Draco Malfoy Tem Medo Do Escuro
3 Passando um Tempo Juntos
Hermione tinha um plano para aproximar Draco Malfoy de Harry. Um plano que incluía não dizer nada a Rony, deixa-lo saber apenas em cima da hora. Um plano que provavelmente daria muito, muito errado. Mas Harry estava disposto a tentar, mesmo duvidando que Hermione desse um jeito em Ronald, como ela mesma falou. Se a situação entre os dois ficasse muito séria, ele iria intervir.
O plano era muito simples, Harry pensou, começariam devagar. Rony e Hermione estavam ao seu lado, Hermione tão apreensiva quanto ele e Rony sem notar nada de estranho. Eles avistaram Malfoy no corredor, Hermione respirou fundo e deu seu melhor sorriso.
—Lá vem a Doninha – disse Rony com uma careta – Espero que ele passe reto por nós.
E Draco de fato teria feito isso. Ele não tinha intenção nem de olhar para Harry, o melhor era esquecer tudo o que havia acontecido entre eles. Ainda podia sentir o toque dele, carinhoso e quente. Draco sentiu o rosto esquentar, por que, diabos, não podia esquecer o moreno?
—Draco? – Harry o segurou pelo pulso, apenas o bastante para retê-lo – Você está bem?
Draco sentiu o coração acelerando, só agora percebia o quanto queria que Harry se mantivesse em sua vida. Ele não conseguiria esquecer a maneira como Harry cuidara dele, nunca. Ele olhou para o Weasley, ele parecia confuso, não que isso fosse novidade, e a única coisa que o impedia de pular em cima de Draco era Hermione, isso também não era novidade.
—Eu... estou... Potter – as palavras saíram menos seguras do que ele gostaria.
—Que bom – Harry sorriu, aquele sorriso doce, que chegava até os olhos – Você tem DCAT agora, não é?
—Sim – Draco sorriu, pensando aonde Harry queria chegar – Temos aula conjunta agora.
—Nós estamos indo pra lá – Harry falou corado – Pode vir com a gente.
Draco olhou para Rony, seja lá o que Hermione falou pra ele, funcionou – Tudo bem – Draco ergueu uma sobrancelha – Se você insiste.
Harry insistia, assim como insistiu para Draco sentar com ele na aula de DCAT e para que fosse sua dupla no trabalho de Snape. O professor achou ver os dois sentados juntos bem estranho, ver o carinho que Harry dispensava a Draco também foi estranho, mas ele estava aliviado, Draco precisava de apoio agora. Snape não sabia sobre os maus tratos que sonserino sofria, mas sabia que Draco andava nervoso, assustado e triste, pensava que era por causa da missão.
—Eu não devia ter concordado com isso – Draco disse com um olhar reprovador para Harry. Eles estavam na sala precisa para fazer o trabalho de Snape, mas Draco estava fazendo praticamente sozinho – Por que na sala precisa e não na biblioteca?
—Porque aqui é mais confortável – e não quero deixar você dormir sozinho de novo, completou em pensamento. Ele enterrou o rosto no cabelo de Malfoy, incapaz de resistir – Você tem um cheiro tão bom – disse sonhador.
—Obrigado – Draco disse zangado – Mas eu agradeceria mais se ao invés de ficar me cheirando você viesse me ajudar. É um trabalho em dupla. Os dois tem que fazer.
—Mas eu ajudei – Harry disse abrindo um sorriso.
—Harry, você ajudou nas duas primeiras linhas!
—Você me chamou de Harry – ele olhou bobo para Draco – Eu já disse que gosto do jeito como você diz meu nome?
Não, Draco pensou corado, ele não havia dito e não deveria dizer. O jeito íntimo com que Harry o tratava fazia seu corpo formigar. Harry era carinhoso e havia cuidado dele, sentia-se grato por tudo, mas não era apenas isso, ele queria mais e mais, mais daquela proteção, mais daquele carinho.
—Harry... – Draco se encolheu, Harry percebeu a mudança de postura – Por que você faz isso? – ele passou as mãos sobre os olhos tentando aliviar o estresse.
—Por que eu faço o quê? – Harry o rodeou com os braços e aproximou o rosto do dele, fascinado com a complexidade de Draco, como ele era sarcástico e frio de longe, e doce e envolvente quando se olhava mais atentamente. – Por que quero proteger você? Por que não posso deixar essas coisas acontecerem com você? Eu não sei. – o rosto de Harry estava ruborizado pela proximidade, o de Draco também. Ele não achava que sentia apenas pena de Malfoy, não podia ser só pena – Eu não sei, Draco.
—De qualquer forma, obrigado – ele deixou a cabeça pender no pescoço de Harry – Eu acho que preciso de você, preciso da sua ajuda. – Draco estava envergonhado por admitir, mas Harry o fazia se sentir seguro e ele precisava disso no momento.
—Quero que durma aqui comigo hoje – Harry sorriu aninhando-se a Draco, uma cama enorme se materializou atrás deles. – Não quero que fique na sonserina. Vem – ele puxou Draco para cima controlando a vontade de beijá-lo – amanhã nós terminamos o trabalho.
Draco deixou Harry guia-lo até a cama, ele não queria pensar em como sua relação era estranha, só queria sentir os braços de Harry lhe dando apoio. Ele deitou a uma proximidade perigosa de Harry, o grifinório passou o braço por sua cintura como sabia que faria. Mas Draco não sabia que enquanto ele fechava os olhos, Harry o observava. Draco era lindo, as feições delicadas, o nariz empinado, a boca tentadora. Muito tentadora, Harry observou aproximando a sua da dele devagar.
