A arena de treinamento de Skyea estava completamente silenciosa.

O vento corria livremente pelas estruturas suspensas do Reino Celeste, fazendo as bandeiras azuis balançarem acima das arquibancadas.

No centro da arena, Perya e Tera se encaravam.

Os dois sorrindo de maneira competitiva.

Os reis observavam tudo do alto da plataforma principal, enquanto Serena, Haku e Asami aguardavam próximos da entrada da arena.

Tera colocou as mãos nos bolsos.

— Então… você realmente acha que consegue me pegar?

Perya cruzou os braços.

— Na primeira vez que a gente se encontrou eu nem estava usando toda a minha velocidade.

Tera ergueu uma sobrancelha.

— Engraçado.

Ele deu um passo à frente.

— Porque eu também não estava.

Uma pequena corrente elétrica começou a surgir ao redor dos pés dele.

O vento aumentou imediatamente.

Perya percebeu.

Ele estava falando sério.

Kilian então se levantou de seu trono.

— Como combinado…

Sua voz ecoou pela arena.

— Se Perya conseguir tocar Tera dentro de cinco minutos, ele devolverá tudo o que roubou e ajudará em seu treinamento.

Mylena então completou:

— Mas se ela perder…

O olhar dela foi para o pequeno artefato preso na cintura de Perya.

O Coração Ígneo.

— O artefato será entregue ao Reino Celeste.

Asami cruzou os braços.

Claramente desconfortável com aquela aposta.

Mas Perya apenas sorriu.

— Relaxa.

Ela olhou diretamente para Tera.

— Eu vou vencer.

Tera abriu um sorriso debochado.

— Veremos.

Kilian ergueu a mão.

E então—

— Comecem.

No mesmo instante, Perya disparou para frente.

O chão da arena rachou sob seus pés.

Mas antes mesmo que ela pudesse alcançá-lo—

Tera desapareceu.

Uma explosão de vento percorreu toda a arena.

Perya arregalou os olhos.

Ela rapidamente virou o rosto procurando por ele.

Nada.

Até que ouviu sua voz atrás dela.

— Muito lenta.

Ela girou instantaneamente e tentou acertá-lo.

Mas ele desapareceu novamente.

Asami observava impressionada.

— Ele é rápido demais…

Haku manteve os olhos fixos na arena.

— Não é velocidade comum.

Serena assentiu lentamente.

— É o Passo do Trovão…

Tera reaparecia em vários pontos diferentes da arena como um relâmpago azul.

Leve.

Preciso.

Impossível de acompanhar.

Perya começou a aumentar ainda mais sua velocidade.

O vento explodia ao redor dela enquanto avançava pela arena.

Mesmo assim…

Não era suficiente.

Ela conseguia se aproximar.

Mas nunca alcançá-lo.

Tera continuava sorrindo.

— Só isso?

Perya franziu a testa.

Ela odiava admitir.

Mas ele realmente era absurdamente rápido.

O tempo começou a passar.

Quatro minutos restantes.

Então três.

E ela ainda não havia conseguido nem tocar nele.

Tera passou por ela novamente como um borrão azul.

— Tá ficando cansada?

Perya parou no centro da arena respirando fundo.

Seu olhar começou a mudar.

Mais sério.

Mais concentrado.

Ela então lentamente ergueu a mão.

Pequenas chamas começaram a surgir pelo chão da arena.

Tera ergueu uma sobrancelha.

— Hm?

Perya começou a espalhar pequenos rastros de fogo pelas estruturas da arena.

As chamas eram pequenas.

Quase imperceptíveis.

Mas estavam em todos os lugares.

Haku percebeu imediatamente.

— Ela não tá tentando acertar ele…

Serena então entendeu.

— Ela está tentando sentir o movimento do vento.

Toda vez que Tera passava próximo das chamas—

O fogo se movia.

Mudava de direção.

Perya fechou os olhos lentamente.

Ignorando completamente tudo ao redor.

Agora ela apenas sentia.

O vento.

O calor.

O movimento.

Dois minutos restantes.

Tera continuava correndo pela arena em altíssima velocidade.

Mas aos poucos…

Perya começava a entender o padrão.

Ela começou a prever os movimentos dele.

Um minuto restante.

Tera percebeu.

E acelerou ainda mais.

Correntes elétricas começaram a percorrer toda a arena enquanto ele se movia como um verdadeiro relâmpago.

Mas Perya não abriu os olhos.

Continuou apenas ouvindo.

Sentindo.

Esperando.

Cinco segundos restantes.

Tera surgiu atrás dela com um sorriso provocador.

— Acabou.

No mesmo instante—

Perya abriu os olhos.

E desapareceu.

A explosão de velocidade foi tão grande que o chão da arena afundou.

Tera arregalou os olhos.

Pela primeira vez desde o início da disputa—

Ela havia previsto exatamente para onde ele iria.

Perya apareceu na frente dele.

E segurou seu braço.

Silêncio.

O vento cessou completamente.

Tera ficou imóvel.

Incrédulo.

Asami abriu um enorme sorriso.

— ELA CONSEGUIU!

Serena começou a rir.

Até Haku pareceu impressionado.

Nas arquibancadas, Mylena levou a mão à boca surpresa.

Enquanto Kilian observava Perya com um olhar muito mais atento do que antes.

Tera olhou lentamente para o braço sendo segurado.

Depois para Perya.

— Você…

Ele começou a rir.

Uma risada sincera dessa vez.

— Você realmente conseguiu me pegar.

Perya sorriu de canto.

— Eu avisei.

Tera suspirou derrotado.

Então tirou várias bolsas e objetos de dentro do próprio manto.

— Tá, tá… aqui estão as coisas de vocês.

Haku pegou imediatamente sua mochila.

— Finalmente.

Serena soltou um pequeno suspiro de alívio.

Enquanto Asami se aproximava de Perya sorrindo.

— Nada mal.

Perya cruzou os braços.

— Nada mal?

— Tá bom… foi incrível.

Tera então guardou as mãos nos bolsos novamente.

Ainda olhando para Perya.

— Eu vou cumprir minha parte da aposta.

Ela ergueu uma sobrancelha.

— Então vai me ensinar o Passo do Trovão?

— Sim.

Ele desviou o olhar por um instante.

Claramente contrariado.

— Mesmo você sendo irritante.

Perya abriu um sorriso debochado.

— Ah, muito obrigada pela oferta, príncipe.

Ela fez uma falsa reverência exagerada.

— Serei uma excelente aluna.

Asami começou a rir imediatamente.

Até Serena precisou esconder o sorriso.

Tera apenas suspirou.

— Eu já tô arrependido disso.