Dragon Ball CDZ: A Batalha do Zodíaco
5 Uma Aliança na Superfície... e Outra no Submundo
A SAGA DOS DEUSES
Nas profundezas abissais do Mediterrâneo, protegidas pela redoma divina que afastava as toneladas de água, o Templo Submarino despertou de seu sono. O cosmo de Julian Solo, a encarnação de Poseidon, pulsou violentamente, não para destruir, mas para chamar.
Diante dos sete pilares que sustentam os oceanos, luzes douradas explodiram. Seis figuras materializaram-se, vestindo as sagradas Escamas. Eles olharam para as próprias mãos, sentindo a vida retornar aos seus corpos que haviam perecido na última Guerra Santa.
— Meus fiéis Generais Marinas — a voz de Poseidon ecoou soberana, reverberando pelas águas. Julian estava sentado em seu trono, um sorriso de genuína satisfação nos lábios. — É um deleite ver a elite dos mares respirar novamente. A morte não foi capaz de segurar a vontade do oceano.
Bian de Cavalo Marinho, Io de Scylla, Krishna de Chrysaor, Kasa de Lymnades, Isaac de Kraken e Sorento de Sirene ajoelharam-se em uníssono.
— Imperador Poseidon — disse Bian, erguendo o rosto. — Sentimos o chamado do seu cosmo. Estamos prontos para purificar a superfície mais uma vez.
— A superfície será nossa — confirmou Poseidon, levantando-se. — Mas a guerra que se aproxima exige uma estratégia diferente. Atena está vulnerável, sem seus Cavaleiros de Ouro. Porém, não somos os únicos a desejar a queda dela. Recebi uma proposta. O Imperador do Inferno, Hades, ressurgiu. Nós marcharemos ao lado dos Espectros.
Um murmúrio de inquietude percorreu os generais.
— Hades? — questionou Isaac de Kraken, seu único olho estreitando-se com frieza. — Ele é traiçoeiro, meu senhor. A ambição dele não é governar a Terra, é transformá-la em um cemitério cinzento.
— Exatamente — concordou Sorento, com sua flauta em mãos, o semblante carregado de desconfiança. — O desejo de Poseidon é de purificação, criar uma utopia sobre as águas. O de Hades é a morte absoluta. Nossos objetivos finais são incompatíveis. Se o ajudarmos a derrubar Atena, ele virá atrás de nós no minuto seguinte.
— Eu estou ciente da natureza do meu irmão — retrucou Poseidon, com arrogância divina. — Hades acredita que está me usando para dividir as defesas de Atena. Mas é ele quem servirá de escudo para nós. Deixaremos que os espectros se desgastem contra os novos protetores de Atena. E quando a vitória estiver assegurada, as águas apagarão as chamas do inferno.
Krishna de Chrysaor, que mantinha os olhos fechados e meditava, franziu o cenho.
— Há uma falha imediata em nossa formação, Imperador. Olhe ao redor.
Os generais trocaram olhares. Havia sete pilares, mas apenas seis guerreiros ajoelhados.
— Somos apenas seis — constatou Io de Scylla. — A Escama de Dragão Marinho permanece vazia. Sem Kanon, nossa formação está incompleta. E enfrentar o exército de Hades e de Atena com um pilar desguarnecido é um risco tático.
— Kanon era um traidor que manchou a honra dos Marinas — cuspiu Kasa de Lymnades. — Mas Io tem razão. Precisamos de um sétimo general.
Poseidon sorriu, antecipando a questão. Ele olhou para as sombras atrás dos pilares, onde sua fiel mensageira aguardava.
— A vaga de Dragão Marinho não ficará vazia. Mas não será preenchida por um estranho.
— Tétis, aproxime-se! — ordenou o Deus.
A amazona que vestia a armadura de Sereia caminhou até o centro do salão. Em suas mãos, ela trazia uma caixa de ébano negro — a mensagem de Hades que havia chegado pouco antes.
— Kanon, o traidor, usou a Escama para seus próprios fins. Mas a sua lealdade, Tétis, tem sido inabalável desde antes do despertar — declarou Poseidon. — Hoje, você deixa de ser uma serva. A Escama de Dragão Marinho não lhe serve, mas o posto de Sétimo General será seu sob a insígnia de Sereia Real. Vista-se para a guerra, General Tétis. Nós iremos encontrar Hades.
O local escolhido para o encontro não constava em nenhum mapa dos homens. Era um platô rochoso e estéril, uma zona de convergência entre o mundo dos vivos e a entrada do mundo dos mortos, onde o mar batia com violência contra penhascos negros.
De um lado, a névoa escura se condensou. Hades surgiu, ladeado por Pandora e seus três Juízes: Radamanthys, Minos e Aiacos. A aura deles era de uma quietude sepulcral, fria e absoluta.
Do outro lado, as ondas se ergueram desafiando a gravidade, formando uma passarela de espuma. Poseidon, o Imperador dos Mares, caminhou por ela, seguido por seus sete Generais Marinas. Sorento, Bian, Io, Kasa, Isaac, Krishna e Tétis.
