Drama Total: Floresta dos Mistérios
5 criaturas fantásticas e Onde habitam
Drama Total: Floresta dos Mistérios
Capítulo 5 — criaturas fantásticas e Onde habitam
Chris McLean estava em algum local qualquer da Reserva Florestal Tipizanikaw. Ele aborda a câmera que o filmava.
CHRIS: No último episódio de Drama Total: Floresta dos Mistérios, nossos campistas enfrentaram uma mansão misteriosa no topo da colina! Ela aparece e desaparece como mágica. Ótimo para um desafio noturno, não é? Entre corredores infinitos e quartos assustadores, eles fizeram "novos amigos": fantasmas rancorosos de ex-empregados! Ah, Serena descobriu que seus problemas familiares são maiores que escolher entre Dubai e Aruba nas férias. No final, graças ao pensamento rápido de Cyrus e uma partida caótica de "batata quente" com o crânio dourado, os Pinheiros Questionadores venceram! Os Arbustos Enigmáticos votaram e Toby, o repórter wannabe, foi chutado do jogo. Quem vai sentir falta dele? Hmmm… Ninguém! — Ele fez uma pausa dramática, o sorriso malicioso crescendo. — Hoje, temos algo totalmente diferente! Nada de fantasmas. Que tal... criaturas fofinhas? Ou pelo menos é o que eles acham! — Ele riu maniacamente enquanto andava pela floresta. — Restam nove campistas. Quem será eliminado hoje?
*Abertura*
A luz suave da manhã se infiltrava pelas frestas das janelas da cabine dos Pinheiros Questionadores. O silêncio era cortado apenas pelo som tranquilo da respiração de Nacho, esparramado na beliche de baixo, e pelos riscos rítmicos da caneta de Cyrus em seu diário.
No canto do quarto, Minyoung se remexia, o cabelo emaranhado cobrindo o rosto. De repente, ela se sentou com um sobressalto, ofegante, os olhos arregalados.
Cyrus lançou-lhe um olhar curioso.
CYRUS: Outro pesadelo?
MINYOUNG: Uhum. — Ela assentiu lentamente, tentando respirar com calma. — Um daqueles... reais demais.
Cyrus fechou o diário por um momento, inclinando a cabeça com interesse genuíno.
CYRUS: Quer contar? Posso anotar. Vai que é importante. — Ele ajeitou-se na cama. — Lembra do sonho com o monstro do lago devorando a Harper? Pouco depois, ela foi eliminada. Coincidência? Talvez. Ou não.
Minyoung soltou uma risada nervosa, esfregando os olhos com as mãos.
MINYOUNG: Você realmente acha que isso significa alguma coisa?
CYRUS: Não sei. Mas não custa tentar entender. — Ele deu de ombros. — Além disso... — Olhou para o diário. — Não tenho exatamente muito o que fazer aqui.
Antes que ela respondesse, Nacho murmurou algo no sono e se virou, o boné ainda torto na cabeça. Minyoung sorriu de leve com a cena, depois voltou a encarar Cyrus, que agora franziu o cenho.
MINYOUNG: Que foi?
CYRUS: Nada. Só... Tommy. Ele mal abriu o olho e já puxou a Willow pra uma “conversa super importante”. — Ele girou a caneta nos dedos, visivelmente irritado. — Claro que ele precisa monopolizar o tempo dela.
Minyoung mordeu o lábio, incerta entre comentar ou ignorar. No fim, suspirou.
MINYOUNG: Acho que vou precisar de ajuda pra entender meu sonho.
Cyrus, animado por se sentir útil, pegou a caneta com mais firmeza e se posicionou como um escriba.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MINYOUNG: No sonho, a gente tava no Altar dos Antigos Sacrifícios... parecia uma versão mística da floresta. Tinha uma fogueira enorme, e o Tommy tava num trono de pedra, tipo um deus. Eu, Willow, Serena, Gretchen e Molly éramos obrigadas a venerar ele. — Ela esfregou os braços, desconfortável. — A Gretchen se recusou. Então o Tommy transformou ela em ouro. Inteira. Tipo uma estátua. Depois ele pegou a Serena e jogou na fogueira. Molly e Willow aplaudiram. E... eu também. Eu aplaudi. Foi horrível. Eu acordei em pânico. Não sei se é só um pesadelo ou... um aviso.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
De volta à cabine, Minyoung estava pensativa, observando as próprias mãos como se ainda sentisse o calor da fogueira do sonho.
MINYOUNG: Foi só um sonho... mas me deixou apavorada.
CYRUS: Significa que... — Ele fechou o diário com força. — Até no seu subconsciente, o Tommy continua sendo um bad boy metido que ganha atenção da Willow sem fazer esforço. Inacreditável.
Minyoung ergueu a sobrancelha, prestes a comentar, mas a vontade sumiu. Ela apenas suspirou.
Antes que o silêncio se prolongasse, Nacho soltou um resmungo sonolento e virou de lado, abraçando o travesseiro com um murmúrio incoerente. A câmera cortou discretamente da cabine.
***
Tommy ajustava o capuz do moletom enquanto as botas afundavam nas folhas secas do caminho, produzindo um som ritmado que quebrava o silêncio da trilha. À sua frente, Willow caminhava com os olhos atentos, mãos nos bolsos e a expressão tranquila de sempre.
TOMMY: Sabe... foi meio estranho a gente não se encontrar na mansão. Eu senti sua falta lá.
WILLOW: Considerando o caos que foi, talvez tenha sido melhor assim. — Ela lançou um olhar de canto de olho, com aquele ceticismo típico. — Menos chances de me distrair e sermos atingidos por candelabros voadores.
TOMMY: Então quer dizer que eu te distraio? — Ele sorriu, tentando parecer mais confiante do que realmente estava.
Willow riu baixo, mas não respondeu. Continuou andando.
TOMMY: Mas, sério... fazia tempo que a gente não andava só nós dois. Eu senti falta disso. Caminhar, conversar...
WILLOW: Caminhar eu gosto. Só não entendi por que você inventou esse caminho alternativo. — Ela olhou ao redor. — Não parece o mais direto pra chegar na cantina.
TOMMY: É uma trilha secreta. — Ele deu de ombros, tentando soar casual.
