Dragões ascendentes.
25 A rachadura invisível
Notas iniciais
Ah, sim, o modo como toda àquela situação ocorrera, fizera com que Kenji e Emily simplesmente se separassem dos demais. Lá estavam eles, completamente perdidos, a merce do perigo iminente. O rapaz levantara-se, subitamente, ajustando suas madeixas enegrecidas, cujo permaneciam recaídas sobre sua fronte. Lábios, avermelhados, comprimidos, denotando a insatisfação presente em suas ações.
Emily levantou-se, então, em seguida. Seus fios, de escarlates, atingiam um comprimento espetacular. Seu corpo, repleto de fuligem, deixara-a completamente ''irreconhecível''. De bochecha austera e uma feição inofensiva, sequer parecia possuir oito anos. No entanto, ainda era uma criança. Seus pensamentos encontravam-se completamente desconexos, deixando-a completamente confusa.
Porém, não havia tempo para raciocinar, afinal, precisavam achar um jeito de encontrar-se com os outros. Kenji apressava-a, dizendo algo sobre o quão perigoso era, aquele lugar e que se ficassem ali, morreriam. Todavia, como uma criança podia comportar-se tão bem, daquela maneira? Havia muitos elementos, que ela sequer fazia ideia, em relação a vida. Kenji, entretanto, parecia ser extremamente inteligente.
O garoto manteve o ritmo, constante, evitando cruzar caminhos escuros demais. Estavam em uma espécie de ''túnel'', com diversas passagens a serem escolhidas e errar, no caso, não era uma opção. Estavam apostando suas próprias vidas, já não era apenas uma brincadeira. Sim, duas crianças, completamente sozinhas numa ''caverna'' repleta de criaturas — possivelmente.
Escondidos, próximos as estalagmites, olhos vermelhos destacaram-se na escuridão. E tomando como base, a posição em que encontrava-se, àquelas criaturas estavam de cabeça para baixo. Até sugeriram ser morcegos, porém, havia algo de errado. Desta mesma direção, grunhidos altos eram expelidos, descartando por completo a possibilidade de ser um mamífero voador.
Eis que, subitamente, foram em direção às crianças, revelando-se por completo. Eram medonhos, possuindo corpo humanoide, com asa de morcego. Mas sequer assemelhavam-se a vampiros- se é que existiam. Em suas cabeças, a ausência de cabelo era um destaque. O mais assustador, eram o tamanho. Não pareciam fracos e mostravam-se com fomes. E na pior hipótese, eles eram a comida.
Kenji puxara Emily rapidamente, buscando contornar aquela situação e fugir. Todavia, antes que pudessem escapar daquele cerco, foram cingidos por todos os lados. Já não havia escapatória. Em sua mente — mesmo que não buscasse isso-, os números surgiram. Eram dez Lyren's, criaturas da noite. Conquanto, ultimamente, tornara-se comum vê-los atacando ao dia, o que despertou a fúria dos camponeses. Porém, ao tentarem combater tais criaturas, foram todos mortos.
Ó, tolas criaturas, seguiram para um beco sem saída e, agora, encontravam-se próximos da morte. Porque aventurar-se em um mundo tão perigoso? Quais resultados buscaram, para essa longa aventura? Ah mas, agora, pouco importa... Pois o fim estaria batendo em vossa janela, bem como a morte que sempre encontra-se a espera. Seria, então, o fim? Não.
Embora Kenji estivesse completamente desesperado, tentara não transpassar isso em seu olhar. Por mais impossível que fosse, buscou uma solução. Percebera, então, que Emily, a garota mais corajosa que já conhecera... Estava apavorada. De seus olhos, agora, caramelizados, lágrimas eram expelidas. Ela sequer acreditava que houvesse uma maneira de escapar.
Eis que, de repente, o garoto agira. Sem pensar, afastara-se de Emily ao passo que já desembainhava sua lâmina. Fora um ato sublime, completamente inexplicável. O aço reluziu ante ao lusco-fusco, que mal lançava sua bela luz aquele buraco, mas ela reluzia, a cada movimento, como se comesse a escuridão ao seu redor. Para Emily, Kenji não conseguia enxergar nada — e não enxergava. Mas podia sentir o cheiro, ouvir os passos e detalhar exatamente onde os inimigos encontravam-se.
Mesmo fortes e rápidos, foram pegos de surpresa. Pois quem diria que, uma criança, agiria desta forma? Ninguém. O baque de corpos caindo, cessaram-se. E, subitamente, as madeixas enegrecidas foram iluminadas pelo pequeno reluzir da lâmina, concedendo-o um destaque magnífico. Subitamente, seguira, como se nada houvesse ocorrido, para aproximar-se de Emily e puxá-la para o encontro de Takashi. Assim, o destino moldava o percurso de cada um, definindo os determinados resultados, ainda escondidos.
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