Dragon Ball CDZ: A Batalha do Zodíaco
25 Dia 4 - A Ordem de Atena
O rugido do mar Egeu não soava mais como água, mas como o desmoronar de uma cordilheira. O horizonte, antes azul e sereno, havia se transformado em uma muralha líquida cinzenta e espumante que bloqueava o sol, erguendo-se a dezenas de metros de altura antes de desabar contra a costa sagrada.
— Corram! Não parem por nada! — a voz de Shaina de Cobra cortou o estrondo, enquanto ela saltava entre os rochedos com a agilidade de uma serpente.
Logo atrás, Marin de Águia movia-se com precisão, mas a tensão em seus ombros denunciava o que sua máscara ocultava: o Santuário nunca enfrentara uma fúria tão direta das profundezas. Kuririn e Yamcha vinham logo atrás, os rastros de poeira de seus passos sendo imediatamente engolidos pela umidade que saturava o ar.
— Isso não é uma onda... é o oceano inteiro tentando nos esmagar! — berrou Yamcha, o suor frio misturando-se à maresia enquanto olhava de relance para trás.
O impacto foi apocalíptico.
A massa de água, impulsionada pelo Cosmo de Poseidon, colidiu contra as falésias. A terra tremeu violentamente, um sismo que fez as escadarias milenares vibrarem sob as botas dos guerreiros. Toneladas de água salgada explodiram para o alto, transformando-se em uma chuva torrencial que varreu a entrada do Santuário, arremessando pedregulhos e destroços como se fossem estilhaços de uma granada.
No topo da montanha, Vegeta cruzava o Salão do Grande Mestre. Ele parou abruptamente no centro da sala, os braços cruzados, o olhar fixo na linha do horizonte através das colunas de mármore. Ele havia chegado pela entrada sul e notado o fenômeno segundos antes: o recuo antinatural do mar, expondo o leito de corais e navios naufragados.
Ele não precisava que nenhum Cavaleiro explicasse a "vontade dos deuses". Ele já tinha visto aquele mesmo padrão em planetas prestes a serem apagados do mapa. O silêncio que antecede a aniquilação era um velho conhecido.
Atena já caminhava diretamente para a sacada, sob os olhares de Goku e Kanon, e olhou para baixo: as Doze Casas descendo em espiral até a base da montanha, e além delas, no sopé, a linha branca do oceano avançando onde não deveria estar avançando.
Ela pegou o Báculo da Vitória.
Por um momento ficou imóvel na sacada, olhando para as escadarias. Para os defensores que não eram seus cavaleiros, mas que haviam escolhido esta montanha como se fosse deles. Para o mar avançando lá embaixo como se o oceano inteiro tivesse decidido que o Santuário não merecia existir.
Quando falou, a voz dela não precisou de volume. Ela chegou onde precisava chegar.
— Cavaleiros de Atena, — a voz ecoou, audível nas regiões mais recônditas do Santuário — o mar se levanta contra o Santuário. A guerra chegou à nossa porta.
Dos caminhos entre as casas, das sombras das colunas gregas, das escadarias que desciam em espiral até a base da montanha, eles surgiram. Cavaleiros de Prata e Bronze que haviam aguardado em silêncio, cosmos suprimidos, invisíveis ao inimigo que ainda não havia cruzado o limiar. Agora cruzavam o próprio limiar que haviam guardado, posicionando-se no sopé da montanha, próximos à Casa de Áries, onde a batalha ia chegar primeiro.
Então ela elevou o Báculo e deixou seu cosmo se expandir pelo Santuário inteiro, dourado e vasto, tocando cada pedra, cada coluna, cada alma que estava naquela montanha naquele momento. Atena franziu o cenho e olhou firmemente na mesma direção que a seta da armadura de Sagitário apontava para o Mar Egeu.
— Elevem os seus cosmos! Que o inimigo saiba onde estamos e o que somos.
Não era a Saori benevolente e justa quem falava.
Era Atena, a Deusa da Guerra.
Goku sentiu primeiro.
Foi como quatro portas abrindo ao mesmo tempo em andares diferentes do mesmo edifício. Cada uma liberando algo que havia sido contido com cuidado e que agora saía com a naturalidade de rios voltando ao próprio leito.
Vegeta sentiu instantes depois.
Eram energias não tão potentes quanto as do cavaleiros de ouro, mas igualmente carregadas com o peso do sacrifício em prol da justiça. Ele franziu o cenho. Não era a potência bruta que o incomodava, mas a pureza. Aquela energia não tinha as arestas da fúria saiyajin; era lapidada pelo dever.
Goku se virou para o sul, para o leste, para o norte. Os cosmos vinham de direções diferentes — da Casa de Leão, da Casa de Libra, da Casa de Aquário, da Casa de Peixes, tinham texturas distintas, como Piccolo havia dito durante o banquete.
