo e familiar ecoa pela copa das árvores, fazendo todos os participantes se distraírem por um momento, olhando para o céu. Sophia estava lá, ainda presa ao desentupidor e ao balão.
Sophia: Aí, pessoal! Alguém pode me ajudar? – Gritou. – Isso já passou do limite da humilhação...
E então, o pica-pau reaparece, assustando a garota. O animal pousa sobre o ombro da jogadora de basquete e passa a encará-la.
Sophia: Oi amiguinho! – Cumprimentou, nervosa, já pressentindo o perigo. – Lembra de mim?
O pássaro vira para ela com um olhar meigo, e por um momento, Sophia tem a impressão de que ele balançou a cabeça, como se dissesse que sim.
Pica-pau: He-he He-he! – O pássaro abre as asas e voa, pousando sobre o balão.
Em menos de dois segundos, ele faz o óbvio: usando seu bico, estoura o balão. Sophia começa a despencar em queda livre, sem soltar seu desentupidor. A jogadora de basquete cai dentro do copo de Shake Chris da sua própria equipe, e, com o impacto da queda, parte do líquido é jogado para fora, respingando nas árvores, em Alfred e até mesmo na cabra que passava por ali.
Dylan: Boa Sophia! Sabotando a própria equipe, hein! – Comentou com ironia e indignação.
Sophia: Foi um acidente! – Gritou enquanto saía do copo, completamente encharcada.
Nesse mesmo tempo, Chloe passou a mirar em todos os balões que ainda estavam amarrados nos cipós. A influencer já não parecia se importar onde o Shake Chris cairia.
Chloe: Se minha equipe não vai vencer esse desafio, ninguém vai!
Dylan, aproveitando-se da distração, foge e se esconde atrás de um dos copos, com medo de ser atingido novamente.
Kayla: Corre, Penélope! Precisamos pegar o Shake!
Penelope: Mantenha o copo aqui. – Ordenou. – Confie nos ventos.
Kayla: Eu adoro o vento e a natureza, mas isso não é hora de filosofia!
Tiffany: Tô pra jogo! – Aproximou-se das duas garotas. – Vamos encher esse copo!
Então, Tiffany e Kayla começaram a arrastar o copo das Gaivotas Trapalhonas de um lado para o outro, aproveitando-se dos balões que Chloe estourava. Vince e Ethan não perderam tempo e fizeram o mesmo, enchendo o copo das Corujas Tagarelas pouco a pouco.
Margaret: Pessoal, eu não quero ser a chata da equipe, mas acho que eles estão quase passando a gente!
Sophia: Vamos recuperar nossa posição! – Lançou um sorriso confiante. – Eu sou expert em vencer de virada!
Sophia correu com o desentupidor nas mãos, pronta para atacar Chloe. Contudo, o plano não funciona, pois Alfred surge na frente da influencer e, acidentalmente, Sophia gruda o desentupidor no rosto do rapaz.
Margaret: Ah, não! – Jogou a mão na testa. – De novo não!
Kayla e Tiffany quase derrubam o copo, mas conseguem manter o equilíbrio, enquanto isso, as duas assistem uma grande quantidade de Shake Chris cair no chão, exatamente onde Penelope queria que o copo ficasse. Kayla bufa e Penelope apenas a encara, soltando glitter com a varinha.
Ethan: Acho que só precisamos de mais um balão!
Vince: Esse copo tá ficando mais leve, não acha?
Ethan: É a adrenalina atingindo o corpo! Deixa fluir, miau!
Dylan reapareceu, segurando a zarabatana de Alfred. Dessa vez, a arma foi usada corretamente, pois o jogador de damas lançou um dardo que atingiu o maior balão dentre os que ainda estavam no céu, fazendo uma grande quantidade de Shake Chris cair. Margaret consegue ser ágil o suficiente e empurra o copo para que tudo caísse dentro dele.
Mais três balões estouram no céu, e as equipes continuam pegando o Shake Chris, ou ao menos, tentando. Até que uma sirene toca.
Tiffany: Kayla, já chega de tocar essa vuvuzela!
Kayla: Não foi eu. – Ela olhou para os lados. – Não dessa vez!