Os dois deuses ficaram frente a frente. O ar crepitava com a pressão de dois seres poderosos colidindo. Embora aliados por conveniência, a inimizade milenar transbordava em cada olhar. Ambos cobiçavam a Terra; a aliança era apenas um meio de limpar o tabuleiro.
Hades foi o primeiro a quebrar o silêncio, seus olhos insondáveis percorrendo as fileiras do irmão. Um sorriso de escárnio sutil curvou seus lábios pálidos.
— Vejo que o fundo do mar anda escasso de talentos, Poseidon — a voz de Hades era suave, mas cortante como lâmina. Ele fixou o olhar na nova integrante do grupo. — Tiveste que promover tua mensageira, Tétis, para vestir uma escama de General? É uma substituição... humilde... para a vaga deixada por Kanon, o traidor que te manipulou como uma marionete.
Tétis cerrou os dentes, mas manteve a postura. Os outros Generais Marinas fecharam as mãos, ofendidos, mas Poseidon ergueu um braço, pedindo calma. O Imperador dos Mares não se abalou. Ele devolveu o sorriso com uma arrogância tempestuosa.
— Cuidado com as palavras, irmão. A lealdade de Tétis vale mais do que mil traidores poderosos — retrucou Poseidon, com a voz trovejante. — E já que tocas no nome de Kanon... é curioso.
Poseidon desviou o olhar para Radamanthys de Wyvern, que estava ao lado de Hades, com os braços cruzados e expressão feroz.
— Se bem me recordo — continuou Poseidon, com veneno na voz —, esse mesmo "traidor" invadiu o teu inferno, dizimou tuas tropas e humilhou o teu maior Juiz. — Ele apontou o tridente para Radamanthys. — Não foi Kanon quem o agarrou pelas costas e o levou para a morte, provando que um ex-general meu, mesmo traidor, era superior à tua elite?
Radamanthys rugiu, seu cosmo explodindo em uma aura roxa violenta, pronto para avançar.
— Como ousa?! Aquele maldito se suicidou para me levar junto!
— Basta, Wyvern! — ordenou Hades, sem alterar o tom de voz, fazendo o Juiz recuar imediatamente, embora tremendo de ódio.
— Guardem suas garras para Atena — disse Hades, voltando-se para Poseidon. — E para os novos protetores dela. A Terra está infestada de variáveis que precisamos eliminar. Aceito tua ajuda, Poseidon, mas não te esqueças: quando a última cabeça de Atena rolar... a Terra pertencerá às trevas, não às águas.
— Veremos, Hades — respondeu Poseidon, o cosmo azul inundando o ambiente. — Veremos.
Na Plataforma Celeste, enquanto Dende e Sr. Popo levavam os feridos às pressas para o interior do santuário, a atmosfera no pátio externo mudou de pânico imediato para um planejamento de guerra frio e calculado.
Goku e Vegeta permaneceram, lado a lado. A fúria de Vegeta havia se transformado em um silêncio mortal, enquanto Goku mantinha os braços cruzados, o semblante sério.
Foi Tenshinhan quem quebrou o silêncio. Com seus três olhos focados na projeção mental que conectava o Templo a Asgard, ele deu um passo à frente. Como artista marcial disciplinado e estrategista, ele sabia que a força bruta sozinha, sem inteligência, era um convite ao desastre.
— Com todo o respeito, Deusa Atena — disse Tenshinhan, sua voz firme cortando o vento. — O Vegeta está pronto para matar e o Goku para lutar, mas nós estamos cegos aqui. Se vamos entrar nessa guerra, precisamos saber exatamente o que estamos enfrentando.
— Ele tem três olhos e é cego? — Comentou Ikki.
Tenshinhan olhou para os outros Guerreiros Z e depois voltou-se para a projeção.
— Quem são eles? Quantos são? E o mais importante: qual é a natureza dos poderes deles? Eu senti energias que não parecem apenas "fortes", mas... estranhas.
A imagem de Atena, ainda em Asgard, assentiu com gravidade. Ao lado dela, Shiryu de Dragão tomou a palavra, entendendo que a linguagem do "Ki" precisava ser traduzida para a realidade dos Cavaleiros.
— Sua pergunta é sábia — disse Shiryu. — Estamos lidando com dois exércitos distintos que agora operam como um só.
Shiryu ergueu a mão, e imagens começaram a ser projetadas na mente de todos através do cosmo de Atena.
— O Exército de Hades: São conhecidos como Espectros. São 108 guerreiros, correspondentes às 108 Estrelas Malignas. Eles não usam o Ki como vocês; eles queimam o Cosmo, uma energia que vem da destruição dos átomos dentro do corpo.
