Draconia: O Legado do Guerreiro Estelar
13 O Peso da Libertação
O sol atingia seu ponto mais alto no céu de Gravitol.
A arena estava em silêncio.
No centro, Perya caminhava lentamente até sua posição. Seus passos eram firmes… mas carregavam algo novo.
Controle.
Do outro lado, Rei Shikki a observava.
— Você voltou… — disse ele, com um leve sorriso. — Mais cedo do que eu esperava.
— Eu não preciso de mais tempo pra te derrotar.
O sorriso dele aumentou.
— Confiança… gosto disso.
Seus olhos se estreitaram.
— Ainda mais quando você carrega o Coração Ígneo.
O ar ficou pesado.
— Eu senti esse poder desde o momento em que você entrou na cidade — continuou ele. — E é por isso que esse duelo existe.
Perya cerrou o punho.
— Então você já sabia…
— Se você perder… — sua voz ficou fria — você, seus amigos… e esse artefato… tudo será meu.
Um silêncio tenso caiu sobre a arena.
Asami observava ao fundo, com os punhos cerrados.
Perya apenas sorriu.
— Então eu só tenho mais motivos pra vencer.
Shikki ergueu a mão.
O campo gravitacional se ativou.
Dessa vez—
Perya não caiu.
Seu corpo se curvou por um instante… mas logo se estabilizou. As chamas surgiram ao redor dela, firmes, densas.
Shikki estreitou o olhar.
— Interessante…
Ele avançou.
O impacto inicial foi brutal.
Os dois colidiram no centro da arena, fazendo o chão rachar.
Shikki pressionava com força bruta, amplificada pela gravidade.
Perya recuava… mas não quebrava.
Ela analisava.
Aprendia.
Seus movimentos começaram a mudar.
Menos força.
Mais precisão.
Ela desviou de um golpe no último segundo, girou o corpo e contra-atacou com um chute direto no abdômen.
Shikki foi empurrado alguns metros para trás.
— Você… melhorou.
— Eu me adaptei.
Ele sorriu.
E aumentou a gravidade.
O chão afundou.
O corpo de Perya pesou novamente.
Seus joelhos quase cederam—
Mas ela resistiu.
— Vamos ver até onde isso vai… — disse Shikki.
Ele desapareceu da frente dela.
E reapareceu acima.
Golpe descendente.
Perya cruzou os braços para defender—
O impacto a jogou contra o chão.
A arena tremeu.
Ela tossiu.
Mas sorriu.
— Só isso?
As chamas aumentaram.
Ela se levantou.
Mais rápida.
Mais leve.
Mesmo sob pressão.
Ela avançou novamente.
Agora, os dois trocavam golpes em alta velocidade.
Impactos ecoavam.
O ar vibrava.
A gravidade aumentava a cada instante—
Mas Perya continuava se ajustando.
Se movendo melhor.
Respirando melhor.
Dominando.
Até que—
Ela acertou um golpe direto no rosto de Shikki.
E algo mudou.
Ele travou.
Por um segundo.
Perya recuou imediatamente.
— …?
Uma energia escura começou a surgir ao redor dele.
Instável.
Violenta.
— O que… é isso…? — murmurou Perya.
Shikki levou a mão à cabeça.
Seu corpo começou a tremer.
— Eu… não…
A energia pulsava como se estivesse sendo arrancada à força.
— Eu não queria… fazer isso…
A voz dele falhava.
— Eu via tudo… — disse ele, com dor — mas não conseguia parar!
A arena ficou em silêncio.
— Essas vozes… esses comandos…
A energia aumentou.
Explodindo ao redor dele.
Perya cerrou o punho.
— Você tá sendo controlado!
Shikki caiu de joelhos.
— Eu… fiz coisas… imperdoáveis…
A energia negra se intensificou—
E então—
Se partiu.
Como correntes invisíveis sendo quebradas.
O campo gravitacional desapareceu.
O peso sumiu.
Shikki permaneceu ajoelhado.
Respirando com dificuldade.
O silêncio foi quebrado por um som.
Choro.
Perya olhou ao redor.
Os elfos.
Alguns choravam.
Outros apenas observavam.
Um deles deu um passo à frente.
— Rei… — sua voz tremia.
Shikki levantou o olhar lentamente.
— Nós… não esquecemos o que aconteceu…
Silêncio pesado.
Outro elfo continuou:
— Perdemos amigos…
— Famílias…
Uma pausa.
— Mas… — ele respirou fundo — também sabemos que o senhor não era mais o mesmo.
Mais vozes surgiram.
— A gente sentia…
— Não era você…
— Algo estava errado…
O primeiro elfo abaixou a cabeça.
— Mesmo assim… doeu.
Shikki fechou os olhos.
A dor era visível.
Real.
Profunda.
— Eu sei…
Sua voz saiu baixa.
— E é por isso que eu não posso simplesmente seguir como se nada tivesse acontecido.
Ele se levantou lentamente.
Olhou para todos.
Para a cidade.
Para tudo.
Ergueu a mão.
As estruturas começaram a se abrir.
Correntes se soltaram.
Máquinas pararam.
Os elfos foram libertos.
Um por um.
Respirações aliviadas ecoaram.
Alguns caíram de joelhos.
Outros choraram.
Outros apenas… respiraram.
Pela primeira vez em muito tempo.
Shikki abaixou a mão.
— Isso… não apaga o que eu fiz…
Ele virou para Perya.
E se curvou levemente.
— Mas é o começo.
Seus olhos encontraram os dela.
— Obrigado.
Perya cruzou os braços.
— Então faz valer a pena.
Ele assentiu.
— Eu vou.
Mais tarde…
O grupo se afastava da arena.
O clima estava mais leve… mas ainda carregado de significado.
Perya caminhava à frente… até que seu corpo vacilou.
Antes que caísse—
Asami a segurou.
Firme.
Próxima.
— Você exagerou…
— Eu venci… — respondeu Perya, com um sorriso fraco.
Asami não soltou.
— Eu fiquei com medo…
Silêncio.
Perya olhou para ela.
— Mas eu tô aqui…
Asami hesitou.
Seus rostos próximos.
Demais.
— Não faz isso de novo…
Perya abriu a boca para responder—
Mas passos se aproximaram.
Haku.
— Vamos.
O momento se quebrou.
Asami se afastou.
— S-sim…
Perya desviou o olhar.
— É…
Serena observava tudo em silêncio.
Um leve sorriso surgiu.
Enquanto deixavam Gravitol para trás…
As consequências ainda ecoavam.
Mas algo havia mudado.
E não havia mais volta.
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