Draconia: O Legado do Guerreiro Estelar
14 A Chama que Consome a Alma
Alguns dias haviam se passado desde que deixaram Gravitol.
O caminho seguia tranquilo… mas o grupo não estava.
O silêncio entre eles não era desconfortável — era pesado.
Carregado.
As imagens ainda estavam frescas.
Os elfos.
As correntes.
Os olhares.
E, principalmente…
As palavras deles.
— “Perdemos amigos…”
Perya caminhava à frente, em silêncio.
Seus olhos estavam fixos no horizonte… mas sua mente estava longe.
Por um instante, ela apertou o próprio punho.
— Eu podia ter chegado antes…
— Não podia — disse Serena, aproximando-se com calma. — Você fez o que precisava ser feito.
Perya não respondeu.
Mas assentiu.
Ainda assim…
O peso não saía.
— Em dois dias chegamos a Skyea — disse Haku.
Asami olhou para Perya.
— Então… a gente devia continuar treinando.
Perya respirou fundo.
— Eu preciso disso.
Naquela noite, o grupo montou acampamento.
A fogueira iluminava o ambiente com uma luz suave… contrastando com o clima carregado.
Perya se levantou.
— Asami.
Ela olhou.
— Vamos treinar.
Asami hesitou por um instante.
Mas concordou.
As duas se afastaram do acampamento.
Ficaram frente a frente.
O ar entre elas já parecia tenso.
Sem qualquer preparação—
Avançaram.
A colisão foi imediata.
Sombras contra chamas.
Impactos secos ecoaram pelo campo aberto.
A terra cedia sob os pés.
As árvores ao redor tremiam com a pressão.
Perya atacava com intensidade.
Mas havia algo por trás.
Frustração.
Peso.
Culpa.
Asami percebeu.
— Você tá forçando demais.
— Eu preciso!
Perya avançou com mais força.
As chamas aumentaram.
Mais agressivas.
Menos controladas.
Asami desviou por pouco.
— Perya—
— Eu não posso falhar de novo!
O golpe seguinte veio mais forte.
Mais rápido.
Asami bloqueou—
Mas foi empurrada para trás.
Silêncio por um instante.
Respirações pesadas.
As duas ficaram próximas.
Olhos conectados.
— Você não falhou… — disse Asami, mais suave.
Perya hesitou.
Por um segundo.
Mas então—
As chamas voltaram a crescer.
Só que dessa vez…
Instáveis.
Oscilando.
Ela levou a mão ao peito.
— Isso…?
O calor aumentava.
De dentro pra fora.
Como se estivesse queimando por dentro.
— Perya?
— Tô… bem…
Ela tentou avançar—
Mas o fogo simplesmente se apagou.
Seu corpo falhou.
E ela caiu.
— PERYA!
Ao amanhecer—
Um grito cortou o silêncio.
— PERYA!!
Asami estava ajoelhada ao lado dela.
Desesperada.
O corpo de Perya estava coberto por marcas de queimadura.
Que se espalhavam lentamente.
E na palma de sua mão…
Um símbolo ardente pulsava.
Serena rapidamente tentou resfriá-la com água.
Haku se aproximou, analisando.
Seu semblante ficou sério.
— Isso não é cansaço…
Ele respirou fundo.
— É a Febre de Pyrrhos.
Silêncio.
— Isso acontece com usuários de fogo extremamente poderosos — continuou ele. — Mas não é uma doença comum.
Asami apertou a mão de Perya.
— Então faz alguma coisa!
Haku negou.
— Não dá.
Ele olhou para ela.
— Isso é interno.
— Como assim?!
— A mente dela está sendo testada.
O silêncio ficou mais pesado.
— E se ela perder…?
Haku desviou o olhar.
— Ela se consome.
Escuridão.
Silêncio absoluto.
Perya abriu os olhos.
Sentiu.
Virou—
E bloqueou um golpe.
O impacto a empurrou para trás.
Ela criou uma chama.
E viu.
Ela mesma.
Mas diferente.
Mais fria.
Mais cruel.
— Então você chegou…
Perya assumiu posição.
— Vamos acabar com isso.
E avançou.
A luta começou.
Equilibrada.
Perfeita.
Cada golpe era espelhado.
Cada movimento previsto.
Era como lutar contra si mesma.
— Você sempre chega tarde…
— Sempre falha…
— Sempre perde…
Os golpes começaram a atravessar sua defesa.
Ela recuou.
Ofegante.
— Cala a boca…
— Eu sou você.
Silêncio.
Ela decidiu.
Tudo ou nada.
— RUGIDO DO DEUS DRAGÃO DE FOGO!
Mas—
A outra fez o mesmo.
E venceu.
A explosão lançou Perya ao chão.
Do lado de fora—
As marcas aumentavam.
Asami tremia.
— Não…
Ela segurou a mão de Perya.
— Você não pode perder…
Lágrimas caíram.
— Eu não posso te perder…
Silêncio.
— Então… luta…
No vazio—
Perya ouviu.
Fraco.
Mas real.
Seus olhos se abriram.
Ela se levantou.
— Eu não vou perder…
As chamas voltaram.
Mais intensas.
Mais puras.
Ela avançou novamente.
Agora diferente.
Mais determinada.
Mais firme.
Até que—
— RUGIDO DO DEUS DRAGÃO DE FOGO!
Explosão.
A outra versão se desfez.
Silêncio.
Mas…
A presença ainda estava ali.
O ambiente mudou.
O fogo ao redor se curvou.
Uma presença colossal surgiu.
Antiga.
Dominante.
— Impressionante…
Perya congelou.
— Quem… é você?
A presença respondeu.
— Eu sou aquele que testou sua chama.
O ar ficou pesado.
— Eu sou…
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