Chris: Atenção, cambada! – A voz do apresentador quase falha no alto-falante. – A equipe das Águias Malucas foi a primeira a conseguir encher seu copo com Shake Chris e garante imunidade!
Margaret, Sophia e Dylan comemoram, enquanto Alfred continua com a cara no desentupidor.
Lily: E nós seremos os próximos!
Tyson: É isso aí! Mostra pra eles, Lily!
Lily lança mais três pedras com o estilingue de Tyson, estourando exatamente três balões.
O primeiro solta o líquido no ar e logo é capturado no copo das Corujas Tagarelas. O segundo balão joga a maior parte do líquido nas folhas das árvores, mas ainda assim, Kayla e Tiffany conseguem capturar um pouco para o copo das Gaivotas Trapalhonas. O terceiro balão foi o que liberou a maior quantidade de Shake Chris.
Por um momento, os copos das duas equipes se chocaram, como se estivessem brindando. A maior parte do Shake Chris caiu no copo das Corujas Tagarelas, fazendo Lily, Tyson e Chloe abrirem um sorriso.
E então, a buzina do desafio toca.
Chris: Desafio encerrado! – Anunciou pelo alto-falante. – E mais uma equipe conseguiu encher o seu copo antes do tempo acabar!
Tyson: Com certeza é a nossa! – Falou para Lily, que ainda estava nos ombros do rapaz. – Você viu o tanto de shake que caiu dentro do nosso copo?
Chris: E a segunda imunidade de hoje vai para... As Gaivotas Trapalhonas!
Penelope abre um sorriso contido. Kayla e Tiffany se abraçam, comemorando, mas logo fecham a cara uma para outra e desfazem o abraço.
Chris: Corujas Tagarelas, vocês estarão comigo mais tarde na área de eliminação! Até mais!
Chloe: Mas como isso é possível? Nosso copo estava quase cheio! – Aproximou-se do restante da equipe.
Lily: Bom... Acontece, né? – Sorriu, tentando conformar a garota.
Vince: Lutamos para nada. – Chutou um restante de shake Chris que estava no chão, sujando mais ainda seu pijama de gato.
Refeitório
Todos os participantes estavam reunidos no refeitório, alguns sentados a mesa, enquanto outros estavam de pé, conversando em pequenos grupos. Chris aproximou-se, sendo seguido por Chef Hatchet.
Chris: Parabéns a todos pelo desempenho no desafio. Com certeza foi mais divertido do que imaginamos que seria, não acha, Alfred?
Tyson e Alfred encaram o apresentador, com cara de poucos amigos.
Chris: E cumprindo com a minha palavra... – Chef se aproxima segurando uma bandeja com um prato exuberante de sushi. – Com o patrocínio do Shake Chris, estamos oferecendo esta incrível porção de sushi para...
Tiffany tira seus óculos de sol, atenta. Alguns outros competidores aguardam animados a notícia.
Chris: Chloe! Que estourou incríveis 26 balões!
Chloe: Ah... Eu não esperava! – A garota levantou-se do banco e caminhou em direção ao prêmio. – Quero agradecer a mim mesma, porque se não fosse por mim, eu não teria estourado tantos balões.
Chloe voltou ao seu assento, sentando-se entre Vince e Ethan. O nerd apenas encarou a comida por poucos segundos e mudou sua atenção para uma conversa calorosa com Tiffany, enquanto o cheio do sushi fez a barriga de Vince roncar. A influencer percebeu e logo lançou um sorriso.
Cabana Feminina das Corujas Tagarelas
Já havia anoitecido na ilha e alguns animais de hábito noturno começavam a aparecer. Dentro da cabana, Lily e Chloe conversavam, debatendo sobre a eliminação que se aproximava. A influencer estava encostada na parede, enquanto Lily estava sentada em uma das camas, de pernas cruzadas. Em uma cômoda de canto, estava o prêmio que Chloe ganhou por estourar mais balões.
Chloe: Então, Lily. – Chamou a atenção da jardineira. – Preparada para a eliminação? Precisamos manter nossa aliança alinhada, é a nossa oportunidade de tirar o Ethan do jogo.
Lily pareceu pensativa por alguns segundos, mas abriu um sorriso em seguida.