— A maioria é infantaria — continuou Hyoga, assumindo a explicação ao lado de Shiryu. — Mas existem três que vocês precisam temer acima de tudo. Os Três Juízes do Inferno: Radamanthys de Wyvern, Minos de Griffon e Aiacos de Garuda. O poder deles rivaliza com o dos nossos Cavaleiros de Ouro mais fortes. Eles não lutam apenas com energia; Minos, por exemplo, pode controlar seu corpo como uma marionete invisível, e Aiacos ataca diretamente o sistema nervoso.
Piccolo franziu a testa.
— Magia e manipulação física... Técnicas perigosas se formos pegos de surpresa.
— O Exército de Poseidon: — retomou Atena. — São os Generais Marinas. São apenas sete, mas cada um guarda um dos Sete Pilares que sustentam os oceanos. O poder deles é equivalente ao dos Cavaleiros de Ouro. Entre eles, Sorento de Sirene usa música para reduzir o poder do inimigo a 1%, atacando diretamente o cérebro. E há Krishna de Chrysaor, que manipula a energia espiritual kundalini e possui uma lança inquebrável.
— Cento e quinze inimigos de elite, liderados por dois Deuses — resumiu Tenshinhan, calculando. — Hades e Poseidon.
— Exato — confirmou Saori. — Os deuses são imortais no sentido humano. Seus corpos podem ser destruídos, mas suas almas persistem. Hades possui uma espada que amaldiçoa a alma da vítima pela eternidade, e Poseidon controla toda a água do planeta. O objetivo deles não é apenas vencer uma luta, é cobrir o mundo em trevas e oceanos.
Goku, que ouvia atentamente, fechou os punhos.
— Eles têm truques complicados... atacam a mente, a alma e o corpo. Não é só ver quem bate mais forte.
— Não — concordou Ikki de Fênix, sua voz invadindo a conexão mental com aspereza. Ele não estava em Asgard, mas sim no Santuário na Grécia, protegendo as Doze Casas ao lado de Shun. — Se vocês baixarem a guarda achando que é apenas uma disputa de força, morrerão antes de darem o primeiro soco.
Vegeta, que até então estava calado, olhou para Tenshinhan e depois para a projeção.
— Cento e quinze insetos e dois deuses... — Vegeta falou baixo, mas com uma convicção aterrorizante. — Não me importa o que eles fazem. Se eles têm pescoço, podem ser quebrados.
A Número 18, que até aquele momento ouvia a explicação com os braços cruzados e uma expressão de leve tédio, deu um passo à frente. Ela ajeitou uma mecha de cabelo loiro atrás da orelha, e seus olhos azuis frios encararam a projeção de Atena com um pragmatismo cortante.
— Deixa eu ver se entendi a matemática dessa "guerra" — disse 18, seu tom seco contrastando com a formalidade de Tenshinhan. — Do lado de lá, temos dois deuses imortais, três juízes com poder de elite, sete generais que controlam oceanos e cento e oito soldados imortais. Total: cento e vinte oponentes poderosos.
Ela fez uma pausa, olhando para os lados, apontando para Hyoga e Shiryu na projeção e depois gesticulando para o nada.
— E do seu lado? Você disse que os seus "Cavaleiros de Ouro" morreram. O tal do Seiya está numa cadeira de rodas. Pelo que estou vendo, sobraram apenas esses dois aí com você, e o Ikki e o irmão dele na Grécia. — 18 ergueu uma sobrancelha. — Quem mais compõe o seu "exército"? Ou você está nos dizendo que nós fomos chamados para carregar o piano sozinhos?
Um silêncio constrangedor pairou sobre a conexão. Saori baixou ligeiramente o olhar, não por vergonha, mas pela dura verdade dos fatos.
— Sua análise é precisa, guerreira — respondeu Atena, com humildade. — O exército de 88 constelações foi dizimado nas guerras anteriores. Hoje, no Santuário, além de Ikki e Shun, temos apenas duas Amazonas de Prata, Shaina e Marin, e alguns Cavaleiros de Bronze secundários que protegem o perímetro.
Hyoga, ao lado de Atena, cerrou os punhos, sentindo o peso da desvantagem numérica.
— Em termos de guerreiros capazes de enfrentar os Juízes ou os Generais Marinas... somos apenas quatro. Eu, Shiryu, Shun e Ikki.
18 soltou um suspiro, balançando a cabeça.
— Quatro contra cento e vinte. E agora nós. — Ela olhou para Kuririn, que sorriu nervosamente. — É, parece que a gente nunca entra numa briga justa.
— Números não vencem batalhas — interrompeu Vegeta, ríspido, olhando para 18. — Vermes, mesmo em grande quantidade, continuam sendo vermes. Se tivermos que matar mil, mataremos mil. O que importa é onde eles estão.
Atena ergueu o rosto novamente, retomando a liderança.
— Vegeta tem razão. Não podemos vencer pelo número, mas podemos vencer pela estratégia. Graças à informação trazida por Ikki e Shun no Santuário, sabemos onde eles vão atacar primeiro. Eles não vão esperar. Eles virão até nós.
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