Notas iniciais
Espero que tenham uma boa leitura!

Drama Total: Floresta dos Mistérios

Capítulo 4 — a Maldição da mansão

A lua minguante espiava entre trovões e iluminava a sala de monitoramento, onde Chris McLean, de roupão e pantufas de pelúcia, saboreava um chocolate quente. Ele limpou o chantilly dos lábios com o dorso da mão, encarou a câmera com um brilho sádico nos olhos e sorriu.

CHRIS: No último episódio de Drama Total: Floresta dos Mistérios, nossos campistas tiveram um dia calmo no lago! — Ele abriu um sorriso cínico, antes de revirar os olhos. — Quer dizer, até o lendário monstro do lago Winimatikihaha dar as caras e virar o desafio de cabeça pra baixo. Ai, adoro dizer esse nome. — Riu sozinho por um instante, satisfeito com sua própria piada. — Vamos por partes! Minyoung, assombrada por sonhos tenebrosos, decidiu ficar na margem, o que irritou profundamente a Xerife Harper. O resto da equipe ficou do lado da nossa sul-coreana favorita. Enquanto isso, no lado mais tenso do acampamento, Tommy e Cyrus protagonizaram um desentendimento épico, criando um clima pesado, especialmente pra Willow, que ficou no meio do tiroteio emocional. E, claro, o desafio teve o caos de sempre. Teve pausa, teve quebra, teve... revelações. Como o momento em que nosso monstro mecânico — valeu, McConnor, foi reduzido a sucata pela verdadeira criatura do lago. Ela claramente não curte visitas. No fim, Seth garantiu a vitória dos Arbustos Enigmáticos, mandando os Pinheiros Questionadores direto pra Cerimônia de Eliminação. — Ele se inclinou para a câmera, o sorriso se alargando. — Agora, sobre a eliminação... foi unânime! Xerife Harper, a ‘líder’ que ninguém pediu, foi chutada com gosto. Sejamos honestos, nem os mosquitos queriam dividir a cabine com ela. — Ele bateu palmas animado. — Restam dez campistas. Quem será eliminado hoje?

*Abertura*

Era uma noite chuvosa. A Reserva Florestal Tipikanizaw havia se transformado num lamaçal. Dentro da cantina, os campistas tentavam ignorar as goteiras pingando direto em suas bandejas.

Chef Hatchet, com um sorriso maníaco e luvas manchadas de peixe, servia tigelas de uma sopa espessa e borbulhante. Gretchen observava a sua com expressão de quem estava em profundo sofrimento.

CHEF: Qual é o problema? É sopa de peixe! Ótima pra pele... ou pra... sei lá, outra coisa! — Ele riu, deixando cair um pedaço de rabo na tigela.

Gretchen cutucou, com a colher, o que claramente era um olho de peixe que ainda se mexia.

GRETCHEN: Como esse peixe tá cozido e ainda piscando?

Molly tentou manter a positividade, mesmo diante da evidência gelatinosa flutuando na própria sopa.

MOLLY: Talvez seja... super fresco? Tipo, direto do lago?

SERENA: O único peixe que eu como é salmão selvagem do Alasca. Isso aqui? Nem se me pagarem.

Enquanto Toby rabiscava em seu bloquinho, concentrado como se fosse a última testemunha de um crime, Nacho ajeitava o boné molhado com um olhar cauteloso para a janela.

NACHO: Você acha que essa chuva vai trazer algo... macabro?

CYRUS: Acho que vai trazer pneumonia. — Ele espirrou alto, confirmando a suspeita.

*CONFESSIONÁRIO ON*

TOBY: Terça-feira à noite, dia seis na floresta. — Ele ajeitou os óculos com um gesto mecânico e consultou o bloquinho. — Clima: chuva torrencial. Condições: péssimas. Mas aqui estou eu, documentando tudo. Um dia, eles vão entender minha importância... só espero que não seja num memorial póstumo. — Ele sorriu, meio tenso.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

De repente, um estrondo interrompeu tudo. A porta da cantina foi arremessada para dentro com tanta força que saiu das dobradiças, acompanhada de um trovão teatral.

CHRIS: BOA NOITE, CAMPISTAS! — Ele surgiu coberto de lama até os joelhos. — Espero que estejam curtindo o jantar, porque o próximo desafio começa... agora mesmo!

As reclamações explodiram pela cantina.

SERENA: Agora?! Eu nem terminei de olhar pra essa coisa que chamam de comida.

TOMMY: Parabéns, McLean. Você literalmente quebrou a porta.

Chris nem piscou. Apontou para McConnor, que entrava logo atrás, completamente ensopado, carregando uma caixa de ferramentas e papéis encharcados.

CHRIS: Portas? Isso não é problema. McConnor resolve, né, estagiário?

McConnor respondeu com um grunhido sofrido e largou tudo no chão com estardalhaço.

*CONFESSIONÁRIO ON*

TOMMY: Desafio noturno no meio de uma tempestade? Nem sei por que me surpreendo. Pelo menos é melhor que ficar aqui na cantina, comendo aquela sopa de peixe.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Molly ergueu a mão, cautelosa.

MOLLY: Chris, será que a gente pode... sei lá, terminar nosso... — Ela olhou para a própria tigela e hesitou. — Jantar?

CHRIS: Não dá. O desafio de hoje vai acontecer num local extraespecial! — Ele apontou dramaticamente para a janela. — Olhem!

Os campistas correram até a vidraça. Um relâmpago iluminou o topo da colina, revelando a silhueta de uma mansão gigantesca, com torres inclinadas e janelas quebradas.

MOLLY: Uau. Eu nunca notei que tinha uma mansão ali!

CHRIS: Porque não tinha. Ela aparece e desaparece quando quer. Nem o gênio do McConnor descobriu o padrão.

TOMMY: Fascinante. — Monótono. — E o que isso tem a ver com a gente?

CHRIS: Tudo! O desafio é lá dentro!

Mais reclamações.

CYRUS: Uh... e se ela desaparecer com a gente ainda dentro?

CHRIS: Boa pergunta! — Ele coçou o queixo. — Não pensei nisso. Mas tenho certeza de que vai dar tudo certo!