Lily: Com certeza! Você conseguiu falar com o Vince? Com a confusão que foi a prova de hoje, acho que nem deu tempo, né?
Chloe: Você tem razão, eu ainda vou falar com ele. – Informou, enquanto pegava o prato de sushi. – E vai ser agora, não podemos perder tempo!
Cabana Masculina das Corujas Tagarelas
Na cabana ao lado, Tyson e Ethan debatiam o voto da noite, sem conseguir chegar a um acordo unânime. O Atleta jogava brincava com uma bolinha de pingue-pongue, enquanto Ethan estava sentado na cama, rabiscando um de seus livros.
Ethan: É a nossa primeira eliminação, precisamos pensar estrategicamente. Primeiramente, qual a probabilidade de sermos um alvo na eliminação?
Tyson: Eu tô confiante, cara. – Respirou tranquilamente. – Você precisa se acalmar, pensar de cabeça quente vai dar aquilo de você disse.
Ethan: Cefaleia? – O atleta concordou. – Tudo bem, vamos considerar que ninguém está planejando votar na gente hoje. – Levantou o lápis. – Temos Lily, Chloe e Vince como opções.
Tyson: Eu não votaria na Lily. Ela foi incrível no desafio hoje e não faria mal a ninguém.
Ethan: E eu não votaria no Vince. – Anotou algo em seu caderno. – Ele é muito esperto e me passa confiança.
Tyson: E a Chloe...?
Ethan: É, ela tem um gênio forte. Mas a gente não pode negar que comparando os três, ela tem o melhor desempenho nos desafios. Seria péssimo perder ela agora.
Tyson: A gente não vai a lugar nenhum desse jeito...
A bolinha de Tyson fugiu de sua mão, fazendo o objeto acertar um ponto qualquer na parede. Ao mesmo tempo, alguém bateu na porta. Como Tyson estava mais próximo, dispôs-se a abrir. Para a surpresa dos dois amigos, era ninguém menos que Chloe.
Chloe: Olá, meninos! – Ela foi entrando antes mesmo de Tyson abrir espaço. – O Vince se encontra?
Ethan: Não, ele avisou que ia caçar frutinhas nas árvores.
Chloe: Ah, que pena... – A influencer começou a caminhar em direção à porta, porém, ela parou, virou o rosto e fechou a porta, retornando para onde Tyson e Ethan estavam. – Sabe, aproveitando que nós estamos aqui... Como acham que vai ser a eliminação de hoje?
Tyson: Tensa. – Fitou um canto qualquer da parede, como se estivesse filosofando algo muito sério.
Chloe: Vocês podem pensar que sou meio louca. – Sentou-se em uma das camas. – Escutem, eu sei que vocês estão analisando as opções. E eu queria trabalhar com vocês.
Tyson e Ethan trocaram olhares.
Chloe: Pensem comigo, ia ser a maior collab da temporada. Somos o trio perfeito, temos a força... – Apontou para Tyson. – A inteligência... – Moveu o dedo indicador para Ethan. – E a astúcia! – Colocou a mão no peito. – É esse tipo de trio que chega na final.
Tyson: Isso me parece...
Ethan: Interessante. – Ethan rabiscou algo em seu livro. – Mas se você é alguém tão astuciosa, como poderíamos confiar em você?
Chloe: Viu o que eu disse? Inteligência! – Apontou para Ethan, enquanto falava com Tyson, tentando convencer o atleta de que aquilo era um bom negócio. – E você tem razão, Ethan.
A influencer fingiu pensar por alguns segundos, depois, ficou de pé, pronta para um discurso.
Chloe: Façam um teste essa noite. Eu não irei sugerir nenhum alvo, eu vou deixar vocês dois escolherem entre Lily e Vince. – Levantou as duas mãos. – Apenas me digam em quem vão votar e eu irei com vocês para mostrar que sou confiável. O que acham?
Tyson caminhou para um canto do quarto, puxando Ethan pelo braço.
Tyson: Carinha... Essa história tá meio estranha, não é?
Ethan: Sim, mas foi a primeira sugestão de aliança que recebemos aqui.
Tyson: Será que ela não está engando a gente?
Ethan: Eu não faço ideia. – Encolheu os ombros. – As chances são imensas. Se bem que, três votos podem ser mais fortes que dois.
