Drama Total: Floresta dos Mistérios

Capítulo 13 — eles eStão de olho em nós

Ao amanhecer na Reserva Florestal de Tipikanizaw, névoa envolve árvores retorcidas, enquanto gritos agudos de pássaros rompem o silêncio. Chris McLean, recosta-se casualmente no portão de entrada e encara a câmera.

CHRIS: No episódio anterior de Drama Total: Floresta dos Mistérios… nossos corajosos campistas enfrentaram a versão da natureba de um colapso nervoso! Tínhamos cipós revoltados, areia movediça assassina e, é claro, uma planta gigante que definitivamente precisava de terapia intensiva. E, antes que perguntem… NÃO! Ela jamais será meu Larry! — Ele olha para baixo, balançando a cabeça com pesar por um segundo, depois pigarreia e continua. — Mas voltando ao show! Molly resolveu bancar a heroína e salvou Cyrus e Willow de virarem jantar da floresta. E olha… palmas para ela, porque eu, sinceramente, teria deixado um deles pra trás. — Ele riu para si mesmo. — Mas a grande virada veio no final do desafio! McConnor, em um movimento que chocou exatamente zero pessoas, tentou fazer o que qualquer gênio maligno faria: usar Molly como isca. Previsível? Sim. Inteligente? Meh. Funcionou? NÃO! Porque, contrariando TODAS as expectativas, Molly venceu o desafio! E McConnor… bem, ficou com aquela cara de tacho! E aí chegou o momento mais esperado da noite: como diabos eliminar o McConnor de uma vez por todas? Pela MILÉSIMA vez, nosso queridíssimo nerd de jaleco foi o alvo principal da votação! Mas, desta vez, não havia mais estatuetas mágicas, conspirações cósmicas ou fenômenos inexplicáveis que o protegessem! Resultado? TCHAU, McConnor! Adeus, e, por favor, NÃO CONSTRUA um robô vingador no caminho para casa. — Com amargura na voz. — E agora… só restam QUATRO campistas! Quem será o próximo a sair?

*Abertura*

O sol matinal filtrado pelas janelas iluminava o chão de madeira desgastado da cabine. Antes lotada, o ambiente agora estava estranhamente silencioso e vazio.

Na beliche direita, Willow dormia de bruços e braço pendurado. Abaixo, Cyrus enrolava-se no cobertor como um casulo, diário aberto ao lado. Na esquerda, Molly, como uma estrela-do-mar caída, quase esmagava Nacho, que dormia abraçado a um travesseiro no colchão inferior.

Um padrão curioso se formou. As garotas em cima. Os garotos embaixo. Cyrus e Willow de um lado. Molly e Nacho do outro. O silêncio foi quebrado quando Willow se remexeu e, sem a menor cerimônia, deu um chute no colchão de Cyrus.

WILLOW: Ei, Cyrus. Acorda.

Cyrus soltou um grunhido, puxando o cobertor mais para cima da cabeça.

CYRUS: Só mais cinco minutinhos, mãe…

WILLOW: Já está tarde! — Ela olhou no relógio que McConnor havia consertado. — Vamos perder o café da manhã! Se a gente não sair agora, o Chef vai nos fazer comer o que sobrou do jantar de ontem.

Do outro lado da cabine, Molly abriu um olho, grogue, e então se sentou num pulo.

MOLLY: Oh não! Na última vez que chegamos tarde para o café, o Chef Hatchet nos deu uma bronca gigantesca! Aquele olhar dele me dá arrepios!

Nacho apenas rolou para o lado, murmurando algo sobre "mais tortilhas, por favor" em meio ao sono.

As garotas desceram da beliche apressadas, ignorando o fato de que Cyrus continuava imóvel, dentro do cobertor.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MOLLY: Eu gosto de dormir, mas NADA me faz querer ficar na cama quando existe a possibilidade real de irritar o Chef Hatchet. Tipo, ele é aterrorizante. E tão pessimista. Quase como o Grinch, mas nem é Natal! Ele precisa de um pouco mais de purpurina na vida dele. — Falou enquanto balançava as pulseiras. — Mas, pra ser justa, trabalhar com o Chris deve sugar a alma de qualquer pessoa. É só ver o estado que o McConnor ficou!

*CONFESSIONÁRIO OFF*

O grupo chegou a tempo na cantina, e o resto da manhã passou com uma calma quase estranha. À tarde, Molly e Nacho estavam sentados nos degraus da cabine. Por um momento, ficaram em silêncio, observando a floresta ao redor do acampamento. Nacho, relaxado, mastigava um biscoito duro que parecia uma pedra. Molly olhava o horizonte com um sorriso leve.

MOLLY: Cara… passou rápido, né? Parece que foi ontem que a gente desceu daquele ônibus dos perdedores.

NACHO: É. Apesar de que eu fui mais arremessado pra fora. Cortesia da Serena. — Riu, sem entusiasmo.

MOLLY: Uau… a Serena. — Parecia chocada só de lembrar. — Será que o império da família dela já afundou?

NACHO: Não sei, mas notei que a mansão no alto da colina apareceu de novo ontem à noite. Quanto será que vai durar dessa vez?

Molly deu de ombros. O silêncio voltou. Nacho mordeu mais um pedaço do biscoito e o ofereceu.

NACHO: Quer? Tá meio duro, mas tem gosto de chocolate se você insistir.

MOLLY: Nah, tô de boa. Acho que ainda tenho um dente solto dos muffins do Chef.

O silêncio continuou. Molly puxou as mangas do suéter, inquieta.

MOLLY: Ei, Nacho… o que você faria se ganhasse? Tipo, com o prêmio?