— Eles... — Goku deixou a frase incompleta por um segundo. Não porque não soubesse o que dizer. Porque estava calculando a escala do que estava sentindo e o resultado era maior do que havia estimado. — Eles estavam escondendo isso o tempo todo.
— A mando meu — disse Kanon, do corredor à esquerda, sem se mover de onde estava. — O Submundo já sabia quais cavaleiros de Atena estavam ativos. Revelar os cosmos antes da hora seria confirmar que a defesa estava montada. — Ele pausou. — Agora a guerra começou de qualquer forma. Não há mais razão para ocultar.
Goku ficou olhando para o horizonte onde os quatro cosmos pulsavam, cada um no seu registro, cada um inconfundível. O do Dragão, pesado e enraizado como rocha viva. O do Cisne, preciso e inevitável como gelo em queda. O de Andrômeda, que tinha uma qualidade que ele não esperava encontrar num guerreiro — não fragilidade, mas profundidade, como água que não tem fundo visível. O da Fênix, que não pulsava como os outros: ardia, contínuo, sem pedir licença.
— Há quanto tempo vocês conhecem esses garotos? — perguntou Goku.
Kanon abriu a boca. Fechou. Olhou para o horizonte onde os cosmos dos quatro brilhavam abertamente pela primeira vez em semanas.
— Esses g... — ele se corrigiu, e havia algo no tom que não era exatamente nostalgia mas não era outra coisa também — ...esses homens. — Uma pausa. — Tempo suficiente para saber que vocês ainda não viram do que eles são capazes.
Da Casa de Sagitário não veio nada. O cosmo de Pégaso permanecia oculto, quieto, como se aquele ponto da montanha estivesse desabitado. Para o exército que se aproximava, Seiya de Pégaso havia desaparecido havia quase duas décadas sob a maldição de Hades.
Que continuassem acreditando nisso.
Atena havia falado uma vez.
E o Santuário respondeu.
Uub, Piccolo, Gohan e Trunks surgiram nos umbrais de suas casas no mesmo instante. Foi um movimento síncrono, impulsionado pela necessidade de confirmar com os olhos o que os sentidos gritavam: o Cosmo de Atena era a energia mais límpida e onipotente que já haviam testemunhado. 17 e 18 permaneciam em silêncio, mais sérios que o habitual, percebendo nos cosmos dos aliados o tamanho da encrenca em que se meteram. Eles não precisavam sentir o Cosmo para ler o peso da atmosfera; a própria estrutura da montanha parecia gemer sob a autoridade da Deusa.
Enquanto os Cavaleiros celebravam a vida, os abismos sentiam a afronta.
No Trono de Giudecca, Hades não se moveu, mas a escuridão ao seu redor vacilou. O silêncio eterno de seus aposentos foi violado por uma frequência dourada que não pedia permissão. Para o Imperador do Inferno, aquele Cosmo não era apenas um chamado às armas; era uma insolência.
Os Três Juízes — Radamanthys, Minos e Aiacos — sentiram o impacto nos portões da Judeca.
— Essa vibração... — Radamanthys trincou os dentes, sua Sobrepeliz de Wyvern ressoando em desarmonia. — É a voz de quem já ditou o fim da batalha antes mesmo do primeiro sangue ser derramado. Como ela ousa?
No Templo Submarino, Poseidon sentiu a água ao redor de seu suporte principal vibrar com uma nota que não era dele. O oceano, que deveria ser o executor de sua vontade, pareceu hesitar por um milésimo de segundo diante do brilho que vinha do Santuário.
Nos pilares dos Sete Mares, os Generais Marinas interromperam sua marcha.
— O que é essa luz que queima até nas profundezas? — questionou Krishna de Crisaor, sentindo sua lança vibrar.
Eles sentiram os Cosmos de Bronze e Prata se elevando. Energias que, em teoria, deveriam ser insignificantes. Mas, banhadas pelo Cosmo de Atena, aquelas almas pareciam estrelas em colisão.
— Ela está louca — murmurou Io de Scylla. — Ela expandiu sua energia sem reservas, como se não houvesse possibilidade de derrota. Ela não está guardando forças para o amanhã... porque ela decidiu que o amanhã já pertence a ela.
A onda atravessou o Mediterrâneo e o Oriente Médio não como um vento destruidor, mas como uma nota de cristal que fazia o ar vibrar. Quando chegou à Torre de Karin, os sinos sagrados tocaram sozinhos, uma única vez, saudando a presença da Deusa.
No Templo de Kami-Sama, Mestre Kame parou de mexer na xícara de chá.
Popo e Dendê, que conversavam baixo do outro lado da sala, ficaram em silêncio ao mesmo tempo, como quando dois músicos ouvem uma nota que não estava na partitura e precisam parar para ter certeza de que ouviram.
— O que foi isso? — disse Dendê, com os olhos arregalados.
