Dragon Ball CDZ: A Batalha do Zodíaco
12 Dia 1 - Trabalhos nas Sombras
A SAGA DO SANTUÁRIO
O sol do Mediterrâneo banhava o chão de mármore da Sala do Grande Mestre, filtrado pelas longas cortinas de veludo vermelho. O silêncio ali, no ponto mais alto do Santuário, era diferente do silêncio da Sala do Espírito e do Tempo. Não era um vazio, mas uma pausa para respirar.
Pela primeira vez em anos, os quatro Cavaleiros de Bronze — Shiryu, Hyoga, Shun e Ikki — estavam reunidos sem estarem cobertos de sangue ou à beira da morte.
Atena estava de pé junto ao trono, segurando seu báculo e olhando para seus guerreiros com um carinho que transcendia a relação entre deusa e servos. Eram irmãos de armas.
— Nem parece verdade... — murmurou Shun, olhando para as próprias mãos e depois para os amigos.
— Não baixe a guarda, Shun — disse Ikki, encostado em uma pilastra na sombra, de braços cruzados. Mas, apesar do tom ríspido, havia um leve sorriso no canto da boca do Fênix. — A guerra ainda não começou.
— Deixa ele, Ikki — interveio Hyoga, fechando os olhos e sentindo a paz momentânea. — Nós merecemos esses minutos. É a primeira vez que o grupo está completo desde antes das Doze Casas originais.
Shiryu, que estava ao lado de Saori, olhou para a entrada do salão.
— Quase completo. Falta ele.
Shaina de Cobra andava de um lado para o outro, impaciente, suas botas estalando no piso. Marin de Águia, sempre estoica, a observava com calma.
— Aquele idiota... — resmungou Shaina, embora sua ansiedade fosse visivelmente preocupação. — Ele acabou de ser curado por um dragão mágico e já está atrasado. Será que ele se perdeu no caminho para cá?
— Ele nunca se perde quando o assunto é proteger Atena, Shaina — respondeu Marin, cruzando os braços. — Você sabe disso melhor do que ninguém.
Passos rápidos e barulhentos ecoaram no corredor de entrada. Não eram passos de um deus ou de um espectro, mas a corrida desajeitada e cheia de vida de alguém muito familiar.
— Ei! Esperem por mim!
Seiya irrompeu no salão principal, freando bruscamente para não escorregar no mármore. Ele vestia a Armadura de Pégaso restaurada, e seu rosto, antes pálido e marcado pela Maldição de Hades, agora estava corado de saúde e energia.
Ele parou no centro, ofegante, e abriu um sorriso largo, coçando o nariz com o polegar.
— Ufa! Essa subida cansa mais do que eu lembrava. Acho que fiquei tempo demais naquela cadeira de rodas.
— Seiya! — exclamou Shun, correndo para abraçar o amigo.
Hyoga e Shiryu se aproximaram, colocando as mãos nos ombros de Pégaso. Até Ikki desencostou da pilastra e acenou com a cabeça, um gesto que valia por mil abraços.
— Você está bem mesmo, Seiya? — perguntou Shiryu, examinando o amigo. — O cosmo de Hades desapareceu completamente?
— Me sinto novo em folha! Estou pronto para acabar com Thanatos de novo se ele aparecer.
Seiya então olhou para frente, onde Saori o aguardava. Ele ficou sério por um segundo, a reverência e o carinho misturados em seu olhar, e caminhou até ela. Ele fez menção de se ajoelhar, mas Saori segurou suas mãos, impedindo-o.
— Bem-vindo de volta, Seiya — disse Atena, sua voz embargada.
— Eu disse que voltaria, Saori — respondeu Seiya, apertando as mãos dela. — Nós sempre voltamos.
Shaina bufou, disfarçando o alívio.
— Ótimo. Agora que a "Bela Adormecida" acordou, podemos focar no fato de que temos dois exércitos divinos vindo para cá?
Seiya soltou as mãos de Saori e virou-se para os amigos, o brilho brincalhão dando lugar à determinação do Matador de Deuses.
