Drama Total: Floresta dos Mistérios
11 carpEt diem
Drama Total: Floresta dos Mistérios
Capítulo 11 — carpEt diem
A tela se abre com uma tomada aérea da Reserva de Tipikanizaw. Um nevoeiro espesso se arrasta lentamente por entre as árvores retorcidas. A câmera corta para Chris McLean, relaxando em uma rede esticada entre duas árvores, com um cappuccino fumegante na mão e um sorrisinho maroto no rosto.
CHRIS: No episódio anterior de Drama Total: Floresta dos Mistérios, nossos sete finalistas enfrentaram o clássico desafio do programa: comida nojenta! Mas aqui, como vocês sabem, o "nojento" é levado a outro nível. Os campistas tiveram que preparar os próprios pratos com ingredientes exóticos como barba de gnomo, sangue de unicórnio e escamas de dragão! Sim, sim, só mais um dia rotineiro nesse paraíso bizarro! — Ele dá uma risadinha sarcástica. — Como era de se esperar, a única alma com um mínimo de competência foi a Willow, que venceu sem pestanejar. Será que finalmente temos uma ameaça real? Hmm... controvérsias. — Ele coça o queixo. — Já o Seth, bom… ele mergulhou de cabeça em uma piscina de riqueza e depois largou tudo só pra não virar churrasquinho de dragão. No fim, saiu com uma escama de ouro e, por algum motivo que só Freud explica, isso fez o coração da Minyoung bater mais rápido?! Sim, aparentemente temos um novo crush improvável se formando. Esse elenco realmente precisa de terapia de grupo. — Ele faz uma careta exagerada. — E falando em prioridades equivocadas... McConnor passou o episódio inteiro choramingando porque ninguém queria ser amigo dele. Que tristeza. — Com ironia. — Mas aí: reviravolta! Ele tropeçou em uma vantagem de jogo, o que só podia significar uma coisa: DRAMA NA CERTA! Resultado? UMA REVELAÇÃO EXPLOSIVA com uma Estatueta McLean da Invencibilidade! Todos os votos foram pra ele, mas graças ao poder da estatueta, McConnor escapou da eliminação! O azar ficou com… Minyoung! E agora estamos oficialmente no Top 6! Será que McConnor vai durar mais um episódio ou virou o novo alvo da vez? Willow vai continuar arrasando nos desafios? Molly vai pirar sem a melhor amiga? E Seth vai superar o luto pelo seu ouro de estimação?! Descubram isso e muito mais agora em mais um episódio de… DRAMA TOTAL: FLORESTA DOS MISTÉRIOS!
*Abertura*
A cabine da fusão estava mergulhada em um silêncio tão denso que dava pra ouvir o zumbido irritante de um mosquito perdido rondando o teto.
Molly estava sentada na beira da cama, encarando o colchão vazio onde Minyoung costumava dormir. Seu pé balançava em um ritmo ansioso, enquanto os dedos amassavam as mangas do suéter com força. Ela respirou fundo, tentando puxar um sorriso, mas o resultado foi mais uma careta travada do que qualquer outra coisa.
Do outro lado da cabine, McConnor rabiscava com concentração seu inseparável bloquinho, aparentemente alheio ao peso do momento. Seth, no beliche de cima, abraçava seu terno como se fosse um travesseiro emocional, murmurando baixinho:
SETH: "Podia ter sido meu… podia ter sido meu ouro..."
Willow, encolhida num canto, afiava um galho com um canivete, com uma calma quase ameaçadora. Cyrus, encostado na parede com os braços cruzados, encarava o teto como se esperasse que alguma resposta mística caísse de lá. Já Nacho, sentado no chão, cutucava o assoalho com um graveto, claramente sem saber como quebrar o silêncio que pairava.
Depois de alguns segundos que pareceram horas, Molly decidiu tomar iniciativa.
MOLLY: Ok, galera, eu sei que a noite foi um desastre completo... mas a gente não pode deixar essa vibe negativa dominar tudo! A Minyoung não ia querer ver a gente assim!
Ela tentou mais um sorriso, mas ele escorregou de novo para uma careta tensa.
Nacho hesitou, ergueu o punho num gesto fraco e murmurou:
NACHO: Certo. Pela Minyoung.
Mais silêncio.
McConnor, ainda focado em suas anotações, rabiscou mais algumas palavras antes de soltar sua voz sem emoção:
MCCONNOR: Foi mal aí. Não queria deixar vocês mal.
Molly virou a cabeça tão rápido que quase deslocou o pescoço.
MOLLY: O quê?! "Foi mal aí"?! Só isso?!
McConnor finalmente levantou os olhos.
MCCONNOR: Eu ia ser eliminado. Ou era eu ou ela. Qualquer um faria o mesmo.
Molly piscou, incrédula.
MOLLY: Não! Eu NUNCA faria isso!
MCCONNOR: Não se iluda. Faria sim.
MOLLY: Você não me conhece! Não sabe do que eu sou capaz!
MCCONNOR: Eu trabalho com ciência. Hipóteses, probabilidades... E com base nas evidências, tenho 87% de certeza que você salvaria a própria pele. Qualquer pessoa sensata faria.
Molly abriu a boca, mas nenhuma resposta saiu. Frustrada, bufou e se levantou de forma brusca.
MOLLY: Sabe de uma coisa? Esquece.
Ela saiu da cabine, batendo a porta com força suficiente pra fazer Seth resmungar no beliche de cima.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MOLLY: Eu tento ver o melhor nas pessoas. De verdade! Mas o McConnor?! Ele não facilita nem um pouco! Eu achei que estávamos criando uma conexão, sabe? Mas ele não demonstra arrependimento, culpa, nada! Ele parece feito de pedra! — Ela passa as mãos no rosto, irritada. — Mas quer saber? Eu não vou me igualar a ele. Eu ainda posso vencer isso do meu jeito. Sem trair ninguém!
— — —
MCCONNOR: Olha, eu entendo que o pessoal esteja bravo. Mas alguém aqui parou pra pensar no contexto geral? Eu só fiz o que qualquer um faria pra continuar no jogo! A Minyoung era forte, jogava bem, e… tá, talvez fosse mais popular do que eu. Mas isso não muda nada! — Ele ajusta os óculos e volta a olhar para o bloquinho. — Agora, se me dão licença, preciso recalcular minhas chances de chegar ao top 4... Se meus cálculos estiverem certos, vou ter que aumentar meu carisma em pelo menos 35%. O problema? Eu pareço ter carisma negativo.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
O sol mal tinha nascido, mas Seth já estava à toda.