WILLOW: Já passou por aqui antes? — Ela arqueou a sobrancelha.
TOMMY: Não exatamente... mas tenho um bom pressentimento.
Willow bufou, mas o canto da boca traiu um sorriso breve.
WILLOW: Claro. Porque “bom pressentimento” é sempre a escolha lógica.
Eles seguiram em silêncio por alguns instantes. O vento farfalhava entre as árvores, e o som distante de um corvo quebrava a tranquilidade da floresta. Tommy respirou fundo.
TOMMY: Eu gosto de passar tempo com você. Me deixa... mais calmo.
WILLOW: Isso é bom. Você precisa mesmo disso.
TOMMY: Não, tipo... eu quero dizer que seria legal a gente passar mais tempo junto. Não só entre um desafio e outro.
WILLOW: Tommy, a gente dorme na mesma cabine, come na mesma cantina e tá na mesma equipe. — Ela riu suavemente. — Já não passamos tempo suficiente?
TOMMY: É que... — Ele hesitou. — Pensei que talvez a gente pudesse passar o tempo de um jeito... diferente.
WILLOW: Diferente como?
TOMMY: Sei lá... tipo um encontro?
Willow parou de andar. Virou-se devagar, os olhos ligeiramente arregalados.
WILLOW: Um encontro?
Tommy entrou em pânico instantâneo.
TOMMY: Não um encontro-encontro! Um encontro de amigos! Tipo... sem monstros, sem eliminação, sem estresse. Só... nós dois. Conhecendo melhor um ao outro.
Willow coçou o pescoço, visivelmente desconfortável.
WILLOW: Como amigos?
TOMMY: Isso! Só amigos. Nada demais.
Willow suspirou, mas o sorriso discreto voltava aos poucos.
WILLOW: Tá bom, então. Como amigos. Mas não vá se empolgar, entendeu?
*CONFESSIONÁRIO ON*
TOMMY: É ISSO! — Ele levantou os braços, vitorioso. — Ok, não foi exatamente o encontro que eu esperava, mas foi um começo! Amigos hoje... quem sabe amanhã? Um pequeno passo para mim, um grande salto para o que pode ser!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Enquanto voltavam a andar, Tommy desviou o olhar ao perceber algo entre as folhas. Um pequeno brilho chamou sua atenção. Ele diminuiu o ritmo, os olhos fixos no chão.
TOMMY: Acho que estamos quase chegando.
WILLOW: Ótimo. Já perdi tempo demais aqui.
Ao chegarem a uma bifurcação, Tommy sugeriu que Willow seguisse em frente enquanto ele verificava algo que, segundo ele, “podia ser perigoso”. Willow hesitou, mas acabou seguindo, balançando a cabeça com um sorriso irônico.
Assim que ela virou a esquina, Tommy se abaixou e apanhou o objeto brilhante entre as folhas. Observou-o por um instante, satisfeito, antes de colocá-lo discretamente no bolso e correr para alcançá-la.
*CONFESSIONÁRIO ON*
WILLOW: Um encontro? Tá bem na cara que o Tommy quer mais do que uma amizade. Mas eu não vim aqui pra romance. Eu vim pra vencer. Desde que a xerife saiu, meio que virei a cabeça da equipe... e isso já dá trabalho suficiente. — Ela suspirou, ajeitando o cabelo. — Mas dizer “não”... sei lá. Ele ia ficar arrasado. E isso ia afetar o time. Então... disse “sim”. É só um encontro de amigos. O que poderia dar errado?
*CONFESSIONÁRIO OFF*
A câmera deslizou pela cantina, focando na mesa dos Arbustos Enigmáticos. Os pratos eram uma visão grotesca, cortesia do Chef Hatchet, que observava satisfeito à distância.
GRETCHEN: Molly, me passa o xarope de bordo? — Ela analisava o prato com uma careta.
MOLLY: Claro! Mas… — Passando o frasco com um sorriso animado. — Isso é doce demais, não acha? E eu amo doce!
GRETCHEN: É o único jeito de esconder o gosto. — Ela respondeu, despejando o líquido generosamente.
Serena, impecavelmente sentada com o garfo suspenso, observava a cena com indiferença antes de se virar para Seth, que ajeitava o botão do terno desgastado.
SERENA: Seth, pode me passar o sal? Está do seu lado.
SETH: Claro. — Ele estendeu a mão, mas abriu a palma, esperando algo.
SERENA: O que você tá fazendo? — Franziu o cenho, confusa.
SETH: Aguardando o pagamento, oras. Isso vai ser "antecipado" ou "upon delivery"?
Serena hesitou, claramente desconfortável, enquanto Gretchen e Molly trocavam olhares.
SERENA: Andei refletindo. Depois do que os fantasmas disseram na mansão... acho que não devo te pagar. Parece... errado.
Um silêncio tomou conta da mesa.
GRETCHEN: Espera aí. Você tá dizendo que NÃO vai pagar? Você?! — Ela perguntou, incrédula.
MOLLY: É, Serena. Isso não parece nada... você.
Até Seth piscou algumas vezes, perplexo.
SETH: Eu não ligo pro que fantasmas estúpidos falaram! — Levantando a voz, desesperado. — Eu gosto de ser explorado! Por favor, me explore! Me manipula um pouquinho! Só um bônus simbólico!
Serena soltou um suspiro longo, levantando-se com elegância. Sem responder, deu a volta na mesa, pegou o saleiro ao lado de Seth e retornou calmamente ao seu lugar, mantendo o semblante intacto.
Seth permaneceu imóvel, a mão ainda estendida, com a boca entreaberta em choque.
*CONFESSIONÁRIO ON*
SETH: Isso é uma tragédia! — Ele jogava os braços no ar. — Eu tinha um sistema perfeito: Serena pagava, eu fazia favores. Tinha lucro, estabilidade emocional e uma microeconomia funcional! Eu já estava quase nos mil dólares! Isso ia brilhar no jantar de Hanukkah com a minha família! — Ele passou a mão no rosto, desesperado. — E agora? Agora ela resolve desenvolver ética? Isso não pode ficar assim. Eu vou reconquistar minha exploradora.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Era metade da manhã quando os campistas se reuniram em uma clareira, ainda ajustando suas roupas e olhares sonolentos. Chris McLean surgiu com passos confiantes, seguido de um McConnor completamente desordenado, com cabelos chamuscados e roupas rasgadas.