— A Shaina tem razão, mas essa é a nossa casa. — Seiya olhou para cada um dos quatro amigos e para as amazonas. — Nós já fizemos milagres antes. Vamos fazer mais um.
— Já tivemos milagres o suficiente. — Cortou Ikki. — Um dragão mágico ressuscitou os cavaleiros de ouro e curou o Seiya. Mas o Santuário nunca foi atacado por dois deuses juntos e ainda estamos em menor vantagem.
O riso de Seiya foi diminuindo aos poucos, mas não porque sentiram alguma ameaça. Pelo contrário, o que chamou a atenção foi o silêncio total.
Centenas de metros abaixo, um pequeno grupo avançava pelo Cemitério dos Cavaleiros. Piccolo liderava o caminho, mantendo a capa pesada firme contra o vento, seguido por Tenshinhan. Yamcha e Kuririn vinham logo atrás, saltando entre lápides antigas com passos leves.
— Nossa... por aquele holograma do Mú, esse lugar parecia menor — reclamou Yamcha, olhando para a sucessão infinita de templos lá no alto. — Minhas panturrilhas já estão reclamando.
— O lugar é rústico demais. — comentou a 18, saltando sobre um pilar caído sem sequer despentear o cabelo. — Não podiam ter colocado um elevador nessa montanha?
— Vocês reclamam demais — resmungou Piccolo, sem olhar para trás. — Estão ficando velhos e lentos.
— Me lembrem de nunca mais confiar num sujeito que depila as sobrancelhas e anda com um chifre pendurado nos ombros. — Disparou 18.
— Eu não vou nem mencionar que o Vegeta nos enfiou em outra briga de vida ou morte. — Kuririn deu um salto mortal para desviar de um desfiladeiro, pousando com precisão. — Já não bastava o Cell e o Majin Buu, agora nossos oponentes são "apenas" dois deuses gregos... Da próxima vez, a gente faz uma votação, combinado?
Piccolo, que saltava logo à frente com as abas da capa branca coladas ao corpo para evitar o ruído do vento, apenas rosnou em resposta:
— Menos conversa, Kuririn. Estamos pisando no domínio de uma vontade divina. Se seu foco falhar, Hades saberá que você está aqui antes de você conseguir gritar por socorro.
O grupo mergulhou novamente nas sombras das colunas colossais. A defesa estava sendo montada no silêncio absoluto das sombras. Agora, cada segundo de anonimato era um presente para os Cavaleiros de Ouro.
A balança da guerra se desequilibra levemente. Enquanto uma chama de esperança gradualmente surgia no Santuário, oscilações de estratégia despontavam no Submundo.
O grande salão de reuniões estava envolto em sombras. De um lado, as Escamas douradas e alaranjadas dos sete Generais Marinas brilhavam com a umidade do oceano. Do outro, as Sobrepelizes negras e roxas dos Espectros absorviam a pouca luz existente.
No centro, sentada em um trono de ébano, Pandora dedilhava sua harpa, um sorriso de satisfação plena curvando seus lábios pálidos. Ao seu lado, as sete esferas alaranjadas, agora transformadas em pedras cinzentas e sem vida, rolavam pelo chão como lixo descartável.
— O ritual foi um sucesso absoluto. — disse Pandora, parando a música e olhando friamente para os guerreiros Aquela mulher guardava tesouros inimagináveis. O dragão eterno, Shenlong, cumpriu o meu desejo. Nossos mestres, Thanatos e Hypnos, renasceram com seus corpos mitológicos, livres das amarras humanas.
Bian de Cavalo Marinho deu um passo à frente, cruzando os braços.
— Com os deuses gêmeos de volta e Poseidon ao nosso lado, por que ainda estamos aqui discutindo? Deveríamos aproveitar esse pico de poder e varrer o Santuário antes do pôr do sol.
— Cuidado com a arrogância, General — advertiu Minos de Griffon, com um sorriso sádico. — Atena é a deusa da guerra estratégica. Ela sempre encontra uma maneira de virar o jogo quando parece derrotada. O Santuário está silencioso demais.
