Dragon Ball CDZ: A Batalha do Zodíaco

20 Dia 3 - Goku e Vegeta Chegam ao Santuário


A SAGA DO SANTUÁRIO

No interior do Salão do Grande Mestre, Piccolo levou dois dedos à testa, fechando os olhos com força. Sua capa branca agitou-se levemente com a concentração de seu ki.

Goku! Onde diabos você se meteu? — projetou Piccolo mentalmente. — A Armadura de Sagitário já deu o sinal. O ataque começou.

A resposta veio instantânea, clara e despreocupada na mente do Namekuseijin:

Ei, Piccolo! Calma, calma. Já cheguei! Pousamos agora mesmo na entrada. Nossa, esse lugar é cheio de pedras, né?

Piccolo abriu os olhos, soltando o ar com força, um misto de irritação e alívio. Ele se virou para o grupo que aguardava ansioso.

— Ele chegou — anunciou Piccolo, sua voz grave ecoando pelo salão. — Goku e Uub estão na base das Doze Casas.

A notícia foi como uma injeção de adrenalina. Kanon foi o primeiro a caminhar em direção à grande varanda externa, seguido imediatamente por Athena, os Androides e, claro, os Cavaleiros de Bronze.

Seiya, Hyoga, Shiryu e Shun correram até o parapeito de mármore, debruçando-se para olhar a imensa escadaria que serpenteava montanha abaixo.

— Finalmente! — exclamou Seiya, com um sorriso de orelha a orelha, ignorando a dor em seu corpo. — O reforço pesado chegou!

— Incrível... — comentou Shun, apertando os olhos para ver os pequenos pontos lá embaixo. — Mesmo daqui de cima, dá para sentir que a presença deles é diferente. Não é agressiva, é... confiante.

Lá embaixo, na entrada da Primeira Casa de Áries, dois vultos destoavam da arquitetura grega antiga. Goku, com seu dogi laranja, olhava para cima, coçando a nuca diante da monumental subida, enquanto Uub parecia nervoso e maravilhado ao mesmo tempo.

Goku avistou o grupo de Athena lá no topo, minúsculos como formigas. Ele levou as mãos à boca em forma de concha, encheu os pulmões de ar e gritou, sua voz potente subindo as montanhas e ecoando por todo o Santuário, quebrando qualquer protocolo solene:

— OIII! ATHENA! PESSOAL!

O eco reverberou: Oiii... Oiii...

Goku continuou, berrando a plenos pulmões:

— ESCUTA AQUI, NÃO TEM UM OUTRO JEITO DE SUBIR NÃO?! TIPO UM CAMINHO PRA QUEM VOA?! É QUE EU TÔ MORRENDO DE FOME E ESSAS ESCADAS AQUI PARECEM QUE NÃO ACABAM NUNCA! NÃO TEM UM LANCHINHO AÍ EM CIMA?!

Uub soltou uma risada sincera enquanto analisava o entorno do Santuário.

No topo, um silêncio constrangedor se instalou por um segundo. Kanon bateu a mão na testa, desacreditado. Os Cavaleiros de Bronze, no entanto, começaram a rir, sentindo a tensão mortal do momento se dissolver diante da simplicidade daquele guerreiro.

— É... definitivamente é ele — riu Tenshinhan. — Só o Goku para pedir comida antes de enfrentar deuses.

Antes que o eco do pedido absurdo de Goku sobre o "lanchinho" terminasse de reverberar pelas montanhas, a realidade acima da Primeira Casa foi rasgada.

O som agudo e perturbador do próprio tecido do tempo-espaço sendo forçado partiu o céu azul da Grécia em uma fenda escura.

— O que é aquilo?! — gritou Uub, protegendo os olhos da luz estranha.

Da escuridão daquela fenda temporal, uma nave esférica, gasta e com marcas de batalha, foi cuspida para fora com violência. Ela despencou como um meteoro, colidindo contra o solo rochoso a poucos metros de Goku, levantando uma nuvem de poeira e fazendo o chão das Doze Casas tremer.

Lá no alto, no Salão do Mestre, Piccolo arregalou os olhos. Ele reconheceu a assinatura de energia instantaneamente, mas o que o chocou foi o método de entrada.

— Vegeta, seu infeliz. — pensou Piccolo alto, um sorriso incrédulo se formando.

Lá embaixo, a porta da nave amassada explodiu para fora com um chute violento. Em meio à fumaça, uma figura baixa, vestindo o uniforme azul escuro, luvas e botas brancas e com uma expressão de poucos amigos saiu pisando duro.

— KAKAROTTO! — O berro de Vegeta foi tão potente que competiu com o trovão da fenda ainda aberta. — Pare de pensar em comida e suba logo essas malditas escadarias!

— Ele sempre tem que fazer uma entrada dramática? — Diz 18, lá de cima.

Goku riu, coçando a cabeça, nem um pouco intimidado.

