Drama Total: Floresta dos Mistérios

Capítulo 9 — cupido estúpIdo

Chris McLean estava sentado em um toco de árvore mal cortado, observando com seu habitual ar de superioridade a movimentação dos estagiários. Eles corriam de um lado para o outro enquanto finalizavam a reconstrução da tenda de café, destruída no episódio anterior. Um dos estagiários, nervoso, se aproximou às pressas, quase derrubando o copo de Iced Americano que entregou com as mãos trêmulas. Chris pegou a bebida e encarou a câmera.

CHRIS: No último episódio de Drama Total: Floresta dos Mistérios, a tão aguardada fusão finalmente chegou! Agora reunidos como um só grupo, Molly decidiu que sua missão pessoal era animar Nacho, que estava mais cabisbaixo do que o habitual. Depois de algumas tentativas frustradas, os dois finalmente sentaram para conversar, e ele abriu o coração, revelando traumas que deixariam até roteirista de novela desconfortável. Cenas comoventes o suficiente pra amolecer qualquer coração… exceto o meu, obviamente. — Ele ajeitou o cabelo com um sorrisinho satisfeito. — Do outro lado da emoção, tivemos o colapso do relacionamento de Tommy e Willow. Após uma sequência embaraçosa de crises de ciúmes e infantilidade, Willow decidiu acabar com o "namoro relâmpago", e ao vivo, com cobertura de todos os ângulos. Brutal! Mas entretenimento de primeira! — Ele gargalhou alto, como se tivesse contado a melhor piada da semana. — E pra fechar o pacote, tivemos um desafio “Batatinha Frita 1, 2, 3” que foi completamente arruinado pelas engenhocas do McConnor, meu ex-estagiário favorito na arte de fracassar. Eu digo ex-estagiário porque, depois dele permitir que o robô dele destruísse minha gloriosa tenda de cafés, tive que pensar numa punição... E o que é mais punitivo do que voltar a ser um campista? — Ele abriu os braços. — E é isso. Com McConnor de volta ao jogo, temos oficialmente oito campistas ainda na corrida pelo milhão. Quem será eliminado hoje?

*Abertura*

Após a cerimônia no Altar dos Antigos Sacrifícios, os campistas retornaram à cabine. McConnor, agora oficialmente reintegrado ao elenco, foi o primeiro a tentar acender a luz, sem sucesso.

MCCONNOR: Ótimo. Outro lugar caindo aos pedaços. Se conheço o Chris, essa cabine deve ser tão instável quanto o humor dele.

Ele parou quando percebeu que todos os outros o encaravam. Era um daqueles silêncios em que qualquer movimento soava suspeito.

MCCONNOR: O que foi? Alguém morreu e esqueceram de me avisar?

Cyrus ajeitou o boné, claramente desconfiado. Nacho, com o jeito educado de sempre, se aproximou e estendeu a mão num cumprimento amigável.

NACHO: Bem-vindo de volta. Quer ajuda com a fiação?

Do outro lado da sala, Molly puxava nervosamente as mangas do suéter, quase tentando desaparecer. Ela desviava o olhar, fingindo um interesse exagerado em qualquer outra coisa, como se isso pudesse torná-la invisível.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MOLLY: Então... o McConnor está de volta. Yay. — Ela forçou um sorriso que mostrou todo o brilho metálico do aparelho, mas que evaporou segundos depois. — Tipo, eu sei que deveria estar feliz, mas não dá pra ignorar o fato de que eu tive um papel enorme na eliminação dele da primeira vez. Ele deve estar me odiando! Será que ele quer vingança? Ai, tomara que não seja rancoroso…

Ela levou as mãos à cabeça, em pânico por um segundo — e então respirou fundo, tentando se convencer.

MOLLY: Não, não, tô surtando à toa. Vai dar tudo certo! Nova fase, novo começo. Dessa vez, a gente pode ser amigos! — Forçou um novo sorriso, mas ele não alcançou os olhos.

— — —

MCCONNOR: Hm. A recepção... foi menos calorosa do que eu esperava. Na real, parece que a maioria preferiria que eu continuasse fora. Mas tudo bem. Eu não tô aqui pra fazer amigos. Não agora. Agora, eu preciso focar em vencer o milhão. E pra isso, tenho que cortar ameaças. E sim, isso inclui a Molly. — Ele fez uma careta discreta. — Não é nada pessoal, exatamente... mas é óbvio que ela tem muita influência. Todo mundo gosta dela. Se ela chegar na frente do Júri, é vitória certa. E eu não vou deixar isso acontecer. — Ele cruzou os braços, convicto.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Na manhã seguinte, a maioria dos campistas estava reunida na cantina, devorando a "especialidade do dia" do Chef Hatchet. Algo entre mingau de cimento e panqueca de papelão. As conversas eram baixas e sonolentas, até que as portas se abriram com um estrondo.

Tommy entrou empurrando uma caixa de som pesada, fazendo um esforço visivelmente doloroso. Era a primeira vez que aparecia sem a tipoia desde o incidente da flechada, mas seu braço ainda não parecia pronto pra ação e cada passo vinha acompanhado de um grunhido abafado de dor.

WILLOW: Tommy? O que você tá fazendo? — Seu tom era inicialmente de preocupação genuína. Mas, ao notar a caixa e o olhar dramático dele, sua expressão mudou. — Ai, não. Isso não é o que eu tô pensando…

Tommy ligou a caixa de som. Uma música melosa, romântica e exageradamente piegas começou a tocar. Ele ergueu um cartaz gigante, com letras coloridas e vários corações tortos desenhados à mão: "Willow, você é minha batatinha frita 1, 2, 3!"

Em seguida, começou a cantar esganiçado, como se estivesse se apresentando num karaokê depois de três energéticos.

TOMMY: "Willow, você é a luz do meu dia, a estrela da minha noite! Sem você, eu sou como um muffin sem glacê, uma batata sem sal, um—"

Willow, sentada com Minyoung e Molly, ergueu uma sobrancelha. Minyoung parecia estar presenciando um acidente em câmera lenta. Molly, por outro lado, parecia sinceramente emocionada, com a boca aberta e os olhos brilhando.

