Dragões Imperiais
12 Helena frente à rainha
— Todo o império agradece por capturar o assassino que ficou conhecido como Fergus, mesmo com atos tão grandes de bravura, você foi contra diversas leis da cidade, mesmo do país, dentre elas, você agiu de forma abrutpa, e sozinha, sem ao menos informar aos outros soldados sobre o assassino ou mesmo em que lugar você sabia que ele estava mantendo-se escondido, teve sorte de ter batalhado em um ambiente que não tinha tantas pessoas, você poderia ter matado dezenas de habitantes, mas não pense que isso não causou nada, você acabou ferindo a sola dos pés de alguns soldados. Além disso capitã, você acabou libertando um suposto suspeito da prisão Cobre, tendo destruído suas paredes e passando por cima das ordens de seu superior, Normam, desafiou ele em combate e fugiu com a pessoa que ele indicava ser o causar dos assassinatos...- dizia a rainha quando foi interrompida por Forza.
— Mas todos vocês tiveram provas suficientes, Alex é totalmente inocente, ele provou não ter ferido uma mosca, na verdade eu provei isso tendo levado ele até o local, acabamos ficando de frente com o assassino! – disse Forza.
-...sim, claro, você também violou essa outra lei, ele era inocente, isso tudo prova que você levou um civil ao campo de batalha, usando ele para atingir seus meios, colocou em jogo a vida dele e da sua aprendiz, Rebecca Nighd – a rainha respirou de tantas acusações, deu um longo suspiro e retomou a palavra mais uma vez – me desculpe Helena, eu sempre gostei de ter você por perto, você não apenas me impressiona cada dia mais com suas habilidades de lógica e dedução, mas também supera e muito a maioria dos soldados da cidade...eu realmente queria poder falar para você sair por aquela porta e fingir que nada aconteceu, mas a questão não é essa, você violou muitas leis da cidade, eu não posso te acobertar, pelo menos não dessa vez, muitas pessoas se baseiam no exército, as crianças vêm vocês, VOCÊ, como heróis e desta vez você acabou decepcionando todos, quero pedir que arrume suas coisas e se retire do seu posto de capitã da segunda guarda, claro, ainda irei ver você por aqui, não fez algo tão irrevogável ao ponto de ser expulsa da cidade, mas não quero mais que fique usando o nome da cidade nas coisas que você faz – terminou a rainha Clare.
Helena trincou os dentes, ela não parecia nem um pouco triste, de seus olhos nem um tipo de lágrima escorreu, ela não se deixou vencer pela fraqueza, na verdade toda a tristeza que estava em seu corpo foi substituída por raiva, ela pegou todas as suas medalhas de honra, medalha de guarda da cidade, de capitã honorária, de líder da segunda guarda, medalha de soldado expedicionário, medalha de defensora da paz e as atirou no chão segurando todas em apenas uma mão e as soltando com o abrir de seus dedos, ao escutar o som das medalhas caindo no chão ela teve uma lembrança, uma lembrança de uma pequena menina ruiva com o exército.
Vários soldados estavam com espadas e escudos virados na direção de Helena, ela chorava como uma torneira fechada de mal jeito, mas em seus punhos ela tinha chamas tão potentes que queimariam qualquer homem que chegasse mais perto, sem importar o quão resistente fosse a armadura, sentia os soldados tremerem de medo, mas com certeza eles não estavam com mais medo que ela.
— Abaixem as armas, ela é apenas uma criança, apontariam lanças e espadas na direção de seus filhos caso eles saíssem do controle com sua magia – disse a voz grossa de um homem que parecia bem imponente se aproximando de Helena.
— Mas senhor, ela já matou dezenas de nossos melhores soldados – disse um dos soldados.
Agora no castelo, o som das medalhas tocou diretamente os ouvidos de Forza, lhe fazendo ter várias lembranças, ela então se virou para se retirar do castelo, mas logo depois do terceiro passo, ela pisou um pé exatamente ao lado do outro, parando de costas para a rainha.
