Drama Total: Floresta dos Mistérios
12 a Raíz do problema
Drama Total: Floresta dos Mistérios
Capítulo 12 — a Raíz do problema
A câmera abre com uma vista aérea dramática da floresta. Árvores espessas se espalham em todas as direções, envoltas por névoa e mistério. De repente, Chris McLean surge do nada em frente à lente, com seu sorriso clássico e pose ensaiada.
CHRIS: Na última vez em Drama Total: Floresta dos Mistérios, nossos finalistas foram jogados em um desafio ridiculamente perigoso nos céus, porque, francamente, desafios em terra firme já estão bem ultrapassados! Com tapetes voadores completamente desgovernados, estagiários armados com lixo reciclável, hipogrifos de mau humor e, claro, um dragão colossal que cospe fogo... foi basicamente mais uma manhã normal no nosso acampamento assassino! — Ele riu, satisfeito com o caos. — E enquanto cinco dos nossos competidores tentavam não ser transformados em churrasco, Seth tinha um plano um pouco diferente... especificamente, um plano de ficar obscenamente rico! Ele invadiu a famosa “Caverna do Dragão” e roubou uma montanha inteira de ouro! E adivinha? Voltou só pra se despedir do programa e do nosso prêmio, já não tão impressionante, de um milhão de dólares! — Ele fez uma careta, levemente ofendido com o desprezo pelo prêmio. — Isso mesmo. Seth meteu o pé. Ele literalmente comprou a própria eliminação! Uma jogada ousada? Sem dúvidas. E totalmente a cara dele. Agora estamos oficialmente no Top 5! Mas com a final se aproximando a passos largos, ninguém mais consegue se esconder atrás de ninguém! A competição vai ficar mais pessoal... e também muito, muito mais perigosa! Hehehe. — Ele abre um sorriso maquiavélico. — Quem será o próximo a dizer adeus? Quem vai sobreviver à próxima maluquice que eu bolei? Descubra agora em... Drama Total: Floresta dos Mistérios!
*Abertura*
A cabine da fusão estava mergulhada em um silêncio incômodo, quase sufocante.
Molly sentava na beirada da cama, girando distraidamente um pingente entre os dedos, o olhar perdido em algum lugar distante. Willow encostava na parede com os braços cruzados, encarando o teto como se buscasse respostas nas manchas de mofo. Cyrus rabiscava em seu diário sem muita inspiração, a caneta apenas preenchendo o tempo. Nacho estava jogado no chão, mãos atrás da cabeça, soltando um longo e entediado suspiro teatral.
McConnor, como sempre, estava no canto, anotando algo em seu bloquinho com a concentração que ignora tudo ao redor.
Finalmente, Molly quebrou o silêncio.
MOLLY: Top cinco. A gente chegou no Top cinco. — Ela tentou soar animada, mas a voz saiu mais surpresa do que feliz.
Ninguém respondeu de imediato. Até que Cyrus fechou o diário com um estalo seco.
CYRUS: Pois é. O fim tá logo aí. Em menos de uma semana, um de nós vai sair daqui como vencedor. — Ele falou num tom ponderado.
Willow arqueou uma sobrancelha e virou lentamente o rosto na direção dele.
WILLOW: Era esse o Top 5 que você previu, Cyrus? Digo, já que você vive fazendo cálculos, planilhas, gráficos mentais e conspirações antecipadas…
O tom era leve, mas a provocação foi certeira. Cyrus hesitou por um segundo, então olhou ao redor da cabine antes de responder.
CYRUS: Bom… eu definitivamente não previa um de nós aqui.
Ele lançou um olhar significativo na direção de McConnor.
O cientista não tirou os olhos do bloquinho, mas um sorrisinho puxou o canto da boca.
MCCONNOR: Por mim, tudo está indo exatamente como planejado. — Disse, ainda escrevendo.
Ele fez uma pausa dramática e então fechou o caderno com um estalo seco. Molly levantou uma sobrancelha, desconfiada.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MOLLY: Vou ser sincera: eu não achei que o McConnor ainda estaria aqui. Mas o cara tem mais vidas que um gato! Primeiro ele ganhou imunidade, depois achou a Estatueta McLean de Invencibilidade, e agora o Seth simplesmente desiste e cancela a eliminação?! Tipo… o que mais precisa acontecer pra esse homem finalmente sair? Um meteoro cair só em cima dele?
*CONFESSIONÁRIO OFF*
De volta à cabine, Cyrus estalou os dedos, chamando atenção.
CYRUS: Ok. Mas agora que não tem mais ninguém pra servir de escudo, a real é uma só: um de nós vai rodar em poucos dias. E depois mais um... até só restarem dois.
Ele encarou os outros, esperando uma reação. Mas o silêncio persistia. Willow girava lentamente um canivete entre os dedos, absorta. Nacho coçou o queixo, pensativo. Molly mordeu o lábio inferior, em silêncio.
McConnor só deu um meio sorriso e deu de ombros.
MCCONNOR: Bom, eu sei que não vou ser o próximo.
Ele se espreguiçou como se estivesse na própria casa de campo.
MCCONNOR: Seria um desperdício eliminar alguém tão brilhante.
Willow riu baixo, descrente, e cruzou os braços.
WILLOW: Então você já tem um plano genial pra chegar na final? — Ela ergueu uma sobrancelha, semicética.
McConnor bocejou exageradamente e se jogou na cama, confortável como se estivesse num resort.
MCCONNOR: Mas é claro. Só que esse é um problema para o eu de amanhã. O de hoje precisa dormir. Gênio também cansa.
Ele fechou os olhos, encerrando a conversa sem cerimônia.