WILLOW: Tommy, você tá falando sério? — Ela cruzou os braços, a expressão entre o tédio e o desprezo. — Isso é patético. E pra constar, eu não sou sua batatinha frita. E nem sua estrela. — Ela fez uma pausa breve. — Na real, esse seu crush em mim tá mais pra um saco de batatas velhas: pesado, inútil e que devia ser jogado fora.

TOMMY: Mas, Willow, eu mudei! Eu juro! Não sou mais aquele cara ciumento e infantil! — Ele tentou dar um passo em direção a ela, mas Willow levantou a mão, parando-o no ato.

WILLOW: Tommy, você não mudou. Você só trocou a tipoia por uma caixa de som. E, sinceramente? A tipoia era menos irritante. Aliás… onde você achou isso?

TOMMY: Encontrei no armário da cabine. O McConnor consertou pra mim. Ele tava entediado, e… — Ele balançou a cabeça, tentando voltar ao foco. — Mas isso não importa! Você não tá vendo que eu tô tentando?

Willow bufou, levantou-se e foi para o canto do refeitório, sem dizer mais nada. Cyrus, que observava tudo de longe com o diário nas mãos, fechou o caderno devagar.

CYRUS: Bem, isso foi... educativo. — Disse, quase sorrindo.

Molly, tentando ajudar, se aproximou de Tommy e colocou a mão no ombro dele.

MOLLY: Ei, Tommy, não desanima! Todo mundo leva um fora de vez em quando. Tipo, uma vez eu tentei convencer meu vizinho de que podia costurar um suéter pro poodle dele. Ele recusou dizendo que o bicho já tinha pelo demais! Absurdo! Mas eu insisti, e no fim ele deixou. E o poodle ficou lindo. Moral da história: perseverança! Você vai conseguir também!

Tommy apenas a encarou, exausto.

TOMMY: Molly… isso não ajudou.

Sentado à outra mesa, Seth bebia seu café matinal e aproveitava cada segundo da vergonha alheia.

SETH: Cara, tu precisa de aulas. De canto e de autoestima. Ou talvez de atuação, não sei. — Ele riu e olhou pra Willow. — Mas, sério, Willow, o cara tá se esforçando. Você podia dar uma chance… Mesmo que seja só pra evitar mais cenas como essa.

WILLOW: Se você gosta tanto assim, por que não namora ele? — Respondeu com um sorriso seco.

SETH: Não tá mais aqui quem falou. — Disse levantando as mãos, ainda rindo, mas agora em silêncio.

*CONFESSIONÁRIO ON*

TOMMY: Eu só queria mostrar pra Willow que eu mudei. Que eu não sou mais aquele cara ciumento e infantil de… sei lá, ontem. — Ele suspira. — Mas parece que tudo que eu faço só piora. Talvez... talvez eu devesse ter ficado com a tipoia. Porque, sério, meu ombro tá latejando.

— — —

CYRUS: Isso foi… revelador. Tommy claramente ainda não entendeu que a Willow não quer mais saber dele. E isso... abre espaço. — Ele inclinou a cabeça, confiante. — Willow é inteligente, forte, e tem bom gosto. Ela merece alguém à altura. E eu? Bem, digamos que tenho umas cartas na manga.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Tommy, com o ego em frangalhos, desligou a caixa de som e dobrou o cartaz com cuidado, como se estivesse enterrando um pedaço de esperança. Olhou uma última vez para Willow que já estava conversando com Minyoung como se nada tivesse acontecido.

TOMMY: Tá bom, tá bom... eu vou embora. — Murmurou, arrastando os pés para fora da cantina.

Molly tentou ir atrás dele, mas Willow segurou seu braço com firmeza.

WILLOW: Deixa ele, Molly. Não vale o esforço.

Molly hesitou, mas acabou se sentando de novo, lançando um último olhar preocupado para a porta. Cyrus, por outro lado, parecia mais satisfeito do que nunca.

***

Mais tarde, nos arredores da cabine, McConnor observava a movimentação dos campistas com olhos atentos. Ele ajeitou o jaleco amarrotado, ajustou os óculos com um puxão quase automático e respirou fundo antes de começar a andar, tentando parecer confiante enquanto se aproximava de Minyoung.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MCCONNOR: Como eu disse, meu objetivo principal desde que voltei é simples: eliminar as maiores ameaças. Mas pra fazer isso, preciso de votos. Apoio. Alianças. Então, vou tentar me conectar com quem não era da minha equipe antiga. Quem sabe eles me aceitam? Nunca se sabe. Esse jogo muda rápido. — Ele dá de ombros, tentando parecer relaxado. — Estratégia básica. Ou eu jogo... ou sou jogado.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

McConnor se aproxima de Minyoung, que está sentada num tronco caído, ocupada com um livro surrado. Os óculos parecem grudados no rosto, e sua postura é tão concentrada que chega a formar uma barreira invisível ao redor. Mesmo assim, ele se aproxima.

MCCONNOR: Minyoung, né? Você é aquela que fala pouco, certo? Ou é a que fala demais? Eu sempre confundo. — Ele tenta sorrir, mas o sorriso sai torto, meio forçado.

MINYOUNG: Eu falo o que é necessário. — Ela responde sem olhar para ele, os olhos fixos na página. — E não quero ser grossa, mas... você precisa de alguma coisa?

MCCONNOR: Justo. — Ele dá de ombros, fingindo indiferença, embora a frustração transpareça. — Na real, não preciso. Só queria oferecer minha... amizade. Caso precise de ajuda com algo, tipo consertar uma coisa. Ou explodir uma, dependendo da vibe. Eu sou flexível.

Minyoung não responde. Apenas vira a página com um movimento lento e deliberado, como se dissesse silenciosamente: "Pode ir dando meia-volta."

A alguns metros dali, Seth estava sentado numa pedra, acompanhando tudo como se fosse uma peça de teatro barato. Ele tomou um gole de uma lata de refrigerante suspeita antes de abrir um sorriso malicioso.

SETH: McConnor, você tá tentando fazer amigos... ou assustar todo mundo? Sério. Tô na dúvida. — Ele riu, estalando a língua.

MCCONNOR: Ah, Seth. Sempre com um comentário espirituoso. — O tom dele soava entre sarcástico e irritado. — Mas fala sério, você não acha que eu mereço uma segunda chance? Tô aqui pra competir igual todo mundo. Eu quero ganhar o milhão tanto quanto você.

