Drama Total: Floresta dos Mistérios

3 A lenda do lago winimakatikahaha


Notas iniciais
Espero que gostem e tenham uma boa leitura!

Chris McLean estava andando pelas margens do lago de Tipikanizaw, então ele encara a câmera, iniciando a recapitulação.

CHRIS: No episódio anterior de Drama Total: Floresta dos Mistérios, McConnor e Toby não fizeram as melhores primeiras impressões, incomodando seus colegas de equipe com uma manhã barulhenta. Já Tommy e Cyrus, dos Pinheiros Enigmáticos parecem ter uma disputa borbulhando, querendo provar seu valor à Willow, a lenhadora descolada. — Ele se aproximou da lente. — Mas nada disso supera a tensão do resto da equipe com a xerife Harper, que incomoda todos com seu cassetete e sua falação demais e ação de menos! Felizmente para ela, os Pinheiros venceram o primeiro desafio de invencibilidade da temporada e graças a inutilidade geral de metade dos Arbustos e a engenharia destrutiva de McConnor, foram eles os primeiros a conhecer o Altar dos Antigos Sacrifícios e a Cerimônia de Eliminação. Previsivelmente, McConnor foi unanimemente eliminado, mas eu resolvi ser bonzinho, vendo potencial nas engenhocas dele e convidei ele a continuar no programa. Como um estagiário é claro! — Ele riu. — Uma das minhas melhores artimanhas, se puder dizer! Claro, ele acha que vai se sair por cima, tendo mais chances de investigar, mas ele não sabe que eu jamais faria uma negociação em que eu perco? — Gargalhou maniacamente. Então ajeitou o penteado. — De todo o modo, restam onze campistas. Quem será eliminado hoje?

*Abertura*

A luz da lua atravessava as frestas das paredes da velha cabine, desenhando linhas no chão de madeira. O som de grilos e folhas farfalhando preenchia o silêncio, interrompido apenas pela caneta de Cyrus riscando o papel. De repente, Minyoung acordou, assustada.

CYRUS: Você tá bem?

Minyoung piscou, tentando focar, ainda grogue.

MINYOUNG: Por que você tá acordado? — Ela perguntou ao invés de responder se estava bem.

CYRUS: Escrevendo.

MINYOUNG: Essa hora?

CYRUS: Não tem hora pra ideias.

Ela inclinou-se contra a parede, puxando o cobertor até o queixo.

MINYOUNG: Ideias... sobre o quê?

CYRUS: Gnomos. E o que mais pode estar por aí.

Minyoung apertou o cobertor.

MINYOUNG: Você acha que tem... mais coisas?

Cyrus fechou o caderno e virou-se para encará-la.

CYRUS: Se tem gnomos, quem garante que não tem outras... coisas?

Ela hesitou, mexendo nos óculos na cabeceira.

MINYOUNG: Eu sonhei... coisas. A Serena... do outro time. Ela era enorme. Tipo... uma árvore.

Cyrus segurou uma risada.

CYRUS: Isso é... estranho.

MINYOUNG: Não é engraçado, é assustador. Tinham lenhadores fantasmas controlando as árvores. Depois... o lago. Tinha algo lá.

CYRUS: Um monstro?

MINYOUNG: Sim. Engoliu a xerife.

CYRUS: Seria bom. — Ele deu de ombros, mas ao ver o olhar dela, mudou o tom. — Sério, foi só um sonho. Nada disso é real. Só seu cérebro processando o fato de que estamos cercados por coisas absurdas.

MINYOUNG: Gnomos também não são... reais. Mas estão aqui.

Cyrus ficou em silêncio por um momento.

CYRUS: Bom ponto.

Ela ajeitou o travesseiro e deitou-se novamente.

MINYOUNG: Talvez não seja nada. Ou talvez… a floresta esteja influenciando meus sonhos.

CYRUS: Talvez.

Um momento de silêncio caiu entre eles. Finalmente, Minyoung puxou as cobertas novamente, tentando se ajeitar na cama.

MINYOUNG: Obrigada por perguntar se eu estava bem. — Ela murmurou, o rosto escondido no travesseiro.

CYRUS: Sem problemas. — Ele respondeu, pegando o caderno novamente. Mas ele a observou por um instante antes de voltar ao que estava escrevendo.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MINYOUNG: Eu tenho sonhado umas coisas bem estranhas. Acho que é a floresta mexendo comigo. Ou talvez seja a xerife sendo irritante mesmo nos meus sonhos. — Ela soltou uma risada nervosa. — Mas... monstros do lago? Não existem. Certo? Não sei. Gnomos também não deveriam existir e um deles quase me furou hoje mais cedo. — Ela riu de novo, mais nervosa desta vez. Então, sua expressão suavizou. — O Cyrus perguntando se eu estava bem? Isso foi... legal. Não esperava que ele se importasse. Ele é tão quieto. Ninguém pergunta isso... muito para mim. — Ela parou, tocando levemente no óculos. — Foi gentil.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

A câmera deslizava pela superfície do Lago Winimakatikahaha, onde a névoa densa parecia viva. A água refletia a luz suave da manhã, pequenas ondulações sugerindo algo movendo-se sob a superfície. Um vórtice rápido se formou, mas logo tudo voltou ao silêncio.

A tela cortou para a cantina. O cheiro de café ruim e mingau estranho preenchia o ar. Os Pinheiros Questionadores e os Arbustos Enigmáticos estavam espalhados em mesas separadas, enquanto Chef Hatchet, de braços cruzados, observava como um carcereiro.

NACHO: E aí meu tio gritou: “Empurra com o quadril!” Foi assim que desviamos uma tourada com um CD do Abba e uma escada!