Molly o observou por um momento, estreitando os olhos.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MCCONNOR: Ok, eu não sou burro. Já era pra eu ter saído faz tempo. Não porque joguei mal, mas porque ninguém confia em mim. — Ele dá de ombros. — E, honestamente? Com razão. Eu sou mais inteligente que eles. — Ele sorri, quase com pena. — Mas até gênios precisam de um plano B. Não dá pra ficar esperando outra reviravolta cair do céu. E já que as meninas claramente não vão me levar pra final… — Ele ajusta os óculos com calma, cruzando os braços em seguida. — Talvez seja hora de testar outro caminho. Amanhã... eu dou um jeito de sobreviver.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
O sol já pairava alto no céu quando os campistas terminaram o café da manhã. A atmosfera na reserva estava calma.
Nacho estava sentado num tronco próximo à cantina, mastigando lentamente um biscoito queimado, com o olhar perdido em algum ponto indefinido do horizonte. Parecia filosofar sobre a vida... ou apenas tentando entender se o que mastigava ainda se qualificava como comida.
McConnor se aproximou com passos decididos. Ajeitou o jaleco, limpou os óculos com um gesto preciso e sentou-se ao lado de Nacho, entrelaçando os dedos com falsa calma.
MCCONNOR: Nacho! Amigão! Grande figura! Tem um minutinho pra uma conversa de altíssima importância? — Seu tom era absurdamente forçado e amigável demais pra ser levado a sério.
Nacho piscou devagar, ainda mastigando.
NACHO: Uhh... acho que sim? Mas, ó... só pra avisar, esse biscoito aqui tá testando minha paciência. Se eu demorar pra responder, é culpa dele. — Falou de boca cheia, antes de soltar uma leve tossida.
McConnor ignorou completamente a observação e inclinou-se para frente, como se fosse revelar um segredo.
MCCONNOR: Então... chegamos ao Top 5.
Nacho assentiu com a cabeça, um pouco mais animado.
NACHO: Pois é! Bem maneiro, né?
McConnor sorriu de um jeito que praticamente berrava “vou te manipular” para qualquer um que já tivesse convivido com ele por mais de cinco minutos.
MCCONNOR: Muito maneiro, sim. Mas me diz uma coisa... você já reparou como as meninas nunca levaram a gente a sério?
Nacho franziu as sobrancelhas, ainda mastigando.
NACHO: Hmm. Tipo... sério como...?
McConnor começou a gesticular, como se estivesse explicando uma teoria científica extremamente complexa.
MCCONNOR: Como competidores! Jogadores estratégicos! Willow arrebenta nos desafios. Molly quer me eliminar desde o primeiro dia. E repara: elas nunca cogitaram votar uma na outra! Sempre se protegem, sempre puxam os votos pro lado delas!
Nacho coçou a cabeça, pensativo.
NACHO: Sei lá, cara. Elas jogaram direitinho até agora. Meio que faz sentido, não?
McConnor soltou uma risada breve, carregada de sarcasmo.
MCCONNOR: Faz sentido? Pfff. Claro, claro... Mas pensa comigo, Nacho. Se nós, os caras, nos unirmos, podemos virar o jogo! Eu, você e o Cyrus. A gente decide quem vai pra final. Chega de ser peão no jogo delas.
Nacho demonstrou um leve interesse. E foi nesse momento que McConnor lançou seu argumento final:
MCCONNOR: E olha só, você chegou até aqui sem ser considerado uma ameaça. É por isso que ainda tá no jogo!
Nacho congelou, biscoito a meio caminho da boca.
NACHO: ...O quê?
McConnor interpretou a hesitação como sinal de progresso e continuou, animado.
MCCONNOR: Os outros te subestimaram o tempo todo. Te deixaram passar porque, sabe, você é... você!
Nacho piscou lentamente, sem saber ao certo como reagir.
NACHO: Uhh... valeu?
McConnor levantou a mão, interrompendo com firmeza.
MCCONNOR: Não, não, espera. Não foi um elogio. É análise estratégica! Você foi sendo levado. Só foi indo com a correnteza. Mas não é ruim, funcionou! Se você se aliar a mim, pode garantir sua vaga na final sem nem precisar se esforçar. Eu faço os movimentos, você só... aproveita a carona!
O silêncio que se seguiu foi denso. Nacho olhou para o chão. Depois para McConnor. E depois para lugar nenhum.
*CONFESSIONÁRIO ON*
NACHO: Tá, eu sei que passei a temporada inteira só curtindo a jornada. Mas agora eu fiquei pensando... e se eu puder ganhar? — Ele franze a testa, pensativo. — Nunca liguei muito pra estratégia, mas eu quero ganhar. E se eu puder provar que caras como eu também podem vencer? Que eu não sou só o alívio cômico? E ainda levar um milhão pra minha abuelita? Talvez visitar o México… — Ele bate as palmas nas coxas e inspira fundo. — Ainda não sei o que vou fazer... mas sei que quero tentar!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
De volta à cena, Nacho estalou os dedos, engoliu o resto do biscoito e se levantou, se espreguiçando com um leve bocejo.
NACHO: Valeu pela ideia, cara, mas... acho que vou tentar chegar na final do meu jeito.
McConnor piscou várias vezes, como se tentasse recalcular todo o plano mentalmente.
MCCONNOR: Mas... do seu jeito? Isso não tem lógica. Estatisticamente, sua melhor chance seria—
NACHO: Ah, estatística, gráficos, blá-blá-blá… Eu nunca fui bom em matemática! — Cortou, dando um sorriso preguiçoso.
Ele deu um tapinha amistoso no ombro de McConnor e saiu andando, assobiando um ritmo qualquer.
McConnor permaneceu sentado, digerindo a recusa. Suspirou, ajeitou os óculos e murmurou.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MCCONNOR: Ótimo. — Irônico. — O plano B foi por água abaixo. Parece que o Nacho não é tão manipulável quanto eu previa. — Ele alisa o jaleco, respirando fundo. — Mas tudo bem. Ainda tenho um plano C. Onde está o Cyrus? — Sorri, já calculando a próxima jogada.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
A manhã no acampamento seguia calma, com o som dos pássaros misturado aos passos dispersos dos poucos campistas restantes. Mas McConnor estava longe de relaxado. Caminhava de um lado para o outro, ajeitando os óculos com impaciência e esfregando as têmporas, claramente frustrado com sua tentativa fracassada de formar uma aliança com Nacho.