SETH: Oof, o que rolou com ele? — Apontou para o estagiário.
CHRIS: Ah, o McConnor? Nada demais. — Ele acenou desdenhosamente. — Só estava “convocando” os convidados especiais do desafio de hoje. Né, McConnor?
McConnor tentou responder, mas apenas tremeu, apoiando-se numa árvore, desorientado.
CHRIS: Ele é dramático assim mesmo.
Gretchen deu um passo à frente.
GRETCHEN: Espera aí, “convidados especiais”? O que isso significa?
CHRIS: Paciência, apressadinha! — Ele revirou os olhos. — Deixa eu explicar tudo.
Chris ergueu o dedo indicador, assumindo seu tom teatral.
CHRIS: Estamos numa floresta cheia de mistérios místicos. Vocês sabiam que essas coisas fofinhas das histórias da infância, como unicórnios, sereias e dinossauros, realmente existem? — Ele fez uma pausa, saboreando o impacto. — Pois é! E graças ao McConnor, que encontrou o bosque dessas criaturinhas durante um dos seus “coffee breaks”, elas agora fazem parte do desafio!
Molly soltou um grito animado, suas pulseiras tilintando.
CHRIS: Bom saber que pelo menos alguém está empolgado! — Ele tossiu. — Enfim, o desafio de hoje é um percurso de quatro etapas. Vocês precisam recolher amuletos em cada habitat e atravessar a linha de chegada. Fácil, né?
Cyrus começou a anotar furiosamente em seu diário.
*CONFESSIONÁRIO ON*
CYRUS: Isso é revolucionário! Até agora, as criaturas místicas eram obstáculos naturais ou apenas... moradores. Mas agora elas fazem parte do jogo! Isso muda tudo! Isso implica em consciência, escolha, lógica! — Ele passou a mão no cabelo. — Como o McConnor convenceu seres encantados a participar de um reality show? Preciso de respostas. Agora.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Chris continuou, apontando para a floresta.
CHRIS: Primeiro, o Vale dos Dinossauros. Vocês devem cruzá-lo sem serem capturados pelos pterodáctilos. Tem ferramentas escondidas, mas... vocês sabem como eu sou com “ajuda”.
Seth arqueou a sobrancelha.
SETH: Ferramentas? Tipo lanças?
Chris o ignorou.
CHRIS: Depois vem a Lagoa das Sereias. Vocês devem remar até uma plataforma no meio da lagoa para pegar o amuleto. Fácil! Só tentem não virar comida delas, ok? Em seguida, os Unicórnios. Não tem truque, vocês só precisam convencê-los a entregar o amuleto. Boa sorte com isso, porque eles detestam humanos. E, finalmente, o Jardim das Fadas. O último amuleto estará no pedestal central. Pegue-o e corra para a linha de chegada.
Os campistas trocaram olhares céticos.
CHRIS: Alguma dúvida? Ótimo, nenhuma! Pinheiros, seus amuletos são verdes; Arbustos, laranjas. Preparar, apontar... VÃO!
Os campistas dispararam na direção do bosque, uns gritando, outros já se arrependendo.
***
Os campistas chegaram ao vale, cercado por árvores frutíferas gigantescas com ninhos colossais empoleirados entre os galhos. O chão estava coberto de ossos. De animais, talvez humanos, difícil saber.
GRETCHEN: Isso é... piada, né? — Ela chutou um osso com desdém.
SERENA: Esse lugar é tipo Jurassic Park versão econômica — Pegou um estilingue do chão com dois dedos, como se fosse contagioso. — E essas são as “ferramentas”?
A voz de Chris explodiu dos alto-falantes escondidos entre as árvores, animada como sempre.
CHRIS: Isso mesmo, Serena! Elas são pra vocês não virarem janta!
Os Pinheiros Questionadores dividiram os estilingues. Tommy já se empolgava, mirando nas frutas penduradas no alto.
CYRUS: O que você tá fazendo? — Observava com uma mistura de ceticismo e terror.
TOMMY: Planejando nossa sobrevivência! Se a gente distrair os bichos com as frutas, dá pra passar! — Ele disparou o estilingue com um sorriso triunfante.
WILLOW: Bem, não é como se a gente tivesse outra ideia — Ela cruzou os braços, observando os resultados.
A fruta caiu com um baque molhado, espalhando um cheiro adocicado. Dois pterodáctilos mergulharam, rasgando a polpa com garras afiadas.
CYRUS: Isso nem faz sentido! Pterodáctilos eram carnívoros! — Ele folheava o diário como se quisesse confirmar na hora.
TOMMY: Ah, claro, cientista. Quer subir lá e explicar isso pra eles? — Revirou os olhos.
Nos Arbustos Enigmáticos, Gretchen apontava o estilingue com precisão cirúrgica.
GRETCHEN: Por que não mirar direto? Esses bichos precisam voltar pra extinção! — Ela atirou e acertou o bico de um pterodáctilo em cheio.
SETH: Maravilha. Agora eles tão irritados — Ajustou o colarinho do terno.
Um pterodáctilo mergulhou direto em direção a Gretchen, mas Molly a puxou para o lado. As duas rolaram entre ossos secos, escapando por pouco.
MOLLY: Isso foi aterrorizante! — Ela arfava, mas seu sorriso dizia que estava adorando.
Nos Pinheiros, Tommy corria rumo ao pedestal com o amuleto verde.
WILLOW: Você tá louco? Eles ainda tão por aí! — Ela gritou, tentando detê-lo.
TOMMY: Relaxa! Eu sei o que faço! — Se abaixou, desviando de um pterodáctilo e pegando o amuleto antes de correr de volta como se tivesse vencido a Copa do Mundo.
*CONFESSIONÁRIO ON*
TOMMY: Vocês viram aquilo? Nem foi difícil! Liderança, coragem... a equipe podia me entregar o milhão agora. Mas calma, eu sou modesto.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Nos Arbustos, Molly avançava até o pedestal. Gretchen ainda distraía os pterodáctilos com tiros rápidos e certeiros.
MOLLY: Peguei! — Ela ergueu o amuleto laranja com um sorriso radiante.