WILLOW: Você tá inventando essa história, né? — Ela cutucou Nacho, mastigando distraída um pedaço de torrada.

NACHO: Juro por tudo o que é sagrado! Minha abuelita estava lá, ela pode comprovar!

MINYOUNG: Eu não entendo... como essas coisas funcionam no Canadá.

WILLOW: Isso é insano. — Ela finalmente sorriu.

Na outra mesa, Molly gesticulava enquanto falava com Gretchen.

MOLLY: E se o monstro do lago for real? Tipo, um protetor da floresta? Acho que deveríamos dar um nome pra ele!

GRETCHEN: Tipo Fred? — Sua risada rouca ecoou pela cantina.

MOLLY: Fred? Criatividade zero! — Ela revirou os olhos, mas ria.

Do outro lado, Serena olhava para a cena com tédio.

SERENA: Eu não sei o que é pior: esse lugar ou vocês achando que monstros precisam de nomes.

Enquanto isso, Cyrus permanecia no canto da mesa dos Pinheiros, rabiscando em seu caderno com concentração. Ele levantava os olhos ocasionalmente, captando pedaços da conversa dos Arbustos com um olhar pensativo.

CYRUS: Elas também sabem do monstro do lago? Será que foi um sonho coletivo? — Ele murmurou enquanto escrevia. Então rabiscou com força. — Não, isso é absurdo. Deve ser uma lenda conhecida.

Tommy puxou uma cadeira e sentou-se ao lado dele, observando o caderno com desdém.

TOMMY: Você não cansa de ficar rabiscando essas coisas? Parece que tá tentando resolver um assassinato.

CYRUS: Prefiro isso do que ficar fazendo coisas inúteis. — Ele respondeu sem erguer os olhos.

TOMMY: Tá me chamando de inútil, garotinho?

CYRUS: Se a carapuça serviu... — Ele murmurou, levantando o olhar para Tommy.

A tensão entre os dois era palpável. Nacho e Minyoung trocaram olhares preocupados, mas nenhum deles disse nada. Willow abaixou a torrada lentamente, ponderando se deveria intervir.

WILLOW: Cês vão começar uma luta ou o café tá fraco demais pra isso?

O tom casual de Willow quebrou o silêncio, mas seus olhos alternavam de um para o outro em alerta.

TOMMY: Só tô brincando, relaxa. Continua com sua “investigação”, Watson. — Ele deu de ombros, fingindo indiferença.

Cyrus não respondeu, voltando ao caderno, mas o aperto na caneta denunciava sua irritação.

WILLOW: Esse café tá realmente fraco. — Ela suspirou e voltou a comer.

*CONFESSIONÁRIO ON*

WILLOW: Eu não entendo esses dois. Cyrus e Tommy. Tipo, os dois são caras legais, pelo que vi nesses últimos dois dias. Cyrus é mais calado, meio estranho às vezes, mas definitivamente inteligente. Tommy é cheio de atitude, mas dá pra ver que ele tem um lado mais soft, mesmo que escondido. — Ela fez uma pausa, apertando os lábios. — Só que, toda vez que eles interagem, é como... não sei, uma competição idiota. Clima tenso, caras fechadas, uma provocação atrás da outra. E o mais bizarro? Eu não faço ideia do porquê. Nenhum deles dá a menor chance pro outro, é como se tivessem decidido se odiar logo de cara. — Deu de ombros, soltando um suspiro. — Deve ter algo que eu não tô percebendo. Talvez seja só o estresse da competição. Mas, sério, esses dois precisam resolver isso logo. A floresta já é esquisita o suficiente sem esse drama todo.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

A luz dourada do amanhecer atravessava as árvores na Reserva Florestal Tipikanizaw. Dentro da cabine dos Arbustos Enigmáticos, o som incessante das teclas da máquina de escrever preenchia o ar.

GRETCHEN: Isso é insuportável! — Ela exclamou, pressionando as mãos contra as têmporas enquanto Toby martelava as teclas.

TOBY: E assim, no quarto dia da competição, os resilientes Arbustos Enigmáticos enfrentam... — Ele ajeitou os óculos. — Não, 'resilientes' soa forçado. Talvez 'sobreviventes'?

SERENA: Que tal 'irritantes'? — Ela revirou os olhos, jogando as mãos para o alto. — Toby, pelo amor, dá um tempo!

MOLLY: Ei, Serena, não precisa ser tão dura. — Ela tentou intervir, mas até ela parecia exausta, segurando a cabeça.

Toby finalmente se levantou, segurando a máquina de escrever com uma mão e uma polaroid com a outra. Molly perguntou onde ele ia.

TOBY: Vou ao local do desafio. Vou entrevistar os gnomos.

Os outros o encararam.

MOLLY: Hã... o quê?

TOBY: Saber o que motivou o ataque pode render um ótimo artigo. Talvez até uma foto!

Ele balançou a câmera polaroid como se fosse uma arma secreta.

SERENA: Certo. Boa sorte com isso. — Seu tom gotejava sarcasmo.

Assim que Toby saiu, fechando a porta, Serena suspirou alto.

SERENA: Com sorte, ele se perde e os gnomos devoram ele.

MOLLY: Que coisa horrível de se dizer!

SERENA: Foi sincero.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MOLLY: Não me entendam mal, Toby está me tirando do sério. Ele não para com aquela máquina e essas narrações malucas. Mas... — Ela ajustou as pulseiras. — Não me arrependo de termos eliminado McConnor. Só acho que, se fosse possível, eu teria votado nos dois.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

A cantina estava mais caótica do que nunca naquela noite. O cheiro forte da comida de Chef Hatchet misturava-se ao barulho dos campistas tentando organizar as bandejas sem causar outro desastre.

