Dragon Ball CDZ: A Batalha do Zodíaco
4 A Fúria de Vegeta: O Super Saiyajin 3
A SAGA DOS DEUSES
No Planeta Supremo, a postura lasciva do Antigo Kaioshin desapareceu instantaneamente ao ouvir as primeiras palavras transmitidas pela mente de Saori. A voz dela não carregava sedução, mas um peso de responsabilidade que fez até mesmo os deuses mais antigos se calarem.
— Supremo Senhor — a voz de Atena ecoou cristalina na mente deles. — A Terra, o berço da vida que jurei proteger, está sob ameaça de aniquilação total. Hades, o Imperador do Inferno, e Poseidon, o Imperador dos Mares, uniram-se. Eles não buscam apenas governar; buscam purgar a humanidade e tomar o meu lugar como guardiã. Se eles triunfarem, a morte e as águas cobrirão o mundo, e não haverá futuro para proteger.
Shin, o Kaioshin do Leste, suava frio.
— Dois dos Grandes Deuses rompendo o ciclo natural ao mesmo tempo... e usando forças externas para ressuscitar. Isso é catastrófico. — Ele se virou para a bola de cristal, seus olhos brilhando com determinação. — Kibito, mantenha a conexão com Asgard. Eu vou expandir a telepatia. Os guerreiros da Terra precisam ouvir isso agora mesmo.
Na Plataforma Celeste, a discussão tensa entre os Guerreiros Z foi interrompida.
De repente, o céu escuro e opressivo pareceu se abrir por um instante dentro de suas cabeças.
— Goku! Piccolo! Todos vocês, escutem! — A voz de Shin ressoou com autoridade.
— Kaioshin? — Goku olhou para cima, surpreso. — É você? O que está acontecendo?
— Não temos tempo para explicar tudo agora. Vou conectar uma outra consciência às suas mentes. Escutem o que ela tem a dizer. É a divindade máxima da Terra falando.
Antes que qualquer um pudesse questionar, uma nova presença inundou os sentidos de todos ali presentes.
Diferente do ki agressivo e combativo que eles estavam acostumados, ou da energia maligna viscosa que pairava no ar lá fora, essa nova presença era avassaladora de uma forma diferente. Era quente. Era vasta, majestosa e infinitamente bondosa.
O Mestre Kame, que segurava seu cajado com tensão, sentiu seus ombros relaxarem involuntariamente, invadido por uma paz que não sentia há décadas. A Número 18, geralmente fria, sentiu um calor humano percorrer seus circuitos. Até mesmo Piccolo sentiu sua essência guerreira se acalmar diante daquela luz espiritual pura. Era um Cosmo de puro amor incondicional.
— Guerreiros deste mundo... — começou Saori. — Meu nome é Atena. Desde as eras mitológicas, eu sou a guardiã encarregada de zelar por este planeta.
Goku arregalou os olhos, impressionado não com o poder de destruição, mas com a serenidade daquela força.
— A energia dela... é incrível — sussurrou Goku. — Não é forte de um jeito que machuca. É forte como... como o sol amanhecendo depois de uma tempestade.
— A cada aproximadamente duzentos anos — continuou Atena, sua voz carregada de uma tristeza solene que tocou o coração de Gohan —, quando o mal se levanta para tentar dominar a Terra, eu reencarno em um corpo humano para liderar meus guerreiros, os Cavaleiros, em uma Guerra Santa pela paz e pela justiça.
A imagem mental de Saori, com sua armadura divina e báculo, projetou-se na mente de todos.
— A última Guerra Santa não aconteceu em lendas antigas. Ela ocorreu no final do século passado, em segredo aos olhos do mundo comum. Foi uma batalha brutal contra Hades. Para vencermos e protegermos a luz, o preço foi alto demais.
A voz de Atena embargou levemente, e os Guerreiros Z puderam sentir a dor real, física, no coração dela através da telepatia.
— Todos os meus doze Cavaleiros de Ouro, a minha elite guerreira e a força mais poderosa do Santuário, sacrificaram suas vidas diante do Muro das Lamentações para abrir caminho para a vitória. Nós vencemos... ou assim pensávamos.
