Drag Racing

7 7.0 Aro 13


Lei Bing

— Você é mesmo um filho da puta do caralho!

— Que?

Kurt se aproximava de Kenji, Lewis na retaguarda. Encarava os dois competidores japoneses na garagem da Hokyo. A dupla de corredores riu:

— Que merda ta fazendo aqui, Kurt?

— Eu vou te dizer seu arrombado! – o loiro empurrou Kenji e desferiu um soco acertando o nariz do adversário. Sal se mobilizou para ajudar o parceiro, mas Lewis entrou na frente defendendo o golpe e acertando outro soco nas costelas do corredor.

— Desgraçado, Kurt! Isso é por causa da garota? Isso é uma competição! Ninguém te disse?

— Uma competição, imbecil! Não um genocídio!

— Ah, qual é! O filhinho do papai achou que passaria a vida inteira correndo no bate-bate? Isso é coisa de gente grande, garoto!

Kurt desferiu um novo soco, mas dessa vez Kenji desviou e puxou a lona de uma estante, derrubando latas e peças em cima de Kurt. Lewis avançou para proteger o “parceiro”, mas Kenji acertou um chute na barriga do ex-detento, fazendo este se curvar com a dor:

— Não acredito que as duas mocinhas acharam mesmo que podiam revidar... Se liga, Kurt: a Teko entrou nessa competição pra ganhar! O patrocínio será nosso! É a economia japonesa arrasando com vocês americanos babacas – o corredor puxou uma barra de ferro da recém-destruída prateleira – Se não gosta, deixa pra quem realmente entende fazer a coisa. – e ergueu a barra metálica no ar.

— Kenji, não... – Sal pareceu preocupado com a cena. Não que se importasse com os dois oponentes, mas começou a temer as consequências que as atitudes agressivas do amigo poderiam de alguma forma prejudicar a equipe. – Podemos nos dar mal por isso.

Kenji ergueu os olhos para o “amigo” e sorriu de forma sádica:

— Tá afim de levar uma também?

Sal engoliu seco, percebendo que dera corda demais para o outro. Kenji desceu a barra atingindo a cabeça de Kurt. Lewis recuperou as forças e correu pra cima do japonês, jogando seu corpo contra o dele e ambos chocando-se na estante. Kurt se levantou um pouco atordoado e chacoalhou a cabeça, recuperando a visão e dando de cara com um Sal parecendo assustado.

Do lado, Lewis levava outro soco de Kenji e por fim um chute alto que levou o ex-detento ao chão, tonto, o gosto de sangue invadindo a boca, a cabeça pesada e o tronco já latejando pelos golpes. Sal encarava Kurt, o loiro tentando se levantar, esperando qualquer reação. Kurt mal terminou de se erguer e correu pra cima de Sal, empurrando o japonês como um oponente de football. Chocaram-se contra uma parede, o competidor da Teko-Hokyo tentando se desvencilhar de Kurt, que o comprimia contra o gesso. Kenji apareceu para ajudar, puxando o loiro pela gola da moletom e ao virar-se para ele, desferiu um chute "espartano", o sorriso sádico retornando aos seus lábios, as mãos limpando o filete de sangue do supercílio e o olhar de superioridade perante aos competidores da Marc-Sison.

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— E terminamos esta quarta-feira com a vitória da Marc-Sison, com Sofia Moralez em primeiríssimo lugar.

— Já estão dizendo que a latina concorre como uma das favoritas da competição. Logo atrás, Kenji da Teko, mas sua vitória passou despercebida pela cena de Sofia “carregando” Katie até a linha... Parece que as duras do campeão da marca japonesa causaram impopularidades com o público em contrapartida com a marca vermelha, que causou comoção e apostas em torno da empresa.

— Estamos aqui com o tri-campeão da Indie, Isaac Kerensky. Sr. K, quais as suas principais percepções desse começo agitado da competição?

— Boa dia ao público, bom, o programa está agitado, tivemos um início surpreendente com a eliminatória dispensando quase 13 dos competidores, o que nos mostra que as marcas que mantiveram posição vieram pra pódio mesmo.

— Você já tem os seus favoritos?