Encostada na parede, Harper girava o cassetete entre os dedos, sem intenção de ajudar.

HARPER: Cadetes, não se preocupem. Tô de olho em tudo. Qualquer problema, é só gritar. — Seu sorriso transbordava autossatisfação.

Nacho, equilibrando uma bandeja com pratos, suspirou.

NACHO: Xerife, pode pegar os talheres? Eu esqueci na bancada.

HARPER: Não posso. Tô em serviço.

WILLOW: Serviço? — Ela ergueu uma sobrancelha enquanto organizava os copos. — Você tá literalmente encostada na parede.

HARPER: Meu trabalho é proteger o time, lenhadora. Não me responsabilizo por louças.

TOMMY: Você não se responsabiliza por nada. — Ele lançou uma maçã podre para o alto e pegou de volta com deboche.

Harper girou nos calcanhares, apontando o cassetete para Tommy.

HARPER: Olha aqui, bad boy. Eu sou a única coisa entre vocês e o caos total. Um pouco de respeito não faria mal.

TOMMY: Mas você... não tá fazendo nada.

Harper ergueu o queixo, ignorando o comentário.

HARPER: Meu trabalho é manter a ordem. E manter a ordem... significa delegar tarefas. Vocês estão indo bem, devo acrescentar. Sigam assim. Mas mais rápido. Estou com fome.

Willow bufou, deu as costas e compartilhou um olhar irritado com Tommy, preferindo se concentrar na tarefa.

*CONFESSIONÁRIO ON*

HARPER: É difícil ser a líder de um grupo tão... inexperiente. Eles não entendem o quão importante é o meu trabalho de manter tudo sob controle. — Ela ajeitou o cassetete no colo, sorrindo. — Honestamente, sem mim, eles estariam perdidos. É como dizem: toda equipe precisa de um xerife.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

A luz das lanternas iluminava a tenda da produção, onde ferramentas e peças metálicas estavam espalhadas em mesas improvisadas. McConnor martelava algo com intensidade, ajustando componentes em uma estrutura coberta por um tecido pesado.

CHRIS: Isso vai estar pronto para amanhã? — A voz soou casual, mas carregada de autoridade.

McConnor se virou, limpando o suor da testa com o antebraço.

MCCONNOR: Antes do nascer do sol. — Ele apontou para a estrutura, claramente orgulhoso.

Chris se aproximou, inclinando-se ligeiramente para inspecionar.

CHRIS: Ótimo. Os campistas vão adorar.

McConnor cruzou os braços, um sorriso condescendente surgindo.

MCCONNOR: Sinceramente, isso só prova o que já sei. Nada aqui é real. Esses truques podem enganar os outros, mas não a mim. — Ele ajeitou os óculos e apontou para Chris. — Ainda não entendi os gnomos, mas vou descobrir.

CHRIS: Do que você tá falando? — Ergueu uma sobrancelha.

McConnor apontou para a estrutura coberta.

MCCONNOR: Isso. Não é sobre fazer um monstro realista. É só pra manter sua fachada.

Chris riu brevemente, balançando a cabeça.

CHRIS: Não exatamente.

McConnor parou, franzindo a testa.

MCCONNOR: Como assim, “não exatamente”?

CHRIS: Bem, queríamos usar o monstro real. — A declaração foi casual. — Mas os estagiários disseram que ele “não aceita ordens” e “não gosta de muita gente no lago”. Então, fomos de monstro mecânico.

McConnor piscou, atônito.

MCCONNOR: Você tá brincando.

CHRIS: Não. Ele é territorial. E sensível.

McConnor ficou boquiaberto, alternando o olhar entre Chris e a estrutura.

MCCONNOR: Isso é ridículo.

CHRIS: Se você acha. — Ele apontou. — Apresse isso, gênio. O desafio começa às oito.

Assobiando uma melodia bizarra, Chris saiu.

McConnor ficou parado, encarando a construção inacabada.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MCCONNOR: Monstro de verdade? Ele só pode estar brincando... mas, ao mesmo tempo, isso explicaria os gnomos. E a cachoeira invertida. — Ele apertou as têmporas, exasperado. Ele estava ficando maluco. — É claro que Chris não me diria se fosse verdade. Esse cara vive pra confundir todo mundo. Eu preciso dormir.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

O sol ainda estava baixo no céu quando os campistas chegaram às margens do Lago Winimakatikahaha, cada um trajando roupas de banho, embora com estilos bem distintos. Por exemplo, Serena tinha um conjunto de alta-costura, enquanto Toby e Cyrus usavam camisetas brancas e bermudas de mergulho. Embora Toby parecia um nadador de 1920.

Chris McLean estava posicionado perto da água, com seu sorriso característico, enquanto McConnor mexia distraidamente em algo escondido sob um tecido.

TOMMY: O que ele tá fazendo aqui? — Ele perguntou, apontando para McConnor com um tom misto de confusão e desdém. — Pensei que tinha sido eliminado.

NACHO: Ei, McConnor! — Acenou alegremente para ele.

McConnor abriu a boca para responder, mas Chris levantou a mão, interrompendo qualquer tentativa.

CHRIS: Estagiários não falam. — Ele deu um sorriso de canto. — Vocês não sabem? Pensei que a fofoca já tivesse se espalhado. Sim, McConnor foi eliminado, mas eu tive a brilhante ideia de mantê-lo como estagiário. Ele foi peça fundamental no desafio de hoje, mas não vou estragar a surpresa.

Chris virou-se para os campistas e gesticulou dramaticamente.

CHRIS: Sem mais enrolação! Aqui está o desafio de hoje! — Ele apontou para dois baús trazidos por estagiários, um verde e um laranja. — Estes são os baús das equipes Pinheiros e Arbustos. Dentro deles está algo muito importante: a invencibilidade!