NACHO: Fácil. Ajudaria minha abuelita. Ela sempre cuidou de mim. Merece descansar. Talvez eu compre aquela poltrona que ela quer, a que massageia e esquenta os pés. E… talvez uma pra mim também. — Disse mais baixo.

Molly sorriu ao ver o brilho sincero nos olhos dele.

MOLLY: Isso é… bonito, sabe?

NACHO: Você acha? Pra mim é natural querer ajudar minha família. Mas, se sobrasse grana, abriria uma lanchonete. Lá no bairro não tem comida mexicana decente! Imagina só: “Nachos do Nacho”!

MOLLY: Pff! Melhor nome do mundo!

Ela riu, mas logo ficou mais séria.

MOLLY: Sabe… nunca pensei de verdade no que faria se ganhasse. Entrei no jogo porque parecia divertido, floresta encantada e tal. Mas agora que estamos no Top 4… sei lá. Não sei se mereço.

Nacho franziu a testa.

NACHO: Como assim?

MOLLY: Todo mundo tem um motivo forte. Você tem sua abuelita. O Cyrus quer provar que é um estrategista… e tem uma cirurgia que precisa pagar. Ele não explicou. E a Willow sempre pareceu tão…

NACHO: Descolada e imbatível?

MOLLY: Exato. E eu? Só… sou eu.

Ela abraçou os joelhos, o sorriso hesitante. Nacho a observou por um segundo e deu de ombros.

NACHO: Ué, e daí? Você jogou limpo. Foi legal com todo mundo. As pessoas gostam de você por ser você.

MOLLY: Você acha?

NACHO: Claro! E, olha, não é meio destino você estar no Top 4? Você tá no lugar certo.

Molly piscou. Nunca tinha pensado assim.

MOLLY: Hmm.

NACHO: E se você tivesse trapaceado ou sido um lixo de pessoa, eu já teria feito cara feia. Nunca seria seu amigo.

Ele cruzou os braços, fingindo indignação. Molly riu.

MOLLY: Valeu, Nacho. Tô me sentindo melhor!

NACHO: É pra isso que servem os amigos.

Ela encostou a cabeça no ombro dele e respirou fundo.

MOLLY: Tá bom. Então eu vou lutar até o fim!

NACHO: Isso aí!

Um instante depois, Molly se afastou.

MOLLY: Mas se você ganhar, vai me dar nachos de graça, né?

NACHO: Depende. Você prefere cheddar ou extra cheddar?

MOLLY: Extra cheddar.

NACHO: Hah, sabia!

Os dois riram, e a câmera se afastou.

*CONFESSIONÁRIO ON*

NACHO: Foi tão estranho ver a Molly cabisbaixa. Ela sempre me ajudou com as minhas inseguranças. — Ele ponderou um pouco. — Só estou feliz que eu pude ajudar ela um pouco. Mesmo que do meu jeito. — Ele sorriu desajeitado.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Na manhã seguinte, Chris convocou o Top 4 para o novo desafio. Os campistas foram guiados até uma área da reserva que nunca tinham visto. A floresta densa se abriu para revelar um morro isolado no centro de uma cratera irregular. A grama cobria o solo, mas no meio do vale havia um volume de terra deformado, como se algo gigante estivesse enterrado ali.

Molly observava tudo com os olhos arregalados. Cyrus, com os cabelos um pouco bagunçados e o diário em mãos, não tirava os olhos daquele “morro” estranho.

CYRUS: Woah… que lugar é esse?

Chris, de pé em cima do morro, abriu um sorriso teatral.

CHRIS: Ah, eu sabia que você ia gostar, Cyrus! Vocês estão pisando no ponto de impacto de um OVNI que caiu aqui milhões de anos atrás!

Nacho arregalou os olhos. Molly levou as mãos à boca. Cyrus ficou paralisado de empolgação. Willow só piscou, inexpressiva.

CYRUS: VOCÊ TÁ DIZENDO QUE TEM ALIENÍGENAS AQUI?! — A empolgação era visível.

CHRIS: Nah, os alienígenas que pousaram aqui já morreram faz séculos. Mas... — Ele apontou dramaticamente para o chão. — A nave está INTACTA!

Cyrus tropeçou nos próprios pés, parecendo prestes a surtar de tanta animação.

CYRUS: Isso é sério?! Tem tecnologia alienígena aqui?! Eu... eu preciso ver! Preciso documentar isso!

Chris riu, claramente se divertindo com a reação.

*CONFESSIONÁRIO ON*

CYRUS: Sempre fui fascinado por aliens, mas essa cratera me faz sentir que descobri um segredo cósmico. Se isso for verdade, imagina as histórias que vou contar… ou escrever no meu diário. Isso é um furo que nem o Toby conseguiria! Eu vou ficar famoso!

*CONFESSIONÁRIO OFF*

CHRIS: Bom, se quiser ver, vai ter que descer. Felizmente, um dos nossos estagiários já cavou um túnel pra vocês!

Ele apontou para uma abertura irregular no solo, um buraco improvisado que levava direto para baixo. O grupo se aproximou, espiando a descida escura e nada convidativa.

NACHO: Uh… e onde tá o estagiário agora?

Chris suspirou com exagero e fez o sinal da cruz.

CHRIS: Num lugar melhor. Descanse em paz, Parker.

Os campistas estremeceram.

MOLLY: ESPERA, O QUÊ?! — Totalmente chocada.

CHRIS: Enfim, entrem aí!

Sem mais explicações, Chris empurrou Cyrus em direção ao buraco, rindo da cara de pânico dele.

CYRUS: Eeeei, você nem disse qual é o desaf—

Sua voz ecoou pelo túnel, engolida pela escuridão.

Breu total.

O impacto contra o chão metálico ecoou pela sala.