Seth deu uma risadinha curta e se levantou, sacudindo as migalhas da roupa.

SETH: Olha, não sei se você quer ganhar “tanto quanto eu”. Mas é uma boa tentativa. — Ele começou a se afastar, acenando vagamente com a mão. — Vai lá. Continua tentando ser amigo da galera. Vai ser divertido ver no que dá.

McConnor ficou parado, observando o outro sair com uma expressão indecifrável. Era difícil dizer se ele estava irritado, decepcionado ou apenas cansado.

*CONFESSIONÁRIO ON*

SETH: Não sei o que pensar do McConnor. Tipo, ele era da minha equipe antes. E, sim, eu votei pra ele sair, mas nada pessoal. Só jogo. Também não tenho nada que me faça querer que ele fique. — Ele deu de ombros. — Honestamente? Se ele desaparecesse de novo, eu não reclamaria. Mas, se fosse eu no lugar dele, forçado a tentar socializar com pedras, arbustos e gente que quer te eliminar... também ia me agarrar a qualquer oportunidade. Respeito o esforço. Só não confio.

— — —

MCCONNOR: Tá, isso vai ser mais difícil do que imaginei. Ninguém aqui tenta me dar uma chance real. — Ele suspira e coça o queixo. — Talvez o Nacho. Ele parece mais educado. E eu consertei a caixa de som do Tommy, isso deve valer algo. — Ele pausa. — Embora... aquilo resultou no vexame da Willow. Foi… indiretamente culpa minha. — Ele massageia as têmporas com força. — Ok. Eu resolvo. Só preciso me manter no jogo. Nem que seja na base do improviso.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Na manhã seguinte, o céu estava limpo e o sol mal havia nascido quando a voz de Chris McLean ecoou pela floresta como um alarme, chamando os campistas para mais um desafio. Horas depois, os oito finalistas estavam reunidos em um campo desmatado, diante de uma estrutura metálica gigante que parecia recém-instalada. No centro, uma construção de platina reluzente dominava a paisagem.

Um túnel metálico enorme, com aparência de se estender por quilômetros, jazia no centro do campo. Sua entrada lembrava a porta de um cofre de banco. Chris exibia um sorriso orgulhoso enquanto os campistas observavam a cena, alguns intrigados, outros preocupados. Cyrus foi o primeiro a entender.

CYRUS: Uh-oh… isso aí é o…

CHRIS: O Túnel do Amor? Parte central do clássico desafio de Drama Total em Dose Dupla? Pois é, Cyrus. Você é tão esperto! — O tom de Chris era irritante, quase paternalista, como se estivesse lidando com uma criança animada demais.

Willow cruzou os braços com força ao ouvir a palavra amor. Tommy arqueou uma sobrancelha, confuso, tentando entender o que aquilo significava.

MCCONNOR: Chris, eu não tenho muito tempo pra ver o programa, ocupado sendo um homem da ciência e tal… Como esse tal de “Túnel do Amor” funciona mesmo?

Chris revirou os olhos diante da audácia do ex-estagiário, mas aproveitou a deixa para fazer o que mais gostava: discursar dramaticamente.

CHRIS: É simples. O objetivo é atravessar o túnel e chegar do outro lado. Parece fácil, né? Mas isso aqui é Drama Total! Claro que vai ter obstáculo. O maior deles? Amor. — Ele levantou o dedo como se fosse fazer uma revelação científica. — Lá dentro, vocês vão encarar armadilhas, distrações e todo tipo de manifestação romântica. E, lembrem-se: essa é a floresta de Tipikanizaw. Por aqui, o amor vem com pitadas generosas de caos sobrenatural.

Os campistas trocaram olhares, metade alarmados, metade descrentes.

CHRIS: Ah, e tem mais! Vocês vão competir… em duplas! — Ele fez “mãos de jazz”, como se isso fosse a melhor notícia da semana. — Quem esperava algo diferente, claramente nunca assistiu esse programa.

Chef Hatchet surgiu ao lado dele segurando uma bolsa de estopa decorada com corações e adesivos de Dia dos Namorados, como se tivesse sido saqueada da seção de liquidação de uma loja temática.

CHRIS: Aqui dentro, temos os nomes de vocês. E, como sempre, deixaremos a floresta decidir. Algo me diz que Tipikanizaw está no clima de um bom escândalo amoroso…

Chris virou o saco e deixou os papéis caírem no chão. Sem nenhuma explicação lógica, os nomes se rearranjaram sozinhos, formando pares. Ninguém questionou. Eles já estavam acostumados com esse tipo de absurdo.

CHRIS: Vamos aos pares! Primeira dupla: Tommy e Willow!

WILLOW: Ah, qual é! — Respondeu na hora, como se tivesse recebido uma sentença de prisão perpétua.

TOMMY: YES! — Gritou, visivelmente radiante, como se tivesse acabado de ganhar um milhão antes do desafio começar.

CONFESSIONÁRIO ON

WILLOW: Túnel do Amor. E com o Tommy. Perfeito. — Ela passou a mão na testa, exausta. — Não tô no clima pra romantismo de reality show. E se ele tentar alguma gracinha, eu juro que deixo um fantasma cuidar dele lá dentro.

— — —

TOMMY: Isso é o destino! Claramente, a floresta, o universo e os produtores querem que a gente fique junto. É o momento de provar que somos o casal perfeito. Agora é minha hora de brilhar! — Ele sorriu como se estivesse num comercial.

CONFESSIONÁRIO OFF

Chris continuou lendo os pares. Cyrus e Nacho se entreolharam e bateram as mãos num “toca-aqui”. Molly e McConnor reagiram com um sorriso desconfortável. Seth e Minyoung se limitaram a um aceno respeitoso.

CHRIS: Então é isso! A primeira dupla a atravessar o túnel ganha imunidade, válida para os dois! Preparem-se, alinhem-se…

Os campistas se posicionaram diante da entrada. Mas, antes que Chris desse o sinal, ele levantou a mão.

CHRIS: Ah, quase esqueci! — Ele deu uma risadinha. — Tenho mais uma notícia.

SETH: Outra? — Ele murmurou, ainda em posição de largada, como se estivesse pronto para sair correndo a qualquer segundo.

CHRIS: McConnor tem imunidade nesta rodada! Não pode ser eliminado!