Depois das interrupções irritantes do dia anterior, ele finalmente tinha um objetivo definido: voltar à caverna e recuperar seu precioso ouro escondido. Só que, desta vez, precisava agir com discrição.
Seu primeiro plano foi digno de um prêmio de atuação. Framboesa de ouro. Seth entrou cambaleando na cantina, curvado e gemendo como se tivesse levado uma facada num drama de quinta categoria.
Apoiou-se no balcão, arfando, com uma mão na barriga e a outra estendida como se fosse desmaiar a qualquer segundo.
SETH: Ugh… Chef… eu… estou… morrendo… Preciso sair urgentemente para… respirar ar puro e me recuperar. E de preferência… numa caverna.
Chef Hatchet, que afiava calmamente um facão de açougueiro, ergueu uma sobrancelha, indiferente.
Sem dizer nada, pegou um balde de água e despejou o conteúdo inteiro na cabeça de Seth com precisão cirúrgica.
Depois voltou a cortar cebolas como se nada tivesse acontecido.
CHEF: Se tá doente, vai pra enfermaria. Sai da minha frente antes que você contamine meus vegetais!
Seth permaneceu parado, encharcado e com expressão de derrota absoluta, enquanto um filete d’água escorria do seu nariz.
SETH: …Plano B, então.
Saiu se arrastando, deixando um rastro molhado pelo caminho como um caracol frustrado.
***
Algum tempo depois, atrás da cabine da fusão, Seth estava ajoelhado no chão, cavando freneticamente com uma colher de plástico “emprestada” do refeitório.
SETH: Isso! Um túnel subterrâneo! Ninguém nunca pensou nisso! É genial! Com isso, eu consigo chegar na caverna sem levantar suspeitas.
Três segundos depois, o túnel desabou como um castelo de cartas num tornado.
Seth olhou para o buraco e soltou um suspiro seco.
SETH: …Tá bom. Plano C.
Jogou a colher com desprezo e se afastou, coberto de terra.
***
Mais tarde, Chris McLean relaxava escorado em uma árvore, tomando café e rolando o feed do celular com desinteresse total. Provavelmente bloqueando haters no Twitter.
Seth respirou fundo e se aproximou, determinado.
SETH: Chris! Preciso que você feche a área leste da Reserva. Você sabe, aquela parte onde tem a caverna? Ninguém deve ir lá… exceto eu, claro. É uma questão de… segurança!
Chris nem levantou os olhos do celular.
CHRIS: Não tô te ouvindo, mas já parece chato.
Seth fechou os punhos, irritado.
SETH: Chris! Isso é sério!
Chris finalmente tomou um gole de café e fingiu um pingo de interesse.
CHRIS: Segurança? Que tipo?
SETH: É… é…
Corte abrupto para Seth encarando a câmera, com a alma claramente esvaziada do corpo.
SETH: Plano D. Por favor, me ajude.
Chris voltou a digitar, ignorando completamente.
***
Ao cair da tarde, Seth finalmente conseguiu se esgueirar até a borda da floresta.
Inspirou fundo, tentando manter a calma.
SETH: Ok… agora vai…
Mas antes que desse um passo rumo à liberdade, Cyrus apareceu do nada, surgindo como um NPC, bloqueando o caminho com entusiasmo desnecessário.
CYRUS: Ei, Seth! Pergunta rápida: você já ouviu falar na Lenda do Espírito da Névoa Alucinógena?
Seth fechou os olhos com força e soltou um suspiro tão profundo que parecia que exalava a própria vontade de viver.
SETH: …Não.
CYRUS: Ótimo! Porque é um mistério real que eu tô estudando! Basicamente, há indícios de que a névoa de Tipikanizaw—
Corte para Seth olhando fixamente para a floresta atrás de Cyrus, quase em prantos. O céu já tingia o horizonte com tons alaranjados. O dia estava acabando.
*CONFESSIONÁRIO ON*
CYRUS: Eu juro que eu tento… eu tento muito! Mas parece que ninguém aqui aprecia um bom mistério! Eu tô literalmente tentando compartilhar um conhecimento ancestral de Tipikanizaw, e Seth me olha como se eu fosse uma Testemunha de Jeová batendo na porta dele. — Ele suspira, esfregando a testa. — Aposto que se fosse a Molly falando sobre alguma bobagem, todo mundo prestava atenção! Mas quando sou eu, é só “Ah, lá vem o Cyrus, chato de novo!”. Isso é injusto!
— — —
SETH: Eu só queria ser rico. Eu só queria ser rico! Mas toda vez que eu tento fugir, alguma coisa me atrapalha! — Ele passa a mão no rosto, esgotado. — Admito, eu não esperava que o Chris fosse me ignorar tanto, mas eu devia ter previsto. — Ele suspira e cruza os braços. — Eu preciso sair sem que ninguém perceba, porque sei que se descobrirem minha mina de ouro, vão querer dividir o lucro. E eu não sou de dividir nada! Mas nem isso eu consigo! — Ele cerra os punhos, lutando para manter o orgulho. — Sem chances de ir até a caverna hoje. Eu não vou me enfiar no mato no escuro! Sabe quantos filmes de terror começam assim? Eu vou sobreviver e depois ficar milionário, nessa ordem! Mas amanhã? Amanhã esse ouro vai ser meu!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
O sol mal tinha subido no céu de Tipikanizaw quando Seth emergiu da cabine, esgueirando-se. Os olhos estavam cobertos por um par de óculos escuros absurdamente chamativos, inúteis em qualquer sentido prático, mas perfeitos para chamar atenção indesejada. Movia-se com cautela exagerada, quase se arrastando, como se estivesse estrelando um filme de espionagem.
Parou de repente no meio do caminho. Abaixou-se, puxou os cadarços dos sapatos com cuidado quase cerimonial, garantindo que estavam firmes. Ajeitou o saco de estopa pendurado nas costas e, como se aquilo fosse o plano mais lógico do mundo, puxou um pé de cabra de dentro dele.
SETH: Dessa vez, nada pode me impedir. — Murmurou para si mesmo, ajustando os óculos com ar dramático. — Eu sou um ninja. Um mestre do crime. Eu sou—
Um estagiário do programa passou ao lado, tranquilo, segurando um copo de café.