CYRUS: O que está acontecendo? Onde estamos? — Sua voz tremia enquanto engatinhava no escuro, tateando o chão como se esperasse encontrar uma resposta concreta.

Antes que alguém respondesse, luzes brancas estouraram no ambiente, piscando como holofotes. O Top 4 se encolheu, cegado pelo clarão repentino.

Em seguida, uma projeção holográfica piscou à frente deles. O rosto sorridente e obviamente sádico de Chris McLean surgiu.

CHRIS: Ah, aí estão vocês! Curtiram o lugar? Bem tecnológico, né? Nem sei pra que serve metade das coisas aqui, mas achei um ótimo cantinho pra largar vocês!

Molly piscou, ainda tentando se situar. Ela olhou ao redor.

As paredes lisas e metálicas refletiam um brilho azulado esquisito. Linhas de luz serpenteavam pelo chão e teto, pulsando como se a nave tivesse um ritmo próprio. Símbolos misteriosos decoravam os painéis, e um deles piscava de forma suspeita.

Nacho se aproximou, estreitando os olhos para as inscrições.

NACHO: Isso é chinês?

CHRIS: Não, Nacho. É uma língua alienígena indecifrável! — Falou com sarcasmo óbvio. — Mas tenho certeza de que o Cyrus vai tentar traduzir de qualquer jeito...

A câmera corta para Cyrus, já com o diário aberto e o lápis voando na página.

CHRIS: Mas vamos ao que interessa! — Ele esfregou as mãos. — O desafio de hoje! Vocês foram jogados no setor B desta espaçonave alienígena. E o objetivo é simples: chegar à central de comunicações e enviar uma mensagem pro cosmos!

MOLLY: E quem é esse tal de Cosmo?

CHRIS: A primeira pessoa a ativar o painel e mandar a mensagem correta vence o desafio e garante vaga no Top 3!

CYRUS: Espera… a gente vai mesmo mandar uma mensagem pro espaço?

CHRIS: Isso foi literalmente o que eu acabei de dizer.

Cyrus arregalou os olhos, vibrando de empolgação.

CHRIS: Mas! Um pequeno detalhe técnico… Vocês só têm três horas antes do oxigênio escapar pelo buraco por onde entraram. Então eu não perderia tempo.

Nacho engoliu em seco e segurou o peito.

CHRIS: Ah, e mais uma coisinha: se apertarem os botões errados, a nave pode achar que está sendo invadida. E... as medidas de segurança são bem rigorosas.

O sorriso de Chris se alargou. A câmera cortou para Cyrus, que parou de vibrar no mesmo instante.

CHRIS: Boa sorte, campistas! Tentem não virar estatística no próximo documentário de conspiração alienígena!

CYRUS: Espera, você nem disse como sair desse setor! Chris…

A projeção se apagou num piscar de olhos, deixando apenas um silêncio desconfortável.

Cyrus mordeu o lábio, tentando processar.

CYRUS: Então... existe uma chance real de... começar uma guerra intergaláctica?

Willow suspirou e estalou os dedos.

WILLOW: Melhor não focar nisso. — Ela examinou o local e apontou para a única porta metálica no fundo do corredor. — Bem, só temos uma opção: tentativa e erro.

Molly forçou um sorriso.

MOLLY: Espero que seja mais tentativa e menos erro...

O grupo seguiu em direção à porta, saindo do setor B, enquanto as luzes ao longo das paredes piscavam de forma estranha. O ar tinha cheiro metálico, e um zumbido constante vibrava pelas estruturas da nave.

MOLLY: Ok, vou ser otimista… mas por que parece que a gente entrou num videogame de terror espacial?

NACHO: Pois é, tô só esperando um robô assassino aparecer e dizer: “prepare-se para ser desintegrado, ser inferior!” — Ele imitou uma voz robótica, olhando pros lados, desconfiado.

CYRUS: O que nem faz sentido, tecnicamente. Se fosse um robô alienígena, ele que seria o ser inferior, já que estamos na Terra…

WILLOW: Cyrus, juro que se você começar uma discussão filosófica sobre robôs agora, eu te deixo pra trás.

CYRUS: ...Justo. Prosseguindo.

Eles avançam mais alguns metros até que Nacho pisa, sem querer, num botão no chão.

NACHO: Ei, por que o chão fez “beep”?

Uma sirene baixa ecoa pelos corredores. Uma das portas metálicas se abre bruscamente na lateral e…

Nada acontece.

Todos encaram a entrada. Nada sai de dentro.

MOLLY: Uhh… será que era só uma porta automática?

WILLOW: Ou será que alguma coisa foi liberada e tá só esperando o momento certo pra atacar? — Disse quase rindo, tentando assustar os outros com cinismo.

O grupo se entreolha. O silêncio se estende e fica ainda mais incômodo.

NACHO: Ah cara, não joga essas ideias na roda assim! Agora vou ter que olhar por cima do ombro o tempo todo!

*CONFESSIONÁRIO ON*

NACHO: Eu odeio corredores compridos, cara! Sempre parece que tem algo invisível seguindo a gente… e sabe o que acontece com os caras grandes e simpáticos em filmes de terror? Pois é. Eu não quero ser o primeiro a rodar!

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Eles decidem ignorar a porta e seguem em frente. Já caminhavam há tempo suficiente pra parecer uma eternidade. O layout da nave era um verdadeiro labirinto de corredores idênticos, portas sem identificação e símbolos alienígenas que não ajudavam em nada.

MOLLY: Ok, eu sei que essa é uma nave super avançada, mas nunca ouviram falar em placa de "Saída"?!

CYRUS: É uma nave alienígena, Molly. Você acha mesmo que eles falam inglês ou qualquer idioma humano?