— A Marc-Sison tem uma ótima gama, aí, de competidores. Fizeram boas escolhas. No começo houve aquele “rebuliço” do público, por causa da fama de alguns dos competidores, mas a marca só trouxe mais confiança pro consumidor. É também uma oportunidade única na vida desses corredores, podemos esperar muito deles. A Hokyo, como sempre, mostrou que investe na vitória: competidores assiduamente focados, muita qualidade técnica, mas realmente, houve exagero por parte de alguns deles... Isso com certeza vai pender a balança pro lado da Marc que acabou agradando o público e ganhou alguns votos.

— Na sua opinião, essa impopularidade da Hokyo vai pesar de alguma forma?

— Ah, com certeza. Mas dá pra recuperar. Umas duas boas corridas limpas e tá em pé de novo.

— Economistas afirmam que as ações da Marc-Sison cresceram em 4% nessa semana. Investidores começam a colocar a marca automobilista na lista das grandes emergentes do ano.

— “Se ela mantiver esse ritmo de crescimento e a popularidade há previsões de alcançar aí, cerca de 7 a 9% nesse ano”.

— A competição ta aí pra promover as marcas. Elas têm duas opções: pensar apenas na vitória ou se ligar mais no marketing todo. E quanto a isso a Marc se saiu melhor durante a semana toda.

Simon colocou a televisão no mudo e encarou todos os corredores presentes na suíte presidencial do hotel. Sentados na sala de estar, recapitulavam estratégias para as próximas corridas:

— Viram? Isso não é lindo?

— Katie está na UTI por causa desse marketing todo.

— Foi uma escolha dela. Todos vocês tinham consciência disso quando assinaram o contrato.

— Pra mim isso soa como vagabundagem. – Wyatt comentou — Foi mancada o que eles fizeram.

— Ele tem razão – Brian se pronunciou – isso significa que eles não vão poupar ninguém! Querem ferrar todo mundo.

— Deveríamos ir ver a Katie – Lei Bing sugeriu.

— Kurt e Sally estão com ela.

— Alguém sabe do Franky ou do Lewis?

— Vi Franky no cassino hoje de manhã. Jason estava com ele antes de ir pro programa de entrevistas.

— Lewis sumiu ontem a noite. Disse que tinha umas paradas pra resolver.

— Esse pessoal não pode ficar sozinho – Simon torceu o nariz. – Mas a questão é que agora temos que nos concentrar nas próximas corridas. A Derby amanhã será decisiva pra pontuar e recuperar a baixa da Katie já que estamos com um competidor a menos.

— Ainda sim somos 11 – Jill não entendia a preocupação de um competidor a menos na equipe mais extensa da competição – Afinal, por que tanta gente?

— É uma questão de divulgação. Boa parte de vocês carregam consigo grupos diferentes de público alvo e queremos atingir todos: profissionais, amadores, corredores de rua e até os loucos da Derby.

— O que vai ser de agora em diante?

— Bom, — Brian se levantou – Eu só sei que vou ver a Katie.

— Katie, é? – Wyatt brincou – Tô achando que é por outra vítima...

— Cala a boca! Katie deve estar chateada por ter que ficar lá.

— Vamos todos – Bing se levantou também – Somos todos amigos ou pelo menos jogamos no mesmo lado que ela.

— Não sou amigo de ninguém não – Wyatt reclamou.

— Claro, por que nem sua mãe te aguenta – disse Ray Carter.

— Não fala da minha mãe, negão!

O piloto de black power revirou os olhos:

— Não podem sair todos – Simon reclamou – Precisamos decidir estratégias.

— Pode ficar pra depois. Vamos ver a Katie.

— Tá, claro. – o cineasta largou o controle no sofá, impaciente.

Chegaram no hospital causando agitação em médicos, enfermeiros e pacientes: alguns reclamavam da aglomeração inoportuna e outros chegavam a elogiar e pedir alguns autógrafos.

— Pode assinar meu gesso, Bone? – um rapaz estendeu o braço e o piloto se assustou, empurrando o garoto.

— Qual é, maluco?

— Calma, Wyatt – Brian o segurou – ele só quer seu autografo.