Seth imediatamente se jogou no chão, como se tivesse acabado de desviar de uma bala perdida. O estagiário o olhou por um segundo, piscou devagar… e simplesmente continuou andando, completamente indiferente.
Seth levantou a cabeça, sacudindo a poeira do paletó com dignidade.
SETH: Ninguém suspeita de nada. Perfeito.
Continuou se movendo, agora deslizando entre as árvores com uma tentativa visível de parecer discreto, mantendo o corpo abaixado, como se aquilo de fato fizesse diferença.
A câmera cortou para Chris, completamente alheio à movimentação, mexendo no celular. Depois para Cyrus, concentrado rabiscando algo em seu diário. Em seguida, Molly tentava enfiar flores na camisa de Nacho, que aceitava tudo com resignação pacífica.
O caminho estava livre.
Seth sorriu, vitorioso. Começou a correr em direção à floresta, braços para trás como se estivesse num anime. Mal parecia tocar o chão. A adrenalina subia. Ele estava pronto. Ele ia conseguir!
Mas então, vozes.
Seth parou bruscamente e se colou atrás de uma árvore, os sentidos aguçados. Dois estagiários estavam perto da entrada da caverna, conversando casualmente.
ESTAGIÁRIO 1: Não ouviu, não? O chefe avisou que essa área tá fora dos limites a partir de agora.
Seth franziu o cenho. Fora dos limites. Justamente o lugar que ele precisava acessar.
Aproximou-se silenciosamente, tentando captar cada palavra com clareza.
ESTAGIÁRIO 2: É, eu ouvi sim. Parece que vão usar o dragão pro próximo desafio. Já tiraram ele de lá, né? Foi o que aquela novata comentou.
A informação caiu sobre Seth como um bloco de concreto. Seu rosto congelou, os olhos arregalados. Por um instante, parecia que o cérebro estava processando cada palavra com um atraso de dois segundos.
O dragão. Foi retirado. A caverna estava vazia.
Os olhos de Seth brilharam. Um sorriso torto começou a se formar, evoluindo para algo entre malícia e insanidade pura.
SETH: Se o dragão não está lá… então eu não tenho nada a temer. — Disse, quase em transe.
Ficou parado por alguns segundos, o sorriso crescendo lentamente. Primeiro veio uma risadinha abafada. Depois, uma risada maior. E por fim, uma gargalhada descontrolada, digna de vilão megalomaníaco de desenho animado.
O estagiário mais próximo franziu a testa, olhando em direção à floresta.
ESTAGIÁRIO 1: Você escutou isso?
ESTAGIÁRIO 2: Deve ser só o vento.
Enquanto isso, Seth se levantava lentamente, com o mesmo cuidado de quem sabe que venceu antes mesmo do jogo acabar. Retirou os óculos escuros com classe e os guardou no bolso do paletó. Estalou os dedos. Alongou os braços. E voltou a caminhar em direção à cabine, como se estivesse desfilando numa passarela.
*CONFESSIONÁRIO ON*
SETH: Xeque-mate. A caverna é minha. Só preciso esperar os estagiários darem o fora dali. E o ouro… o ouro também vai ser meu! — Ele sorri, com os olhos brilhando de ganância.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
A câmera se abriu para uma vista aérea do campo de desafios. No topo de uma plataforma elevada, Chris McLean segurava um megafone com uma das mãos e exibia seu sorriso satisfeito de sempre. Atrás dele, o céu azul era pontuado por obstáculos absurdos e perigos claramente questionáveis.
Os seis campistas restantes, Molly, McConnor, Willow, Nacho, Cyrus e Seth, observavam a cena com expressões que variavam entre apreensão e puro pânico. Bom, quase todos. Seth estava de braços cruzados, encarando o nada com a cara fechada, visivelmente alheio ao que acontecia à sua volta.
CHRIS: Bom dia, queridos sofredores! Sejam bem-vindos ao Percurso de Obstáculos Aéreo de Tipikanizaw!
Molly piscou, tentando entender.
MOLLY: Uh… aéreo? Tipo... a gente vai voar? Tem um helicóptero envolvido?
CHRIS: Claro que não! Um helicóptero? Pff. Muito fácil! Hoje temos algo muito mais... místico.
Willow revirou os olhos, já entediada.
WILLOW: Só fala logo.
CYRUS: É. E por que você anunciou isso como se fosse a maior surpresa do universo? Todo desafio tem alguma coisa mística.
CHRIS: Ah, mas esse é realmente especial!
Ele abriu um sorriso maléfico e apontou dramaticamente para o caos suspenso no céu.
CHRIS: No desafio de hoje, vocês terão que pilotar um tapete voador através de aros em chamas, evitar ataques de hipogrifos furiosos e desviar dos meus fiéis estagiários de elite, que estarão voando com jetpacks e lançando…
Nesse exato momento, um estagiário passou zunindo no ar e arremessou o que claramente parecia ser uma porta de geladeira na direção da câmera.
CHRIS: …sucata aleatória em vocês!
Os campistas empalideceram coletivamente.
NACHO: Cara… isso é, tipo… seguro?
CHRIS: Depende! Defina essa palavra “seguro”.
Molly apontou para toda a paisagem surreal à volta, os olhos arregalados.
MOLLY: Isso tudo parece… mortal.
CHRIS: Nah, só um pouquinho letal. Além disso, como se já não fosse emocionante o bastante…
Ele fez uma pausa dramática e apontou para o horizonte.
No alto, um dragão colossal batia as asas com força. Uma nuvem de fumaça saiu pelas narinas da criatura, que olhava para baixo com cara de poucos amigos.
CHRIS: Vocês também terão que passar pelo nosso querido mascote ao fim do percurso! Ele pode ou não tentar fritar vocês. Mistério!
Os campistas trocaram olhares de puro pavor. Molly parecia hesitante, McConnor ergueu uma sobrancelha, Willow soltou outro suspiro resignado, e Nacho murmurou algo rápido em espanhol.
Mas quem realmente travou foi Cyrus.
CYRUS: Espera aí… esse não é o mesmo dragão da caverna?!
Antes que Chris pudesse responder, um grito puro rasgou a cena.
A câmera virou bruscamente para Seth.
Até então, ele não tinha demonstrado o menor interesse. Mas agora… seus olhos estavam arregalados, a boca aberta, completamente apavorado.
SETH: O DRAGÃO JÁ TÁ AQUI?!
