Enquanto Perya continuava treinando sob a supervisão relutante de Tera, Serena e Asami decidiram aproveitar o restante do dia para visitar o grande Templo de Aetheria.

Desde a descoberta feita em Terrea, ambas carregavam a mesma dúvida.

Se existia uma profecia registrada no Reino da Terra...

Talvez existissem outras partes dela espalhadas pelos demais reinos.

O templo celeste era ainda mais impressionante do que imaginavam.

Construído sobre uma gigantesca ilha flutuante, o local parecia tocar as próprias nuvens. Colunas brancas se erguiam em direção ao céu, enquanto correntes de vento atravessavam os corredores abertos.

Durante horas elas exploraram salões, bibliotecas e corredores antigos.

Mas nada.

Até que chegaram a uma área esquecida do templo.

Uma enorme parede de pedra ocupava toda a extensão do salão.

As inscrições estavam desgastadas pelo tempo.

Porém ainda podiam ser lidas.

Asami foi a primeira a reconhecer os símbolos.

— Serena...

— Eu vi.

Era a mesma profecia.

Ou pelo menos parte dela.

As duas se aproximaram.

Dessa vez, porém, as imagens continuavam além do ponto onde a versão encontrada em Terrea terminava.

No centro do mural estava representada uma figura cercada pelos cinco elementos.

Fogo.

Água.

Terra.

Céus.

Escuridão.

A figura carregava consigo os cinco artefatos elementais.

O Coração Ígneo.

A Pérola Abissal.

A Semente Primordial.

O Fragmento Celeste.

E o Núcleo Sombrio.

Asami sentiu um arrepio.

— É a Perya...

Serena concordou.

As inscrições seguintes eram ainda mais surpreendentes.

Segundo a profecia, uma grande calamidade surgiria em Dracônia.

Algo tão terrível que ameaçaria todos os reinos.

Para enfrentá-la, a escolhida deveria dominar os caminhos deixados pelos cinco povos élficos.

Somente então os artefatos poderiam cumprir seu verdadeiro propósito.

Trazer os Deuses Dragões de volta ao mundo.

Asami ficou em silêncio por alguns segundos.

— Então era isso...

— O quê?

— O motivo de ela estar visitando todos os reinos.

Serena observou novamente os símbolos.

— Talvez o destino dela nunca tenha sido apenas encontrar respostas sobre sua origem.

As duas permaneceram ali por mais alguns minutos antes de finalmente retornarem ao palácio.

Quando chegaram, encontraram Perya e Tera descansando após horas de treinamento.

— Vocês demoraram — comentou Perya.

— Encontramos algo importante.

A expressão séria de Serena imediatamente chamou sua atenção.

Poucos minutos depois, todos já estavam reunidos.

Serena explicou tudo o que haviam descoberto.

A profecia.

Os artefatos.

Os cinco caminhos.

E o possível retorno dos Deuses Dragões.

Quando terminaram, o salão permaneceu em silêncio.

Foi Perya quem falou primeiro.

— Faz sentido.

Todos olharam para ela.

— Os artefatos foram criados usando o poder dos próprios Deuses.

Ela cruzou os braços.

— Se existe alguma coisa capaz de trazê-los de volta, provavelmente são eles.

Tera parecia intrigado.

— Mas por que você teria que aprender as técnicas dos cinco reinos?

— Não faço ideia.

Perya deu de ombros.

— Mas alguma coisa me diz que vamos descobrir.

Subitamente seu semblante mudou.

O sorriso desapareceu.

Seu corpo inteiro ficou tenso.

Asami percebeu imediatamente.

— Perya?

Ela não respondeu.

Seus olhos percorriam lentamente o salão.

Como se procurassem algo.

Ou alguém.

— Tem alguma coisa errada.

O ambiente ficou pesado.

— O que foi? — perguntou Tera.

Perya deu um passo à frente.

— Eu conheço essa presença.

Um arrepio percorreu sua espinha.

— E não deveria existir ninguém com essa energia em Skyea.

O silêncio tomou conta do salão.

Então uma voz ecoou atrás dos tronos reais.

— Impressionante.

Todos se viraram.

Uma figura surgiu lentamente das sombras.

Vestes negras.

Cabelos escuros.

Olhos frios.

Asami imediatamente reconheceu.

— Você...

Perya já havia assumido posição de combate.

— Eu sabia que nunca esqueceria essa energia.

A elfa abriu um sorriso.

— Faz tempo, garota do fogo.

O ar ao redor parecia ficar mais frio.

— A responsável pelo roubo da Semente Primordial...

murmurou Serena.

A desconhecida fez uma pequena reverência.

— Fico feliz que ainda se lembrem de mim.

Perya deu um passo à frente.

— O que você quer?

— O mesmo que sempre quis.

Ela ergueu o olhar.

— O Fragmento Celeste.

Todos congelaram.

A relíquia sagrada de Skyea.

O artefato dos céus.

— Se colaborarem, ninguém precisa sair ferido.

Perya começou a rir.

Uma risada curta.

Sem humor algum.

— Você realmente acha que isso vai funcionar de novo?

A elfa analisou sua energia por alguns segundos.

— Vejo que ficou mais forte.

— Muito mais forte.

O sorriso dela aumentou.

— Ótimo.

— Porque eu também fiquei.

Tera imediatamente avançou para o lado de Perya.

Correntes elétricas começaram a surgir ao redor de seus pés.

— Vai precisar passar por mim primeiro.

A elfa observou o príncipe.

Divertida.

— O herdeiro dos céus...

— E você vai perder tempo descobrindo o quão ruim foi essa decisão.

Perya então olhou para Serena e Asami.

— Avisem os reis.

As duas hesitaram.

— Mas...

— Agora!

Elas entenderam imediatamente.

Se aquela mulher estava ali, o Fragmento Celeste corria perigo.

As duas partiram pelos corredores do castelo.

Enquanto isso, Tera e Perya permaneceram imóveis.

Prontos para lutar.

A desconhecida observou ambos.

Então sorriu.

— Acho que seria injusto iniciar uma batalha sem me apresentar adequadamente.

Sombras começaram a surgir ao redor de seus pés.

A temperatura do salão despencou.

— Meu nome é Kuronemi.

A energia escura explodiu pelo ambiente.

— Segunda Estrela Sombria de Darkyum.

As sombras avançaram pelas paredes como criaturas vivas.

E então ela abriu um sorriso frio.

— Espero que estejam preparados para morrer.