Drama Total: Floresta dos Mistérios

Capítulo 10 — a soPa mística

A tela se abre para uma visão panorâmica da Reserva Florestal de Tipikanizaw ao amanhecer. A câmera corta para o apresentador, que está casualmente recostado em uma espreguiçadeira. Ele abaixa os óculos escuros e encara a câmera com seu sorriso característico.

CHRIS: No último episódio de Drama Total: Floresta dos Mistérios, nossos adoráveis campistas passaram pelo desafio mais romântico e, francamente, mais perturbador da temporada: o temido Túnel do Amor! Nada como cupidos psicóticos, sapos casamenteiros e obstáculos bregas para testar a paciência dos nossos finalistas. Mas, vamos ser sinceros, a coisa mais difícil de assistir foi o Tommy tentando ser um galã! Ugh, quem aguenta? A Willow com certeza não aguentou! Depois de muita vergonha alheia e tentativas questionáveis de reconquistar a lenhadora, ela foi a pivô da eliminação do nosso bad boy favorito. O cara se humilhou em rede internacional, implorou, choramingou e, no final, foi chutado para fora do jogo. Mas, hey, pelo menos ele e aquela árvore especial podem viver felizes para sempre. Adorável. Quase um conto de fadas... se alguém se importasse… — Ele fez uma cara de desgosto. — E agora, oficialmente no Top 7, sem Tommy para atrapalhar, Willow finalmente vai conseguir se concentrar no jogo? Ou Cyrus vai aparecer para tentar preencher o vazio deixado pelo garoto-árvore? Molly e McConnor finalmente fizeram as pazes ou a rivalidade deles só está esquentando? Minyoung e Seth continuam a sincronia suspeita ou foi apenas um acaso do destino? E a pergunta mais importante: quem vai ser eliminado hoje?

*Abertura*

A tela escurece lentamente, enquanto o som do vento se intensifica, assobiando por entre os galhos da floresta. Quando a imagem retorna, estamos em uma clareira isolada. Uma névoa dourada rasteja pelo chão, serpenteando entre as pedras e raízes. As árvores ao redor estão tortas, com galhos que se curvam como braços sussurrando em uma língua desconhecida.

Minyoung aparece no centro da clareira. Ela está descalça, usando um hanbok branco e etéreo que balança no ar com movimentos quase sobrenaturais. Seus olhos se arregalaram ao avistar Molly à frente, iluminada por uma luz que parece emanar internamente.

MINYOUNG: Molly…?

Molly sorri. Mas o sorriso é grande demais, aberto demais, quase artificial. Há algo errado. Minyoung tenta correr até ela, mas o chão sob seus pés se desfaz em areia movediça. Suas pernas afundam rapidamente. Ela estica a mão, lutando para alcançar Molly. Por um momento, seus dedos quase se tocam…

E então Molly desaparece. Um redemoinho dourado a engole, sumindo sem deixar vestígios.

O cenário muda. As árvores tremem. A clareira parece derrete. Do nada, Gretchen surge correndo, os olhos arregalados de pânico. Antes que consiga dar dois passos, raízes negras se levantam do solo e a agarram com força, suspendendo-a no ar. A árvore mais próxima se abre ao meio, como uma ferida se abrindo, revelando um interior cheio de dentes afiados, como lâminas.

GRETCHEN: MINYOUNG, ME AJUDAAAA—

CRACK! As raízes a puxam para dentro da árvore. Ela se fecha num estalo seco, como uma mandíbula. Silêncio.

Minyoung tenta gritar, mas não consegue. Seu corpo não responde. O chão sob seus pés se parte de repente, revelando um abismo escuro e profundo. De dentro dele, sombras começam a emergir. Elas rastejam pelas bordas como fumaça viva, tomando formas conhecidas: Cyrus, Molly, Willow, Nacho, Seth e McConnor, ou versões espectrais e deformadas deles. Seus rostos são distorcidos, os olhos vazios, a pele acinzentada.

Eles murmuram seu nome.

Uma voz fria sussurra ao pé de seu ouvido: “Amizades têm um preço...”

Minyoung grita.

Ela acorda com um sobressalto. Ofegante, na cama da cabine. Seu rosto está coberto de suor. O quarto ainda está mergulhado em penumbra, com apenas um leve brilho dourado atravessando as frestas da janela. Minyoung leva a mão ao peito, tentando estabilizar a respiração, enquanto o coração retumbava.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MINYOUNG: Ah, ótimo. Eu tinha parado de ter pesadelos fazia mais de uma semana. Mas agora? Voltaram com força total. E esse foi de longe o pior. Eu juro que achei que ia ter um infarto dormindo. — Ela respira fundo, tentando se acalmar. — Eu devia contar pro Cyrus. Ele gosta de saber quando eu tenho pesadelos. Talvez ele possa me ajudar a decifrar esse sonho.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Minyoung estava sentada nos degraus da cabine, segurando uma xícara trincada entre os dedos. Ela sentia a cerâmica enquanto contava o sonho para Cyrus e Molly, tentando organizar o caos da noite anterior em palavras.

Cyrus permanecia curvado sobre seu diário, anotando cada detalhe com urgência, como se estivesse decifrando um código secreto. Seus olhos seguiam a fala de Minyoung, mas suas mãos se moviam tão rápido que era um milagre conseguir acompanhar. Molly, ao lado, escutava com expressão atenta, o corpo levemente inclinado para frente enquanto balançava a cabeça de forma entusiasmada.

MOLLY: Uau. Isso significa que a árvore canibal representa a sociedade moderna, e a Gretchen... é, tipo, o capitalismo.

Minyoung e Cyrus pararam de escrever e a encararam em uníssono.

MINYOUNG: Molly, por favor. Leva isso a sério.

CYRUS: Calma... talvez tenha algo aí. Tipo... as árvores falantes podem simbolizar o medo do desconhecido, ou sei lá, a culpa reprimida.

Minyoung desviou o olhar, pensativa. Seus olhos estavam pesados, como se ainda sentissem o peso do sonho.

MINYOUNG: Talvez. Eu só sei que acordei com um pressentimento horrível. Como se alguma coisa estivesse prestes a dar errado. E toda vez que tive um pesadelo desde que isso aqui começou, alguma desgraça caiu no meu colo logo depois. Sério, parece um mau sinal.

MOLLY: Eu acho que não é tão profundo assim, amiga. Pode ser só... um sonho esquisito. Nada demais.

MINYOUNG: Hm. — Ela voltou o olhar para Cyrus. — E você, o que acha?

Nenhuma resposta. Cyrus não reagiu.

Ela franziu o cenho, confusa. Só então percebeu que ele havia parado de escrever e estava com o olhar fixo em algo à distância. Willow passava mais adiante, caminhando sozinha entre as árvores, os ombros tensos e o rosto perdido em pensamentos. Sem dizer uma palavra, Cyrus fechou o diário com força, se levantou num pulo e saiu correndo na direção dela.

