Dragon Ball CDZ: A Batalha do Zodíaco
7 Os Cavaleiros do Zodíaco
A SAGA DOS DEUSES
— EU DISSE QUE ENCONTRAR O GRUPO ERA FÁCIL — explicou o Dragão, com impaciência. — MAS AO TENTAR PUXAR AS ALMAS DE VOLTA AO MUNDO DOS VIVOS, DOIS DELES FORAM REJEITADOS PELA LEI DA RESSURREIÇÃO.
Moori traduziu rapidamente para Goku, que ouvia atônito.
— O PRIMEIRO É AIOLOS DE SAGITÁRIO. A ALMA DELE JÁ NÃO RESIDE MAIS NO SUBMUNDO HÁ MUITO TEMPO. ELA SE FUNDIU À SUA ARMADURA E À VONTADE DA DEUSA DE FORMA IRREVERSÍVEL. NÃO HÁ O QUE TRAZER DE VOLTA.
Em Asgard, a notícia caiu como um balde de água fria. Aiolos, o herói lendário, continuaria sendo apenas uma memória e um guia espiritual. Mas o choque continuou.
— O SEGUNDO É DOHKO DE LIBRA — continuou Porunga. — ELE NÃO PODE SER RESSUSCITADO PORQUE, TECNICAMENTE, SUA ALMA NÃO ESTÁ MORTA DA MANEIRA CONVENCIONAL. HÁ UM RASTRO DE MAGIA DIVINA ANTIGA, O MISOPETHAMENOS, QUE TORNA A SITUAÇÃO DELE AMBÍGUA PARA O MEU PODER. EU NÃO CONSIGO ACESSAR A ALMA DELE NO REINO DOS MORTOS.
Goku coçou a cabeça, confuso.
— Então... só dez vão voltar?
— NÃO — corrigiu Porunga, e dessa vez sua voz demonstrou uma pitada de curiosidade. — VOCÊ PEDIU PELOS "CAVALEIROS DE OURO".
O Dragão baixou a cabeça colossal para encarar Goku.
— EXISTE UM DÉCIMO TERCEIRO ESPÍRITO LIGADO A ELES. UMA SOMBRA QUE CAMINHA JUNTO AO SIGNO DE GÊMEOS. ELE VESTIU A ARMADURA DOURADA E LUTOU COMO UM IGUAL NA ÚLTIMA GUERRA. O NOME DELE É KANON.
— Kanon?! — A voz de Ikki de soou na mente de todos, surpresa. — O irmão de Saga... Ele realmente se redimiu a ponto de ser contado entre os doze?
— São treze cavaleiros, mas contam como doze? — Kuririn estava confuso com a matemática.
— EU POSSO TRAZER OS DEZ QUE ESTÃO DISPONÍVEIS E ESTE IRMÃO GÊMEO — finalizou Porunga. — ISSO SOMARÁ ONZE GUERREIROS DOURADOS RESSUSCITADOS. ISSO CONTARÁ COMO O PRIMEIRO DESEJO. O QUE DECIDEM?
O silêncio que se seguiu à revelação de Porunga foi quebrado não por Atena, mas pela voz firme e decisiva de Ikki de Fênix, cortando a conexão mental com a urgência de um general em campo de batalha.
— ACEITE A TROCA, KAKAROTTO! — Ikki deu um berro, sem a menor hesitação.
A fala inusitada de Ikki arrancou risos entre os guerreiros Z e um sorriso de canto em Vegeta.
— Esqueça as lendas antigas. Traga Kanon de volta. Agora!
A projeção de Ikki parecia vibrar com intensidade na mente de todos.
— Kanon não é apenas um Cavaleiro de Ouro. Ele foi o General Dragão Marinho. Ele conhece a estrutura do exército de Poseidon, os seus Generais e o Templo Submarino por dentro, porque foi ele quem comandou tudo aquilo anos atrás.
Ikki fez uma pausa, enfatizando o próximo ponto para convencer Vegeta e os outros da grande importância do Gêmeo.
— Além disso, na última guerra, Kanon desceu ao inferno e massacrou dezenas de espectros. Ele enfrentou os Três Juízes e, mesmo ferido e sem armadura, levou Radamanthys à morte junto com ele. Ele conhece o inimigo, conhece o terreno e possui um poder místico inigualável, capaz de manipular a mente dos próprios deuses.
Ikki finalmente mostra o seu rosto, alterando a estratégia que acabara de desenhar.