O grandalhão, nada acostumado com aquilo, assinou o braço engessado com certa desconfiança. A única vez em que assinara algo havia sido em tribunal. Jill fez amizade com um grupo de adolescentes que tiraram selfies com a baixinha. Lei Bing foi à recepção perguntar de Katie e logo foram indicados para o quarto.

— Você não vem, japa? – Sofia questionou a garota.

— Não! Vou ficar com os meus fãs.

Sofia lançou um último olhar à cena e riu, balançando a cabeça. Entraram todos no quarto, Lei a frente da comitiva e Brian logo atrás. Este deu de cara com Sally sentada na cama, de frente para a ruiva, ambas conversavam antes da chegada da tropa.

— Viemos ver como cê tava – Lei ficou ao lado da cama. Ray era o último que entrava empurrando o grupo que entalara na porta.

— Ei, eu também quero ver! – gritou da porta. Aos poucos cada um conseguiu um lugar diferente.

— Onde está o Kurt? – Brian quis saber.

— Pensei que estivesse com vocês – Sally respondeu apreensiva. Ambos se olharam e a loira soltou um gemido.

— Eu vou atrás dele! – disse o policial – Isso se ainda estiver vivo essa hora.

— Eu também vou – a loira se agitou. Ray pôs o braço na frente.

— Não, loira. Pode deixa comigo.

— Tú não segura nada, Carter! Esses caras são barra pesada – Wyatt resmungava – Vou com o galego.

— Você? Que tem cinquenta passagens pela polícia? Vai mesmo se meter em briga da Hokyo? — o grandalhão, que ainda era menor do que Ray, baixou os ombros e fungou, dando as costas. – Vamos, Brian. Temos que chegar rápido.

— Gente – Katie os chamou – Tragam ele vivo. E por favor, sem mais brigas.

Ray olhou desta para Brian. Encarou os olhos azuis do mais baixo e fez uma expressão de “vamos tentar”, dando de ombros.

O trio saiu do quarto e os demais permaneceram ao lado de Kate:

— Como se sente? — Lei Bing quis saber; parecia até estranho ver a cowgirl sendo tão carinhosa com alguém.

— Me sinto muito bem — a ruiva deu um sorriso fraco embaixo dos hematomas — Não me arrependo de nada, se querem saber.

— Foi muita coragem sua.

— Não teria conseguido sem a ajuda da Sofia — e a morena, que estava mais no canto de cabeça baixa, ergueu os olhos para a companheira de time; ainda sentia-se de certa forma culpada pelo acidente.

— Eu não fiz nada — disse a latina — Você não precisava ter feito aquilo.

— Não poderia deixar meu time perder por minha culpa.

— Chega de falar disso — Sally interrompeu a todos — O importante é que Katie está bem e ainda estamos invictos.

— Gente, a entrevista do Jason — Sofia lembrou-lhes.

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— Babacas... – Kenji ria enquanto batia a barra de ferro contra a palma da mão. Do outro lado da garagem, Lewis segurava Kurt que espumava pela boca. – Quanto tempo será que isso vai durar?

— Já chega, Kenji – Sal tentou parecer calmo – Daqui a pouco vão chamar a gente pra entrevista. San não vai gostar de saber disso.

— San vai entender. É uma questão de honra.

— Não, Kenji. Não é mais.

— Tá com medo, Sal? Kuzo...

— Nan dayo, Kenji-san. O resto da equipe pode ter problemas.

— To pouco me fodendo pro que a equipe acha!

— Fico aliviado de ouvir isso — Brian comentou já na porta da garagem japonesa, Ray e Wyatt um de cada lado como duas muralhas — Mas quer saber? Acho que eles também não vão ligar muito se você de repente, sei lá, morrer.

Kenji cerrou os olhos para o trio recém-chegado e ao identificar os visitantes, o sorriso sádico voltou a estampar seu rosto:

— Ah, óbvio, vieram buscar a namorada... — e ele olhou por cima do ombro, Kurt pendurado no ombro de Lewis, ambos sangrando, com cortes e arroxeados pelos rostos.

— Puta merda — Wyatt exclamou ao ver o estado dos dois.

— Caraca, só reconheco o Kurt por causa da jaqueta amarela que nunca passa despercebida.