Tyson: E se a gente recusar, com certeza ela vai se virar contra a gente. – Abraçou a si. – Eu não quero ter inimigos aqui tão cedo.
Ethan rabiscou algo na mão, parecendo analisar algumas possibilidades.
Ethan: Quer saber? Vamos nessa.
Tyson olhou para a influencer, que esperava uma resposta do outro lado do quarto.
Tyson: Eu não sei o que vai acontecer, mas eu confio em você. – Disse, colocando uma mão no ombro de Ethan.
Logo após, a dupla se aproximou de Chloe. Ainda receoso, Tyson tomou a frente.
Tyson: Chloe, nós vamos trabalhar com você!
Chloe: Oba! Vocês não vão se arrepender! – Sorriu e bateu palmas rapidamente. – Então, qual vai ser o voto da noite?
Ethan: Lily. – Soltou rapidamente.
Chloe: Boa escolha. – Piscou o olho direito. – Então vejo vocês daqui a pouquinho, a eliminação vai ser um luxo!
Por fim, a influencer saiu do quarto, deixando os dois garotos com uma expressão de preocupação.
Confessionário
Chloe: Eu sabia! Tyson e Ethan sempre votam juntos, é claro que tinha uma aliança ali! E eu preciso dar um fim nisso, se hoje for a Lily, a próxima serei eu! A menos que... – Ela passou a refletir. – Eles sejam confiáveis o suficiente e estejam dispostos a trabalhar comigo. Só preciso descobrir o quanto eles são confiáveis, mas como? – Estalou os dedos. – Vince!
Lado Externo das Cabanas – Dylan
O jogador de damas caminhava sorrateiramente, com um saquinho surrado em mãos, claramente escondendo algo. Seguro de que mais ninguém estava por perto, começou a procurar um local para esconder o totem do veto.
Dylan: Essa belezinha vai causar uma confusão e tanto no momento certo... – Tirou a estátua do saquinho por um momento, para observá-la.
Atrás dele, passos silenciosos vão se aproximando. Por reflexo, o jogador se vira, assustado.
Margaret: Buh!
Dylan: AAH!
Por reflexo, ou terror, Dylan tropeça no próprio pé, caindo no meio de alguns arbustos, que por sorte, não tinham espinhos. A estátua do veto, acidentalmente, cai para fora do saquinho e desaparece entre as folhas.
Margaret: Dylan! Parece que viu um fantasma! – Riu.
Dylan: Margaret, tá doida? Eu quase infartei aqui! Eu nem te ouvi chegar!
Margaret: Desculpa, não foi minha intenção. – Disse com gentileza. – Acho que me acostumei a andar nas pontas dos pés quando fiz balé.
Dylan: E o que você está fazendo aqui? – Dylan percebeu que seu saquinho estava vazio, e começou a procurar discretamente pela estátua.
Margaret: A Sophia quer uma reunião de equipe e me pediu para chamar você e o Alfred. Ela não parece muito feliz.
Dylan: De novo aquela coisa de espírito de equipe? A essa hora da noite?!
Margaret encolheu os ombros e concordou.
Margaret: Tenha paciência com ela. Te juro que ela está tentando melhorar.
Dylan bufou, percebendo que não ia conseguir localizar a estátua sem chamar a atenção de Margaret.
Dylan: Tudo bem, eu vou. Mas que seja rápido, eu tenho um compromisso mais tarde!
Margaret agradeceu com um sorriso e passou a guiar Dylan para o local da reunião, sem perceber o olhar do rapaz voltando uma última vez para os arbustos.
Dylan: Bom... – Sussurrou para si. – Se eu não consegui achar, não vai ser outra pessoa que vai encontrar.
Floresta
Em meio a luz baixa da lua minguante, Chloe subia a quinta árvore seguida. A garota estava decidida a encontrar o colega de equipe. Quando chegou ao topo da árvore, sentou-se em um galho, visivelmente cansada.
Chloe: Vince! Aqui miauzinho! – Chamou com a voz mais melosa que o normal. – Psi, psi!
Vince: Chloe! – Chamou com a voz distante. A câmera abre o plano e revela que Vince estava no chão esse tempo todo. – Desce daí!