— Ah, Vegeta... Nós chegamos praticamente juntos.

Mas a chegada não havia terminado. Da mesma fenda, segundos depois, desceu uma segunda nave, muito mais icônica para os Guerreiros Z: a Máquina do Tempo, com a palavra "HOPE" pichada na lateral. Ela pousou com suavidade ao lado da cratera fumegante de Vegeta.

A cúpula de vidro se abriu e um jovem de jaqueta jeans curta, olhar sério e uma espada nas costas saltou para fora, parando ao lado do pai.

Do alto do Templo, os Cavaleiros de Bronze observavam a cena, fascinados pela tecnologia e pelo poder bruto que emanava dos recém-chegados.

— Eu acho que aquele ali deve ser o Vegeta. — comentou Hyoga, sentindo a energia orgulhosa do Príncipe dos Saiyajins.

Seiya, no entanto, estreitou os olhos, focado na segunda figura que empunhava a espada e parecia carregar o peso de um futuro apocalíptico nos ombros.

— O baixinho invocado eu entendi... — disse Seiya, curioso. — Mas quem é o de cabelo roxo?

— É o Trunks! — exclamou Gohan, sua voz carregada de uma animação súbita, os olhos brilhando ao reconhecer o ki familiar e nostálgico do velho companheiro de batalha. — Aquele é o Trunks!

Gohan vinha lá do fundo do salão em direção à varanda, olhando lá para baixo. Os Cavaleiros de Bronze olharam para Gohan, confusos por um segundo.

— O Vegeta... — continuou com um sorriso de orgulho se formando. — Ele não estava sumido à toa. Ele foi buscar o único guerreiro em quem ele confia para cobrir a casa que ele pegou.

Lá embaixo, Vegeta e Trunks sacaram pequenos estojos, apontaram para suas respectivas naves e apertaram um botão.

Poof! Poof!

Em duas nuvens de fumaça branca, as pesadas naves espaciais desapareceram, transformando-se em duas minúsculas cápsulas Hoi-Poi, que os Saiyajins guardaram nos bolsos num movimento fluido.

— Oi, Senhor Goku!

— Trunks! — Goku, surpreso, cumprimenta o rapaz com o aperto no ombro. — Agora entendi o assunto mais importante que você tinha para resolver, Vegeta.

Os quatro olham para a entrada da casa de Áries e percorrem com o olhar o caminho até o topo da montnha.

— É muito chão. — Comenta Uub. — E é bem pedregoso isso aqui.

Goku olha ao redor.

— O bom é que não precisamos nos desculpar por nenhum estrago da batalha. Esse lugar já está todo destruído. — Comenta Goku.

Trunks e Uub dão uma risada.

— Deixe de ser burro, Kakarotto. Isso aqui são as ruínas da Grécia Antiga. — Vegeta e sua amabilidade inexistente.

Goku continua mapeando os arredores com o olhar.

— E como é que você sabe disso?

— Um príncipe Saiyajin deve conhecer bem o lugar onde habita, mesmo que não seja de seu domínio.

Goku olhou bem para a cara de Vegeta.

— Ah, a Bulma mandou você ajudar o Trunks naquele dever de casa, não foi? — Ele sorri, colocando as mãos na cintura, enquanto Vegeta cruzou os braços olhando para o lado oposto com a cara vermelha. — A Chichi também, mas não deu muito certo, não.

Trunks e Uub balançavam a cabeça e riam, até notarem a luz dourada sobre a casa 9.

— O que aquela armadura está fazendo ali em cima? — Perguntou Trunks.

Goku e Vegeta dirigem o olhar para lá.

— Esta é a armadura que não tem dono. Ele não pôde ser ressuscitado. — Respondeu Goku, já mais sério. — Eu não sinto sinal de inimigo, só o ki de Atena e dos cavaleiros dela.

— Não fiquem aí parados olhando para o céu! — gritou Vegeta, já se virando para a escadaria. — Vamos!

Sem esperar resposta, Vegeta disparou, subindo os degraus de pedra com uma velocidade que deixava rastros de poeira para trás. Trunks o seguiu imediatamente, a mão segurando firmemente a alça da espada em suas costas.

— Ei! Esperem pela gente! — gritou Goku. — Vamos, Uub! É uma corrida!

Goku e Uub arrancaram logo atrás, suas auras criando um vento forte que balançou as colunas da entrada da Casa de Áries enquanto o trio de Saiyajins e o terráqueo invadiam o Santuário na velocidade do som.


Lá no alto, vendo a explosão de poder subindo a montanha, Piccolo sorriu. Ele levou dois dedos à testa mais uma vez, restabelecendo a conexão mental com a Plataforma Celeste.

Ei, veneninho no rabo... — chamou Piccolo, com um tom de escárnio amistoso.

Milo, lá em cima, quase tropeçou com o apelido infame.

Como é que é, seu ogro?!

A cavalaria acabou de chegar.