CYRUS: Preciso falar com a Willow!

Na pressa, derrubou o diário nos degraus e desapareceu pelo acampamento.

Minyoung ficou olhando o diário caído aos seus pés. Seu rosto endureceu, tomado por uma decepção silenciosa.

MINYOUNG: É, não é como se meu pesadelo fosse importante pra mim. — Resmungou, amarga, virando o olhar para o lado.

***

A câmera corta para Willow, caminhando sozinha pela floresta com as mãos afundadas nos bolsos da calça. O cabelo ruivo balança com o vento leve enquanto ela chuta uma pedra para longe, o olhar fixo no chão, claramente perdida em pensamentos.

De repente, o som de passos apressados quebra o silêncio do mato. Antes que ela possa reagir…

CYRUS: Willow! Ei, Willow, espera aí! — Ofegante.

Cyrus surge correndo pela trilha, tropeçando quase de cara numa raiz exposta, mas se recuperando de forma nada graciosa. Ele para ao lado dela, tentando parecer casual, embora sua respiração estivesse acelerada.

Willow o observa com uma expressão neutra por alguns segundos.

WILLOW: Você tá bem? Parece que correu uma maratona.

CYRUS: Tô ótimo! Só… praticando meu exercício matinal. Saúde em primeiro lugar, né?

Ela ergue uma sobrancelha, cética.

WILLOW: Sei. Tá. O que você quer?

Cyrus ajeita o boné para trás com um sorrisinho confiante, tentando demonstrar uma segurança que já começou a vacilar.

CYRUS: Bom, agora que o Tommy foi eliminado… parece que você tá meio que… livre, né?

WILLOW: Livre?

CYRUS: É. Tipo… sem distrações. Sem um certo alguém grudado em você 24 horas por dia… sem ninguém atrapalhando… ou te impedindo de… sei lá… abrir seu coração pra novas possibilidades.

Ele faz uma pausa dramática, se inclinando levemente com um sorriso que ele claramente acha sedutor.

Willow pisca devagar, como se estivesse tentando entender se aquilo era real.

WILLOW: Você tá… tentando flertar comigo?

CYRUS: Flertar? Eu? Não, pfff, claro que não. — A voz falha, e ele engole seco. — Eu só tô dizendo que… talvez agora que o Tommy não tá mais aqui…

Ele se aproxima um passo, tentando parecer relaxado e interessante.

CYRUS: …você possa perceber que tem alguém bem aqui do seu lado o tempo todo.

Willow o encara por alguns segundos. Então, começa a rir. E não é um risinho discreto, é uma gargalhada escancarada.

Cyrus pisca, confuso.

CYRUS: O que foi?

WILLOW: Meu Deus, Cyrus! Você é igualzinho ao Tommy!

CYRUS: O quê?! Como assim?!

WILLOW: Vocês tentam demais! Isso é coisa de homem? O Tommy mal saiu e você já tá vindo com gracinha? O que é isso, vocês têm um cronômetro do meu status de relacionamento?

CYRUS: Não é assim! Eu só… achei que talvez agora você pudesse me ver de um jeito diferente.

Willow suspira e leva as mãos às têmporas, massageando-as com paciência limitada.

WILLOW: Escuta, Cyrus. Você não tá entendendo que eliminar o Tommy não foi fácil? Ele gostava de mim. E mesmo assim, eu mandei ele embora porque tô focada em vencer. Eu não tô pensando em namoro. Nem com ele, nem com você.

Cyrus congela. A postura relaxada desaba no mesmo instante.

CYRUS: Ah.

A câmera fica em silêncio por três longos segundos. Só o som do vento entre as folhas preenche o vácuo constrangedor. Willow suspira de novo, enfia as mãos nos bolsos e começa a se afastar.

WILLOW: Não é nada pessoal. Você é um bom garoto. Mas eu tenho um milhão de dólares pra ganhar.

Ela se afasta floresta adentro, deixando Cyrus parado ali, parecendo que acabou de levar uma mangueirada de água fria na cara.

*CONFESSIONÁRIO ON*

CYRUS: Beleza. Então não só eu levei um fora, como fui comparado ao Tommy. Tommy! Sem ofensa, mas... sério?! Eu não sou tão desesperado assim! Ou sou? — Ele faz uma pausa, refletindo, e depois enterra o rosto nas mãos. — Ok. Talvez eu tenha me precipitado. Podia ter esperado mais? Sido mais sutil? Provavelmente. Mas eu juro que a vibe parecia certa. E agora? Agora eu sou “um bom garoto”. Isso é pior do que ser rejeitado! Isso é tipo… “parabéns, você é um irmãozinho fofo, fique aí no canto”. — Ele suspira, cruza os braços, derrotado. — Eu vou superar. Ou vou fingir que nada disso aconteceu. Uma dessas duas opções parece bem mais prática.

— — —

WILLOW: O que tem com esses garotos? Primeiro o Tommy me sufoca, agora o Cyrus acha que pode simplesmente ocupar o lugar dele? Ugh. — Ela cruza os braços, claramente irritada. — Eu não tô aqui pra romance. Eu não sou “a garota que precisa de um par romântico”. Eu tô aqui pra ganhar esse jogo. E sem o Tommy me atrapalhando, eu finalmente posso focar 100% no prêmio. Então, desculpa, Cyrus, mas se quiser flertar, procure outra pessoa.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Mais tarde, McConnor passa pela frente da cabine e desacelera, os olhos fixos em Molly, que está sentada nos degraus consolando Minyoung. Ele franze a testa, pensativo, observa por um segundo e continua andando em direção à cantina.

Ao chegar lá, seu coração quase sai pela boca.

Molly está sentada em uma das mesas, rindo alto com Nacho como se estivesse ali o tempo todo.

MCCONNOR: Você— você?! Como?! — Ele aponta para ela como se tivesse acabado de flagrar uma entidade sobrenatural.

MOLLY: Hã? — Pisca, confusa.

MCCONNOR: Você tava na cabine AGORA HÁ POUCO! Como já tá aqui?!

Molly inclina a cabeça, franzindo a testa como se não visse nada de estranho.

MOLLY: Ah, isso? — Dá de ombros. — Ué, eu só vim até a cantina.

MCCONNOR: Mas… COMO? Eu vi você lá. Depois vi você aqui. E eu saí antes de você e—

MOLLY: Eu sei um caminho alternativo. E eu não ando, eu saltito. — Sorri como se fosse a coisa mais lógica do mundo.

McConnor passa a mão no rosto, exasperado.

MCCONNOR: Ugh… — Balança a cabeça, tentando mudar de foco. — Mas espera. Eu vi você com a Minyoung, e agora tá com o Nacho? Pensei que ela fosse sua amiga.

Molly põe a mão no ombro de Nacho, que mastiga um pedaço de pão seco, parecendo alheio ao caos da conversa.

MOLLY: E o Nacho também é meu amigo! — Responde, sorrindo como se fosse óbvio.