— Solta eles, Kenji — Brian "ordenou", braços cruzados, o olhar sério — Não queremos mais sangue por aqui.

— Qual é, babaca? Quem cê acha que é pra chegar assim, estragando a brincadeira dos outros?

— Olha gente — Sal levantou as mãos em sinal de paz — A gente não quer mais briga mesmo. O Kenji se estressou com os seus amigos aí, mas já estamos de saída.

— Sal — Kenji o chamou por cima do ombro — Se tú abrir a boca mais uma vez... meto essa barra de ferro no teu cérebro. — Carter ergueu uma sobrancelha para o comentário e trocou um olhar significativo com Brian.

— Olha — o rapper se pronunciou — A gente não quer briga mesmo. Não foi nada legal o que vocês fizeram com a Katie, tenho certeza de que não foi plano da Hokyo, mas temos uma longa competição pela frente, mais umas 200 corridas e se for pra ser sempre assim daqui pra frente, não vai rolar.

— Estão com medo de brigar? — Kenji ainda se mantinha impassível — Caras do tamanho de vocês, passagem pela polícia, homicídio e o caralho... eu realmente achei que fosse ser uma disputa de gente grande.

Ray deu alguns passos em direção ao japonês com mais de dois palmos a menos de altura, e encarou no fundo dos olhos negros e semifechados do adversário:

— Exato. Isso é briga de gente grande e não de garoto de colegial. Se quer brigar, não vai ser aqui, desse jeito infantil. Viemos pra uma competição de carros e vai ser dentro de um carro que vou acabar com você. Disse bem, Kenji: somos criminosos, assassinos e não temos medo de mauricinhos como vocês. Então cresça e se realmente quiser algo sério, estarei de esperando entre o ronco do motor e o cantar dos pneus do meu Hand Hover. Então, até lá.

Brian fez sinal com os dedos para Lewis se aproximar com Kurt. Kenji percebeu a movimentação e se agitou para impedir a passagem dos dois. Wyatt entrou na frente e antes que Carter pudesse reagir, o ex-detento desferiu um soco no japonês, levando-o ao chão e a quase um nocaute.

— Merda Wyatt, qual foi o acordo?

— Não sou cara de papo... sou cara de briga.

— Tudo bem, Carter — Brian acalmou os dois. — E vocês? — se dirigiu aos outros dois parceiros — Tão legal?

Lewis apenas fez que sim com a cabeça:

— Por que vieram? — Kurt ainda resmungou — Eu podia resolver isso sozinho.

— Katie pediu que viéssemos.

— Hunf, claro. Qual é? Ela ficou com medo que eu matasse alguém?

— Ela ficou com medo que você morresse. Anda antes que a imprensa apareça... Vai pegar mal pra Marc se souber que estamos em briga. Vocês esquecem que estamos aqui não pra ganhar, mas pra divulgar marca. Assinamos um contrato pra isso.

— Eu sabia que devia ter lido... — Wyatt lamentou.

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Na recepção do hospital, Jill conversava com um grupo de fãs e tirava fotos com os adolescentes. Eram todos mais ou menos da mesma idade, estudantes, apaixonados por programas televisivos e, mais ainda, por polêmicas e fofocas:

— Quando será a sua corrida, Jill? — um dos rapazes quis saber.

— Ah, a próxima é a Rali e depois será a minha. Não vejo a hora de por no saco aqueles japas da Hokyo! Sacanagem o que fizeram com a Katie.

— É, por causa daquilo eu soube que a Teko-Hokyo perdeu alguns patrocínios. Devem estar caindo em cima do Kenji Peck.

— Acho que não — outra estudante opinou — Não acham que eles já deviam ter planejado tudo isso? Eles conhecem os pilotos que têm.

— Pára, Livia! O que eles iriam ganhar com isso?

— Por que não perguntam pra eles?

O comentário do último adolescente fez todos se virarem para a entrada da recepção, onde Kenji Peck, Sal Bushido e o terceiro membro, a jovem Yumi Les, entravam no hospital, o líder do time de cabeça erguida, expressão de arrogância e alguns hematomas no rosto.