MOLLY: Bom, se o Chris consegue ler o idioma deles, isso só pode significar duas coisas: ou ele passou no Duolingo Alienígena, ou tá inventando tudo na cara dura...

Willow parou por um segundo, pasma com a lógica.

WILLOW: Molly, é o Chris McLean. Claro que ele tá inventando tudo. — Disse com a voz mais monótona possível.

Antes que alguém respondesse, um bipe agudo ecoou pelo corredor. Luzes vermelhas começaram a piscar no teto e, de repente, um emaranhado de lasers cruzou o caminho à frente.

Os feixes brilhavam em padrões imprevisíveis, piscando e variando de intensidade. Calor emanava deles.

WILLOW: Ótimo. Agora virou um filme de espionagem futurista. — Cruzou os braços, impaciente.

CYRUS: Isso é INCRÍVEL! — Já analisava os padrões, rabiscando no caderninho. — Se calcularmos o intervalo entre os pulsos, dá pra traçar um caminho seguro sem virar churrasco!

Sem esperar, Molly avançou e pulou no meio dos lasers.

CYRUS: MOLLY, NÃO—!

Ela girou no ar, desviando por pouco de um laser que quase acertou sua perna, depois se abaixou enquanto outro passou sobre sua cabeça. Chegou ao outro lado com um sorriso vitorioso e se virou.

MOLLY: É só ir na fé, galera!

O grupo piscou.

CYRUS: Ou, sei lá, a gente pode usar inteligência e não se jogar no perigo igual uma doida!

Molly deu de ombros.

CYRUS: Tá. Eu posso calcular um padrão seguro—

WILLOW: Ou eu posso só correr e ver no que dá. — Cortou.

Antes que Cyrus terminasse, Willow atravessou os lasers confiando apenas nos reflexos. Desviou de dois, girou, e o último passou direto… queimando a ponta do cabelo.

Ela aterrissou do outro lado e encarou os fios chamuscados.

WILLOW: Ugh. Meu cabelo! — Mostrou mais emoção do que nos últimos dias. — Eu paguei caro por isso! Vocês acham que esse ruivo liso, macio e sedoso é barato?! — Balançou a mão, protestando contra o vazio. Talvez contra os alienígenas.

CYRUS: POR QUE NINGUÉM ESPERA EU CALCULAR?!

Um som metálico vindo de trás fez os três olharem. Os lasers se apagaram.

NACHO: Vendo pelo lado bom... pelo menos os lasers sumiram!

CYRUS: Sei não, Nacho. Acho que eles só ativaram outra medida de segurança.

Ele estava certo. Duas bolas metálicas gigantes saíram das paredes, girando em alta velocidade.

NACHO: Não querendo alarmar ninguém, mas eu joguei jogos o bastante pra saber que essas bolas vão correr atrás da gente.

As bolas brilharam e dispararam na direção deles.

WILLOW: Corram!

CYRUS: AAAAH! ISSO NÃO TÁ NADA CERTO!

*CONFESSIONÁRIO ON*

NACHO: Eu só queria reafirmar que eu SABIA que aquelas bolas iam tentar nos matar. Videogames nunca mentem. Diferente do Chris.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Os três dispararam pelo corredor estreito, enquanto as bolas metálicas ganhavam velocidade atrás deles. Cyrus ainda estava do outro lado.

Ele respirou fundo, se preparou... e saltou.

Tentou seguir o padrão mentalmente, mas se atrapalhou no meio, tropeçou e caiu de cara no chão.

Molly e Willow o agarraram pelos braços e o puxaram sem parar. O grupo virou uma curva fechada e encontrou uma porta de metal aberta.

WILLOW: ENTREM LOGO!

Todos se jogaram para dentro no último segundo e… BAM! A porta se fechou automaticamente. As bolas colidiram com o metal e pararam.

O silêncio reinou.

NACHO: Eu nunca mais corro tão rápido na minha vida.

Eles respiraram fundo, tentando recuperar o fôlego.

NACHO: Tá... essa nave tem mais armadilhas do que eu esperava. E agora?

Willow olhou ao redor e apontou para frente. Diante deles, uma enorme porta ornamentada se destacava.

Era diferente das demais. Altíssima, com luzes pulsantes e símbolos giratórios que se reorganizavam sozinhos.

CYRUS: Se eu tivesse que apostar… — Bateu de leve no metal. — Essa é a Central de Comunicações.

WILLOW: Ou o cofre onde guardam as armas de destruição planetária. Tanto faz. — Disse com sarcasmo.

MOLLY: E se for a sala de descanso dos aliens? A gente entra e dá de cara com vários E.T.s de roupão tomando café intergaláctico!

Todos a encaram.

MOLLY: O quê? Eu gosto de considerar todas as possibilidades!

NACHO: Seja o que for... vamos abrir logo antes que eu desista.

Cyrus respirou fundo e levantou a mão, pressionando o botão brilhante ao lado do painel. A porta começou a se abrir com um rangido estridente de metal.

Os campistas se encolheram. A câmera focou no rosto de cada um, olhos arregalados, em silêncio.

O som da porta aumentava, criando tensão. Eles piscaram.

***

Chris aparece, o real, assistindo as imagens e abrindo um sorriso.

CHRIS: Epa! Esse me parece o momento perfeito pra um intervalo comercial! — Riu. — Querem saber o que tem atrás da porta? Então voltem depois desses rápidos minutos de publicidade! Já já tem mais Drama Total: Floresta dos Mistérios!

*Intervalo*

A sala era gigantesca, iluminada pelo mesmo brilho azul pulsante que parecia vir do chão metálico. No centro, um painel de controle alienígena projetava hologramas, cercado por botões piscando, cobertos de símbolos indecifráveis.