Chloe: Eu não! Tô cansada, sobe você!
Vince respirou fundo e obedeceu, subindo a árvore em segundos. Chloe ficou impressionada.
Chloe: Você é bom mesmo.
Vince: Anos de prática. – Sorriu.
Chloe: Lembra que temos um acordo? Me conte tudo o que você sabe sobre o Tyson e o Ethan. Eu sugeri uma aliança para eles, só para ver como eles agiriam.
Vince pensou por alguns segundos, depois soltou um sorriso audacioso.
Vince: E você tem razão. – Fechou os olhos. – Eles não são tão confiáveis assim. Porém, não é porque eles são maldosos ou coisa do tipo.
Chloe: O que é então?!
Vince: O problema é que há uma mente maior, que coordena todos os passos deles. Se você quer realmente saber o nome do seu problema, ele se chama Dylan. – Chloe arqueou as sobrancelhas, em choque. – Ele está querendo se aliar com pessoas fora da equipe dele para dominar o jogo!
Chloe: Que descarado! Esperto, mas ainda assim um descarado!
Vince: Se quer cortar o mal pela raiz, corte o Dylan. Você tem todo o meu apoio. – Ele ficou de pé no galho. – E a propósito, quando for me chamar novamente, use apenas Vince. Psi psi é muita intimidade, sabe? – Soltou com um tom sensível.
Então, o menino-gato desceu da árvore, deixando a influencer a sós com seus pensamentos.
Confessionário
Vince: Sim. – Cruzou os braços e tremeu o bigode pintado no rosto. – Eu exagerei um pouco na história que eu contei pra Chloe. Mas talvez assim ela pare com essa fixação de me obrigar a vigiar os dois meninos. E de quebra, eu ganho uma ajuda com o problema do leite.
Chloe: Vince me deu uma informação interessante. Vou investigar a fundo essa história do Dylan. Se ele estiver mesmo trabalhando com o Ethan e com o Tyson, é sinal de que os dois podem ser mais flexíveis a alianças maiores. É... O jogo começou!
Lado exterior das cabanas
Lily saiu da cabana de sua equipe com um regador em mãos e passou a caminhar enquanto regava algumas plantas específicas, até mesmo conversando com algumas delas.
Lily: Sabem, eu fiquei tão feliz de jogar o desafio de hoje! – Contou para uma dama da noite. – Eu me senti a melhor de todos por um momento! Ah, e a Chloe me convidou para uma aliança. Ela disse que é uma forma de nos protegermos do Ethan e do Tyson, mas eu não acho que eles estão realmente tramando algo.
Lily sentou-se próximo a um lírio casa blanca, vendo que a planta estava florindo.
Lily: Ah... Eu não tinha parado para te observar, você está linda! – Sorriu. – Acho que seria legal falar com o Tyson e o Ethan. Talvez isso me ajude a ter certeza do meu voto.
A jardineira levantou-se e caminhou em direção a cabana dos meninos. Antes de bater, ela ouviu que um assunto já estava sendo comentado e apenas focou em ouvir a voz dos rapazes.
Tyson: Então... Vai mesmo ser a Lily?
Ethan: Eu não estou dizendo que quero ela seja eliminada, mas, alguém tem que ser eliminado hoje. – Tyson mostrou-se um pouco triste com a conclusão do amigo.
Tyson: Acho que ela vai entender.
Ethan: Vai sim... Se tivéssemos outra opção, com certeza salvaríamos a Lily. Mas hoje, temos que ir nela.
Do lado de fora, Lily estava com um misto de tristeza e preocupação. A garota desistiu de bater e se afastou, entrando numa pequena trilha ornamental de flores e arbustos podados. Dentro da cabana, Ethan analisou uma última vez seu caderno.
Ethan: Ei, Tyson! – O atleta voltou o olhar para Ethan. – O que você acha de fazer uma grande jogada hoje à noite?
Tyson: Tipo?
Ethan: Aquela que pega a todos de surpresa. – Sorriu.
Tyson: Pensando na estátua? – Ethan assentiu. – Então alguém não vai votar hoje.
Ethan: E se usarmos a estátua e tentarmos eliminar outra pessoa, ao invés da Lily?