— Mas agora, as leis foram quebradas — concluiu ela, retomando a firmeza, embora sua aura transmitisse uma solidão imensa. — Hades e Poseidon retornaram séculos antes do previsto. O Santuário está desfalcado. Meus protetores dourados estão mortos. A Terra está vulnerável, e eu não tenho exército suficiente para conter dois deuses furiosos. Por isso, eu suplico ao Supremo Senhor Kaioshin... e a vocês, guerreiros ocultos que sinto na Terra... ajudem-nos!
No Planeta Supremo, Shin manteve a conexão telepática firme, seus olhos fixos na imagem de Atena que, mesmo a anos-luz de distância e em outra dimensão espiritual, parecia emanar esperança. Ele sabia que precisava traduzir a magnitude do poder de Goku para uma deusa que estava acostumada com a hierarquia do Olimpo, e não com a biologia alienígena.
— Atena, suas palavras ecoaram no coração daqueles que precisavam ouvi-las — respondeu o Kaioshin, sua voz mental projetando-se com clareza tanto para Asgard quanto para a Plataforma Celeste. — Não se desespere. O guerreiro que está na outra ponta desta conexão, aquele cuja presença o senhor descreveu, chama-se Son Goku.
Shin fez uma pausa, permitindo que a informação se assentasse.
— Ele é o guardião mais poderoso que a Terra possui atualmente, mas sua origem não é deste mundo, nem divina. Goku pertence à raça de guerreiros mais formidável e violenta que já existiu na história do universo físico: os Saiyajins.
Atena, em Asgard, arregalou levemente os olhos. A palavra "Saiyajin" era estranha ao seu vocabulário mitológico, mas a reverência na voz do Deus Supremo era inegável.
— Eles são uma raça combativa que evolui através da luta, quebrando seus próprios limites sempre que enfrentam a morte — explicou Shin. — Infelizmente, a maioria foi extinta. Mas os últimos remanescentes dessa linhagem lendária escolheram a Terra como lar. Eles são Goku e mais quatro guerreiros. Se existe alguma força no universo mortal capaz de rivalizar com a fúria de Hades e Poseidon sem a ajuda dos seus Cavaleiros de Ouro, são eles. O poder oculto nesses cinco Saiya...
A frase do Supremo Senhor Kaioshin nunca foi concluída. A conexão telepática, límpida e sagrada até aquele momento, foi subitamente atravessada por uma estática violenta, como se um trovão tivesse explodido dentro da mente de todos os presentes.
Uma onda de choque física que fez o Templo Sagrado tremer em suas fundações. O céu, já escurecido pela magia de Hades, pareceu se rasgar em um clarão de luz violeta no horizonte distante a leste.
Uma coluna de energia subiu aos céus, tão densa e furiosa que distorcia o ar ao redor. Diferente do cosmo frio e imponente dos deuses invasores, ou da luz quente e serena de Atena, essa nova energia era caótica. Ela queimava. Era um grito silencioso transformado em poder bruto.
Goku, que até então mantinha a compostura séria, recuou um passo, como se tivesse levado um soco no estômago. Suas pupilas contraíram.
— Não pode ser... — sussurrou Goku, sentindo o arder na pele.
Aquele Ki não carregava apenas força de combate. Ele transbordava uma angústia, uma mistura tóxica de luto insuportável e uma fúria assassina que parecia querer reduzir o mundo a cinzas. Era o som de um coração orgulhoso se partindo e, instantaneamente, decidindo destruir tudo o que restava.
Piccolo suava frio, reconhecendo a natureza daquela explosão emocional.
— Eu nunca senti nada assim vindo dele. — disse o Namekuseijin, assustado.
Gohan olhou para o horizonte sentindo o desespero.
— Vegeta! — disseram todos os Guerreiros Z em uníssono, a compreensão terrível do que aquilo significava caindo sobre eles.