McConnor estreita os olhos, como se tivesse acabado de montar uma peça importante de um quebra-cabeça. Sem dizer mais nada, se afasta e vai até Seth, que está sentado sozinho tomando café e observando a confusão ao redor com total apatia.

McConnor se joga no banco ao lado dele, direto ao ponto.

SETH: Uh, ok. — Ergue a sobrancelha. — Pode se sentar, McConnor. Super educado da sua parte. — O sarcasmo escorria.

MCCONNOR: Seth, você conhece a Molly, certo? Tipo… vocês são amigos?

Seth franze a testa, sopra o café e toma um gole antes de responder.

SETH: Que pergunta aleatória… mas tá. Conheço. Eu vi ela ser possuída por um fantasma, então acho que isso nos torna… conhecidos? — Dá de ombros. — Se somos amigos? Hm. Nunca fomos da mesma equipe. Mesmo na fusão, não conversamos muito.

Ele pausa, refletindo brevemente.

SETH: Mas olha… ela é tipo um milk-shake de refrigerante com glitter. Nem sempre tô no clima, mas muita gente adora. Ela tem amigos por todo lado.

McConnor absorve aquilo, encostando no banco com um olhar distante.

MCCONNOR: Muitos amigos… — Repetiu em voz baixa, quase para si mesmo.

Seth revira os olhos e toma mais um gole.

SETH: Ok, mas por que esse questionário repentino?

Antes que ele termine a frase, McConnor já está de pé, saindo determinado. Seth apenas acompanha com o olhar e balança a cabeça.

SETH: Moleque esquisito. — Volta para o café.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MCCONNOR: AMIGOS. Essa é a arma secreta da Molly! — A câmera corta para um gráfico grotescamente rabiscado na parede do confessionário. No centro, o nome "Molly", cercado por setas apontando para outros campistas. — Ela é amiga da Minyoung, do Nacho, eu já vi ela conversando com a Willow, o Cyrus… até o Seth, que odeia contato humano, disse que ela não é ruim! Ou seja… ela tem laços com praticamente todo mundo.

Ele encara a câmera, olhos arregalados.

MCCONNOR: …menos comigo. — Dramaticamente, risca um X vermelho enorme sobre o próprio nome. — Claro, trabalhamos bem no último desafio. Mas agora que eu perdi a imunidade? Ela não vai votar nos amigos. Isso me torna o alvo mais óbvio. Eu preciso agir. E rápido.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

McConnor caminha pela floresta como um cientista à beira de uma descoberta revolucionária. O bloquinho em mãos está coberto de anotações frenéticas. Ele murmura para si mesmo, testando teorias em voz alta.

MCCONNOR: Se a vantagem dela são conexões sociais, então eu preciso inverter a equação… — Rabisca mais uma linha, para e analisa o próprio garrancho. — Preciso melhorar minha letra.

Tão absorto que não percebe o que há à frente até— PAFT! Tropeça e cai de joelhos, soltando um grunhido.

MCCONNOR: Argh! Mas que—?

Ele olha para baixo, irritado, pronto pra reclamar, mas sua expressão muda ao ver o que o fez cair.

A câmera não revela claramente o objeto, mas um reflexo dourado brilha nos olhos arregalados de McConnor.

MCCONNOR: Ah… mas é CLARO. — Sussurra, fascinado.

Um sorriso, o primeiro genuíno desde que voltou ao jogo, se forma no rosto dele. Ele passa a mão pelo objeto, sentindo o peso da descoberta.

MCCONNOR: Eu não preciso de alianças. Eu só preciso disso.

Ele guarda rapidamente o que encontrou, sacudindo a poeira das roupas com pressa. Ajeita os óculos, confiante, anota algo novo no bloquinho e segue em frente sem olhar para trás.

***

Na manhã seguinte, os campistas foram reunidos em uma clareira curiosamente montada no meio da floresta. No centro, sete bancadas de madeira recém-construídas ostentavam fogões portáteis e pias metálicas que brilhavam sob o sol, parecendo uma cozinha industrial largada no mato. À frente delas, Chris McLean exibia seu típico sorriso exagerado, enquanto Chef Hatchet mantinha a costumeira carranca dele.

SETH: O que é isso? O orçamento do programa ficou tão ruim que agora temos que cozinhar nossa própria comida?

Chef Hatchet não achou graça. Nem um pouco.

CHRIS: Nada disso, meu querido Seth! — Usando aquele tom sarcástico que irritava todo mundo. — Mas me digam, o que seria de Drama Total sem o clássico desafio das comidas nojentas?

Cyrus engoliu em seco, desconfiado. Nacho instintivamente segurou o estômago, já sentindo náusea só de lembrar dos traumas alimentares de temporadas passadas.

CHRIS: Só que sejamos honestos: esse desafio já deu o que tinha que dar. Todo ano a mesma coisa: alguém vomita, alguém vence, e alguém se pergunta onde foi que a vida deu errado. — Ele fez um gesto dramático com as mãos. — Então, pra manter a vibe interessante, esse ano... VOCÊS é que vão cozinhar os pratos! E o nosso queridíssimo Chef Hatchet será o jurado supremo!

Um silêncio desconfortável tomou conta da clareira. E então, a revolta coletiva explodiu em vozes misturadas.

CHEF: E é bom que cozinhem direito! — Disse com um olhar que poderia azedar leite.

As risadinhas nervosas cessaram imediatamente quando ele deu um passo à frente.

CHRIS: Obrigado, Chef. Mas calma lá, não é qualquer prato! Estamos em Tipikanizaw, uma floresta cheia de segredos, e o Chef está exigente. Ele quer algo... místico!

CHEF: Sopa de Três Sabores! — Anunciou, batendo as mãos com força na bancada.

Ele se aproximou com passos pesados, distribuindo sete pergaminhos amarelados e meio rasgados.

CHEF: Aqui estão os ingredientes. Mas, adivinhem só? Eles estão espalhados pela floresta! Boa sorte tentando achar qualquer coisa! — E soltou uma risada seca, claramente se divertindo com o sofrimento alheio.

Os campistas abriram os pergaminhos ao mesmo tempo e imediatamente franziram a testa.

CYRUS: Sete fios de barba de gnomo? — Leu em voz alta, sem acreditar.

MOLLY: Sangue de unicórnio? “Doado, não forçado”? — Ela revirou os olhos. — Ah, ótimo. Lá vamos nós de novo com unicórnios.

SETH: Escamas de dragão? — Olhou desconfiado.

CHRIS: Shhh, sem spoilers! Como a sopa precisa ser feita com ingredientes fresquinhos, vocês têm três horas pra caçar, coletar e cozinhar. Se atrasarem... ela amarga. E um Chef de mau humor é difícil de lidar! — Ele apontou com o polegar para o Chef, que afiava uma faca do tamanho de uma espada curta, só para intimidar. — O campista que preparar a sopa mais gostosa, ou menos repulsiva, ganha imunidade!

