Dragon Ball CDZ: A Batalha do Zodíaco
26 A Batalha das 12 Casas: Tenshinhan x Bian de Cavalo Marinho
Bian de Cavalo Marinho materializou-se no sopé da montanha enquanto a última torrente de água salgada recuava em direção ao abismo. Suas Escamas reluziam com um brilho alaranjado, quase dourado, imaculadas apesar da destruição ao redor. Ele parou e levantou o olhar para a entrada da Casa de Áries, a poucos metros dali.
A confiança inabalável na postura da linha de frente formada por Cavaleiros de Prata, Bronze e dois homens estranhos sem qualquer armadura — intrigou o General Marina.
Ele rastreou o ambiente, lendo as correntes de energia. Olhou para cima: o Cosmo de Atena queimava inabalável no topo do monte. Mais abaixo, assinaturas inconfundíveis pulsavam nas casas de Leão, Libra, Aquário e Peixes. Eram os mesmos guerreiros que já haviam desafiado os deuses.
Mas a Casa de Áries, logo à sua frente, era um enigma. Não havia o brilho estelar de um Cosmo ali dentro. Havia apenas uma pressão branca, densa e silenciosa, que não operava sob as leis que ele conhecia.
Bian estreitou os olhos, desconfiado, mas o desdém logo varreu a dúvida de seu rosto. Deu um passo letárgico à frente, as botas ecoando no mármore molhado.
— Venho em paz, a pedido do Imperador dos Mares. — declarou ele, a voz carregada de uma solenidade tão arrogante que soava como um insulto. — Trago uma mensagem para Atena.
Ninguém recuou. Ninguém se mexeu.
Bian deu mais um passo. O som metálico de sua Escama cortou o silêncio úmido que pairava no sopé da montanha.
— Vocês não precisam morrer — continuou, a voz escorrendo uma falsa magnanimidade. — Estamos em maior número e... — Ele mediu os guerreiros de Prata e Bronze de cima a baixo, o lábio curvando-se em desdém absoluto — ...somos infinitamente mais fortes.
Silêncio total. A barreira humana à sua frente não recuou um milímetro sequer.
A desconfiança de Bian começou a endurecer, transformando-se em uma irritação visível.
— Pelo visto, Atena ainda guarda luto por sua preciosa elite de Ouro... e nem sequer se deu ao trabalho de substituí-los.
Nenhuma reação dos defensores. Ninguém mordeu a isca.
A paciência do General Marina finalmente se esgotou, dando lugar à crueldade que o oceano esconde sob a superfície. O Cosmo alaranjado começou a ondular ao redor de seu corpo.
— Pois bem. Qual de vocês terá o prazer de morrer nas minhas mãos primeiro? — provocou, abrindo os braços em um convite letal.
Houve um movimento na linha de defesa. Jabu de Unicórnio deu um passo à frente, a armadura rangendo levemente sob a tensão muscular. Ele não possuía o poder cósmico de um General, mas seus olhos carregavam a convicção de quem já havia sobrevivido ao impossível.
— Quer falar com Atena? — Jabu respondeu, a voz seca e inabalável. Apontou o queixo para a imensa escadaria atrás dele. — Então vá subir as Doze Casas.
Em um movimento perfeitamente sincronizado, os Cavaleiros de Prata e Bronze recuaram um passo e se dividiram em dois blocos silenciosos, abrindo um corredor desimpedido que levava diretamente às escadarias da Casa de Áries.
Bian franziu o cenho. O instinto das marés ensinava que, quando a presa facilita a passagem, a correnteza esconde um abismo maior. Ele não avançou. Seu orgulho de General não permitiria que passasse por aquele corredor como um convidado tolerado; o Cosmo alaranjado começou a se concentrar ao redor de seus punhos, condensando a umidade do ar, pronto para lançar um golpe que varreria todos aqueles defensores de uma só vez.
Foi então que uma voz ecoou, serena, grave e cortante, vinda diretamente do breu do Templo:
— Para quem se diz deus, Poseidon e Hades estão cercados de covardes.
Bian cravou o olhar na entrada do santuário.
Das sombras milenares da Casa de Áries, Tenshinhan avançou sob a luz difusa daquela tarde. E, naquele instante, o guerreiro abriu mão da retenção perfeita que mantivera até ali. Ele liberou seu ki.
Não foi uma vibração mística ou cósmica, mas uma explosão de energia vital, densa e esmagadora, que empurrou a pressão atmosférica para fora da casa.