CHRIS: Ué, acabei de falar—
Seth olhou para o dragão. Depois, para a floresta. De novo para o dragão. E mais uma vez para a floresta.
E então, sem dizer uma única palavra, deu meia-volta e disparou em uma corrida desesperada rumo às árvores.
Os outros apenas assistiram em silêncio enquanto Seth desaparecia, sem olhar para trás.
Silêncio total.
CYRUS: …O que acabou de acontecer?
NACHO: Acho que ele tem… outras prioridades.
WILLOW: Ótimo. Menos um.
Chris deu de ombros como se aquilo fosse o mais normal do mundo.
CHRIS: Bom, claramente ele não quer a imunidade. Menos um pra me preocupar! Mas vocês, nem tentem fugir. O desafio vai acontecer, gostem ou não!
McConnor esfregou as têmporas, irritado. Chris, fingindo não ver, estalou os dedos com empolgação.
De repente, cinco tapetes voadores surgiram flutuando pelo campo, como se tivessem acabado de acordar de mau humor. Literalmente. Eles pareciam… hostis.
Os campistas fitaram os tapetes com ceticismo e descrença. Depois, se entreolharam. Depois olharam de novo para Chris.
NACHO: Então… a gente só… sobe neles?
CHRIS: É claro. O que vocês esperavam? Cinto de segurança? Um tutorial de voo?
Um dos tapetes soltou um ruído parecido com um ronco agressivo, claramente incomodado com a situação.
Willow murmurou algo baixinho e subiu sem hesitar. Molly a seguiu, dando risadinhas nervosas.
McConnor analisou o tapete como se fosse algum protótipo mal projetado, os braços cruzados e o olhar clínico.
Cyrus suspirou fundo antes de montar no dele.
CYRUS: Ok, mas… isso tem direção? GPS? Manual?
CHRIS: Hahaha. Não.
CYRUS: …Claro que não.
Um a um, os campistas montaram em seus tapetes voadores, todos com expressões de quem tinha certeza de que aquilo terminaria mal.
À distância, o dragão estalou as asas com força, como se estivesse se aquecendo.
Chris se afastou com um passo teatral e abriu os braços como um apresentador de game show.
CHRIS: E com isso… QUE A CORRIDA AÉREA MÍSTICA COMECE! Como sempre, o primeiro a cruzar a linha de chegada depois do dragão vence! VALENDOOOO!
Nacho subiu no tapete, apenas para sentir o tecido afundar sob seu peso como um sofá velho e vencido. Ele piscou, confuso e um pouco ofendido.
NACHO: Ei… eu perdi peso!
O tapete respondeu se dobrando nas pontas, como se estivesse rindo da cara dele.
Enquanto isso, McConnor inspecionava o próprio tapete como se fosse um equipamento defeituoso. Puxou as borlas, deu um tapa no centro, estalou os dedos dramaticamente.
MCCONNOR: Tá bom, então… como essa coisa funciona?!
Ao lado, Cyrus travava uma guerra pessoal com o tapete. Cutucava a superfície, levantava poeira, dava empurrõezinhos com o pé. Nada acontecia.
CYRUS: Ugh, que frustrante!
E, como se para piorar tudo, Willow passou voando bem por cima deles. Decolagem perfeita, pose impecável, cabelo ruivo esvoaçando como num comercial de xampu.
Cyrus congelou no lugar.
CYRUS: Woah… a Willow conseguiu. Ela é tão… uau…
Ficou ali, de boca aberta, acompanhando o voo com os olhos, completamente hipnotizado.
*CONFESSIONÁRIO ON*
CYRUS: Eu sei, eu sei… foco. Preciso focar! Esquecer a Willow! Ela já deixou claro que não quer nada comigo. Mas por que meu coração acelerou tanto quando vi ela voando? Ela parecia tão… descolada. — Ele esfregou o rosto com as mãos, irritado. — Affz, eu sou um caso perdido.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Mais acima, Molly também já estava no ar, dando voltas com uma risada animada.
NACHO: Molly! Como faz pra esse tapete andar?!
Ela gritou lá de cima, cheia de entusiasmo:
MOLLY: É simples! Você só precisa convencê-lo!
Não ajudou em nada. Nacho piscou de novo, mais perdido do que nunca. Cyrus franziu o cenho.
CYRUS: Convencer o tapete? Tipo… ele é um animal de estimação agora?
O tapete tremeu de leve, vibrando como se tivesse se ofendido.
Antes que Cyrus pudesse reagir, o tapete se enrolou feito uma mola e o arremessou no chão com um baque seco.
CYRUS: MAS O QUÊ?! Tá bom, foi mal, cara! Não quis ofender!
Acima deles, McConnor finalmente conseguiu fazer seu tapete se mexer, mas de um jeito nada confiável. Ele se balançava como se estivesse surfando numa prancha quebrada. Ainda assim, ganhou velocidade suficiente pra alcançar Molly e Willow.
Os três pararam diante do primeiro grande obstáculo do desafio: três enormes aros metálicos envoltos em chamas.
McConnor arregalou os olhos.
MCCONNOR: Então… a gente tem que passar por isso?
Willow fez uma careta ao encarar as labaredas.
WILLOW: Parece que sim. Mas eu não tô a fim de queimar meu cabelo.
Molly também hesitou.
MOLLY: Será que dá pra abaixar o fogo? Tipo… temperatura média?
McConnor soltou um suspiro fundo, impaciente.
MCCONNOR: Olha, não sei vocês, mas eu não vou ficar aqui enrolando. Eu preciso dessa imunidade!
Ele se inclinou para frente e puxou com força as franjas do tapete. Para sua surpresa, a coisa disparou feito um carro esportivo desgovernado.
MCCONNOR: MINHA SANTA EVOLUÇÃO, ISSO TÁ RÁPIDO DEMAIS! UH— ESPERA, COMO FREIA ISSO?!
Willow e Molly observaram McConnor sumir dentro do primeiro aro, as chamas tremeluzindo ao redor dele.
WILLOW: Ele parecia confiante demais. Aposto que vai se estabacar em três, dois…
McConnor bateu no aro em chamas com um grito indignado, atravessando de qualquer jeito. Do outro lado, seu tapete girou como um peão descontrolado antes de finalmente estabilizar.
MCCONNOR: AAAHHH!
Willow e Molly ficaram em silêncio.
WILLOW: Bom, isso foi catastrófico.
MOLLY: Acho que é a nossa vez!