— Mudo a minha recomendação anterior, Vegeta. Kanon de Gêmeos deve ser o primeiro a entrar na Sala do Tempo. Não há ninguém mais qualificado para liderar a ofensiva mística e preparar as contramedidas contra os dois exércitos. Ele é o único homem que enganou um Deus e matou um Juiz. Traga-o de volta!
Atena, sentindo a verdade nas palavras de Fênix, assentiu.
— Ikki tem razão. A redenção de Kanon foi provada com seu sangue. Ele é indispensável agora.
— Certo! — gritou Goku para o Dragão. — Porunga! Nós aceitamos! Pode trazer os dez Cavaleiros e o Kanon de volta! Esse é o nosso primeiro pedido!
— Pelo visto eles também tem um redimido no grupo deles. – Diz Yamcha, fitando Vegeta.
— O PRIMEIRO DESEJO FOI ATENDIDO — trovejou Porunga. Seus olhos brilharam em um vermelho intenso, e uma onda de energia invisível varreu o universo, mergulhando no mundo dos mortos e arrancando de lá onze almas poderosas.
Goku não perdeu tempo. A imagem de Shun chorando e a esperança nos olhos de Saori estavam frescas em sua mente.
— Ótimo! Agora vamos para o próximo! — gritou Goku. — Porunga! O meu amigo Seiya de Pégaso foi ferido pela espada de Hades. Ele está numa cadeira de rodas, sem consciência e com a vida se apagando. O segundo desejo é: cure o Seiya completamente! Remova a maldição de Hades e faça ele voltar a ser quem era!
Moori traduziu rapidamente as palavras para o idioma de Namekusei. O Dragão permaneceu em silêncio por um breve segundo, sondando a Terra.
— A ESPADA DE HADES É UMA ARMA TERRÍVEL... MAS NÃO ESTÁ ALÉM DO MEU PODER — declarou o Deus Dragão. — A MALDIÇÃO SERÁ QUEBRADA. A VIDA DELE SERÁ RESTAURADA AGORA.
Novamente, os olhos do Dragão brilharam. Na Terra, uma luz dourada envolveu o corpo inerte de Seiya onde quer que ele estivesse, e instantaneamente, todos no Santuário sentiram um cosmo familiar e agressivo reacender como uma fogueira explosiva.
— É o cosmo do Seiya! — gritou Shiryu, emocionado. — Ele voltou! Ele realmente voltou!
Goku sorriu, satisfeito, mas a voz de Vegeta ecoou em sua mente, cortando a celebração. — Kakarotto! Não se distraia! O terceiro desejo! Traga-os para cá agora! Não temos tempo para que eles subam as doze casas ou venham voando de onde quer que tenham renascido!
Goku assentiu, ficando sério.
— Entendido, Vegeta.
Ele olhou para o gigante esmeralda. — Porunga! Para o terceiro e último desejo... Os onze Cavaleiros de Ouro que você acabou de reviver... Não os deixe espalhados pelo mundo. Transporte todos eles, agora mesmo, para o Templo de Kami-Sama na Terra!
Moori traduziu o comando final.
— MUITO BEM — respondeu Porunga. — ISSO É UMA TAREFA SIMPLES DE TELETRANSPORTE.
O brilho final do Dragão foi o mais intenso de todos.
O ar no pátio do templo de repente tornou-se pesado, saturado por uma pressão dourada esmagadora. Não era o Ki selvagem dos Saiyajins, nem a energia controlada dos Guerreiros Z. Era uma aura nobre, antiga e imponente.
Onze pilares de luz dourada caíram do céu, aterrissando no centro do pátio, diante de Vegeta, Piccolo, dos Cavaleiros de Bronze e dos Guerreiros Deuses.
Quando a luz se dissipou, onze figuras estavam de pé. Seus cosmos brilhando sob o sol, refletiam a majestade do Santuário.
Em Asgard e no Santuário, as reações foram unânimes e simultâneas: o semblante de incredulidade diante do que estavam presenciando reforçava que já não se tratava mais de esperança: a vitória era efetivamente uma realidade.
— Se eu não estivesse ao lado de vocês, poderia jurar que estou perdendo a sanidade. — Deixou escapar Siegfried.
Hyoga e Shiryu olhavam a imagem do Templo sem conter as lágrimas. Ikki permaneceu como estava, apesar de um discreto olhar de satisfação escapar de seu rosto, enquanto Shun mal piscava diante do acompanhava.
