Drag Racing

8 8.0 Catalisador


Jill Richards

— O que querem aqui? Não ouviram quando eu disse que arrebentava essa cara frouxa de vocês se aparecessem na minha frente?!

— Calma ae, magrelo. Viemos em paz — Kenji ergueu as mãos em sinal de rendição.

— O que querem?!

— Ué, um acordo...

— Hunf. Acordo... Façam com o capeta!

— Já tentamos... — Kenji sentou numa das poltronas do quarto de hospital onde Cody Underwood se recuperava, tirou uma navalha do bolso e passou a afiá-la — Mas ele anda meio ocupado ultimamente. Só escuta o que temos a dizer e depois você decide se aceita ou não.

— E o que é?

— Queremos acabar com a Marc-Sison. Acabar de vez mesmo... Quero ver todo mundo sangrando no chão...

Damien gargalhou:

— Caraca, eu sabia que vocês eram babacas, mas nem tanto. Realmente acreditam que a TKZ vai fazer acordo com vocês?

— Não seja tolo, Cockburn. Não estamos falando da Crew. É um acordo interno... Você e a gente aqui.

— E quanto à Cody e o resto do time?

— Aí é com você. Você decide se eles estão dentro ou não.

Damien se aproximou de Kenji a passos lentos, um sorriso começou a brincar em seus lábios e assim que ficou frente a frente com o piloto japonês, deu sua resposta:

— Só quando eu estiver morto — e cuspiu em cima da jaqueta de couro do adversário. Kenji encarou o excremento e fitou Damien. Numa velocidade absurda prendeu o piloto da Crew contra a parede, imobilizando seus braços e a navalha ameaçadora pressionando o pescoço do homem.

— Que tal adiantarmos isso? Eu acho que você realmente não entendeu, Cockburn... Só perguntei por educação, mas não é pra você ter escolha. — e o japonês olhou para o lado, obrigando Cody a imitar o gesto. O piloto deu de cara com Yumi Les ameaçando desligar os aparelhos de Cody. — Que tal? Na minha singela opinião, acho que sua mulherzinha concorda comigo.

Damien gemeu e começou a se debater, tentando se desvencilhar da prisão. A navalha de Kenji raspando em seu pescoço, sua esposa em coma na maca, Yumi sorrindo com a cena toda.

— E então, Cockburn? Como vai ser?

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— Não vamos nos exaltar, galerinha — Simon tentava conter os indícios de rebelião. — Jason pode não ter feito da melhor maneira possível, mas concordando ou não, ele deu um passo muito grande na audiência.

— Já dissemos que não é esse tipo de fama que a gente quer — Sofia insistia. — Arrume um jeito de desmentir tudo, Simon, ou já sabe... estamos fora.

— Ok, ok. Vou ver o que posso fazer.

— Endão foi isssso que acontezeu — Brian tentava explicar tudo à Franky, a voz embargada pelo álcool e o hippie em dúvida se devia achar um absurdo ou rir da situação do policial — Agora ela não quer nem olhar na minha cara. E tudo porque o idiota do Jason quis aparecer!

— Tá, tá, saquei, maninho... Mas sabe? Você devia mesmo ir falar com ela. A gente ainda continua sendo um time, né? Você e a Sally tavam fissurados nessa ideia de time unido e talz... não pode logo vocês se quebrarem assim.

— Ah, é que...

— Brian... — Jason apareceu no bar chamando pelo policial. Este ergueu a cabeça e ao dar de cara com o piloto, se levantou da bancada aos tropeços.

— Jason!! Seu cretino filho da... — Brian tentou um soco, mas tropeçou e Jason apenas deu um passo para o lado, vendo-o cair de joelhos. Pela primeira vez ele realmente se sentiu mal pelo que fizera.

— Olha, cara. Não vim pra brigar...

— Mazeu vim!

— Diga isso pra Sally, maninho — indicou Franky — Ela é que ficou mais mal na fita.

— Eu sei, eu sei... Caralho, eu vou dar um jeito.

— Melhor correr e, Jason, dessa vez é correr mesmo.

O rapaz torceu o nariz numa expressão aborrecida pelo comentário irônico do hippie e deu as costas. Seguiu para a suíte presidencial a procura de Simon: iria consertar tudo. Ele queria ser famoso, sim. Mas não queria estar mal com o time inteiro. Não tanto.

