Dragon Ball CDZ: A Batalha do Zodíaco

15 Dia 2 - Sobre Touros e Leões


A SAGA DO SANTUÁRIO

Enquanto a tensão aumentava no Santuário, a milhares de quilômetros dali, em uma pequena ilha tropical no hemisfério sul, a vida seguia seu ritmo pacífico.

Uub estava carregando grandes troncos de madeira nas costas, ajudando na reconstrução de um celeiro da vila, quando sentiu aquela presença familiar. Ele soltou a carga no chão, fazendo a terra tremer levemente, e se virou bem a tempo de ouvir o som característico de deslocamento de ar.

Pop!

Goku materializou-se no meio da estrada de terra, com dois dedos na testa, usando o Teletransporte.

— Goku! — gritou o jovem, correndo para abraçar seu mentor.

A recepção foi calorosa. Os aldeões, que já conheciam o herói, sorriram e acenaram, mas Uub logo se afastou, olhando para Goku com um misto de alegria e reprovação.

— Mestre, o senhor partiu tão de repente da última vez! Deixou o treino pela metade e sumiu — disse Uub, preocupado. — Aconteceu alguma coisa grave? Eu senti energias estranhas surgindo na Terra...

Goku coçou a nuca, com aquele seu jeito encabulado, mas logo sua expressão tornou-se séria, algo que fez Uub endireitar a postura imediatamente.

— Desculpe, Uub. As coisas ficaram complicadas muito rápido. E é exatamente por isso que estou aqui. — Goku olhou nos olhos do garoto. — A Terra está sob ataque. Não é um torneio de artes marciais, e não é um treino. É uma guerra contra deuses que querem exterminar a humanidade.

Uub engoliu em seco.

— Uma guerra? Mas... eu estou pronto? O senhor mesmo disse que meu controle de Ki ainda oscila quando fico nervoso. Nós não terminamos o treinamento.

Goku colocou a mão pesada no ombro do discípulo.

— O treino no dojo acabou, Uub. A verdadeira lição começa agora. Eu sei que você ainda tem muito a aprender sobre técnica, mas em termos de potencial bruto... você é um monstro. Você carrega a essência do Majin Buu dentro de si.

Goku sorriu, um sorriso cheio de confiança que contagiou o rapaz.

— Esta será a sua primeira batalha real. Não para ganhar um prêmio, mas para proteger sua família, sua vila e todo o mundo. Eu preciso que você proteja uma das Doze Casas do Santuário, na Grécia. Eu preciso que você seja a parede que o inimigo não vai conseguir derrubar. Você aceita o desafio?

Uub olhou para sua vila, para as crianças brincando ao longe, e depois para seus próprios punhos. O medo estava lá, mas a vontade de proteger era maior. Ele fechou a cara, assumindo a determinação de um Guerreiro Z.

— Eu aceito, Mestre. Não vou decepcionar.

— Ótimo! — exclamou Goku. — Mas temos uma regra. O inimigo pode sentir nossa energia. Tenshinhan pediu para que chegássemos de surpresa.

Goku abaixou o tom de voz.

— Suprima seu Ki. Esconda-o completamente. Vamos voar até a Grécia no modo furtivo. Quero que eles só saibam que você é perigoso quando já for tarde demais.

Uub respirou fundo, concentrando-se. A aura poderosa que emanava dele desapareceu, recolhendo-se para dentro do corpo até que ele parecesse, para qualquer sensor, apenas um humano comum.

— Estou pronto.

— Vamos! — comandou Goku.

Os dois dispararam para o céu, rasgando as nuvens em velocidade supersônica, deixando a ilha pacífica para trás e rumando para o epicentro da tempestade no Mediterrâneo. A Casa de Touro aguardava seu novo guardião.

