Dragon Ball CDZ: A Batalha do Zodíaco

18 Dia 3 - Uma Espada para Capricórnio


A SAGA DO SANTUÁRIO

A máquina do tempo pousou silenciosamente nos jardins da Corporação Cápsula. Vegeta abriu a escotilha e o ar que invadiu a cabine não tinha o cheiro de destruição das batalhas contra os deuses; cheirava a uma paz que ele, naquela realidade, não ajudou a construir.

Ele desceu, as botas rangendo levemente na grama bem cuidada. O prédio estava parcialmente destruído, vestígios da guerra contra os Androides. Vegeta caminhou até a entrada com os punhos cerrados ao lado do corpo, sentindo a respiração curta. Não era o medo do combate que o travava, mas o peso do que estava prestes a exigir.

Ao entrar na cozinha, o aroma de café fresco o atingiu.

Bulma estava de costas, observando o jardim. O cabelo azul-esverdeado, agora mais curto e com fios pratas que denunciavam as décadas de solidão, balançava com a brisa. Ao ouvir os passos pesados, um ritmo que ela havia enterrado na memória há trinta anos, ela se virou bruscamente.

A xícara de porcelana escorregou de seus dedos, estilhaçando-se no chão em um ruído seco que pareceu ensurdecedor no silêncio da casa.

Bulma levou as mãos à boca, os olhos arregalados e transbordando um terror misturado com uma esperança dolorosa. Diante dela estava o fantasma de sua juventude: jovem, forte e orgulhoso.

Já não vestia mais a mesma armadura de batalha que usava no dia em que o céu desabou sobre eles, mantendo, apenas as botas e as luvas brancas já conhecidas e a vestimenta azul-escura.

— V-Vegeta...? — a voz dela era um fio inaudível, trêmula como uma chama prestes a se apagar.

Vegeta sustentou o olhar, mas o tônus de seus ombros cedeu por um milímetro quase imperceptível. Ele limpou a garganta, a voz saindo mais áspera do que pretendia para disfarçar o nó no peito.

— Onde está o Trunks? — perguntou ele, seco, evitando olhar para os pedaços de cerâmica no chão.

Um som de passos rápidos ecoa pelo corredor aumentando gradativamente até parar no batente da cozinha.

— Mãe, que barulho foi ess...

Trunks parou bruscamente. Seus olhos alternavam entre a mãe pálida e a figura à sua frente. O Ki era inconfundível. Era o Ki de seu pai. Mas era impossível.

— PAI?! — Trunks recuou um passo, atordoado.

Trunks, agora um homem feito, aproximando-se dos trinta anos, entrou na cozinha. Vegeta se antecipou a qualquer fala ou pergunta que viesse deles.

— Eu não sou um fantasma. E não sou uma ilusão — a voz de Vegeta saiu rouca, mas firme. Ele não se moveu. — Eu vim do passado. O meu presente.

Bulma deu um passo à frente, tateando o ar como se quisesse tocá-lo, mas com medo de que ele desaparecesse.

— Do passado... Então você é... o Vegeta daquela linha do tempo? Aquele que conheceu o nosso Trunks depois que ele voltou de lá?

— Você voltou para cá na sua máquina do tempo depois da luta contra o Cell. Bulma ficou com a máquina em que ele veio e o velho a consertou. — Vegeta se dirigia a Trunks, mas olhava para Bulma. — Mas nós não temos tempo para reuniões familiares.

Vegeta cruzou os braços, a pressão dos punhos cerrados sob as luvas rangendo no silêncio da cozinha. Ele percebeu que as mãos de Bulma tremiam enquanto ela tentava processar a explicação. Ele desviou o olhar para uma mancha na parede, o maxilar travado.

— Trunks... — Vegeta engoliu em seco, o orgulho sendo esmagado pela necessidade. — Eu preciso de você... Eu preciso de você para salvar a sua mãe e a você mesmo no meu tempo.

O silêncio pesou.

Vegeta, rapidamente e sem rodeios, explicou a situação: a aliança de Hades e Poseidon, a música de Pandora, e o estado catatônico em que Bulma e o pequeno Trunks se encontravam no Templo de Kami-Sama.

— Deuses? No passado? — Bulma soltou um soluço sufocado, dando um passo trêmulo na direção de Trunks. — Não... Vegeta, você não pode estar falando sério! Ele já lutou o bastante! Ele deu a vida para reconstruir este mundo! Você não pode levá-lo para morrer em outra época!

Vegeta não cedeu e finalmente olhou o filho nos olhos. Ele viu no rosto de Trunks as cicatrizes e a maturidade de quem não teve um pai para protegê-lo. O orgulho de Vegeta inflou, mas veio acompanhado de um frio no peito que ele se recusava a chamar de culpa.

— Ele é um Saiyajin, Bulma! — rugiu ele, a voz ecoando pelas paredes da Corporação Cápsula.

Ao ouvir sobre o estado de sua mãe da outra linha do tempo, Trunks cerrou os punhos sobre a mesa, o metal amassando sob sua força.

— A minha mãe... — Trunks murmurou, a raiva crescendo. — A minha mãe do passado... Ela me acolheu como se eu fosse o filho dela naqueles dias antes dos Jogos de Cell. Ela cuidou de mim... – Vem lembranças na memória dele. — Ela me deixou na casa dela, ela me chamava de filho... Mesmo sabendo que eu não ia ficar lá por muito tempo...

