Draconia: O Legado do Guerreiro Estelar
2 A Estrela que Caiu
Solaria era um reino vibrante, moldado pelo calor dos vulcões próximos e banhado por desertos dourados que cintilavam sob a luz do sol. Entre torres altivas e muralhas imponentes, a vida seguia em uma rotina organizada, mas cheia de calor e movimento. O povo de Solaria estava acostumado com o ritmo intenso de sua terra, onde força, coragem e disciplina eram virtudes celebradas desde a infância. Entre os nobres e habitantes, o rei e a rainha, Solriom e Solrina, governavam com equilíbrio entre justiça e proteção, enquanto seus três filhos se preparavam para um dia assumir papéis importantes na corte.
Em meio a esse cenário, uma estranha luz cortou o céu, tão intensa que chamou a atenção de todos no castelo. Um objeto flamejante caiu entre as dunas próximas, quebrando-se com força. O rei foi o primeiro a chegar, encontrando uma cápsula danificada e, dentro dela, uma pequena menina de apenas três anos. Suas orelhas arredondadas, diferentes das pontudas dos elfos, e a pequena cauda que carregava despertaram uma curiosidade imediata, mas também um certo receio. Solriom franziu o cenho, incerto sobre o que fazer. A rainha, ao ver a menina, sentiu algo diferente: um instinto maternal tomou conta dela, misturado com a surpresa, e suavizou seu olhar.
“Quem… quem é você, pequena?” perguntou Solrina, sua voz doce e firme ao mesmo tempo.
A menina, assustada, apenas murmurou algo incompreensível, agarrando-se ao que restava da cápsula. Solriom observou cauteloso, hesitando, mas a ternura da rainha parecia dissipar parte de sua desconfiança. Logo, os três filhos do casal se aproximaram, curiosos, mas sem saber como reagir à nova presença. Aos poucos, a menina começou a interagir com eles, sorrindo timidamente, segurando suas mãos e imitando seus gestos. A relutância inicial deu lugar a pequenos sorrisos e olhares de fascínio mútuo.
Nos meses que se seguiram, Perya começou a aprender a andar, a falar e a se relacionar com os habitantes do castelo. As manhãs eram cheias de brincadeiras com os irmãos, correndo pelos salões e jardins, explorando cantos desconhecidos e observando com olhos curiosos o cotidiano da corte. À tarde, a rainha a incentivava a observar, tocar e experimentar o mundo ao seu redor: o calor do sol refletindo nas paredes, o aroma das flores cultivadas nos jardins, a textura da terra e da areia. Cada pequeno detalhe era uma nova descoberta, e Perya absorvia tudo com uma atenção fora do comum.
Conforme os anos se passaram, a curiosidade da menina cresceu e, sempre que podia, pedia à rainha que lhe contasse histórias do mundo além de Solaria. Solrina então começava a ensinar-lhe sobre os outros reinos de Dracônia:
Olceos, o reino do oceano, situado no vasto mar, era governado pelo Shogun do Oceano e pela Imperatriz das Marés. Seus habitantes possuíam guelras que lhes permitiam respirar debaixo d’água e eram fascinados por tecnologias que misturavam inovação futurista com elementos tradicionais.
Terrea, cercado por montanhas e vastas florestas, era lar dos elfos terrestres, fortes e de pele levemente morena, com cabelos verdes em tons variados. Suas vestimentas e tradições refletiam uma vida profundamente conectada à natureza, com líderes que atuavam como chefes de clãs. Habilidades de cura eram a marca dos herdeiros elementais desse reino, transmitidas apenas aos mais talentosos.
Skyus, o reino celeste, flutuava entre as nuvens, lar dos elfos menores e delicados, de cabelos e olhos brancos. Suas habilidades incluíam controlar tempestades e raios, e sua sociedade seguia uma hierarquia inspirada em antigas dinastias do céu.