SERENA: Espera. Vamos andando?

CHRIS: Claro que não. Vocês andam. Eu vou no meu carrinho de golfe.

Ele saiu triunfante, protegido por um guarda-chuva segurado por um McConnor visivelmente arrependido de todas as escolhas que o levaram até ali.

*CONFESSIONÁRIO ON*

SERENA: Eu sou rica demais pra isso. Dormir em cabines mofadas, comer... sei lá o quê, e agora andar até uma mansão na chuva? Eu já aguentei cinco dias a mais do que esperava. — Ela suspirou, encarando a câmera. — Eu deveria estar pagando alguém pra me carregar ou fazendo um escândalo. Mas aceitei? Como se estivesse desenvolvendo... moralidade? Papai vai ter que pagar uma TGR pra mim depois. Terapia de Gente Rica.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

O grupo chegou ao topo da colina, ensopado, enlameado e tremendo. Raios cortavam o céu atrás deles enquanto trovões estalavam sobre a floresta. Chris McLean desceu calmamente de seu carrinho de golfe, impecável, nem uma gota de chuva em suas calças. McConnor vinha logo atrás, correndo para segurar o guarda-chuva acima do apresentador com a precisão de um guarda da realeza.

CHRIS: Pois bem, já que todo mundo conseguiu sobreviver à subida, é hora de explicar o desafio! — Ele olhou para os rostos molhados e miseráveis dos campistas. — Nossa. Vocês parecem recém-saídos de um musical trágico. Tipo Les Misérables, só que com mais lama.

Os campistas não responderam. Apenas tremeram em silêncio.

CHRIS: O desafio é simples! Quando essa mansão apareceu da última vez, mandei um estagiário esconder uma dessas lá dentro.

McConnor ergueu um crânio dourado cravejado de ametistas. Ele o entregou para Chris com relutância, como se esperasse que o objeto mordesse.

CHRIS: Não se preocupem, é só decorativo. Eu acho. — Ele jogou o crânio de volta para McConnor, que quase deixou cair. — Tem outro igualzinho a esse escondido na mansão.

Chris apontou para o casarão à frente. Quatro andares, jardins invadidos pelo mato, estátuas de cervos cobertas de limo nos cantos, janelas quebradas e uma fachada que gritava luxo esquecido.

CHRIS: O primeiro campista que encontrar o crânio e trazê-lo até mim, vence para sua equipe. Fácil, né?

Seth cruzou os braços, claramente nada impressionado.

SETH: Como assim, “trazer até você”? Você não vai entrar?

CHRIS: Claro que não! Eu sou o apresentador, não um idiota. Vou ficar aqui, bem longe da casa mal-assombrada que desaparece de vez em quando.

Os protestos começaram, mas Chris levantou a mão, encerrando qualquer tentativa de diálogo.

CHRIS: Calma lá! É só uma mansão com dezenove quartos, sete banheiros, quatro salões de festa, nove escritórios e uma biblioteca gigantesca. Tranquilo! Vocês têm até o nascer do sol. Se ninguém encontrar o crânio até lá... as duas equipes perdem.

Minyoung levantou a mão, hesitante.

MINYOUNG: Chris… e o estagiário que escondeu o crânio?

Chris deu de ombros, casual.

CHRIS: Ninguém viu ele desde então. Mas quem tem tempo pra perguntas irrelevantes?

McConnor, visivelmente desconfortável, quase deixou o guarda-chuva cair. Chris resmungou algo sobre “estagiários imprestáveis” antes de bater palmas com entusiasmo.

CHRIS: Desafio valendo! Mexam-se!

Sem alternativa, os campistas atravessaram o portão enferrujado. Relâmpagos iluminavam o caminho, e o rangido do portão parecia o som de uma armadilha se fechando.

Serena lançou um olhar curioso para uma estátua de pavão meio quebrada no jardim, mas não parou.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MOLLY: Isso aqui parece um jogo de tabuleiro! Tipo, o Mordomo na Biblioteca com o Castiçal... só que, em vez de resolver um assassinato, a gente tá procurando um crânio amaldiçoado. Será que os fantasmas da mansão são legais? Espero que sim. — Ela bateu na própria testa. — Estou presumindo que tem fantasmas aqui. É apropriado! Eles têm bom gosto pra decoração, pelo menos.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Os dez campistas atravessaram o salão de entrada da mansão, seus passos ecoando nos tapetes ornamentais, agora desbotados pelo tempo e pela umidade. Uma parede inteira era coberta por animais empalhados — raposas com sorrisos esquisitos, aves de olhos opacos, um alce com chifres enormes e olhos que pareciam seguir quem passava. Um lustre feito de chifres pendia do teto, lançando sombras que se contorciam no chão.

WILLOW: Ok... isso é mórbido. — Ela encarou o lustre, depois os bichos empalhados. — Quem pensa: “sabe o que ficaria incrível aqui? Um cervo morto num suporte de ouro”?

SERENA: Gente de classe alta. Você não entenderia. — Ela desviou o olhar, tentando soar blasé.

No salão principal, todos pararam diante de uma escadaria ampla. Acima da lareira, um retrato parcialmente queimado mostrava uma família loira em trajes formais. Um brasão com um pavão azul reluzia logo abaixo, refletindo a luz fraca de tochas que acendiam sozinhas nas paredes.

Serena endureceu ao ver o brasão, mas disfarçou com uma tossida.

NACHO: Ei, Serena, tá bem? Tá com cara de quem viu fantasma.

SERENA: Tô ótima! — Respondeu rápido demais. — É só um brasão. Normal. Todo mundo tem um em casa. Inclusive esse aí é feio.

*CONFESSIONÁRIO ON*

CYRUS: “Todo mundo tem um brasão?” Serena tá de brincadeira. A casa onde eu cresci mal tinha um micro-ondas que funcionava, quem dirá brasão de família.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Enquanto alguns subiam pelos degraus, um estrondo soou. O lustre caiu com um estalo ensurdecedor, bloqueando a escada e separando os grupos. Metade dos campistas ficou no andar de cima.