Os campistas ainda tentavam recuperar o fôlego da perseguição pelos corredores quando, de repente, a projeção de Chris reapareceu no meio da sala.

CHRIS: Aí estão vocês! Sabia que iam conseguir!

MOLLY: ÓTIMO! Agora explica por que essa nave tá programada pra nos fatiar como sashimi!

WILLOW: É, porque, caso não tenha notado, quase morremos umas três vezes a caminho daqui!

Chris abriu um sorriso cínico.

CHRIS: Então... pequena falha na comunicação! Eu, hum… não sabia que o sistema de segurança ainda estava tão... robusto.

Cyrus estreitou os olhos.

CYRUS: Você. Tá. Mentindo.

CHRIS: Tô? — Ele bateu palmas, desviando. — Mas chega de passado! O importante é que vocês chegaram! Agora, ao GRANDE MOMENTO!

Os quatro cruzaram os braços, claramente irritados. Mas, sem muitas opções, ficaram quietos e ouviram.

CHRIS: Se querem vencer esse desafio e evitar serem ejetados como lixo espacial, tudo que precisam fazer é... enviar uma mensagem pacífica para os aliens usando esse painel!

Molly piscou.

MOLLY: A gente já sabia disso. É só isso?

Chris riu. Um pouco demais.

CHRIS: Hahahaha! Ahhh, não, não, não. Não é tão fácil assim! Se apertarem os botões errados... podem, tipo, acidentalmente declarar GUERRA ao universo!

CYRUS: É, eu não esqueci disso!

Chris apontou para o painel.

CHRIS: Mas relaxem! É simples: decifrem os símbolos alienígenas e montem uma sequência que diga algo amigável, tipo “olá, viemos em paz” e não “ei, vamos destruir seu planeta”!

Willow suspirou, exausta.

NACHO: E como a gente vai saber quais botões apertar?!

Chris sorriu.

CHRIS: Bom, isso faz parte da diversão! Boa sorte!

E, com isso, a projeção sumiu.

*CONFESSIONÁRIO ON*

NACHO: Isso é uma loucura! Se apertarmos o botão errado, podemos iniciar uma guerra espacial. Isso significa que eu posso ser responsável pelo fim do mundo. Eu não aguento toda essa pressão, cara! Ai, mano, e agora, o que faço… — Ele suava frio.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

O grupo ficou parado por um momento. Cyrus respirou fundo e esfregou as mãos.

CYRUS: Tá bom. Eu vou primeiro. Se tem uma coisa que eu sei fazer, é decifrar coisas misteriosas! Pelo menos em teoria… — Completou, mais baixo.

Ele se aproximou do painel de controle e começou a analisar os símbolos.

CYRUS: Tá… esses círculos se repetem… esse tem uma linha… esse tem dois pontos…

Willow cruzou os braços.

WILLOW: Você acha que eles usam o mesmo sistema de linguagem que a gente? E se esses símbolos iguais não significarem a mesma coisa?

CYRUS: Willow, eu adoro ouvir sua voz, mas por favor, não começa. Já tô tenso o suficiente.

*CONFESSIONÁRIO ON*

WILLOW: Eu queria acreditar que o Cyrus sabe o que tá fazendo, mas... e se ele estiver interpretando tudo errado? Às vezes ele se acha um gênio, mas a gente já viu no que isso dá. Ele só tem 16 anos. Sem querer ofender, mas talvez seja hora de tentar outra abordagem. O problema é que eu não quero magoar ainda mais ele. — Ela mordeu o lábio. — Se eu falar demais, atrapalho. Se ficar quieta, a gente explode. Ótimo.

— — —

CYRUS: Normalmente eu sou bom em resolver problemas. Mas esses símbolos? Eu até encararia como um desafio intelectual… se meu cérebro não estivesse ocupado demais calculando quantas formas diferentes a gente pode morrer aqui.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Ele respirou fundo, criou coragem e apertou um botão.

Nada aconteceu.

CYRUS: Ótimo. Acho que tô no caminho certo!

Ele apertou outro botão.

A nave tremeu com força. Luzes vermelhas começaram a piscar. Um alarme ensurdecedor soou.

A projeção de Chris reapareceu, agora com uma expressão levemente preocupada.

CHRIS: Uh... então... talvez eu tenha esquecido de mencionar uma coisinha...

O grupo gritou ao mesmo tempo: “QUE COISINHA?!”

CHRIS: É que… abrir a Central de Comunicações sem autorização ativou um protocolo de segurança extra!

CYRUS: E VOCÊ SÓ LEMBROU DISSO AGORA?!

CHRIS: Calma, calma! Vocês só precisam terminar a missão e enviar a mensagem antes que a nave entre no modo de defesa máxima… o que... segundo esses dados aqui... vai acontecer em...

Ele checou um tablet e forçou um sorriso.

CHRIS: ...dois minutos e quarenta e sete segundos.

Houve um segundo inteiro de silêncio. Depois disso, o caos irrompeu.

*CONFESSIONÁRIO ON*

CYRUS: Eu tava tão animado. Ia fazer parte de um seleto grupo que conseguiu comunicação intergaláctica! — Ele sorriu, mas desabou logo depois. — Mas NÃO! Teoricamente, se o sistema alienígena for baseado em lógica fractal, os símbolos podem representar camadas de significado... — Rabiscava freneticamente. — Mas teoricamente também estamos todos mortos em dois minutos. Eu não funciono bem sob pressão, acho que isso já tá claro! — Sua voz tremeu.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

O alarme soava ensurdecedor, e as luzes vermelhas piscavam sem parar. Cyrus ainda estava parado, encarando o painel como se tivesse perdido a alma.

Chris pigarreou.

CHRIS: Bem... Cyrus, você teve sua chance.

Cyrus arregalou os olhos.