Darkyum, o reino das sombras, isolado e distante, era lar dos elfos sombrios. De pele pálida e cabelos negros, viviam sob uma rígida hierarquia ditatorial, mas seu lado sombrio não refletia a essência de todo o reino: havia bondade e história, apenas obscurecida por traumas e inimizades com os outros reinos.
E, claro, Solaria, sua casa, onde os elfos solares aprendiam a controlar o fogo e o calor, mantendo uma disciplina rígida, mas sempre com um desejo ardente de se aperfeiçoar em suas habilidades.
Essas histórias alimentavam a curiosidade de Perya e acendiam um desejo de entender o mundo além de Solaria. Entre brincadeiras e estudos, ela se dedicava com afinco a observar, memorizar e compreender cada detalhe das culturas, tradições e histórias dos outros reinos, construindo uma base que, anos mais tarde, seria essencial para sua própria jornada.
Durante treze anos, Perya cresceu cercada pelo cuidado dos pais adotivos, pela amizade e brincadeiras com seus irmãos e pela riqueza de Solaria. Cada dia trazia novas descobertas, pequenos desafios e uma crescente curiosidade sobre o mundo além das muralhas de seu reino. Ela aprendeu a andar, falar, explorar e observar, absorvendo tudo com atenção incomum para alguém de sua idade. Sob a orientação de Solriom e Solrina, estudava sobre a história de Dracônia, os outros reinos, seus líderes, tradições e habilidades elementais. Cada detalhe aprendido acendia em Perya um desejo profundo de compreender e se conectar com tudo aquilo.
Mas não foi apenas nos livros e histórias que Perya demonstrou seu potencial. Aos poucos, sinais de algo extraordinário começaram a se manifestar. Enquanto treinava com pequenos experimentos de energia e calor, concentrando sua força interior, ela conseguiu gerar uma pequena chama flutuante entre suas mãos. Inicialmente, era apenas uma faísca, mas com prática e concentração, a chama cresceu, intensa e controlada.
No começo, Solriom observou desconfiado, franzindo o cenho. “Ela… não é uma elfa. Como isso é possível?” murmurou para si mesmo, surpreso com a naturalidade com que a filha adotiva manipulava o fogo. Solrina, por outro lado, não pôde conter um sorriso misturado de espanto e orgulho: “Meu Deus… Perya, cuidado!”
Quando a chama subiu e dançou entre as mãos de Perya, iluminando o salão com reflexos alaranjados, ambos os pais adotivos ficaram boquiabertos. A menina, apesar de toda a sua aparência e o fato de não ser nativa de Dracônia, dominava com precisão uma habilidade que era praticamente exclusiva dos elfos de Solaria.
Os irmãos de Perya correram até ela, fascinados e um pouco receosos, enquanto Perya ria, maravilhada com o poder recém-descoberto. “Olhem! Eu consegui!”, exclamou, sentindo o calor na palma das mãos, mas sem se queimar.
Solriom respirou fundo, tentando equilibrar a surpresa com a preocupação: “Isso é… extraordinário, mas também… perigoso. Precisaremos ajudá-la a controlar isso, Solrina.”
A rainha assentiu, já prevendo que aquele talento incomum seria um diferencial para a menina, mas também algo que exigiria paciência, disciplina e cuidado. A partir daquele momento, Perya passou a treinar com mais intensidade, aprendendo a canalizar o calor, a energia e o fogo de forma segura e precisa.
Assim, a menina tímida do início de sua vida em Solaria tornou-se uma jovem forte, inteligente e determinada, capaz de controlar um poder que muitos herdeiros elementais nativos jamais dominariam tão cedo. Aos poucos, ela começou a entender que sua diferença não era apenas física, mas também algo que a colocava em um caminho próprio, preparando-a para desafios maiores e desconhecidos.
E, após esses treze anos de crescimento, aprendizado e descobertas, o dia finalmente chegaria em que Perya, agora com seus 16 anos, talentos e curiosidade incansável, se aventuraria para fora de Solaria, pronta para explorar os outros reinos e enfrentar as provas que Dracônia reservava.
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