TOBY: Uau. A mansão tá literalmente nos separando. Isso é... assustador e fascinante. Tipo uma metáfora arquitetônica!

Serena, Cyrus, Molly, Willow e Seth — os que já estavam no topo, decidiram seguir juntos. O corredor era estreito, com espelhos dourados cobrindo as paredes. As luzes tremulavam, fazendo as sombras dançarem.

SETH: Por que lugar de gente rica tem que ser sempre perturbador? Espelhos nessa escuridão? Sério?

MOLLY: Eu acho os espelhos bonitos. — Disse, mas claramente evitava olhar diretamente para eles.

Logo, chegaram a uma porta dourada, ornamentada com detalhes intrincados. O brasão do pavão estava no centro.

WILLOW: Isso parece... importante.

CYRUS: Talvez o crânio esteja aqui dentro.

SERENA: Não acho. — Ela mexeu no cabelo, inquieta. — Isso parece um cofre. Coisa de família rica.

Os outros se entreolharam.

MOLLY: Se é um cofre, então tem coisa valiosa. Talvez o crânio!

WILLOW: E como abre? Você é rica. Deve saber, né?

SERENA: Claro que sei. Mas não vou abrir nada pra você, lenhadora. Você nem é da minha equipe.

Willow fez uma careta de indignação. Molly se aproximou, sorrindo, e colocou a mão no ombro de Serena.

MOLLY: Vai... eu também quero ver.

SERENA: Ugh... tá bom! Mas tira a mão de mim.

Com um suspiro exagerado, Serena apertou um botão no centro do brasão. Um clique soou, revelando uma pequena chave embutida. Ela a girou e abriu a porta com um rangido lento e dramático.

O interior estava cheio de caixas empoeiradas, molduras cobertas por lençóis e pequenos cofres. O ar era pesado, parado, quase denso.

CYRUS: Uau... o que é tudo isso?

Serena não respondeu. Desviou o olhar, visivelmente desconfortável.

*CONFESSIONÁRIO ON*

SERENA: Eu... claro que já vi esse brasão antes. Essa mansão também. Tenho uma sensação estranha, como se cada sala soubesse meu nome. — Ela mordeu o lábio, pensativa. — Mas, sabe como é... mansões antigas, famílias ricas... tudo meio parecido. Nada aqui deve ser tão importante. — Um sorriso nervoso apareceu. — Ou, pelo menos, eu espero que não seja.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Enquanto Willow e Cyrus mexiam em quadros encapados e caixas empoeiradas, Serena observava de longe, tensa, os braços cruzados como se isso a protegesse da atmosfera carregada do cofre. A câmera se afastou discretamente, transicionando para outro grupo.

No andar de baixo, Tommy avançava pelos corredores com sua típica confiança exagerada, seguido de perto por Gretchen. Atrás, Minyoung, Nacho e Toby caminhavam em ritmo mais lento. Ou melhor, tentavam, já que Toby parava a cada passo para inspecionar detalhes do ambiente.

TOMMY: Ugh! Essa mansão é um labirinto. Por que gente rica precisa de tanto corredor inútil?

Ele chegou a uma bifurcação, escolheu o caminho da direita sem hesitar, guiado por puro instinto ou impaciência. Gretchen o seguiu, mas logo notou o silêncio atrás deles.

GRETCHEN: Ei... cadê todo mundo?

TOMMY: O quê? Eles estavam aqui dois segundos atrás! — Ele revirou os olhos, impaciente. — Sério, quanta incompetência. É só andar em fila.

Voltaram ao ponto de separação, mas Minyoung, Nacho e Toby haviam desaparecido completamente.

GRETCHEN: Isso é estranho. Tipo... estranho mesmo.

TOMMY: Estranho ou não, a gente continua. Ou quer ficar sozinha aqui?

Gretchen hesitou por um instante, olhando para o corredor escuro às suas costas, mas acabou seguindo Tommy.

TOMMY: Garota esperta.

***

A câmera corta para Toby, correndo entusiasmado por um corredor mal iluminado, os passos ecoando alto. A gravata pendia torta no pescoço e o chapéu balançava perigosamente, prestes a cair enquanto ele segurava a Polaroid com força. Minyoung e Nacho vinham logo atrás, ofegantes.

MINYOUNG: Toby, espera! A gente devia ter ficado com o Tommy e a Gretchen!

NACHO: É, cara, separar o grupo nunca dá certo. Já viu algum filme de terror?

TOBY: Bobagem! — Ele parou abruptamente diante de uma porta ornamentada. — Meu instinto jornalístico diz que tem algo enorme aqui dentro.

NACHO: Você acha que o crânio tá aí?

TOBY: Só tem um jeito de saber.

Ele empurrou a porta, revelando um quarto de bebê parado no tempo. Uma cadeira de balanço rangia sozinha no canto. No centro do cômodo, um berço coberto de poeira abrigava um móbile girando devagar, emitindo uma melodia distorcida e sinistra. Na parede oposta, uma fileira de bonecas de porcelana observava com olhos vidrados.

MINYOUNG: Isso... não faz sentido. A mansão era abandonada. Como isso ainda tá funcionando? — Ela ameaça tocar no móbile, mas desiste.

NACHO: Não sei, mas não quero descobrir. A gente devia sair antes que isso vire um daqueles filmes onde ninguém volta.

Toby, completamente imune ao medo, começou a fotografar com entusiasmo.

TOBY: Este é o furo da temporada! Bonecas assombradas! Berço amaldiçoado! Isso aqui vai viralizar!

Minyoung, desconfortável, se aproximou de uma mesa e pegou uma bola de cristal coberta de poeira. Assim que tocou o objeto, ele brilhou brevemente e um sussurro invadiu o cômodo.

BOLA DE CRISTAL: A floresta vê tudo… o homem da cartola sabe mais… corra antes que seja tarde.

MINYOUNG: “Corra antes que seja tarde”?! — Ela largou a bola, assustada, como se tivesse sido queimada.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MINYOUNG: Ok, vocês viram isso, certo? No meio do desafio, uma bola de cristal num quarto de bebê começa a falar e menciona um 'homem da cartola'? Eu não sei o que é mais assustador: o fato disso ter acontecido ou o fato de que estou começando a acreditar que é verdade! — Ajeita os óculos.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

NACHO: Isso tá errado em muitos níveis! Minha abuelita sempre disse pra nunca mexer com essas coisas. Bora sair daqui!

