Dragon Ball CDZ: A Batalha do Zodíaco
13 Dia 1 - A Longa Vigília
A SAGA DO SANTUÁRIO
Os grandes portões de carvalho da Sala do Grande Mestre se abriram, mas nenhum som de passos pesados ecoou. O grupo liderado por Piccolo moveu-se para dentro do salão com a leveza de gatos, o Ki completamente suprimido, surpreendendo até mesmo Shaina e Marin, que só notaram a presença deles quando já estavam no centro do recinto.
O contraste visual era gritante. De um lado, o brilho metálico e majestoso das Armaduras de Bronze e a aura divina de Atena. Do outro, os dogis laranjas e roxos dos artistas marciais, e as roupas casuais modernas — jeans, jaquetas e camisetas — dos Androides 17 e 18.
Foi um momento de reconhecimento mútuo. Seiya acenou com a cabeça para Piccolo, um gesto de respeito entre líderes de campo.
Mas os olhos dos Guerreiros Z logo se voltaram para a figura que estava diante do trono. Saori Kido segurava seu báculo, emanando um cosmo que não era agressivo ou esmagador como o dos deuses da destruição que eles conheciam, mas quente, acolhedor e infinitamente vasto.
Yamcha arregalou os olhos, impressionado.
— Uau... Então essa é a famosa Atena? — sussurrou ele. — Eu esperava alguém... sei lá, gigante e brilhante, tipo o Porunga ou o Shenlong. Mas ela parece uma humana comum, só que... diferente.
Piccolo, mantendo os braços cruzados, fez uma leve reverência com a cabeça, reconhecendo a divindade. 17 e 18 apenas a observaram com curiosidade analítica, sem demonstrar reverência, mas sem desrespeito.
Kuririn, no entanto, não conseguiu conter a língua. Ele deu uma cotovelada discreta em Yamcha, mas seu sussurro foi alto o suficiente para ser ouvido no silêncio do salão.
— Rapaz... ela é muito bonita, né? — comentou o careca, sorrindo de canto. — Se o Mestre Kame visse ela, ia querer se mudar para o Santuário hoje mesmo. Ia ter um troço na hora!
Ao lado dele, a veia na testa de Tenshinhan saltou. O tricíclope, que mantinha uma postura rígida e séria, digna de um monge guerreiro, virou-se bruscamente para o amigo.
— Kuririn! — repreendeu Tenshinhan, em voz baixa e ríspida. — Faça silêncio e tenha respeito. Olhe em volta. Isso não é um torneio de artes marciais. Todos aqui no Santuário carregam um fardo solene. Eles são guerreiros sérios, não palhaços.
Kuririn deu de ombros, colocando as mãos atrás da nuca com sua habitual descontração.
— Ah, qual é, Tenshin., Se a gente ficar com essa cara de estátua de mármore o tempo todo, a gente trava. Nós não conseguimos ser sérios o tempo todo, faz parte do charme!
A tensão no ar, que deveria ser absoluta, quebrou-se por um instante. Shaina revirou os olhos, mas Ikki soltou um leve suspiro que poderia ser interpretado como uma risada contida.
Atena, longe de se ofender, sorriu. Um sorriso doce que iluminou o rosto cansado pela preocupação com Bulma e Trunks.
— O humor e a alegria também são formas de proteger a vida — disse Saori, sua voz suave ecoando pelo salão e desarmando a carranca de Tenshinhan. — Sejam bem-vindos ao Santuário, Guerreiros Z. Agradeço por lutarem ao nosso lado.
Piccolo descruzou os braços, assumindo o comando do seu grupo.
— Agradecemos a recepção, Atena. Mas o tempo é curto. Meus guerreiros já sabem o plano. Estamos prontos para assumir as Casas.
Ele olhou para os Cavaleiros de Bronze.
— E vocês... preparem-se. Porque quando começarmos a elevar o Ki lá embaixo, o inferno vai responder.
A euforia momentânea causada pelo comentário de Kuririn logo deu lugar à estratégia fria e calculada de Shiryu. O Cavaleiro de Dragão, embora cego, virou o rosto em direção à grande varanda que dava para o mar Egeu, como se pudesse enxergar as ondas se quebrando lá embaixo melhor do que qualquer um.
— Atena, Piccolo — começou Shiryu, sua voz grave chamando a atenção de todos. — Nós definimos a defesa interna das Doze Casas, mas há uma falha que não podemos ignorar.
Ele apontou para o horizonte.
— Nossos inimigos não são apenas Espectros que surgem das sombras. Parte da aliança inimiga é composta pelos Generais de Poseidon. O mar é o território deles. Se eles decidirem ignorar as escadarias e lançarem um ataque anfíbio pelas falésias ou pela retaguarda, podemos ser cercados.
Shiryu virou-se para os guerreiros que não estavam alocados nos templos principais.
— Sugiro que aqueles que não farão a defesa das Casas montem uma vigília rigorosa em todo o perímetro costeiro do Santuário. Precisamos notar qualquer alteração nas marés, qualquer mudança na pressão atmosférica sobre as águas. O ataque pode vir de onde menos esperamos.
Antes que Atena pudesse dar a ordem, Shaina de Cobra deu um passo à frente, batendo a mão no peito com determinação.
— Deixe isso conosco, Shiryu — disse Shaina, seus olhos brilhando através da máscara. — Eu conheço cada trilha de cabra, cada caverna e cada praia oculta ao redor deste Santuário. Se uma única gota de água do mar se mover de forma suspeita, nós saberemos.
Marin de Águia colocou-se ao lado da amiga, completando o pensamento com sua calma habitual.