O trio parou de frente para o grupo de adolescentes e Kenji precisou abaixar a cabeça para enxergar Jill, a baixinha com uma sobrancelha erguida e olhar de desaprovação:

— E ae, gatinha? Já aproveitando a fama? O que ela não traz, não é mesmo?

— Você é um babaca, Kenji Peck!

— E você uma gracinha.

— Vai se arrepender do que fez!

— Não sei. A vitória sempre vale a pena. Os meios são facilmente justificados.

— Arrgh, como eu te odeio! Seu chefe vai acabar com você! Logo sua fama vai pro lixo! A Teko não quer perder patrocínio e é só isso que você tá trazendo pra eles!

— Ah é mesmo? Imagino então o que o seu amigo Walker está fazendo porque eu realmente não entendo vocês americanos.

Jill cerrou os olhos:

— Rápido, Jill! — Brian apareceu logo atrás, seguido por Ray e Wyatt, manda a Sally ligar a TV.

A garota correu até o quarto:

— Sally! A TV! — mas o grupo de garotas já estava em silêncio, os olhos vidrados na tela, ouvindo o amigo dizer palavras pouco aclamadas.

“- Cara, sério, praticamente o time todo é feito de caras que saíram agora da prisão — e o piloto dava risada do próprio comentário — e as garotas, elas até correm um pouco, mas são melhores na cama”.

— Filho duma vaca! — Lei se levantou da cadeira.

— Não, ele não pode ter feito uma cagada dessas... — Sofia fechou os olhos para segurar a raiva.

— Não acredito... — Sally parecia assustada — Ele não podia...

Brian entrou no quarto para alertar sobre o companheiro, mas vendo que já estavam sabendo, decidiu ficar calado, dirigindo seus olhos para a tela e terminando de ouvir a entrevista:

— “Sabemos que Kurt Benton é seu maior rival na competição. Relatos afirmam que ele venceu três corridas de quatro, entre vocês dois”.

O sorriso de Jason desapareceu e então, numa nova tentativa de melhorar a imagem, ele se curvou para a entrevistadora e encenou como se contasse um grande segredo:

— “Sabe qual é a bomba da vez? O casal Marc-Sison!”.

— “Casal Marc-Sison?!”

— “É, vocês não estão sabendo? Que tipo de repórteres não pegam os melhores babados do time!”

— “Você fala de Kurt Benton e Katie Jackson? Porque eles já são conhecidos do púb...”

— “Não, gata — Jason se recostou na poltrona e sorriu — Brian O’Conner e Sally Benton.”

Todas as garotas no quarto de Katie olharam para a loira:

— “Não! — a repórter parecia ter descoberto a América — Está dizendo que eles estão de caso?”

— “Há, há... — Jason se deliciava com a cena da polêmica — Aquele quarto deles é lacrado toda noite. Brian me diz que a loirinha é um furacão nos lençóis. E sabem, dizem que eles estão de casamento marcado.”

Brian encarou Sally, os olhos azuis totalmente apavorados. A loira parecia menos vermelha e mais roxa.

— Sally, eu nunca... O Jason... Ele...

A loira deu a volta pela cama e passou por Brian, esbarrando em seu ombro. O loiro suspirou e encarou as outras garotas que lhe fitavam com surpresa e incredulidade.

Sally se dirigia para o banheiro e ao passar pela recepção, percebeu o aglomerado de pessoas. A turma japonesa discutia com o grupo de adolescentes, Wyatt e Carter separando a briga. Todos pararam de falar ao notar sua presença. Kenji mediu a garota dos pés a cabeça e deu risada. Sally engoliu a raiva que sentia e deu as costas para o grupo.

Sal mais uma vez desaprovou a atitude do parceiro de time:

— Já chega, Kenji — o piloto reclamou e foi atrás de Sally. O líder japonês apagou seu sorriso ao notar que um dos membros do time parecia...

— Ignora ele — disse Yumi — Ele sempre foi idiota assim.

— Vamos logo — e a dupla deixou a recepção, seguindo para o quarto de Cody Underwood.

— Sally! Sally! — Sal chamava pela garota. Esta parou de andar e se virou para ele — Espera...

— O que você quer?!