TOBY: Vocês não entendem jornalismo! — Ele se aproximou da parede de bonecas, ajustando o foco da câmera. — Olha essas expressões! Isso é arte macabra! História viva!

De repente, uma das bonecas brilhou com olhos vermelhos intensos. Um riso distorcido preencheu o quarto. Sem aviso, ela saltou da estante, voando direto em direção a Toby.

TOBY: AAAAAHHHH! — Ele gritou em falsete, girando em círculos e tentando se proteger com a câmera.

MINYOUNG: Toby, sai daí! — Ela tentou puxá-lo, mas ele tropeçou em um tapete antigo.

NACHO: Eu. Quero. Ir. Embora! — Ele gritou, agarrando o braço de Minyoung.

A câmera cortou para a porta do quarto se fechando sozinha com um estrondo, abafando os gritos lá dentro.

***

No cofre escuro, o ambiente parecia ainda mais sufocante. Papéis voavam com a brisa sobrenatural que entrava por frestas invisíveis. Cyrus puxava cartas de uma caixa de madeira envelhecida, os olhos fixos nas linhas desbotadas de tinta. Willow, séria, observava por cima do ombro dele. Molly girava uma estatueta de pavão, tensa. Serena, parada ao fundo, não dizia nada.

CYRUS: Isso aqui menciona terras na costa do Pacífico. Parece que houve um tratado entre essa família e... — Ele franziu a testa. — Tribos nativas da região.

WILLOW: E pelo seu tom de voz, imagino que não tenha terminado bem.

CYRUS: Não. — Ele puxou outro documento. — Eles quebraram o acordo. Tomaram as terras e usaram os recursos pra construir essa mansão.

MOLLY: Isso é horrível. Como alguém faz uma coisa dessas?

Willow bufou, apontando para o brasão de pavão gravado na tampa da caixa.

WILLOW: Gente como essa família. Essa mansão grita privilégio e exploração.

Serena mexeu no cabelo com inquietação, os olhos evitando contato. Seth deu de ombros, pouco interessado.

SETH: Fascinante... mas de que adianta se o crânio não tá aqui?

Cyrus ignorou e puxou uma última carta. Leu o nome no rodapé e parou.

CYRUS: Amadeus Preston Nathaniel Von Nordwesten.

Ele levantou os olhos, direto para Serena.

CYRUS: Esse não é o nome da sua família?

Todos se viraram para ela. Serena abriu a boca, prestes a responder, mas uma força invisível explodiu pelo cofre. Papéis voaram, caixas tombaram. Um rugido sobrenatural reverberou pelas paredes.

WILLOW: O que foi isso?!

MOLLY: EU DISSE QUE TINHA FANTASMAS!

Objetos começaram a flutuar. Um baú girou no ar e quase atingiu Seth, que se jogou no chão instintivamente.

SETH: Eu não sou pago o suficiente pra isso!

SERENA: A gente precisa sair daqui! AGORA!

***

A câmera cortou para Chris, relaxado no carrinho de golfe, envolto em uma manta térmica, assistindo tudo num tablet com expressão satisfeita.

CHRIS: Eu amo quando a história pega fogo... às vezes literalmente. — Ele se virou para a câmera com um sorriso perverso. — Vamos dar um tempinho pros nossos campistas lidarem com os probleminhas deles. Ninguém achou o crânio ainda, então tem muito caos pela frente. Fiquem aí, porque Drama Total: Floresta dos Mistérios volta já!

*Intervalo*

Quando a cena voltou, o cofre estava um caos. A energia opressiva agora era quase palpável, pesando no ar como concreto. Uma névoa rastejante se arrastava pelo chão e começou a ganhar forma diante dos campistas.

Um lenhador musculoso com um machado espectral emergiu primeiro. Ao seu lado, surgiu uma babá com olhos ocos, segurando um urso de pelúcia rasgado. Logo atrás, uma faxineira surgia empunhando um espanador com pontas afiadas como lâminas.

LENHADOR FANTASMA: Dormimos por décadas... — Sua voz soava como trovões distantes. — Desde que o último Von Nordwesten, aquele canalha que vendeu esta terra, fugiu desta mansão. Mas agora... fomos acordados. Pela presença maldita de um Von Nordwesten!

Ele ergueu o machado, apontando diretamente para Serena.

SERENA: O quê?! Não, não! Eu não fiz nada! — Ela recuou desajeitada, tropeçando em uma pilha de papéis.

FAXINEIRA FANTASMA: Sua família fez. A destruição que causaram. As vidas que roubaram. — Ela ergueu o espanador, e uma rajada de energia fez livros voarem como projéteis. Serena se abaixou no último segundo.

WILLOW: Ei! O que está acontecendo aqui?!

BABÁ FANTASMA: Sua amiga... é uma Von Nordwesten. O sangue dela carrega as marcas da traição. — Ela apontou para o lenhador. — Ele trabalhou até os ossos quebrarem. Eu cuidei dos filhos deles até envelhecer. E ela... — Indicou a faxineira. — Limpou até o último centavo da dignidade que lhe restava.

LENHADOR FANTASMA: E tudo o que ganhamos em troca foi exploração. E esquecimento.

Serena levantou as mãos, trêmula.

SERENA: Isso não é justo! Eu nem sabia dessas coisas!

SETH: É verdade! Ela paga bem! Digo... ela não é tão ruim assim!

O lenhador olhou para Seth por um instante. Seu semblante endurecido se suavizou brevemente.

LENHADOR FANTASMA: Você... alma pobre. Mais uma peça no jogo dela. — A compaixão nos olhos do fantasma durou pouco. Ele voltou o olhar para Serena. — Mas ela carrega o fardo. O peso dos ancestrais.

FAXINEIRA FANTASMA: Parem de tentar defendê-la. Vocês acham que ela é diferente? O sangue não mente.