O ex-estagiário piscou, surpreso. Os outros campistas reagiram com uma mistura de frustração e descrença, como se alguém tivesse alterado as regras no meio do jogo. O que, tecnicamente, era o caso.

CHRIS: Sim, eu sei… também adoraria ver ele ser eliminado de novo, mas vamos ser honestos. Vocês iriam votar nele hoje. E a produção quer ver mais caos antes disso. E eu sou um homem de espetáculo. Então por hoje… ele tá salvo.

MCCONNOR: Isso é... ótimo. Eu acho. — Ele pareceu não saber se comemorava ou corria para longe.

CHRIS: Mas é só por hoje! E Molly? Isso não te protege. Você ainda precisa vencer o desafio, então foco total, entendido?

Molly assentiu com um sorriso amarelo.

CHRIS: Agora sim. Preparados? Valendo!

Os campistas dispararam em direção ao túnel. A câmera acompanhou a debandada antes de voltar para Chris, que encarava diretamente o público.

CHRIS: O que será que a floresta vai aprontar hoje? Túnel do Amor, drama forçado e sobrenatural à solta… Isso é o que eu chamo de entretenimento. Não saiam daí! Voltamos já com mais Drama Total: Floresta dos Mistérios!

*Intervalo*

A câmera corta para o interior do Túnel do Amor, onde o caos já estava instalado. O lugar parecia uma fusão bizarra entre um parque temático de Dia dos Namorados e um pesadelo visual direto dos anos 80.

Um rio espesso de chocolate fluía preguiçosamente pelo centro do túnel, exalando um cheiro enjoativo de cacau artificial. Almofadas em formato de coração explodiam em nuvens de purpurina e pétalas a cada passo, como se o chão fosse coberto por minas terrestres de amor. Bombas decorativas pendiam do teto em forma de coração, prontas para estourar confetes e doces na menor provocação.

Molly girava no lugar como uma criança, absorvendo cada detalhe com os olhos brilhando.

MOLLY: Isso… isso é tudo que eu sempre sonhei! Olha essas luzes, esses corações gigantes! — Ela estava visivelmente emocionada, com a voz tremendo de empolgação. — Isso é romance DE VERDADE!

Ao lado dela, McConnor andava com passos contidos, a expressão de puro tédio estampada no rosto. Ele observava o teto como quem repensa todas as decisões que o levaram até ali.

De repente, uma flecha assobiou no ar e atingiu uma almofada ao lado de Molly. A almofada explodiu em glitter e pétalas, criando uma nuvem cintilante. Um pequeno cupido flutuava acima, rindo com prazer enquanto já mirava sua próxima vítima.

SETH: Ah, eu me rendo! Eu sou inocente, seu polícia! — Gritou, instintivamente, se jogando no chão.

NACHO: AAAAHHH! — O grito veio com mais trauma do que pânico. Ele já tinha visto coisas demais na vida.

CYRUS: O que está acontecendo?!

Logo, uma enxurrada de flechas começou a atravessar o túnel. Minyoung ajustou os óculos, tentando confirmar se sua visão estava realmente vendo aquilo.

MINYOUNG: Isso são… cupidos? De verdade?

Voando por toda parte estavam pequenas criaturas rechonchudas, com bochechas coradas, asas de penas e fraldas. Mas, diferente de bebês normais, esses cupidos tinham mira certeira, disposição assassina e pareciam sedentos por drama.

Foi quando Tommy teve a “brilhante” ideia.

TOMMY: Ei! Ei! Aqui! Me acerta! — Ele corria em zigue-zague, os braços no ar, tentando atrair um dos cupidos como se fosse uma isca humana.

WILLOW: O quê?! Você tá implorando pra ser atingido por uma flecha de AMOR MÁGICO?! — O tom dela estava obviamente incomodado.

TOMMY: Claro! Se eu for atingido, e você também for, aí você vai se apaixonar por mim de vez! É perfeito!

WILLOW: Espera... você quer que um cupido FORCE sentimentos em mim?! Você acha que isso é amor?! — Ela agarrou o braço dele, os olhos estreitos e o maxilar travado. — Amor tem que ser construído. Genuíno. Não um efeito colateral de uma flecha mágica disparada por um bebê voador!

Ela deu um passo para trás, o olhar de desgosto nítido.

WILLOW: Sério, Tommy... eu tô com nojo de você por achar que isso é romântico.

TOMMY: Calma! Não foi isso que eu—!

Ele mal conseguiu terminar a frase. Um cupido, aproveitando a distração, disparou uma flecha. O projétil ricocheteou numa parede espelhada, desviou de Willow por milímetros… e cravou direto em uma árvore decorativa, toda enfeitada com corações, pisca-piscas e laços vermelhos.

Um segundo de silêncio. Então, Tommy virou-se lentamente. Seus olhos brilharam.

TOMMY: Você… você é a árvore mais linda que eu já vi. — Ele deu um passo hesitante, depois mais dois, até abraçá-la com toda a emoção de um protagonista de novela.

Ele acariciou a casca como se fosse seda.

TOMMY: Eu nunca vou te deixar, minha querida. — Sussurrou, segurando uma luz piscante como se fosse a mão da amada.

Willow ficou parada, boquiaberta. Depois deu um passo para trás, incrédula.

WILLOW: Inacreditável. Ele realmente se apaixonou por uma árvore. — Ela falou baixo, mais pra si mesma do que pra qualquer um.

O cupido flutuava acima, gargalhando e batendo palmas antes de desaparecer num rasgo de luz cor-de-rosa.

*CONFESSIONÁRIO ON*

WILLOW: Eu não sei o que é pior: ele querer usar magia pra me manipular ou ele agora estar apaixonado por uma planta artificial. — Ela passou a mão no rosto, exausta. — Sério. Eu tentei. Eu tentei muito. Mas não dá.

— — —

CYRUS: Ok… isso foi insano. Mas vamos ser honestos: se isso não acabar de vez com as chances do Tommy, nada vai. Isso abre espaço pra mim. Agora é minha chance. Nada de sabotagem, nada de drama. Só foco. Eu e Willow… é só questão de tempo. — Ele ajeitou o boné, confiante.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Willow puxava Tommy pelo braço túnel adentro, o arrastando como se fosse uma criança teimosa. As luzes rosa e vermelhas oscilavam pelo metal ondulado das paredes, que estavam cobertas de corações brilhantes e decalques absurdamente cafonas com frases como “O amor está no ar” e “Beije-me aqui!”, acompanhadas de setas sugestivas.