— Calma... Só queria pedir desculpas pelo Kenji. Ele anda meio babaca assim... Não sei o que tá acontecendo com eles...

— Eles são idiotas, é isso!

— Não, eu sei que ele nunca foi uma pessoa fácil, mas não sei... Essa competição tá subindo com a cabeça dele, sei lá... Eles estão paranoicos com isso...

— Hunf... — a loira suspirou e se encostou na parede cruzando os braços — Eu entendo... O Jason também, sei lá... Eu o conheço desde pequena, ele tá do mesmo jeito. Essa coisa de fama tá deixando ele pirado e já tá começando a fazer merda...

— Então é mentira que você e o... Sabe...

A loira riu:

— Não. Não mesmo. Eu nunca teria nada com o Brian... — ela disse sentindo que o nome do loiro lhe trazia um gosto amargo na boca. Mas seria mentir para Sal, afinal, ela queria que tudo aquilo fosse verdade?

— Isso é sério? — Brian apareceu no corredor, os olhos encarando de Sally para Sal, tentando entender o que acontecia ali.

— Brian! Eu... Ei, não te interessa! Eu é que pergunto! Tudo aquilo que você disse sobre mim...! Agora o que vão pensar de mim! Meu pai...! Droga, Brian!

— Eu já disse que nunca disse aquilo! Porra, Sally!

— Calma Brian... — Sal ergueu a mão para acalmar o policial.

— Calma, o caralho! Eu fui atrás do seu irmão! Esse filho da puta aí meteu a maior porrada nele e você fica aí de sorriso com ele! Que merda! E depois quer que pensem coisa boa de você!

— Não fala assim dela!

— Isso é verdade, Sal?

— Não!

— Claro que é! — Brian gritava e esfregava a cabeça de nervosismo.

— Sally, foi o Kenji! Eu tentei parar ele, mas você sabe, como eu disse, ele tá maluco!

— Hunf, não me importa isso. Foi o Kurt que se meteu nisso tudo.

— O que?! — Brian gritou, parecendo ficar cada vez mais irritado — Então eu fui atrás dele de idiota?! Qual é?!

— Brian, não é isso...

— Não! Ah... Quer saber? Esquece! Tô pouco me fodendo pro que pensam de você! Dane-se! Faz o que você quiser Sally! A vida é tua! Mas não me pede ajuda em mais nada! Te vira...

Brian ainda pressionou a cabeça pensando se devia ou não ter dito aquilo e por fim, chutou um armário que tinha do lado e saiu do corredor. Sally encarou Sal, totalmente perdida sobre o que era verdade ou não e então entrou no banheiro, deixando o japonês só, do lado de fora.

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A quantidade de repórteres e pessoas na frente do hotel era incalculável. Assim que os carros pararam, a agitação tomou conta da fachada.

— Senhorita Sally Benton! É verdade o que disse Jason Walker?

— Quando será o casamento?!

— O que Brian tem a dizer sobre isso?!

— É verdade que você está grávida?!

Sally tentava ignorar as perguntas, mas mesmo os óculos escuros não eram suficientes para esconder sua expressão de raiva e desespero.

— O’Conner! De zero a dez, qual a performance de Sally Benton na cama?

— O que? Não vou responder isso!

— O que é melhor: estar em cima de uma Ferrari ou em cima de Sally Benton?

Brian socou o nariz do repórter. Guardas se aproximaram para impedir a briga, segurando o policial que provavelmente teria seu distintivo suspenso por uma eternidade.

— Tire suas mãos dele — Wyatt ordenou ao guarda, a bandana negra cobrindo a careca, o rosto congelado numa expressão assassina. O guarda mediu o porte do ex-detento e então “obedeceu”.

— Isso é um absurdo! — Lei gritava para os repórteres que filmavam a mulher super alta — Deviam cuidar é da vida de vocês! Não interessa o que eles fazem! Isso é a vida deles!

— Lei Bing, é verdade que o deputado Spencer pagou 100 mil dólares pra você dormir com ele?

— O que?! O que disse desgraçado?! Eu vou matar sua mãe, sua vó e tudo isso que você chama de raça!!! — a cowgirl enforcava o paparazzi cujo pescoço já parecia acostumado à agressões.