Foi então que avistou Cyrus, sentado sozinho em um tronco perto dos banheiros comunitários, completamente focado em seu caderno. Murmurava para si mesmo enquanto rabiscava com pressa, imerso demais para notar qualquer coisa ao redor.
CYRUS: Ok… se os hipogrifos evitaram fogo, mas reagiram a movimentos rápidos… isso significa que—
Sem aviso, McConnor se aproximou e se sentou ao lado dele, abrupto como sempre.
MCCONNOR: Cyrus! Meu jovem e brilhante… amigo! — A voz cheia de uma animação tão falsa que quase doía.
Cyrus ergueu uma sobrancelha, nitidamente desconfiado.
CYRUS: Uhhh. Oi?
MCCONNOR: Grande jogo até agora, hein? Só restam cinco. A reta final tá aí. E isso significa que precisamos começar a pensar… estrategicamente.
Cyrus parou de escrever, cruzando os braços.
CYRUS: Você tá tentando me recrutar pra alguma jogada mirabolante sua?
McConnor soltou uma risada exagerada demais pra soar natural.
MCCONNOR: Que isso! Jogada mirabolante? Claro que não! Isso aqui é pura inteligência estratégica!
Ele se inclinou, baixando a voz como se estivesse compartilhando um segredo importante.
MCCONNOR: Veja bem, Cyrus… as meninas estão no controle. Willow e Molly. Sempre estiveram. Jogam juntas, se protegem, controlam os votos. E se a gente não fizer nada agora, vamos ser esmagados. Simples assim.
Cyrus girou o lápis entre os dedos, pensativo.
CYRUS: Hm. Eu não sei. Elas jogaram bem. Talvez mereçam chegar na final.
McConnor piscou lentamente, como se tivesse ouvido a maior heresia da semana. Segunda vez naquele dia. Nacho já tinha dito algo parecido.
MCCONNOR: Merecem? MERECEM?
CYRUS: Sei lá, cara. Molly jogou limpo a temporada inteira. Sei que ela pode ser meio… intensa, mas ela se esforça. E a Willow…
Ele desviou o olhar, suspirando.
CYRUS: A Willow merece. Ela é forte, focada, sempre dá um jeito nos desafios. Se alguém merece a final, é ela.
McConnor apertou a ponte do nariz, exasperado.
MCCONNOR: Cyrus… é exatamente por isso que a Willow tem que sair! Você sabe que ela é uma ameaça. Se ela for pra final, ELA VAI GANHAR!
Cyrus piscou, sem entender o escândalo.
CYRUS: E daí? Ela merece ganhar.
McConnor congelou por um segundo.
MCCONNOR: E daí?! Você não tá entendendo? Você tá se deixando levar pelo seu crush! Uma ilusão, cara. Uma ilusão fútil e sem base!
CYRUS: Ei! Não precisa ser grosseiro. E como você sabe sobre meu crush?
MCCONNOR: Eu não tô sendo grosseiro, tô sendo realista! Eu fiquei aqui como estagiário por um tempão, vi várias filmagens. E olha… isso pode doer, mas é a verdade: ela não gosta de você.
Cyrus piscou devagar, como se tentando absorver o que acabara de ouvir.
CYRUS: …Como assim?
MCCONNOR: Você entendeu. Ela não sente nada por você. Talvez só como amigo. Mas não do jeito que você queria.
Cyrus ficou imóvel. Os olhos vazios, como se algo tivesse apagado lá dentro.
CYRUS: Espera aí. Talvez como amigo? Eu pensei que éramos amigos. Isso era… certo.
MCCONNOR: Não sei, cara. Mas olha, ela não parece o tipo de garota que cairia por você.
Cyrus abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. Fechou de novo. Parecia… perdido.
CYRUS: Então… ela nunca gostou de mim? Tipo, nunca mesmo? Nem considerou? Eu sei que ela falou que queria focar no jogo… mas eu tinha esperança que, sei lá, depois da temporada, ela reconsiderasse.
McConnor cruzou os braços, sem paciência.
MCCONNOR: Se você quer ouvir uma mentira reconfortante, pergunta pra Molly. Mas se quer a verdade… não tem chance. E não é pessoal. É só assim que a vida funciona.
*CONFESSIONÁRIO ON*
CYRUS: Tá. Beleza. Então eu passei a temporada inteira me iludindo? Tipo, eu meio que sabia que ela não sentia o mesmo, mas eu pensava que… talvez, depois de tudo, ela mudasse de ideia. Ouvir isso em voz alta? Dói. — Ele esfrega as têmporas, tentando manter a calma. — Mas sabe o que machuca mais? Nem saber se a gente é amigo ou não. Eu achava que sim. Agora tô pensando… e se ela só me tolerava? E se eu nunca fui tão importante quanto pensei?
*CONFESSIONÁRIO OFF*
De volta à cena, Cyrus ainda encarava o chão, totalmente absorvido pela revelação. McConnor percebeu que o tinha perdido.
MCCONNOR: Então… sobre a aliança masculina?
Cyrus soltou uma risada seca, sem um pingo de humor.
CYRUS: McConnor, eu não sei nem se eu acredito mais em amizade. Você acha mesmo que eu vou entrar num plano seu agora?
McConnor bateu a palma na própria testa, levantando de um salto.
MCCONNOR: Ótimo. Faça o que quiser. Mas quer saber? Boa sorte indo pra final ao lado da Willow, porque adivinha? Ela VAI te esmagar.
Cyrus não respondeu. Apenas deu de ombros, ainda distante.
McConnor bufou alto e saiu da cena, resmungando sozinho sobre a total incompetência das pessoas.
