Draconia: O Legado do Guerreiro Estelar
10 A Floresta da Confiança
Depois de deixarem o reino de Terrea para trás, Perya e seus companheiros retomaram a jornada rumo ao próximo destino: Skyus, o reino dos elfos celestes.
Antes da partida, Serena fez uma breve parada no mercado da cidade. Quando retornou, trazia algumas roupas novas em seus braços.
Desde que haviam encontrado Asami, a jovem elfa sombria ainda vestia apenas um velho manto escuro que cobria quase todo o corpo. O tecido estava gasto e sujo, claramente marcado pelos anos que ela passara vivendo sozinha.
Serena não achou aquilo adequado.
Entre as roupas que trouxe havia uma calça preta resistente, acompanhada de botas escuras com detalhes levemente dourados. Para a parte superior, Serena escolheu vestimentas leves em tons de roxo profundo, que permitiam liberdade de movimento. Nos braços, braçadeiras amarelas completavam o conjunto.
Quando Asami vestiu as roupas novas, permaneceu alguns segundos olhando para si mesma em silêncio.
— Eu… nunca tive roupas assim antes.
Serena apenas sorriu.
— Agora tem.
Perya também achou que combinava perfeitamente com ela, embora não soubesse explicar exatamente por que aquilo lhe trazia uma sensação estranhamente boa.
Alguns dias depois, durante a viagem, o grupo parou em uma clareira cercada por árvores antigas para descansar.
Perya foi a primeira a se levantar.
— Vamos treinar!
Haku cruzou os braços com um leve sorriso.
— Eu estava esperando por isso.
Asami levantou a mão.
— Eu também quero lutar.
Todos olharam para ela.
— Eu não quero mais ser alguém que precisa ser salva.
Haku a observou por alguns segundos antes de responder.
— Muito bem.
Serena preferiu apenas assistir.
— Eu fico observando.
Ela se sentou sobre uma pedra próxima.
Perya abriu um sorriso animado.
— Então vamos fazer todos contra todos.
Os três assumiram posição na clareira.
O combate começou imediatamente.
Haku avançou primeiro.
— Punho da Terra Viva!
Seu braço se envolveu em pedra enquanto lançava um golpe poderoso contra Perya.
Ela bloqueou com o antebraço envolto em chamas.
— Punho Vulcânico!
A colisão entre fogo e terra gerou uma pequena explosão que empurrou os dois para trás.
Naquele instante, Asami desapareceu.
— Passo da Sombra.
Ela surgiu atrás de Perya com uma lâmina de trevas formada na mão.
— Lâmina Umbral!
Mas antes que o golpe atingisse o alvo, o chão se ergueu violentamente.
— Muralha de Basalto!
A parede de pedra bloqueou o ataque.
Asami recuou irritada.
— Haku!
Ele nem sequer olhou para ela.
Seus olhos estavam fixos em Perya.
— Se alguém vai derrotá-la… serei eu.
Asami estreitou os olhos.
— Isso é um treino todos contra todos!
— Exatamente.
Ele respondeu friamente.
— Eu não preciso da ajuda de uma elfa sombria.
Asami desapareceu novamente nas sombras.
Dessa vez surgiu atrás dele.
— Correntes do Abismo!
Sombras serpentearam pelo chão e prenderam suas pernas.
Haku reagiu imediatamente.
— Ruptura de Pedra!
O chão se partiu e as correntes se desfizeram.
Ele girou o corpo e lançou um golpe contra ela.
— Punho da Terra Viva!
Asami desviou por pouco.
Nesse momento Perya atacou os dois.
— Rajada da Chama Carmesim!
Uma onda de fogo atravessou a clareira.
Haku ergueu uma barreira de pedra.
Asami mergulhou nas sombras para escapar.
Quando a fumaça se dissipou, os três estavam novamente frente a frente.
Agora lutando todos ao mesmo tempo.
Haku avançava contra Perya.
Asami buscava brechas nas sombras.
Mas sempre que ela tentava atingir Perya, Haku interferia.
Erguendo paredes de pedra.
Ou atacando ela diretamente.
— Pare de me atrapalhar! — gritou Asami.
— Prove que consegue lutar sozinha — respondeu Haku.
A luta se transformou em puro caos.
Terra surgia em pilares.
Sombras serpenteavam pelo chão.
Chamas explodiam no ar.
Mas a falta de coordenação era evidente.
E Perya percebeu.
Ela saltou no ar enquanto as chamas se concentravam ao redor de seu corpo.
— Impacto Solar!
Uma explosão de fogo se expandiu pela clareira.
Haku foi arremessado contra o chão.
Asami deslizou pela terra antes de cair de joelhos.
Perya pousou calmamente.
— Vocês dois são fortes.
Ela cruzou os braços.
— Mas vocês precisam encontrar um jeito de se ajudarem mais
Pouco tempo depois, o grupo retomou a caminhada. A tarde já começava a cair quando encontraram uma floresta extremamente densa. Enquanto atravessavam as árvores antigas, uma neblina começou a surgir, primeiro leve, depois cada vez mais espessa.