Algumas horas depois, a calmaria da Plataforma Celeste foi rompida por uma aterrissagem coletiva. Gohan desceu dos céus trazendo Videl e Chi Chi, enquanto Goten voava ao lado carregando uma mochila enorme de suprimentos. Logo atrás, Kanon aterrissou com a elegância habitual, mas com uma expressão de leve irritação, trazendo Mr. Satã pendurado em um braço — gritando de pavor pela altura — e Majin Buu flutuando logo atrás, comendo chocolates despreocupadamente. A chegada da comitiva trouxe uma súbita onda de barulho e vida civil para o santuário sagrado; Chi Chi imediatamente começou a organizar o espaço como se fosse sua casa.

Os demais cavaleiros que aguardavam apenas se divertiam com o tumulto causado.

— Com certeza vai ser uma batalha nem um pouco convencional. — Comentou Aldebaran de Touro. — Eu gosto.

— Um pouco de bom humor é sempre bem-vindo em tempos sombrios. — Respondeu Camus de Aquário, observando a dinâmica da família de Goku.

Kanon apenas soltou o "Campeão Mundial" no chão e suspirou, cumprindo sua missão de escolta com a eficiência de um general, embora seus olhos deixassem claro que ele preferiria enfrentar os três Juízes do Inferno sozinhos a ter que lidar com aquela família barulhenta novamente.

Enquanto a confusão da chegada se desenrolava no pátio, Goten aproveitou um momento de distração de Chi Chi para correr pelos corredores de pedra do Templo.

Ele encontrou o quarto reservado. A luz era fraca, iluminando as camas onde Bulma e Trunks repousavam como estátuas de cera, pálidos e imóveis.

— Ei, Trunks! — chamou Goten, correndo até a cabeceira do amigo com um sorriso nervoso. — O meu irmão disse que a gente ia lutar contra uns caras maus! Levanta logo, para de fingir que tá dormindo!

Goten sacudiu o ombro de Trunks. O corpo do amigo balançou, inerte, sem nenhuma reação muscular. A cabeça de Trunks pendeu para o lado, os olhos fechados, a respiração tão superficial que parecia inexistente.

O sorriso de Goten desapareceu instantaneamente. O pânico gelado tomou conta dele.

— Tia Bulma! — Goten cutucou o braço dela, impaciente. — Acorda, tia Bulma! Fala pro Trunks parar com essa brincadeira sem graça. A gente precisa treinar!

Bulma não se moveu. O toque de Goten foi respondido apenas pela frieza da pele dela e pelo silêncio absoluto. Ao ver que nem ela, sempre tão enérgica e barulhenta, reagia aos seus chamados, o pânico gelado tomou conta dele.

— Tia Bulma? Trunks?! — Goten voltou a sacudir o amigo com força, lágrimas brotando nos olhos. — ACORDEM! ISSO NÃO TEM GRAÇA!

Antes que o pequeno Saiyajin pudesse elevar seu ki em desespero e acidentalmente destruir o quarto com sua aura, duas mãos negras e fortes o agarraram pela cintura, levantando-o do chão com facilidade.

— Não adianta gritar, pequeno. — disse a voz grave e calma de Mr. Popo. — O sono deles é mágico.

Goten começou a se debater violentamente no ar, chutando e socando os braços imutáveis do assistente de Kami-Sama, incapaz de aceitar aquela realidade.

— Me solta! — berrava Goten, o rosto vermelho de choro e raiva, sua voz ecoando agudamente pelos corredores sagrados. — Me solta, eu quero ajudar o meu amigo! Quem fez isso com ele?! QUEM FEZ ISSO?!

Mr. Popo, mantendo a expressão, mas com um olhar de tristeza, carregou o menino para fora do quarto, afastando-o da visão traumática de seu melhor amigo em coma, enquanto os gritos de Goten atraíam a atenção preocupada de Gohan e Videl no corredor e dos demais cavaleiros que aguardavam sua vez.

Os gritos de Goten ecoavam pelo corredor de pedra, uma mistura de fúria infantil e dor genuína, enquanto ele tentava se soltar do aperto de ferro de Mr. Popo.

— Solta! Eu vou quebrar a cara de quem fez isso!

De repente, uma mão coberta por uma manopla dourada pousou suavemente, mas com firmeza, no ombro de Mr. Popo.