TOMMY: Eu não consigo mais... preciso voltar pra ela, Willow! — Ele suspirou, dramático, como se estivesse atuando numa novela mexicana. — Ela me entende!

Willow parou bruscamente, girando nos calcanhares. Com o dedo indicador, acertou o centro do peito de Tommy com força suficiente pra fazê-lo dar um passo pra trás.

WILLOW: Ela é uma árvore decorativa, Tommy. Uma árvore! — Bufou e massageou as têmporas. — Se você continuar com essa palhaçada, eu juro que vou te arrastar pelos tornozelos até a linha de chegada.

TOMMY: Você não entende… eu e ela temos uma conexão. Quando o vento balança as folhas dela, é como se estivesse sussurrando meu nome…

WILLOW: Ótimo. Perfeito. Que romântico. Agora anda logo, antes que algum cupido resolva te fazer se apaixonar por um poste de luz!

Willow voltou a caminhar determinada, puxando Tommy, que relutava e olhava por cima do ombro, com saudade no olhar, como se esperasse que sua “amada” estivesse lá, piscando de volta.

*CONFESSIONÁRIO ON*

WILLOW: Eu já sabia que fazer dupla com o Tommy seria um desastre, mas isso? Isso tá em outro nível. Se ele falar mais uma vez daquela árvore, eu juro que vou plantar ele no chão. Literalmente. Enterrar. Regar. E deixar ali pra sempre.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

A cena corta para Cyrus e Nacho, que acabam de chegar à beira de um riacho espesso de chocolate derretido. O líquido borbulhava devagar, lançando vapores doces e suspeitos. Do outro lado, dois pedalinhos em forma de cisne os esperavam. Seus olhos de plástico brilhavam de forma desconfortante, como se soubessem de algo.

CYRUS: Ah, claro. Pedalinhos. Por que não? Que parte de “túnel do amor” não envolveria brinquedos aquáticos em chocolate fervente?

NACHO: Olha pelo lado bom. Pelo menos não é areia movediça ou uma piscina de gosma verde com tentáculos. — Ele pulou para dentro do pedalinho com animação inesperada. — Bora!

Os dois começaram a pedalar, mas a resistência do chocolate fazia cada giro parecer um treino. Mal haviam avançado quando uma fileira de sapos surgiu na borda do pedalinho, vestindo gravatinhas coloridas. Antes que pudessem reagir, os sapos começaram uma serenata em uníssono.

SAPO 1: "Você nunca vai encontrar um amor como o meu, bebêêê!"

A voz era rouca, intensa, e completamente fora de tom. Cyrus recuou, tentando afastar um dos sapos com a mão, mas eles continuavam se aproximando, pulando ao redor com entusiasmo.

CYRUS: Isso não tá certo... Isso tá muito errado. Quem aprova esse tipo de ideia? Isso precisa ser ilegal em pelo menos três países.

NACHO: Cyrus?

CYRUS: O que foi agora?

NACHO: Acho que um deles acabou de me pedir em casamento.

Um sapo mais robusto, vestindo uma cartola minúscula e um lenço de cetim rosa, subiu na proa do pedalinho. Olhou fixamente para Nacho com olhos úmidos e voz apaixonada.

SAPO 2: Diga que seremos eternos, Nacho… Serei seu príncipe encantado!

NACHO: Uhhh... eu... não tô pronto pra esse tipo de relacionamento, cara.

Enquanto os sapos continuavam a cantoria, Cyrus perdeu a paciência. Ele arrancou um pedaço solto da lateral do pedalinho e começou a empurrar os anfíbios para fora, um a um.

CYRUS: Chega. Acabou. Vocês podem cantar lá na sapolândia, mas longe de mim!

Com esforço, a dupla finalmente alcançou a margem oposta. Saíram do pedalinho ofegantes, cobertos de chocolate até os joelhos, exaustos física e mentalmente.

*CONFESSIONÁRIO ON*

NACHO: Olha, eu sou uma pessoa receptiva, ok? Mas aquele sapo tava levando as coisas a um nível que nem eu tô preparado. O bicho tava apaixonado. Apaixonado. E eu só queria atravessar um túnel! — Ele balançou a cabeça. — Primeira vez que recebo um pedido de casamento… e é de um anfíbio. A vida é doida.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Enquanto isso, Molly e McConnor avançavam pelo túnel, agora atravessando uma seção decorada com corações infláveis pendendo do teto e fumaça cor-de-rosa saindo de canos escondidos nas paredes.

MCCONNOR: Ugh. Como você consegue gostar disso? Isso é uma aberração cromática. — Ele tirou os óculos, limpou as lentes e colocou de volta, como se esperasse que a visão absurda sumisse por milagre.

MOLLY: Tá, talvez seja um pouquinho brega… — Ela olhou ao redor, tentando forçar um sorriso. — Mas olha pelo lado bom! Podemos transformar isso numa aventura. E, quem sabe, nos conhecermos melhor!

McConnor parou de repente, cruzando os braços, e lançou para ela um olhar cético.

MCCONNOR: Aventura? Molly, eu tenho imunidade. — Ele bateu levemente no peito, orgulhoso. — Meu único objetivo é sair do outro lado inteiro e sem ser esmagado por alguma almofada assassina em forma de coração.

MOLLY: E o espírito esportivo? Superar limites? Crescimento emocional?

MCCONNOR: Ah, claro. Porque nada diz "autoconhecimento" como um cupido armado e um festival de purpurina tentando me forçar a desenvolver sentimentos. — Ele apontou discretamente para Tommy ao fundo, ainda obcecado por sua árvore.

Molly parou, plantando os pés no chão e cruzando os braços num gesto teimoso.

MOLLY: Você tá sendo MUITO negativo. A vida é feita de altos e baixos. Além disso... você não quer me ajudar a ganhar imunidade? Pense como uma aliança estratégica!

MCCONNOR: A gente tá preso num desfile de cafonice emocional. Eu só quero manter minhas expectativas bem baixas pra não me decepcionar quando tudo explodir, literalmente.

