Alguns dias haviam se passado desde que deixaram Gravitol.

O caminho seguia tranquilo… mas o grupo não estava.

O silêncio entre eles não era desconfortável — era pesado.

Carregado.

As imagens ainda estavam frescas.

Os elfos.

As correntes.

Os olhares.

E, principalmente…

As palavras deles.

— “Perdemos amigos…”

Perya caminhava à frente, em silêncio.

Seus olhos estavam fixos no horizonte… mas sua mente estava longe.

Por um instante, ela apertou o próprio punho.

— Eu podia ter chegado antes…

— Não podia — disse Serena, aproximando-se com calma. — Você fez o que precisava ser feito.

Perya não respondeu.

Mas assentiu.

Ainda assim…

O peso não saía.

— Em dois dias chegamos a Skyea — disse Haku.

Asami olhou para Perya.

— Então… a gente devia continuar treinando.

Perya respirou fundo.

— Eu preciso disso.

Naquela noite, o grupo montou acampamento.

A fogueira iluminava o ambiente com uma luz suave… contrastando com o clima carregado.

Perya se levantou.

— Asami.

Ela olhou.

— Vamos treinar.

Asami hesitou por um instante.

Mas concordou.

As duas se afastaram do acampamento.

Ficaram frente a frente.

O ar entre elas já parecia tenso.

Sem qualquer preparação—

Avançaram.

A colisão foi imediata.

Sombras contra chamas.

Impactos secos ecoaram pelo campo aberto.

A terra cedia sob os pés.

As árvores ao redor tremiam com a pressão.

Perya atacava com intensidade.

Mas havia algo por trás.

Frustração.

Peso.

Culpa.

Asami percebeu.

— Você tá forçando demais.

— Eu preciso!

Perya avançou com mais força.

As chamas aumentaram.

Mais agressivas.

Menos controladas.

Asami desviou por pouco.

— Perya—

— Eu não posso falhar de novo!

O golpe seguinte veio mais forte.

Mais rápido.

Asami bloqueou—

Mas foi empurrada para trás.

Silêncio por um instante.

Respirações pesadas.

As duas ficaram próximas.

Olhos conectados.

— Você não falhou… — disse Asami, mais suave.

Perya hesitou.

Por um segundo.

Mas então—

As chamas voltaram a crescer.

Só que dessa vez…

Instáveis.

Oscilando.

Ela levou a mão ao peito.

— Isso…?

O calor aumentava.

De dentro pra fora.

Como se estivesse queimando por dentro.

— Perya?

— Tô… bem…

Ela tentou avançar—

Mas o fogo simplesmente se apagou.

Seu corpo falhou.

E ela caiu.

— PERYA!

Ao amanhecer—

Um grito cortou o silêncio.

— PERYA!!

Asami estava ajoelhada ao lado dela.

Desesperada.

O corpo de Perya estava coberto por marcas de queimadura.

Que se espalhavam lentamente.

E na palma de sua mão…

Um símbolo ardente pulsava.

Serena rapidamente tentou resfriá-la com água.

Haku se aproximou, analisando.

Seu semblante ficou sério.

— Isso não é cansaço…

Ele respirou fundo.

— É a Febre de Pyrrhos.

Silêncio.

— Isso acontece com usuários de fogo extremamente poderosos — continuou ele. — Mas não é uma doença comum.

Asami apertou a mão de Perya.

— Então faz alguma coisa!

Haku negou.

— Não dá.

Ele olhou para ela.

— Isso é interno.

— Como assim?!

— A mente dela está sendo testada.

O silêncio ficou mais pesado.

— E se ela perder…?

Haku desviou o olhar.

— Ela se consome.

Escuridão.

Silêncio absoluto.

Perya abriu os olhos.

Sentiu.

Virou—

E bloqueou um golpe.

O impacto a empurrou para trás.

Ela criou uma chama.

E viu.

Ela mesma.

Mas diferente.

Mais fria.

Mais cruel.

— Então você chegou…

Perya assumiu posição.

— Vamos acabar com isso.

E avançou.

A luta começou.

Equilibrada.

Perfeita.

Cada golpe era espelhado.

Cada movimento previsto.

Era como lutar contra si mesma.

— Você sempre chega tarde…

— Sempre falha…

— Sempre perde…

Os golpes começaram a atravessar sua defesa.

Ela recuou.

Ofegante.

— Cala a boca…

— Eu sou você.

Silêncio.

Ela decidiu.

Tudo ou nada.

— RUGIDO DO DEUS DRAGÃO DE FOGO!

Mas—

A outra fez o mesmo.

E venceu.

A explosão lançou Perya ao chão.

Do lado de fora—

As marcas aumentavam.

Asami tremia.

— Não…

Ela segurou a mão de Perya.

— Você não pode perder…

Lágrimas caíram.

— Eu não posso te perder…

Silêncio.

— Então… luta…

No vazio—

Perya ouviu.

Fraco.

Mas real.

Seus olhos se abriram.

Ela se levantou.

— Eu não vou perder…

As chamas voltaram.

Mais intensas.

Mais puras.

Ela avançou novamente.

Agora diferente.

Mais determinada.

Mais firme.

Até que—

— RUGIDO DO DEUS DRAGÃO DE FOGO!

Explosão.

A outra versão se desfez.

Silêncio.

Mas…

A presença ainda estava ali.

O ambiente mudou.

O fogo ao redor se curvou.

Uma presença colossal surgiu.

Antiga.

Dominante.

— Impressionante…

Perya congelou.

— Quem… é você?

A presença respondeu.

— Eu sou aquele que testou sua chama.

O ar ficou pesado.

— Eu sou…

Notas finais
Mais um capítulo galera, obrigado pelas quase 300 views, tamo junto