Sem muitas alternativas e visivelmente contrariados, todos assentiram com a cabeça.

*CONFESSIONÁRIO ON*

NACHO: Beleza, eu não sou um chef, mas já improvisei muito na cozinha. Minha abuelita sempre dizia: “Nacho, cozinhar é como a vida: você segue as regras... e, quando ninguém tá vendo, mete um tempero a mais!” — Ele gesticula dramaticamente, simulando jogar algo numa panela.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

CHRIS: Perfeito! Preparar... apontar... — Ele ergueu um braço no ar com teatralidade. — JÁ!

Os campistas saíram correndo em direções opostas, se espalhando entre as árvores.

***

A floresta vibrava com seus sons sobrenaturais habituais. Folhas sussurrando como se fofocassem entre si, pontos de luz flutuando em padrões estranhos, e, ao fundo, o rugido espaçado de alguma criatura mística provavelmente tentando assustar alguém ou só marcar território.

Molly e Minyoung avançavam pela trilha irregular, desviando de raízes expostas e buracos traiçoeiros. Molly seguia com seu andar leve e animado, quase saltitante. Minyoung, por outro lado, caminhava com cautela, postura ereta, o olhar atento, como se o chão pudesse desmoronar a qualquer momento.

Sem aviso, Seth passou correndo por elas, a gravata torta e folhas grudadas na gola do terno, que balançava ao vento. Ele murmurava algo sobre “escamas de dragão” enquanto sumia floresta adentro, parecendo determinado… ou perdido.

Minyoung acompanhou o movimento dele com os olhos. Por um tempo... um pouco longo demais.

Molly percebeu. Parou no meio da trilha como se tivesse tido uma epifania.

MOLLY: ESPERA. Espera. Espera. Espera. Minyoung… você tem um crush no Seth?!

MINYOUNG: Q-quê? O quê?! Não! Isso seria… ridículo! — Gaguejou, corando até as orelhas.

MOLLY: Hmmmmm… — Estreitou os olhos, escaneando-a com um ar de detetive.

MINYOUNG: Ele é desleixado, usa terno até no mato e tem uns vinte anos a mais que eu! — Cruzou os braços, desviando o olhar.

MOLLY: E é por isso que você gosta dele, né? Um bad boy velho e desleixado pra chamar de seu?

MINYOUNG: E-ele é irritante, só fala de dinheiro e… e… — A voz foi ficando mais fina a cada sílaba.

MOLLY: Isso é um SIM!!! Opostos se atraem! — Gritou, pulando como se tivesse ganhado na loteria.

MINYOUNG: NÃO! MOLLY, NÃO! ESQUECE QUE EU FALEI! — Agarrou os ombros da amiga e a sacudiu, em pânico.

MOLLY: Não tem como esquecer. — Sorriso diabólico. — Já tá oficialmente no meu "Diário dos Casais Potenciais". Em caneta rosa com glitter.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MOLLY: Ok, talvez eu tenha um pouco de obsessão por romances. Mas escuta: Minyoung é toda certinha, o Seth é um caos de terno. Isso tem tudo pra ser aquele tipo de romance que ninguém espera e TODO MUNDO ama! Tipo filme ruim de comédia romântica. Eu PRECISO fazer isso acontecer!

— — —


MINYOUNG: Eu abro a boca por CINCO segundos e agora minha vida amorosa é o novo projeto pessoal da Molly?! Qual foi o meu erro? Além de abrir a boca, claro. E eu nem gosto do Seth! Ele é… blegh! — Ela diz isso, mas cora até a raiz do cabelo e esconde o rosto atrás da franja.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

As duas continuaram pela trilha, ainda discutindo, até colidirem com algo inesperadamente macio. E brilhante. Caíram para trás no impacto, atordoadas.

Ao olharem para cima, viram uma manada de unicórnios reluzentes, com crinas esvoaçantes e expressões mais arrogantes que as da Serena. Cada passo deles fazia os cascos brilhar como pérolas recém-polidas. Um, em especial, avançou com pose de realeza e crina dourada, olhos azuis penetrantes e um andar de superioridade.

MINYOUNG: Esse não é o unicórnio que o Seth tentou convencer a abrir uma empresa juntos?

Molly soltou uma risadinha. Era impressionante que Minyoung lembrasse exatamente daquele unicórnio, mesmo depois de semanas. Mas focou quando o ser místico abriu a boca.

UNICÓRNIO DOURADO: Vocês desejam sangue de unicórnio, mortais?

MOLLY: Uh… sim! — Se levantou, limpando a calça e tentando soar firme. — Mas tem que ser doado! Nada forçado! Juramos!

O unicórnio bufou de forma teatral. Depois, sorriu.

UNICÓRNIO DOURADO: Ah, excelente! Porque doar sangue é a ATIVIDADE FAVORITA de um unicórnio! — E parecia mesmo acreditar nisso.

Molly e Minyoung trocaram um olhar de puro estranhamento.

MINYOUNG: Isso é meio aleatório… — Sussurrou.

MOLLY: Shhh, só aceita a sorte. — Retrucou baixinho.

UNICÓRNIO DOURADO: Claro! É um gesto nobre! Altruísta! E nós ADORAMOS isso!

UNICÓRNIO TURQUESA: Eu tenho até meu cartão de doador! — Ele mostrou um cartão reluzente onde se lia "DOADOR VITALÍCIO" com glitter mágico.

A câmera revelou um pequeno posto de coleta improvisado entre as árvores, com uma tenda branca e um unicórnio de jaleco colhendo sangue de outros entusiasmados voluntários místicos.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MOLLY: Tá, eu retiro metade do que disse sobre os unicórnios. Eles ainda são irritantes. Mas hoje... eles colaboraram! Então vou reclassificá-los no meu ranking de equinos mágicos. Talvez acima dos pôneis infernais.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Enquanto Molly e Minyoung observavam o posto místico de doação, uma terceira figura se aproximou com calma. Willow.

Ela veio andando com naturalidade, segurando um frasco já cheio de sangue de unicórnio, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

WILLOW: Ah, oi meninas. Já consegui o meu. — Disse, sem pressa, com um leve tom de tédio.

MOLLY: Você tá brincando comigo? — Piscou, sem acreditar.

WILLOW: Nah, só cheguei antes de vocês. Também peguei as escamas do dragão.

MINYOUNG: COMO você fez isso tão rápido?!

WILLOW: O dragão tava dormindo. — Deu de ombros, como se fosse óbvio.

Um dos unicórnios trocou olhares com os colegas e se aproximou de Willow com respeito cerimonial.

UNICÓRNIO DOURADO: Deseja mais sangue, mortal?

WILLOW: Hm… não, obrigada. Vou atrás do último ingrediente.

E, com isso, ela simplesmente saiu andando, sumindo pela floresta.