CYRUS: COMO É QUE É?!

Chris deu de ombros, indiferente.

CHRIS: A vida é assim, cara. Você tentou e errou. Agora só sobram três de vocês com chance de vencer. Se alguém conseguir enviar a mensagem e desativar o sistema de segurança... parabéns, vitória garantida. Se ninguém conseguir... bem... — Mais uma pausa dramática. — Ninguém vai estar imune. Isso se conseguirem sair da nave.

Os campistas se entreolharam. O cronômetro na parede marcava 2 minutos e 30 segundos. Felizmente, essa cultura alienígena usava números humanos.

MOLLY: Bom, já que estamos a um erro de sermos vaporizados... acho que é minha vez. Só pra acabar logo com isso.

Ela avançou, trincando os dentes com determinação e analisando o painel.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MOLLY: Vou ser sincera, eu tava apavorada. Se eu falhar aqui, vão me chamar de "a garota que explodiu a nave". Esse não é o tipo de legado que eu quero!

*CONFESSIONÁRIO OFF*

MOLLY: Tá... talvez se eu apertar os botões com os desenhos mais redondinhos… círculos são pacíficos, né? — murmurou.

Ela apertou um botão com um símbolo espiralado. O painel piscou azul.

Molly respirou aliviada.

Ela apertou mais um. O painel piscou vermelho.

Uma voz alienígena ecoou pela sala, incompreensível, mas claramente ameaçadora. Chris assobiou.

CHRIS: Ééé... acho que isso foi um belo NÃO. Próximo!

Molly soltou um grunhido frustrado e recuou. Nacho engoliu em seco. O cronômetro agora marcava 1 minuto e 10 segundos.

NACHO: Ok, minha vez. Se eu errar, vocês só me julgam um pouquinho, tá?

Ele se aproximou do painel, tentando encontrar alguma lógica nos símbolos.

Apertou um botão com um triângulo verde brilhante. O painel piscou azul.

O grupo prendeu a respiração.

NACHO: Parece que funcionou? Vou apertar outro...

Apertou mais um. Azul de novo. Chris olhou para as unhas, entediado.

CHRIS: Olha só, temos um pequeno gênio aqui.

Nacho sorriu, ganhando confiança.

Apertou mais um botão. O painel piscou vermelho. De repente, a voz alienígena gritou algo que, mesmo sem tradução, dava pra saber que era ruim.

O cronômetro travou em 60 segundos.

Então, uma nova mensagem surgiu na tela principal. Os olhos de Chris se arregalaram. Ele folheou um dicionário de bolso e traduziu:

CHRIS: De acordo com isso aqui... diz: "ÚLTIMA TENTATIVA PERMITIDA. MAIS UM ERRO RESULTARÁ EM AUTODESTRUIÇÃO."

O silêncio foi imediato.

Willow empalideceu. Molly tapou a boca. Cyrus quase engasgou de desespero. Nacho deu um passo para trás.

NACHO: …OK. Eu passo.

O cronômetro começou a contar os últimos 45 segundos.

Todos olharam para Willow. Ela franziu a testa.

WILLOW: Eu odeio vocês. — Disse, resignada.

Então correu até o painel.

Os outros prenderam a respiração.

Willow analisou os símbolos com atenção afiada.

WILLOW: Tá. Pensamento lógico. Se só podemos mandar uma mensagem, ela tem que ser linear. Nada complicado. Algo básico, tipo um alfabeto primitivo… — Murmurou.

Ela começou a apertar os botões com movimentos calculados.

WILLOW: Isso. Isso. Isso. E…

Apertou o último botão.

O cronômetro congelou em 3 segundos. O painel brilhou todo em azul.

A voz alienígena ecoou... mas dessa vez, calma. As luzes vermelhas se apagaram. O alarme parou.

Na tela, apareceu uma frase traduzida automaticamente: "MENSAGEM RECEBIDA. PAZ GARANTIDA. VEMOS VOCÊS EM BREVE, TERRÁQUEOS."

Os campistas ficaram imóveis. Então Molly, Nacho e Cyrus gritaram de alívio.

MOLLY: NÓS SOBREVIVEMOS! — Gritou, abraçando Nacho, que riu.

Willow só fechou os olhos e suspirou.

CHRIS: Uau. Impressionante. Parabéns, Willow! — Bateu palmas lentas. — Você garantiu imunidade! …E também nossa sobrevivência. Mas vamos focar na parte do jogo, que é o que importa, né?

Willow o encarou, sem paciência.

WILLOW: Sabe o que é pior? Nem tô surpresa que você só se importe com esse reality maldito quando nossas vidas estavam em risco.

Chris sorriu.

CHRIS: Faz parte do charme!

Molly olhou ao redor.

MOLLY: Ei, já que não vamos morrer, alguém pode me explicar como a gente volta pra floresta? Não estamos no subterrâneo?

Todos olharam para Chris. Ele sorriu de novo.

CHRIS: E é isso por hoje, pessoal! Vejo vocês no acampamento!

E desapareceu da projeção.

O silêncio voltou. Willow cruzou os braços com um grunhido.

WILLOW: Esse cara merece um prêmio por ser o maior CANALHA da história da televisão.

Cyrus respirou fundo.

CYRUS: Ok, vamos pensar. Deve ter um jeito de sair daqui.

Antes que terminasse, outro alarme soou. Dessa vez, era um som suave.

A voz alienígena anunciou, mais uma vez traduzida automaticamente:

"INICIANDO PROTOCOLO DE RETORNO. PREPAREM-SE PARA A SUBIDA."

Os quatro se entreolharam. Molly sorriu, nervosa.

MOLLY: Legal! Acho que a nave vai levar a gente pra casa!