Um pterodáctilo mergulhou de novo, mas Seth a puxou no último instante.
SETH: Tá vendo? Otimismo demais dá nisso — Ele parecia mais preocupado com o terno do que com a segurança de Molly.
Ambas as equipes recuaram rapidamente, escapando do vale enquanto os pterodáctilos ainda os observavam de cima, olhos fixos como se estivessem memorizando rostos.
Logo depois, os campistas emergiram da mata e chegaram à beira de um lago cristalino. Rochas cintilantes refletiam a luz do sol, e silhuetas com caudas brilhantes nadavam no fundo, entoando cantos hipnóticos. Duas jangadas remendadas com fita adesiva esperavam pacientemente na margem.
WILLOW: Jangadas feitas com fita adesiva. Parece... seguro — Observava com expressão neutra, como quem já aceitou o destino.
SERENA: Isso é inaceitável. Cadê os barcos motorizados com toldo e almofadas?
Os Pinheiros subiram na jangada, mas Cyrus e Minyoung ficaram na margem.
TOMMY: O que foi agora? — Cruzou os braços, impaciente.
MINYOUNG: Uh... depois do que aconteceu no lago, quatro dias atrás? Com o monstro? Trauma?
TOMMY: Ah, isso — Desviou o olhar por um segundo. — Tá, beleza. Eu vou remar sozinho.
CYRUS: E se o canto delas for tipo um aviso? “Saiam daqui antes que a gente coma vocês”? Só tô dizendo...
TOMMY: Obrigado, Cyrus. A voz da razão sempre ajuda... a aumentar a paranoia — Falou com tom desdenhoso. Ele revirou os olhos e começou a remar.
Do outro lado, Gretchen improvisava um remo com um pedaço de madeira enquanto Seth tinha ideias mais gananciosas.
SETH: Sereias são o futuro! Um parque aquático com sereias de verdade seria ouro! Crianças pagariam uma fortuna!
MOLLY: Que tal não morrer antes do parque ser inaugurado? Toma cuidado! — Ela puxou ele para mais longe da beira da jangada.
As jangadas começaram a deslizar. As sereias se aproximavam, sorrisos largos e ambíguos nos rostos pálidos.
MINYOUNG: Elas tão sorrindo! Isso é bom, certo?
CYRUS: É um sorriso tipo “vou te puxar pelos tornozelos”, não “bem-vindo ao nosso habitat”.
Uma sereia se ergueu ao lado da jangada de Serena e Molly, cantando com doçura. Em seguida, lançou um jato d’água que atingiu Molly em cheio.
MOLLY: Ugh! Que rude!
Enquanto isso, Nacho remava com os ouvidos tapados, gritando:
NACHO: LALALALA NÃO OUÇO VOCÊS, SEREIAS! LALALÁ!
TOMMY: Nacho! O que tá fazendo?!
NACHO: Não quero virar zumbi aquático, cara!
A câmera mostrou Willow, olhos vidrados, se inclinando na jangada. Tommy parou de remar, também hipnotizado.
TOMMY: Que voz... linda...
NACHO: Ah não... elas pegaram vocês também...
Na margem, Minyoung gritou quando algo agarrou seu tornozelo e a puxou para a água.
MINYOUNG: CYRUS! AJUDA!
Cyrus olhou para os lados, desesperado. Deixou o diário cair e tirou o boné.
CYRUS: Uh... e-eu...
Antes que conseguisse reagir, Nacho se jogou da jangada, nadando com força até ela. Com um golpe certeiro de remo, afastou a sereia e puxou Minyoung de volta.
MINYOUNG: Obrigada, Nacho! — Ela arfava, encharcada.
NACHO: De nada, carinha — Ele ajeitou o boné e voltou pra jangada, tampando os ouvidos de novo. Minyoung corou.
*CONFESSIONÁRIO ON*
NACHO: Cara, essas sereias são cruéis! Se não fosse o grito da Minyoung, eu tava até agora flutuando em transe! Desenho animado mente demais. Minha catequista sempre falou... sereia não é de Deus.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Gretchen e Seth desviavam de pedras lançadas pelas criaturas.
SETH: Como é que elas têm tanta pontaria? Elas nem têm pernas! — Falou como se uma coisa tivesse correlação com a outra.
Gretchen agarrou o amuleto laranja, gritando de triunfo enquanto Seth girava os remos descontroladamente.
No lado dos Pinheiros, Tommy se lançou na plataforma e pegou o amuleto verde com uma pose dramática.
TOMMY: É ISSO! Rei da lagoa, bebê!
As jangadas voltaram para a margem. Antes que pudessem comemorar, uma tela piscou e o rosto sorridente de Chris surgiu.
CHRIS: Olha só! Todos sobreviveram... que chato. Mas o desafio ainda não acabou! Porque a próxima fase... ah, essa vai ser uma delícia de assistir.
Ele piscou para a câmera.
CHRIS: Depois do intervalo, mais caos, mais criaturas e, com sorte, mais gritos. Já voltamos com Drama Total: Floresta dos Mistérios!
*Intervalo*
Os campistas entraram em uma trilha iluminada por uma luz mágica suave. As árvores brilhavam em tons metálicos de prata, e o som de sinos flutuava no ar como uma trilha sonora. No centro do caminho, quatro unicórnios bloqueavam a passagem, com crinas que cintilavam em degradês de arco-íris.
MOLLY: Oh! Eles são... perfeitos! — Seus olhos brilhavam.
SERENA: Perfeitos? São cavalos com chifres.
Os unicórnios ergueram a cabeça ao mesmo tempo, ofendidos.
UNICÓRNIO LÍDER: Cavalos? Cavalos?! — Sua voz era grave e carregada de sarcasmo. — Humanos... sempre subestimando criaturas superiores.
WILLOW: Certo. Eles só precisam entregar o amuleto, né?
UNICÓRNIO LÍDER: Só entregamos o amuleto para aqueles dignos e de coração puro! Primeiro, responda nossas perguntas.
Os unicórnios começaram a circular, suas patas pisando suavemente na grama brilhante. Um deles, de crina lilás, encarou Molly.
UNICÓRNIO LILÁS: Você, pequena e barulhenta. Por que deveríamos confiar o amuleto a você?
