Dragões ascendentes.
10 Rysengard
Notas iniciais
Padrões intrincados de cantaria se espalhavam por toda parte, e as linhas de uma estrutura pareciam projetadas em harmonia com a seguinte, conduzindo o olhar como se tudo fizesse parte de um grande desenho. Rysendragon era uma ilha, porém, havia uma grande diferença: — Mantinha-se, literalmente, acima das nuvens. Era tão grande que ocupava uma larga escala do céu, como se fizesse este dividir-se em dois. O castelo, uma enorme construção, sustentado por um rochedo colossal atravessando às nuvens. À quem diga que Rysen beira a primeira camada da terra, devido à sua altura. Outros afirmam que ela é deste tamanho, pois, um enorme dragão protege seus moradores. Algumas estruturas não eram nem um pouco como edifícios, e sim como esculturas gigantes. Da montanha, avista-se, arvoredos esparsos por toda localidade, desde árvore folha-de-couro à cerejeiras. À sul, torna-se visível o início de uma queda-d'água, mais abaixo é possível ver à fumaça ao qual levanta-se devido à força da mesma. Nota-se, à leste, caminhos d'água em trechos pequenos, abrindo espaço por entre ás árvores. Assim, fazendo margem a um rio, ao qual também termina em uma pequena ''cachoeira''. Para àqueles que são mais atentos, não é difícil notar que também ao sul, próximo aos rochedos à uma pequena ''caverna'' de onde as águas fluem. E, na margem oeste, o topo quebrado soltava uma tênue linha de fumaça: o monte do dragão assomava, límpido, contra o céu, uma montanha se destacando entre as terras íngremes. Sim, era nesse local, onde o dragão dormia. Lá estava ele, o herdeiro mais novo do rei Kuro. Kenji Izumi, era seu nome, o irmão mais novo de Raiden. Seus olhos, escarlates, era destaque onde este passava. Quando nasceu, Raiden, o achou estranho. Jamais teve contato com alguém que, possuía os olhos de um escarlate profundo, que nem os de Kenji. Com cinco anos de idade, o herdeiro, mostrou possuir uma característica única. Suas madeixas ruivas, contrastava com seus olhos rubros e sua pele branca como neve fresca. Não sabia muito sobre à vida, era uma criança, apenas brincava. Contudo, o reino demonstrava fortes crises econômicas, já fazendo algum tempo que estes aos poucos selavam um acordo formal com manãtheren. A rainha, Fuyuki, fazia questão de não tocar em tais assuntos quando Kenji estava perto. Contudo, Raiden, já entendia o que se passava. Ele sempre fora muito inteligente e misterioso. Sendo também, um aluno exemplar, tirando as melhores notas em combate corpo-a-corpo e no manejo de espada. Um fato interessante é que seu local predileto, sempre fora a biblioteca, onde se conhece coisas novas, segundo ele. A rainha: — Uma mulher elegante, bustos avantajados, com um corpo escultural. Fuyuki sempre manteve a postura régia, mesmo quando as situações eram desesperadoras. Isso, fazia com que sua imagem de rainha se tornasse ainda mais forte. Sendo superada apenas pela presença do rei. O rei: — Um belo homem, de longas madeixas negras, possuindo uma pele tão branca quanto leite. Seus olhos, azuis, assemelham-se à pedras da mesma cor, reluzentes e intimidadores. Uma família real, fazendo jus, a este título. Raiden, por sua vez, também foge dos padrões:- Cabelos prateados cujo alcançam a altura do ombro, terminando em franjas pequenas abaixo dos olhos amarelados, semelhantes a de um gato. Kenji estava admirando o céu daquela noite, contando as estrelas, como se pudesse o fazer sem grande dificuldade.
– Elas são lindas mamãe, não são?- Disse, direcionado à Fuyuki.
– Sim meu filho, são.- Um sorriso tocou seus lábios, enquanto afagava o cabelo do garoto.
– Mãe? A senhora estará comigo para sempre?- Perguntou, em um tom inocente, aguardando a tão sonhada resposta.
– Sim querido, para sempre.- Ela puxou à cabeça de Kenji para seu colo, acariciando suas madeixas ruivas.
Raiden estava recostado a uma árvore, próximo ao seu pai. Ambos conversavam seriamente. Embora fosse apenas uma criança, não portava-se como uma.
– Eu sei, pai, que o senhor tenta nos enganar ao dizer que está tudo bem. Não está. Não é?- A brisa local remexeu suas madeixas prateadas ao simples toques, elas reluziram ao luar, destacando-se.
– Você é bem esperto, para uma criança. — Disse, olhando-o de soslaio.- Você tem razão, não está nada bem. Nosso reino sofre de crise econômica e logo seremos atacados.- Parecia infeliz em suas palavras, analisando o céu, fixamente.
– Isso significa que iremos ser dominados?- Estava preocupado, era evidente, tudo era incerto.
– Se não conseguirmos ''quitar'' todo prejuízo...- Suspirou, antes de continuar- sim. — Não há muito o que possamos fazer, apenas depender da boa vontade de manãtheren. Pelo menos, por enquanto. — Deu de ombros à Raiden, estava exausto.
– Compreendo meu pai.- Sussurrou Raiden, para si mesmo.
Aos poucos o mundo tornava-se um aglomerado de confusões, reinos antigos caiam, novos ressurgiam. Monstros devastando cidades inteiras, fazendo pessoas de escravos, estuprando-as, condenando-as a uma morte terrível. Isso era imperdoável na visão de Raiden. Ele não tinha idade o suficiente para fazer algo, mas o desejo de agir existia. Já não pensava em brincadeiras, mas sim, em como ajudar as pessoas que precisam de auxilio. Não estaria medindo consequências, nem mesmo se elas o odiassem, ou até mesmo, sua própria família. Era necessário fazer algo e chegaria a hora certa.
– Aguarde um pouco mais. Só um pouco mais.- Seguiu seu pai lentamente, as mãos afundadas em seu bolso.
A rainha nunca pudera ter filhos, afinal, o rei era estéril. Logo, sem escolha, viu-se tendo que implorar para os Deuses. No entanto, eles não a atenderam, nem sequer uma vez. Após várias tentativas, desistiu, já tendo em mente uma nova alternativa. Escalou o monte para que pudesse encontrar o famoso dragão adormecido, ela deseja lhe pedir algo, esperava que este o pudesse fazer. Quando ela o viu, assustou-se. Era enorme, possuindo uma coloração enegrecida. Seus olhos, semicerrados, observavam tudo o que ocorria no seu território. Logo, levantou-se, assustando-a. E ele não pôde evitar o sorriso que lhe tocou os lábios. E então lhe perguntou o que esta desejava, sem delongas, ela respondeu:- Queria um filho, dois, se possível. Logo, este fora direto, concordando. No entanto, para que isto ocorresse, o reino dela deveria carregar o prefixo ''dragon''. Ela aceitou e então fora concebido ao re o ''dom'' de dar filhos à sua esposa. Com isso, nasceu, Rysendragon. O dragão, agora, permanece adormecido e em uma determinada época voltara a acordar. Dizem que, quando este acordar, servirá Rysendragon e esta conseguirá destacar-se dentre tantos outros. Podendo superar até mesmo, manãtheren.
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