O chão tremeu forte. O grupo foi lançado contra a parede. Um buraco se abriu no teto e todos foram sugados para cima.

Quando se deram conta, estavam de volta ao morrinho no centro da cratera, todos emaranhados. Molly riu, com um sapato faltando e o cabelo em pé. Willow ajeitou seu chapéu ushanka.

WILLOW: Eu nunca mais entro numa nave extraterrestre. — Ela suspirou.

***

O fim da tarde pairava sobre o acampamento, enquanto o Top 4 digeria os eventos do dia.

Cyrus estava sentado em um tronco, girando um galho entre os dedos, um hábito que pegou de Willow. O olhar perdido se fixava nas folhas no chão, pensamentos martelando sua cabeça. Foi então que Willow se aproximou, sentando-se ao lado com um suspiro cansado.

WILLOW: Beleza — Começou, passando a mão pelos cabelos ruivos. — Precisamos conversar sobre hoje à noite.

Cyrus olhou para ela.

CYRUS: Nem vai me dar um oi primeiro?

Willow suspirou e deu uma risada leve.

WILLOW: Oi. — Sorriu. — Mas sobre a votação…

CYRUS: Você acha que algum de nós tem escolha? — Interrompeu, meio rindo, meio resignado.

Willow apoiou os cotovelos nos joelhos, encarando o chão com ele.

WILLOW: Acho que temos que tomar a melhor decisão. E a melhor decisão... é votar na Molly.

Cyrus apertou o galho entre os dedos, mas não respondeu.

WILLOW: Eu sei que você gosta dela. — Continuou, num tom mais brando. — Eu também gosto. Todo mundo gosta. Esse é o problema.

Cyrus suspirou, passando a mão no rosto.

CYRUS: Willow…

WILLOW: Olha, eu não tô falando isso porque sou insensível. Eu gosto da Molly. Se fosse só amizade, nem cogitaria. Mas ela tem a melhor história, a melhor narrativa. O júri ama ela. Se ela chegar na final, a gente já pode dar adeus ao prêmio.

Cyrus franziu o cenho.

CYRUS: E você acha que o Nacho não é uma ameaça?

Willow deu um sorriso pequeno.

WILLOW: Ele é. Mas menos.

Cyrus soltou um risinho curto e cansado.

CYRUS: Isso é tão errado. Nós quatro éramos amigos! Cadê o McConnor pra ser o bode expiatório quando precisamos dele?

Willow deu de ombros.

WILLOW: É o jogo. E honestamente? Agora que tô imune, você acha que eles não vão votar em você? Pensa, Cyrus. Você é lógico, né?

Cyrus ficou em silêncio. Olhou de novo para as folhas, com o estômago revirando. Sabia que ela estava certa.

Fechou os olhos por um momento e assentiu.

CYRUS: Tá bom.

Willow tocou o braço dele de leve.

WILLOW: Não precisa se sentir mal. Isso não é o fim do mundo.

Ele riu baixo.

CYRUS: Diz isso pra mim depois do voto.

*CONFESSIONÁRIO ON*

CYRUS: Eu confio na Willow. A gente passou por muita coisa. Altos e muitos baixos. E eu faria qualquer coisa por ela. Mas quando chegou na Molly… foi estranho. A parte lógica de mim sabe que ela vai votar em mim, mas... sei lá. Eu só não queria que fosse assim. Ela é uma boa garota. Meio esquisita, mas boa. E ainda assim, eu quero eliminá-la, se isso significa que eu vou pra final. — Coçou o braço, desconfortável.

— — —

WILLOW: Se eu acho que estou sendo maldosa? Não. Isso é um jogo por um milhão de dólares. Todo mundo sabe das regras. No final, decisões difíceis precisam ser tomadas.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Do outro lado do acampamento, Molly e Nacho estavam sentados lado a lado, jogando pedrinhas no Lago Winimakatikahaha. Nenhum dos dois falava. O silêncio não era exatamente confortável.

MOLLY: Eu não queria que fosse o Cyrus. — Atirou uma pedra com força.

Ela bateu na água três vezes antes de afundar. Nacho suspirou, tombando a cabeça para trás e encarando o céu laranja.

NACHO: Eu também não.

MOLLY: Mas... é isso, né? Se queremos ter uma chance...

Nacho assentiu devagar.

MOLLY: Ele e a Willow não vão votar um no outro. Eu não vou votar contra você. Sobra ele. — Encolheu-se, apertando os joelhos contra o peito. — Isso não torna mais fácil.

Nacho olhou para ela e sorriu. Meio triste, meio solidário.

NACHO: Nunca é fácil.

***

A noite caiu mais rápido do que o Top 4 esperava. Quando perceberam, já estavam sentados nos tocos ao redor da fogueira do Altar dos Antigos Sacrifícios. O fogo estalava, iluminando rostos tensos.

Chris McLean apareceu com um sorriso e uma tigela com três pinhas. Ele a sacudiu.

CHRIS: Vocês votaram, e agora é minha vez de distribuir essas belezinhas!

Sem aviso, jogou a primeira.

Willow arregalou os olhos, mas pegou no reflexo.

CHRIS: Willow, salva! A próxima pinha vai para...

Ele lançou outra. Nacho tentou agarrá-la, mas ela bateu no peito dele e caiu no chão.

CHRIS: Nacho, essa é sua! E agora...

Molly e Cyrus se encararam. Molly puxou a manga do suéter e Cyrus ajeitou o boné com as mãos suadas.

CHRIS: A última pinha vai para...

Ergueu a pinha como se fosse um artefato raro. Num movimento dramático, lançou-a para o alto.

A pinha fez um arco perfeito... e caiu direto na fogueira.

O silêncio foi absoluto.

Molly piscou.

MOLLY: Você precisa treinar sua mira, Chris.