Em Asgard, a revelação do Kaioshin caiu como um raio sobre os presentes. Hilda e Freiya trocaram olhares de descrença diante da menção de seres extraterrestres. Siegfried, porém, não teve tempo de questionar a veracidade daquela aliança. Quando a onda de choque do Ki de Vegeta atravessou as dimensões e atingiu o Norte, as tochas do palácio quase se apagaram e os vitrais trincaram. Os Cavaleiros de Bronze, veteranos de guerras contra deuses, recuaram instintivamente, assumindo posições de combate. Não era a pressão majestosa de um Cosmo divino, mas uma tempestade de energia bruta, selvagem e descontrolada que fez até mesmo a estátua de Odin vibrar.
— Que demônio é esse? — questionou Hyoga, protegendo o rosto da ventania súbita, enquanto Atena levava as mãos ao peito, empalidecendo ao sentir a dor lacerante que alimentava aquele poder colossal.
Goku não esperou por uma resposta divina. Ele sentiu a urgência na vibração do ar, uma contagem regressiva para a destruição.
— Supremo Senhor Kaioshin, Dona Atena... perdoem a indelicadeza e a saída repentina — disse Goku, colocando os dedos indicador e médio na testa e virando-se para o leste. Seu rosto não trazia traço algum de sua habitual leveza. — Preciso ir domar a fera.
A presença de Goku desapareceu instantaneamente do templo, deixando apenas o vácuo de ar onde ele estava.
Piccolo ergueu o rosto para o céu, mantendo a conexão mental aberta com as divindades.
— Supremo, Deusa Atena... A energia avassaladora que vocês sentem tremer o planeta agora pertence a Vegeta, o Príncipe dos Saiyajins — explicou o Namekuseijin, sua voz grave carregada de pesar. — E temo que a tragédia dele seja a chave do mistério que enfrentamos. Nós acreditamos que os inimigos capturaram e usaram Bulma, a esposa de dele, para reunir as Esferas do Dragão; os artefatos capazes de realizar qualquer desejo. Foi assim que conseguiram fazer renascer esses dois deuses de que vocês falam.
No Palácio Valhalla, um silêncio sepulcral se instalou após a explicação de Piccolo. A revelação de que a ressurreição dos deuses custou a vida ou a liberdade da esposa de um guerreiro tão poderoso adicionou uma camada de crueldade humana àquela guerra divina. O Ki de Vegeta ainda ecoava nas paredes de pedra, uma pulsação constante de dor que fazia as chamas das tochas dançarem freneticamente.
No entanto, entre os Cavaleiros de Bronze, o medo inicial deu lugar a algo diferente. Shiryu e Hyoga trocaram olhares com uma ponta de esperança. Eles, que tantas vezes lutaram contra probabilidades impossíveis, reconheceram naquela energia bruta uma magnitude de poder que rivalizava — ou talvez superasse — a dos Cavaleiros de Ouro que haviam perdido. Era um poder capaz de desafiar os deuses.
Hyoga de Cisne deu um passo à frente, seus olhos azuis fixos na direção de onde vinha a tempestade de energia, calculando as possibilidades.
— Se esse guerreiro, Vegeta, possui um poder capaz de abalar as dimensões apenas com sua fúria... — Hyoga pausou, virando-se para a projeção mental do Kaioshin e de Piccolo. — Então a pergunta que resta é: e o Son Goku? Ele é mais poderoso do que ele?
O deslocamento de ar provocado pelo teletransporte de Goku foi instantaneamente engolido pela tempestade elétrica que dominava o local. O cenário era uma região rochosa desolada, agora pulverizada em uma cratera fumegante, mas Goku não tinha olhos para a paisagem.
Seus olhos estavam fixos na figura no centro do caos.
Lá estava Vegeta. Mas não o rival que ele conhecia. Os cabelos dourados, antes espetados para cima, agora cascateavam longos e selvagens até a cintura, chicoteando com a violência da aura. As sobrancelhas haviam desaparecido, dando lugar a um semblante primitivo, uma carranca de puro instinto assassino. Raios azuis dançavam ao redor dele com uma intensidade ensurdecedora, estalando como chicotes que rasgavam a própria realidade.