— O que você fez foi muito arriscado, Vegeta — disse Bulma, recuperando lentamente a compostura, mas com os olhos marejados. — Viajar para o futuro... você pode ficar preso aqui para sempre se algo der errado com a máquina. Ou nós poderíamos nem estar aqui...

Trunks olhou para a mãe, depois para o pai. O estranhamento era total, mas o fato de seu pai ter viajado no tempo se arriscando já dizia o suficiente.

Vegeta olhou para ela. Era a Bulma, mas não a sua Bulma.

— Eu não tenho escolha. — retrucou Vegeta, a voz falhando por um milésimo de segundo. — Se eu ficar preso lutando na Décima Casa do Santuário, eu não poderei caçar a cabeça de Pandora.

Ele se voltou para Trunks, encarando-o com intensidade.

— Thanatos e Hypnos... Eles são os mais fortes abaixo de Hades e Poseidon. Se eu gastar minha energia defendendo uma posição, Kakarotto e eu jamais chegaremos a eles a tempo de quebrar a maldição.

Ele deu um passo em direção ao filho.

— O plano é que os mais fortes protejam as últimas casas — explicou Vegeta. — Piccolo está em Virgem, na casa do meio. Gohan assumirá Escorpião e está com o cavaleiro mais poderoso aprendendo técnicas para resistir à magia dos deuses. Eu pedi a de Capricórnio, a última que vamos ocupar.

Trunks ouvia atentamente, com indignação, mas já pensando na estratégia.

— De todos os Saiyajins, você é o único que não luta pelo prazer do combate, nem por um orgulho tolo. Você luta para terminar a guerra. Você faz o que é necessário, não importa o custo. — Vegeta apontou para o coração de Trunks. — A magia desses deuses manipula a mente. Mas você... você viveu no inferno dos Androides. Você reconstruiu este mundo do zero. Sua mente é focada apenas no resultado. Você não vai ceder.

Trunks sustentou o olhar do pai.

— O Cavaleiro de Capricórnio possui em seu braço a Excalibur, a espada mais afiada do universo, capaz de cortar qualquer mal. — Vegeta sorriu, um sorriso triste, mas orgulhoso. — Aquela casa precisa de um espadachim.

Trunks respirou fundo. A imagem de sua mãe do passado, sorrindo e lhe oferecendo comida, roupas limpas anos atrás e cortando seus longos cabelos depois de ter deixado a sala do tempo, veio à sua mente. Ele olhou para o pai à sua frente.

— Vamos enganar os deuses. — Trunks diz, com um sorriso malicioso idêntico ao de seu pai. — Quem os atacou não vai esperar nunca que aquele garotinho volte lutando como adulto.

Depois, olhou para Bulma, assentiu brevemente para tranquilizá-la, e saiu da cozinha em disparada pelo corredor, deixando os dois a sós.

O silêncio retornou à cozinha, apenas com o zumbido da geladeira e o cheiro de café derramado. Vegeta permaneceu imóvel, mas sentiu o olhar de Bulma sobre ele. Ele se virou lentamente.

Eles se encararam. Havia trinta anos de distância e uma vida inteira de "e se" entre os dois. Bulma do Futuro enxugou uma lágrima solitária que teimava em cair. Ela via nele o que perdeu, mas também via um homem transformado.

— O Vegeta que eu conheci... jamais arriscaria o universo para salvar a esposa. Ele lutaria apenas por vingança, para provar que é o mais forte.

Vegeta sentiu o tônus de seus ombros ceder por um milímetro, uma fraqueza que ele logo corrigiu. Ele não olhou para ela; manteve os olhos fixos no horizonte além da janela.

— Aquela mulher é um estorvo — rosnou Vegeta, e embora as palavras fossem duras, o tom era de uma confissão arrancada à força. — É barulhenta, vulgar e acha que pode dar ordens em mim. Mas... um mundo sem os gritos dela não vale o esforço da conquista.

Vegeta levantou os olhos, encarando a Bulma à sua frente com um respeito que transcendia o tempo e o espaço. Ela sorriu — um sorriso triste, mas finalmente em paz. Era a validação que ela esperara a vida inteira e que a morte de seu Vegeta original lhe roubara.

— Traga o meu filho vivo, Vegeta. — pediu ela, a voz firme apesar das lágrimas.

Trunks se aproximou da mãe e depositou um beijo carinhoso em sua testa.

— Eu vou voltar, mãe. Não se preocupe. — Trunks olhava nos olhos dela com responsabilidade e afeto. — Meu pai, Gohan, o senhor Goku, Piccolo... estão todos lá. E agora temos Atena e os cavaleiros dela ao nosso lado.

Ele pensou por um segundo.

— E as esferas do dragão também.

Trunks se posicionou ao lado do pai, pronto para partir. Bulma e Vegeta se encararam uma última vez num adeus silencioso. Ele virou as costas e seguiu para a saída, com Trunks em seu encalço.

Enquanto caminhavam em direção à máquina do tempo nos jardins, Trunks não conseguiu conter um sorriso satisfeito e nada discreto.

— Quem diria, hein, pai? — provocou o rapaz, olhando de soslaio. — O grande e orgulhoso Príncipe dos Saiyajins vindo ao futuro pedir ajuda.

Vegeta nem se deu ao trabalho de olhá-lo, mantendo o passo firme e o maxilar travado para esconder qualquer traço de satisfação.

— Cala essa boca, moleque.