— Nós dividiremos os soldados rasos e os demais cavaleiros de bronze em postos de observação nas falésias leste e oeste. Cobraremos cada ponto cego que as Doze Casas não cobrem.
— Isso nos dará a segurança de focar apenas no que vem pela frente — aprovou Piccolo. — Um exército não pode lutar preocupado com o que acontece nas suas costas.
Shaina virou-se para Jabu, Ichi e os outros cavaleiros secundários que aguardavam ordens.
— Vocês ouviram! Espalhem-se! Quero olhos no mar e ouvidos no vento. Se virem espuma ou sentirem o cosmo de um Marina, não tentem ser heróis. Soem o alarme imediatamente.
Com um aceno final para Seiya e os outros, Shaina e Marin partiram em disparada para fora do templo, liderando a força de vigilância para as bordas do Santuário, prontas para serem a primeira linha de aviso contra a fúria dos oceanos.
— Eu vou com elas! — prontificou-se Kuririn, ajeitando a faixa na cintura. — Yamcha e eu podemos cobrir uma área maior voando baixo. Se algo sair da água, nós seremos os primeiros a saber.
Yamcha assentiu, cerrando o punho.
— Pode deixar!
Hyoga de Cisne aproveitou o momento para passar os olhos por todos os presentes, fazendo uma contagem mental rápida dos defensores de elite.
— Piccolo, Tenshinhan, 17, 18, nós quatro... — murmurou Hyoga, franzindo a testa. — O Gohan e o Kanon em breve saem da Sala do Tempo, mas... está faltando gente. Onde estão Goku e Vegeta? Se os deuses atacarem agora, nossas duas maiores forças de ataque não estão aqui.
Tenshinhan, que mantinha os três olhos fechados em concentração, respondeu sem se mover:
— O Goku fez um desvio rápido. Ele foi buscar o discípulo dele, Uub. Ele está trazendo o garoto para cá agora mesmo. Com isso, o Goku fica livre para se teletransportar e agir como um "coringa" no campo de batalha.
— Entendo... — disse Hyoga. — E o Vegeta? Ele reivindicou a Casa de Capricórnio, mas a casa está vazia!
Tenshinhan abriu os olhos e, pela primeira vez, permitiu-se um leve sorriso de canto.
— Não gastem energia com Vegeta — respondeu Piccolo. — Aquele ali detesta seguir cronogramas de grupo. Ele sempre dá o ar da graça. Se ele disse que vai defender Capricórnio, ele estará lá.
— Provavelmente está afiando o orgulho em algum lugar antes de aparecer. — Emendou Tenshinhan.
— Olha, Ikki, você tem concorrente. — Comenta Shun, arrancando riso dos presentes.
Saori, observando a interação entre os dois grupos, sentiu uma pontada de esperança. Ela sabia que, para os Cavaleiros, o Santuário era um lugar de sacrifício, mas para os Guerreiros Z, a luta era uma extensão da própria vida.
— A presença de vocês traz uma luz que este Santuário não via há muito tempo — disse Saori, dando um passo à frente. — Mas Piccolo tem razão: o tempo é curto, e os deuses não terão piedade. No entanto, nenhum guerreiro deve lutar com o espírito exausto ou o corpo negligenciado.
Ela olhou para os servos que aguardavam nas sombras das colunas e fez um sinal discreto.
— Antes que cada um de vocês assuma seu posto nas Doze Casas, convido-os para uma refeição no salão anexo. Preparei um banquete com o que a Grécia tem de melhor. É o meu agradecimento pessoal por cruzarem as fronteiras do espaço e do tempo por nós.
Kuririn arregalou os olhos, e o som de seu estômago roncando foi audível para todos, fazendo Tenshinhan suspirar e balançar a cabeça.
— Comida? De verdade? — Kuririn parecia ter esquecido completamente a pressão de Hades. — Eu achei que a gente ia ter que viver de meditação e ar da montanha aqui em cima!
— Comam o quanto desejarem — completou Saori com um sorriso acolhedor. — Especialmente vocês, que vieram de tão longe. Precisamos de toda a sua força para o que virá a seguir.
Piccolo apenas assentiu, descruzando os braços com um movimento fluido.
— Não costumo perder tempo com cerimônias, mas admito que uma fonte de energia extra será útil. Além disso... — ele olhou para Seiya e os outros — ...será a última chance de trocarmos informações antes que o silêncio das Casas se torne total.
O grupo seguiu para o salão adjacente, onde mesas longas de carvalho estavam postas. O contraste visual continuava: pães artesanais, azeitonas de Kalamata, queijos, vinhos e carnes assadas com ervas mediterrâneas enchiam o ambiente com um aroma inebriante.
Seiya e Kuririn competiam para ver quem enchia o prato mais rápido, enquanto Hyoga e Shun conversavam calmamente com Tenshinhan sobre as diferenças entre o Cosmo e o Ki.
Ikki permanecia de pé, perto de uma janela, com uma taça de vinho na mão que ele mal tocava, observando a movimentação. 17 e 18 se sentaram um pouco afastados, comendo com uma eficiência silenciosa, como se estivessem apenas reabastecendo uma máquina, mas seus olhos nunca paravam de monitorar as entradas.
No centro da mesa, Saori mantinha a postura de uma anfitriã divina, mas seus olhos frequentemente buscavam a direção onde seus cavaleiros dourados se preparavam para a batalha de suas vidas.
— Aproveitem este momento, — sussurrou Shiryu para os amigos de bronze. — pois o sabor do vinho será a última coisa de que lembraremos.
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