Dragon Ball CDZ: A Batalha do Zodíaco
10 Dia 1 - Os Cavaleiros de Ouro se Organizam no Templo
A SAGA DO SANTUÁRIO
A ausência de Dohko de Libra e Aiolos de Sagitário, embora dolorosa, exigia uma adaptação imediata da estratégia proposta por Ikki.
Saga, assumindo naturalmente a liderança, olhou para seus companheiros.
— Nossos aliados farão a barreira física do Santuário. Nosso objetivo é priorizar o desenvolvimento de poderes místicos e dimensionais para conter as magias de Hades e Poseidon — disse. — Como Kanon já iniciou o ciclo, precisamos redefinir a ordem de entrada das próximas duplas, ajustando as lacunas deixadas por nossos irmãos que não puderam retornar.
Saga projetou mentalmente a nova lista, organizando os pares para maximizar a eficiência do tempo:
— Mú e Shaka são nossa prioridade e vamos mantê-los como a primeira dupla. Com Kanon já treinado, teremos três potências para a defesa mística do Santuário enquanto os demais não chegam para apoiar Ikki na casa de Leão.
Ele se vira para Máscara da Morte:
— Nós entraremos em seguida. Se precisarmos invadir o Submundo ou o Templo Submarino fisicamente, seremos nós a abrir o caminho, sem prejudicar as defesas do Santuário.
Ele continua a lista.
— Milo, você e Camus, além da afinidade, tem sinergia de poderes. Treinem para que seus golpes sejam fatais no primeiro contato.
Saga, então, se vira para Aiolia.
— Quando as barreiras caírem, precisaremos da Excalibur e o Relâmpago de Plasma. — Saga de antecipa a qualquer argumento de Aiolia — Você e Shura devem manter as diferenças de lado e no passado.
Aiolia olha para Shura, afastado dali, e fecha a cara para Saga.
Por fim, dirigiu-se a Aldebaran e Afrodite:
— Com a ausência do Mestre Ancião e de Aiolos, vocês formam a nova dupla final — declarou Saga, olhando para o gigante e para o cavaleiro da beleza. — Aldebaran será o escudo e a isca que atrai a atenção do inimigo com sua defesa física. Isso dará a Afrodite a cobertura perfeita para espalhar suas Rosas Diabólicas e Sangrentas sem ser interrompido. Um protege, o outro envenena o campo de batalha inteiro.
Aldebaran cruzou os braços imensos e sorriu para Afrodite.
— Parece um bom plano. Eu seguro eles e você garante que não respirem.
Afrodite assentiu, jogando uma mecha de cabelo para trás.
— Uma morte bela e lenta protegida por uma força bruta... — O cavaleiro de Peixes diz com sua voz melodiosa.
Milo se aproxima de Saga após ele terminar a distribuição das duplas.
— Aiolia e Shura podem se matar lá dentro. Tem certeza que é uma boa ideia essa esses dois como dupla?
Saga observa os cavaleiros espalhados pelo templo.
— Se quisermos defender Atena e o mundo, precisamos passar por cima das nossas diferenças e confiar uns nos outros.
— Falar é fácil, Saga. — Milo continua, com o gênio afiado. — Não confio em você nem no Kanon juntos. Até que provem o contrário. Todas as desgraças que caíram sobre o Santuário foram por culpa de vocês. Sorte de Atena ter encontrado esse pessoal.
O clima fica meio tenso entre Escorpião e Gêmeos.
— Atena é quem deveria ter selecionado o nosso líder. — Aiolia se manifesta, caminhando em direção aos dois. — Você pode ter voltado, Saga. Você pode ser considerado redimido... Mas você tem contas a acertar. E eu não te reconheço nem como líder nem como Mestre do Santuário.
Saga sustentou o olhar de Aiolia. Não havia o brilho de arrogância de outrora, apenas uma opacidade cansada.
— Você não precisa me reconhecer, Aiolia — a voz de Saga saiu baixa, mas firme. — Mas terá que reconhecer a ameaça que desce sobre nós. Se o seu ódio por mim é maior que o seu dever para com Atena, então sua armadura de ouro é apenas um adorno pesado.
— Não fale de dever para mim! — rosnou o leonino. As mãos de Aiolia tremiam levemente, o tônus muscular em tensão máxima.
— O ar aqui em cima já é pouco para ficarmos desperdiçando com gritos — Milo estalou os dedos da mão direita, onde a unha do dedo indicador brilhava com um tom rubro discreto. — Saga, o plano é bom. É irritantemente perfeito, como tudo o que você faz. Mas entenda uma coisa: eu serei o seu juiz. Se eu vir um centímetro daquela sombra que quase destruiu o Santuário... você não vai precisar de Hades para voltar ao mundo dos mortos, não.
Máscara da Morte soltou uma risada curta, seca, e cuspiu de lado.
— Que cena emocionante... Quase me faz esquecer que estamos todos aqui porque fomos arrancados do inferno por bolas mágicas — o canceriano desencostou-se de uma pilastra, caminhando em direção ao grupo com um desdém latente. — Deixem as lições de moral para os cavaleiros de bronze. Eles gostam desse tipo de coisa. O fato é que Saga é o único aqui com estômago para montar um tabuleiro de xadrez enquanto o resto de vocês só pensa em dar socos na velocidade da luz.
Ele parou ao lado de Saga e olhou para Milo e Aiolia.
— Se querem matar o Saga, esperem a guerra acabar. Se o matarem agora, quem vai carregar o peso das decisões sujas que precisam ser tomadas? Vocês? — MDM deu de ombros. — Eu prefiro que o culpado seja ele.