CYRUS: É, mas... pra quem você ia jogar? — Engoliu em seco.

Chris abriu um sorriso largo.

CHRIS: Para ninguém! Porque... temos um EMPATE! — Anunciou, animado. — Finalmente! Já tava cansado de tantas votações unânimes. — Acrescentou, aborrecido.

Molly ficou boquiaberta. Cyrus ajeitou o boné pois já esperava por isso.

CHRIS: E, claro, isso significa que vamos para um delicioso e dramático desempate!

Do nada, ele puxou um saco de estopa e sacudiu no ar.

CHRIS: Cyrus e Molly, coloquem a mão aqui e peguem uma pedra. Tenho uma laranja e uma verde. Uma representa a vida, a outra... bem, o fim do jogo!

Molly esfregou as mãos, tentando secar o suor. Cyrus limpou os dedos freneticamente na lateral da bermuda.

CHRIS: A pedra laranja garante sua vaga na final. A verde? Eliminado. Entendido?

Cyrus e Molly se entreolharam.

Ambos se prepararam para mergulhar a mão no saco, mas Cyrus hesitou. Olhou direto para Molly.

CYRUS: Molly... eu realmente queria estar na final. Esse jogo significa muito pra mim. — Sua voz era baixa, hesitante. — Você sabe... tem certeza que não pode me ajudar?

Molly ficou imóvel.

MOLLY: Esse jogo também significa muito pra mim, Cyrus. — Respondeu, surpresa.

Chris quase cuspiu de tanto rir.

CHRIS: ISSO! Um pedido de desistência! Adoro ver o desespero nos olhos de vocês!

Cyrus desviou o olhar.

CYRUS: Ok, foi um golpe baixo. Mas... eu sempre me imaginei na final. Não consigo processar sair agora.

Willow, que observava com os braços cruzados, colocou a mão no ombro dele.

MOLLY: Bem, eu também quero vencer, Cyrus.

Cyrus suspirou, resignado.

CYRUS: É, eu sei.

MOLLY: Então... sorte? — Ela sorriu.

CYRUS: Isso é extremamente ilógico. Mas sim, vamos às pedras. — Respondeu com um sorriso exasperado.

Molly esfregou os pingentes da pulseira e colocou a mão no saco. Cyrus seguiu.

Willow manteve a mão no ombro dele, os olhos fixos no saco. Nacho cobriu a boca, segurando o fôlego.

Chris se inclinou, animado.

CHRIS: Ok, mostrem suas pedras em três... dois... um!

Molly e Cyrus abriram as mãos.

Ela tinha a pedra laranja. Ele, a verde.

O silêncio pesou. Chris mordeu o lábio para conter o riso. Willow arregalou os olhos. Nacho desviou o olhar, incerto do que dizer.

CHRIS: E ISSO SIGNIFICA QUE CYRUS ESTÁ ELIMINADO!

Cyrus permaneceu imóvel, encarando a pedra verde como se pudesse reverter o resultado.

CYRUS: Eu... perdi?

Willow levou as mãos à boca, chocada.

WILLOW: Ah, cara…

MOLLY: Cyrus, me desculpa…

CYRUS: Nah… — Ele suspirou, tentando engolir a decepção. — Não precisa, Molly. Você venceu de forma justa. As pedras decidiram. — Riu seco.

Molly mordeu o lábio, segurando a pedra laranja. Nacho, que evitava encará-lo, forçou um sorriso.

NACHO: Ei, pelo menos chegou até o Top 4! Isso é incrível, cara.

CYRUS: Sim, ótimo. — Forçou um sorriso.

CHRIS: Ai, ai… eu amo eliminações amargas. Mas chega de sentimentalismo! Hora de despachar nosso querido perdedor!

Chris apontou para a estrada. Ao longe, o ronco de um motor ecoou na floresta. Cyrus suspirou e jogou a pedra verde para trás, sem olhar. Virou-se para Molly, Willow e Nacho, hesitou e estendeu a mão para Molly.

CYRUS: Você merece isso. Boa sorte na final.

Molly apertou sua mão, sorrindo com gratidão.

MOLLY: Vou dar o meu melhor.

Ele então virou para Willow, que ainda processava tudo.

CYRUS: Ei… foi divertido competir contigo. Espero que possamos ser amigos lá fora. — Seus olhos marejaram.

WILLOW: Eu não acredito que isso tá acontecendo. — Sua voz falhou.

CYRUS: Nem eu.

Willow, perdendo a pose, o puxou para um abraço rápido.

Nacho finalmente encarou Cyrus e levantou a mão para um toque de despedida.

NACHO: A gente se vê do outro lado, né? Tá convidado pro meu restaurante também!

CYRUS: Claro, mano. — Riu, sem entender exatamente do que ele falava.

Cyrus pegou a mochila, olhou uma última vez para a fogueira e subiu no ônibus. Assim que as portas se fecharam, o motorista acelerou, fazendo o veículo arrancar com os pneus cantando.

CHRIS: E lá se vai Cyrus! E assim… temos nosso TOP 3! — Virou-se para a câmera.

A câmera deu um close dramático em Molly, Willow e Nacho, com o fogo crepitando ao fundo.

CHRIS: Três competidores, um milhão de dólares! Quem será o grande vencedor de Drama Total: Floresta dos Mistérios?! Descobriremos logo, mas antes...

Ele ergueu um dedo.

CHRIS: Temos algo especial preparado para o próximo episódio. A grande final será ligeiramente adiada… porque uma reunião cabulosa está a caminho! É um segredo que nem nossos finalistas conhecem! — Ele riu. — Quem tá pronto pra uma visitinha de velhos amigos?

A risada de Chris ecoou enquanto os créditos começavam a subir.