***
Na manhã seguinte, a câmera se abre numa clareira tranquila e banhada pelo sol. No centro da clareira, os cinco campistas estavam reunidos. Chris McLean os observava com um sorriso casual demais para ser confiável.
CHRIS: Bom dia, Top 5! Como estão se sentindo, hein? O grande final está logo ali! A glória eterna ao alcance das mãos! E uma fortuna milionária quase caindo no colo!
O grupo permaneceu em silêncio absoluto. Willow coçou o braço, desconfiada. Cyrus estreitou os olhos com desconfiança crescente.
CYRUS: …Por que você tá falando assim?
Chris ergueu as mãos num gesto inocente.
CHRIS: Falando como?
WILLOW: Com essa sua voz de "não fiz nada". Eu já saquei. Você vai jogar a gente num moedor de carne, né? — Ela apontou, acusando com convicção.
Chris fingiu estar magoado.
CHRIS: Gente! Que tipo de anfitrião vocês acham que eu sou? Não posso estar simplesmente feliz por vocês?
O silêncio se manteve.
CHRIS: Tá bom, tá bom. — Suspirou, largando o teatrinho. — Olha, o desafio de hoje é tranquilo. Só um testezinho básico de sobrevivência. Nenhum risco real envolvido!
Os campistas continuaram céticos. Muito céticos.
CHRIS: Tudo que vocês precisam fazer é atravessar uma trilha na floresta e, no final, pegar uma pequena sementinha de uma planta totalmente inofensiva. O primeiro a trazer a semente, vence!
Molly sorriu, esperançosa.
MOLLY: Aw, isso soa fofo!
Chris abriu um sorriso maligno.
CHRIS: Sim! Se por "fofo" você quiser dizer COMPLETAMENTE MORTAL!
Ele girou nos calcanhares e começou a caminhar por uma trilha. A câmera o seguiu e então girou para revelar o cenário à frente.
A floresta, antes acolhedora, agora parecia saída de um filme de terror botânico. Árvores retorcidas se curvavam como se estivessem vivas, lianas grossas se arrastavam pelo chão como cobras, e poças do caminho borbulhavam como um pântano prestes a engolir quem ousasse pisar.
Bem na entrada da trilha, erguia-se uma planta carnívora gigantesca. Uma monstruosa papa-mosca, com vinhas agitadas que cortavam o ar e uma bocarra espinhosa que se abria e fechava com estalos ameaçadores, como se já estivesse faminta.
Os campistas congelaram, encarando o horror à frente.
WILLOW: Ótimo. Mais uma coisa tentando nos matar.
CYRUS: Você mentiu! Você literalmente mentiu na nossa cara!
Chris deu de ombros.
CHRIS: “Mentira” é uma palavra tão feia. Eu prefiro "gerenciamento criativo de expectativas".
Nacho apontou com descrença para a planta, bem no momento em que ela esmagava um pássaro com um estalo seco e nojento.
NACHO: …A semente que a gente tem que pegar… vem DAQUILO?
Chris assentiu com entusiasmo.
CHRIS: Exato! Cada um de vocês precisa atravessar esse percurso modestamente hostil e coletar uma sementinha da nossa querida Papa-Gente Monstruosa. Que, por acaso, pode ou não estar programada para devorar vocês!
A câmera cortou para McConnor, que ajeitava os óculos com uma expressão intrigada.
MCCONNOR: Programada? Isso quer dizer que ela foi modificada geneticamente?
Chris piscou, misterioso.
CHRIS: Quem sabe?
McConnor travou por um segundo.
MOLLY: Tá, mas… o que exatamente tem nesse percurso?
Chris sorriu de volta.
CHRIS: Excelente pergunta, Molly! Mas vamos deixar a surpresa fazer seu papel, né? E ah, quase esqueci! Pra dar uma apimentada no desafio… vocês têm um tempo limite!
O grupo empalideceu em uníssono.
CHRIS: A nossa Papa-Gente anda meio impaciente. Se ninguém conseguir a semente nos próximos 30 minutinhos… — Ele passou o dedo pelo pescoço num gesto nada sutil. — Nada de invencibilidade pra ninguém!
Os cinco se entreolharam. Molly apertou suas pulseiras com mais força. Nacho coçou a nuca, já suando frio. McConnor soltou um suspiro resignado. Willow estalou os dedos, focada. Cyrus parecia que ia desmaiar ali mesmo.
Chris bateu palmas, animado.
CHRIS: Bom, já falei demais! Boa sorte, campistas! Tentem não morrer!
E com isso, um cronômetro digital disparou com um bip alto, e o desafio começou.
***
A primeira parte do percurso até parecia inofensiva. Uma trilha comum cercada de árvores, folhas caídas pelo chão e aquele som reconfortante de passarinhos e vento entre os galhos... Até que a floresta decidiu revidar.
Nacho disparou na frente, cheio de energia, abrindo caminho.
NACHO: Isso me lembra quando meu tio—
Ele não teve nem chance de terminar a frase. Um cipó surgiu do nada e se enrolou no tornozelo dele, puxando-o com força, como se fosse um peixe fisgado por um anzol gigantesco.
NACHO: AAAAAH—!
Ele foi arrastado e lançado no ar, ficando pendurado de cabeça pra baixo, balançando como uma piñata humana.
NACHO: ...Ok, isso foi inesperado.
Ele tentou se soltar, mas logo outro cipó prendeu seu pulso. Um terceiro se enrolou em sua cintura, e em poucos segundos ele estava completamente empacotado.
NACHO: Huh. — Ele mexeu os braços, testando os cipós. — De um jeito meio bizarro... isso é confortável.
Molly passou correndo por ele, desviando com agilidade dos cipós que se mexiam como cobras.
MOLLY: Tá tudo certo aí, Nacho?
NACHO: Definitivamente não! Mas pode seguir, eu... uh... só tô tendo um momento de reconexão com o ecossistema!