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Apesar dos hematomas, cortes e inchaços pelo rosto, Kurt conservava a expressão de puro homicídio dentro do veículo extremamente velho. A lataria do carro rangia, mas seu motor ainda gritava como um jovem a todo vapor. Do outro lado da arena, Jason esfregava o volante, os olhos acinzentados fixos à frente. Os pilotos da TKZ já estavam com a pior pontuação da competição, precisavam correr atrás de pontuações nas modalidades que tinham força.

Na linha horizontal que cruzava a frente, dois competidores da Teko-Hokyo: um homem e uma mulher, ambos desconhecidos até mesmo por Kurt que já tinha o telefone de todo o mundo das corridas. E nas diagonais, a dupla da Crew acelerava seus carros, um deles Damien Cockburn.

Damien pressionava o volante como se sua alma estivesse grudando em todo aquele couro velho e surrado. A lembrança de Cody em coma, aquela dupla de bastardos ameaçando aos dois... sim, sua vida dependia daquilo. Seria simples: uma batida final e pelo menos um dos dois estaria morto. Seria mais rápido do que dormir. Tinha que ser.

— Sim, Howard, estamos transmitindo ao vivo a quarta etapa da competição, hoje no estilo Derby.

— Sim, Lucy. A Derby está entre a modalidade favorita do público: esperamos ver muita destruição hoje; mas, se possível, pouca morte.

— Vamos direto com nosso correspondente Willian, que está na arena.

— Ele está com a cabeça no lugar? — Brian quis saber, se juntando ao grupo que assistia a tudo no camarote da equipe. A arena estava lotada, o chão de terra e os morros já exalavam cortiças de poeira dos pneus que cantavam pela areia.

— Esperamos que sim — Carter foi quem respondeu — Sally e eu tivemos uma conversa com ele. Ele disse que vai tentar ser menos... ele.

— Legal.

O grupo se mantinha em silêncio no camarote de vidro. Ouviam os gritos abafados do público e o ronco dos motores modificados.

— E ela?

— Não quis comentar... Mas ela sabe que foi tudo culpa do Jason. Acho que ela ficou mais irritada pela situação do que propriamente com vocês...

— Não a culpo...

— Mas você pretende fazer alguma coisa?

— Não sei. Vou esperar baixar a poeira, o time todo tá meio pra baixo.

— Brian... — Carter o encarou com o canto do olho — Não falo do time. Quero saber se você vai resolver isso por vocês dois mesmo.

— O que? Tá falando do quê?

— Ora, não insulte minha inteligência. Isso é racismo — e o rapper sorriu. Brian deu risada e encarou Sally sem perceber. A loira desviou a atenção da arena para encará-lo, também sem querer. Assim que percebeu, a piloto voltou a observar a corrida.

Brian saiu de perto de Carter e se aproximou de Sally:

— Posso ficar aqui? — ele perguntou já se instalando na grade ao lado dela.

— Sim...

— Preocupada?

— Com o Kurt?

— Claro.

— Não. Tô mais preocupada é com os outros. Pro Kurt, Derby é como queimar formigas com uma lupa.

Brian deu risada e Sally repetiu o gesto ao reparar no sorriso dele.

— Ele sempre foi assim?

— Um maníaco?

Brian riu novamente:

— Você o ama tanto assim?

— Eu sou obrigada.

Um novo sorriso, mas dessa vez ficaram em silêncio.

— Sally, desculpa falar disso agora, mas...

— Brian, tá ok. — ela o encarou — Eu entendi.

— É o Jason! Ele é um...

— Maníaco.

— É! — e então ele riu — Isso... Eu jamais faria algo assim.

— Não vamos mais falar disso. O importante é que sabemos a verdade. O que a mídia vai dizer não importa: nunca passará de pura especulação se não tiverem nossa confirmação.

— É... — ele concordou, mas parecia não ser o tipo de comentário que esperava.

— Vamos esquecer isso.

— Ok. E quanto ao Sal... Você acredita nele?

— Como assim?

— Não, quero saber, bem, não que eu tenha motivos pra saber, mas como somos de times rivais... Vocês estão juntos?

— Que? Não! — e ela riu — O Sal é meu primo.

— Ah, sério? — e Brian riu ainda mais, a corrida parecendo muito mais divertida. — Que maneiro.

Sally observou de lado seu sorriso e tentou desvendar o que ele significava. Será que o piloto sentira ciúme? Isso explicaria sua reação no dia anterior. Mas seria bom demais pra ser verdade.

— Carinha, se aqueles imbecis da Teko tentarem alguma coisa hoje de novo, acabo com a raça deles. E dessa vez irei pra prisão com muito prazer.

— Você não vai voltar pra lá, Wyatt — Brian disse de longe — Eu te prometi isso. Mas não significa que pode sair batendo em todo mundo assim. — e o sorriso do grandão se apagou.