Willow, até então calada, finalmente se manifestou, os braços cruzados com força.

WILLOW: Minha família também trabalha com madeira. Nós somos lenhadores. E respeitamos quem trabalha. — Ela lançou um olhar afiado para Serena. — Se o que esses fantasmas dizem é verdade, sua família não só desrespeitou... como destruiu.

SERENA: Eu não sou a minha família! Não posso ser julgada por algo que aconteceu décadas atrás!

BABÁ FANTASMA: Não pode? — Ela deu um passo à frente, e o chão tremeu. O urso em seus braços explodiu em chamas verdes. Uma pilha de objetos voou em direção a Serena, que desviou por pouco.

CYRUS: Pessoal, calma! — Ele levantou as mãos. — Olhem, estamos aqui por causa de um desafio. Ninguém aqui tem culpa do que aconteceu no passado. Podemos só... sair?

FAXINEIRA FANTASMA: Sair? Nunca. Vocês trouxeram Von Nordwesten de volta. E agora... ninguém sai.

Molly começou a gritar. Alto. Agudo.

MOLLY: AAAAAAH!

Seu corpo foi erguido no ar por uma força invisível. Seus olhos brilharam em verde. Objetos começaram a girar ao seu redor como satélites desgovernados. A voz da babá fantasma soou de dentro dela.

“MOLLY”: NINGUÉM SAI DAQUI! JAMAIS!

Os campistas entraram em pânico. Molly flutuava, girando lentamente, possuída, enquanto os fantasmas gargalhavam e objetos voavam em todas as direções.

***

A câmera cortou para a biblioteca. O espaço era vasto e abafado, iluminado por um candelabro de velas quase completamente derretidas. O cheiro era de mofo e história morta.

Gretchen examinava lombadas cobertas de poeira. Tommy andava em círculos, sem prestar muita atenção em nada.

GRETCHEN: Parece que ninguém toca nesses livros há décadas...

Do outro lado da estante, Tommy pegou um volume qualquer e o folheou com descaso.

TOMMY: É, talvez porque ninguém mais viva aqui? — Ele riu sozinho e devolveu o livro torto, sem o menor cuidado.

Gretchen lançou um olhar de julgamento, mas manteve o foco em um livro grosso de capa de couro. O título em letras douradas brilhou sob a luz bruxuleante.

GRETCHEN: “Divinação: Segredos do Além”? — Ela virou o livro com cuidado. — Será que essa família acreditava em coisas sobrenaturais?

TOMMY: Se acreditavam, eram bem ruins nisso, porque a gente tá aqui agora, mexendo em tudo. Cadê o tal do “além”?

GRETCHEN: Precisa fazer piada de tudo?

TOMMY: Piadas tornam tudo menos assustador. Você devia tentar.

Gretchen apenas revirou os olhos e voltou ao livro.

*CONFESSIONÁRIO ON*

GRETCHEN: Tommy é tipo aquele cara que acha que é irresistível, mas só irrita. Se ele estivesse no meu time, já teria ido embora. — Ela cruza os braços. — Não que o meu time seja perfeito… mas pelo menos ninguém tenta ser um comediante em plena casa assombrada.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

No quarto do bebê, o caos continuava. Bonecas de porcelana voavam em ziguezague, os olhos vermelhos como rubis possuídos. Toby ainda tirava fotos com sua Polaroid, completamente alheio à gravidade da situação.

Minyoung finalmente conseguiu destrancar a porta. Ela a empurrou com força e correu para fora, mas se virou imediatamente.

MINYOUNG: TOBY! Para de brincar e vamos sair daqui!

TOBY: Essas fotos vão ser LENDÁRIAS! “Bonecas Possuídas: O Horror de Tipikanizaw!” — Ele girava em meio aos ataques, clicando sem parar.

Nacho segurava a porta com esforço, o rosto contorcido em pânico.

NACHO: A gente vai morrer aqui, cara! Dá pra parar com isso?!

MINYOUNG: Se você não sair agora, eu juro que te deixo pra trás!

Uma boneca maior do que as outras voou direto para eles, quebrando um espelho com um estalo sinistro. Nacho soltou um grito abafado e puxou Toby pela gola.

NACHO: VAMO, CARA! Isso aqui não é o Globo Repórter!

Com esforço combinado, Nacho e Minyoung arrastaram Toby para fora. A porta se fechou atrás deles com uma força sobrenatural, quase esmagando as pernas de Nacho.

*CONFESSIONÁRIO ON*

NACHO: Esse tal de Toby… olha, eu tento ser um cara paciente, de boa. Mas esse moleque tá num nível de “inconsequente” que nem minha abuelita perdoaria. — Ele respira fundo. — Mesmo assim, deixar ele pra trás… não consigo. Mesmo sendo da outra equipe. Isso é o tipo de coisa que me assombraria mais do que essas bonecas.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Os três ficaram parados no corredor por um instante, respirando com dificuldade.

TOBY: Vai... vai me dizer que isso não foi cinematográfico. Essas fotos vão render ouro puro!

MINYOUNG: Se a gente não sobreviver, NÃO VAI TER REPORTAGEM!

NACHO: Respira, todo mundo respira... — Ele tentava manter o grupo unido. — Ainda temos que achar o crânio, lembra?

Minyoung, ainda furiosa, tomou a frente, marchando pelo corredor com passos decididos. A câmera acompanhou Toby, que sorria para a própria câmera, acariciando sua Polaroid como se ela fosse um troféu.

TOBY: Isso vai direto pra capa da minha matéria. Com direito a manchete em negrito.

***

O cofre pulsava com uma energia densa e sufocante. Objetos giravam no ar como se uma tempestade invisível tivesse se formado ali dentro. O ar estava congelante, mas todos suavam. Os olhos permaneciam fixos em Molly, flutuando no centro da sala com os olhos brilhando em um verde fantasmagórico. Serena tremia, encolhida num canto.

LENHADOR FANTASMA: Seu sangue é a raiz de tudo isso! — Ele ergueu o machado, apontando direto para Serena. — Seu nome carrega a nossa dor!