Willow respirou fundo, inclinou-se suavemente para frente e… seu tapete respondeu no mesmo instante, deslizando com elegância. Atravessou as chamas sem esforço, o cabelo ruivo ondulando no calor, e pousou do outro lado como se nada tivesse acontecido.
Lá de baixo, Cyrus soltou um suspiro derrotado.
Molly murmurou baixinho para si mesma.
MOLLY: Três, dois, um e… AAAHHH!
Ela se lançou com tudo, gritando do começo ao fim. Seu tapete atravessou o fogo girando como um disco maluco. Quando pousou do outro lado, estava completamente tonta, mas viva.
MOLLY: Eu tô… inteira?
McConnor, ainda coberto de fuligem, deu um tapinha resignado no jaleco chamuscado.
MCCONNOR: É… pelo menos estamos “inteiros”.
***
Enquanto isso, no chão, Nacho e Cyrus continuavam tentando domar seus tapetes, sem sucesso.
NACHO: Vamos lá, cara. Sei que não sou o passageiro mais leve, mas eu tentei uma dieta, ok? Isso não é pessoal.
O tapete respondeu se afundando ainda mais, quase como um protesto silencioso.
CYRUS: Certo, escuta... eu retiro o que disse! Você NÃO é só um objeto inanimado. Você é um ser incrível, livre, independente! Poderia, por gentileza, me carregar?
A resposta veio na forma de um chute lateral, que arremessou Cyrus com indiferença brutal. O tapete então voou sozinho, como se tivesse mais o que fazer.
CYRUS: Ok. Agora definitivamente é pessoal.
Ele se levantou com um suspiro, sacudindo a poeira da camisa, só para ver Nacho finalmente convencendo seu tapete a colaborar.
NACHO: Funcionou! Agora sim! Tamo junto, parceiro!
O tapete subiu uns dois metros com entusiasmo... e, em seguida, capotou, lançando Nacho de volta ao chão.
Cyrus cruzou os braços, observando a cena sem nenhuma surpresa.
CYRUS: Bom, pelo menos não sou o único sendo humilhado.
*CONFESSIONÁRIO ON*
NACHO: Ok, vou ser honesto. Achei que o tapete ia ser tipo um carro automático. Mas o bicho tem personalidade. Ele claramente tem alguma coisa contra mim! Primeiro, me olha torto. Depois, me faz parecer que engordei. Agora tá me tratando como se eu fosse um intruso?! — Ele bufa, cruzando os braços. — No fim das contas, talvez o banco duro da van do meu primo não fosse tão ruim. Pelo menos ele não tem um ego do tamanho das Arábias!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
A câmera corta para Chris McLean, que observa tudo de um ponto alto com um walkie-talkie em mãos, entediado.
CHRIS: Tá começando a ficar monótono. Hora de esquentar as coisas!
Ele acena para os estagiários, que já se posicionam ao lado de uma lata velha e suspeita, claramente planejando algum tipo de caos.
CHRIS: Mas vamos guardar isso pro próximo bloco! Já voltamos depois dessas rápidas, e muito lucrativas, mensagens dos nossos patrocinadores, com mais Drama Total: Floresta dos Mistérios!
*Intervalo*
A câmera corta para o fundo da caverna, onde o brilho dourado das moedas refletia no olhar fixo de Seth. Montanhas de ouro, joias cintilantes e barras reluzentes cercavam o rapaz, agora completamente absorvido pela própria fantasia de bilionário excêntrico.
Seth agarrava punhados de ouro e os despejava num saco de estopa, testando o peso com um sorriso. O tilintar das moedas preenchia o ar, mas para ele, nunca parecia o bastante. Prendeu três relógios de bolso dourados na lapela do terno, ajeitou a coroa torta na cabeça e se olhou numa placa de prata polida, satisfeito com o visual.
SETH: Três relógios? Talvez um pouco demais… Mas e se eu precisar saber as horas em três fusos diferentes?
Encheu as meias com moedas, deu alguns pulos no lugar e ouviu o tilintar abafado dos bolsos improvisados.
SETH: Hm. Caminhar sem parecer uma máquina caça-níquel vai ser um desafio… Mas vale o risco.
Por fim, encontrou um cetro cravejado de pedras coloridas, girou-o no ar como se fosse uma espada e soltou uma risadinha autossatisfeita.
A câmera corta para seu confessionário. Seth está jogado de qualquer jeito no topo de uma pilha de ouro, balançando o cetro com desdém, como se estivesse entediado de tanto poder.
*CONFESSIONÁRIO ON*
SETH: Pfff. Quem se importa com o desafio de hoje? O prêmio do programa é um milhão de dólares. Mas, uh, alguém aqui já fez as contas? — Ele pega uma pepita de ouro e gira entre os dedos. — Eu saio daqui com, sei lá, dez vezes isso. Eu poderia comprar esse programa. Poderia comprar a Reserva Florestal inteira e renomear pra "Sethlândia". — Ele faz um gesto exagerado, como se desenhasse um letreiro luminoso no ar. — Então, sim… tô pouco me lixando pro desafio. Eu sei que deveria ter aprendido alguma lição sobre valor e humildade, blá blá blá… Mas nah! Vou dar o fora. Por que perder tempo pulando em tapetes voadores quando posso simplesmente… desaparecer?
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Corta para o céu acima da floresta de Tipikanizaw, onde o desafio ainda rolava solto.
No alto, Molly, Willow e McConnor lideravam o trajeto, seus tapetes voando com precisão entre os aros flamejantes. Abaixo deles, Nacho e Cyrus finalmente decolavam do chão.
NACHO: Ai, cara, finalmente!
CYRUS: Isso deveria vir com um manual de instruções!
Ele lançou um olhar feio para o tapete, que respondeu com uma vibração agressiva, quase o derrubando de novo.
Mas o alívio foi breve.
CHRIS: Opa, tava começando a ficar entediante ver vocês só passeando! Então… é hora de subir o nível.
Chris abriu os braços teatralmente.
De repente, um enxame de estagiários com jetpacks apareceu no céu, cada um armado com peças aleatórias de sucata enferrujada.
CHRIS: Sim, senhoras e senhores, apresento os nossos "Estagiários Bombardeiros"! Zero treinamento, coordenação duvidosa e um único objetivo: atingir vocês com o lixo mais perigoso que conseguimos no ferro-velho local! Boa sorte!