Sorrento de Sirene, mantendo sua postura elegante, assentiu.
— O Juiz tem razão. Se atacarmos de forma desorganizada, podemos cair em alguma armadilha desesperada de última hora. Eles sabem que algo aconteceu. O céu escureceu no mundo inteiro quando o Dragão apareceu.
Foi então que a figura imponente de Radamanthys de Wyvern se levantou. Sua presença era pesada e calculista. Ele caminhou até a janela gótica que dava para o céu cinzento.
— Exatamente, Sorrento. O mundo inteiro viu a escuridão — disse Radamanthys, virando-se para Pandora. — Graças ao seu desejo, Senhorita Pandora, o dia virou noite por alguns minutos. O Santuário deve estar em pânico, tentando entender que tipo de presságio foi aquele.
Radamanthys fechou o punho, os olhos brilhando com malícia.
— Eles estão esperando o apocalipse agora. Devem estar com os nervos à flor da pele, gastando cosmo na vigilância máxima, esperando que monstros desçam do céu a qualquer segundo.
— O que você sugere, Wyvern? — perguntou Pandora, interessada.
— Eu sugiro paciência — respondeu o Juiz. — Vamos esperar mais um ou dois dias.
— Esperar?! — exclamou Isaak de Kraken. — Dar tempo ao inimigo para se reorganizar?
— Pense, Kraken — retrucou Radamanthys. — Se atacarmos agora, encontraremos uma defesa em alerta máximo, impulsionada pelo medo do céu escuro. Mas se esperarmos... se deixarmos o silêncio reinar... a confusão deles se transformará em dúvida. Eles começarão a pensar que a escuridão foi apenas um fenômeno natural ou que o ritual falhou. A adrenalina vai baixar. A "suposta calmaria" vai deixá-los vulneráveis.
O Juiz do Inferno sorriu cruelmente.
— Vamos deixar que eles relaxem, acreditando que sobreviveram ao pior. Quando a guarda baixar, nós cairemos sobre o Santuário com a força total dos deuses recém-nascidos.
Pandora ponderou por um momento, olhando para as esferas de pedra no chão e depois para seus comandantes.
— Uma tática psicológica refinada — concluiu Pandora. — Deixem que o medo do desconhecido os enfraqueça por quarenta e oito horas. Muito bem. Radamanthys tem o meu aval. Organizem as tropas, mas mantenham-se ocultos.
Em um salão superior do Castelo, longe dos ouvidos dos Espectros e Marinas, duas vontades divinas conversavam. O ambiente era opressivo; as sombras pareciam vivas, curvando-se diante da presença dos dois grandes deuses.
Hades, em seu corpo humano de cabelos negros e olhar melancólico, segurava uma taça de vinho tinto, observando o horizonte através de uma janela mágica. Ao seu lado, Poseidon, no corpo de Julian Solo, emanava uma aura azulada e imponente.
— Você sentiu, não sentiu, Imperador dos Mares? — perguntou Hades, sua voz calma e gélida como o abismo. — Aquela luz irritante... ela se moveu.
Poseidon assentiu, cruzando os braços.
— O Cosmo de Atena deixou o Santuário por alguns instantes. Foi uma viagem rápida, quase imperceptível para meros mortais, mas nós sentimos a trilha. Ela foi para o extremo Norte.
— Asgard — concluiu Hades, com um tom de desprezo. — As terras geladas protegidas por Odin.
Poseidon soltou um riso curto e aristocrático.
— Parece que a nossa "sobrinha" está mais desesperada do que imaginávamos. O momento em que ela partiu coincide exatamente com o instante em que nossos cosmos originais foram restaurados pelas esferas daquela humana.
Hades bebericou o vinho, os olhos estreitos.
— Ela percebeu. No momento em que o céu escureceu e o dragão realizou o desejo de Pandora, Atena sentiu a oscilação na realidade. Ela sabe que Thanatos e Hypnos estão completos e que nós estamos plenamente despertos. O medo a fez correr.