Tyson: Tá pensando em quem eu estou pensando?!
Tyson e Ethan trocaram um sorriso de cumplicidade.
Enquanto isso, nas redondezas da cabana, Lily caminhava cabisbaixa, mal regando as plantas que tanto amava.
Lily: Desculpem não estar olhando muito pra vocês, eu realmente me desanimei. – Suspirou, enquanto conversava com as plantas. – Será que eu fui tão boa nos desafios que eles querem me tirar? Eu só queria me sentir útil.
Lily para de andar, percebendo que a onagra, uma das plantas, estava amassada.
Lily: Oh, coitadinha! Alguém pisou com força em você, né?
A jardineira tirou fora algumas folhas e galhos quebrados, revelando que o amassado não foi causado por um pé, mas sim por um objeto.
Lily: A estátua do veto?! Como ela veio parar aqui? – A jardineira pegou o objeto, colocando-o na bolsa. – Acho que ela caiu na hora certa. Chegou a hora da Lily jogar!
Área de Eliminação
A equipe Corujas Tagarelas caminhava tensa em direção ao campo de eliminação. Ao chegarem, cada um tomou um assento para si. Chloe foi a primeira, seguida de Lily, que se sentou na ponta da fila. Vince e Ethan, antes de se sentarem, olharam para os pés de Chris e deram uma risadinha.
Chris: Algum problema?
Ethan: Não, não! Nenhum. – Ethan e Vince trocaram olhares, segurando o riso.
Após o nerd e o menino-gato se sentarem, Tyson apareceu no local. O atleta estava visivelmente nervoso, com suor escorrendo no rosto.
Tyson: Cheguei pessoal!
Chris: Boa Tyson, chegando atrasado na primeira cerimônia de eliminação e ainda roubando o brilho do discurso do apresentador? Eu votaria em você, hein!
Tyson: Não fala isso nem brincando, cara! – Tyson sentou-se em um dos bancos ao lado de Ethan, preocupado.
Ethan: Tá tudo bem? – Indagou, observando Tyson negar com a cabeça.
Tyson: Acho que estamos encrencados... – Ethan lançou um olhar estranho para o amigo.
Chris: Aí, silêncio! – Bateu palmas duas vezes. – O apresentador vai falar! – Anunciou, visivelmente irritado. – Esse episódio já tá longo, precisamos agilizar! O editor vai trabalhar muito dessa vez.
Chloe: É por isso que eu contratei dois editores para cuidar das minhas fotos. – Lançou um sorriso provocador. – Quando um se cansa, eu tenho outro. Você devia tentar.
Chris: Eu tenho quantos editores eu quiser, já deu de conversinha! Vamos iniciar!
Com todos sentados, Chef Hatchet se aproximou, trazendo uma bandeja com quatro amuletos comestíveis.
Chris: Corujas Tagarelas, vocês se livraram da eliminação duas vezes. Eram o único time com vantagem de membros, o que aconteceu para estarem aqui hoje?
Chloe: Perdemos. – Chris pareceu não gostar da resposta, mas Chloe decidiu complementar. – O que foi uma coisa estranha, nosso copo tinha muito Shake Chris e no final, parecia que não chegamos nem a encher a metade dele!
O restante da equipe pareceu concordar.
Tyson: Vai que na confusão, caiu um pouco no chão, né?
Chris: Parece que vocês concordam com tudo. E devem concordar que tudo foi um caos no desafio, alguns encontraram cabras, outros pavões e até ursos! E vocês acreditam que lidaram bem com tudo, Ethan?
Ethan: Existem dados que comprovam que grupos com interesses semelhantes e alinhados trabalham melhor, por desenvolver um vínculo de confiança. Foi o nosso caso, mesmo apanhando, conseguimos criar boas estratégias.
Chris: Teoria interessante. Então, se há um vínculo de credibilidade, é sinal de que todos podem confiar suas estratégias uns aos outros, Lily?
Lily: Infelizmente não. Existem plantas que são bonitas, mas nem sempre podem ficar unidas na mesma terra, pois são incompatíveis.
Chris: Uma analogia sobre união? Profundo. Falando em união, você como um jogador de futebol, está sempre em time, Tyson. Mas e quando há subequipes nos times? Você acha que tem uma competição interna na equipe?
