Notas iniciais
"Está na hora de conhecermos Aria pessoalmente". Essas palavras não paravam de ecoar na mente de Aria. Eles estavam insinuando — insinuando não, afirmando — que ela era descendente de Zenda. Aria nunca ouvira falar que Zenda tivera uma filha. E se ela realmente fosse descendente de Zenda ela seria algo como neta ou bisneta.
Milhões de perguntas se formavam na cabeça de Aria. Ela estava tão distraída que só percebeu que ainda estava atrás da porta quando foi empurrada para o chão quando alguém abriu-a.
– Mestre Grun, veja quem está por aqui. — disse Maylon, apontando para Aria com a cabeça.
– Srta. Aria, estava atrás da porta? Que garota malcriada, um absurdo! — falava Sra. Constance com seu tom habitual de ordem e histéria misturados.
– Desculpe, sra. Constance. Eu precisava ir no banheiro e ...
– Isso não importa no momento, importa, sra. Constance? A srta. está bem? O sr. Kellwood não foi muito cuidadoso, não é mesmo? — disse Mestre Grun, esticando a mão para ajudá-la a levantar-se.
Kellwood. Esse era o sobrenome do garoto, pensou Aria. A mais famosa família de guerreiros da morte.
– Mil perdões, srta. Aria. — respondeu Maylon.
– Vamos ao que importa, temos algo muito importante para conversar, srta. Aria. Você já deve saber do que se trata. — falou, Mestre Grun.
Aria concordou com a cabeça levemente, sem saber como reagir.
– Acho melhor irmos à biblioteca. Sem você, sra. Constance. Espero que não se importe. Vamos, Maylon.
Enquanto Aria os acompanhava à biblioteca ela analisava-os melhor, agora que estavam perto. Mestre Grun era o típico mestre das Artes da Guerra. Tinha cabelos grisalhos, bem curtos, rentes a cabeça. Tinha um rosto que passava tranquilidade e rigidez. Maylon Kellwood era realmente bonito. Cabelos pretos como ébano com leves ondas. Pele levemente bronzeada, como se fosse só um charme. E olhos pretos. Aria imaginou que aqueles olhos passavam medo à vítima do guerreiro da morte e segurança ao protegido. Frios e ao mesmo tempo protetores.
– Chegamos, prometo que esclarecerei todas as suas dúvidas, srta. Aria. Sente-se — pediu com educação Mestre Grun.
– Ok. Para começar, o senhor tem certeza absoluta que eu sou descendente de Zenda? — perguntou Aria
– Sim. Procurávamos a última descendente de Zenda a anos. Recentemente nosso mais confiável vidente viu que era você.
– A mesma Zenda dos livros de história? Isso é impossível! Olha para mim. O senhor acha que se Zenda tivesse uma descendente ela seria uma garota franzina e que não consegue andar dois metros sem tropeçar?
– Você só precisa ser treinada. No momento que alguém lhe der um arco você saberá o que fazer. — intrometeu-se Maylon.
– Maylon está certo. — respondeu Mestre Grun
Aria ainda não acreditava. Uma garota de um orfanto e sem amigos uma descendente de Zenda.
– E o que acontecerá comigo agora? — perguntou Aria
– Você irá para a escola Bellator. A melhor escola de guerreiros de Kagma. Lá você aprenderá as Artes da Guerra e será treinada para atuar como uma guerreira caçadora. — respondeu Mestre Grun.
– Eu quero saber mais sobre isso. Como Zenda teve uma filha? Eu sou o que dela?
– Você é neta de Zenda. Zenda ficou grávida quando estava com 17 anos, quando estava no último ano na Bellator. Ela ficou desesperada, não podia largar a escola, era a primeira guerreira da família. Ela era o prodígio de Bellator. Então ela pediu que escondêssemos o bebê quando ele nascesse e usava veste largas para disfarçar. Quando sua mãe, Verin, nasceu, nós a cuidávamos quando Zenda estava em missões. Nunca contamos a ninguém. Um dia Zenda foi para mais uma de tantas missões e quatro dias depois trouxeram-na quase morrendo. Tentamos de tudo para reanimá-la, mas, ás vezes, nem toda magia é suficiente. Verin tinha apenas seis anos. Quando ela tinha 22 anos ela casou com um rapaz e três anos depois deu a luz a você. Ela faleceu no parto.
– E meu pai?
– Ele entrou em profunda depressão após a morte de sua mãe.
– Ele se matou?
– Sim.
Então era isso. Era essa história. Aria estava chocada demais. Não sabia o que sentir, o que fazer. Estava quase chorando. Não queria chorar na frente de Mestre Grun e Maylon e parecer fraca. Ela respirou fundo tentando controlar-se. Maylon a olhava com uma mistura de pena e solidariedade.
– Então é isso o que eu sou agora? Uma guerreira caçadora?
– Sim, doce Aria, bem-vinda ao mundo dos Guerreiros. — respondeu Maylon com um meio sorriso no rosto, como quem diz "prepare-se".
– E qual é o meu sobrenome? O sobrenome de Zenda nunca é citado nos livors.
– Venatrix. Seu sobrenome é Venatrix.
"Aria Venatrix, esse é o meu nome agora."
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