— E ela foi rastejar aos pés de Hilda de Polaris — zombou Poseidon. — Deve ter ido implorar para que os Guerreiros Deuses de Asgard desçam para a Grécia. Como se aqueles nortistas pudessem fazer alguma diferença contra a união do Submundo e dos Oceanos.
— Deixe que ela peça ajuda a Hilda, a Odin ou a quem quer que seja — disse Hades, virando as costas para a janela. — Isso apenas confirma sua fraqueza. Ela está tentando remendar um exército quebrado.
— Radamanthys tem razão em sugerir a espera — concordou Poseidon. — Se ela foi buscar reforços no Norte, deve estar aguardando nosso ataque imediato para usar essa carta na manga. Vamos deixá-la esperando no frio. Quando os reforços dela perceberem que nada acontece, a dúvida se instalará.
Hades sentou-se em seu trono, fechando os olhos.
— Deixe Atena acreditar que conseguiu tempo. Quando a escuridão cair de verdade, nem Odin poderá salvá-la.
Bons ventos sopravam na Plataforma Celeste com o reencontro dos cavaleiros e a organização das duplas, mas ao redor do quarto onde Bulma e Trunks repousavam, o ar estava imóvel, denso pela barreira espiritual erguida por Shaka.
Mú se aproximou silenciosamente. Seus passos não produziam ruído, mas sua presença, suave e cristalina, foi notada imediatamente pelo Cavaleiro de Virgem. Parou ao lado de Shaka, seus olhos pousando na porta fechada com uma expressão de profunda tristeza.
— A dissonância que emana deste quarto é dolorosa, Shaka — disse Mu, sua voz calma, mas carregada de empatia. — Eu sinto duas chamas vitais se debatendo num sofrimento silencioso.
Shaka, mantendo as mãos unidas em prece e os olhos selados para o mundo material, respondeu com sua voz profunda:
— O que você sente é o eco do Limbo da Desolação. A harpa de Pandora aprisionou a mente deles em um labirinto de culpa e medo. Meu Khan impede que suas almas se apaguem, mas não posso guiá-los de volta à luz enquanto vigio a porta.
Mú cruzou os braços, os pontos na testa franzindo levemente enquanto analisava a estrutura mística da maldição que emanava dali.
— É uma magia complexa — observou o Carneiro Dourado.
Shaka inclinou levemente a cabeça na direção da porta, sua percepção extrassensorial detalhando a natureza das vítimas.
— Há uma complexidade adicional nesta tarefa, Mú. — ponderou o virginiano. — A criança é incrivelmente forte. Mesmo em agonia, sua centelha vital arde com o vigor de um guerreiro, tal qual a de seu pai. Ele possui uma resiliência que nos dá uma base para a reconstrução.
Shaka fez uma breve pausa, e sua aura oscilou levemente em um tom de advertência.
— Mas a mãe é apenas uma humana. Sua alma não possui as defesas de um combatente. Para salvá-la sem destruir sua essência no processo, precisamos ter o máximo de cautela. Teremos mais trabalho para equilibrar essas duas frequências opostas.
Mú assentiu, compreendendo o risco.
— Desatar esses nós sem romper a sanidade da mulher e da criança exigirá mais do que telepatia. Será necessária uma reconstrução atômica do espírito.
— É exatamente por isso que aguardo a nossa vez na Sala — Shaka inclinou levemente a cabeça. — Lá, o tempo não é nosso senhor. Teremos o equivalente a um ano para sincronizar nossas frequências. Se unirmos sua técnica de restauração à minha percepção das seis existências...
— ...criaremos uma ponte que a harpa de Pandora não poderá derrubar. — completou Mú, sentando-se em posição de lótus.
O Cosmo de Áries começou a brilhar de forma suave, envolvendo o ambiente em uma luz reparadora.
— Vamos fortalecer nossas defesas contra os deuses, mas... — completou Mú — um Cavaleiro de Atena não pode ignorar o sofrimento dos inocentes que estão sob seu nariz.
— Quando saírmos daquela sala, traremos conosco não apenas o poder para desafiar Thanatos e Hypnos, mas também a chave para libertar mãe e filho.
— Até que a porta se abra, velaremos por eles juntos.
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