Os campistas trocaram olhares, alguns ansiosos, outros claramente menos empolgados.

CHRIS: Agora, as chaves para abrir esses baús estão espalhadas no fundo do lago. Misturadas com outras dezenas de chaves inúteis. O objetivo é simples. Vocês vão mergulhar, encontrar as chaves e tentar abrir o baú. O primeiro time a conseguir, vence e o outro vai direto para a Cerimônia de Eliminação.

SERENA: Mergulhar aí? Isso soa nojento. — Ela cruzou os braços, olhando para o lago com desgosto.

Um estagiário apareceu com uma caixa contendo capacetes de mergulho e tanques de oxigênio.

CHRIS: Cada capacete tem comunicação interna. Vocês podem coordenar estratégias ou brigar pelo microfone. Escolha de vocês!

Sem perder mais tempo, Chris apertou uma buzina, o som estridente ecoando pelo lago. Os campistas correram para a água, saltando com entusiasmo... exceto Minyoung.

WILLOW: Minyoung, tá tudo bem? — Ela perguntou, já na água.

MINYOUNG: Eu tive um sonho estranho… sobre o lago.

CYRUS: Ah. — Ele assentiu, compreendendo imediatamente.

HARPER: Sonhos? — Ela cruzou os braços, claramente irritada. — Isso é desculpa pra não fazer nada?

MINYOUNG: Não... só...

HARPER: Certo, cadete. Vamos resolver isso agora. — Saiu da água e agarrou Minyoung pelos braços, arrastando-a para a beira do lago.

MINYOUNG: Não! — Ela gritou, o pânico estampado no rosto.

CYRUS: Harper, para com isso! — Ele correu, tentando intervir.

WILLOW: Solta ela! — Ordenou, sua voz cortando o ar.

Harper parou, mas bufou, soltando Minyoung com relutância.

HARPER: Ela tem que fazer a parte dela. Isso é um desafio.

WILLOW: Não assim. Dá um tempo, Harper. — Ela lançou-lhe um olhar intenso antes de virar-se para Minyoung. — Você pode ficar na margem. A outra equipe também tem cinco membros. Se precisarmos de você, avisamos.

Harper reclamou algo sobre “ineficiência,” mas Nacho e Cyrus a ignoraram enquanto mergulhavam. Minyoung estava trêmula, mas respirou fundo enquanto Willow a ajudava a sentar longe da margem.

*CONFESSIONÁRIO ON*

CYRUS: Harper só piorou as coisas. Minyoung não precisava disso. Harper acha que ser mandona é o mesmo que ser líder. Tá longe disso. — Ajeitou o boné. — Para mim, só confirma que a WIllow deveria ser a líder dessa equipe.

— — —

MINYOUNG: A xerife acha que é minha 엄마? Isso aqui não é um campo de treinamento! Ela tá tentando me forçar a fazer algo que eu já disse que não consigo. É como se tudo o que eu dissesse fosse mudo pra ela. — Ela faz uma pausa, olhando para baixo. — Eu sei que preciso ajudar a equipe, mas... não assim.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Na água, os campistas continuavam mergulhando em busca das chaves.

MOLLY: Nada ainda! — Ela emergiu, sacudindo a cabeça para tirar o excesso de água.

TOMMY: Vou procurar na outra margem! — Ele gritou antes de mergulhar novamente, determinado.

Do outro lado do lago, Serena soltou um grito repentino, atraindo a atenção de todos.

SERENA: Algo tocou minha perna!

SETH: Devem ser peixes. Ou algo assim. Relaxa! — Ele deu de ombros, rindo nervosamente antes de afundar na água de novo.

Enquanto os campistas vasculhavam o fundo, a câmera cortou para Chris e McConnor na margem. McConnor carregava uma caixa pesada com equipamentos, bufando de esforço.

MCCONNOR: Sabe, seria mais eficiente usar um drone submarino pra localizar as chaves.

CHRIS: Claro. E você vai sugerir que eu dê férias pros estagiários também? — Ele riu, malicioso. — Você tá aqui pra trabalhar, McConnor, não pra ter ideias brilhantes.

McConnor colocou a caixa no chão, resmungando algo inaudível.

CHRIS: Agora é sua hora de brilhar, estagiário. Aperta o botão.

MCCONNOR: Que botão?

Chris apontou para um painel improvisado com uma alavanca chamativa.

CHRIS: Esse. Vai.

Com relutância, McConnor obedeceu. O lago imediatamente borbulhou e tremeu, enquanto uma forma escura começou a se mover sob a água.

CHRIS: Perfeito. Agora temos um pouco mais de drama.

A água do Lago Winimakatikahaha ficou inquieta, criando ondas enormes enquanto os campistas paravam de nadar e olhavam ao redor, tensos.

SERENA: O que está acontecendo?! — Ela gritou, segurando o capacete com força.

De repente, uma forma gigantesca começou a emergir da água. Primeiro, uma sombra sinistra. Depois, uma cabeça serpentina com olhos brilhantes e dentes enormes.

MOLLY: É ELE! O protetor do lago! — Ela gritou, vibrando de alegria. — Eu sabia que era real!

Os outros campistas reagiram de forma menos entusiasmada. Serena nadou desesperada para a margem, gritando. Seth congelou no lugar, murmurando algo sobre seus investimentos. Gretchen apenas bufou.

GRETCHEN: Tá, mas isso é meio... malfeito, né? — Ela apontou para uma costura visível na lateral do "monstro" e para as placas metálicas que rangiam cada vez que ele se movia.