***

A cena abre dentro de uma caverna colossal, envolta por sombras e iluminada apenas pelo brilho esverdeado de cristais que brotam das paredes de pedra. A luz tênue pulsa suavemente, lançando reflexos nas rochas úmidas ao redor.

No centro da caverna, um dragão vermelho gigantesco dorme profundamente, sua barriga subindo e descendo em um ritmo pesado. Cada ronco que escapa de suas narinas faz o chão vibrar de leve.

Ali, ao lado das patas colossais da criatura, algumas escamas vermelhas soltas jaziam no chão, refletindo a luz com um brilho vívido e ameaçador.

Seth aparece do lado oposto da caverna, ajustando a gravata do seu terno amarrotado com uma mão trêmula. Ele respira fundo, tentando reunir coragem, e começa a se aproximar em passos cuidadosos.

SETH: Tá bom, Seth… é só pegar as escamas e sair. Simples. Sem estresse. Sem drama. — Murmurou para si mesmo, quase como um mantra.

Ele se abaixa com a cautela de um espião, os movimentos precisos, quase coreografados. Estende a mão e apanha duas escamas brilhantes. No mesmo instante, o dragão se remexe, soltando um ronco mais forte e arrastado. Seth congela, como uma estátua, suando frio.

Mas o dragão apenas vira para o lado e volta a roncar como se nada tivesse acontecido.

SETH: Ufa… isso foi mais fácil do que eu esperava. — Sussurra, aliviado.

Ele se levanta devagar e começa a se virar para sair. Mas então, seus olhos captam algo mais adiante, no fundo da caverna.

Ele congela de novo, desta vez sem mover um músculo. Os olhos se arregalam. A expressão muda de alívio para puro espanto.

***

Corte brusco para Chris McLean, recostado casualmente numa espreguiçadeira decorada com folhas tropicais. Ele segura um tablet numa mão e um balde de pipoca na outra, parecendo relaxado.

CHRIS: O que será que o Seth viu? Um perigo mortal? Um segredo escondido há séculos? Uma revelação bombástica que pode virar o jogo de cabeça pra baixo?

Ele mastiga mais um punhado de pipoca com barulho e encara a câmera com um sorriso malicioso.

CHRIS: Bom, isso só depois do intervalo! Mas não mudem de canal, porque eu juro que isso vai valer cada segundo da sua curiosidade! A gente volta já com mais Drama Total: Floresta dos Mistérios!

*Intervalo*

A tela volta do intervalo com um close dramático nos olhos escancarados de Seth.

O choque tinha bom motivo. Bem atrás do dragão adormecido, no fundo da caverna, havia uma montanha. Mas não uma montanha qualquer. Era uma pilha colossal de ouro.

Moedas reluzentes, jóias cintilantes, coroas de aparência ancestral empilhadas como sucata de luxo. E no topo, um trono de ouro maciço, com um ovo de dragão apoiado bem no centro.

Seth piscou. Depois piscou de novo, mais devagar. Um sorriso gigantesco foi se formando em seu rosto.

SETH: Eu tô… RICO!

Sem hesitar, ele se jogou na montanha como uma criança. Afundou nas moedas como se fossem espuma. Emergiu rindo alto, jogando moedas pro ar, completamente esquecido do motivo original de estar ali.

*CONFESSIONÁRIO ON*

SETH: Meu Santo Graal! — Falou, radiante. — Me deparei com uma montanha de ouro, no meio daquela caverna! Como isso é possível?! Tá, eu já ouvi as lendas sobre dragões dormindo em ninhos de ouro, mas sempre achei que era coisa de livro velho… Mas, quer saber? Depois de tudo que já vi nesse acampamento, fadas, unicórnios, robôs assassinos — Ele listou. — Quem sou eu pra duvidar? O importante é: missão cumprida. Eu tô rico!

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Ele pegou um punhado de moedas e esfregou no rosto. Enfiou uma coroa torta na cabeça, pegou um cetro enferrujado, e se admirou no reflexo do ouro polido.

SETH: Isso mesmo, vão me chamar de Lord Seth! E com reverência! — Delirou. — Isso sim é um final digno pra mim!

Seth começou a entupir os bolsos do paletó amarrotado com o que podia. Enfiou moedas nas mangas, pepitas no sapato, até tentou colocar um bracelete no tornozelo. Abriu a boca para morder uma pepita, mas se arrependeu na hora.

SETH: Ugh, horrível. — Cuspiu a pepita. — Péssima textura.

Ajeitou a lapela, agora deformada de tanto ouro socado nos cantos, e se preparava para sair triunfante, quando um grito ecoou pela caverna.

Minyoung.

Mais um grito. Seth congelou no lugar.

A câmera cortou para a entrada da caverna. Molly e Minyoung entravam correndo e gritando, perseguidas por um enxame de morcegos pálidos que pareciam indignados com a presença humana. No caos, dois frascos escaparam das mochilas e se estilhaçaram no chão. O sangue de unicórnio coletado escorreu pelas pedras irregulares.

MINYOUNG: Socorro! SOCORRO! Esses morcegos estão me atacando!

Seth tentou ignorar, colocando um relógio de ouro no pulso, fingindo que nada estava acontecendo. Mas o barulho foi tanto que o dragão se remexeu.

SETH: Por favor, não…

O dragão abriu um olho.

O trio parou.

O dragão abriu o outro.

SETH: ...Ah, droga. — Murmurou.

O rugido que veio a seguir parecia uma explosão. A caverna tremeu, moedas voaram, e faíscas iluminaram as paredes. Seth olhou para os bolsos estufados, olhou para Molly e Minyoung, depois voltou os olhos pro ouro.

Ele suspirou, largando um punhado no chão com relutância.

SETH: Ugh. Minha consciência é um lixo.

Correu até as meninas e as puxou pelos braços.

SETH: Bora sair daqui! Depois eu divido as escamas com vocês!

MINYOUNG: Espera… VOCÊ TEM ESCAMAS SOBRANDO?! — Gritou enquanto pulavam sobre pedras soltas.

SETH: Não exatamente… mas não é hora de discutir, é hora de fugir!

Minyoung ficou vermelha como um tomate ao perceber que Seth ainda segurava seu braço enquanto corriam. Enquanto isso, o terno de Seth ia perdendo lastro, ouro escorrendo dos bolsos, mangas, até do colarinho. Uma trilha reluzente se formava pelo caminho.

MOLLY: Woah! De onde tá saindo todo esse ouro?! — Perguntou entre arfadas.

SETH: Sem tempo! Só corre! — Respondeu, praguejando baixinho ao perceber que quase tudo que tinha pego já estava ficando pra trás.

O trio disparou para fora da caverna, com o dragão furioso rugindo atrás deles. Quando finalmente passaram pela saída, uma avalanche de pedras desabou, selando a entrada para sempre.

Ofegantes, pararam para respirar. A poeira ainda caía das pedras.

Molly apontou para o monte.