Mu de Áries, Aldebaran de Touro, Saga de Gêmeos, Kanon de Gêmeos, Máscara da Morte de Câncer, Aiolia de Leão, Shaka de Virgem, Milo de Escorpião, Shura de Capricórnio, Camus de Aquário e Afrodite de Peixes.
Eles olharam ao redor, confusos por um instante, sentindo a vida pulsar em suas veias novamente, até que seus olhos pousaram nos guerreiros desconhecidos à frente e na imagem projetada de Atena.
— EU REALIZEI TODOS OS SEUS DESEJOS — a voz de Porunga ecoou na mente de todos, vinda de Namekusei. — AGORA, EU PARTO.
As esferas em Nova Namekusei se elevaram, giraram e se dispersaram pelo planeta, enquanto o Dragão desaparecia, deixando para trás um exército dourado pronto para ser comandado.
O ar na Plataforma Celeste mudou. Para os Guerreiros Z, acostumados a sentir o Ki — uma energia vital que ardia como fogo, explodia como bombas e rugia como bestas selvagens —, a presença dos Cavaleiros de Ouro foi um choque sensorial.
O que emanava daqueles onze homens não era a fúria de um Super Saiyajin ou a malícia fria de um vilão intergaláctico. Era uma pressão imponente, sólida como montanhas e vasta como galáxias. Era um cosmo nobre, disciplinado, uma energia que não apenas pedia passagem, mas que ordenava respeito. Era o peso físico da Justiça.
Piccolo, com seus sentidos apurados de Namekuseijin e Deus, deu um passo para trás, suando frio.
— É diferente de tudo que já enfrentamos... — murmurou ele para Gohan. — Não é uma energia de destruição. É uma energia de... autoridade divina. Eles parecem pilares que sustentam o mundo.
Vegeta, que cruzara os braços esperando ver "soldados comuns", descruzou-os lentamente. Seus olhos de príncipe guerreiro analisavam a postura de Saga, a serenidade de Shaka e a ferocidade contida de Aiolia. Ele reconhecia a elite quando a via.
Eles não vestiam suas sagradas armaduras de ouro, mas sim roupas simples, túnicas ou as vestes civis com as quais haviam perecido. No entanto, mesmo desprotegidos e sem o brilho dourado os envolvendo, a majestade de suas presenças era inegável.
Eles olharam ao redor, confusos por um instante, sentindo a vida pulsar em suas veias novamente, até que seus olhos pousaram nos guerreiros desconhecidos à frente e na imagem projetada de Atena.
— Nós... estamos vivos? — Aiolia de Leão quebrou o silêncio, sua voz rouca, olhando para as próprias mãos sem as manoplas.
— Como isso é possível? — questionou Mú de Áries, olhando ao redor e vendo guerreiros estranhos com roupas de batalha laranjas e capas brancas.
Camus de Aquário e Milo de Escorpião olharam um para o outro na expectativa de confirmar que realmente estão vendo o que estão vendo.
Shaka de Virgem manteve de olhos fechados e sua postura serena, provavelmente já consciente do que estava acontecendo.
Shura de Capricórnio, Afrodite de Peixes e Máscara da Morte de Câncer olhavam para os companheiros num misto de gratidão e entendimento do peso da responsabilidade que caía sobre eles ao serem confiados a segunda chance em vida de lutarem por Atena.
O corpulento Aldebaran de Touro observava os olhares surpresos e curioses dos espectadores ao seu redor enquanto Kanon corria o olhar de Mú a Afrodite e de Afrodite a Mú na fila na qual estava inserido.
Saga de Gêmeos, no entanto, olhou para o lado. E ali, de pé, vestindo roupas idênticas às suas, estava Kanon. Os olhares dos irmãos se cruzaram — um misto de culpa, reconhecimento e, finalmente, uma aceitação silenciosa de que estavam, pela primeira vez, lutando do mesmo lado da história desde o início.
Antes que as perguntas tomassem conta, a voz de Atena ressoou, projetada na mente de cada um deles com uma clareza cristalina. Ela não estava ali fisicamente, mas seu cosmo amoroso os envolveu como um abraço de boas-vindas.