SERENA: Vocês acham que eu escolhi isso?! — Gritou, a voz falhando. — Eu nem sabia da existência de vocês até agora!

“MOLLY”: Claro que não sabia. Nenhum Von Nordwesten jamais sabe. Mas todos sabem aproveitar.

Serena cerrou os punhos, o medo dando lugar a uma raiva crescente.

SERENA: Eu não sou como eles! Eu nunca machuquei ninguém!

As três entidades riram em uníssono. O som era grave, distorcido, e fazia as paredes tremerem.

“MOLLY”: Ainda não. Mas você é jovem. Dê tempo. Quantas vidas sua riqueza vai engolir até o fim da sua história?

O Lenhador Fantasma deu um passo à frente. Sua presença dominava o espaço como uma parede viva de julgamento.

LENHADOR FANTASMA: Eu proponho um acordo. Libertamos todos vocês... — Ele apontou para o grupo. — Se deixarem a herdeira aqui.

O silêncio caiu como uma pedra no fundo do cofre.

WILLOW: O quê?! — Ela deu um passo à frente, indignada. — Vocês acham que vamos simplesmente entregar ela? Tá, a família dela fez coisas horríveis, mas isso aqui... isso aqui é loucura!

FAXINEIRA FANTASMA: Uma vida ou muitas. Qual pesa mais na balança?

Serena se virou para Willow, os olhos arregalados em desespero.

SERENA: Eu não sou minha família. Por favor… — Ela suplicou, engasgando.

Willow hesitou. Os fantasmas pareciam se aproximar, plantando sementes de dúvida com cada palavra.

SETH: Não é justo. Ela não fez isso. Talvez... talvez ela possa mudar?

FAXINEIRA FANTASMA: Mudar? Você acha que ricos mudam?

CYRUS: Isso não muda nada! Matar alguém não apaga a história. Só repete ela.

“MOLLY”: Mas pode evitar um futuro ainda pior.

A tensão era insuportável. Cyrus começou a vasculhar o ambiente com os olhos, como se procurasse uma saída invisível. Então ele viu.

CYRUS: Espera... é isso.

WILLOW: Cyrus? O que você achou?

CYRUS: O brasão! — Ele apontou para a parede. — Eles estão ligados a ele.

Antes que conseguisse dizer mais, a babá no corpo de Molly se lançou na direção dele com um grito ensurdecedor.

“MOLLY”: NÃO TOQUE NISSO!

Cyrus agarrou um candelabro flutuante e o arremessou com força contra o brasão dourado. O impacto rachou o símbolo com um estalo seco, e uma luz intensa explodiu pelo cofre.

FAXINEIRA FANTASMA: NÃÃÃO!

As figuras espectrais começaram a se desfazer em gritos e faíscas, como se estivessem sendo apagadas do mundo.

LENHADOR FANTASMA: Garoto tolo! Você ainda não entendeu quem é o verdadeiro mal aqui?! — Seu rugido foi o último som antes de desaparecer.

Molly caiu como uma marionete sem cordas, mas foi aparada por Willow e Seth. A porta do cofre rangeu ao se abrir lentamente, como se a mansão própria tivesse soltado um suspiro.

SETH: Serena... a porta abriu. Você tá bem?

A loira ficou em silêncio por uns segundos. Então abriu a boca para responder.

SERENA: Não...

*CONFESSIONÁRIO ON*

MOLLY: Ok. Sempre achei que ser possuída por um fantasma seria tipo... mágico, talvez poético? Mas foi só gritaria, trauma e levitação não consensual. Experiência horrível. Uma estrela. Não recomendo.

— — —

WILLOW: Quebrar o brasão foi genial. O Cyrus salvou a gente. Mas... aqueles fantasmas tinham um ponto. A família da Serena causou dor real. Não dá pra fingir que não aconteceu. E ela vai ter que lidar com isso, querendo ou não.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Do lado de fora, enquanto Seth ajudava Serena a atravessar a porta, o grupo chegou a um jardim interno surreal. No centro, uma árvore ornamental gigante brotava diretamente do chão de pedra, com raízes retorcidas escalando pelas paredes. As folhas brilhavam com uma luz suave, como se refletissem o luar que não existia ali dentro.

CYRUS: Gente rica e suas esquisitices... — Ele murmurou, lançando um olhar direto para a câmera.

No extremo oposto do jardim, Willow avistou algo além do tronco da árvore.

WILLOW: Ali! Uma escadaria! Talvez leve de volta ao primeiro andar. Podemos encontrar o resto da equipe!

CYRUS: Talvez... mas ainda temos dois andares pela frente e nenhum sinal do crânio.

Antes que pudesse terminar, um grito rouco ecoou do andar de baixo.

MOLLY: OH, CÉUS! Eu conheço esse berro... é a Gretchen!

Sem pensar, Molly disparou pelas escadas. Cyrus suspirou e correu atrás, seguido por Willow, Seth e uma Serena hesitante.

***

Poucos minutos antes, na biblioteca, Tommy remexia distraidamente nas decorações espalhadas. Seus olhos pararam em um globo terrestre dourado. Sem fronteiras, sem países. Apenas metal brilhante.

TOMMY: Que coisa ridícula. Como alguém usa isso? Dá nem pra saber onde fica o Canadá!

Com um toque impaciente, ele apertou a África com o dedo. Um clique mecânico soou, e o globo se abriu ao meio, revelando um compartimento oculto. Gretchen, que estava folheando um livro, girou o pescoço tão rápido que quase torceu.

GRETCHEN: É o crânio!

Antes que Tommy pudesse reagir, Gretchen agarrou o objeto e saiu em disparada.

TOMMY: EI! O que você tá fazendo?!

GRETCHEN: Foi mal! Isso aqui é um desafio, e eu tô vencendo!

Ela gritou enquanto corria pelos corredores com o crânio debaixo do braço. Tommy correu atrás, mas estava claramente perdendo terreno.

*CONFESSIONÁRIO ON*

GRETCHEN: Foi jogo baixo? Foi. E daí? Isso é Drama Total! Quero vencer! Sorte minha que o Tommy joga videogame em vez de malhar. — Ela riu, rouca.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

O corredor estreito da mansão era iluminado apenas pela luz fraca de um candelabro antigo, tremeluzente. Molly, à frente de seu grupo, corria sem pensar, guiada apenas pelo instinto.

