Dragon Souls

2 "BrokenBerry" Lips


Notas iniciais
Esse capítulo já estava sendo escrito antes do prólogo pensar em existir e foi terminado um dia após a conclusão do mesmo. Eu terminei isso as 2:20 da manhã. Sorte minha que era de sexta para sábado. Por que tanta demora pra postar? Bloqueio. Mas chega de ladainha no início do capítulo. Curtam.

"Minha net ta bipolar desde ontem."

“Mta gent me disse isso. A minha tbm ta assim."

“Nunk tive problema c ela, mas acho q tudo tem 1a vez, neh?”

“S.

Vai beber c a gent hj?”

“Nem rola

Tem prova e eu nem sei a materia q vai cair.”

“Qd?”

“Dps d amanha”

“Normal

Miss d menor”

“Fze oq, neh?”

“Me encontrar dps d amanha d noit no point. Como so bonzinho vou guardar um pok d vodka p vc

N se acostuma pirralha”

“Nem se eu quisesse, Josh"

Ela pôs o celular de lado e deitou na cama olhando pelo lado de fora da janela. A lua crescente quase cheia e o céu estrelado. Ela queria estar se arrumando para sair com Josh e seus amigos para mais uma noite na rua bebendo e jogando conversa fora. Assim ela tinha passado o último mês, ignorando tarefas de casa e qualquer outra coisa que tinha a ver com a escola. Ela só não matava aulas porque elas apareceriam em seu boletim e seus pais não ficariam nada satisfeitos com isso.

Eles não eram realmente seus pais. Clarice e Thomas eram um casal que sonhava ter filhos, mas o destino os fez inférteis. Há 10 anos eles encontram uma garota vagando pelas ruas. Suja, ferida, doente, apenas aparentando 5 ou 6 anos de idade, perdida. Eles ofereceram ajuda a pequenina. Ela não lembrava o próprio nome ou de onde vinha, só lembrava de correr por entre as árvores, machucando os pés descalços em pedras e eventualmente prendendo seus cabelos negros em galhos baixos de árvore. Após algum tempo com a menina, eles a tomaram como sua e a deram o nome de Lindsay e o sobrenome da família Steel.

Lindsay tinha plena consciência de que havia algo errado com seu passado e de que aquelas pessoas não eram seus pais de verdade. De qualquer maneira sempre os chamou de mãe e pai e nutriu grande carinho por eles. Desapontá-los era algo que ela não queria, portanto saia escondido ou inventava desculpas para pode sair à noite, fazendo o máximo para que eles não descobrissem as atitudes erradas que tinha.

Josh era outro segredo que Lindsay mantinha. Eles não eram namorados, eles simplesmente eram o que eram. Passavam noites juntos um boates durante o fim de semana, trocavam beijos ardentes, tinham algum tipo de relação. Lindsay sabia que Joshua não era um homem confiável para algo sério, apesar de todo e qualquer envolvimento que ela teve com o sexo oposto ter sido com ele. Ela conhecia a fama dele, corações quebrados de envolvimentos anteriores, garotas que o queriam ver morto após terem sido substituídas por outras. Sua amiga Bonnie, que apresentou um ao outro, na época era a garota da vez de Josh e rapidamente foi esquecida pelo mesmo e jogada fora.

O clima entre as duas agora era estranho e cheio de falsos sorrisos, contudo, se uma precisava da outra para cobrir suas escapadas noturnas, para por nomes em trabalhos prontos, formular colas, encontrar bebida ou falsificar identidades, elas sabiam que poderiam se apoiar nos ombros uma da outra. Talvez elas ainda se falassem pelo puro benefício da "amizade". Talvez para manter o grupo junto em reuniões sem parecer esquisito. Ou talvez pela força do hábito e somente ela sustentasse a troca de favores que durava um ano. Quem sabe?

"Eu tenho mesmo que fazer isso?" Ela pensou ao encarar as várias fórmulas em seu livro. "São quantos capítulos nessa porcaria de prova? Não tem como aquela mulher ter passado isso tudo em tão pouco tempo. Argh. Quer saber? Eu vou tomar um banho. Esfriar a cabeça e esquecer isso aqui. Volto depois."

–Lin, filha, posso entrar?

– Pode sim mãe. — Ela abriu a porta e foi para o banheiro que ficava em seu quarto.

– Seu pai está vendo aqueles documentários de esporte de novo.

Clarice entrou no quarto vestindo seu pijama verde e suas pantufas pretas e sentou aos pés da cama da filha. Ela ligou a televisão no canal de notícias onde uma moça bem vestida dava as previsões do tempo para a semana.

“- E estas foram as previsões, voltemos com nosso âncora.