— Deixe o menino comigo, Sr. Popo. — disse uma voz grave e calorosa.

Mr. Popo parou e olhou para o lado. Aiolia de Leão estava encostado na parede de pedra, com a capa branca caindo sobre os ombros e o elmo sob o braço. O assistente de Kami-Sama assentiu, soltando Goten devagar.

Goten caiu no chão, limpando as lágrimas com raiva, pronto para gritar com o novo intruso, mas parou ao ver o brilho da Armadura de Ouro. Ele olhou para cima, encarando o homem de cabelos castanhos e olhar nobre.

Aiolia se agachou para ficar na altura dos olhos do pequeno Saiyajin. Ele sorriu, um sorriso franco e cheio de dentes, que transmitia uma confiança imediata.

— Você tem os olhos dele. E o cabelo rebelde também — comentou Aiolia, analisando o rosto do garoto. — Você deve ser filho do Goku, não é?

Goten fungou, surpreso pela mudança de tom.

— Sou... Sou o Goten. E quem é você?

— Eu sou Aiolia de Leão, sou aliado do seu pai. — disse Aiolia, bagunçando levemente o cabelo de Goten. — Por que tanta gritaria, pequeno? Um guerreiro não desperdiça fôlego com lágrimas.

— É que... o Trunks é meu melhor amigo... — Goten, fechando os punhos. — A gente treina junto todo dia. Se ele não acordar, a gente não pode lutar contra os vilões! E se a gente não lutar, quem vai proteger a Terra?

Aiolia ergueu uma sobrancelha, genuinamente curioso.

— Lutar? Você é muito corajoso, Goten, mas esses inimigos são deuses. Até nós, Cavaleiros de Ouro, temos dificuldades. O que você e o Trunks poderiam fazer?

Goten estufou o peito, ofendido com a dúvida.

— A gente é muito forte, o senhor não sabe? Quando eu e o Trunks fazemos a dança certa e encostamos os dedos, a gente faz a Fusão!

— Fusão? — repetiu Aiolia, confuso.

— É! A gente mistura os corpos e vira um guerreiro só! O Grande Gotenks! — Goten fez gestos exagerados com as mãos, imitando os movimentos da técnica. — O Gotenks é super forte, solta fantasmas explosivos e joga vôlei com os monstros! A gente ia dar uma surra nesses deuses feios se o Trunks acordasse!

Aiolia piscou algumas vezes, processando a informação absurda de que duas crianças podiam se fundir em um ser que jogava vôlei com monstros. Então, o Cavaleiro de Leão jogou a cabeça para trás e soltou uma gargalhada alta e honesta, que ecoou pelo corredor, dissipando a tensão do ambiente.

— Hahahaha... Fantasmas explosivos? Fusão de corpos? — Aiolia riu, balançando a cabeça, encantado com a audácia. — Pelos deuses, vocês Saiyajins são uma caixinha de surpresas!

Ele colocou a mão no ombro de Goten, agora com um olhar de respeito.

— Gostei de você, garoto. Você tem o coração de um leão. Não tem medo do perigo, só de perder o amigo. — Aiolia ficou sério, mas gentil. — Deixe o Trunks descansar. Nós vamos lutar para que ele acorde. E quando ele acordar, eu quero ver essa tal de "Fusão" com meus próprios olhos. Combinado?

Goten olhou para o Cavaleiro de Ouro, sentindo a sinceridade dele. Ele enxugou a última lágrima e assentiu.

— Combinado, senhor Leão!

Aiolia sorriu, levantando-se.

— É Aiolia. Agora vá, sua mãe deve estar procurando por você.

Goten ia andando, mas volta correndo. Cutucou a bota dourada de Aiolia.

— Sim, Goten. — Ele olhou para baixo, com paciência.

— Senhor Leão, é que eu não sei o meu signo... Eu posso ser de leão também?

AIolia sorriu diante da ingenuidade do menino.

— Sim, Goten de Leão.

Com seus familiares agora protegidos, Gohan se prepara para ir ao Santuário com Kanon.