Antes que Molly pudesse retrucar, as luzes ao redor começaram a piscar em vermelho, e uma sirene ecoou pelo túnel. Em segundos, quatro paredes metálicas se ergueram ao redor deles, selando o espaço. No centro, revelava-se uma sala decorada como um restaurante chique demais pra ser de verdade: lustres de cristal, uma mesa longa coberta de velas aromáticas e um banquete que parecia saído de um catálogo de casamento. Uma melodia suave tocava ao fundo.

MOLLY: Ok… isso parece meio fofo? Romântico, talvez?

MCCONNOR: Romântico demais. E nesse lugar, isso só pode significar problema.

A porta oposta rangeu. Um urso gigantesco entrou, trajando um smoking preto e segurando uma rosa vermelha entre os dentes. Seus olhos brilhavam com intensidade perturbadora.

Molly e McConnor se entreolharam por um segundo de silêncio absoluto.

MOLLY: Ok. Vamos correr agora. Tipo, AGORA.

MCCONNOR: Finalmente, uma ideia sensata saindo da sua boca!

O urso cuspiu a rosa no chão, soltou um rosnado que sacudiu a mesa posta e avançou. Os dois saltaram por cima dos talheres e travessas, derrubando candelabros e pratos de fondue enquanto corriam desesperados pela sala.

MOLLY: Isso é oficialmente o pior encontro da minha vida!

MCCONNOR: Por isso que eu prefiro aplicativos de namoro! Nenhum deles tenta te devorar no final!

Ao final do salão, avistaram uma porta estreita meio oculta atrás de uma cortina. McConnor correu até ela, girou a maçaneta com força, empurrou Molly para fora e bateu a porta atrás deles segundos antes do urso se chocar contra ela.

Ambos ficaram ofegantes, encostados na parede, enquanto a madeira atrás vibrava com os impactos.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MOLLY: Ok, o McConnor pode ter razão sobre esperar o pior. Mas mesmo assim… a gente sobreviveu. E foi juntos. Isso deve significar alguma coisa, né? Tipo, foi uma parceria forçada, mas parceria ainda.

— — —

MCCONNOR: Eu odeio riscos desnecessários. Mas quando você tá sendo perseguido por um urso de terno e gravata, o ceticismo não ajuda muito. Tive que confiar na Molly... por cinco minutos. Já foi mais do que eu queria.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

De volta ao túnel, Molly ajeitou os cabelos bagunçados e deu um sorriso animado para McConnor, ainda se recuperando da corrida.

MOLLY: Tá vendo? Trabalhamos juntos. Sobrevivemos. Talvez sejamos uma dupla funcional.

MCCONNOR: Ou talvez tenhamos só dado sorte. Mas… ok. Foi menos pior do que eu esperava.

MOLLY: Isso é o mais próximo de um elogio que eu já ouvi de você. Vou aceitar.

Eles continuaram pelo túnel, pisando com mais cuidado, mas um pouco mais sincronizados. Ainda discutiam sobre tudo, mas agora, pelo menos, estavam discutindo lado a lado.

***

Willow arrastava Tommy pelo túnel com passos apressados, os olhos semicerrados de puro estresse. Sua expressão era uma mistura explosiva de frustração e exaustão. Com os cabelos ruivos ainda mais bagunçados do que o habitual e a camiseta suja de chocolate e purpurina, ela parecia prestes a largar tudo e sair correndo.

A cada dois passos, Tommy tropeçava em alguma almofada em forma de coração ou escorregava em confete, enquanto continuava virando o pescoço para trás, tentando olhar uma última vez para sua “amada” árvore decorativa.

TOMMY: Você acha que a árvore tá bem? E se ela estiver… se sentindo sozinha? Tipo, abandonada? — Ele suspirou, como se estivesse narrando uma tragédia grega.

Willow parou de forma brusca, virando-se com um olhar fulminante.

WILLOW: Você tá de brincadeira, né, Tommy?! A gente tá num desafio valendo imunidade! E tudo que você consegue pensar é numa árvore de plástico que nem sabe que você existe?!

TOMMY: Tem certeza que ela não sabe? A conexão parecia real...

Willow fechou os olhos, respirou fundo e esfregou a ponte do nariz como se tentasse impedir um surto.

WILLOW: Olha, Tommy... não é pessoal. Mas enquanto você continuar grudado em mim como um chiclete, minhas chances de vencer esse programa estão mortas. E olha que eu já enterrei muita coisa na vida. — A voz dela ficou mais baixa e sombria do nada.

Tommy piscou, confuso com o comentário mórbido, mas antes que conseguisse processar, Willow já havia retomado a caminhada, deixando-o para trás. Ele suspirou, chutou uma almofada de coração que voou pateticamente... e logo a abraçou.

TOMMY: Pelo menos a árvore nunca me diria isso...

Ele apertou a almofada contra o peito como se fosse sua planta querida, encarando o nada com ar melancólico.

*CONFESSIONÁRIO ON*

WILLOW: Sim, ok, eu me sinto um pouco culpada... Mas só um pouco. O Tommy simplesmente arruína todos os desafios. Eu não vim até aqui pra brincar de terapeuta com um garoto carente. Eu quero aquele milhão. E se isso significa manter distância dele... assim seja. Mesmo que seja de forma... permanente.

— — —

TOMMY: Tá, talvez eu esteja distraído. Mas a árvore... ela entende. Diferente de certas pessoas. — Ele faz biquinho. — Eu só queria vê-la mais uma vez... Nem que fosse pra me despedir direito.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

A câmera corta para Minyoung e Seth, que, contra todas as expectativas, avançavam surpreendentemente bem. Corriam em sincronia, desviando de obstáculos coloridos, pulando almofadas traiçoeiras e escapando de armadilhas com precisão cirúrgica.

MINYOUNG: Você percebeu que a gente tá sendo a dupla mais eficiente até agora?

SETH: É. Talvez porque eu não tô preso num triângulo amoroso com uma planta falsa. — Ele lançou um olhar de lado, ajeitando o terno amarrotado.

Eles pararam diante de uma ponte estreita de corda suspensa sobre uma piscina de chocolate derretido que borbulhava ameaçadoramente.

MINYOUNG: Devagar. Vai você primeiro.