– Obrigado, Alice. E agora pouco foi encontrado mais uma vítima do assassino em série que vem matando pessoas já há quase dois meses em várias cidades do estado. A vítima, Robert Raven, 27 anos, conhecido como Rocky, morava sozinho num apartamento do centro da cidade de Galtern. Seus vizinhos disseram que Robert tinha o hábito de sair a noite, mas que nunca havia sido um problema ao voltar. Porém, há algumas noites vários vizinhos foram acordados por gritos de Robert em seu apartamento. Primeiramente julgaram que ele estava bêbado, mas nos dias seguintes notaram que ele não estava indo ao trabalho, não pegava encomendas ou respondida ao interfone, e resolveram entrar no apartamento onde o encontraram morto no chão de sua sala de estar. A Polícia estima que tenha sido morto no mesmo dia que Rosalyn Mary Strider, na quarta feira passada. Pessoas estão se referindo a esse assassino como "Phantoms" ou "Demônio das sombras" por atacar a noite e não deixar vestígios além do corpo da vítima…”

Lin estava em seu banheiro com a porta aberta mesmo, já que não tinha vergonha de sua mãe e sabia que seu pai ficaria ocupado por umas boas duas horas na sala de estar. Ela molhava os cabelos negros e lisos que lhe iam até alguns centímetros acima da cintura. A menina ouvia a voz abafada do jornalista por trás do som de seu chuveiro esquentando a água.

“- Autoridades dizem que o assassino tem ido em direção à cidade de Parlak e reforçaram a segurança nos turnos da noite em toda região. Ainda assim a polícia recomenda aos moradores que evitem ficar nas ruas após o anoitecer.”

– Que coisa horrível esse maníaco. — Clarice comentou. — Eles pelo menos sabem se é homem ou mulher?

– Não. Mas acho que não tem mulher com bolas o suficiente pra fazer isso com essas pessoas inocentes. — Respondeu Lindsay.

– E como você sabe se eram inocentes também? — Clarice entonou mais séria. — Vi mais cedo no portal de notícias que esse tal de Roderick aí fazia parte de uma seita. E outra coisa, que palavreado é esse, Lin?

– Desculpa, mãe.

“-...na rodovia principal-… -arregado de alimentos da em-… -ole e virou-...”

A voz da repórter estava metalizada. Entre uma fala e outra, Lindsay podia ouvir a estática sair dos auto-falantes da televisão.

– Ih, Lin, sua TV deu defeito.

– Mentira. — Enrolada na toalha, ela pôs a cabeça para dentro do quarto.

O que ela via era a imagem distorcida e pixelada da repórter vestida de cinza nos intervalos de estática. Tentando prestar atenção no que acontecia na reportagem, ela notou que atrás da mulher, do outro lado da rodovia algumas sombras passavam rápido, sem nenhum carro para fazê-las. Como se elas tivessem revelando pessoas invisíveis andando pelo acostamento. O mundo girou, ela perdeu o equilíbrio mesmo estando parada no lugar. Ela teve de se apoiar na pia para não cair no chão, derrubando no processo sua caixa de maquiagem, quebrando alguns dos objetos dentro dela.

– Lindsay! — Clarice correu para ver o que havia acontecido. — Você ta bem? Ta sentindo alguma coisa?

– Não, eu só… — Ela pôs a mão na cabeça, sentindo uma dor aguda. — Tropecei. Eu estou com sono.

– Ah, sim, tudo bem, meu anjo. Eu vou lá pra baixo brigar pelo controle da TV com seu pai. Pelo menos você já estudou alguma coisa hoje. — Lin disfarçou e concordou com a cabeça. Clarice despediu-se da filha com um beijo na testa. — Durma bem.

Assim que viu sua mãe saindo, Lin vestiu uma camisa velha que ganhara de natal, mas que era dois números maior que o dela e trancou a porta do quarto. A TV ainda chiava então ela a desligou, depois voltou ao banheiro para limpar a bagunça. Ao voltar ao quarto, ela abriu as portas de seu armário e começou a tirar suas botas do lugar para encontrar uma caixa com uma garrafa dentro. O conteúdo da garrafa era um líquido alaranjado que a enchia até um quarto de seu todo.

“Isso vai ter que dar. Amanhã eu arranjo mais.” Ela pensou, tomando o líquido direto da boca da garrafa. Assim que a esvasiou, a pôs dentro da mochila para jogar fora no caminho ao colégio. Ela apagou a luz e se enfiou debaixo das cobertas, desejando que a dor fosse embora e que dormisse logo.

Não demorou muito para que caísse no sono, mas quando seu alarme tocou ela estava se sentindo mais cansada do que quando havia ido dormir, demorando bons cinco minutos para se por de pé. Seu pescoço estava dolorido e, ao se olhar no espelho, percebeu que tinha olheiras escuras. Após o banho, ela passou a maquilhagem de sempre no rosto, deixando os olhos bem marcados com tons de cinza escuro e preto. Ao tentar passar seu batom favorito, notou que ele estava inutilizável. Havia quebrado. Ela teria que sair atrás de um novo BlackBerry Lips à tarde. O batom, apesar do nome não era nada escuro, tinha um tom bonito e suave de rosa, mas tinha gosto e cheiro de amora.