Do outro lado, passos apressados ecoaram. Gretchen surgiu bufando como se tivesse corrido uma maratona, com Tommy logo atrás. Os dois praticamente voavam.

GRETCHEN: Sai da frente!

Sem tempo de reação, ela bateu direto em Molly, e as duas foram ao chão como peças de dominó. Serena tropeçou em Cyrus logo atrás, completando a cena.

MOLLY: Gretchen?!

GRETCHEN: Molly?!

Willow ajudou Molly a se levantar, enquanto Gretchen se arrastava rapidamente até o objeto que rolava pelo chão: o crânio dourado.

MOLLY: Você achou o crânio? Isso é incrível!

GRETCHEN: E eu ia entregar ao Chris, mas... — Ela lançou um olhar fulminante para Tommy. — Alguém aqui atrapalhou.

Tommy ainda arfava, encostado na parede.

TOMMY: O quê? Achei que era cada um por si.

SERENA: Uau, mandou bem, Gretchen!

Gretchen parou, confusa, segurando o crânio com mais força.

GRETCHEN: ...O que você disse?

SERENA: Errei seu nome? É Greta?

GRETCHEN: Não, é Gretchen. Mas... você nunca tinha me elogiado antes. Muito menos me chamado pelo nome.

SERENA: Resolvi mudar. Isso é ruim?

GRETCHEN: Não. Só... inesperado.

A tensão durou três segundos — até Tommy dar um passo sorrateiro e arrancar o crânio das mãos de Gretchen com um sorriso triunfante.

WILLOW: Isso! Boa, Tommy! — Ela e Cyrus deram um high-five.

CYRUS: Corre pro Chris! Vai!

TOMMY: Deixa comigo!

Ele deu um joinha e saiu correndo pelo corredor com o crânio nos braços.

SERENA: Seth! Faz alguma coisa!

SETH: Por quê eu?

SERENA: Porque você é um homem! E porque eu vou te pagar!

Cyrus cruzou os braços, exasperado.

CYRUS: Sério? Depois de tudo o que os fantasmas disseram?

SETH: Cala a boca, gênio. Eu ainda quero aquele dinheiro!

Seth correu atrás de Tommy, mas tropeçou em seus próprios pés, dando ao outro uma boa vantagem.

*CONFESSIONÁRIO ON*

SETH: Você quer que eu corra? Eu corro. Quer que eu vença o desafio? Também dá. Agora... por uma boa gorjeta? Aí eu viro atleta olímpico.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Tommy corria como se estivesse fugindo da polícia, o crânio apertado contra o peito. Seth vinha logo atrás, tentando manter a compostura enquanto ajeitava o terno desalinhado.

SETH: Para agora, Tommy! Não me faz sujar esse terno por tua causa!

TOMMY: Pode sujar à vontade. Você nunca vai me pegar!

Num movimento surpreendentemente rápido, Seth mergulhou e agarrou Tommy pela cintura.

TOMMY: Ai! O quê?! Quem te deixou atlético?!

Os dois rolaram pelo chão, brigando como crianças. O crânio se soltou e rolou pelos azulejos da mansão como uma bola de boliche... até parar nos pés de Toby, que caminhava distraído com Minyoung e Nacho, voltando da aventura com bonecas possuídas.

TOBY: Opa, o que temos aqui? — Ele pegou o crânio e ajustou o chapéu de jornalista. — Isso merece uma foto.

TOMMY: Não! Nacho, pega o crânio!

SETH: Não! Toby, segura ele!

Toby começou a procurar sua Polaroid, ignorando os gritos como se estivesse numa feira.

Minyoung e Nacho se entreolharam.

NACHO: Desculpa, cara. É um desafio.

Antes que Toby pudesse reagir, Nacho o puxou num mata-leão... hesitante, mas funcional.

TOBY: O quê?! Que isso, Nacho?!

NACHO: Foi mal, mano. Nada pessoal. — Seu rosto parecia genuinamente triste.

*CONFESSIONÁRIO ON*

NACHO: Eu odeio fazer isso. Tipo, imobilizar o Toby? Não sou esse tipo de cara. Mas, sabe, isso é um desafio. Se a gente não fizesse nada, ele ia acabar nos atrasando mais. Não é algo que me deixa orgulhoso, mas como minha abuelita diz: Às vezes, temos que fazer o que é preciso. Mas, sinceramente? Espero que ela não me veja fazendo isso.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Enquanto Nacho mantinha Toby no chão, Minyoung pegou o crânio das mãos do jornalista e disparou pelo corredor com foco total. Ela atravessou o jardim interno como uma flecha.

Seth e Tommy ainda rolavam pelo chão em uma briga patética e sem propósito.

***

Lá fora, Chris estava sentado em seu carrinho de golfe, perfeitamente seco, com uma xícara de chá na mão e o tablet no colo. O céu acima começava a clarear devagar.

Minyoung surgiu no jardim, ofegante, com os sapatos cobertos de lama e o crânio em mãos.

Chris olhou para ela com aquele sorriso cínico habitual.

CHRIS: Ora, ora... olha só quem chegou primeiro!

Minyoung estendeu o crânio com as duas mãos, sem conseguir responder de tão cansada.

CHRIS: E com isso, os Pinheiros Questionadores vencem o desafio de invencibilidade! Estão seguros hoje!

Minyoung soltou um suspiro longo, como se tivesse segurado a respiração por meia hora.

CHRIS: E agora... é melhor eu reunir o resto dos campistas antes que essa mansão decida evaporar. E, claro, porque os Arbustos Enigmáticos vão encarar a Cerimônia de Eliminação... ao pôr do sol!

Minyoung apenas assentiu, exausta.

Chris pegou seu megafone com teatralidade e deu uma última olhada para a sul-coreana, antes de começar a convocar os outros pelo acampamento.

***

Pela tarde, Serena estava sentada nos degraus da frente de sua cabine. Tamborilava os dedos no corrimão, o olhar perdido em algum ponto além da floresta. A chuva da manhã já havia passado, mas o ar ainda parecia pesado.

