Draconia: O Legado do Guerreiro Estelar
19 O Conceito de Velocidade
Na manhã seguinte à disputa na arena, Perya acordou mais cedo do que o habitual.
A empolgação era evidente.
Pela primeira vez desde que chegou a Skyea, ela estava prestes a aprender uma técnica característica dos Elfos Celestes.
Depois do café da manhã, o grupo voltou ao palácio.
Tera já os aguardava próximo a uma das plataformas de treinamento suspensas entre as nuvens.
— Então você realmente veio.
— Você esperava que eu desistisse? — respondeu Perya.
— Esperava.
Ela sorriu.
— Que pena.
Asami soltou uma pequena risada.
Tera revirou os olhos.
— Vocês dois são irritantes.
Antes do treinamento começar, Perya se virou para os amigos.
— Não precisa todo mundo ficar me assistindo treinar.
— Tem certeza? — perguntou Serena.
— Claro. Aproveitem para conhecer melhor o reino.
Haku concordou imediatamente.
— Não parece uma má ideia.
Asami hesitou por alguns segundos.
Desde a transformação durante a lua cheia, ela estava mais preocupada com Perya do que costumava admitir.
Percebendo isso, Perya se aproximou e deu um leve toque em seu ombro.
— Vai ficar tudo bem.
Asami acabou concordando.
Pouco depois, ela, Serena e Haku seguiram para explorar a cidade.
Quando ficaram sozinhos, Tera finalmente assumiu uma postura mais séria.
— Certo. Vamos começar.
O príncipe caminhou até o centro da plataforma.
— O Passo do Trovão não é apenas correr rápido.
— Então o que é?
— Velocidade.
Perya piscou.
— Essa foi sua explicação?
— Ainda não terminei.
Ele cruzou os braços.
— A maioria das pessoas acredita que velocidade é apenas movimento. Estão erradas.
O vento começou a girar ao redor dele.
— Velocidade é impulso.
Correntes elétricas surgiram em seus pés.
— É a capacidade de reduzir a distância entre dois pontos antes mesmo que seu oponente consiga reagir.
A eletricidade aumentou.
— Para isso, seu corpo e sua mente precisam agir como uma única coisa.
No instante seguinte, Tera desapareceu.
Uma rajada de vento percorreu toda a plataforma.
Perya procurou por ele.
Nada.
Então ouviu sua voz.
— Aqui.
Ela se virou.
Ele já estava atrás dela.
— Lento.
Novamente desapareceu.
E reapareceu dezenas de metros adiante.
Mesmo após tudo o que havia vivido, Perya ficou impressionada.
— Incrível...
— Agora tente você.
Perya fechou os olhos.
Ela já havia passado por algo parecido quando criou as Luvas Flamejantes.
Precisava compreender o conceito.
O significado.
A essência.
Velocidade.
Movimento.
Impulso.
Energia.
Calor.
Quanto mais rápido algo se movia...
Mais calor produzia.
A ideia começou a fazer sentido.
No fundo de sua mente, uma pequena chama apareceu.
A mesma sensação que teve ao despertar suas Luvas Flamejantes.
Ela estendeu a mão mentalmente em direção àquela chama.
No mesmo instante, o fogo surgiu ao redor de seus pés.
Tera arregalou os olhos.
— Espera... você conseguiu?
As chamas giravam como espirais ao redor de suas pernas.
Instáveis.
Mas poderosas.
Perya deu um passo.
E desapareceu.
Uma explosão de calor atravessou a plataforma.
Ela reapareceu vários metros adiante.
Ofegante.
Mas sorrindo.
— Eu consegui!
Tera ficou alguns segundos em silêncio.
— Isso levou anos para muitos guerreiros de Skyea.
— Sério?
— Não ajuda você parecer tão feliz com isso.
Perya começou a rir.
Observando as chamas em seus pés, ela sorriu.
— Botas Infernais.
— Esse é o nome?
— Gostei dele.
Tera suspirou.
— Claro que gostou.
Pouco depois, o príncipe abriu um sorriso competitivo.
— Vamos testar.
— Como?
— Pega-pega.
— De novo?
— De novo.
Antes que ela pudesse reclamar, ele disparou.
A eletricidade cortou o ar.
— Dois minutos!
Perya ativou imediatamente suas novas chamas.
As Botas Infernais explodiram ao redor de seus pés.
Ela partiu atrás dele.
No início, conseguiu acompanhá-lo.
Mas logo percebeu que a técnica ainda estava longe de estar completa.
As chamas consumiam energia rapidamente.
Sua respiração começou a ficar pesada.
Mesmo assim, continuou acelerando.
Cada tentativa fazia seu controle melhorar um pouco mais.
O tempo passava.
Tera continuava aumentando a velocidade.
Perya continuava perseguindo.
Até que finalmente concentrou tudo o que tinha em um único impulso.
As chamas explodiram.
Por um breve instante, ela alcançou uma velocidade próxima à do príncipe.
E conseguiu tocar seu ombro.
— Te peguei!
Tera parou imediatamente.
— Impossível...
Mas, no mesmo instante, as chamas desapareceram.
Perya caiu de joelhos.
Exausta.
Seu corpo inteiro doía.
A técnica ainda era extremamente instável.
Tera caminhou até ela.
— Você não domina o Passo do Trovão.
— Eu sei.
— Nem as suas Botas Infernais.
— Eu também sei.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos.
Então sorriu.
— Mas é um bom começo.
Perya abriu um sorriso satisfeito.
Pela primeira vez desde que chegou a Skyea, sentia que havia encontrado um novo caminho para evoluir.
Enquanto isso, do outro lado do reino, Serena, Haku e Asami chegavam ao grande Templo de Aetheria.
Construído sobre uma ilha flutuante acima das nuvens, o local parecia mais antigo do que qualquer construção que haviam visto até então.
Ao atravessarem os portões, uma estranha sensação percorreu o corpo dos três.
Como se algo os estivesse observando.
E, pela primeira vez desde a visita de Pyrrhos a Perya, uma presença divina parecia novamente próxima.
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