Era a transformação do Super Saiyajin 3.
Mas o que gelou o sangue de Goku não foi o poder, e sim o que Vegeta carregava.
Apoiada inerte sobre o ombro esquerdo, estava Bulma, com os braços pendendo. No ombro direito, o pequeno Trunks, imóvel. O Príncipe dos Saiyajins segurava seus dois tesouros com uma delicadeza que contrastava brutalmente com a energia destruidora que ele emanava. Ele caminhava lentamente para o nada, com o olhar fixo no vazio, ignorando completamente a presença de Goku.
Goku sentiu a pressão daquele Ki empurrá-lo fisicamente para trás. Não era apenas força; era uma densidade espiritual que ele jamais havia testemunhado, nem mesmo em Majin Buu, nem mesmo em si próprio.
"O Ki dele não para de subir...", pensou Goku, o suor escorrendo pelo rosto, sentindo suas pernas tremerem levemente. Ele olhou para aquela forma monstruosa, fruto de uma dor que Goku sequer conseguia imaginar.
"Eu acho que agora ele me superou."
A constatação veio fria e absoluta na mente de Goku. Vegeta havia passado a vida inteira perseguindo a sombra de Kakarotto, buscando alcançar aquele nível de poder através de treino, orgulho e obsessão. E agora, ele havia chegado lá. Havia rompido a barreira do Super Saiyajin 3 não por glória, não por competição, mas porque seu espírito havia se estilhaçado.
O mais aterrorizante era que Vegeta não parecia perceber. Ele não olhou para as próprias mãos, não sorriu com arrogância, não discursou sobre ser o número um. Ele estava tão mergulhado em uma fúria cega e em uma dor insuportável que a transformação lendária — o ápice do poder Saiyajin que consumia energia vital vorazmente — ocorria como um mero efeito colateral de sua ira. O corpo de Vegeta queimava limites biológicos apenas para conter o ódio que transbordava de sua alma.
Goku ficou sério, a tristeza invadindo seu olhar ao ver Bulma, sua amiga mais antiga, pendurada como uma boneca quebrada. Ele percebeu, naquele instante, que não estava ali para lutar contra um inimigo. Ele estava ali para impedir que seu amigo destruísse o universo na tentativa de vingar sua família. O Príncipe havia desaparecido; restava apenas um pai e marido, armado com o poder de destruição.
— Vegeta... – Ele diz com uma seriedade nunca vista.
— Kakarotto, se vier me impedir eu não vou ter piedade com você. – Vegeta diz seriamente.
— Vegeta... – Goku estava buscando uma forma de se aproximar dele para teletransportá-lo. – Se você vier comigo pode ter as respostas que precisa.
— Eu não quero respostas. Eu quero acabar com quem encostou na minha família. Nem que isso custe a minha própria vida.
— Não vim te impedir. — Goku permanece sério, ainda de aproximando dele com cautela. — Vim te direcionar.
"Piccolo", chamou Goku, por telepatia.
"Goku, achou Vegeta?", pergunta Piccolo, preocupado.
"O pior é pior do que pensamos".
Piccolo reage com o semblante mais fechado, para a atenção de todos.
"O que é pior do que o que pensamos?"
Goku engoliu em seco antes de responder mentalmente. "A Bulma... e o Trunks".
Piccolo congelou. A imagem das duas mentes se apagando atingiu-o com força. Ele olhou para Gohan e os outros, o terror estampado em sua face verde.
— Puta que pariu... – Piccolo exclamou alto. – Fodeu.
Goku tentou dar mais um passo, mas a densidade do Ki de Vegeta era como uma barreira física, um muro de gravidade esmagadora que repelia qualquer aproximação. O chão ao redor do Príncipe cedia e vaporizava, transformando a rocha em plasma apenas pela proximidade de sua aura descontrolada.
— Vegeta... me escute — insistiu Goku, protegendo o rosto com o antebraço, lutando contra a ventania cortante dos raios de eletricidade. — Eles não podem esperar. Olhe para eles!
Foi então que Goku notou o detalhe que fez seu estômago revirar.