MOLLY: Porque... eu amo unicórnios! — Ela disse, com as mãos no peito.
UNICÓRNIO LILÁS: Patético. — Ele rolou os olhos.
MOLLY: Patético?! Eu tinha pôsteres de unicórnios no quarto!
UNICÓRNIO LILÁS: E você acha que isso nos honra? — Ele bufou. — Humanos reduzem nossa glória a camisetas, pelúcias e adesivos de planner e ainda querem demandar favores. Hmpf!
Molly abriu a boca para responder, mas Gretchen interveio.
GRETCHEN: Ele tem um bom ponto.
Enquanto isso, um unicórnio dourado olhou Seth de cima a baixo.
UNICÓRNIO DOURADO: Está olhando o quê? Você tem cara de mercenário.
SETH: Depende. Quanto você está oferecendo?
Os unicórnios suspiraram em uníssono, entediados.
UNICÓRNIO LÍDER: Humanos de coração impuro. Mas temos um último teste, bem básico: o que tem quatro patas pela manhã, duas ao meio-dia e três à noite?
CYRUS: Ah, fácil. Um humano.
Os unicórnios franziram o cenho.
UNICÓRNIO LÍDER: Claro que o nerd responderia.
Tommy avançou, impaciente.
TOMMY: Tá, chega. Querem saber quem é digno? Eu sou. Dá logo esse amuleto.
O unicórnio líder observou com desdém.
UNICÓRNIO LÍDER: Hm. Humano arrogante. — Ele sorriu. — Tente pegar.
Tommy correu até o pedestal. No momento em que estendeu a mão, levou um coice tão rápido que voou de costas.
TOMMY: Aaargh! Que tipo de unicórnio faz isso?!
UNICÓRNIO LÍDER: Os verdadeiros.
Nacho deu um passo à frente, levantando a mão em paz.
NACHO: Escutem, exaltados unicórnios. A gente pode não ser perfeito, mas estamos tentando. Só precisamos do amuleto. Prometo que vamos sair e não voltamos mais.
Os unicórnios se entreolharam, genuinamente surpresos com a educação.
UNICÓRNIO LÍDER: Uma alma pacífica. Raro em humanos.
Com um gesto suave, ele empurrou o amuleto verde com o casco até Nacho.
UNICÓRNIO LÍDER: Pegue isso. E vão embora.
*CONFESSIONÁRIO ON*
WILLOW: Então, unicórnios são sarcásticos e mal-humorados... faz sentido. Quero dizer, se eu tivesse que lidar com humanos o tempo todo, eu também seria um pé no saco. Mas, ei, ainda bem que o Nacho estava lá para salvar o dia. O Tommy estava fazendo um péssimo trabalho convencendo eles.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Enquanto os Pinheiros se afastavam com o amuleto, os Arbustos Enigmáticos ainda estavam em uma discussão acalorada com o unicórnio lilás.
MOLLY: Por favor! A gente realmente precisa do amuleto! Prometo contar pra todo mundo o quanto vocês são incríveis!
O unicórnio lilás ergueu uma sobrancelha cintilante e deu um passo à frente, girando a crina em tons pastel.
UNICÓRNIO LILÁS: Ah, claro. A validação de uma humana muda tudo. Como vivi até agora sem sua opinião brilhante?
MOLLY: Eu só estou tentando ser educada!
UNICÓRNIO LILÁS: E eu só estou tentando te mostrar que sua existência é insignificante.
GRETCHEN: Insignificante? Ei, quer saber? Eu acho que esse chifre nem é real. Parece colado. — Ela interditou, defendendo sua amiga.
O unicórnio lilás ofegou, escandalizado, e virou o rosto de lado dramaticamente.
UNICÓRNIO LILÁS: Colado? COLADO?! Como ousa? Este chifre foi forjado pelas estrelas e polido pela luz da lua. Você, mortal rouca, não tem moral para me julgar!
Gretchen ergueu as mãos, exasperada.
GRETCHEN: Foi mal, tá? Só estou tentando ir embora sem levar coice!
Enquanto isso, Seth se aproximou do unicórnio dourado, observando-o como quem avalia um investimento.
SETH: Escuta, vocês já consideraram cobrar por autógrafos? Ou um meet-and-greet? Aposto que fariam uma fortuna com crianças...
O unicórnio dourado piscou lentamente, claramente ofendido, e deu um pequeno coice no chão.
UNICÓRNIO DOURADO: Como é possível que a humanidade tenha sobrevivido até agora?
De volta ao unicórnio lilás, Molly tentava apelar para sua empatia.
MOLLY: Olha, eu cresci adorando unicórnios. Vocês eram meu mundo! Vocês... vocês são como heróis para mim.
O unicórnio lilás bufou, visivelmente entediado.
UNICÓRNIO LILÁS: Heróis? Que piada deliciosa. Não somos seus heróis. Somos lendas. Deuses menores, talvez. A imagem de unicórnios dóceis foi criada porque vocês, humanos, não aguentam lidar com complexidade.
Molly fechou os punhos, frustrada, mas manteve um sorriso forçado.
MOLLY: Ok, então vocês não são heróis. Mas ainda podem nos ajudar, certo?
UNICÓRNIO LILÁS: Hmm, deixa eu pensar... — Ele virou o rosto dramaticamente, fingindo ponderar. — Não.
Molly deu um gritinho de frustração.
MOLLY: Por quê? O que vocês querem de nós?!
O unicórnio lilás inclinou a cabeça, sua expressão indiferente.
UNICÓRNIO LILÁS: Eu quero que vocês sumam. Isso é pedir muito?
Gretchen cruzou os braços, impaciente.
GRETCHEN: Tá bom, chega dessa palhaçada. Se não vão nos dar o amuleto, vamos pegar nós mesmas.
Com um suspiro carregado de tédio, o unicórnio lilás chutou o amuleto laranja para a lama.
UNICÓRNIO LILÁS: Aí está. Aproveitem. E sumam.
Molly pegou o amuleto e começou a limpar com a manga do suéter.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MOLLY: Eles foram rudes. Tipo... muito. Mas ainda assim? Lindos. — Ela suspira. — Eles só precisam de um pouco de positividade na vida. Um arco-íris interno, sabe?