Nas moradas superiores, Ikki, Shiryu, Hyoga e Shun ergueram o olhar na mesma fração de segundo, a surpresa quebrando a concentração de seus postos. Até mesmo Kanon e Seiya, que se mantinham como sombras indetectáveis, sentiram o choque daquela energia subindo os degraus de pedra. Não era a ressonância estelar a que estavam acostumados, mas um poder absurdamente cru e físico, enraizado na terra e afiado por pura disciplina marcial.
Bian subiu os primeiros degraus, a confiança anterior dando lugar a uma tensão afiada. Ele estreitou a visão, analisando a figura austera de ombros largos e o terceiro olho que o julgava sem piscar.
— Mas que raios é você?
— Meu nome é Tenshinhan — respondeu o guerreiro, a voz inalterada, as pernas assumindo uma base perfeitamente calculada no mármore úmido. — E enquanto eu respirar, você não dará um passo além deste pórtico.
Bian soltou uma risada anasalada, o desdém voltando a dominar suas feições sob o elmo de Cavalo Marinho.
— Um mortal de carne e osso bloqueando o meu caminho? Essa é a piada final de Atena? — Bian ergueu a mão direita, os dedos abertos. — Homens de carne são esmagados no fundo do oceano. Desapareça!
Com um movimento brusco, o General Marina disparou o seu Sopro Divino.
Era uma corrente de pressão atmosférica absurda, densa o suficiente para distorcer a luz ao avançar. O ar rugiu como um furacão confinado, quebrando as pedras da escadaria e avançando como uma parede invisível contra o guardião da Casa de Áries. Yamcha e Kuririn, mesmo distantes, precisaram cruzar os braços e firmar os pés no chão para não serem arrastados pelo deslocamento lateral de ar.
Mas Tenshinhan não recuou. Em vez de desviar, ele cruzou os antebraços à frente do rosto e expandiu seu Ki.
O Sopro Divino colidiu contra a aura branca. O choque gerou uma onda de som ensurdecedora. O chão de mármore sob os pés de Tenshinhan rachou em formato de teia de aranha, cedendo sob a pressão, mas ele permaneceu enraizado. A rajada rasgou parte de sua túnica e deixou pequenos cortes em sua pele, um dano físico real, mas a barreira de vontade de Tenshinhan estrangulou a técnica divina.
Bian arregalou os olhos por um segundo.
— Ele suportou o impacto de um milagre apenas com... força bruta?
A hesitação do Marina durou apenas um milésimo de segundo, mas foi a janela que o artista marcial esperava.
A figura de Tenshinhan sumiu.
O deslocamento foi tão veloz que Bian sentiu a intenção assassina antes de enxergar o movimento. Tenshinhan materializou-se a centímetros de distância do General e desferiu um soco frontal com toda a rotação do quadril, focando todo o seu peso e Ki no centro do peitoral da Escama de Poseidon.
BAM!
Um estrondo seco chicoteou o ambiente, lançando a água empoçada em todas as direções.
Tenshinhan franziu a testa. Seu punho havia parado a milímetros da armadura. O soco havia colidido com algo impenetrável.
Bian sorriu, a empáfia retornando imediatamente.
— Velocidade excelente para um humano, confesso. Mas é inútil. — Bian apontou o dedo para o guerreiro. — Minha defesa é absoluta. Nenhum ataque mortal pode cruzar a barreira de Cavalo Marinho.
Tenshinhan não insistiu. Recuou em um salto para trás, pousando de forma fluida a dez metros de distância.
O guerreiro de três olhos não piscou. O brilho escarlate em sua testa intensificou-se, lendo as micro-vibrações do ar ao redor do General Marina. Ele não via "poderes místicos" na defesa de Bian; ele via as cordas e a física por trás do truque.
— Não é um escudo espiritual... — Tenshinhan murmurou, sua postura de combate reajustando-se. — Você está movendo as mãos a uma velocidade insana, girando as correntes de ar para criar um bolsão de pressão ao seu redor.
O sorriso de Bian vacilou, a surpresa finalmente manchando sua expressão de superioridade.
— E se for? Compreender o mecanismo não significa que você tem força para quebrá-lo, seu verme de três olhos!
— Eu não preciso quebrá-lo — disse Tenshinhan, erguendo as mãos lentamente até a altura do peito, unindo as palmas e abrindo os dedos até formar um triângulo perfeito com os polegares e indicadores.
O Ki na Casa de Áries parou de se expandir. Em vez disso, começou a se condensar no centro das mãos de Tenshinhan, sugando o som, a luz e o ar ao redor. O alvo já estava travado.
A Primeira Fase da Guerra do Zodíaco havia oficialmente começado.
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