Ela deu um joinha, como se isso fosse normal, e continuou. Nacho suspirou fundo, se preparando para pedir ajuda ou, com sorte, gritar por misericórdia. Mas então...
"Você não é uma ameaça, e é exatamente por isso que chegou tão longe!"
As palavras de McConnor ecoaram em sua cabeça.
Nacho franziu a testa. Se ele não conseguia nem escapar de umas plantinhas de quinta categoria, como ia provar que merecia estar no Top 5?
Seus olhos ganharam um brilho determinado.
Ele esticou o braço com esforço, torceu o corpo todo e conseguiu soltar uma das mãos. Em seguida, puxou o cipó da perna com toda a força que tinha. O negócio resistiu, mas ele não parou até ouvir o estalo seco.
Nacho despencou no chão com um baque nada elegante.
NACHO: Ai… — Gemeu, sentindo a dor se espalhar pelas costas.
Mas logo se levantou num pulo atrapalhado, batendo a poeira das roupas com dignidade duvidosa.
NACHO: EU CONSEGUI! SOZINHO! HA! Eu sou um guerreiro da selva, meu chapa!
Ele deu um soco no ar, cheio de orgulho, e saiu correndo para tentar alcançar os outros.
*CONFESSIONÁRIO ON*
NACHO: Olhem, estou tentando ser mais competitivo e focado. E já percebi uma coisa… esse negócio de tentar vencer dói! Mas quer saber? Eu vou até o fim!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Enquanto isso, Cyrus e Willow enfrentavam seus próprios obstáculos. Eles corriam lado a lado pela trilha, concentrados e em silêncio, até que, de repente, o chão simplesmente desapareceu sob seus pés.
CYRUS: Espera, isso é—?
WILLOW: Areia movediça?
Tarde demais. Em questão de segundos, os dois afundaram até a cintura em um pântano pegajoso e fedorento, parando com metade do corpo para fora e metade dentro da areia.
WILLOW: É claro que isso ia acontecer. — Suspirou, como quem já esperava por isso.
Cyrus, por outro lado, estava prestes a entrar em colapso.
CYRUS: AHH! NÃO! NÃO! ISSO NÃO TÁ CERTO!
Ele começou a se debater, chutando e girando os braços, o que só fez com que afundasse mais rápido no lodo espesso.
WILLOW: Para de surtar, gênio. Se mexer demais só piora a situação.
Cyrus congelou no ato, ofegante.
CYRUS: Então o que a gente faz agora?
Willow olhou ao redor, procurando por uma saída, uma raiz, uma pedra, qualquer coisa. Mas tudo ao redor parecia igualmente traiçoeiro.
WILLOW: Eu odeio admitir isso, mas acho que estamos presos aqui mesmo.
O silêncio caiu entre os dois. Apenas o som das respirações pesadas e do pântano borbulhante preenchia o ar. A lama se ajustava lentamente ao redor de seus corpos.
Até que Willow soltou uma risadinha baixa, quase imperceptível. Cyrus ergueu o olhar, confuso.
CYRUS: ...Você tá rindo? Por quê?
WILLOW: Porque essa deve ser, tipo, a vigésima vez que a gente quase morre nesse programa. E, sinceramente? Eu simplesmente cansei de me importar.
Cyrus riu também, meio involuntário, como quem reconhece a insanidade da própria situação.
CYRUS: É… eu entendo.
*CONFESSIONÁRIO ON*
WILLOW: Certo. A gente chegou no Top 5. Já não tem mais alianças, nem estratégias geniais, nem sorrisos falsos. Só tem gente tentando sobreviver a um matagal assassino. É isso que chamam de “fase final”, né? O jogo parou de ser divertido… ou talvez seja só cansaço acumulado por quase morrer toda semana. — Ela suspirou.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Mais uma vez, o silêncio tomou conta. Mas dessa vez, havia algo diferente nele. Um tipo de trégua silenciosa entre o desespero e o ridículo.
Cyrus respirou fundo.
CYRUS: Willow… posso te perguntar uma coisa?
Ela virou o rosto para ele, levantando uma sobrancelha.
WILLOW: Depende. Vai ser uma daquelas perguntas profundas e sentimentais?
Cyrus hesitou por um instante.
CYRUS: …Talvez?
Willow revirou os olhos, mas acabou sorrindo.
WILLOW: Manda ver.
Cyrus abriu a boca, prestes a falar… mas antes que qualquer palavra saísse, um cipó do nada caiu do céu e se enrolou ao redor da cabeça dele, abafando tudo.
CYRUS: MMPH—!
WILLOW: Hah! O universo me salvou de uma conversa constrangedora. Agora vamos sair daqui antes que você precise de um segundo resgate.
Ela começou a procurar algo sólido para se apoiar. Cyrus apenas resmungou, ainda tentando se desvencilhar da planta aleatória que agora parecia querer sufocá-lo.
***
A câmera cortou para Chris, observando tudo de longe por seu tablet com o maior dos sorrisos.
CHRIS: Ahhh, que cena tocante! Dois amigos, presos juntos, encurralados pela própria incompetência. Será que vão escapar com vida? Ou será esse o fim trágico e hilário dessa dupla?
Ele se virou dramaticamente para a câmera.
CHRIS: Descubra depois do intervalo! Já voltamos com mais Drama Total: Floresta dos Mistérios!
*Intervalo*
A lama movediça grudava em tudo. Nas roupas, no cabelo e pior, destruía paciência de Cyrus e Willow, que ainda lutavam para escapar daquele pântano pegajoso. Willow já havia se rendido ao caos da situação, olhando para o horizonte como se tivesse desligado emocionalmente. Cyrus, em compensação, parecia prestes a entrar em colapso.
CYRUS: Se eu morrer aqui, coloquem no documentário que eu tentei… — Ele disse, com o olhar perdido e a voz embargada.
WILLOW: Você não vai morrer. Respira. — Respondeu, sem nem olhar pra ele.