— Meus amados Cavaleiros Dourados... — começou Saori. A emoção em sua voz era palpável, fazendo com que todos os onze se ajoelhassem instantaneamente em reverência, em um movimento silencioso e sincronizado no chão de pedra. — Meu coração transborda de alegria por tê-los de volta. Vocês cumpriram seus deveres além da morte, e o milagre que os trouxe aqui é a prova de que o universo ainda precisa da sua luz.
Os cavaleiros baixaram as cabeças, honrados, mas Atena mudou o tom. A doçura deu lugar à dureza do aço.
— No entanto, não posso lhes dar o tempo para o luto ou para celebrações — continuou Atena, gravemente. — A situação é crítica. Hades não foi derrotado. Ele se aliou a Poseidon. Dois exércitos divinos marcham contra a Terra neste momento. O Santuário está vazio. Aiolos e Dohko não puderam retornar. Vocês são a última barreira.
Saga ergueu o rosto, seus olhos recuperando o foco de liderança que lhe era natural.
— Ordene, Atena. O que devemos fazer?
A imagem de Atena apontou para Piccolo e para a porta do templo atrás dele.
— Vocês devem confiar nestes guerreiros aliados. Eles são os responsáveis pelo retorno de vocês. Eles possuem um meio de lhes dar força para superar os deuses em questão de horas.
Atena focou sua atenção especificamente nos gêmeos.
— Kanon... Saga... A estratégia foi traçada. Não há tempo para explicações detalhadas agora. Kanon, você tem o conhecimento do inimigo e o poder necessário. Você será o primeiro.
Atena encerrou a transmissão com um comando final:
— Preparem-se para elevar seus cosmos ao infinito mais uma vez! A verdadeira Guerra Santa começa agora.
— Atena! — A voz de Shun irrompeu na mente de todos, trêmula e carregada de urgência, vinda diretamente da entrada das Doze Casas na Grécia. — As Casas do Zodíaco... elas começaram a ressoar sozinhas! É um som ensurdecedor, como se a montanha inteira estivesse chorando de alegria!
— Elas não estão apenas ressoando, Shun — completou Ikki, sua voz grave cortando a interferência. — Elas partiram. As Caixas se abriram. As Armaduras de Ouro estão atravessando o céu agora mesmo!
Na Plataforma Celeste, os onze homens ajoelhados sentiram o chamado em suas almas antes mesmo de verem qualquer coisa. Era um vínculo que transcendia a morte. Eles não precisavam de olhos para saber; suas constelações protetoras estavam vindo ao seu encontro.
Com uma sincronia perfeita, os Cavaleiros de Ouro viraram-se na direção do ocidente, apontando para a Grécia distante. Eles mantiveram os joelhos no chão, cabeças baixas em respeito absoluto não apenas à Deusa, mas ao peso do legado que estava prestes a pousar sobre seus ombros novamente.
Foi então que o céu se partiu.
Não foi um raio, nem um meteoro. Foi uma linha horizontal de luz dourada que rasgou a atmosfera, viajando da Grécia até o Templo de Kami-Sama em uma fração de segundo. O brilho era tão intenso, tão puro e concentrado, que ofuscou o sol do meio-dia.
Goku, instintivamente, levou o braço à frente dos olhos, recuando um passo.
— Incrível! — gritou o Saiyajin, sentindo a pele formigar com a pressão daquela luz. — Esse brilho... é vermelho e dourado ao mesmo tempo! É muito mais denso e intenso que o meu Kaioken aumentado vinte vezes!
Os outros Guerreiros Z, acostumados a verem transformações de energia, ficaram paralisados. A luz emanava autoridade e solenidade. Ela engoliu a Plataforma Celeste inteira em um clarão que obrigou a todos a desviarem o olhar por um instante.
Dentro daquele pilar de luz, ouviu-se o som inconfundível que todo guerreiro sagrado conhece: o tinir metálico divino. O som de metal estelar se desmontando e se remontando em torno da carne humana.
Clang. Shhh-vrum. Clack.
Quando o brilho finalmente diminuiu, revelando novamente o pátio de pedra, o silêncio retornou. Mas os dez homens já não vestiam trapos ou roupas de treino.
Eles estavam de pé agora, erguidos pela majestade de suas proteções. O sol refletia nas superfícies polidas, cegando qualquer um que ousasse olhar diretamente.
Eles eram, novamente, os Cavaleiros de Ouro, a elite do exército de Atena.
— Agora sim — disse Vegeta, um sorriso de satisfação cruzando seu rosto ao sentir o aumento exponencial do poder deles com as armaduras. — Agora sim parece um exército.
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