— — —
GRETCHEN: Sabe o que eu acho? Eles deviam pegar todo esse brilho e sarcasmo e abrir uma agência de stand-up. Porque como guardiões de amuletos, eles são péssimos. E quer saber? Se não fosse esse chifre na testa, nem pareciam tão mágicos assim. Quero dizer, a Serena tem razão, eles são só... cavalos! — Ela cruza os braços, visivelmente irritada.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Enquanto os Arbustos se afastavam, os unicórnios observavam em silêncio, visivelmente aliviados.
UNICÓRNIO LÍDER: Humanos... sempre tão previsíveis.
Sem fazer alarde, desapareceram entre as árvores como se nunca tivessem existido, deixando os Arbustos avançarem para a próxima etapa, ainda bufando e discutindo sobre a audácia dos cavalos mágicos.
A última etapa levou os campistas até uma clareira mágica. Flores brilhavam como luzes de Natal, cogumelos gigantes formavam guarda-chuvas naturais, e um pedestal com o amuleto emitia uma luz tentadora bem no centro do espaço. Mas Willow estava desconfiada.
WILLOW: Isso parece mais uma emboscada do que um jardim.
TOMMY: Ah, qual é! Fadas são minúsculas. O que podem fazer?
No mesmo instante, uma fada surgiu do nada, puxou uma mecha do cabelo de Tommy e voou vitoriosa como se tivesse conquistado um troféu.
TOMMY: Ai! Meu cabelo!
As fadas vieram em enxames. Em questão de segundos, puxavam cabelos, roupas e até acessórios com uma precisão irritante.
SERENA: Isso é loucura! Por que essas coisas estão obcecadas em arrancar cabelo?
SETH: Porque não podem pagar por perucas de qualidade, talvez.
*CONFESSIONÁRIO ON*
CYRUS: Eu achava que fadas eram seres pacíficos. Mas essas? Definitivamente não são da mesma espécie que a xerife matou no primeiro dia.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Enquanto os Pinheiros se defendiam, Molly tentava, como sempre, conversar.
MOLLY: Oi, amiguinhas! Não queremos brigar, só precisamos do amuleto.
Uma fada arrancou uma de suas pulseiras e começou a mastigá-la como se fosse chiclete.
MOLLY: Ei! Isso é meu!
Gretchen, já farta, decidiu cortar o papo.
GRETCHEN: Chega! Vou pegar aquele amuleto antes que fiquemos peladas e carecas.
Seth, armado com um remo, liderava o avanço. Eles chutavam vinhas brilhantes que tentavam prender seus pés como se tivessem vontade própria.
Cyrus apontou para o pedestal ao longe.
CYRUS: Está ali! Se formos rápidos...
WILLOW: Não viu as fadas? Isso é suicídio!
NACHO: Deixa comigo!
Nacho começou a balançar flores brilhantes no ar, criando um tipo de show improvisado. Algumas fadas se distrairam imediatamente.
*CONFESSIONÁRIO ON*
NACHO: Tá, eu admito. Fadas são mais assustadoras do que parecem. Tipo, por quê elas precisam de dentes humanos? Elas têm asas mágicas! Mas ei, eu ajudo onde posso. E, bom, se balançar flores ajuda, eu tô dentro. Só espero que ninguém perceba que eu gritei de medo... alto demais. — Ele riu nervosamente.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Cyrus e Willow correram até o pedestal, mas o amuleto verde já não estava lá.
WILLOW: Ótimo! Elas roubaram o amuleto!
Nos Arbustos, Molly distraía uma fada com um colar de miçangas, enquanto outra fada pegava o amuleto laranja do pedestal.
As fadas, agora com ambos os amuletos, voaram para uma árvore gigantesca. Gretchen e Tommy escalaram por lados opostos, gritando.
TOMMY: Devolvam o amuleto, suas pirralhas aladas!
GRETCHEN: Esse é meu! Sai daí!
Após uma luta caótica, os dois caíram da árvore, cada um segurando um amuleto.
MINYOUNG: Rápido! A linha de chegada!
Os campistas correram, ofegantes e confusos, cruzando a faixa praticamente ao mesmo tempo.
Então, Chris apareceu, seu sorriso inconfundível estampado no rosto.
CHRIS: Uau, que final apertado!
TOMMY: E aí? Quem venceu?
GRETCHEN: É, McLean! Rebobine a fita.
CHRIS: Rebobinar? Pra quê? O vencedor do desafio... NÃO FAZ DIFERENÇA!
Todos ficaram boquiabertos.
GRETCHEN: O quê?! Nós quase morremos por isso!
CHRIS: Relaxem! Vocês todos precisam estar no Altar dos Sacrifícios ao pôr-do-sol. Independentemente da equipe! Não se preocupem, tudo será revelado. Em breve.
Os campistas, exaustos e confusos, começaram a caminhar de volta, murmurando sobre o que Chris planejava.
*CONFESSIONÁRIO ON*
GRETCHEN: Como assim, quem vence não importa? Se eu não estivesse tão confusa, estaria muito mais brava. — Ela rosnou. — Fizemos todo esse esforço para nada? Típico!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
De volta à cabine dos Pinheiros, o joelho de Tommy estava saltando para cima e para baixo enquanto Cyrus andava nervosamente em círculos.
TOMMY: Tem como parar?! — Ele soltou irritado. — Eu já estou tenso o bastante sem você ficar rondando por aí!
O resto da equipe também tinha rostos desconcertados.
MINYOUNG: Você realmente acha que é uma eliminação dupla, Cyrus?
Ele parou de andar, virando-se para a sul-coreana com o indicador levantado.
CYRUS: É a única opção! — Confirmou um pouco alto demais. — Isso, ou então uma troca de equipes. Será que já será a fusão? Me parece meio precoce, mas não fora da realidade…
TOMMY: Então não é a única opção, né, Einstein?… Ugh! — Ele massageou as têmporas.
Cyrus não se deixou derrotar, indo para sua cama, anotando algumas coisas no diário.
CYRUS: Se duas pessoas saírem, sobram sete pessoas, mas ainda faltam 21 dias de competição, o que significa que cinco pessoas precisam ser eliminadas para um Top 2, o que implicaria uma eliminação a cada 4,2 dias, o que não é impossível, mas temos que considerar a variável X, que é Chris estar mentindo, o que causa uma possibilidade do número C de campistas flutuar entre 11 e 7… — O rapaz murmurava enquanto batia a caneta na capa do diário. Minyoung parecia interessada nos cálculos.