— Rainha Clare, eu posso lhe pedir um favor....eu não, um amigo, eu queria pedir que fizesse um favor para ele, talvez seja algo bem difícil, mesmo para você e sua força militar, mas ele havia comentado comigo a respeito de algo que ele queria pedir pessoalmente para você, mas que meio que me usaria para ficar frente à frente com você, o que ele já tentou fazer, mas que ao certo ele não conseguiu, isso porque um assassino louco tentou lhe matar bem na frente de seu castelo e ele, com tão pouco treinamento, colocou sua vida em risco para me ajudar a deter esse assassino, ele me seguiu, logo depois descobriu que seus amigos estavam mortos, nessa hora ele já havia perdido a esperança, eu fui lá apenas para salvar sua vontade de viver, sabe o que ele fez depois disso, ele me seguiu e me incentivou mais ainda a lutar contra o assassino, ele não fez isso por ele, nem por um momento ele queria crédito por isso, tudo o que ele queria era vingar seus amigos, prender a pessoa que matou eles sem nem questionar, ele queria derrotar ele para que ninguém sofresse com a perda de alguém importante assim como mais uma vez ele sofreu...- conversava Forza ainda sem olhar nos olhos da rainha, esperando apenas indignação da parte dela.
— Blem – falou a rainha tão baixo que Forza quase não lhe escutou.
— Ele queria o máximo de ajuda possível para realizar seu objetivo e para isso, você é a pessoa mais indicada, já que tem maior poderio militar de todo o país, ele queria ajudar para acabar com o mal que nos assombra desde a guerra da soberania, para acabar com...-estava falando a ruiva quando foi interrompida.
— Os Dragões Imperiais, acho que loucos só sabem falar neles, de fato precisamos ser loucos para falar no nome deles, Blem, Albert Blem, esse jovem veio até aqui apenas para me pedir a mesma coisa que você, achei que assim como todos os outros, ele viria para se gabar de suas habilidades, ou mesmo me bajular, com o intuito de ganhar um posto dentro do reino, mesmo se tornar um de meus soldados especiais – Forza estava sentindo esperança de que a rainha iria lhe ajudar, ela viu um dos soldados parados no canto da sala, mantendo a segurança do ambiente e logo ela se virou novamente para a rainha – mas não, ele não veio fazer nada disso, ele chegou aqui confiante de que iria tentar se gabar, mas ao invés, ele veio me pedir ajuda, ele me contou de Alex, me contou de seu sonho e mesmo falou um pouco sobre a história de seu amigo, disse que ele queria apenas se tornar soldado para poder lutar no campo de batalha contra esses monstros, esses monstros assassinaram seu pai, sim, depois ele se gabou um pouco, mesmo assim Helena, como eu disse, eles são monstros, não sei como vocês pretendem fazer essas coisas, eles não buscam sair por aí matando os outros, mas aqueles que se impõe e tentam lhes desafiar acabam mortos, não tem como alguém ganhar deles – esclareceu a rainha. Ela então olhou para o piso no qual tinha jogado todas as suas medalhas e viu uma em específico bem estranha, não era feita de ouro, nem de prata, bronze ou qualquer outro metal extremamente valioso, ela não tinha valor algum, era um pedaço de metal de algum alumínio amassado, no qual tinha sido pendurado uma faixa azul.
Lá estava Helena, ela estava bem nervosa, todos naquele campo enorme eram soldados de nome e respeito, homens e mulheres enormes, todos com magias absurdamente fortes, eles todos iriam se desafiar em combate, apenas os melhores iriam passar, pelo menos essa era a premissa, ela não iria participar de nenhuma batalha, mas se empolgava apenas de ver aqueles fortes futuros soldados batalhando.
— Ei Helena, está animada com esse lugar? – a menina ruiva que não tinha mais que doze anos estava segurando a mão do grande homem acenou com a cabeça concordando – sei que você passou por algumas coisas difíceis, mas a partir daqui que a sua real história começa, você pode ser apenas um mago poderoso, ou pode ser um mago poderoso que usa sua magia para combater aqueles que trazem o mal – disse o homem.
— Eu quero combater o mal, SIM, SIM, pode contar com a minha ajuda – disse a menina ruiva colocando a mão no chapéu de soldado que ela usava, quando fez isso o chapéu que era muito grande caiu sobre seu rosto cobrindo seus olhos. O homem que estava ao seu lado começou a rir alto, uma risada meio estranha para um homem tão grande quanto aquele, mas uma risada aconchegante para os ouvidos da menina ruiva.