Tyson: Eu sempre fui a favor de trabalhar em equipe. Mas esse jogo aqui, é diferente. Algumas vezes, trabalhar em equipe pode ser exatamente o que você não deve fazer, e mesmo assim, faz. E isso pode ser um tiro no pé. – Chloe arqueou a sobrancelha.
Lily: Exatamente, Tyson. Às vezes, as pessoas só enxergam a si e a um colega de subequipe. Mas no fim, esquecem de quem fica de fora. E isso é um perigo.
Tyson faz um sinal de joia para Lily, fazendo Chloe estranhar. Pensativa, a influencer tenta chamar a atenção da jardineira, percebendo, por um canto entreaberto da bolsa de Lily, que tinha algo valioso ali dentro.
Ethan: Hoje, a noite vai ser surpreendente. E nós vamos descobrir qual vai ser a verdadeira subequipe que vai ganhar o jogo.
Chloe gela com a frase. Vince percebeu que a influencer estava chamando sua atenção silenciosamente, mas decidiu ignorar. Lily continuava sorridente e um pouco confiante, enquanto Tyson parecia triste. Ethan apenas tentava decifrar tudo o que estava acontecendo ali.
Confessionário
Chloe: A verdadeira subequipe? Será que os dois sabem que eu tenho uma aliança com a Lily? E desde quando a Lily tem uma estátua do veto?! A LILY! Se ela trouxe pra votação, ela pretende usar. Isso pode estragar tudo. Os três devem estar tramando algo, mas o quê?
Área de eliminação
Chris: Não vamos perder tempo, vamos aos votos!
Ethan foi o primeiro a votar, lançando um aceno para Tyson. Logo após, Lily deu o seu voto na cabine. Quando a jardineira voltou, cumprimentou educadamente o atleta e piscou para Chloe. A terceira a dar seu voto, foi Chloe. A influencer caminhou em direção a cabine tentando manter a compostura, contudo, sua feição mostrava que ela estava preocupada com todos os comentários anteriores.
Quando a influencer saiu, cruzou com Vince, o quarto a votar. Antes que pudesse entrar na cabine de votação, Chloe puxou o menino-gato para um canto.
Chloe: Tá acontecendo algo muito estranho aqui. Preciso que vote comigo essa noite.
Vince: Chloe, eu fui seu espião a semana inteira. Tínhamos um trato e eu já cumpri.
Chloe: Eu ainda tenho um prato de sushi. – Apelou. – E ele vai ser todo seu se você votar... – Cochichou um nome no ouvido do rapaz. – Você sabe que eu cumpro com minhas promessas.
Vince ponderou e concordou.
Ao final, quando todos os votos foram dados, Chris pegou o primeiro amuleto da bandeja.
Chris: Chegou a hora.
Lily: Com licença, Chris! – A jardineira abriu a sua bolsa, levando a estátua do veto. – Eu gostaria de vetar o voto de um adversário hoje!
Todos os outros participantes pareceram chocados com a revelação, até mesmo Chloe, que já tinha percebido o artefato na bolsa da garota.
Chris: Quem diria, hein, Lily? Uma estátua do veto! – Aplaudiu lentamente. – E quem vai ter seu voto cancelado essa noite?
Lily: Ethan! – O nerd travou por alguns segundos, pois aquilo claramente não estava nos seus planos.
Ethan: Essa não... – Jogou a mão na testa. O rapaz virou-se para Tyson, passando a sussurrar com ele. – Tyson, usa a estátua, temos que tentar ao menos empatar a votação!
Tyson: Eu não posso, Ethan!
Ethan: Por quê?
Tyson: Eu não encontrei a estátua. Eu juro, cavei, cavei e ela não estava lá!
Ethan: Que droga... – Lamentou. – E você me conta isso só agora?! – Ele passou a mão no bolso. – Eu não trouxe nem uma caneta pra recalcular rotas!
Chris: Então, o voto de Ethan não será contado essa noite. – Anunciou, atualizando os números no tablet. – O primeiro amuleto vai para... Vince!
Chef: Tyson, segundo amuleto. – O atleta ergueu o braço, pegando o amuleto.