Seth assentiu e começou a atravessar, equilibrando-se. Ao pisar no outro lado, o túnel escureceu de repente, e a música romântica aumentou de volume. Cupidos armados até os dentes surgiram das sombras, rindo de forma inquietante.

MINYOUNG: Ah não. Cupidos. De novo não.

SETH: Eles tão com munição nova! Eu vi glitter duplo naquela aljava!

Seth disparou de volta para o lado de Minyoung, jogando-se atrás de uma almofada gigante com ela. As flechas voavam ao redor, explodindo em purpurina, faíscas e corações flamejantes ao atingir qualquer superfície.

MINYOUNG: Estamos cercados! — Ela espiou por cima da almofada, tentando calcular a rota de fuga.

SETH: A gente precisa correr. Juntos. Ou você quer virar purpurina também?

Eles se entreolharam rapidamente.

MINYOUNG: Tá. No três. Um, dois—

SETH: Agora!

Sem esperar, Seth disparou com Minyoung logo atrás. As flechas passavam zunindo, raspando os ombros e as pernas, mas milagrosamente nenhuma os atingiu. Uma flecha até acertou o terno de Seth de raspão, deixando um buraco e um cupido frustrado gesticulando no ar.

Do outro lado, ambos pararam para recuperar o fôlego.

MINYOUNG: Você corre bem pra alguém que insiste em usar terno, oppa.

Ela corou discretamente, surpresa com o próprio comentário.

SETH: Valeu. Ninguém nota, mas correr de cupidos assassinos é meu novo talento oculto. — Ele deu um sorriso torto e piadista, ainda ofegante.

Eles seguiram em frente, agora mais próximos da saída do túnel. Caminhavam lado a lado, atentos ao que ainda podia surgir

O túnel começou a tremer, e uma névoa rosa-dourada se espalhou como um gás perfumado e suspeito, cobrindo o chão, subindo pelas paredes e envolvendo o ar em um brilho esquisito. Flocos luminosos em forma de corações flutuavam ao redor, criando uma atmosfera que parecia saída de um sonho brega. A música ambiente desacelerou, virando uma balada romântica lenta e exageradamente sentimental.

MINYOUNG: Ótimo… névoa mágica. Porque é claro que precisava piorar. — Ela resmungou, cruzando os braços.

A névoa começou a se concentrar na frente da saída, formando uma cortina pulsante e densa. Imagens começaram a surgir nas paredes como se o próprio ar tivesse virado uma tela de cinema. Minyoung e Seth olharam ao redor com atenção, tentando não perder o foco.

Em uma das visões, um casal dançava sob as estrelas, rindo enquanto pétalas de rosa caiam do céu como confete de casamento.

MINYOUNG: Isso é... bonito. — Seus olhos se arregalaram brevemente.

SETH: Não se engana, Minyoung! É bonito até te sugar pra uma ilusão eterna impossível de escapar. Foco!

Eles avançaram juntos, mas a névoa começou a agir de maneira mais invasiva, como se tentasse cutucar memórias pessoais. Minyoung viu uma lembrança da infância: seus pais dançando na sala de estar, rindo enquanto ela assistia da escada. Ela parou, os olhos cheios de surpresa.

MINYOUNG: 엄마? 아빠? — A garota sussurrou em coreano.

Seth percebeu a mudança de expressão e puxou o braço dela com firmeza, mas sem grosseria.

SETH: Minyoung. Concentra. Isso não é real. É um truque da névoa.

Ela assentiu, mais firme agora, e retomou o passo com ele.

Nesse momento, Cyrus e Nacho chegaram à parte final do túnel, encarando a névoa brilhante.

CYRUS: Ah, claro. Túnel psicodélico com efeitos especiais. Por que não?

NACHO: Isso parece… um sonho. Tipo, aquele momento de filme em que o personagem percebe que está apaixonado.

Ele esticou a mão como se fosse tocar a névoa, mas Cyrus rapidamente puxou o braço dele para trás.

CYRUS: Não faça isso, Nacho. A gente tá quase lá.

Cyrus avançou, mas a névoa também começou a brincar com ele. Uma imagem de Willow rindo com Tommy apareceu na parede, e ele travou no lugar por alguns segundos, observando em silêncio.

CYRUS: Willow... por que você só enxerga aquele palerma?

NACHO: Alô? Terra chamando Cyrus. Bora?

Com uma última olhada para a visão, Cyrus balançou a cabeça e seguiu atrás do colega. Eles corriam, tentando alcançar Minyoung e Seth, que já estavam mais à frente.

***

Do lado de fora do túnel, Chris McLean assistia tudo pelo tablet, enquanto esperava no portão de saída.

CHRIS: Ohoho! Temos duplas se aproximando da linha de chegada! Quem será que vai levar essa invencibilidade suada, hein?

De repente, dentro do túnel, uma nova onda de névoa subiu com força. Luzes em forma de corações gigantes se acenderam, obscurecendo a visão por alguns segundos. Em meio à confusão, Minyoung e Seth trocaram um olhar rápido e, sem dizer uma palavra, deram um último salto para atravessar a barreira e abriram a porta.

Atravessaram juntos, ainda ofegantes, enquanto a luz dourada desaparecia atrás deles.

CHRIS: E temos nossos vencedores! Minyoung e Seth! Parabéns, vocês ganharam invencibilidade! E um vale-presente pra um jantar romântico em Paris! Brincadeira. É só a imunidade mesmo.

Segundos depois, Cyrus e Nacho também emergiram do túnel, exaustos e cobertos de purpurina. Cyrus socou o ar, irritado com a derrota por tão pouco, enquanto Nacho se abaixava, tentando recuperar o fôlego.

CYRUS: Quase... a gente quase chegou primeiro.

Lá dentro, Molly e McConnor ainda tentavam atravessar o cenário mágico com uma mistura de cautela e aborrecimento. E mais atrás, Willow, totalmente exausta, continuava arrastando Tommy.

WILLOW: Perdemos. Parabéns pra mim. — Ela murmurou com um olhar morto.

TOMMY: Eu ainda tô pensando na minha árvore...

Willow bateu na própria testa com a palma da mão, derrotada por dentro e por fora.

À medida que as outras duplas emergiam, desgrenhadas e cobertas de restos de chocolate, Chris abria um sorriso de puro deleite diante da humilhação coletiva.