— Brian, tú é chato demais às vezes.

Todos riram do comentário:

— Mas ele tem razão — Lei Bing insistiu no assunto — Eles estão passando dos limites. Vão tentar outra a qualquer hora. Se já não têm um plano agindo às escuras.

— É claro que eles têm — disse Carter, os braços cruzados, os olhos fixos na arena de Derby — A questão é descobrir o que é a tempo.

O silêncio tornou a se instalar no camarote.

— Tú é quem tem que tomar cuidado, baixinha — Wyatt avisou para Jill — A sua vai ser uma das finais e eles vão atacar com tudo. Sem falar que street é o ponto forte da Teko.

— Vejam só — Carter riu — Wyatt Bone preocupado com alguém! — todos deram risada, até mesmo Sofia que estava num canto mais distante, apoiada na parede.

— Onde está o Franky? — Sofia fez a pergunta.

— Não sabemos — Brian respondeu — O vi ontem pela última vez. Eu não lembro o que ele disse...

— Isso porque você tava boiado num drinque — brincou Wyatt. Alguns riram e Sally encarou o policial com surpresa.

— O que ele vai aprontar dessa vez...? — Lei cerrou os punhos fitando o carro preto de Jason na arena.

— Nada — Brian disse com segurança — Ele aprendeu. Se for fazer merda...

— Vai ser mais cheirosa — Wyatt completou a frase.

— Os corredores aguardam ansiosos pelo início da corrida, se é que podemos chamar a modalidade de "corrida".

— Críticos aguardam grande audiência porque o patrocínio simplesmente dobrou nessa semana em cima do programa. A única forma de manter isso e agradar a todos é com muita peça rolando e explosões constantes.

— Não sei não, Lucy. Depois dos últimos acidentes o público parece ter se comovido e assentado um pouco na violência. Alguns fãs apareceram na frente do hospital com cartazes e flores para as duas pilotos debilitadas pela Indie.

— Então realmente não haverá de se esperar nada da corrida de hoje. Que o Deus das pistas esteja com todos.

Vermelho. Os motores roncavam com ansiedade. Vermelho de novo, o público parecia segurar a respiração. Terceiro vermelho: Os conta-giros tremiam pelas aceleradas.

Verde.

https://www.youtube.com/watch?v=noqoRl-9Y7k

Os oito veículos soltaram a embreagem para seguirem em linha reta, alcançando os 80k/h em seis segundos e chocando-se, todos os seis no centro da arena. Os gritos foram ensurdecedores e a nuvem de areia bloqueou qualquer visão do epicentro. Conforme o vento foi dissipando, foi possível ver os oito automóveis em suas carcaças sujas e amassadas, alguns ainda imobilizados no meio da colisão, outros tentando sair do aglomerado, o carro de Kurt — como sempre — o mais intacto.

— Melhor pontuação — Carter comentou encarando o painel no topo da arena, a lista de pilotos e suas respectivas pontuações, Kurt começando em primeiro.

— Não entendo por que contabilizar por pontos — Jill comentou. — No final, vence o carro que ficar "vivo".

— Exatamente. Eles não querem o melhor carro: querem o melhor piloto. Não querem depender do desempenho dos veículos.

— Mas um bom piloto sabe ficar inteiro até o final.

— Não. Pro programa, um bom piloto "sabe dar um show".

Kurt acelerou de ré, afastando-se do aglomerado de carros. Damien foi o segundo a sair, sua mão direita já trocando a marcha para seguir em direção ao carro de Kurt. Os dois pilotos da Teko se enroscavam com Jason e o outro piloto da Crew, Kevin Sadunsky. A dupla da TKZ veio com mais força e violência, bloqueando a tentativa de saída dos demais pilotos. Sabiam que conseguir pontuação seria muito difícil: iriam focar em diminuir as chances das outras equipes.

Kurt preparava o carro para perfurar um dos competidores da Teko, já que ambos ainda estavam presos. No entanto, a visão de Damien se aproximando pela lateral esquerda o obrigou a mudar o curso.

— Damien já escolheu a primeira vítima — Carter comentou.

— Uma tentativa boba essa. Ele está indo com toda a obviedade pra cima dele, na visão do Kurt, não vai conseguir acertar o carro e nem uma pontuação boa.

— Ele deve estar um pouco abalado por causa da Cody. — Brian sugeriu.

— É. Deve ser...

Damien seguia numa linha reta, a mira apontada na porta de Kurt. Este permanecia parado, talvez medindo as opções ou tentando entender a estratégia do adversário.