A câmera corta para um dos estagiários, que segurava uma porta de geladeira. Ele dá de ombros e simplesmente a lança no ar.
A porta passou zunindo ao lado de Molly, que desviou por um triz.
MOLLY: AH! QUE ISSO?!
MCCONNOR: MAYDAY! ATAQUE AÉREO CONFIRMADO!
Um pedaço de para-choque voou na direção de Willow, que fez uma curva radical no ar para escapar por pouco.
WILLOW: Ok, é oficial: esse é o desafio mais insano até agora!
Enquanto isso, do outro lado do percurso, Nacho e Cyrus, ainda bem atrasados, começaram a entrar em pânico.
CYRUS: NÃO! NÃO! EU ACABEI DE APRENDER A VOAR, NÃO ME DERRUBEM!
NACHO: AAAAH! UMA RODA DE BICICLETA?! POR QUÊ?!
Um estagiário lançou um pedaço de escapamento na direção de Nacho, que, no reflexo, se abaixou. O tubo voador passou direto e acertou o tapete de McConnor, fazendo-o girar no ar descontroladamente.
MCCONNOR: QUE DROGA!!!
Molly, que ainda estava próxima, se segurou firme no tapete para não ser jogada longe.
MOLLY: McConnor, SE CONTROLA! Assim você vai me derrubar!
Nacho e Cyrus continuavam tentando se esquivar do bombardeio, mas já estava claro que os estagiários estavam focando apenas neles.
NACHO: Por que eles tão mirando só na gente?!
CYRUS: É, eu percebi!!! Devem ser instruções do Chris só para nos torturar!
Um capô de carro foi lançado na direção deles. Nacho mergulhou com o tapete para escapar, enquanto Cyrus se agarrava com força, totalmente apavorado.
CYRUS: ISSO NÃO TÁ CERTO! ISSO NÃO TÁ NADA CERTO!
Chris assistia de longe, relaxado, com uma xícara de café na mão e um sorriso quase paternal.
Ele olhou para a câmera.
CHRIS: Huh. Parte de mim acha que eu tô exagerando na cafeína. — Ele piscou, com um olho tremendo levemente. — Mas isso é problema pro meu eu do futuro!
Ele levou o walkie-talkie à boca e falou casualmente:
CHRIS: Liberem os hipogrifos.
A câmera corta para os cinco campistas ziguezagueando pelo céu, ainda desviando das peças de sucata assassina arremessadas pelos estagiários com entusiasmo duvidoso. Mas, logo à frente, um novo obstáculo surge, e não é nada reconfortante.
Um enxame de hipogrifos gigantescos bloqueia o caminho. Seus bicos curvados brilham sob a luz do sol, afiados como lâminas prestes a cortar. Os olhos penetrantes encaram os campistas com uma expressão nada amistosa. Pairam no ar como predadores pacientes, suas asas batendo com uma força que vibra o próprio ar ao redor.
MOLLY: Hm… alguém mais notou que os passarinhos gigantes tão olhando pra gente como se fôssemos presas?
CYRUS: Não olha nos olhos deles! Se eu me lembro bem do meu guia "Criaturas Místicas e Como Não Morrer para Elas", hipogrifos atacam se você demonstrar medo!
No canto, Nacho já estava encolhido sobre o tapete, cobrindo o rosto com as mãos num gesto dramático.
NACHO: ÓTIMO! O QUE PODE SER MAIS FÁCIL DO QUE NÃO SENTIR MEDO DE MONSTROS ALADOS QUE PODEM ME DESPEDAÇAR NO AR?!
Molly, ainda tentando manter o bom humor em meio à tensão, acena nervosamente para um dos hipogrifos mais próximos.
MOLLY: Oi! Lindo dia pra voar, né? Vocês tão tão chiques hoje!
O hipogrifo responde com um grito ensurdecedor e uma batida de asas tão potente que quase derruba Molly do tapete.
MOLLY: Tá bom, acho que eles não gostam de elogios! Dica anotada!
*CONFESSIONÁRIO ON*
MOLLY: Os estagiários jogando ferro-velho na nossa cabeça já era ruim… mas agora temos hipogrifos? Alguém pode me lembrar se assinei um contrato de seguro de vida antes de entrar nesse programa? — Ela sacode os braços, fazendo as pulseiras tilintarem. — Vou precisar de toda proteção mística, emocional e física possível pra sair viva desse desafio.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
O enxame começa a se mover, ameaçador. Um bando inteiro de hipogrifos agora deslizava em formação pelo céu, com um olhar faminto e decidido.
Corta para Chris, observando tudo de longe com brilho nos olhos.
CHRIS: Oh-ho! É agora que as coisas ficam REALMENTE boas!
Enquanto isso, McConnor, que mantinha distância segura da confusão, aperta os controles do tapete, acelerando.
MCCONNOR: ÓTIMO! Eles só precisam atacar qualquer um que não seja eu!
O universo atendeu.
Um hipogrifo colossal mergulha direto em direção a Cyrus com a precisão de um míssil.
CYRUS: AH, NÃO! EU NÃO SOU UM LANCHE!
Ele puxa o tapete para cima com força, mas erra o tempo completamente. Sobe rápido demais, gira no ar, perde o controle e acaba voando em espiral. O hipogrifo, confuso, para no meio do ataque e se afasta.
Willow percebeu algo.
NACHO: Como a gente sai dessa?!
WILLOW: Eu tenho uma ideia, mas vocês não vão gostar...
Sem esperar por aprovação, Willow mergulha com o tapete numa queda brusca, passando direto pelo enxame. Os outros ficam congelados por um segundo, assistindo enquanto os hipogrifos, confusos, mudam de rota.
CYRUS: O quê?! Isso funcionou?!
WILLOW: Eu percebi que eles não sabem lidar com alvos imprevisíveis! Quando o Cyrus começou a girar descontrolado, o hipogrifo ficou sem saber o que fazer. Se vocês fizerem manobras malucas e imprevisíveis, talvez eles se percam!
CYRUS: Uau! Que perspicaz! Se meu estômago não estivesse tentando se autodestruir, eu até aplaudiria.
Ainda meio tonto, Cyrus decide testar a estratégia. Ele gira o tapete com força numa manobra absurda. E funciona! O hipogrifo que o perseguia perde o rumo e desiste.