Willow e Tommy trocam um olhar.
*CONFESSIONÁRIO ON*
CYRUS: Eu estou enlouquecendo! O que o Chris quer de mim? Nada do que ele fala faz sentido e metade é mentira, de todo o jeito! O que isso significa? — Ele jogou as mãos para o alto, exasperado. — Isso significa que ele pode fazer QUALQUER COISA!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
A cabine dos Arbustos estava surpreendentemente tranquila, até Serena abrir a porta e dar de cara com Seth, curvado sobre uma mesinha no canto, concentrado em agulha e linha. Ele franzia a testa, os olhos fixos no pedaço de tecido à sua frente.
SERENA: O que é isso? — Ela mordeu o lábio para conter uma risadinha. — Você tá... costurando?
SETH: Uau, brilhante observação. — Ele resmungou, puxando o fio com mais força do que devia. — Ahn! Droga. — Murmurou algo ininteligível ao se furar com a agulha.
SERENA: Sabe que tem uma máquina de costura no armário, né?
SETH: Claro. Do tempo dos dinossauros. — Ele suspirou. — Deveríamos ter feito o McConnor consertar antes dele sair…
Ela se jogou na cama, observando com um misto de surpresa e curiosidade enquanto Seth tentava costurar um botão de volta no paletó surrado.
SERENA: Por que você tá fazendo isso?
SETH: É o único terno que eu tenho. Preciso cuidar dele. — Ele deu uma pausa, o olhar ainda fixo no botão. — Não posso aparecer na TV como um fracassado. E decepcionar ainda mais minha família.
Serena fez uma careta, desconfortável com o peso inesperado da conversa.
SERENA: Você... não pode comprar outro?
SETH: Talvez seja assim que funcione pra você, Von Nordwesten, mas gente comum como eu não sai comprando roupa nova toda vez que rasga a antiga. — Ele ergueu o olhar. — Tenho uma lista inteira de coisas mais urgentes que um terno novo.
A loira estremeceu ao ouvir o nome de sua família sendo jogado assim, sem cerimônia.
SETH: E não é como se você fosse me pagar mais. Talvez, se continuasse, eu conseguisse juntar o suficiente pra um novo. Mas agora, vou ter que recalcular... tudo.
Ela se levantou devagar, apoiando uma mão no quadril.
SERENA: Tá, chega de mistério. Fala logo. O que a sua família fez de tão errado pra ser tão... pobre?
Seth parou. A agulha ficou suspensa no ar. O silêncio que se seguiu foi denso. Serena recuou meio passo, como se percebesse a pergunta tarde demais.
SERENA: Eu... não quis dizer assim.
SETH: Quis, sim. — A voz dele estava baixa, mas firme. — Esse é o seu problema. Você acha que pobreza é resultado de falha moral. Que alguém “deixou” de ser rico por burrice ou má decisão. Mas minha família nunca teve dinheiro.
Ele voltou a costurar, mas sua voz continuou, carregada.
SETH: Minha mãe e meu pai sempre trabalharam. Eles tinham uma lojinha de penhores em St. John’s. Sempre foi uma luta. Quando meu irmão nasceu, e depois eu, a gente teve que ajudar cedo. Qualquer centavo que eu juntava trabalhando em shopping, atendendo gente arrogante, ia direto pra casa. E cada nota a mais que eu trazia fazia meus pais sorrirem.
Imagens de infância começaram a aparecer na tela, em montagem rápida. Seth ajudando na loja. Seth lavando o chão de um restaurante. Seth entregando panfletos no frio.
SETH: Meu irmão sempre quis mais. Faculdade, direito. Conseguiu bolsa, claro. Sempre certinho. Eu... eu me formei no ensino médio e achei que merecia um tempo. Um ano sabático. Viajar, descansar, viver. Parece ridículo dizer isso em voz alta… mas eu nunca fui a um encontro. Nunca beijei ninguém.
Serena tossiu de leve, desconcertada.
SETH: Enfim. Meu pai odiou a ideia. Um ano “sem fazer nada”? Vagabundagem, segundo ele. Me expulsou. Disse que só voltaria se eu provasse meu valor. Se ganhasse uma fortuna de verdade.
Ele enxugou discretamente os olhos com a manga antes de voltar ao botão.
SERENA: Uau. Isso é... de verdade, uma das histórias mais tristes que eu já ouvi.
SETH: Triste? Isso é só minha realidade. Mas tudo bem. Eu vou voltar pra casa. Com o dinheiro que você já me deu. Com os direitos de imagem de aparecer aqui. E com o milhão. É isso ou nada.
SERENA: Eu queria poder ajudar…
SETH: Não precisa fingir. Sua família não faz caridade, certo? E eu não trabalho mais pra você. Você mesma disse. Me deixa terminar aqui. Eu vou pensar em outra coisa. Sempre penso.
Ela ficou parada, mexendo no braço, pensamentos girando desordenadamente.
SETH: Aliás, deixa eu te perguntar uma coisa.
SERENA: O quê?
SETH: Você disse que não quer ser eliminada hoje. Mas… sem me pagar... quem garante que Gretchen e Molly não vão votar em você?
Os olhos dela se arregalaram. Pela primeira vez em muito tempo, Serena parecia sem palavras.
*CONFESSIONÁRIO ON*
SERENA: Seth tem razão... e isso é assustador. Sem dinheiro, o que me sobra? Meu charme? Minha influência? — Ela pausa, pensativa. — Talvez seja hora de jogar diferente. Ser eliminada? Não agora.
— — —
SETH: Eu não espero que a Serena entenda. Ela vive num mundo onde um problema se resolve com um cartão black. Mas se eu conseguir plantar a dúvida certa na cabeça dela, já é meio caminho andado pra eu garantir que não seja o próximo a sair. Ganhar esse milhão é sobrevivência. Não luxo.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
A noite caiu sobre a floresta de Tipizanikaw, e os nove campistas estavam reunidos em torno da fogueira, sentados nos tocos desgastados da Cerimônia de Eliminação. A luz tremeluzente das chamas lançava sombras inquietas no rosto de cada um. Chris McLean surgiu, como sempre, com seu sorriso de caos iminente.