CHRIS: E agora, meus queridos perdedores, vocês sabem o que vem aí! A primeira Cerimônia de Eliminação pós-fusão! Um clássico! Cabeças vão rolar, alianças vão ruir, e alguém vai sair chorando!

Ele girou nos calcanhares, enquanto os campistas começaram a se dispersar. Minyoung correu até Molly com um sorriso vitorioso, animada para contar tudo o que viveu lá dentro.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MINYOUNG: Não foi fácil, mas Seth e eu conseguimos. Eu nunca tinha interagido tanto com ele... e, sinceramente, funcionou. A gente se entendeu rápido. — Ela desviou o olhar e corou levemente. — Tipo... bem rápido. Mas enfim. Invencibilidade garantida!

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Mais tarde naquele dia, a câmera mostrou o interior da cabine, onde o cenário era habitual: beliches desarrumadas, roupas penduradas onde não deviam estar e malas jogadas em qualquer canto. Willow, deitada na parte de cima da beliche, encarava o teto com uma expressão tensa. Ela se revirava, inquieta, como se tentasse encontrar uma posição que acalmasse os próprios pensamentos. Sem sucesso.

Com um suspiro decisivo, ela se sentou na cama de um salto, passou a mão pelos cabelos ruivos desgrenhados e desceu. De relance, checou se Tommy ainda estava no canto, completamente alheio ao mundo, rabiscando versos melosos num caderno, provavelmente endereçados à sua amada árvore.

Com isso confirmado, Willow chamou Cyrus, Minyoung e Molly para uma conversa rápida nos degraus da entrada da cabine*.

*CONFESSIONÁRIO ON

WILLOW: Cara, eu não achei que fosse ser tão difícil. Mas chegou a hora. Se eu quiser que meu jogo funcione, preciso agir. Eu não fiquei esse tempo todo nesse acampamento, sendo arranhada por fadas assassinas e quase engolida por um robô palhaço, pra sair agora. — Ela cruzou os braços, com firmeza. — E pra isso, eu preciso de todo mundo. Hoje, nem que seja por um momento, eu vou unir esse acampamento. Já chamei o Cyrus, a Minyoung, a Molly. Agora vou atrás do Nacho, e até do Seth. E o McConnor? Nem gosto muito dele, mas como está imune hoje, ele pode ao menos ser útil.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Após sussurrar um plano rápido ao trio, Willow acenou para confirmar o combinado. Os quatro se dispersaram imediatamente, cada um com a missão de abordar um dos campistas restantes. Cyrus parecia mais empolgado do que o normal, quase tropeçando nos próprios pés de tanta energia.

*CONFESSIONÁRIO ON*

CYRUS: Eu mal consigo acreditar. Isso tá acontecendo. É real. Amanhã esse acampamento vai acordar diferente. Melhor. Talvez até com menos idiotices românticas. Sinal dos tempos!

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Com o cair da noite, os oito campistas se reuniram ao redor da tradicional fogueira no Altar dos Antigos Sacrifícios. A luz das chamas tremeluzia sobre seus rostos, enquanto Chris McLean observava a cena com aquele sorriso torto dele. Ele ergueu a tigela de pinhas.

CHRIS: Meus queridinhos do caos, vocês já fizeram suas escolhas. Agora é hora de distribuir algumas... PINHAS! — Disse, sacudindo a tigela. — As primeiras vão para… Minyoung, Seth… e o glorioso McConnor!

Os três se levantaram e pegaram suas pinhas. Seth deu um soquinho de comemoração; McConnor só bufou. Minyoung ajeitou os óculos e assentou de volta com discrição.

CHRIS: Também estão a salvo… Nacho, Willow… e Cyrus!

O trio coletou suas pinhas, enquanto Molly virou lentamente para encarar Tommy com uma expressão de pura acusação.

MOLLY: Você votou em mim?! Por quê? O que eu te fiz?

TOMMY: Hmpf! Você disse que minha árvore não era “tão bonita assim”! Isso é crueldade emocional!

Ele cruzou os braços, ofendido. Molly revirou os olhos com um grunhido. Chris riu baixinho, antes de girar a última pinha na mão com teatralidade.

CHRIS: Tsc, tsc, Molly... julgando a estética de plantas apaixonantes. Mas relaxa, você ainda está no jogo... por enquanto.

Ele lançou a pinha para ela com um sorriso maldoso. Molly a pegou no ar, aliviada. Tommy, por outro lado, empalideceu na hora.

TOMMY: O quê? Eu? Eliminado? Vocês votaram… em mim?!

Um a um, os campistas assentiram. Até Willow. Especialmente Willow.

TOMMY: Todos vocês?! Mas... mas eu estava tentando me redimir!

Chris estalou os dedos e dois estagiários gigantes apareceram como seguranças.

CHRIS: Sem “mas”. Hora de pegar o ônibus, Romeu.

Enquanto os estagiários arrastavam Tommy para longe, ele berrava, mas não por causa da eliminação. Nem pelo prêmio. Nem por Willow.

TOMMY: Só um último beijo! POR FAVOR! Deixem eu me despedir da minha árvore!

Seus apelos ecoaram sem resposta até ele ser jogado no Ônibus dos Perdedores. O veículo arrancou com um ronco, sumindo na escuridão. Willow soltou um longo suspiro de alívio. Cyrus tentou esconder um sorriso triunfante, mas falhou miseravelmente.

Chris então se virou para a câmera, com aquele brilho malicioso nos olhos.

CHRIS: E assim se encerra o romance mais... lamentável da temporada! Que vem agora para Willow? Será que o drama vai esfriar ou só mudar de alvo? Com sete campistas ainda na disputa pelo milhão, tudo pode acontecer! Fiquem ligados para mais confusão, caos e, é claro, muito sofrimento em Drama Total: Floresta dos Mistérios!


Notas finais
E é o fim do querido (ou não tão querido assim) Tommy. O que pensaram dele? Pois se tem uma opinião, deixem um comentário! -- "Wrppb fruuhx sru Zloorz, vhp shqvdu qr ilqdo, Ljqrurx r mrjr, irfrx qr frudçãr. Djrud ydl hperud, vhp ylwóuld rx suhpldçãr. H xp frudçãr sduwlgr dr vdlu gd frpshwlçãr."