Pingando dos ouvidos de Bulma e manchando o colarinho da camisa de Trunks, filetes de sangue escuro escorriam incessantemente, caindo em gotas pesadas que sibilavam ao tocar o chão superaquecido. O som da harpa de Pandora havia causado danos internos severos.
— Eles estão morrendo, Vegeta! — gritou Goku, sua voz tentando superar o rugido da energia. — Se você for atrás dos inimigos agora, vai perdê-los. O corpo deles não vai aguentar a viagem ou a batalha!
Vegeta não respondeu, mas um espasmo percorreu seu rosto transformado. O instinto de destruição lutava contra o instinto de proteção.
— O Dendê... — Goku lançou sua última cartada, aproveitando a hesitação. — O Dendê pode curá-los. Se os levarmos para o Templo Sagrado agora, ele pode restaurar a saúde deles em segundos.
O brilho assassino nos olhos sem sobrancelhas de Vegeta vacilou por um milésimo de segundo.
— Templo? — a voz do Príncipe saiu como um rosnado trovejante.
— Sim. Tem algo acontecendo lá — explicou Goku rapidamente, dando mais um passo difícil à frente, sentindo a pele arder. — O Supremo Senhor Kaioshin e a Deusa Atena estão lá. Eles sabem quem fez isso. Sabem quem atacou sua família. São deuses antigos, Vegeta. Hades e Poseidon. Se você quer vingança, precisa saber quem matar. Mas se você quer sua família viva, precisa do Dendê. Agora!
A aura dourada e crepitante ao redor de Vegeta não desapareceu, mas a turbulência violenta se estabilizou. O Príncipe dos Saiyajins fechou os olhos por um breve momento, respirando fundo, contendo a tempestade dentro de si apenas o suficiente para não desintegrar Goku.
— Se eles não sobreviverem... — Vegeta sussurrou, e a ameaça implícita era mais aterrorizante que qualquer grito. — Eu destruirei este planeta e todos os deuses que o habitam.
— Eles vão sobreviver — garantiu Goku, finalmente conseguindo vencer a barreira de energia e chegando ao lado do rival.
Com uma expressão grave, Goku colocou a mão no ombro livre de Vegeta. O contato queimava, a energia do Super Saiyajin 3 era instável e selvagem.
— Segure-se.
Num instante, a paisagem desolada desapareceu. O som do teletransporte ecoou, e os dois Saiyajins, junto com as vítimas do prelúdio da guerra, desapareceram, deixando para trás apenas a poeira e o silêncio.
O ar estalou violentamente na Plataforma Celeste quando as partículas de luz do teletransporte se dissiparam. Um silêncio pesado e instantâneo caiu sobre o Templo.
Lá estava Vegeta.
Mesmo com o Ki drasticamente contido para não pulverizar o local sagrado, a mera presença física de sua forma de Super Saiyajin 3 era sufocante. Seus cabelos dourados, agora longos e espessos como uma juba de leão, desciam até as costas, flutuando em uma gravidade própria. A ausência das sobrancelhas dava ao Príncipe um aspecto neandertal, bestial e aterrorizante.
Gohan, Piccolo e os outros recuaram um passo, atônitos. Eles conheciam aquela transformação apenas em Goku, e ver Vegeta atingir aquele ápice de poder era perturbador.
Mas o choque pelo poder deu lugar ao horror ao verem a carga preciosa que ele trazia.
— Bulma... Trunks! — exclamou Kuririn, levando as mãos à boca, pálido.
— Oh, meu Deus! – Exclamou Atena. – É apenas uma criança!
Dendê, superando o medo instintivo que a presença daquele "monstro" dourado causava, correu em direção a eles, seguido imediatamente pelo Sr. Popo.
— Vegeta... — a voz de Dendê tremeu, mas ele manteve a postura de Kami-Sama, estendendo os braços. — Por favor, permita-nos. Eu posso curá-los agora mesmo. O Sr. Popo vai levá-los para dentro do santuário.