CHRIS: Aposto que estão se perguntando por que chamei todos vocês aqui hoje.
WILLOW: O Cyrus certamente está. Ele não cala a boca desde o almoço. — Ela riu, e Tommy riu junto, enquanto Cyrus bufava.
CHRIS: Pois bem, estou cansado de eliminações previsíveis! Votos unânimes? Pessoas indo embora sem rancor? Isso não é Drama Total! — Ele gesticulou dramaticamente antes de jogar a tigela de pinhas no chão. — Hoje, nada de votação!
MOLLY: Sério?! — Ela deu um pequeno pulo de alegria.
CHRIS: Isso mesmo. Todos vocês estão salvos! Uhul! — Ele sorriu sarcasticamente. — Porém… — Ele fez uma pausa teatral. — Estamos trocando as equipes!
O choque percorreu o grupo. Murmúrios, caretas e exclamações atravessaram a roda de campistas.
CYRUS: Trocando equipes?!
CHRIS: Isso mesmo, gênio! E, como antes, vou deixar a floresta decidir! — Ele puxou um saco de estopa detrás do palanque e balançou.
MOLLY: Espera! Se foi a floresta quem decidiu as equipes da primeira vez, quem garante que ela não vai manter as equipes intactas?
CHRIS: Bem… nada! — Sua sobrancelha arqueou, irritado. — Mas eu sei que Tipizanikaw quer drama tanto quanto eu! Então vamos logo com isso!
O apresentador foi até a fogueira e virou o saco. Molly tremeu vendo os papeizinhos caindo até as chamas, mas ao invés de queimar, eles subiram de volta ao ar e giraram, desafiando a gravidade.
MOLLY: Uau, isso continua sendo incrível!
CYRUS: E ilógico!
Os nomes giraram sobre a fogueira por uns segundos até se dividirem em duas pilhas e retornarem ao apresentador.
CHRIS: E aí temos! — Ele leu a primeira pilha. — Posso garantir que esses times estão diferentes!
Cyrus guinchou.
CHRIS: Vamos lá! Os novos Arbustos Enigmáticos são… Gretchen, Molly… — As duas celebraram continuarem juntas com um abraço. — Minyoung e Tommy!
Minyoung hesitou antes de se levantar, enquanto Tommy encarava o chão.
TOMMY: Eu tô num time só com garotas?! Que paia…
MOLLY: Ei!
GRETCHEN: O que você quer dizer com isso?
MINYOUNG: Não acho que isso é de bom tom…
CHRIS: Calma aí, briga de equipe é pro próximo episódio! Agora, os novos Pinheiros Questionadores são Willow, Nacho, Cyrus… — Cyrus sorriu, aliviado. — Seth e Serena!
Cyrus trocou um sorriso rápido com Willow, enquanto Nacho acenava entusiasmado para os novos colegas.
CHRIS: Então é isso! Estão esperando o quê? Voltem para suas cabines e apresentem as acomodações a seus novos colegas! O jogo continua! E em breve, um novo desafio de invencibilidade para chutar um de vocês daqui!
Com a deixa, os campistas saíram do local e começaram a caminhada até suas cabines.
*CONFESSIONÁRIO ON*
CYRUS: Ufa! A Willow ficou na minha equipe. Isso é ótimo… para o jogo, claro. Mas agora temos o Seth e a Serena, e eu não sei se eles jogam limpo. Isso vai ser… interessante. A Serena é definitivamente uma pessoa intrigante, principalmente após a noite na mansão. O Seth? Hm, acho que vou descobrir. De todo o jeito, somos maioria na equipe. Tudo vai funcionar!
— — —
MOLLY: Eu AMO o fato que a Gretchen continua comigo! Mas o Tommy… hmm, digamos que vai ser um desafio extra. Eu vou transformar ele em um cara legal. Vou tentar bastante!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
O apresentador sorriu, até sair de cena.
***
A cena corta para uma tenda de produção, onde McConnor, com o rosto coberto de fuligem e olheiras profundas, analisava esquemas espalhados sobre a mesa. Chris McLean entrou distraído, falando ao telefone.
CHRIS: Você tem certeza que ele achou a Estatueta? Ótimo, menos um problema. — Ele desligou o celular com um suspiro exagerado. — O que você quer, McConnor? Estou atrasado para minha rotina de skincare noturna.
MCCONNOR: O que eu quero? Eu estou farto, McLean!
Chris parou, genuinamente surpreso.
CHRIS: Você reclamando? Que original.
MCCONNOR: Eu sou um engenheiro robótico, Chris! Eu devia estar construindo coisas incríveis, não sendo saco de pancadas de fantasmas e unicórnios!
CHRIS: Ah, você construiu o monstro aquático mecânico. Durou… dois segundos. Um recorde! — Ele sorriu sarcasticamente.
MCCONNOR: Me dê uma chance real! Olha isso! — Ele empurrou uma planilha na direção de Chris.
Chris deu uma olhada e arqueou a sobrancelha.
CHRIS: Hmm, intrigante. Isso envolve lasers? Eu adoro lasers.
MCCONNOR: Mais que isso. É ciência contra o sobrenatural! — Ele ajustou os óculos. — Me deixe provar que a tecnologia é mais aterrorizante que qualquer fada ou monstro!
Chris riu, mas continuou examinando os planos.
CHRIS: Você é tolo. Mas isso é interessante e parece letal. Quanto tempo você precisa?
MCCONNOR: Dez dias, no mínimo.
CHRIS: Uma semana. Surpreenda-me. Ou está fora.
McConnor sorriu triunfante, voltando ao trabalho com entusiasmo enquanto Chris saía da tenda, cantarolando.
***
Mais tarde, Chris relaxava em uma banheira, máscara de lama no rosto e pepinos nos olhos.
CHRIS: Ah, parece que eu tenho que fazer uma outro pro episódio! Err, vamos ver… Troca de equipes? Intrigas? E o que McConnor está planejando? — Ele deu um sorriso para a câmera. — Blá, blá, blá! Até o próximo episódio de Drama Total: Floresta dos Mistérios!
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