— Meu tempo está acabando por aqui Helena, eu não conseguirei ficar muito tempo com você, logo teremos que nos separar, então o que me diz, assim que eu ir embora, se você se tornar bem corajosa até lá, você pode assumir o meu lugar como general da cidade, Rontear te aguarda, e quem sabe algum dia você vai poder ajudar estender sua mão para alguém mais jovem também, mesmo que tudo pareça perdido – terminou o homem – aqui, pegue, essa medalha pode parecer a medalha de um soldado, mas ela é uma réplica sem valor, pelo menos para os outros, para mim ela tem valor sim, pode ser feito de latão, o valor não está nela em si, nem nas outras medalhas, o real valor está aqui dentro – disse o homem colocando o dedo no peito da menina ruiva de vestidinho. Ela pegou a medalha nas mãos e ficou olhando para onde o homem tinha colocado o dedo.
— O que você colocou aqui dentro? Tem uma medalha aqui dentro? – perguntou a menina encantada com aquilo. Ele caiu na gargalhada novamente pela pergunta ingênua de Helena.
— Não, não coloquei nada aí, muitos poderiam falar que eu estou falando do seu coração, mas é o que está dentro do seu coração e não venha me falar sangue, o real valor da pessoa é as coisas que ela pratica, o quanto ela ajuda os outros, o que ela faz para manter a paz, tudo, repito tudo o que ela faz para que as coisas sejam melhores para o mundo, não só para você, mas para todos nossos amigos e convividos. E essa medalha que eu te darei é a medalha que prova que você foi alguém na minha vida que me fez ser melhor – terminou o homem.
Forza estava parada de frente para a rainha, sabia que não tinha mais sentido essa conversa. Foi aí que foi surpreendida por mais palavras da loira.
— Eu te dou cinco dias para que pegue suas coisas e com “suas coisas” eu digo, pegar seus pertences e tudo o que vai precisar nessa sua jornada, acho que você e Alex vão ter bastante caminho pela frente, eu mesma queria conhecer esse menino pessoalmente, só esse nome me dá vontade de ver ele, de tocar ele, conversar com ele, esse nome me traz algumas recordações – disse a rainha Clare.
— Sim rainha, eu irei me encontrar com ele, pegar minhas “coisas” e partiremos em busca da nossa aventura, até mais ver – falou a última frase pensando na merda que tinha feito, ela confiava em Rebecca, mas estava com medo de ter feito uma escolha errada em deixar uma grande ameaça nas mãos de Rebecca e Alex, saiu do castelo correndo animada, finalmente ela estava livre daquele lugar, livre das ordens da rainha, ela poderia cuspir na cara de Normam agora sem tomar uma bronca por falarem que é seu superior e estava também empolgada pelo fato de já saber que quando chegasse ao local Rebecca e Alex estariam correndo desesperados de um titã enraivecido.
No campo perto da cidade, na base dos soldados expedicionários, Rebecca trazia um menino, sendo puxado pelas mãos, ele subia as escadas com passos bem pesados ao ponto de fazer o chão tremer, ou ele era mesmo bem pesado, ou estava com raiva e usando bastante força para se retirar dali, a cada passo, mais e mais os soldados se encolhiam, eles estavam esperando o pior.
— Será que esses golpes são deles sendo pisoteados pelo titã? – perguntou um deles.
— Não acho que ele teria ambiente tão grande para crescer assim, já que lá embaixo é pequeno – respondeu outro deles.
A porta da base foi aberta com força, na verdade tanta força que fez um estrondo sonoro, com o susto, todos os soldados se assustaram, alguns já estavam prontos para correr e mesmo outros, se ajoelharam já pensando em implorar por suas vidas. Mas o que saiu de lá de dentro foi Alex, Rebecca e o garotinho de cabelos castanhos, ambos rindo o mais alto que conseguiam das caras espantadas dos soldados que logo que viram eu não tinha nada de errado, se sentiram completos idiotas.
— Tim, diga oi para os franguinhos – disse Rebecca, apresentando o garoto, enquanto continuava a gargalhar.
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