— Mas que se passa aqui? — Franky de repente apareceu no meio do grupo — Eu saí por dois minutos e já estão desse jeito...

— Sr. Malcov, o senhor já conheceu as garotas da cidade?

— Ooopa... que pergunta mais pertinente... Bom, mew... Eu só... — mas a resposta do hippie foi interrompida por Carter que o puxou pela camisa.

— Fim da entrevista.

— Qualé grandão? Eu só tava...

— Fazendo merda como sempre. Onde você esteve todo esse tempo?

— Ué, no cassino. Sabe que eles servem umas cervejas suíças que...

— É, enquanto você tava enchendo a cara lá embaixo, o grupo todo se ferrou por culpa do Jason.

— Sério?

— Sim. Brian e Sally foram atacados pela imprensa. Ferrou todo mundo.

— Caraca...

Franky correu até Brian e o alcançou já dentro do hall do hotel:

— Brian, cara, cê tá bem?

— Ah, oi, Franky... É, acho que tô sim.

— Putz, fiquei sabendo agora. Que mancada do Jason... A gente dá uma lição nele quando chegar.

— Se ele chegar vivo...

— Você quer tomar umas lá no bar?

— Sabe, agora não... É que... — e ao ver Sally passando, ignorando a todos como se fosse uma estranha, sua opinião mudou — Quer saber? Você chegou na hora certa.

— Galerinha, diz se eu sou não sou um sucesso? — Jason perguntou entrando na suíte presidencial onde grande parte do grupo se reunira com Simon, mais uma vez.

— Seu filho duma égua! Vou arrancar seus bofes pra fora! — Lei Bing mostrou os punhos para o piloto.

— Calma, Lei — Carter a segurou — Mas você é mesmo um imbecil, seu babaca!

— O que?

— A gente devia te esfolar todinho e depois te jogar numa piscina de álcool! — Jill exclamou do sofá.

— Qual é?! O que eu fiz?

— E ainda tú pergunta?! — Wyatt se aproximou do rapaz — Maninho, tú fez a maior merda da sua vida! E vai ter que limpar teu cú sozinho!

— Do que tão falando?!

— E ainda pergunta?!!! — Wyatt o agarrou pelo ombro, pressionando com força e fazendo o branquelo gemer com a dor.

— Ai, que merda, Wyatt! Me solta, caralho!

— Solta ele, Wyatt — Sofia pediu. — Ele realmente é burro o bastante pra não ter percebido a merda que fez.

— Do que ceis tão falando?

— A entrevista — a latina explicou — Você ferrou com todo mundo. Por que fez aquilo, hein? Achou que realmente fosse se dar bem daquele jeito?

— Qual é? O que eu fiz foi trazer fama pra todos vocês! Quem vai dizer que não foi graças a mim que todos os repórteres do estado estão agora lá fora esperando por vocês.

— Ele está certo, pessoalzinho — Simon entrou na discussão — Ele fez um favor a todos vocês! E a Marc-Sison! Colocou todo mundo nos Trend Top da fama!

— O que?! — Lei é que parecia perplexa — Ninguém pediu essa fama! Sofia e Katie fizeram a mesma coisa só que diferente!

— Exato! — a latina explicou — Não pode ser que a Marc-Sison queria esse tipo de fama. Achávamos que ela queria ser vista como uma marca de confiança e não de polêmicas ridículas e antimorais!

— Calma ae, galerinha... Não foi isso que eu quis dizer...

— Mas é isso que tá acontecendo, Simon! E quer saber? Se for assim, cancelo meu contrato agora mesmo. Não importa o que eu tenha que pagar! Mas desse jeito eu não fico.

— É! Nem eu! — Lei concordou a plenos pulmões.

— Eu também não... — Jill concordou, mas parecia meio incerta. Ray Carter apenas fez que sim com a cabeça, mas Wyatt ficou quieto. Sofia encarou o grandalhão e este realmente parecia ter dificuldade em responder.

— Wyatt!

— Merda... Tá, tá... Eu também caio fora...

— Turma... Não é bem assim, né? A gente pode chegar num acordo...

— Então trate de resolver isso agora! Ou tá todo mundo fora — decretou Sofia.

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