MOLLY: Espero que os outros já tenham pegado suas escamas… porque agora ninguém mais entra aí. — Comentou o óbvio.

Seth permaneceu parado por alguns segundos, encarando as pedras como se fossem o fim do seu sonho. Depois olhou para as escamas douradas na mão. Só duas.

Ele as avaliou por um instante, então entregou uma para Minyoung.

Ela piscou, surpresa. Olhou para a escama como se tivesse acabado de ganhar um anel de noivado. Seu rosto ficou roxo de tão vermelho.

MINYOUNG: P-pra mim? M-mas por quê?

SETH: Eu disse que ia dividir. Você quer reclamar?! Foi mal, Molly, só sobrou essa. E eu preciso da outra.

Minyoung ficou em silêncio, segurando a escama com cuidado.

Molly, por outro lado, estava com um sorriso psicótico no rosto.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MOLLY: O CRUSH DA MINHA AMIGA DEU UM PRESENTE PRA ELA! NEM QUE SEJA UMA ESCAMA DE DRAGÃO! Eu sei que tecnicamente não foi um presente, MAS É ASSIM QUE TUDO COMEÇA! Um gesto pequeno… um jantar romântico… e PÁH! Casamento com gato e tudo! O Seth pode até ser um caos ambulante, mas até que sabe ser cavalheiro.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Sem alternativas, o trio resolveu continuar o desafio. Nenhum deles notou que quase duas horas já tinham se passado. Ainda faltavam ingredientes… e eles tinham que voltar à clareira pra cozinhar a tal sopa.

Mas Seth mal conseguia prestar atenção. Andava emburrado, olhando fixamente pro relógio no pulso.

*CONFESSIONÁRIO ON*

SETH: Poxa vida… que ódio! Todo aquele ouro nas minhas mãos… e puff! Fui embora de mãos abanando. Ok, talvez fosse bom demais pra ser verdade. Rico, do nada? Muito suspeito. Mas caramba, eu já tava fazendo planos! Ia largar esse reality ridículo! Um milhão? Eu ia ter BILHÕES! Agora tudo que me restou foi esse relógio meia-boca e uns farelos de pepita... — Ele tira do bolso umas lascas douradas ridículas. — Isso nem deve pagar um pastel. E eu ainda achando que hoje seria o dia que meu baba ia se orgulhar de mim…

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Enquanto isso, a câmera acompanha Willow caminhando tranquilamente pela floresta.

WILLOW: Ok, só falta mais um ingrediente… sete fios de barba de gnomo. Por que tem que ser um número tão específico? — Ela coça a cabeça, frustrada. — Enfim, foi aqui perto que a gente encontrou aqueles gnomos no primeiro desafio. — Ela fala em voz alta, mais para si mesma.

Ela vira uma curva na trilha e então escuta. Berros. Gritos de dor. Som de luta. Willow franze o cenho e segue o som com cuidado, se esgueirando atrás de um arbusto para espiar.

Na clareira, McConnor está estirado no chão, chutando desesperadamente um gnomo que se agarra à sua canela com os dentes. Nacho gira em círculos feito um pião desgovernado, tentando se livrar de outro gnomo agarrado na gola da camisa. Cyrus, por sua vez, está cercado por três deles, usando um galho de árvore como se fosse uma espada improvisada para manter distância.

Os gnomos rosnam, guincham e babam. Seus olhos brilham no meio da confusão. Unhas afiadas riscam o ar e os dentes, pontiagudos, parecem prontos para arrancar carne.

MCCONNOR: TIRA ESSE BICHO DAQUI! — Ele berra, tentando puxar o gnomo preso à panturrilha.

NACHO: SE EU SOUBESSE COMO, EU JÁ TINHA TIRADO! — Ele gira tão rápido que parece prestes a decolar.

Cyrus tenta apelar para a razão, ou algo parecido com isso, mas claramente não fala a língua das criaturas.

CYRUS: Ok, ok, todo mundo se acalma! A gente só precisa de uns fiozinhos de barba e depois vai embora. Sem stress! Sem... dor?

Um dos gnomos apenas rosna, depois cospe na direção dele.

CYRUS: Ok, preciso trabalhar melhor minhas habilidades de negociação. — Ele murmura.

Willow observa tudo de longe, imóvel, mas atenta. Então, vê uma brecha.

Com passos leves e bem calculados, ela se esgueira pela lateral da clareira. Seus olhos estão fixos em um gnomo mais velho, que parece alheio à batalha. Ele está sentado sobre uma pedra, coçando a barriga com uma garra enquanto assiste à confusão com uma expressão entediada.

Willow se abaixa atrás dele, avançando com cautela. O gnomo solta um ronco baixo, quase um grunhido porco-selvagem, enquanto limpa os dentes com uma das unhas. Ela engole em seco e estende a mão com extrema delicadeza. Seus dedos alcançam a barba desgrenhada da criatura. Um puxão rápido.

O gnomo grunhe. Willow congela. O coração dispara.

Mas ele apenas coça o nariz e volta a olhar o caos, completamente desinteressado.

Willow reprime o alívio e fecha os dedos ao redor dos sete fios arrancados. Ainda agachada, ela recua devagar, se esgueirando de volta para a trilha, com os gritos dos colegas ao fundo.

NACHO: CORRE, CYRUS! ELE MORD— AI, ELE MORDEU MINHA ORELHA! EU NÃO QUERO MORRER ASSIM! — Ele ainda gira, em pânico.

Willow nem olha para trás. Some entre as árvores, com os fios de barba nas mãos e um pequeno sorriso satisfeito no rosto.

*CONFESSIONÁRIO ON*

WILLOW: Se eu me sinto mal? É claro! Mas eu disse, agora eu tô focada em vencer. E pra isso, eu preciso ganhar os desafios. Eles vão ficar bem… eu acho. — Ela dá uma risadinha nervosa.

— — —

NACHO: Ok, então, tipo… eu já fui atacado por umas coisas bem bizarras na vida. Um guaxinim com raiva, um bicho-preguiça que roubava carteiras, minha própria abuelita quando eu esqueço de tirar os sapatos dentro de casa… Mas gnomos selvagens? Duas vezes na mesma temporada? Isso foi tipo nível chefão de videogame! — Ele suspira, mostrando os braços cheios de arranhões. — Eu tentei usar o movimento giratório supremo que vi no meu jogo preferido, o Judoka Gosei, pra despistar eles, mas acho que eles gostaram da experiência. Vai saber, né?

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Três horas depois, Chris McLean estava de volta à clareira, parado com os braços cruzados e batendo o pé no chão num ritmo impaciente. À sua frente, o elenco surgia aos poucos, cambaleando pela trilha. Havia arranhões por todo lado, roupas rasgadas, passos arrastados e expressões de puro esgotamento.

Chris ergueu uma sobrancelha ao observar as mãos praticamente vazias da maioria dos campistas. A única exceção era Willow, que caminhava firme, segurando uma pilha perfeitamente organizada de ingredientes.