CYRUS: Tem algo errado. — Ele estreitou os olhos, analisando os movimentos rígidos da criatura.

McConnor, na margem, explodiu em risadas, dobrando-se de tanto rir.

MCCONNOR: Eu não tô acreditando! A cara de vocês! Impagável!

WILLOW: Do que ele tá falando?

McConnor apontou para o monstro, ainda gargalhando.

MCCONNOR: Não tem monstro nenhum! Sou eu! Eu construí isso!

CHRIS: McConnor! — Ele interrompeu, irritado. — Tá estragando a magia do show.

MCCONNOR: Magia? Por favor! É engenharia. Engrenagens, cabos... uma obra-prima!

Antes que alguém pudesse responder, Nacho gritou ao sentir algo roçar em sua perna. Ele mergulhou por instinto e emergiu segurando uma grande escama iridescente.

NACHO: Então... e isso aqui? — Ele ergueu a escama, que parecia pulsar levemente.

A água borbulhou novamente, e uma forma ainda maior emergiu, com mandíbulas enormes e olhos brilhando com uma luz sinistra.

SERENA: Isso não é mecânico! — Ela gritou, apavorada.

O verdadeiro monstro do lago abocanhou o monstro mecânico com um único golpe, destroçando-o em pedaços que afundaram rapidamente.

MCCONNOR: Isso... não... é possível. — Ele gaguejou, os olhos arregalados. — Eu não construí aquilo!

Chris encarou a câmera, sua expressão lutando para manter a compostura.

CHRIS: Bem, por essa eu não esperava! E isso, pessoal, é o momento perfeito para um intervalo comercial!

Enquanto a criatura rugia e desaparecia nas profundezas, os campistas nadavam para a margem em puro desespero, deixando o desafio em completo caos.

CHRIS: Já voltamos com mais Drama Total: Floresta dos Mistérios!

*Intervalo*

A cena abriu no caos das margens do Lago Winimakatikahaha.

Dois estagiários em botes infláveis agitavam esfregões como lanças, tentando afastar o monstro do lago. Outro, armado com um espanador, gritava enquanto balançava freneticamente.

McConnor estava encolhido atrás de uma árvore, abraçando os joelhos e tremendo como uma folha.

CHRIS: Bem, parece que nosso desafio teve uma pausa inesperada! — Ele anunciou para a câmera, ignorando o caos atrás de si. — Mas fiquem tranquilos, os estagiários estão cuidando disso. O desafio vai voltar aos eixos em breve!

Um grito ecoou quando um estagiário foi arrastado para dentro do lago, desaparecendo nas águas. Chris, imperturbável, manteve o sorriso.

CHRIS: Como eu dizia... logo tudo estará sob controle. Enquanto isso, vamos ver onde os campistas foram parar!

A câmera cortou para os campistas descansando encharcados atrás da cantina. As expressões variavam entre exaustão e irritação.

MINYOUNG: Viu?! Eu sabia que não devia entrar na água! — Ela cruzou os braços, claramente frustrada.

HARPER: Ah, se recomponha, cadete. Você tá fora da água agora.

Minyoung resmungou algo em coreano e sentou-se com um suspiro.

Toby, com sua Polaroid, começou a tirar fotos dos arredores. Quando apontou a câmera para Serena, que ajeitava os cabelos molhados, o clique foi seguido por um grito.

SERENA: O que você pensa que tá fazendo, seu pervertido?! — Ela gritou, cobrindo-se com os braços. — Apaga essa foto agora!

Toby riu nervosamente, recuando enquanto Serena avançava, furiosa.

*CONFESSIONÁRIO ON*

TOBY: Olha, eu sei que pode parecer... errado. Mas uma foto de uma socialite jovem de biquíni? Vai valer uma grana se eu vender como material exclusivo. Que tipo de jornalista eu seria se não capturasse o momento?

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Perto da margem, Willow conversava com Tommy, enquanto Cyrus observava de longe, em silêncio. Finalmente, ele tentou se aproximar.

CYRUS: Sabia que esse lago tem lendas indígenas? Dizem que monstros como esse protegem segredos enterrados.

Willow virou-se, sorrindo.

WILLOW: Adoro quando você traz essas informações. Sempre tem algo interessante.

Tommy percebeu o olhar de Cyrus para Willow e franziu a testa.

TOMMY: Ei, Cyrus. Vem cá. Preciso falar com você. — Ele chamou, apontando para um canto mais afastado.

Cyrus hesitou, mas seguiu Tommy, confuso. Willow observou a cena, desconfiada. Encostando-se em uma árvore, Tommy cruzou os braços.

TOMMY: Tá tentando impressionar a Willow com essas histórias? Nunca vai funcionar.

CYRUS: O que você quer dizer com isso?

TOMMY: Você precisa ser um homem de verdade pra ela te notar.

Cyrus congelou, o coração disparado.

CYRUS: O quê?

TOMMY: Você é todo esquisito, sempre no seu canto. Nem se veste como gente normal. É um lago, cara, e você tá todo coberto. Parece o repórter da outra equipe, mas pelo menos ele é um homem. Willow nunca vai olhar pra você desse jeito.

Cyrus sentiu o calor subir ao rosto.

CYRUS: Eu... — A voz falhou. Ele virou-se e correu, o peito apertado de emoção.

TOMMY: Ei! Não precisa chorar!

Willow apareceu momentos depois, com uma expressão preocupada.

WILLOW: O que aconteceu?

TOMMY: Não sei. Ele é sensível demais. — Deu de ombros.

Willow estreitou os olhos, visivelmente irritada, mas antes que pudesse ir atrás de Cyrus, Chris chamou os campistas.

CHRIS: O desafio está de volta! Reúnam-se na margem.