— Ele não vai fazer nada? — Wyatt pareceu preocupado.

— Ele vai esperar até o último segundo.

— Pra mim esse Damien tá rápido demais — Lei comentou e, então, todos encararam o veículo com mais atenção. Como esperado, Kurt acelerou o carro, desviando do golpe de Damien. Mas o piloto da Crew também desviou o carro, parecendo já prever a manobra, e acertou em cheio a traseira do Mazda, obrigando o veículo a girar pela areia.

— Puta merda! — Wyatt exclamou.

— Ele sabia que Kurt ia fazer isso.

— Mas não era óbvio?

— Não! Kurt é o piloto mais imprevisível do Derby.

Enquanto isso, Jason conseguira se desvencilhar do centro e começou a seguir em direção à Kurt e Damien para ajudar o parceiro:

— Kurt, tô chegando aí...!

O corredor virou o carro numa diagonal que cortava a linha entre Kurt e Damien. Esperou o piloto da Crew fazer uma nova investida e então acelerou o Dodge em direção a um morro.

— O Jason é doido... — Wyatt comentou entornando a cerveja.

— E isso é bom — Brian suspirou.

O carro de Jason saltou sobre o morro, passando por cima da pista e indo cair em cima do capô de Damien. O público foi a loucura.

— Howard, esses pilotos estão com sangue nos olhos. As três marcas escolheram a dedo seus competidores. Não estamos falando de pilotos preocupados em vencer: esses caras não têm medo de morrer. Isso aqui tá um show.

— Exatamente, Lucy. Parece que não viemos assistir apenas carros se autodestruindo. Estamos assistindo a um malabarismo em quatro rodas.

— Jason! — Kurt gritou pelo comunicador — Vai com calma. Isso aqui não é brincadeira.

— Eu sei... — Jason parecia não querer conversar. E começou a dar ré, tentando descer do capô. Damien variava suas expressões entre desespero, revolta e homicídio. Deu ré para sair da confusão, facilitando as coisas para Jason e, numa virada de 180º, seguiu para o lado oposto da arena, onde a dupla japonesa duelava com a dupla da TKZ.

Kevin Sadunsky deu a volta em torno do duelo de duplas, ambas equipas parecendo pouco experientes naquela modalidade. Pensando rápido, o piloto da Crew jogou o próprio carro em cima de uma plataforma da arena e foi um golpe certeiro para a estrutura cair em cima do grupo de pilotos.

— Caraca! — Wyatt se levantou da cadeira — Essa foi boa.

— Foi brilhante — Brian comentou de braços cruzados e os olhos atentos como os de um juiz — Tanto a Teko quanto a TKZ não tem muita especialidade com Derby. Vão funcionar apenas como obstáculos pra nossa equipe e a Crew. Damien parece estar com muita vontade de vencer essa, mas não sei o quanto essa loucura dele vai prejudica-lo. Pra sorte dele, parece que o Sadunsky está muito mais calmo e centrado: ele sabe o que está fazendo.

— Se Jason conseguir segurar o Kevin de um lado, Kurt pode lidar fácil com o Damien — foi a vez de Carter comentar — Mas vão ter que eliminar a turminha da street primeiro.

Do outro lado da arena, Kurt e Damien se arrastavam pela arena, numa disputa de quem tinha mais força. Os pneus emergiam em fumaça enquanto derrapavam pela arena, as laterais dos dois carros disparando faíscas devido à compressão.

— Jason, tá livre aí? — Kurt se comunicou com o parceiro.

— É pra já... — e o Dogde preto surgiu na briga, a frente do carro empurrando Damien para afastá-lo de Kurt.

Damien deu a ré, desvencilhando-se de Jason e deu a volta na arena:

— Acho que ele desistiu — Jason avisou.

— Certo. — Kurt tornou a acelerar, dessa vez focado na briga entre TKZ e Teko-Hokyo. Jason procurou por Kevin, ambos se encontrando e indo chocar-se. Os carros se bateram frente com frente, seus capôs amassando como sanfonas. O aro de um dos carros da dupla da Teko passou pelo meio dos dois e tanto Jason quanto Kevin se abaixaram por extinto, para desviar da peça.

— Caralho... essa foi por pouco.

Kurt preparou um golpe contra o oponente da TKZ. Já trocava a marcha para acertar a lateral do veículo, mas algo em sua visão periférica o fez perder a concentração: Damien estava mais uma vez vindo em sua direção, a toda velocidade, quase como um suicida.

— Mas que merda... Ele tá...

