Dragões ascendentes.
8 Incógnita
Notas iniciais
Takashi havia chegado a Manãthrion acompanhado dos cavaleiros, estes o cercavam. O alvoroço na cidade indicava o quanto estes estavam agradecidos pela vitória, mas não sabiam que Takashi fora o único sobrevivente, embora não tenha lutado, era considerado um herói pelos soldados.
— Eles chegaram. — Uma aldeã comentou para outra mulher que estava ao seu lado, indicando Takashi. Qualquer pessoa que o olhasse estranharia, este passava confiança a onde encontrava-se, era considerado um belo garoto. Cabelos brancos que atingiam o centro das costas, um olhar desafiador que reforçava sua personalidade, pele clara, como a neve que reveste o solo no inverno, cobrindo uma vasta área. Ele parecia não notar os olhares direcionados ao mesmo, era um jovem de coragem, embora possuísse apenas cinco anos, seus feitos eram inacreditáveis.
Takashi seguia para o reino. Os soldados pararam subitamente, ao passo que outros desmontavam de seus animais, já pegando suas espadas, pelo menos um dos pés ainda no estribo. Ele não compreendia o porque de não necessitar dos cavalos, mas não foi necessário muito tempo para perceber. Logo a frente, a menos de duas braças de distância o caminho ladrilhado se encerrava, dando continuidade a canais, cuja extensão cobria uma área de cento e quarenta e dois quilômetros quadrado.
— Vamos seguir de canoa— Disse Mãnthenon, era um homem robusto, a barba contornando seus lábios vermelhos, apresentava uma cicatriz ao qual encontrava-se em seu olho esquerdo; este o cobria com um tapa, mas, naquele momento ele o havia retirado.
A embarcação encontrava-se amarrada a um pau, Lénion, um jovem cujo aparentava possuir a idade entre dezoito e dezenove anos, fora o encarregado para desamarrar o transporte. Sua armadura parecia tornar o trabalho mais difícil, era possível ver gotas de suor reluzir a luz do sol. — Pronto, podemos seguir. — Disse, quando a barca chocou-se contra a margem, o barulho da madeira batendo ecoou pela localidade. — Vamos ter que realizar cinco viagens, então levem à criança primeiro.— Era óbvio que referia-se à Takashi.
Primeiro entraram os cavaleiros e então Takashi, o medo de cair dominou seu corpo, era só um garoto. Ele ficou admirado quando começaram a incitar a coanoa para locomover-se. Nas proximidades do reino existia uma aglomeração organizada de casas cujo beiram os canais, o céu azul dava ênfase a paisagem. Olhando-se de onde encontrava-se, pode vislumbrar uma incrível residência; a janela enfeitada por flores contidas em vasos, cores tigradas em tons claros como azul e amarelo, telhas portuguesas incrementavam a decoração comovente. Mais adiante as águas se separavam, cruzando-se logo adiante, esta formando o símbolo do infinito. Não demorou muito para que Takashi pudesse avistar o castelo, um pomar revestia a passagem para a escada, que dava diretamente no salão do palácio. — Incrível — Estava impressionado com tudo o que acabara de ver.
— Fico feliz que tenha gostado. — A voz ecoou suave e elegantemente, Takashi virou para olhar, qualquer pessoa que a visse, era levado a sentir que dela emanava confiança, próprias daqueles que carregam consigo uma vasta gama de conhecimento.
De baixa estatura, uma pele tão clara quanto leite, com curvas incrivelmente sinuosas, cabelos que alcançavam sua cintura, em ondulações elegantes, de um áureo forte. Seus olhos oblíquos de um anil profundo, transmitiam serenidade. Bustos que criavam relevos em seu vestido de seda com pérolas cravejadas de diamante, fazendo par a argola suspensa em sua orelha. Esbelta, de lábios avermelhados e sorriso encantador, passos leves que sugeriam sua delicadeza, sapatilhas brancas que davam a ela o ar de uma princesa. Sua característica marcante foi, sem dúvida, o modo como esta tratava a todos com igualdade deixando amostra sua autenticidade. Sempre com um olhar sincero, um modo único a tratar até mesmo seus serviçais, era digna de ser chamada de rainha. Aurora, assim era chamada, seguiu na direção de Takashi e aproximar-se, estendeu-lhe a mão. — Venha, quero conversar com você. —
E então Takashi estendeu a mão e Aurora o segurou, levando-o para o aposento real, com o sorriso que fazia até os mais dignos cavaleiros suspirar. A porta fechou logo atrás dela, ele deparou-se com a rainha encarando.
— Você é um herói. — Disse, com um sorriso nos lábios. — Eu sei que parece estranho, mas você irá entender mais para frente e tudo será explicado.
– Há algo que queria compreender.- A voz de Takashi saiu sem força, o medo de perguntar sobre o que significava o soldado ter lhe chamado de lord. — Me chamaram, me chamaram de lord, por quê? -
— Simples — Ela continuou — Simples, você é mesmo um lord —
— Como assim? — Takashi parecia não compreender, buscava a resposta em seu intimo ser, tentou alcançar o vazio, mas ele esvaiu-se como se tivesse tentado agarrar o ar. — Não posso ser um lorde. — Concluiu, estupefato.
— Você irá entender logo, vá tomar um banho. — Aurora jogou as novas roupas de Takashi sobre a cama e virou-se. A porta fechando atrás de si.
— Um lord?- Suspirou, ainda não acreditava. — O que é isso? — Takashi jazia deitado na cama, olhando para o teto, pensativo. — Vou tomar meu banho — Levantou-se, já retirando a roupa, era uma criança de cinco anos, não havia grandes revelações em seu corpo, uma mulher adentrou o cômodo, ela teria que banha-lo — É preciso? — Perguntou, com um olhar inocente.
— Sim, você é apenas uma criança. — Ela já havia começado a ensaboa-lo. Takashi ainda questionava-se sobre o que exatamente era um lord, era uma criança e não sabia muito sobre o mundo. — Ei tia?- Disse, animado.
– Sim?- Ela olhou para ele, a sobrancelha arqueada.
– O que é um lord?- Sua voz ecoou pelo local, sem resposta.
Fale com o autor