Na manhã seguinte à disputa na arena, Perya acordou mais cedo do que o habitual.

A empolgação era evidente.

Pela primeira vez desde que chegou a Skyea, ela estava prestes a aprender uma técnica característica dos Elfos Celestes.

Depois do café da manhã, o grupo voltou ao palácio.

Tera já os aguardava próximo a uma das plataformas de treinamento suspensas entre as nuvens.

— Então você realmente veio.

— Você esperava que eu desistisse? — respondeu Perya.

— Esperava.

Ela sorriu.

— Que pena.

Asami soltou uma pequena risada.

Tera revirou os olhos.

— Vocês dois são irritantes.

Antes do treinamento começar, Perya se virou para os amigos.

— Não precisa todo mundo ficar me assistindo treinar.

— Tem certeza? — perguntou Serena.

— Claro. Aproveitem para conhecer melhor o reino.

Haku concordou imediatamente.

— Não parece uma má ideia.

Asami hesitou por alguns segundos.

Desde a transformação durante a lua cheia, ela estava mais preocupada com Perya do que costumava admitir.

Percebendo isso, Perya se aproximou e deu um leve toque em seu ombro.

— Vai ficar tudo bem.

Asami acabou concordando.

Pouco depois, ela, Serena e Haku seguiram para explorar a cidade.

Quando ficaram sozinhos, Tera finalmente assumiu uma postura mais séria.

— Certo. Vamos começar.

O príncipe caminhou até o centro da plataforma.

— O Passo do Trovão não é apenas correr rápido.

— Então o que é?

— Velocidade.

Perya piscou.

— Essa foi sua explicação?

— Ainda não terminei.

Ele cruzou os braços.

— A maioria das pessoas acredita que velocidade é apenas movimento. Estão erradas.

O vento começou a girar ao redor dele.

— Velocidade é impulso.

Correntes elétricas surgiram em seus pés.

— É a capacidade de reduzir a distância entre dois pontos antes mesmo que seu oponente consiga reagir.

A eletricidade aumentou.

— Para isso, seu corpo e sua mente precisam agir como uma única coisa.

No instante seguinte, Tera desapareceu.

Uma rajada de vento percorreu toda a plataforma.

Perya procurou por ele.

Nada.

Então ouviu sua voz.

— Aqui.

Ela se virou.

Ele já estava atrás dela.

— Lento.

Novamente desapareceu.

E reapareceu dezenas de metros adiante.

Mesmo após tudo o que havia vivido, Perya ficou impressionada.

— Incrível...

— Agora tente você.

Perya fechou os olhos.

Ela já havia passado por algo parecido quando criou as Luvas Flamejantes.

Precisava compreender o conceito.

O significado.

A essência.

Velocidade.

Movimento.

Impulso.

Energia.

Calor.

Quanto mais rápido algo se movia...

Mais calor produzia.

A ideia começou a fazer sentido.

No fundo de sua mente, uma pequena chama apareceu.

A mesma sensação que teve ao despertar suas Luvas Flamejantes.

Ela estendeu a mão mentalmente em direção àquela chama.

No mesmo instante, o fogo surgiu ao redor de seus pés.

Tera arregalou os olhos.

— Espera... você conseguiu?

As chamas giravam como espirais ao redor de suas pernas.

Instáveis.

Mas poderosas.

Perya deu um passo.

E desapareceu.

Uma explosão de calor atravessou a plataforma.

Ela reapareceu vários metros adiante.

Ofegante.

Mas sorrindo.

— Eu consegui!

Tera ficou alguns segundos em silêncio.

— Isso levou anos para muitos guerreiros de Skyea.

— Sério?

— Não ajuda você parecer tão feliz com isso.

Perya começou a rir.

Observando as chamas em seus pés, ela sorriu.

— Botas Infernais.

— Esse é o nome?

— Gostei dele.

Tera suspirou.

— Claro que gostou.

Pouco depois, o príncipe abriu um sorriso competitivo.

— Vamos testar.

— Como?

— Pega-pega.

— De novo?

— De novo.

Antes que ela pudesse reclamar, ele disparou.

A eletricidade cortou o ar.

— Dois minutos!

Perya ativou imediatamente suas novas chamas.

As Botas Infernais explodiram ao redor de seus pés.

Ela partiu atrás dele.

No início, conseguiu acompanhá-lo.

Mas logo percebeu que a técnica ainda estava longe de estar completa.

As chamas consumiam energia rapidamente.

Sua respiração começou a ficar pesada.

Mesmo assim, continuou acelerando.

Cada tentativa fazia seu controle melhorar um pouco mais.

O tempo passava.

Tera continuava aumentando a velocidade.

Perya continuava perseguindo.

Até que finalmente concentrou tudo o que tinha em um único impulso.

As chamas explodiram.

Por um breve instante, ela alcançou uma velocidade próxima à do príncipe.

E conseguiu tocar seu ombro.

— Te peguei!

Tera parou imediatamente.

— Impossível...

Mas, no mesmo instante, as chamas desapareceram.

Perya caiu de joelhos.

Exausta.

Seu corpo inteiro doía.

A técnica ainda era extremamente instável.

Tera caminhou até ela.

— Você não domina o Passo do Trovão.

— Eu sei.

— Nem as suas Botas Infernais.

— Eu também sei.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos.

Então sorriu.

— Mas é um bom começo.

Perya abriu um sorriso satisfeito.

Pela primeira vez desde que chegou a Skyea, sentia que havia encontrado um novo caminho para evoluir.

Enquanto isso, do outro lado do reino, Serena, Haku e Asami chegavam ao grande Templo de Aetheria.

Construído sobre uma ilha flutuante acima das nuvens, o local parecia mais antigo do que qualquer construção que haviam visto até então.

Ao atravessarem os portões, uma estranha sensação percorreu o corpo dos três.

Como se algo os estivesse observando.

E, pela primeira vez desde a visita de Pyrrhos a Perya, uma presença divina parecia novamente próxima.

Notas finais
Peço perdão pelo atraso, acabei me enrolando com algumas coisas mas iremos seguir