A SAGA DO SANTUÁRIO

Perto da entrada da Torre de Karin, Kuririn recebeu das mãos do gato eremita um pequeno saco de tecido velho, mas de valor inestimável.

— Aqui estão, Kuririn — disse Mestre Karin, sério. — É a última safra. Não temos muitas, então usem com sabedoria. Cada uma dessas Sementes dos Deuses vale por uma vida inteira nessa guerra.

Kuririn assentiu, sentindo o peso da responsabilidade. Ele rapidamente abriu o saco e separou uma porção, colocando em outro recipiente. Ele se virou para Yamcha, que ajustava suas faixas nos braços com uma determinação que há muito não se via em seu rosto.

— Yamcha! — chamou Kuririn, jogando o segundo saco para o amigo. — Pegue. Você vai com o grupo da frente. Divida isso entre o Tenshinhan, o Piccolo e você. Se os cavaleiros precisarem, não hesite. Eu fico distribuindo o resto conforme a necessidade.

Yamcha pegou o saco no ar e sorriu, confiante.

— Pode deixar. Eu não vou deixar ninguém morrer na minha vigília.

Enquanto isso, Piccolo e Tenshinhan já levitavam, prontos para a partida. O Namekuseijin olhou para o tricíclope.

— Tenshinhan, você ficará com Áries. Yamcha lhe dará cobertura. Vocês serão a primeira parede que o inimigo encontrará. Não deixem nada passar.

— Eles não passarão do primeiro degrau, Piccolo.

Do outro lado do pátio, os Cavaleiros de Ouro analisavam os novos aliados.

— Eles são guerreiros muito fortes. Deu para sentir o Cosmo deles. — Destacou Milo. — Eu odiaria tê-los do outro lado no campo de batalha. Ou melhor — se corrigiu o Escorpião — seria até interessante.

— Eles tem laços fortes com a Terra. — Shura analisava enquanto eles se dividiam em minigrupos. — Eles parecem lutar por algo maior motivados pelos seus. Apesar de serem completamente estranhos.

Aldebaran deu uma risada satisfeita.

— Um ser verde imenso, uma mulher que é um número com um irmão que também é um número, um homem com três olhos, um baixinho careca... Vai ser uma luta e tanto.

— Tivemos três traidores entre nós, um usurpador, um que a própria armadura o abandonou, fora um que matou o outro... — Mú disse, com seu senso de humor peculiar. — Acho que estamos bem equilibrados em nível de estranheza.

Mais à frente, uma cena mais silenciosa acontecia. A Androide 18 segurava a pequena Marron no colo. A menina, alheia ao perigo cósmico, brincava com um botão na jaqueta jeans da mãe.

18 caminhou até Mr. Popo, que aguardava perto da entrada do templo.

— Ei, — disse ela, entregando a filha com uma delicadeza que contrastava com sua força capaz de quebrar ossos. — Fique de olho na Marron também. Se algum desses deuses malucos aparecer aqui em cima...

— Mr. Popo protegerá as crianças com sua vida — respondeu o assistente divino, com sua voz grave e calma.

18 deu um beijo rápido na testa da filha, ajeitou o cabelo e, num piscar de olhos, sua expressão materna desapareceu, dando lugar ao olhar frio da Androide assassina.

— Agora eu vou buscar o meu irmão. O 17 vai adorar saber que tem uma "Casa de Gêmeos" inteira pra ele brincar de labirinto.

Com uma explosão sônica, 18 rasgou o céu, voando em velocidade máxima antes de rumar para a Grécia.

Finalmente, Saori Kido se aproximou de Shiryu e Hyoga ladeavam sua deusa, ambos agora com seus cosmos queimando em expectativa.

— É hora de voltar para casa — disse Atena, segurando seu báculo da vitória. — O Santuário nos aguarda.

— Vamos, Atena — disse Shiryu, sério. — Vamos defender o legado de Dohko e dos outros.

Eles agradecem a Siegfried, Hilda e Freiya e seguem para casa.

Piccolo fez um sinal.

— VAMOS! — ordenou Piccolo.

O grupo decolou em uníssono. Piccolo, Tenshinhan e Yamcha cruzaram o céu como meteoros, deixando a Plataforma Celeste para trás e voando em direção ao Mediterrâneo, onde as Doze Casas aguardavam seus novos e inusitados guardiões. A Guerra Santa havia mudado de palco.