*CONFESSIONÁRIO ON*

CYRUS: Eu pensei que... aqui... eu poderia ser eu mesmo. — Ele apertou o caderno contra o peito. — Mas algumas coisas nunca mudam, né? Eu achava que o Tommy era só um idiota... mas isso? Foi cruel. Será que ele viu meu binder na água? Tanto faz. Só sei que não foi legal!

- — -

TOMMY: Eu não sei qual o problema daquele garotinho. Eu só quis dizer que ele não é um homem. Ouvi ele dizer ao Nacho que tem 16 anos. Eu e a Willow temos mais em comum. Ela gosta da natureza, eu gosto da natureza! Ela é linda, e eu sou belo! Não é motivo de tanto choro. — Deu de ombros.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Todos, incluindo um Cyrus cabisbaixo, voltaram à margem do Lago Winimakatikahaha. O monstro havia desaparecido nas profundezas, deixando apenas ondulações na água.

CHRIS: Bem, tivemos uma pausa inesperada, mas é hora de retomar o desafio! — Ele abriu os braços teatralmente. — Primeira equipe a abrir o baú vence!

Quando os campistas hesitaram, Chris tossiu dramaticamente.

CHRIS: Estão esperando o quê? Não temos o dia todo. Um milhão de dólares, pessoal!

Essas palavras mágicas fizeram todos mergulharem às pressas, exceto Minyoung, ainda imóvel na margem, segurando o capacete como um escudo.

***

Os campistas nadavam freneticamente, vasculhando o fundo do lago por chaves escondidas entre troncos submersos, algas e pedras. A luz filtrada criava um brilho surreal na água, mas a tensão era palpável.

Seth emergiu primeiro, levantando uma chave com um sorriso vitorioso. Mas, ao testá-la, o trinco do baú nem se moveu.

SETH: Claro que não. — Ele reclamou, atirando a chave de volta ao lago antes de mergulhar novamente.

Serena surgiu logo depois, ajeitando o cabelo molhado com uma expressão de puro desgosto.

SERENA: Isso aqui nem chega perto de Anguilla. — Ela bufou, largando a chave inútil na areia. Gretchen, que ouviu o comentário, bufou.

*CONFESSIONÁRIO ON*

GRETCHEN: Serena acha que ela tá num comercial de protetor solar. Tipo, isso é uma floresta. Não que eu esteja adorando essa experiência também, mas pelo menos eu não esperava drinks com guarda-chuvinha!

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Toby, por outro lado, emergiu triunfante, segurando sua chave como se fosse um troféu. Quando ela também falhou, ele apenas anotou algo em seu bloco encharcado antes de mergulhar novamente.

*CONFESSIONÁRIO ON*

SERENA: Esse desafio não é tão ruim, mas esse lago? Horrível. — Ela suspirou, jogando o cabelo para trás. — Eu nem quero ganhar isso, mas ainda preciso eliminar algumas pessoas antes de sair. O Toby, por exemplo. Pervertido número um do acampamento. Ele vai apagar aquela foto ou pagar caro. Figurativamente, claro. Eu não preciso do dinheiro.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Na outra margem, Willow e Nacho emergiram quase ao mesmo tempo, cada um segurando uma chave.

NACHO: Sua vez, carinha! Tenta aí! — Ele entregou as chaves para Minyoung com um sorriso.

Minyoung hesitou, mas testou ambas as chaves no baú. Nenhuma funcionou.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MINYOUNG: Foi... legal da parte do Nacho. Ele não me pressionou, só me ajudou a encontrar um jeito de participar. Eu não sou tão forte quanto o resto, mas... talvez eu possa fazer minha parte de outro jeito. Não que isso vá impedir a xerife de tentar me jogar na água de novo…

— — —

NACHO: Eu gosto de ajudar as pessoas, sabe? Minyoung tava com medo, mas isso não significa que ela não pode contribuir. Cada um tem seu jeito de fazer parte da equipe. E, se a xerife tivesse um pouco mais de paciência... bom, talvez não estivéssemos perdendo tanto tempo com brigas inúteis.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Enquanto isso, Harper estava de volta ao baú, forçando uma chave na fechadura. Quando ela quase entortou, Minyoung se aproximou.

MINYOUNG: Eu poderia tentar, xerife?

HARPER: Bobagem! Vai mais rápido se eu fizer sozinha!

Antes que Minyoung respondesse, Harper saltou em bala de canhão no lago, jogando água para todos os lados.

*CONFESSIONÁRIO ON*

HARPER: Essa geração com mania de “incluir todo mundo”... Patético! A cadete Minyoung só ocupa espaço. Meu treinamento ensina que sentimentalismo não ganha batalhas. Se ninguém agir, eu vou!

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Gretchen saiu da água bufando, jogando a chave contra a grama molhada.

GRETCHEN: Nada. Essa coisa não gira. Talvez o monstro tenha comido as chaves certas. — Sua voz rouca era carregada de frustração.

Molly, ao lado dela, tentou conter um sorriso.

MOLLY: Ele é o protetor do lago, né? Talvez esteja guardando as chaves.

GRETCHEN: Ou talvez ele só queira que a gente perca.

Na outra margem, Tommy emergiu com uma chave na mão, nadando até o baú dos Pinheiros. Ele tentou girar o trinco, mas nada aconteceu.

TOMMY: Ah, que ótimo. Outra inútil. — Ele lançou a chave perto de Cyrus.

Cyrus, ainda abalado pela conversa com Tommy, pegou outra chave em silêncio. Tentou girá-la no baú, mas sem sucesso.

CYRUS: Não funciona. — Sua voz saiu baixa, quase inaudível.

Willow percebeu o desconforto e tentou animá-los.