CHRIS: Vocês tiveram três horas pra pegar três míseros ingredientes… e só a Willow conseguiu?

Os campistas responderam com um coro uníssono de gemidos e suspiros frustrados.

CHRIS: Patético. Decepcionante. Francamente embaraçoso. Se fosse um reality de sobrevivência, metade de vocês já teria virado comida de urso… e a outra metade, sobremesa.

McConnor tentou abrir a boca pra rebater, mas desabou no chão com um baque seco. Nacho foi ajudá-lo, mas escorregou, caindo por cima, ainda coberto de mordidas e babas de gnomo.

Chris observou a cena por alguns segundos, em silêncio. Depois sorriu, com aquela expressão sádica de sempre.

CHRIS: Enfim! Como prometido, hora de preparar a sopa! Willow, manda ver!

WILLOW: O quê? — Ela piscou, confusa. — Se só eu trouxe os ingredientes, eu meio que… já não ganhei?

CHRIS: Detalhes! O Chef Hatchet ainda quer a sopa dele. E ele tá começando a ficar… imprevisível.

A câmera deu um close dramático em Chef Hatchet, que afiava um cutelo com movimentos lentos e intencionais, enquanto encarava o grupo como se já estivesse escolhendo quem picar primeiro.

Willow suspirou alto, revirou os olhos e foi até a panela. Jogou os ingredientes de uma vez, despejou água e acendeu o fogo com a energia baixa. O tempo passou. O caldo começou a ferver. A tensão pairou no ar.

Chef Hatchet cruzou os braços e ficou tamborilando os dedos no balcão de madeira, visivelmente impaciente.

CHEF: Tô esperando.

Willow finalmente apagou o fogo e serviu uma tigela fumegante para o Chef. Ele pegou a colher, cheirou o conteúdo e tomou um gole. O grupo inteiro prendeu a respiração.

O Chef mastigou devagar… engoliu… tomou outro gole. Franziu a testa, encarando o vazio como se ponderasse sobre a existência. Finalmente, ergueu a mão e fez um gesto vago, meio indiferente.

CHEF: Meh.

Willow ficou parada, esperando por algo mais. Mas Chris deu de ombros como se isso bastasse.

CHRIS: Bom o suficiente pra mim. Willow vence o desafio! Você tá imune hoje à noite.

Willow levantou os braços numa comemoração discreta. Os outros tentaram aplaudir, mas a maioria estava ocupada demais tentando manter a consciência.

CHRIS: E agora, um de vocês será chutado pra fora deste programa! Nos vemos ao pôr do sol. E, por tudo que é minimamente decente, tentem não me envergonhar... de novo.

Ele se virou e foi embora, deixando os campistas jogados na clareira, exaustos e arrasados.

***

Mais tarde, a cantina voltou a encher com o vai e vem preguiçoso dos campistas. Um grupo acabou se reunindo ao redor de uma das mesas, onde as meninas, Nacho e Cyrus cutucavam o que restava do lanche com os garfos, sem muito entusiasmo.

O assunto logo desviou para o inevitável: a votação.

CYRUS: Então… em quem vamos votar? — Ele pigarreou logo depois, como se isso aliviasse o peso da pergunta.

O silêncio foi instantâneo.

WILLOW: Cara, eu não sei. Já gastei toda minha energia tentando me livrar do Tommy. Funcionou, eu ganhei o desafio hoje, então missão cumprida! — Ela deu de ombros, como quem lavava as mãos. — Agora, essa decisão fica com vocês.

Os olhos na mesa se voltaram naturalmente para Molly.

MOLLY: Eu… eu acho que só temos uma opção realista. — Ela desviou o olhar, desconfortável. — Eu não me sentiria bem votando em mais ninguém. Não que eu me sinta bem votando em geral, mas...

A frase pairou no ar, clara o suficiente. O recado estava dado.

NACHO: Então alguém vai ter que convencer o Seth.

A simples menção do nome fez Minyoung congelar. Seus olhos se arregalaram e as bochechas adquiriram um tom de vermelho.

MINYOUNG: Eu… eu posso falar com ele. Acho. Talvez. — Ela tossiu, tentando parecer casual, mas falhou completamente.

O grupo trocou olhares sugestivos. Molly esboçou um sorrisinho cúmplice, claramente contendo a vontade de provocar.

***

Enquanto isso, Seth estava em sua própria jornada. Percorria a reserva como se o destino do planeta dependesse disso, à procura de McConnor.

*CONFESSIONÁRIO ON*

SETH: Eu passei a tarde inteira pensando… eu preciso voltar pra caverna e pegar aquele ouro. Sério, ninguém mais sabe daquela montanha de riqueza além de mim! Nem a Minyoung, nem a Molly! Mas aí me bateu a dúvida: e se o ouro nem for real?! Porque, tipo, isso é um reality show, né? Tudo aqui é falso. O dragão era real, mas o ouro? Sei lá. Então me veio uma luz: e se eu testar antes de arriscar minha vida? Preciso de um especialista. Preciso do McConnor. O cara ainda pode servir pra alguma coisa antes de ser chutado.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Depois de algum tempo vagando pela floresta, Seth finalmente avistou McConnor sentado na janela da cabine, rabiscando no bloquinho.

SETH: McConnor! Você é um homem da ciência, né?!

MCCONNOR: Pelo amor da evolução! — Ele se sobressaltou, quase derrubando o caderno no chão. — Dá pra anunciar sua presença como uma pessoa normal?!

SETH: Responde logo!

MCCONNOR: Tá bom, tá bom, sim, sou um homem da ciência. Tá fazendo perguntas óbvias agora?

Sem perder tempo, Seth puxou a manga do paletó e estendeu o braço, revelando um relógio dourado que brilhava intensamente sob a luz do fim da tarde.

SETH: Isso aqui é ouro de verdade?

McConnor ajeitou os óculos, tirou-os, esfregou os olhos e os recolocou com precisão cirúrgica. Depois se inclinou para examinar a peça com mais atenção.

MCCONNOR: Uau. Sim. Isso é ouro puro. 24 quilates. Como diabos você conseguiu isso?!

SETH: Isso não te interessa! — Ele puxou o braço de volta num gesto brusco, como se McConnor fosse arrancar o relógio do seu pulso. — Tem certeza? Tipo, certeza mesmo?

MCCONNOR: Eu nunca erro.

A confirmação foi tudo que Seth precisava. Seus olhos brilharam e um sorriso malicioso se espalhou por seu rosto.

SETH: Ohhh, Baruch Hashem! Obrigado, McConnor! Vou me sentir até meio mal votando contra você hoje!

Antes que McConnor pudesse processar o que acabara de ouvir, Seth agarrou o rosto dele com as duas mãos e tascou um beijo estalado na bochecha. Em seguida, saiu correndo como um possesso.