Enquanto os rastros de energia de Piccolo e os outros desapareciam no horizonte em direção à Grécia, Goku caminhou até a beira da Plataforma Celeste, mas parou ao notar que Vegeta não havia se movido. O Príncipe dos Saiyajins continuava de costas para a saída, encarando fixamente a porta de madeira do quarto onde Shaka velava o sono de Bulma e Trunks.

Goku coçou a nuca, sua expressão mudando de empolgação pela luta para uma preocupação genuína. Ele sabia, do seu jeito ingênuo, o quanto a família era o ponto fraco — e a fonte de força — de seu rival.

— Ei, Vegeta... — chamou Goku, aproximando-se. — Você não vai com a gente agora?

Vegeta não respondeu imediatamente. Seus punhos ainda estavam cerrados, tremendo levemente pela tensão muscular.

— Eu sei que a gente tem que proteger o Santuário e tal, mas se você quiser ficar aqui com eles, eu entendo. Eu posso tentar cobrir a Casa de Capricórnio pra você, ou a gente pede pro 17 ficar com duas casas... O Chácara est..

— É Shaka, imbecil. — Ele o corrigiu rispidamente. — Nessa idade e ainda não aprendeu a guardar nomes...

Goku rapidamente se corrige.

— O Shaka está lá dentro, mas você é o pai e o marido, né? Talvez seja melhor você ficar por perto até eles acordarem.

Goku falava com a inocência de quem não sabia a gravidade do diagnóstico dado por Shaka. Para ele, era apenas um "sono ruim" que passaria com o tempo e cuidado.

Vegeta bufou, um som seco e desprovido de humor. Ele girou os calcanhares lentamente, virando as costas para o quarto e encarando Goku.

— Não diga asneiras, Kakarotto — respondeu Vegeta, ríspido. — Ficar sentado ao lado da cama segurando a mão deles como uma enfermeira não vai adiantar de nada. Minha presença ali dentro é inútil.

— Mas, Vegeta... — tentou argumentar Goku.

— Eu tenho algo muito mais importante a fazer — cortou Vegeta, sua voz carregada de uma promessa sombria.

Goku piscou, confuso.

— Mais importante? Mas a gente combinou de defender as casas até os cavaleiros saírem da Sala do Tempo. O que pode ser mais importante do que isso?

Vegeta passou por Goku, caminhando em direção à beirada da plataforma para levantar voo. Ele não explicou que a única cura para sua esposa e filho era a morte do músico ou do deus que ordenou a melodia.

— Você não vai fazer nenhuma asneira, né? — Goku parecia preocupado. — Você não vai atrás dos deuses sozinho, vai?

— Cuide da sua Casa de Touro e não me amole — rosnou Vegeta. — Apenas saiba que, quando eu chegar na Grécia... o inferno vai parecer um lugar agradável para aqueles deuses.

Sem esperar resposta, Vegeta explodiu seu ki em uma aura branca violenta e disparou em velocidade supersônica, não apenas para proteger a décima casa, mas para caçar os culpados, deixando Goku para trás coçando a cabeça.

— Nossa... ele tá bravo mesmo... — murmurou Goku para si mesmo.

Sr. Popo e Dendê se aproximavam de Goku.

— Acho que esse templo nunca esteve tão forte... E tão movimentado. — Goku diz, sorrindo com leveza, olhando para os cavaleiros aglomerados mais à frente.

— Goku — Dendê diz com uma latente preocupação. — Essa será a nossa batalha mais sombria, não é mesmo? Eu sinto isso.

Goku mudou o semblante ligeiramente. Continuava observando os dourados ao longe. Depois de definirem a estratégia, finalmente encontraram um momento de celebrar seu retorno à vida.

— Eu estava mais preocupado antes deles chegarem. — Revelou Goku. — Lutar contra dois deuses poderosos num exército em número muito maior e com poderes psíquicos seria impossível pra gente. Talvez o Piccolo, agora fundido com Kami Sama, pudesse ser o único capaz de bloquear os poderes mentais deles. Agora que estão aqui, acho uma pena serem aliados... Lutar com eles seria muito empolgante!

Popo e Dendê riem.

— Bom, agora devo ir atrás do Uub. Vai ser a primeira batalha dele. — Goku diz muito animado. — Imagina a sua primeira batalha ser defendendo Atena?

Goku vai até a beirada da plataforma celeste e se despede dos dois.

Olha em direção aos cavaleiros e acena:

— Vejo vocês no Santuário!

E Goku parte rumo ao Leste.