Dragões ascendentes.
9 O guerreiro ascendente.
Notas iniciais
Taryon estava destruída, isso era fato, Lia-týf havia carregando Sarah. Inclinado sobre o cepilho da sela, seguiu, atravessando riachos íngremes. Seguia na direção de manãtheren, na esperança de que pudessem ajuda-los. Localizado ao sul de Taryon, o guardião adentrara uma área, composta por, árvores folha-de-couro . Esparsar por toda a região, fazendo par a margem de um rio que se estendia perdendo-se da vista de quem olhasse. Ao fundo, arvoredos, criando diversos caminhos que dificultavam o caminho rumo a manãtheren. Obstáculos assomavam-se à trajetória, obrigando-o a muda-lo, o fez pelo menos três vezes. Agora, beirando um precipício, tomava cuidado com as pedras que deslizavam da encosta para espatifar-se ao chão, o solo, desfazendo-se ao passo que os cascos dos cavalos os forçava, isso tornava a ''aventura'' ainda mais perigosa. Sarah, acordara a pouco, perguntando-se onde estava, mas não obteve respostas. O olhar centrado do cavaleiro indicava que a situação anterior, o incomodava, fazendo que este seguisse de forma desesperada ao reino de manãtheren. À frente, um vilarejo, simples. Lia-týf aproximou-se furtivamente, após desmontar do cavalo, seguindo de a pé na direção da pequena cidade, para averiguar se existia moradores. Decerto, eles se assustariam caso chegasse a cavalo, sendo um lugar necessitado, poucos chegavam trajando roupas finas daquele jeito.
– O que o senhor deseja?- Perguntou uma jovem, com um sorriso matreiro nos lábios.
– Nada em especial.- Estava encantado, ela era linda: a pele branca, como a neve, contrastava com seus longos cabelos ruivos e seus grandes olhos negros como pérolas, lábios vermelhos que chamam a atenção de qualquer homem. Um sorriso magnífico, apresentando duas ordens perfeitas de dentes, reluzentes. Estatura média, batendo ao ombro de Lia-týf, vestindo um simples vestido de camponesa, porém, com o ar de um rainha. Sua postura deixava em questão, a onde esta fora criada, sabendo portar-se como uma verdadeira dama, realizando vênias e esbanjando generosidade, ao passo que dirigia olhares de ''tirar'' o fôlego.
– Bom, acho que veio procurar algo, venha. Vou lhe guiar. — Ao longo do caminho, ela contou ao guardião tudo sobre ela. Sonhava, um dia, poder conhecer o mundo, e tornar-se uma verdadeira princesa. Vivenciar verdadeiras aventuras, algo que é contado apenas em livros. Disse, também, que era limitada a viver apenas naquela região. Suas ideologia eram conservadoras, para ela, o mundo deveria ser menos cruel com todos, para não haver mortes, nem guerras. Agia com naturalidade, sua natureza, mostrava o quão diferente era. Ao termino da conversa, Lia-týf, pareceu ficar triste. Isso, segundo Sarah, que permanecia sentada em um barril, esperando.
– Não gostaria de vir comigo?- Era uma proposta tentadora, segundo ela, mas esta não podia, possuía deveres para com seu povo. Porém, disse, que voltaria a vê-lo, com toda a certeza.
– Mas, você não deseja vivenciar uma aventura?- Insistiu.
– Sim, mas, é muito complexo. — Desviava o olhar a todo instante, como se evitasse algo.
– O que lhe impede?- Estava determinado à fazê-la aceitar.
– Tudo, há um grande problema na vila. — Já havia dado de ombros ao mesmo, seguindo seu caminho, mas Lia-týf a puxou. — Você não pode partir assim, explique-se. — Concluiu o mesmo, em um tom de voz ''duro''.
Começou, explicando, que já a algum tempo o vilarejo recebia ataques de Grolmýs, criaturas horripilantes. Estes já teriam causado grande estrago na cidade, o que trouxe prejuízo as outras pessoas. Contudo, ontem, apenas agravou-se a situação. A jovem fazia gestos, enquanto explicava, gaguejando sempre que havia uma pausa e tinha que voltar a falar. A garota teria prometido, ao líder, dos Grolmýs que cederia seu corpo ao mesmo, em troca, deste deixar o vilarejo em paz. Ou seja, se sacrificaria, pelo seu povo. Lia-týf, pareceu não entender, mas fora cortado várias vezes, para que essa pudesse concluir à história.