Então, tão rapidamente quanto apareceu, a neblina desapareceu.
Perya olhou ao redor.
— Haku?
Silêncio.
— Asami?
Nenhuma resposta.
Os dois haviam desaparecido.
Em outra parte da floresta, Haku abriu os olhos lentamente. Alguns passos adiante, Asami também parecia confusa.
— O que aconteceu? — perguntou ela.
Haku olhou ao redor.
— Acho que nos separamos dos outros.
Eles começaram a caminhar. Tentaram seguir em linha reta, depois voltar, mas sempre acabavam voltando ao mesmo lugar ou se encontrando novamente.
Depois de muito tempo andando e discutindo, estavam exaustos.
Haku se apoiou em uma árvore.
— Isso não vai funcionar.
Asami suspirou.
— Concordo.
O silêncio tomou conta da floresta.
Então Haku perguntou:
— Por que você confia tanto na Perya?
Asami respondeu após alguns segundos.
— Porque ela foi a primeira pessoa que confiou em mim.
Ela explicou como Perya havia simplesmente estendido a mão e permitido que ela seguisse junto com o grupo.
— Ela me tratou como alguém que podia caminhar ao lado dela.
Haku pensou por um momento.
— Isso realmente parece algo que ela faria.
Asami completou:
— É por isso que eu quero ficar mais forte.
— Para lutar ao lado dela? — perguntou Haku.
Ela assentiu.
Depois de alguns segundos ele respondeu:
— Eu também, sinto que essa jornada me deixará forte o suficiente para recuperar a Semente da Vida e proteger o meu povo.
Ele estendeu a mão.
— Então vamos sair dessa floresta.
Asami apertou sua mão.
E então começaram a trabalhar juntos.
Haku manipulava o terreno.
Asami explorava as sombras.
Pouco a pouco, a floresta começou a mudar.
As árvores se afastaram.
A neblina desapareceu.
E finalmente a saída apareceu diante deles.
Quando atravessaram a última fileira de árvores, Perya e Serena estavam esperando.
— Haku! Asami! — gritou Perya.
Asami abaixou a cabeça.
— Me desculpem… eu não queria ter desaparecido por tanto tempo.
— Nem foi tanto tempo assim — disse Perya.
— Quanto tempo faz? — perguntou Asami.
Serena respondeu:
— Talvez umas duas horas.
O silêncio caiu entre eles.
Quando olharam para trás, a floresta havia desaparecido.
Como se nunca tivesse existido.
As memórias daquele lugar começaram lentamente a se dissipar.
Mas a confiança entre Haku e Asami permaneceu.
Depois de descansarem um pouco, Asami olhou para Haku.
— Vamos lutar de novo.
— Juntos — completou ele.
Perya abriu um sorriso.
— Dois contra um?
— Exatamente.
A luta começou.
Asami desapareceu nas sombras.
— Passo da Sombra!
Haku avançou.
— Punho da Terra Viva!
Perya respondeu com chamas.
— Punho Vulcânico!
Os golpes colidiram.
Pedra e fogo explodiram no ar.
Haku bateu o pé no chão.
— Erupção de Basalto!
Pilares de pedra surgiram ao redor de Perya.
Ela saltou e liberou fogo.
— Rajada da Chama Carmesim!
Asami apareceu atrás dela.
— Lâmina Umbral!
Perya bloqueou.
Mas o chão se abriu.
— Prisão de Pedra!
As sombras prenderam suas pernas.
— Correntes do Abismo!
Haku avançou.
— Agora!
Asami surgiu acima dela.
— Queda Umbral!
A explosão empurrou todos para trás.
Quando a poeira baixou, Perya ainda estava de pé.
Ela sorriu.
— Agora sim… vocês estão lutando juntos.
Ela avançou envolta em fogo.
— Investida Solar!
Haku ergueu uma muralha.
— Muralha de Basalto!
A explosão partiu a barreira.
Mas sombras cobriram o chão.
— Domínio Umbral!
A área escureceu.
Haku ergueu as mãos.
— Colunas da Terra Ancestral!
Pilares gigantes se ergueram.
As sombras prenderam Perya novamente.
— Correntes do Abismo!
Haku golpeou o chão.
— Punho da Terra Viva!
O impacto a desequilibrou.
No mesmo instante, Asami apareceu atrás dela.
— Lâmina Umbral!
A lâmina parou a poucos centímetros de seu pescoço.
Silêncio.
Então Perya começou a rir.
— Certo… vocês venceram.
Ela olhou para os dois.
— O que aconteceu com vocês naquela floresta?
Haku e Asami trocaram um olhar.
— Nada demais.
Mas Perya sabia.
Algo havia mudado.
E ela estava feliz por isso.
Depois de descansarem, o grupo retomou a jornada.
No horizonte distante, o próximo destino os aguardava.
O reino dos céus.
Skyus.
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