WILLOW: Vamos lá, pessoal! Tem mais chaves por aí. Não vamos perder, certo?

Enquanto Cyrus suspirava e voltava para a água, Serena ajustava o cabelo molhado e olhava ao redor.

SERENA: Alguém viu o monstro? Ele sumiu!

Seth emergiu rapidamente, tremendo enquanto segurava uma chave que também não serviu.

SETH: Não quero saber onde ele tá. Quero sair logo daqui!

SERENA: Ah, sério? Quando eu falei isso, você mandou eu relaxar!

SETH: Relaxar? Nesse lago? Só quando isso acabar!

Do outro lado, Nacho entregou outra chave para Minyoung, que testou com delicadeza.

MINYOUNG: Não é essa... — Disse baixinho, olhando para Nacho com um sorriso tímido.

Enquanto isso, algo roçou a perna de Seth assim que ele pegou outra chave. Ele congelou.

SETH: Está atrás de mim, não está?

Uma cabeça gigantesca emergiu da água, e Seth correu para a margem, gritando.

SETH: Por favor, seja a chave certa. Seja a chave certa!

CLINK! O baú abriu, e Seth ergueu os braços, aliviado.

SETH: Baruch Hashem!

Os outros campistas não perderam tempo, nadando para a margem o mais rápido possível. A criatura, satisfeita, mergulhou de volta ao fundo.

***

Já reunidos, Chris se aproximou com um sorriso confiante.

CHRIS: Bem, o desafio chegou ao fim. Parabéns, Arbustos Enigmáticos. Vocês venceram, apesar de todos os contratempos.

A equipe comemorou, e Seth sorriu triunfante.

*CONFESSIONÁRIO ON*

SETH: Eu fui o herói do desafio! Hah! — Ele deu um sorriso convencido. — Claro que fiquei um pouco preocupado. Monstros e eu não combinam. Mas, sinceramente, como vou ganhar dinheiro e conquistar o amor do meu pai se morrer num lago?

*CONFESSIONÁRIO OFF*

CHRIS: Pinheiros Questionadores, é a vez de vocês estrearem na Cerimônia de Eliminação. Vejo vocês ao pôr do sol.

Ele girou nos calcanhares, se afastando, enquanto os campistas começavam a se dispersar.

***

Willow caminhava pela trilha iluminada pelo sol da tarde, seus passos leves, mas determinados. Vemos ela conversando com Tommy, dando um abraço desajeitado e indo procurar Cyrus.

*CONFESSIONÁRIO ON*

TOMMY: Tá, talvez eu tenha pegado pesado. Mas, sinceramente, esse garoto parece feito de vidro. Tudo o que eu disse foi que ele não tem chance com a Willow! E, olha, eu tô certo. Ela é uma garota de ação, e ele... bom, ele não é. Talvez eu tenha sido um pouco... direto demais. Mas, é competição, né? Isso aqui não é terapia de grupo. Tanto faz, eu consegui um abraço da Willow! Haha! — Sorriu, satisfeito.

- — -

WILLOW: Eu tive uma conversa séria com Tommy, há pouco, sobre seja lá o que ele fez com o Cyrus. Somos uma equipe. Não precisamos disso. Ele parecia arrependido, até ofereceu um abraço, e eu aceitei. Mas, no fundo, eu sei que o problema não está resolvido. Tem outra pessoa que precisa da minha atenção.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

WILLOW: Ei, Cyrus. Tudo bem? Você não voltou pra cabine. O que aconteceu?

Cyrus estava sentado atrás dos banheiros comunitários, o diário aberto no colo. Ele rabiscava linhas sem sentido, a expressão fechada. Pego de surpresa, fechou o caderno rapidamente.

CYRUS: Ah, sim... tudo certo.

Willow cruzou os braços, inclinando a cabeça com desconfiança.

WILLOW: Você não parece bem. Foi algo que o Tommy disse, não foi?

Cyrus hesitou, apertando o caderno contra o peito.

CYRUS: Foi... mas não importa.

Willow abaixou-se, olhando diretamente para ele.

WILLOW: Importa sim. Eu sei que ele falou algo idiota. Ele mesmo admitiu isso quando conversei com ele.

Cyrus ergueu os olhos, claramente hesitante.

CYRUS: Você não entende o porquê me afetou tanto, né?

Willow piscou, surpresa.

WILLOW: Não... devia saber?

Cyrus soltou um suspiro longo antes de responder.

CYRUS: Willow, eu sou um homem trans. Você sabe disso, né?

Willow recuou ligeiramente, a surpresa estampada no rosto.

WILLOW: Eu... não sabia.

CYRUS: Desculpa. Achei que você tava sendo transfóbica também. Foi um mal-entendido.

Willow franziu o cenho, balançando a cabeça.

WILLOW: Eu jamais faria isso. Cyrus, olha pra mim. Eu também... sinto uma ligação com a comunidade queer.

Cyrus olhou para ela, curioso.

CYRUS: Tipo...?

Willow desviou o olhar, hesitante.

WILLOW: Digamos que eu ainda tô descobrindo algumas coisas. Mas, voltando ao Tommy, ele não sabe que você é trans. O que ele disse não foi sobre isso. Ele só foi... bem, idiota.

Cyrus soltou uma risada baixa, que virou um suspiro carregado.

CYRUS: Eu estraguei tudo. Me precipitei, tirei conclusões erradas...

Willow deu um sorriso tranquilizador, dando um leve tapa em seu ombro.

WILLOW: Tá tudo bem. Acontece com todo mundo.

CYRUS: Não, não tá. — Ele balançou a cabeça, claramente incomodado. — Eu planejava votar no Tommy hoje à noite.