— O Damien tá maluco?! — Wyatt ainda se impressionava com as cenas.

— Ele pegou o Kurt de alvo eterno...! — Sofia exclamou.

Brian e Carter se entreolharam:

— Tá pensando o mesmo que eu, loiro?

Brian fez que sim com a cabeça:

— A Teko comprou ele.

Na arena, Kurt não viu alternativa se não desviar. Aguardou Damien ficar mais perto e então acelerou em direção à parede curva da arena: o Mazda se ergueu pela parede, correndo de lado até alcançar o chão novamente, seguido dos gritos da plateia. Pelo retrovisor, Kurt assistiu ao carro de Damien subir a parede, virar de ponta cabeça e cair no chão de areia com os pneus para cima.

— Merda, Damien! — Kurt deu a volta em direção ao oponente, realmente preocupado que o sujeito pudesse estar ferido. — Damien?! Tá legal?!

O piloto não se mexia. Kurt avistou um piloto da TKZ se aproximar em alta velocidade, mirado no carro de Damien: o piloto não havia percebido o que acontecera e pretendia conseguir mais alguns pontos. Kurt tentou medir suas opções e sem acreditar no que fazia, colocou seu carro entre Damien e o piloto da TKZ, recebendo todo o golpe do adversário.

— Por que ele fez isso?!

— Kurt... — Sally murmurou parecendo preocupada.

Um dos pneus do Mazda ameaçou se soltar enquanto balançava já meio capenga. Por sorte, o carro da TKZ sofreu mais danos, parando de funcionar. O piloto saiu do carro, tirando o capacete:

— Que porra! Meu carro já era! — e então ele encarou Kurt a sua frente fazendo como se cortasse o próprio pescoço em sinal de atenção. O piloto da TKZ saltou a grade de contenção para sair da arena enquanto Kurt voltava para o carro e continuava a disputa.

— Já temos dois eliminados...!

— Três — completou o outro repórter assim que um carro da Teko começou a soltar fumaça preta — Seguimos com Kevin Sandusky, Kurt Benson, Jason Walker, Muller McCowley e Shino Yamaza. Kevin segue para primeiro lugar após a última batida de Kurt, que perdeu alguns pontos. O Mazda amarelo parece não pretender resistir muito. Não há previsões de como isso possa terminar.

— Essa turminha ta Teko realmente não tem limites — Carter murmurou — Eles sabiam que Damien não tinha chances contra Kurt. Fizeram isso só pra atrapalhar o Benson e colocar o Cockburn pra fora...

Os cinco pilotos restantes aceleraram mais uma vez indo todos chocar-se no centro da arena. Dessa vez o golpe foi mais forte e pedaços de lataria se soltaram do aglomerado. O carro de Muller decidiu percorrer a parede circular: se preparava para chegar em Shino pelo outro lado; mas a picape de Kevin calculou sua velocidade e seguiu em linha reta indo chocar-se com o piloto da TKZ e ainda fazendo o carro tombar por cima de sua picape.

— Howard, parece que Muller McCowley não irá sair dessa. O carro capotou bonito por cima de Sadunsky.

— Foi quase uma cena de Free Willy, a baleia — o repórter comentou.

Kurt corria pela arena ao notar que a picape de Kevin se aproximava de um lado e o carro de Shino chegava cada vez mais rápido por outra direção. Ele desviou dos dois num ziguezague e ambos chocaram-se entre si, o carro japonês perdendo o pneu da frente e a picape abrindo o capô.

— Ah, essa foi bonita! Kurt se utilizou de uma agilidade inacreditável para desviar dos dois! Foi drible de futebol!

Kurt e Jason correram em círculos um ao redor do outro e pararam os carros, a plateia comemorando o espetáculo de acidentes:

— É, tenho que admitir — Jason saiu do carro e colocou as mãos na cintura — Você mandou bem, cara.

— Isso tudo é consciência pesada? — o loiro ironizou.

Jason apenas riu e juntos voltaram para a garagem, sendo recebidos pelos outros competidores da Mark-Sison. Mais a frente, Damien era colocado numa ambulância e Muller enfaixava o braço. O piloto da TKZ acenou para Kurt e este retribuiu o gesto.

— Agora vai ser assim? — Lei quis saber — Toda corrida vai ser um assassino comprado pra ferrar alguém?

Ninguém soube responder aquilo:

— Porque se alguém vier tentar me matar na próxima corrida... eu juro que mato primeiro.

Sofia deu alguns tapinhas na fazendeira, tentando acalmá-la e o grupo seguiu de volta para o hotel.

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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.