– Lin! — Thomas gritou do corredor. — Filha, a hora, você vai chegar atrasada!

A garota deu uma olhada rápida no celular e ao perceber que tinha dez minutos para percorrer um caminho de vinte, calçou seus tênis sem meias e saiu correndo cheia de coisas na mão. Ela ignorava o vento frio que parecia vir de todos os lados enquanto comia os biscoitos que havia pego logo antes de sair de casa, escovava os cabelos e segurava sua pasta e mochila sem que tudo caísse no chão.

Resultado foi que ela conseguiu chegar poucos segundos antes de fecharem os portões. Mesmo assim, deu uma passada no banheiro para ajeitar os cabelos, chegando atrasada para a aula de inglês de qualquer jeito. Ainda por cima teve de se sentar fora de seu lugar usual e não conseguiu se concentrar no que o homem de óculos redondos tinha para dizer.

Assim que foi dada a hora do intervalo, ela abaixou a cabeça sobre seu material esperando poder descansar alguns segundos. Ela mal havia se acomodado quando percebeu que a única pessoa que decidiu ficar dentro de sala era o garoto ao seu lado e ele estava fazendo barulho com um embrulho de papel. Lindsay tentou ignorar, mas logo o barulho deu lugar ao cheiro delicioso de um sanduíche bem preparado. Ela virou a cabeça em direção à cadeira ao seu lado, apenas o suficiente para poder o ver. Ele estava usando headphones, tinha cabelos verdes lisos e dava uma mordida com gosto no pão. A barriga dela fez um som alto o suficiente para que ele se desse conta de que não estava sozinho e ficasse ali parado, sem saber como agir.

– Oi… — Ela disse por fim.

– Oi.

– Olha, o que eu vou te pedir é estranho… — Ela se ajeitou na carteira, fazendo com que seu estômago roncasse mais uma vez. — Mas será que você pode me dar um pedaço do seu sanduíche? — Ele balançou a cabeça negativamente. — Por favor, to morrendo de fome... Cara… Qual é o seu nome?

– Maxwell. — Dava para ver nos olhos dele que ele estava muito desconfortável.

– Maxwell… — Ela falou com um tom doce e inclinou a cabeça levemente para o lado. — Max… Por favor. Só um pedacinho.

– Não...

– Por favoooooor.

– Não. Se você queria tanto por que não trouxe um pra você? — Ele falou baixo.

Olha aqui, garoto– toda a doçura de antes havia sumido — eu estou sendo legal com você. E como eu sei que você é um cara maneiro, vamos fazer o seguinte: você me dá metade disso aí e eu te pago. — Ela abriu a mochila atrás da carteira pensando que com sorte teria algum trocado além do preço do BlackBerry e se deparou com a prova do crime de ontem à noite.

– Não, nem preci-... Pera aí. Isso é uma garrafa de bebida? — Ele apontou para a boca da garrafa que aparecia por entre o zíper. — Você sabe que carregar uma garrafa de vidro, ainda mais com bebida, pode te expulsar da escola, né?

“Pronto, fodeu.” Ela pensou. “Lá se vão minhas chances de comer hoje.”

Olha, — Lindsay fechou a mochila rapidamente a apontou para Max, quase o agarrou pela gola da camisa. — você não vai abrir a boca…

– Okay, classe, abram os livros. — A professora de física entrou na sala sendo seguida pelo resto da turma.

Os dois voltaram as suas posições na cadeira como se nada tivesse acontecido, um com medo do que o outro ia fazer, Lin suando frio com o pensamento de ser expulsa. De tempo em tempo ela olhava para Max pelo canto do olho para ter certeza de que ele não estava tentando a dedurar. Ele fazia o mesmo, mas para se assegurar de que ela não tentaria roubar o resto do sanduíche que estava em cima de sua mesa. Poucos minutos antes do fim da aula, a professora anunciou que a prova deveria ser feita em dupla. Lindsay olhou mais uma vez para Max e notou que a mochila dele era igual a sua, preta com detalhes cinza, claro que a sua, além de mais pesada, estava um pouco mais suja, entretanto, não era algo gritante. Um pensamento passou por sua mente. Ela começou a escrever em um pedaço de papel.

Notas finais
Foco na Lin. Parece que ela e o Max não se deram muito bem no primeiro contato. Max, você não questiona uma garota com fome! Você entrega a comida! E não se esqueça de deixar um comentário e acompanhar a história para saber quando acontecer a próxima atualização. Se você realmente está gostando por que não dar uma recomendação e compartilhar com seus amigos? Deixaria a autora muito feliz. Vejo vocês no próximo capítulo. Até mais. o/