Willow piscou, surpresa.

WILLOW: Votar nele?

CYRUS: Sim. — Ele deu de ombros, olhando para o chão. — Nacho passou por mim mais cedo, viu minha cara de quem tinha sido atropelado por um urso e perguntou o que aconteceu. Expliquei meio por alto, e ele parecia disposto a me apoiar. Eu ia tentar convencer Minyoung também. Era o suficiente pra eliminar o Tommy.

Willow cruzou os braços, ponderando as palavras de Cyrus.

WILLOW: Bom... ainda bem que você percebeu que não vale a pena, né?

CYRUS: É, não vale. — Ele suspirou novamente, parecendo mais calmo agora. — Mas ainda tem uma eliminação hoje, e alguém vai embora de qualquer jeito.

Willow inclinou-se ligeiramente, um brilho astuto no olhar.

WILLOW: Tem. E, olha, se eu puder ser sincera, tem alguém que eu adoraria ver fora daqui.

CYRUS: Quem?

WILLOW: Harper. — A resposta saiu rápida e direta. — Ela só atrapalha a equipe. E, sinceramente, se for pra alguém sair, que seja ela.

Cyrus pareceu ponderar, esfregando a nuca.

CYRUS: É, não seria uma perda.

Willow sorriu, encorajando.

WILLOW: Então, que tal você me ajudar a espalhar isso? Conversa com o Nacho, a Minyoung... acho que eles vão concordar.

CYRUS: Fechado. — Ele deu um sorriso pequeno, mas genuíno.

Willow deu um leve aceno, já se levantando.

WILLOW: Ótimo. Hora de virar o jogo.

Cyrus ficou sentado por mais um momento, observando enquanto ela desaparecia na direção das cabines.

*CONFESSIONÁRIO ON*

CYRUS: Foi um alívio saber que tudo com o Tommy foi só um mal-entendido. Ainda assim... Willow tá certa. Ele pode não ser transfóbico. Mas ele é um babaca. E eu não quero ficar perto dele. — Ajeitou o boné. — E ela tá certa sobre outra coisa. Harper precisa ir. Se alguém tá atrapalhando a equipe de verdade, é ela.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

A noite chega e a cena corta abruptamente para os Pinheiros Questionadores sentados nos tocos desconfortáveis em frente a fogueira. Chris faz seu discurso de sempre e logo, todos votam.

Sem perder tempo, o apresentador dá pinhas para Nacho, Willow, Cyrus e Tommy, nesta ordem.

Minyoung ajeita os óculos, mais ansiosa que o normal. Xerife Harper não poderia estar mais confiante.

CHRIS: E a última pinha vai para… Minyoung!

A menina agradece em coreano, se curvando e coletando a pinha, enquanto Harper levantou-se de seu toco, os olhos arregalados de incredulidade.

HARPER: Isso é algum tipo de erro. — Ela apontou para Chris com o cassetete. — Vocês precisam contar esses votos de novo. Deve ter sido sabotagem!

Chris deu uma risada curta, claramente divertindo-se com a reação dela.

CHRIS: Sabotagem? Só se você sabotou a si mesma, xerife. Agora, pegue suas coisas e desça a trilha até o Ônibus dos Perdedores.

HARPER: Ônibus dos Perdedores? — Ela cruzou os braços, o tom carregado de desprezo. — Que nome ridículo. Mas... é claro, como xerife, é minha responsabilidade inspecionar veículos estranhos. Nunca se sabe, pode ser perigoso.

Os outros campistas trocaram olhares enquanto Harper tentava recuperar sua pose de autoridade. Minyoung, ainda segurando a pinha, parecia mais aliviada que nunca, enquanto Tommy disfarçava uma risada. Nacho murmurou algo para Willow, que apenas balançou a cabeça em descrença.

CHRIS: Certo, certo, inspecione o quanto quiser. Desde que esteja fora daqui em um minuto.

Harper ajeitou o cassetete no cinto e ergueu o queixo, ignorando completamente o tom sarcástico de Chris.

HARPER: Bom, é isso então. Vocês perderam a única pessoa com verdadeiro treinamento e autoridade. Não sei como vão sobreviver sem mim, mas... boa sorte. — Ela lançou um olhar de superioridade para os Pinheiros antes de se virar dramaticamente.

Enquanto caminhava pela trilha, Chris observou com um sorriso de satisfação.

CHRIS: E assim, os Pinheiros continuam sua jornada... agora sem xerifes para atrapalhar.

Ele virou-se para a câmera com um sorriso conspiratório.

CHRIS: Quem será o próximo a dar adeus? E mais importante... o que mais essa floresta tem reservado para eles? Fiquem ligados, porque as coisas só ficam mais estranhas a partir daqui. Até o próximo episódio de Drama Total: Floresta dos Mistérios!


Notas finais
E chegamos ao fim da jornada da xerife Harper! Ela foi inspirada por várias ideias, mas no final, sua personagem é uma crítica bem-humorada a policiais com excesso de senso de autoridade e falta de ação. O monstro do lago era uma escolha clássica, mas a partir do próximo episódio, preparem-se para criaturas mais... esotéricas e inesperadas. Nada completamente fora do radar, mas com certeza um pouco além do óbvio! Adoraria ler seus comentários <3 Agora, sobre a mensagem secreta: será que você consegue decifrá-la? --- "Hod hud xpd ahulih gh dxwrulgdgh txh qxqfd dfhlwdyd xp qãr, Frp r glvwlqwlyr qr shlwr h r fdvvhwhwh qd pãr. Luulwrx wrgd d vxd htxlsh, txh qãr whyh frpsdlaãr, H yrowrx sdud Hxuhnd vhp r suêplr gh xp plokãr."