Chris: Chloe, Ethan e Lily. Os três receberam votos essa noite. – Os três participantes citados trocam olhares, chocados com a informação.
Chef: O próximo amuleto vai para... Chloe!
Chris: Lily e Ethan, dois participantes que tem um ponto forte, a força de vontade. E que podem ser alvos pelo mesmo motivo, essa garra faz vocês se destacarem nos desafios, mesmo quando não são os favoritos em força. Será que alguém enxerga vocês como ameaças?
Chef: O último amuleto da noite vai para...
Lily engoliu a seco, apertando a alça da sua bolsa, enquanto Ethan estava paralisado, como se tivesse visto um cálculo que não tinha solução.
Chris: Ethan! – Jogou o amuleto para o nerd, que respirou aliviado. – Lily, você está eliminada.
Lily: Bem, eu tentei. – Sorriu. – Queria ter ficado mais tempo no programa, eu estava adorando jogar com vocês. – Se despediu, acenando para os outros. – Por favor, cuidem das plantinhas da ilha!
A jardineira pegou o asa-delta com Chef Hatchet, tentando descobrir como se usava o objeto.
Lily: Eu sempre tive a curiosidade de saber como isso funcionava. – Riu. – Até mais pessoal, vou sentir faltAAAAAAHHHH!
Antes que Lily pudesse terminar a frase, uma rajada de vento mais forte tomou a ilha, apagando algumas tochas que iluminavam o local e fazendo a jardineira ser levada no asa-delta que ziguezagueava o céu noturno.
Chris: Terceira eliminada. Uma pena, ela nem encontrou as plantas carnívoras! E agora, o que espera os nossos competidores? O que Chloe tanto sussurrou com Vince? Existe uma aliança a mais na equipe? Alfred ainda consegue falar depois de engolir uma zarabatana?
Tyson: Pera aí! Tem plantas carnívoras na ilha?! – Tyson voltou correndo, após ter ouvido a informação.
Chris: Opa, eu não avisei vocês? – Perguntou com ironia. – Que coisa, eu e minha cabeça! – Riu com um certo deboche, voltando a atenção para a câmera. – Vocês descobrirão tudo isso e muito mais no próximo episódio de Drama Total: Ilha Tayo!
Pós-eliminação – Refeitório
Chloe adentrou no refeitório, procurando algum lanche. A garota notou que os três copos gigantes usados no desafio ainda estavam ali e não se conteve, aproximando-se dos copos e analisando cada um cautelosamente.
Chloe: Espero que isso não seja servido no próximo café da manhã. – Julgou, enquanto observava os copos. – Se bem que para quem está com fome nesse programa, até pedra é janta.
Chloe subiu no copo que sua equipe utilizou, notando que ele estava vazio. Ela deu a volta no copo, percebendo que, em um lugar da parte de baixo, havia um furo, que parecia ter sido feito de propósito.
Chloe: É isso! Alguém sabotou o nosso copo! Eu sabia!
Dylan: E eu sabia que você não ia descansar até vir aqui e investigar esses copos. – Dylan surgiu das sombras, assustando Chloe. – Eu quero conversar com você...
Extras — Confessionário de Votos
Ethan: Tyson e eu temos um plano, que é votar na Chloe. Eticamente é errado trair uma aliança, mas do ponto de vista de jogo, é ideal a saída dela. Vamos usar a estátua em alguém e garantir que no mínimo, ocorra um empate. Não é possível que eles mantenham a Chloe depois de verem a máquina que ela é em provas!
Lily: Confiando na minha aliança, eu votarei no Ethan. E por via das dúvidas, eu vou anular o voto dele.
Chloe: Eu não gosto de joguinhos, se a Lily está escondendo uma estátua, pode estar escondendo mais coisas, incluindo uma outra aliança. Por motivos de proteção, meu voto é nela. Depois eu cuido do Ethan.
Vince: Por mais que eu quisesse votar em outra pessoa hoje, eu também estou faminto! Desculpa Lily, mas a minha barriga tá falando mais alto...
Tyson: É... Tô meio tenso de não ter encontrado a estátua e o plano ir pelo ralo. Mas se meu amigo Ethan disse que vai ser Chloe, vai ser a Chloe!
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