– Bom, amanhã, ele irá vir me buscar. E caso não esteja aqui, ele irá matar todos.- Gotículas brilharam ao canto de seus olhos, para então descer por suas bochechas rosadas. — Eu irei ficar aqui, para defende-la. — Disse, o guardião. Ele sabia que isso seria um atraso a seu compromisso, mas ele não poderia deixa-la só. A jovem tentou debater, mas fora cortada. — Alias. — Acrescentou, em um tom de voz indiferente. — Como é seu nome?- A brisa circundou o local, remexendo suas madeixas.
– Lãnýa- Disse, corada, ajustando seus longos fios de cabelo para disfarçar. — Mas, deixe-me dizer, não irá atrasa-lo em seu compromisso? — Era como se estivesse lendo os pensamentos dele, mas, seria impossível.
– Não, eu darei um jeito, será que poderia arranjar um lugar para mim e a jovem ali presente?- Indicava Sarah, com seu longo dedo indicador.
– Claro, siga-me.- Elas os levou para seus aposentos.
O sol despontou no horizonte, o barulho de galos cantando, e cachorros latindo na vila. Pessoas conversavam em um tom alto, ao passo que as carroças passavam rapidamente, de forma ensurdecedora. Lia-týf, havia acabado de acordar, já levantando-se para cumprir com seus objetivos. Notou que Sarah não estava lá, correu, pegando suas vestes e colocando-as. No entanto, ao abir a porta, deparou-se com Lãnýa e a princesa de Taryon, para ele, fora um alívio.
– Bom, me leve até onde você deveria se encontrar com o tal, líder. — A sua cintura, uma elegante espada, sua destra apoiada ao cabo da mesma. Eles seguiram para fora do vilarejo, próximos a uma colina, o caminho íngreme dificultava a passagem dos cavalos, o barulho dos alforjes balançando era incômodo. — É aqui?- Perguntou, notando, que eles teriam parado. — Sim.- Ela o respondeu seguidamente, o olhar vidrado na caverna logo a frente. — Apenas espere. — Os minutos passaram, o indício de alguém aproximando-se, era evidente.
– Então ai está ele.- Um enorme monstro teria surgido a frente de Lia-týf, alcançando cinquenta e seis metros de altura, possuindo uma quantia exagerada de massa muscular, porém, o que chamava a atenção era sua coloração verde- escuro. Sua cabeça, apresentando, ausência de cabelo. E em sua destra, empunhava uma enorme massa, que esmagaria facilmente uma pessoa. Lutar com algo assim, era suicídio, concluiu o guardião. Mas, agora era tarde, caso quisesse fugir possivelmente morreria. Sua única escolha, era combatê-lo.
– Lá vamos nós.- Notando que o monstro avançava, Lia-týf, correu na direção contrária para que pudesse ganhar tempo, mas, não tinha tanta certeza quanto a isso. Afundou os pés nos flancos do cavalo, forçando-o à cavalgar mais rápido, a terra erguia atrás de si, criando uma espessa nuvem de poeira. O monstro surgiu da mesma, seguindo-o, com desejo de sangue. O guardião, sem saber para onde ir, seguia como uma ovelha diretamente para o abatedouro. A sua frente, um precipício, estava encurralado. — Terei de lutar.- Desmontou ligeiramente, dando tapas leves na bunda do cavalo, para que este se afastasse. Desembainhou sua espada, a lâmina reluzindo a luz do sol, tornando-se mais ''prateada''. Foi quando à criatura irrompeu das ''sombras'', pronto para esmagar Lia-týf com sua massa, o solo rachou com o golpe desferido pelo mesmo. Porém, o guardião jogando-se ao chão, desviou daquele perigoso ataque.
– Sua pontaria está péssima.- Não estava em condições ideias para fazer piada, disso, ele sabia. Logo o, Grolmý, tornou à ficar irritado e em um surto de adrenalina avançou contra o guerreiro, pronto para mais uma investida, certo de que não erraria desta vez. — Droga.- Era preocupante, pois, cada vez mais era levado para trás, com isso acabaria caindo no precipício. Esperou, ansioso, para que pudesse agir, o ultimo segundo definiria tudo. A massa desceu, inclemente, pronta para esmaga-lo. Lia-týf desviou no ultimo minuto, aproveitando que a arma cravou no solo, para pode enfincar sua lâmina na parte detrás de sua perna. Logo, a criatura, contorcendo-se de dor perdeu o equilíbrio, indo diretamente para a água.
– Acho que consegui. — Disse, com um sorriso nos lábios. E então, com sua vitória, Lãnýa haveria aceitado a proposta feita pelo guardião. Ao amanhecer, Lia-týf, Lãnya e Sarah, partiram rumo a manãtheren. Prontos para o começo de uma nova vida, repleta de aventuras.
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