Vegeta rosnou baixo, um som gutural que vibrou no peito de todos, mas seus olhos fuzilaram Dendê com uma exigência muda: salve-os ou morra. Lentamente, o Príncipe permitiu que Sr. Popo pegasse Bulma e que Dendê amparasse Trunks. Seus músculos estavam tão tensos que pareciam feitos de pedra. Ele não se destransformou. Ele não relaxou. Ele ficou ali, uma estátua de pura vingança represada, esperando.
Enquanto Popo ajeitava a cabeça de Bulma, um raio de sol iluminou o rosto dela, revelando o rastro de sangue escuro e coagulado que saía de seus ouvidos e escorria pelo pescoço.
— Esperem! — A voz de Atena ecoou na mente de todos, vinda da conexão telepática, carregada de um reconhecimento súbito.
Em Asgard, onde observavam a cena pela projeção do Kaioshin, a reação foi imediata.
— Aquele sangue... — murmurou Shiryu, "vendo" através do cosmo a natureza da ferida. — Não há hematomas de impacto no corpo. O sangramento é exclusivamente pelos canais auditivos e nariz.
Hyoga deu um passo à frente, seus olhos azuis estreitando-se ao reconhecer o padrão sádico daquele ferimento.
— Não foi uma explosão de cosmo e nem um golpe físico — constatou Hyoga, com frieza. — Isso é dano direto ao sistema nervoso central causado por uma melodia. É um ataque sonoro.
— Sorento de Sirene? – Pensou Shiryu.
Atena levou a mão ao peito, a confirmação doendo mais que um golpe.
— Uma melodia que tortura a mente até a inconsciência... — disse a Deusa, sua voz transmitindo a gravidade da situação para os Saiyajins. — Isso não foi obra de um soldado qualquer.
A imagem de Saori, projetada na mente dos guerreiros na Plataforma Celeste, voltou-se com suavidade para o Saiyajin dourado.
— Príncipe Vegeta — Atena se dirigiu a ele —, eu lamento muito o que aconteceu à sua esposa e ao seu filho. Eles não estão mortos, eu garanto. Posso orientar o Sr. Dendê e o Sr. Popo para a cura deles, pois conheço a natureza deste ferimento maligno.
Atena transmitia uma calma soberana, mas a situação estava só se agravando com a tensão no ar. Foi então que Goku, geralmente calmo, deu um passo à frente e falou com Atena.
— Dona Atena — ele disse com uma seriedade cortante, seus olhos fixos na projeção. — Aquela ali é a minha amiga Bulma e, diferente de nós, ela não tem poder algum. É uma humana como qualquer outro. Quem atacou ela e o filho vai sofrer as consequências não só as do Vegeta, mas as minhas também.
Diante da garantia de cura e da união de propósitos, a aura tempestuosa ao redor de Vegeta cessou. O brilho dourado desapareceu, os cabelos longos recolheram-se e as sobrancelhas retornaram ao rosto. Vegeta abaixou a guarda e voltou à sua forma natural, ofegante, para a surpresa absoluta dos que assistiam em Asgard.
— Impressionante! — exclamou Hyoga, vendo a mudança drástica na biologia do guerreiro. — Você viu isso, Shiryu? Ele se transformou! O corpo dele mudou completamente!
No Templo, Vegeta limpou um fio de sangue do canto da boca e olhou para o céu, onde sentia a presença da deusa.
— Me dê o nome. — Vegeta disse com rancor, sua voz rouca. — Esse tal de Horrendo de Sirene?
Atena e os outros em Asgard viram aumentar uma ponta de esperança vindo nas palavras vingativas, porém focadas, de Vegeta.
— Se lutar ao meu lado e defender a Terra, terá o meu apoio, Príncipe Vegeta. E terá sua vingança.
— Eu luto. — ele respondeu com sede de vingança.
A resposta afirmativa ecoou positivamente do lado de Asgard. A aliança entre o Santuário e os Saiyajins estava selada pelo sangue.
— A pessoa que você procura não é Sorento — respondeu Atena, com firmeza. — É Pandora, a comandante do exército do submundo, braço direito de Hades.
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