Foi então que, completamente fora de contexto, Molly surgiu voando pelo ar, segurando um cipó como se tivesse saído direto de um filme antigo.
MOLLY: UHUUUUULLL!!!
Os dois ficaram apenas observando, atônitos, enquanto ela passava zunindo sobre suas cabeças como o Tarzan.
CYRUS: Isso… isso tá mesmo acontecendo?
WILLOW: Eu sinceramente já não sei mais o que é real.
Molly deu uma volta completa no cipó, balançando-se com mais entusiasmo do que habilidade, e então se lançou diretamente sobre a lama. O pouso foi tudo menos elegante. Ela caiu com um baque barulhento e um pouco dolorido.
MOLLY: Ok! Tô aqui pra resgatar vocês! Eu vi vocês presos e aí pensei nessa ideia… tipo Tarzan, sabe? Eu sempre gostei muito de Tarzan! — Acrescentou, ficando um pouco vermelha.
Ela se firmou com uma mão no cipó e estendeu a outra para Willow, que a encarou com um olhar cético.
WILLOW: Eu não acredito que vou confiar minha vida a esse cipó improvisado, mas… tanto faz.
Willow pegou a mão de Molly, que puxou com tanta força que quase deslocou o ombro. Com bastante esforço e muito barro escorregando por todo lado, Willow finalmente conseguiu sair da lama e rolou para a margem.
Agora era a vez de Cyrus. Ele segurou a mão de Molly, mas hesitou por um segundo.
CYRUS: Se eu for sugado e desaparecer pra sempre, diga ao mundo que—
WILLOW: AI, PELO AMOR, SÓ SOBE LOGO! — Gritou, completamente impaciente.
Com um último puxão dramático e um grunhido de esforço de Molly, Cyrus foi arrancado da lama e lançado de cara no chão, com um baque seco que levantou um pouco de poeira. Os três ficaram em pé, sacudindo os braços e tentando remover o máximo de lama que conseguiam das roupas e do cabelo.
MOLLY: Ugh, isso é pior que aqueles banhos de argila que minha tia me forçava a fazer no spa. Pelo menos lá tinha toalhas.
Willow cuspiu um pedaço de lama que tinha entrado na boca.
WILLOW: Pff. Estamos vivos. Valeu pelo resgate.
MOLLY: Imagina! Qualquer coisa por vocês. Tá todo mundo bem?
Os dois assentiram, ainda se limpando.
Molly abriu um sorrisinho satisfeito, mas então sua expressão mudou. Ela estreitou os olhos em direção a Cyrus, intrigada.
MOLLY: Ei… você ia dizer alguma coisa pra Willow antes de quase ser engolido vivo? Não que eu tenha escutado ou me importado… — Ela pigarreou, fingindo desinteresse.
Cyrus congelou por um instante. Willow também o encarou, agora com os braços cruzados.
WILLOW: Hm?
Molly deu um sorriso travesso, como quem sabia mais do que deveria.
MOLLY: Aaaah, então eu vou deixar vocês conversarem! Fiquem à vontade, finjam que eu nem tô aqui!
Ela começou a se afastar lentamente, quase deslizando para fora da cena… mas, obviamente, não foi muito longe.
A câmera então cortou para Molly, escondida de forma bem óbvia atrás de uma árvore, com a mão atrás da orelha, pronta para ouvir cada detalhe.
Cyrus respirou fundo, claramente nervoso.
CYRUS: Tá, eu queria dizer que… eu me desculpo pelo que falei, uns dias atrás, sobre a gente ter um relacionamento diferente… Eu tava no calor do momento, empolgado porque o Tommy tinha saído e… acabei falando coisas que não devia. Eu entendo se você não quiser mais ser minha amiga.
Willow o encarou por alguns segundos e então bufou.
WILLOW: Mas a gente não é amigo.
O estômago de Cyrus afundou como uma pedra.
CYRUS: …Ah.
Antes que ele pudesse processar o golpe, Willow continuou.
WILLOW: A gente é algo diferente. Só nós, os doze campistas dessa temporada, sabemos o que é viver sob o Chris e o Chef. Isso cria um tipo de laço... disfuncional. Estamos unidos pra sempre. Pelo trauma.
Cyrus piscou, claramente confuso.
CYRUS: Então…?
WILLOW: Então, você sempre pode contar comigo. Podem se passar décadas, mas se você precisar... eu vou estar por perto.
Cyrus soltou um suspiro de alívio tão intenso que quase perdeu o equilíbrio.
CYRUS: Oh, graças a Deus. Achei que você fosse me achar… estranho por gostar de você.
WILLOW: Nah. Não é estranho. É só um pouco… incômodo.
CYRUS: ...Ugh. — Com uma careta constrangida.
WILLOW: Mas eu sempre soube que você gostava de mim. Desde o primeiro dia.
CYRUS: Hã? Como assim?
Willow deu um sorriso torto e apontou direto pra ele.
WILLOW: Você acha que eu não escuto o que você sussurra ‘pra si mesmo’? E eu vi seu bloquinho de anotações. Meu nome cercado de corações em várias páginas.
O rosto de Cyrus ficou instantaneamente vermelho.
CYRUS: Agh, que vergonha…
Willow riu, com genuína diversão.
WILLOW: Não, não. Eu até gosto da ideia de ter alguém que me aprecia. Só queria que fosse do jeito certo. Não como um casal. Já falei antes: você pode contar comigo.
Cyrus finalmente relaxou, absorvendo as palavras como quem tira um peso das costas.
CYRUS: Então… as coisas podem voltar a não serem estranhas entre nós?
Willow deu de ombros, casual.
WILLOW: Com você, sempre vai ser um pouco estranho. Mas falando nisso… de onde você tirou essa ideia de conversa?
Cyrus arregalou os olhos e hesitou visivelmente.