Popo manteve o olhar fixo no sul por um longo tempo, sua expressão imutável escondendo uma reverência profunda.
— Justiça — disse ele, por fim.
Mestre Kame pousou a xícara. Havia algo naqueles "ki" desconhecidos, do tipo de coisa que faz um homem velho sentar mais ereto sem perceber que está fazendo isso.
Goten sentiu antes de entender o que estava sentindo.
Ele havia ficado rodeando Aiolia desde que o Cavaleiro de Leão saíra da reunião com Saga.
A onda chegou e ele parou no meio do corredor, os olhos arregalados.
— Que monte de ki poderoso é esse?
Aiolia havia virado o rosto na direção da Grécia antes de Goten terminar a pergunta. Ficou imóvel por um segundo ou dois com aquela expressão que Goten ainda não sabia ler direito mas que parecia ser a cara que os adultos faziam quando alguma coisa os surpreendia de um jeito bom.
Passos pesados no corredor. Aldebaran chegou ao lado dos dois, olhando na mesma direção que Aiolia, para o horizonte onde a Grécia estava a milhares de quilômetros mas o cosmo chegava como se não houvesse distância nenhuma.
No pátio, o cenário era de uma solenidade fúnebre e triunfante: MDM, Saga, Afrodite e Shura encaravam a Grécia ao longe com o brilho de um soldado e o semblante carregado com a certeza que Atena irradiava.
O Cavaleiro de Touro não conteve o sorriso.
— O Santuário está vivo.
O Imperador do Inferno não havia se movido.
Hades permanecia onde sempre estava — no centro de sua própria escuridão, imóvel como uma lei — mas algo ao redor dele havia mudado de qualidade. A frequência dourada que atravessara os portões da Giudecca ainda ecoava nas paredes do salão como uma nota que se recusa a morrer.
Materializou-se à esquerda de Poseidon sem aviso, cujo tridente descansava na mão com a naturalidade de quem nunca o larga.
— Ela expandiu tudo — disse Poseidon. O oceano ao redor de seu pilar ainda carregava o eco da hesitação — um milésimo de segundo que nenhum dos dois havia esquecido. — Sem reservas. Sem contenção.
— Sim — disse Hades.
O silêncio entre os dois durou o tempo que dois deuses precisam para chegar à mesma conclusão por caminhos diferentes.
— Ela não está desesperada — disse Hades, por fim. — Atena não desperdiça cosmo. Nunca desperdiçou.
— Então está mostrando algo para esconder outra coisa — disse Poseidon.
— Ou alguém.
Outro silêncio. Mais curto.
Poseidon girou levemente o tridente entre os dedos — o único gesto que fazia quando estava calculando e não queria que o outro soubesse que estava calculando.
— A Casa de Áries é a primeira porta — disse Hades. — Se há uma surpresa, é lá que vamos encontrá-la.
Poseidon não respondeu imediatamente. Quando falou, a voz não tinha inflexão; era apenas peso.
— Bian.
O General Marina emergiu das sombras aquáticas que bordejavam o salão — água salgada condensada em forma humana, armadura de cavalo-marinho reluzindo com a bioluminescência das profundezas.
— Meu Imperador.
— Vá à primeira Casa — disse Poseidon. — Não para destruir. Para ver.
Bian inclinou a cabeça. Não era uma missão de glória; era uma missão de informação. Ele era experiente o suficiente para entender a diferença e não se ofender com ela.
— E se houver resistência?
— Haverá — disse Hades, antes de Poseidon responder. — A questão é de que tipo.
Os dois deuses trocaram um olhar de reconhecimento mútuo de que, por ora, seus interesses apontavam na mesma direção. Por ora.
Bian desapareceu nas águas
Molhados e com os pulmões queimando, os quatro guerreiros derraparam para dentro da Casa de Áries. A água lambeu o pórtico externo, destruindo colunas centenárias antes de recuar com um sibilo sinistro.
Lá dentro, o silêncio imperava.
No centro do salão, Tenshinhan flutuava. Ele parecia uma estátua de marfim entalhada no meio do caos. Seu Ki branco formava uma esfera perfeita, uma barreira de vontade que impedia que uma única gota de água ou o som da destruição o tocassem.
— Vocês demoraram — disse Tenshinhan. Sua voz não tremeu. Era a voz de quem já aceitara o destino da batalha. — O nível do mar subiu trezentos metros. A frota de Poseidon não veio para negociar.
Kuririn tentou recuperar o fôlego, sacudindo o uniforme laranja.
— A recepção foi meio... exagerada, Tenshin. Mas o comitê de boas-vindas está pronto.
O guerreiro de três olhos abriu as pálpebras. Seu terceiro olho brilhou com uma luz escarlate, focando na névoa úmida que ainda pairava na entrada.
— Preparem-se — alertou ele, descendo lentamente até tocar o chão de mármore. — A maré trouxe algo muito mais perigoso do que água.
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