McConnor ficou completamente estático. Depois de alguns segundos de silêncio absoluto, piscou, suspirou fundo e voltou a escrever no caderno, como se estivesse tentando deletar mentalmente o que acabara de acontecer.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MCCONNOR: Moleque esquisito.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

A cena corta abruptamente para a Cerimônia de Eliminação. As chamas da fogueira tremeluziam, lançando sombras nos rostos tensos dos campistas, enquanto Chris McLean permanecia de pé com um sorriso malicioso. Em uma das mãos, segurava a tigela de pinhas.

CHRIS: Bem, bem, bem... mais uma noite, mais uma eliminação! Vamos agilizar porque eu tenho um compromisso superimportante. — Ele olhou para o relógio com falsa urgência. — Spoiler: envolve esfoliação corporal e um spa cinco estrelas.

Sem cerimônia, começou a distribuir as pinhas de forma completamente aleatória, lançando uma para Willow, depois Molly, Minyoung, Nacho, Cyrus e Seth, sem a menor lógica ou suspense.

McConnor bocejou alto e se espreguiçou, entediado.

SETH: Foi mal, mano. Mas, tipo... você já foi eliminado antes, né? Então já tá acostumado.

CHRIS: Exatamente! McConnor, você está fora. De novo. Mas dessa vez, definitivamente!

Chris esticou ainda mais o sorriso, claramente se divertindo com a situação. Mas McConnor continuou sentado. Em vez de demonstrar qualquer reação de surpresa ou indignação, ele soltou uma risada baixa.

MCCONNOR: Nossa, McLean... Isso não parece um pouquinho... precipitado?

Chris revirou os olhos sem esforço.

CHRIS: Mesmo sem ser meu estagiário, você ainda consegue ser insuportável.

McConnor se levantou devagar, com um ar quase dramático de confiança.

MCCONNOR: Pois é... odeio te decepcionar, mas eu não vou embora hoje.

Ele enfiou a mão no jaleco e fez uma pausa propositalmente teatral antes de puxar um objeto dourado que reluziu com a luz da fogueira.

Os campistas soltaram um suspiro coletivo de espanto.

WILLOW: Cara, esse desgraçado tem sete vidas?!

NACHO: Uau.

Com passos calmos, McConnor foi até Chris e enfiou a Estatueta McLean de Invencibilidade quase na cara dele, como quem apresenta um mandado.

MCCONNOR: E aí, ex-Chefinho? Isso aqui é o bastante pra cancelar a minha eliminação?

Chris pegou a estatueta e a analisou com exagero, girando-a entre os dedos como se estivesse avaliando uma joia rara.

CHRIS: Hmmm... normalmente, eu explodiria de ódio com essa arrogância toda. — Então abriu um sorriso ainda maior. — Mas eu AMO um bom drama.

Os campistas ainda digeriam a cena quando Chris voltou a falar, animado.

CHRIS: Sendo assim... a segunda pessoa mais votada será eliminada!

Todos prenderam a respiração ao mesmo tempo.

MOLLY: Ah, não...

O coração dela parecia querer sair pela boca.

CHRIS: E a eliminada de hoje é...

Ele fez uma pausa absurda. Longa. O som do vento nas árvores ficou mais alto. Molly engoliu em seco.

Chris aproveitou o momento, esticando cada segundo com prazer sádico.

CHRIS: É Minyoung!

O grupo soltou um suspiro coletivo. Molly quase caiu do toco em que estava sentada.

MOLLY: O QUÊ?! COMO ASSIM?!

Minyoung soltou o ar com um suspiro pesado. Parecia cansada, mas não surpresa.

McConnor apenas se largou de volta no banco com um sorriso discreto e satisfeito.

Molly praticamente se jogou em cima da amiga, agarrando-a em um abraço tão forte que Minyoung fez um barulho estranho, algo entre um gemido e um pato sendo espremido.

MOLLY: NÃO! ISSO NÃO PODE TÁ CERTO!

Minyoung deu tapinhas desconfortáveis nas costas da amiga, depois suspirou de novo, tentando manter a calma. Olhou para Molly, que parecia em estado de choque, os olhos marejados e fixos nela.

MINYOUNG: Ei... tá tudo bem, de verdade. — Ela forçou um sorriso, mas ninguém acreditou.

Molly sacudiu a cabeça, apertando os punhos.

MOLLY: Não! Isso tá errado! Você devia estar comigo até a final! Eu fiz planos! A gente ia passar por tudo isso juntas!

Minyoung riu baixinho, quase carinhosa.

MINYOUNG: Molly, a gente chegou longe. Top 7. É bem mais do que eu esperava quando entrei nesse lugar.

Molly soltou um ruído indignado.

MOLLY: MAS AINDA É UM LIXO! E você nem vai ter mais tempo com seu crush...

Minyoung deu um aperto solidário no ombro dela. Felizmente, Seth parecia completamente alheio à conversa.

Chris bateu palmas, impaciente.

CHRIS: Lindo, emocionante. Mas se puderem acelerar o melodrama... tem um ônibus esperando.

Molly lançou um olhar fulminante para ele, mas Chris respondeu com um sorriso debochado.

Minyoung se virou para os outros campistas, acenando brevemente para Nacho, Cyrus e até mesmo para Seth, que retribuiu com um aceno hesitante. Ela corou. Por fim, lançou um olhar seco para McConnor, claramente ressentida, mas não disse nada.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MCCONNOR: Sim, eu votei na Minyoung. Estratégia clássica! A maior arma da Molly nesse jogo são os amigos, certo? Então... simples: elimine os amigos dela. Mais espaço pra mim na final! — Ele ajeitou os óculos com um sorriso calculado. — E o plano funcionou perfeitamente.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Chris já estava entediado.

CHRIS: Tá, tá, ótimo final de novela mexicana, mas eu tenho um cronograma pra cumprir!

Ele apontou dramaticamente para o breu da floresta.

CHRIS: Minyoung, para o Ônibus dos Perdedores!

Minyoung respirou fundo, lançou um último olhar para a fogueira e seguiu floresta adentro. Nenhuma palavra de despedida. Apenas o som de passos se afastando.

Ao longe, o ronco de um motor ecoou. Em poucos segundos, o Ônibus dos Perdedores surgiu, pegou Minyoung e desapareceu estrada adentro. Chris estalou os dedos, satisfeito.

CHRIS: Bom, com isso, restam apenas seis campistas!

A câmera focou nos rostos exaustos e apreensivos dos finalistas. Cada um sentindo o peso do jogo.

Chris girou nos calcanhares e encarou a câmera com seu sorriso de apresentador.

CHRIS: E a competição só vai ficar mais difícil! O que vem por aí? Quem será o próximo a dar adeus? McConnor vai escapar outra vez? Molly vai continuar firme sem sua melhor amiga? E o mais importante... — Ele ergueu as sobrancelhas. — Seth ainda tá pensando naquele ouro? Descubra no próximo episódio de... DRAMA TOTAL: FLORESTA DOS MISTÉRIOS!