CYRUS: Bem, você sabe… ontem… eu tava conversando com o McConnor e…
WILLOW: Uuuuugh! — Interrompeu. — Desde quando o McConnor entende de relações humanas? Aquele garoto é praticamente um robô com pernas, cê não percebeu isso ainda?
Cyrus riu fraco, visivelmente envergonhado.
WILLOW: Aquele homem devia ser expulso dessa floresta imediatamente. Mas o desgraçado tem tipo... vidas extras! Não tem problema, a gente só precisa derrotar ele no desafio de hoje e finalizar essa missão. E você, Cyrus…
Ela deu um pescotapa leve nele.
CYRUS: Ai!
WILLOW: Você merece, por escutar os conselhos do McConnor. Agora vambora antes que o tempo estoure.
Os dois começaram a se afastar juntos, voltando para o desafio ainda cobertos de lama, mas aliviados.
A câmera deu um leve zoom-out, revelando Molly ainda escondida atrás da árvore, espiando descaradamente.
Ela se espreguiçou, forçando naturalidade.
MOLLY: Não ouvi nada… mas vou contar tudo pro Nacho depois. — Sussurrou com malícia.
*CONFESSIONÁRIO ON*
CYRUS: Tá. Eu sei que isso foi um longo processo de vergonha e autodescoberta pra mim. Mas… eu me sinto bem? Tipo, eu nunca tinha parado pra pensar em como isso tudo nos afetou. Mas a Willow tá certa. Mesmo quando isso acabar, a gente vai carregar essa temporada como uma conexão bizarra e… indestrutível. E isso me conforta. Agora, se eu conseguir apagar todas as anotações sobre ela no meu diário antes de alguém ler, aí sim eu fico 100% em paz.
—
WILLOW: Cyrus finalmente entendeu que eu não quero namorar ele. Finalmente. Isso me poupou o trabalho de repetir a mesma coisa pela terceira vez. Mas, sendo sincera? Ele não é tão insuportável quanto parece. Só precisa parar de ser… o Cyrus. — Ela empurrou uma mecha de cabelo atrás da orelha com certo cansaço.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
A trilha se estreitava cada vez mais enquanto os dois últimos competidores avançavam pela floresta. Molly e McConnor corriam praticamente lado a lado, ofegantes, suados, cobertos de arranhões e com folhas grudadas por toda a roupa e cabelo.
McConnor não se deu o trabalho de olhar para trás. Sabia que Molly ainda estava lá, quase colada em seus calcanhares.
MCCONNOR: Isso... isso não é justo. — Tentando recuperar o fôlego. — Você não devia ser tão rápida assim.
MOLLY: Eu? Você que não devia ser tão lerdo. — Também respirando com dificuldade, rindo entre as palavras.
McConnor lançou um olhar torto, mas não tinha energia o suficiente para retrucar.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MOLLY: Eu não sou o tipo de pessoa que tem um arqui-inimigo. Mas se eu tivesse que escolher um... seria o McConnor. Ele fala como se soubesse de tudo, como se estivesse no comando o tempo todo. E o mais irritante? Às vezes, ele realmente está certo. Mas hoje? Hoje não vai ser um desses dias.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Foi então que a vegetação se abriu à frente e revelou a Planta Papa-Gente, erguendo-se do meio da clareira como uma criatura saída de um filme. De perto, era ainda mais sinistra. Suas vinhas se contorciam no ar como cobras nervosas, a boca se abria e fechava devagar, revelando dentes vegetais, e o ar tinha um cheiro ácido, de seiva fermentada.
Molly e McConnor trocaram um olhar carregado de tensão.
MOLLY: Então... quem vai ser o sortudo a testar primeiro?
Antes que McConnor pudesse sequer pensar numa resposta, uma das vinhas disparou feito um chicote na direção de Molly. Ela saltou para trás, quase tropeçando em um galho.
MOLLY: Ok, ok! Ela tá com pressa, legal!
Enquanto isso, McConnor já estava analisando a criatura com olhar técnico.
MCCONNOR: Crescimento anormal... resposta imediata a estímulo... provavelmente reage a movimento rápido. — Murmurou para si mesmo.
Molly arqueou uma sobrancelha, impaciente.
MOLLY: Dá pra traduzir pra gente que não fala robô?
MCCONNOR: Se a gente for direto até as sementes, ela vai atacar. — Disse, ajustando os óculos com o indicador.
MOLLY: Tá, e qual é o plano genial então?
McConnor deu um sorrisinho cínico, erguendo os ombros como se a solução fosse óbvia.
MCCONNOR: Você corre primeiro. Damas primeiro, certo?
Molly bufou, mas aceitou o desafio com um revirar de olhos. Avançou um passo e a planta reagiu na hora.
As vinhas voaram na direção dela. Molly conseguiu se esquivar da primeira, saltar por cima da segunda, mas uma terceira se enrolou em seu tornozelo e a puxou com força.
MOLLY: Agh! Me larga, brócolis mutante!
Vendo a planta ocupada com Molly, McConnor aproveitou a distração. Se jogou no chão e começou a deslizar na direção das sementes.
MOLLY: ESPERA! VOCÊ TÁ ME USANDO COMO ISCA?!
MCCONNOR: Eu chamaria isso de alocação estratégica de recursos!
Molly fez uma careta de puro desprezo. Forçou a perna para trás, e com um puxão conseguiu se soltar da vinha.
Mas a Planta Papa-Gente não estava de brincadeira. Uma de suas vinhas acertou McConnor em cheio no peito, jogando-o de volta com força. Ele caiu no chão com um baque surdo e ficou lá por um instante, tonto.
MCCONNOR: ...Ok. Talvez não tenha sido o melhor plano. — Gemeu.
Molly não perdeu tempo. Com McConnor no chão e a planta distraída, ela se lançou para frente com toda a velocidade que restava.
As vinhas tentaram pegá-la de novo, mas dessa vez ela estava preparada. Desviou com precisão, deu um giro no ar e, num salto final, mergulhou direto onde estavam as sementes.
