Draconia: O Legado do Guerreiro Estelar
1 Prólogo
Notas iniciais
Antes que os reinos tivessem nomes…
antes que os elfos erguessem cidades…
antes que o fogo iluminasse a noite e que os mares aprendessem a cantar…
existia apenas o vazio.
E do silêncio eterno, nasceram os Criadores.
Dizem as escrituras ancestrais que, no princípio, cinco entidades desceram sobre o mundo ainda sem forma. Não eram meras criaturas… não eram simples bestas celestiais…
eram deuses.
E com asas titânicas e poderes primordiais, moldaram a própria existência.
Assim surgiu Dracônia, o planeta das maravilhas e dos elementos, forjado pela vontade dos Dragões.
O primeiro foi o Deus Dragão do Fogo,
o Coração Ardente de Dracônia,
o Senhor das Chamas Eternas,
a Forja da Criação.
Seu sopro incendiou o mundo, trazendo calor às terras frias e luz às sombras sem fim.
A segunda foi a Deusa Dragonesa do Mar,
a Imperatriz das Marés Infinitas,
a Mãe dos Oceanos Profundos,
a Voz do Abismo Azul.
Com um único movimento, ela fez nascer os mares e ensinou as águas a carregarem vida.
O terceiro foi o Deus Dragão da Terra,
o Pilar Vivo do Mundo,
o Guardião das Raízes Sagradas,
o Pai da Vida Verdejante.
De suas garras surgiram montanhas, florestas e a abundância que cobre o solo até hoje.
A quarta foi a Deusa Dragonesa dos Céus,
a Rainha do Firmamento,
a Senhora das Tempestades Celestes,
a Coroa dos Ventos Imortais.
Ela ergueu os céus acima das nuvens e deu voz aos trovões, para que o mundo jamais fosse silencioso.
E por fim…
o quinto trono.
O Deus Dragão das Sombras,
Guardião da Noite Serena,
Pastor dos Espíritos,
aquele que conduzia os mortos não ao medo…
mas ao descanso eterno.
Pois a escuridão nunca foi maldição.
A noite foi criada como abrigo.
As sombras, como refúgio.
E o fim… como parte sagrada do ciclo da vida.
Sob as asas do Dragão das Sombras, até a morte era compreendida como paz, não como horror.
Juntos, os cinco eram chamados de:
Os Arquitetos Elementais.
Os Deuses Primordiais de Dracônia.
Os Cinco Tronos do Equilíbrio.
E sob sua guarda, o mundo prosperou.
Foi então que nasceram os cinco grandes reinos:
Solaria, a terra das chamas e da honra.
Oseus, o império das marés e do aço.
Terrea, o domínio das raízes e da cura.
Scályos, o reino das nuvens e das tempestades.
Darkion, o reino das sombras e do silêncio sagrado.
Os elfos viviam em harmonia, cada povo ligado ao elemento de seu lar.
Mas entre todos, apenas alguns poucos carregavam um dom verdadeiro.
Indivíduos raros, destinados desde o nascimento…
aqueles capazes de comandar o próprio elemento como extensão da alma.
Eles eram conhecidos como:
Herdeiros Elementais
Durante eras incontáveis, Dracônia conheceu paz.
Não havia guerras entre os reinos.
Não havia fome que durasse.
E o mundo inteiro parecia respirar sob a proteção divina.
Mas então…
veio a tragédia.
Um acontecimento tão profundo que nem mesmo os anciãos ousam descrevê-lo por completo.
Algo nasceu no coração dos mortais.
Uma ambição.
Um desejo proibido.
Um lado sombrio que não pertencia aos Dragões…
mas aos elfos.
E foi nesse tempo perdido entre milênios…
que os Deuses desapareceram.
Traídos.
Arrancados do mundo como se os próprios pilares da existência fossem quebrados.
Nenhum deles escapou.
Nem mesmo o Guardião das Sombras, que também caiu junto dos outros… vítima da mesma ruína.
Mas quando os Dragões sumiram, os reinos precisavam de respostas.
E quando não há respostas…
surge a culpa.
E a culpa encontrou um alvo.
Darkion, o reino mais distante, tornou-se mancha aos olhos do mundo.
Não porque a escuridão fosse maligna…
mas porque o medo precisava de um inimigo.
E assim, lentamente, Dracônia se dividiu.
Não em guerra aberta…
mas em desconfiança.
Em distância.
Em cicatrizes antigas.
Entretanto… antes de partirem para o desconhecido, os Deuses deixaram uma última herança.
Uma profecia.
Ou talvez… uma promessa.
Gravada em templos antigos, sussurrada pelo vento, escondida nas profundezas do oceano e enterrada sob montanhas sagradas:
“Quando os Cinco Tronos forem novamente despertos,
e o Guerreiro Estelar enfim surgir,
Dracônia lembrará o nome de seus criadores…
e a harmonia perdida será restaurada…
ou o mundo cairá em ruína eterna.”
E assim, os reinos esperam.
Pois um dia…
das estrelas…
virá aquele que mudará o destino de tudo.
E por eras incontáveis, o mundo permaneceu assim…
os templos em silêncio,
os reinos em vigília,
os céus vazios…
como se Dracônia estivesse apenas esperando.
Esperando por algo que nem mesmo os sábios ousavam nomear.
A profecia permaneceu viva apenas em murmúrios:
um guerreiro vindo das estrelas.
Um estrangeiro.
Um sinal impossível.
E então…
numa noite comum demais para carregar destino…
os ventos de Scályos mudaram.
As marés de Oseus recuaram sem motivo.
As raízes de Terrea estremeceram sob o solo.
As chamas de Solaria tremularam como se temessem o que vinha.
Até mesmo as sombras de Darkion…
pareceram se alongar, inquietas.
O céu, que por tanto tempo fora apenas céu…
se rasgou.
Uma luz atravessou as nuvens como uma estrela em queda, violenta e brilhante demais para ser natural.
Não era trovão.
Não era fogo divino.
Não era magia élfica.
Era algo estranho…
algo de fora.
Um corpo flamejante cruzando a atmosfera, deixando um rastro ardente como se o próprio firmamento estivesse sendo marcado.
E enquanto todos dormiam, sem saber…
Dracônia prendeu a respiração.
Pois, naquele instante…
a lenda deixou de ser apenas passado.
A promessa dos Dragões…
finalmente começava a despertar.
E das estrelas…
algo caiu.
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