*CONFESSIONÁRIO ON*
WILLOW: Tenho que admitir, isso foi bem legal. Não é todo dia que você engana um bando de hipogrifos em pleno voo durante uma corrida mortal. Eu devia colocar isso no meu currículo… ou talvez num canal de esportes radicais sobrenaturais.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Um por um, os campistas começam a improvisar manobras caóticas, mergulhos em espiral, voltas inesperadas e piruetas aéreas. Aos poucos, despistam os hipogrifos até finalmente saírem da zona de ataque.
NACHO: HAH! Isso foi insano! Eu nunca mais subo num tapete voador de novo!
Mas antes que possam comemorar ou até respirar fundo, um rugido poderoso corta o céu.
A câmera se afasta lentamente, revelando a silhueta colossal do dragão vermelho, agora totalmente visível e bloqueando o único caminho à frente.
CYRUS: Droga! Eu tinha esquecido desse maldito dragão.
Os olhos da criatura brilham num tom flamejante, intensos e ameaçadores. A boca começa a fumegar com fumaça escura, prenunciando desastre. Com um único bater de asas, o dragão solta um rugido tão ensurdecedor que os tapetes dos campistas tremem no ar.
Chris tenta conter sua empolgação, mas seu sorriso diz tudo. Ele está saboreando cada segundo.
A câmera volta ao céu, onde os cinco finalistas tentam freneticamente manobrar seus tapetes para fugir da rajada de fogo recém-expelida pelo dragão.
WILLOW: ALGUÉM TEM UM PLANO QUE NÃO ENVOLVA VIRAR FRANGO ASSADO?!
MCCONNOR: Sim! Fugir e aceitar que a vida é injusta!
Molly arregala os olhos e puxa o suéter com força, como se ele pudesse protegê-la de ser torrada viva.
MOLLY: Aaaah! Ele tá tentando transformar a gente em batatinhas assadas humanas!
Enquanto isso, Nacho mal conseguia manter o equilíbrio. Agachado no tapete, tentava se fazer o menor possível enquanto o dragão disparava mais uma baforada.
NACHO: Cara, isso é tipo aquele sonho onde eu era um burrito e todo mundo queria me comer. Só que agora tá acontecendo de verdade!
Cyrus tentava, com visível desespero, bolar uma estratégia. Mas a dificuldade de pensar com um dragão cuspindo fogo atrás de você era compreensível.
CYRUS: Ok, pense, pense, pense… Dragões são criaturas místicas! Talvez se a gente—
Antes que pudesse completar a ideia, o dragão dá outro poderoso bater de asas, gerando uma rajada de vento brutal que desestabiliza os tapetes. Os cinco campistas são lançados em direções aleatórias.
Molly quase despenca, McConnor gira completamente no ar, Nacho fecha os olhos e grita em pânico, e Willow executa uma manobra arriscada no último segundo para escapar das chamas.
Tudo parecia prestes a dar muito errado… até que algo no chão chama a atenção de todos.
A câmera faz um zoom dramático. Um brilho forte reflete sob o sol. Era… Seth.
Ele marchava de volta para o campo, completamente coberto de ouro até os fios do cabelo. Um colar de rubis gigantescos pendia de seu pescoço, vários anéis cintilavam em seus dedos, e pelo menos três relógios absurdamente caros tilintavam nos pulsos. Para completar, um manto dourado, chamativo e brega, esvoaçava ao seu redor.
Mas o mais surreal: ele andava com a confiança de quem acha que está desfilando em Paris. E, ainda mais estranho, conversava casualmente com Chris, como se nada de anormal estivesse acontecendo.
Lá do alto, os campistas observavam a cena, atônitos e confusos.
CYRUS: O quê—? O Seth voltou? — Ele estreita os olhos, tentando entender. — E por que ele tá parecendo o Rei Midas num comercial de joias?!
Chris, agora mais irritado do que surpreso, solta um suspiro longo, claramente exausto da situação. Em seguida, puxa um megafone de lugar nenhum e grita com força total. Sua voz ecoa por toda a floresta.
CHRIS: OKAY, CHEGA! TODO MUNDO, DESÇA IMEDIATAMENTE! O DESAFIO ESTÁ EM PAUSA!
O dragão, que já estava prestes a soltar mais uma rajada flamejante, congela no ar, confuso. Até ele parece surpreso com a interrupção abrupta.
Os campistas se entreolharam, depois olharam para Chris… e então para Seth, que continuava ali, resplandecente, como se nada estivesse fora do normal. Meio confusos, meio contrariados, começaram a forçar os tapetes a descer.
MOLLY: Uhhh… Eu perdi alguma coisa ou o Seth sumiu e voltou como um sultão?
Willow cruzou os braços, observando a cena com a expressão mais desinteressada possível, quase bocejando de tédio.
WILLOW: Seja lá o que ele veio anunciar, já vou adiantando que deve ser 100% ridículo.
Seth ajeitou a coroa, passou a mão pelo manto dourado, ergueu os braços com ares teatrais e abriu um sorriso que quase cegava quem olhasse por mais de dois segundos.
Chris, por sua vez, apenas passou as mãos pelo rosto, claramente exausto.
CHRIS: Normalmente eu ignoraria qualquer palhaçada desse tipo, MAS, aparentemente, o Seth insiste que tem algo “importante” pra anunciar. — Ele revirou os olhos, suspirando fundo. — Ugh, só espero que seja rápido. O programa só tem vinte e dois minutos, sabiam?
Seth respirou fundo, como se estivesse prestes a dar início a um discurso muito empolgante.
SETH: Pessoal… tenho algo muito sério pra contar pra vocês!
A câmera foca dramaticamente em seu rosto. Um momento de pura tensão toma conta. Os campistas prendem a respiração. Até o dragão, curioso, inclina a cabeça.
Seth sorri, brilhando como uma estátua.
SETH: Eu estou me retirando da competição. Parabéns, vocês agora são o Top 5 da temporada!
Silêncio.
Os campistas piscam, confusos. O dragão pisca. Um hipogrifo passando lá no fundo também parece perplexo.
CYRUS: Desculpa lembrar, mas não existe uma cláusula contra desistência?
WILLOW: É. Algo sobre pagar um milhão de dólares pra emissora? — Ela o encara, desconfiada. — A menos que você tenha uma fortuna secreta, não sei como vai escapar dessa, Seth.
Seth abriu um sorriso quase triunfal.
SETH: Pois é aí que você se engana! — Ele deu uma risada presunçosa. — Eu tenho esse dinheiro. E tenho muito mais que isso!
Ele gargalhou alto, erguendo os braços.