*CONFESSIONÁRIO ON*

SERENA: Então, perdemos o desafio. Grande coisa. — Ela suspirou, olhando para o lado. — Mas, pra ser honesta, nem é isso que tá na minha cabeça. Fico pensando... o que mais eu não sei sobre a minha família? Aquelas “reuniões de negócios” do papai que duravam semanas... agora tudo parece tão suspeito. Será que eles têm sangue nas mãos? Literalmente?


*CONFESSIONÁRIO OFF*

SETH: Pensativa, hein?

Seth se aproximou ajeitando, sem sucesso, o terno que ainda estava sujo de barro e poeira da mansão. Serena olhou para ele, um pouco surpresa pela interrupção, mas acabou soltando um suspiro.

SERENA: É, acho que sim.

SETH: Pensando em quê? No desafio? Ou no detalhe de quase ter sido assassinada por três fantasmas de classe trabalhadora?

Ela soltou uma risada sem humor e balançou a cabeça.

SERENA: Não é sobre isso, na real. É sobre a minha família. Tudo o que aconteceu naquela mansão... me fez repensar algumas coisas.

Seth arqueou uma sobrancelha e se sentou ao lado dela.

SETH: Tipo?

SERENA: Sempre soube que minha família tinha uma certa... reputação. Mas eu achava que era só inveja. Gente rica, poderosa. O básico. — Ela fez uma pausa. — Agora? Parece que tem coisa que nem eu devia saber. E se... minha própria casa for assombrada também?

Seth coçou o queixo, pensativo.

SETH: Faz sentido. Ninguém chega nesse nível de riqueza sem pisar em uns quantos. Não querendo ofender, claro.

Serena ficou em silêncio, os ombros curvando ligeiramente.

SETH: Mas, se serve de consolo, eu também estive pensando.

SERENA: Sobre o quê?

SETH: Sobre como não estaríamos na Cerimônia de Eliminação de hoje se não fosse pelo Toby e sua completa incompetência.

As palavras de Seth pareceram energizar Serena instantaneamente. Ela endireitou a postura e apontou para ele, animada.

SERENA: Exatamente! Eu não preciso de mais motivos para querer eliminar aquele reporterzinho.

***

A cena cortou para o pôr do sol, tingindo a floresta de dourado enquanto os campistas se reuniam em frente ao totem de eliminação. Chris McLean surgiu, animado como sempre, segurando uma tigela cheia de pinhas.

CHRIS: Bem-vindos a mais uma Cerimônia de Eliminação! — Ele sorriu amplamente. — Um de vocês será oficialmente chutado para fora da reserva Tipikanizaw. Figurativamente... ou não.

Os campistas trocaram olhares tensos. Ao fundo, o ônibus dos perdedores já aguardava, com os faróis piscando de forma ameaçadora.

CHRIS: Se eu chamar seu nome, você está seguro e ganha uma pinha. Se não... espero que tenha feito as malas.

*CONFESSIONÁRIO ON*

TOBY: Eu sei que não fui o melhor no desafio de hoje, mas eu sou essencial para o jogo! Quem mais vai capturar todos os momentos importantes? Eu sou o coração narrativo dessa equipe. Eles não podem me eliminar! — Sorriu torto. — Hoje, eu vou votar na Serena. Ela ainda está me perturbando para deletar a foto que tirei dela no lago. Eu não posso fazer isso! É evidência jornalística que vale bastante dinheiro! Além disso, ela não queria desistir? Estarei fazendo um favor!

*CONFESSIONÁRIO OFF*

CHRIS: A primeira pinha vai para... Seth!

Seth sorriu com falsa modéstia, se levantando para pegar sua pinha como se fosse um Oscar.

CHRIS: As próximas pinhas vão para... Gretchen! E Molly!

Gretchen soltou o ar que nem sabia estar prendendo e lançou um olhar meio triunfante para Toby ao se sentar. Molly soltou um gritinho empolgado, pegando sua pinha.

Toby olhou desesperado para Serena, que cruzava as pernas com a maior calma do mundo.

CHRIS: E o último campista seguro é... Serena!

Serena se levantou com um sorriso reluzente e piscou para Toby antes de pegar sua pinha.

CHRIS: Toby... parece que sua edição foi cancelada. Extra, extra! Você tá fora!

Toby ficou parado por um momento, olhos arregalados, completamente em choque.

TOBY: O quê?! Não, não! Eu tinha tanto pra mostrar! Tanto pra escrever!

CHRIS: E parece que ninguém se importa, Toby. — Ele apontou dramaticamente para o ônibus, cujo motor já roncava.

Toby, resignado, caminhou até o veículo com passos lentos e melancólicos. Antes de entrar, virou-se para a câmera.

TOBY: Pelo menos... vou ter a chance de cobrir minha própria eliminação. A matéria se escreve sozinha.

O ônibus arrancou estrada adentro, enquanto os demais respiravam aliviados.

SERENA: Finalmente. Eu já não aguentava mais ouvir aquele tec-tec da máquina de escrever dele.

Seth deu de ombros, visivelmente satisfeito com o resultado.

Chris se virou para a câmera com um sorriso debochado.

CHRIS: E assim, mais um campista é deletado da competição! Qual será o próximo mistério a assombrar nossos sobreviventes? Alguém mais vai ser possuído? Ou pior... eliminado sem glamour? Descubram no próximo episódio de... Drama Total: Floresta dos Mistérios!




Notas finais
E foi o fim do nosso querido Toby. Este capítulo também inicia um arco mais reflexivo para a Serena. Talvez ela tenha um coração? Por fim, comente suas opiniões, teorias, reclamações e sugestões abaixo ou então VOCÊ será possuído por um fantasma. Sim, você que está lendo! -- "Hawud! Hawud! Sru hvvd qhp r uhsóuwhu hvshudyd. Hoh wlqkd xp sodqr, pdv qlqjxép vh lpsruwdyd. Frp judydgru qd pãr h whruldv qd phqwh, Wreb mxudyd txh hud r pdlv lqwholjhqwh."