Dragon Ball CDZ: A Batalha do Zodíaco

19 Dia 3 - Aiolos de Sagitário


A SAGA DO SANTUÁRIO

Poseidon caminhava impaciente pelo salão do Castelo de Hades. A paciência estratégica de Radamanthys fazia sentido militarmente, mas a intuição divina do Imperador dos Mares estava gritando.

— Ela foi a Asgard e voltou... e agora, silêncio — murmurou Poseidon, os olhos brilhando com uma luz azulada perigosa. — Athena não é de se esconder em tocas. Se ela está quieta, é porque está preparando o terreno. Eu não gosto de águas paradas; elas escondem predadores.

Ele parou e fechou os olhos, estendendo sua consciência divina para o Mediterrâneo, especificamente para o Mar Egeu que banhava o sopé do Santuário.

— Se eles querem brincar de estátua, vamos ver se conseguem se manter imóveis quando o chão desaparecer sob seus pés.

Poseidon enviou seu comando mental diretamente para sua agente mais leal e próxima do alvo.

— Tetis... Acorde o oceano.


Lá na Grécia, na orla rochosa onde a vigília estava montada, Tetis de Sereia estava oculta sob a superfície, aguardando ordens. Ao receber o comando de seu mestre, ela sorriu. Seus olhos brilharam em um tom carmesim, e ela ergueu as mãos, manipulando o cosmo das profundezas.

O efeito foi imediato e aterrorizante.

Shaina, Marin, Yamcha e Kuririn, que observavam o horizonte, sentiram um calafrio na espinha. O som relaxante das ondas quebrando na praia cessou abruptamente.

— Olhem! — gritou Yamcha, apontando para a linha d'água.

O mar não estava apenas recuando como em um tsunami natural; ele estava fluindo ao contrário. A água começou a ser sugada da costa com uma violência sobrenatural, expondo corais, rochas e navios naufragados há séculos. O fluxo da correnteza, que deveria seguir para o sul, inverteu-se violentamente, criando redemoinhos furiosos que giravam no sentido anti-horário, desafiando as leis da física.

— A pressão atmosférica despencou! — alertou Marin, segurando sua máscara contra o vento repentino.

Então, o mar que havia recuado ergueu-se. Não como uma onda, mas como uma parede líquida e trêmula que se recusava a cair, fervilhando e espumando como se a própria água estivesse com raiva. O oceano ao redor do Santuário havia se tornado uma besta viva, pronta para engolir a terra a qualquer comando.

— Eles cansaram de esperar — disse Shaina, acendendo seu cosmo roxo. — Poseidon está batendo na porta.

Enquanto o mar rugia e se contorcia lá embaixo, desafiando a gravidade sob o comando de Tetis, um silêncio reverente foi quebrado na parte alta das Doze Casas.

Dentro da desabitada Nona Casa, a Urna de Sagitário começou a vibrar. Não houve necessidade de um chamado humano. A Vontade de Aiolos, que persistia naquelas peças de ouro mesmo após décadas de sua morte, sentiu a ameaça se aproximando da entrada o Santuário.

Com um som metálico que ecoou como um hino, a urna se abriu. As peças douradas flutuaram e se uniram no ar, assumindo a forma majestosa do Centauro Dourado. As asas se abriram, projetando uma luz solar intensa que cortou a escuridão crescente provocada pela tempestade.

O arco se retesou sozinho. A flecha de ouro, carregada de justiça, virou-se lentamente e apontou para as falésias costeiras, travando sua mira exatamente onde Tetis de Sereia ocultava seu cosmo nas águas revoltas.

A quilômetros dali, cortando o céu em alta velocidade, Goku e Uub viram o pilar de luz dourada rasgar as nuvens.

— Mestre, olhe aquilo! — exclamou Uub, apontando para o brilho no topo da montanha. — É uma energia incrível... parece o sol!

Goku sorriu, sentindo a pureza daquele poder, muito diferente da malícia que sentia vindo do mar. Ele já tinha visto aquele brilho antes.

— Aquela é a luz de um aliado, Uub. Eles estão nos guiando. É para lá que vamos! Aumente a velocidade!

No Salão do Grande Mestre, Shiryu parou abruptamente sua conversa com Kanon. A Armadura de Libra em seu corpo ressoou, vibrando em harmonia com uma frequência que ele conhecia muito bem.

— Essa sensação... — murmurou Shiryu, virando o rosto na direção da saída.

— Aiolos... — completou Seiya, seus olhos se arregalando.

Sem dizer mais nada, o grupo inteiro correu para a varanda externa. Kanon, Atena, os Cavaleiros de Bronze, os Androides e os Guerreiros Z se alinharam no parapeito.

A visão era magnífica. Enquanto o oceano lá embaixo era um caos de espuma e fúria, no topo da Casa de Sagitário, a armadura brilhava como um farol de esperança, imóvel e imponente.

— A Armadura de Sagitário se montou sozinha — observou Piccolo.

— E vejam a flecha — apontou Hyoga. — Ela não está apontada para o céu, nem para nós. Ela está mirando diretamente para o mar. Aiolos está nos mostrando onde o inimigo está escondido.

Atena segurou seu báculo com firmeza, sentindo o espírito de seu mais leal protetor.

— Mesmo sem um corpo físico, Aiolos continua protegendo esta montanha. Ele está nos dizendo que a batalha começou.


Lá no alto, na quietude sagrada da Plataforma Celeste, o vento parou.

De repente, um som agudo e cristalino, como o tinir de sinos de vento, começou a emanar dos corpos dos cinco Cavaleiros de Ouro presentes.

Milo olhou para o próprio braço com espanto. A braçadeira da Armadura de Escorpião estava vibrando intensamente, emitindo um brilho dourado pulsante que parecia querer sincronizar-se com algo distante.

— O que é isso? — perguntou Máscara da Morte, olhando para o peitoral de Câncer, que zumbia contra seu peito. — Minha armadura... ela está inquieta.

Camus fechou os olhos, sentindo a frequência da vibração.

— É uma ressonância — explicou, sua voz solene. — As Doze Armaduras de Ouro são conectadas pelo círculo do zodíaco e pelo sangue de Atena. Quando uma delas desperta seu poder máximo ou clama por justiça, as outras respondem.

Aldebaran caminhou até a borda da plataforma, seus olhos voltados para baixo, penetrando as camadas de nuvens.

— E esta frequência é inconfundível — disse. — É a mais nobre e leal de todas. É Aiolos.

— Sagitário... — sussurrou Afrodite, sentindo um arrepio percorrer sua espinha, algo raro para alguém tão frio. — A Armadura dele despertou sozinha no Santuário?

— Sim — confirmou Milo, sentindo o sangue ferver com a adrenalina do chamado. — Aiolos está soando o berrante de guerra. Ele está nos dizendo que a espera acabou. O inimigo está no portão.

Os cinco Cavaleiros de Ouro se alinharam na borda do templo, suas armaduras brilhando em uníssono, respondendo ao chamado do Centauro lá embaixo. Não precisavam mais de telepatia ou de suposições. A própria alma da Ordem Dourada havia decretado: a Batalha do Santuário havia começado.