NACHO: Espera aí… Isso tudo é ouro de verdade? De onde você tirou essa fortuna?
Seth apenas assentiu, orgulhoso, sem revelar nada. Misterioso.
MCCONNOR: Ahh! — Ele bateu a palma na testa. — Então era por isso que você queria que eu analisasse aquele relógio!
MOLLY: Então… é verdade mesmo? Você vai desistir?
Molly parecia levemente abalada. Não exatamente surpresa, mas decepcionada.
SETH: É claro que sim! — Ele passou os dedos pela coroa. — Por que eu continuaria aqui? Um milhão de dólares? Por favor. Eu já ganhei mais do que isso.
CYRUS: Mas a temporada tá quase no fim. Falta o quê… uma semana?
Seth deu um suspiro impaciente, como se tivesse que explicar algo muito óbvio para uma criança.
SETH: Cyrus, em uma semana eu vou estar em uma mansão com piscina e heliporto em algum país europeu. — Ele beijou um dos relógios. — Eu me antecipei. E honestamente? Eu não tinha certeza se ia ganhar. Isso aqui é garantido. Sem riscos.
Chris revirou os olhos com tanta força que parecia que eles iam sair rolando pelo chão.
CHRIS: Então tá. Confirmado? Vai dar no pé da floresta?
SETH: Com o maior prazer! — Ele estalou os dedos com entusiasmo. — Manda seus advogados puxarem a papelada. Eu tô fora!
Ele fez uma reverência dramática, girou nos calcanhares e começou a se afastar como um pavão.
SETH: Shalom, perdedores!
Chris observou a cena com um olhar misto de nojo e descrença. A câmera corta para os campistas, ainda tentando processar o absurdo que acabaram de testemunhar.
NACHO: Isso foi real?
MOLLY: Eu… eu acho que foi, sim.
WILLOW: Bom, pelo menos ninguém pode acusar esse programa de ser previsível…
***
A câmera corta para mais tarde, na estrada de terra batida e esburacada que leva para fora da misteriosa Reserva Florestal de Tipikanizaw.
O ônibus dos perdedores está parado sob a luz alaranjada do pôr do sol. E então... ele surge.
Seth, com suas joias reluzindo sob os últimos raios dourados do dia. Cada passo que ele dá levanta um pouco de poeira, acompanhado do tilintar metálico das moedas que ele carregava num saco de estopa jogado sobre o ombro.
Ele para em frente ao ônibus, observa o veículo de cima a baixo com visível desgosto e bate levemente na lataria enferrujada, franzindo a testa.
SETH: Motorista! Exijo um serviço cinco estrelas. Leve-me embora deste buraco com eficiência e elegância, por favor!
O motorista nem se move.
MOTORISTA: É um ônibus, garoto. Tem uma marcha só.
Seth revira os olhos, claramente ofendido com a ausência de pompa. Ele faz uma pausa teatral, suspira, e resolve o problema do único jeito que um recém-multibilionário sabe.
Enfia a mão no saco de estopa, puxa uma pepita de ouro do tamanho de uma maçã e a lança para o motorista com casualidade.
SETH: Agora o veículo tem uma segunda marcha. Chama-se modo turbo.
O motorista segura a pepita, dá uma analisada rápida e, sem dizer uma palavra, pisa fundo no acelerador.
O ônibus dá um tranco violento, emite um ronco de sofrimento e expele uma nuvem de fumaça preta.
SETH: Adeus, perdedores! Meu futuro bilionário me espera! Quando ouvirem falar do homem mais rico do Canadá, lembrem-se deste rosto!
Ele se vira com um floreio digno, acena com superioridade para ninguém em específico, e entra no ônibus com a cabeça erguida. A porta se fecha com um baque.
O ônibus dá outra engasgada, solta mais fumaça suspeita, e parte sacolejando pela estrada, até desaparecer entre as sombras da noite.
Corte para os cinco campistas restantes, parados no mesmo lugar, ainda tentando entender o que acabaram de ver.
CYRUS: Então... foi isso? O Seth literalmente comprou a própria eliminação?
WILLOW: Dá pra acreditar? O cara passou metade da temporada sendo um desastre ambulante... e agora é o único que saiu daqui dando risada.
NACHO: Eu ainda tô encucado com aquele ouro. Sério. De onde ele tirou aquilo? — Ele coça a cabeça, pensativo.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MOLLY: Eu sei que o Seth era… meio diferente. Mas ver alguém desistir assim, tão do nada… ah, me deu um aperto no peito! Eu queria ter dado um daqueles abraços esmagadores nele antes dele sair, mas ele estava ocupado demais brilhando igual uma joia de escola de samba. — Ela dá um risinho e depois suspira. — Será que lá fora ele vai encontrar a Minyoung? Eles seriam tipo... um casal de milionários excêntricos! Ai, vou sonhar com isso hoje.
— — —
MCCONNOR: Olha, eu tô feliz por ele. E mais ainda, tô feliz por mim! Porque honestamente, eu tinha certeza que ia rodar hoje. Mas não rodei! Então... viva a vida! Não sei quanto tempo mais consigo me safar, mas enquanto tiver uma brecha, tô dentro. — Ele ajeita os óculos e sorri com alívio.
— — —
NACHO: Eu vou sentir falta desse maluco. Tipo, a gente nem era tão próximo assim. Mas ele sempre deixava tudo mais… animado. Boa sorte aí, bilionário. Espero que compre algo legal… tipo um sofá que faz massagem. Sempre quis testar um desses. — Ele fecha os olhos e sorri, se imaginando vibrando em um.
— — —
WILLOW: Certo. Agora que o Seth foi embora, podemos voltar a focar no que importa? Chega de circo. Eu vim aqui pra ganhar esse milhão. — Ela encara a câmera, determinada.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Chris surge batendo palmas devagar, com uma expressão que mistura ironia e puro desprezo.
CHRIS: Palmas, palmas! Parabéns, incompetentes! Como o Seth mesmo disse, vocês agora são o Top 5 da temporada… e tudo isso sem levantar um dedo! Isso sim é televisão econômica!
Ele sorri para a câmera.
CHRIS: Mas agora que a reta final tá chegando, a competição vai subir de nível. Quem será o próximo a ser chutado da floresta? Descobriremos em breve! Até lá, boa noite e bons pesadelos! E não percam o próximo episódio de Drama Total: Floresta dos Mistérios!
Fale com o autor