Quando abriu as mãos, uma semente estava ali, intacta, no centro da palma.
MOLLY: Uhuul! Eu consegui!
Uma sirene soou pelos alto-falantes espalhados pela floresta, seguida da voz de Chris.
CHRIS: Parabéns, Molly! Você é a grande vencedora do desafio de hoje! E foi por pouco — menos de três minutos restantes. Me encontrem no ponto de partida do desafio!
Willow e Cyrus, ainda em outro canto da floresta, comemoraram ao ouvir o resultado.
A planta ainda tentou agarrar Molly uma última vez, mas ela já estava correndo para a saída, com a semente firmemente segurada.
McConnor a observou à distância, ainda tentando recuperar o ar. Cerrava os punhos com força.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MCCONNOR: Isso foi... humilhante! Eu falhei em formar alianças, falhei no desafio e perdi por tão pouco! — Ele rosnou. — Mas isso não termina aqui. Eu só tô fora quando aquele ônibus me levar embora. Até lá, o jogo continua. — Olhou fixamente para a câmera.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
McConnor caminhava lentamente pela trilha da floresta, chutando uma pedra com a ponta do tênis a cada passo. O desafio já havia terminado, e a noite começava a cair sobre Tipikanizaw. O céu ganhava tons de laranja queimado e roxo desbotado, enquanto os últimos feixes de luz do sol se infiltravam pelas copas tortas das árvores esqueléticas da reserva.
Ele ajeitou os óculos com um gesto automático e lançou um olhar ao redor, sem muita pressa.
Mais adiante, nos degraus da cabine principal, Molly e Nacho riam alto de alguma história, a energia entre eles leve, quase contagiante. Molly gesticulava com exagero, provavelmente aumentando cada detalhe do que contava, enquanto Nacho gargalhava de um jeito desgovernado, batendo as mãos nos joelhos e quase tombando para trás de tanto rir.
Um pouco mais longe, afastados da agitação, Cyrus e Willow estavam sentados lado a lado sobre um tronco. Não falavam nada, mas o silêncio entre eles parecia confortável, não estranho. Willow tinha os braços cruzados, os olhos fixos na escuridão crescente da floresta. Cyrus desenhava algo no chão com um graveto, distraído, o olhar distante, preso em algum pensamento.
McConnor parou por um instante para observar. Apenas ficou ali, sem ser notado. Depois, soltou um suspiro pesado.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MCCONNOR: Eu odeio admitir isso, mas... acho que nunca estive mesmo dentro do grupo. Desde o início, fui o jogador, o cérebro, o cara das teorias. Nunca fui um deles. E talvez seja por isso que agora eu não tenha pra onde correr. — Ele fez uma pausa breve. — Mas quer saber? Eles podem estar rindo hoje, podem se sentir por cima, mas um dia... quando eu for mundialmente reconhecido pelo meu brilhantismo, eles vão lembrar de mim. — Apontou o dedo indicador com convicção.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
O corte foi direto para o altar das eliminações. Chris estava diante da fogueira, segurando uma tigela com quatro pinhas dentro.
CHRIS: Certo, vamos acabar logo com isso! A votação foi unânime e vocês sabem muito bem quem é. Hora do veredito!
Ele ergueu um papel de voto com um enorme "MCCONNOR" rabiscado em letras garrafais.
CHRIS: Nossa, que surpresa! McConnor recebeu todos os votos! Quem poderia imaginar? — Falou com uma falsa expressão de choque.
McConnor suspirou e apertou a ponte do nariz, sem sequer tentar responder ou se justificar.
MCCONNOR: Vocês realmente têm uma fixação por me eliminar, né?
MOLLY: Não é pessoal! — Fez uma pausa. — Quer dizer... talvez um pouquinho.
CYRUS: Você honestamente esperava um resultado diferente?
WILLOW: É. Tchau.
Chris apontou com o polegar para a trilha que levava até a saída.
CHRIS: Bem, McConnor, foi uma longa jornada cheia de teorias mirabolantes, invenções quase úteis e... no fim das contas, nenhuma vitória! Mas agora, sua aventura acaba por aqui. Pode ir andando.
McConnor apenas suspirou de novo. Em silêncio, pegou seu bloquinho de notas, ajustou os óculos no rosto e começou a caminhar na direção do ônibus dos perdedores. O motorista abriu a porta sem nem olhar para ele.
Antes de subir, McConnor olhou uma última vez para os quatro finalistas restantes. Molly acenou com simpatia. Nacho levantou o polegar, sorrindo. Cyrus coçou a nuca, visivelmente sem saber o que dizer. Willow apenas piscou devagar, como se estivesse entediada com o momento.
Ele balançou a cabeça, subiu os degraus e bateu a porta atrás de si. O ônibus soltou um ronco grave e arrancou estrada adentro, levantando poeira enquanto levava McConnor para fora da competição.
Chris virou-se de volta para a câmera com um sorriso satisfeito no rosto.
CHRIS: E lá se vai McConnor! Finalmente!
Ele girou nos calcanhares e apontou com entusiasmo para os quatro campistas restantes.
CHRIS: E isso nos leva oficialmente ao nosso TOP 4! Molly, Nacho, Cyrus e Willow!
A câmera focou brevemente em cada um deles com um zoom dramático.
*CONFESSIONÁRIO ON*
NACHO: Top 4... caramba. Eu juro que nunca achei que fosse durar tanto tempo aqui. Mas agora? Agora eu quero mais. Não tô aqui só pra curtir o rolê ou fazer figuração. Quero ver se alguém como eu consegue chegar até o fim. Se eu ganhar, vai ser por mérito meu.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
CHRIS: Quem será o próximo a ser chutado pra fora dessa floresta esquisita? Quem vai aguentar até o final? Descubram no próximo episódio de... Drama Total: Floresta dos Mistérios!
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