Draconia: O Legado do Guerreiro Estelar
21 O Início da Segunda Estrela Sombria
O silêncio que tomou conta do salão principal do palácio de Skyea durou apenas alguns segundos.
De um lado, Perya permanecia imóvel, observando cada movimento da elfa sombria.
Ao seu lado, Tera já estava com a eletricidade percorrendo as pernas.
À frente dos dois, Kuronemi mantinha um sorriso tranquilo, como se aquela situação não passasse de uma simples diversão.
— Então... vocês realmente pretendem lutar contra mim? — perguntou ela.
Tera não respondeu.
Num único impulso, desapareceu do campo de visão de todos.
Um estrondo ecoou pelo salão.
Em um piscar de olhos, ele surgiu atrás de Kuronemi, tentando acertar um golpe em sua nuca.
Mas a elfa apenas inclinou levemente a cabeça.
O punho passou pelo vazio.
Antes mesmo que Tera pudesse entender o que havia acontecido, Kuronemi girou o corpo e atingiu seu abdômen com a palma da mão.
O impacto o lançou vários metros para trás.
— Rápido... — comentou ela. — Mas completamente previsível.
Tera cerrou os dentes.
A vergonha falou mais alto que a razão.
Outra vez desapareceu.
Desta vez surgiu pela direita.
Depois pela esquerda.
Logo atrás.
Acima.
Tentava confundir sua adversária usando toda a velocidade que possuía.
Kuronemi sequer mudava sua expressão.
Bloqueava todos os golpes apenas com pequenos movimentos do corpo.
Perya observava em silêncio.
Quanto mais assistia, mais percebia um detalhe.
Ela não estava acompanhando Tera com velocidade.
Ela simplesmente previa seus ataques.
"Ela está lendo os movimentos dele..."
Tera voltou a investir.
Foi quando Perya decidiu agir.
Num impulso das Botas Infernais, surgiu ao lado do príncipe.
Com um golpe preciso na lateral do pescoço, fez com que ele perdesse a consciência antes que alcançasse Kuronemi.
O corpo dele caiu em seus braços.
A elfa sombria arqueou uma sobrancelha.
— Você acabou de atacar seu próprio aliado?
Perya apoiou Tera cuidadosamente atrás de uma coluna.
— Não.
Ela voltou a encará-la.
— Eu acabei de salvar a vida dele.
O sorriso de Kuronemi aumentou.
— Então você percebeu.
— Ele é rápido.
— Mas nunca enfrentou alguém que realmente sabe lutar.
Perya respirou fundo.
As luvas flamejantes começaram a envolver seus braços.
— Agora somos só nós duas.
Pela primeira vez desde que havia chegado, Kuronemi assumiu uma postura de combate.
— Muito melhor.
As duas desapareceram ao mesmo tempo.
O choque dos punhos fez todo o salão estremecer.
A onda de impacto percorreu o piso de mármore.
Perya continuou pressionando.
Direita.
Esquerda.
Cotovelada.
Chute.
Kuronemi bloqueava cada golpe com precisão assustadora.
Quando encontrou uma abertura, um soco atingiu o peito de Perya.
Ela deslizou vários metros pelo chão.
Mas voltou imediatamente.
Um sorriso apareceu em seu rosto.
— Finalmente...
Ela limpou o sangue do canto da boca.
— Alguém que consegue me obrigar a lutar sério.
Kuronemi respondeu da mesma forma.
— Agora começou a ficar interessante.
As duas avançaram novamente.
Os golpes passaram a destruir pilares, paredes e parte do teto do palácio.
Fragmentos de pedra caíam ao redor.
Os guardas já começavam a retirar os moradores dali.
Perya percebeu que, se continuassem lutando naquele lugar, o castelo inteiro poderia desabar.
Ela esperou a próxima investida.
No instante em que Kuronemi avançou, Perya concentrou fogo nas pernas.
As Botas Infernais explodiram em potência.
Um chute certeiro atingiu o abdômen da elfa sombria.
O impacto lançou Kuronemi através de uma das enormes janelas do palácio.
Ela atravessou o vidro e caiu rolando sobre a ampla arena de treinamento do Reino Celeste.
Perya disparou logo atrás.
Em poucos segundos, as duas já estavam frente a frente novamente.
Ao redor, havia apenas o enorme campo de pedra usado pelos guerreiros de Skyea.
Nenhum civil.
Nenhum risco para a cidade.
Kuronemi olhou ao redor.
— Entendo...
Ela sorriu.
— Você escolheu um campo onde pode lutar sem se preocupar em proteger ninguém.
Perya ergueu os punhos.
As chamas aumentaram.
— Agora não preciso mais medir meus golpes.
Os olhos de Kuronemi brilharam em roxo.
A energia sombria começou a envolver todo o seu corpo.
— Excelente...
— Era exatamente isso que eu queria ouvir.
As duas desapareceram novamente.
O estrondo do novo choque ecoou por toda Skyea.
E, pela primeira vez desde o início do combate, Kuronemi sorriu de verdade.
— Mostre-me por que foi escolhida pelos Deuses.
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