O silêncio voltou a reinar, pesado. Aiolia desviou o olhar para a porta da Sala do Tempo, onde o cosmo de Kanon e Gohan pulsava de forma rítmica. A fúria ainda estava lá, mas o pragmatismo de Máscara da Morte havia criado uma rachadura na sua resistência.
Saga não diz nada, mantendo a seriedade e a consciência de que a desconfiança de Milo era justificada. Agora era o momento de se redimir e reconquistar a confiança dos cavaleiros e de Atena.
Sr. Popo acompanhou toda a reorganização das duplas para controlar a entrada e saída da sala, mas percebeu que diferente dos Saiyajins, os cavaleiros de ouro eram naturalmente táticos e resolviam as diferenças entre si de forma menos acalorada, o que facilitava a sua vida.
Dendê observava dois cavaleiros que se mantinham afastados dos demais. Camus de Aquário e Shura de Capricórnio estavam na borda do templo, olhando para o mar de nuvens brancas abaixo. Havia uma melancolia distinta na aura deles, algo que o jovem Namekuseijin, com sua sensibilidade empática, não conseguia ignorar.
Dendê se aproximou devagar, silencioso como uma sombra.
— Com licença... — disse Dendê, timidamente.
Camus e Shura viraram-se. A frieza natural do Mago da Água e a postura afiada do portador da Excalibur suavizaram-se diante da inocência daquele pequeno deus verde.
— Senhor Kami-Sama — cumprimentou Shura, com um leve aceno de cabeça.
— Por favor, só Dendê — corrigiu ele. — Eu estava observando vocês. O cosmo de todos os Cavaleiros de Ouro é brilhante e quente, mas... no de vocês dois, e no de Saga, eu sinto uma cicatriz profunda. Uma dor que não é física.
Camus fechou os olhos, cruzando os braços. O vento agitou seus longos cabelos.
— Você tem olhos perspicazes para alguém tão jovem, Dendê — disse Camus, sua voz calma como um lago congelado. — O que você sente não é dor. É o peso da decisão que escolhemos carregar.
Shura suspirou, olhando para as próprias mãos, as mesmas que cortavam como espadas.
— Para chegar até a vitória, tivemos que trilhar o caminho mais sujo que um cavaleiro pode andar.
O Capricórnio olhou para o horizonte, lembrando-se da chuva no Santuário.
— Na última Guerra Santa, nós não renascemos como Cavaleiros de Atena inicialmente. Hades nos trouxe de volta como Espectros. Ele nos deu vidas temporárias e armaduras negras, as Sapuris, em troca de uma promessa: trazer a cabeça de Atena para ele.
Dendê arregalou os olhos.
— Vocês... aceitaram matar a própria deusa? — perguntou Dendê, chocado.
— Nós aceitamos fingir — corrigiu Camus, ríspido. — Era a única maneira. Atena precisava da sua Armadura Divina para enfrentar Hades, mas ela estava escondida e só poderia ser despertada com o sangue dela. Nós não podíamos contar isso a ninguém, nem aos nossos amigos, pois estávamos sendo vigiados pelas fadas de Hades a cada passo.
Camus abriu os olhos, e neles havia a dureza de quem teve que matar companheiros.
— Tivemos que subir as Doze Casas como traidores e lutar contra nossos discípulos. Ferimos nossos amigos. E o pior de tudo... nós matamos Shaka.
Dendê olhou para Shaka, que meditava longe dali, perto do quarto de Bulma.
— Vocês o mataram?
— Sim — disse Shura, com pesar. — Nós usamos a Exclamação de Atena, uma técnica proibida pela própria deusa por ser covarde e destrutiva demais. Três contra um. Nós reduzimos Shaka a poeira para manter nosso disfarce e enganar Hades. Nós choramos lágrimas de sangue invisíveis enquanto o mundo inteiro nos chamava de cães do inferno. Apenas Mú conseguiu ver a nossa alma.
O silêncio pesou. A narrativa daquele sacrifício — manchar a própria honra e ser odiado por todos que amavam, apenas para dar uma chance infinitesimal de vitória à Atena — tocou profundamente o coração de Dendê.
— Ser um herói quando todos te aplaudem é fácil — disse Mr. Popo, sua voz profunda quebrando o silêncio, vindo em direção a eles. — Difícil é ser o vilão para salvar o mundo, aceitando que ninguém jamais saberá a verdade.
Camus olhou para o Sr. Popo com respeito.
— Nós estávamos prontos para morrer como traidores, odiados por Atena e pelos Cavaleiros de Bronze, contanto que ela recebesse sua armadura. No final, ela compreendeu e se sacrificou, e nós morremos pouco depois, quando o tempo de vida dado por Hades acabou. Nossos corpos viraram cinzas ao vento.
Shura cerrou o punho, uma chama dourada reacendendo em seus olhos.
— Mas agora, Porunga nos deu uma segunda chance. Desta vez, não precisamos de máscaras. Não precisamos de mentiras.
Dendê sorriu, um sorriso triste, mas acolhedor. Ele estendeu as mãos pequenas e tocou o braço da armadura de Camus e Shura.
— O Kami-Sama anterior, que agora é parte do Piccolo, também teve que tomar decisões difíceis para proteger a Terra — disse Dendê. — Mas aqui, neste templo, nós vemos a verdade nos corações. Vocês não são traidores. Vocês são os mais leais entre os leais.
Camus, que raramente demonstrava emoção, suavizou a expressão, assentindo levemente.
— Obrigado, Dendê.
— Descansem — ofereceu o pequeno Deus. — A vez de vocês na sala chegará logo. E quando saírem, farão Hades pagar por ter obrigado vocês a ferirem seus irmãos.
Shura sorriu, afiando seu cosmo.
— Ah, pode ter certeza disso. Minha Excalibur nunca esteve tão sedenta pelo pescoço de um deus.
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