O loirinho abriu os olhos quando sentiu a respiração de Harry contra seu rosto. Harry pode ler o medo, o pavor, escrito naqueles grandes olhos cinza, por isso ele roçou os lábios nos de Draco devagar, ele não pode resistir à tentação de tê-lo tão perto, mas não exigiu nada dele. Depois beijou-lhe a testa e aninhou-o em seu peito. O corpo de Draco tremia.
—Me desculpe – ele pediu ao sonserino – Eu me descontrolei, não queria te assustar.
—Tudo bem, Harry – Draco não estava com medo de Harry, sabia que ele não o machucaria, ele estava assustado com o que sentira – Eu não tenho medo de você. – para provar ele se apertou mais contra Harry, sabia que o que estava fazendo era errado, ele estava jogando toda a sua dor em cima de alguém que fora um inimigo. Se Harry o traísse ele desmoronaria e não conseguiria mais se reerguer.
Ele era um garoto mimado, Harry concluiu, mas era muito doce. Draco estava sofrendo e Harry não se via no direito de causar mais confusão em sua vida. Mas ele era tão... Harry inspirou, o perfume de Draco penetrou seus pulmões como uma droga, viciando seu sistema.
—Draco... – Harry chamou observando-o virar o rosto em sua direção – Posso te beijar? Eu preciso... – a voz de Harry saiu em um sussurro. Ele sentiu o corpo de Draco retesar, assustado.
Os olhos do sonserino se arregalaram. Ele olhou pra Harry, tão doce, tão carinhoso. Tremendo ele aproximou os lábios dos de Harry, dando permissão. Harry o acariciou antes de selar seus lábios, então persuadiu e explorou até Draco gemer e aproximar o corpo, pedindo por mais contato, Harry pressionou seu corpo no de Malfoy até estar sobre ele, Draco ofegou, não de prazer, de susto. O corpo de Harry congelou na hora, ele só queria que Draco se sentisse bem.
—Droga! – o moreno saiu de cima, e fez carinho no rosto de Draco – Desculpe. Eu sinto muito – ele distribuiu beijinhos ternos pelo rosto do rapaz – Não queria ter te assustado. É melhor nós irmos dormir.
Draco apenas assentiu, aconchegando-se a Harry para ganhar um cafuné. Ele não dormiu por um longo tempo, podia ouvir a respiração descontinua de Harry e seu coração batendo depressa, o coração de Draco também estava acelerado pelo beijo. Ele sabia que Harry não faria nada para machucá-lo, ele sentia a vontade de protegê-lo que Harry tinha. Perguntou-se o que teria acontecido se não tivesse se assustado, se perguntou se Harry teria ido até o fim.
Quando finalmente adormeceu, seus sonhos não foram tranquilos. Foram povoados de beijos e caricias. No sonho, Harry foi até o final, eles deram prazer um ao outro e não houve dor, Draco não sabia se era possível não sentir aquela dor, mas ele tinha certeza de que Harry só lhe daria prazer. Ele ouviu sua própria voz gemendo, seu próprio corpo arqueando-se, ele desejava fazer aquele tipo de coisa com Harry.
Draco acordou suado. Harry já acordara e tinha um braço envolta de sua cintura. Draco corou ao perceber aquilo, estava com uma ereção bem evidente e era obvio que Harry tinha visto. Ele se desvencilhou depressa e a cobriu com o travesseiro, sem coragem de olhar para o grifinório. Fazia muito tempo desde a última. Ele já havia se tocando antes, mas depois de Voldemort até agora a única coisa que sexo lhe lembrava era dor.
—Draco... – Harry chamou, sua voz estava baixa e rouca – Estava sonhando comigo? – Draco ficou ainda mais vermelho e apertou o travesseiro com força, Harry não precisava dessa reação para ter certeza, ele havia escutado Draco chamando por ele. – Deixa eu te tocar – Harry pediu, vendo Draco tremer – Não vou te machucar, nunca, nunca – ele beijou a bochecha de Draco com carinho.
—Eu sei – Draco estava tremendo, mas ele virou os lábios para Harry devagar – Me perdoe.
—Não tenho nada para perdoar – Harry deu um beijo casto na boca de Draco – Não é culpa sua ter medo, é normal sentir medo – Harry suspirou olhando Draco de cima a baixo, tão lindo, tão meigo, principalmente com aquele beicinho – Porque você não vai tomar um banho, hã? – Harry sorriu, ele realmente queria Draco, e era evidente que Draco também o queria, mas Harry não o queria tremendo de medo, e sim de prazer.
Draco se levantou rápido e foi depressa até o banheiro, ele entrou e Harry ouviu o click da fechadura. Assumiu que ele estava aterrorizado com seu gesto, obviamente fora cedo demais pra uma investida tão brusca.
Harry estava errado, Draco estava zangado com sigo mesmo por não ter sido capaz de dar a Harry o que ele queria. Ele entrou de baixo da ducha fria, mas seu corpo já não estava mais quente, ele sentiu as lágrimas se misturarem a água do chuveiro antes dos soluços começarem.
O corpo de Draco tremeu uma vez após outra, até que o choro abrandasse, a água fria limpou seu rosto. Mas quando saiu, Harry soube que ele havia chorado, Draco estava olhando para o chão, mas mesmo assim ele soube.
—Ei... – Harry chamou. Tão doce, com tanto carinho – vem cá.
Draco andou devagar até ele, sentia-se encurralado. Ele estava assustado com o que Harry queria dele, mas precisava de Harry. O moreno o puxou pela mão, ele cedeu, seu corpo estremecendo ao sentar ao lado do grifinório.
—Draco... – a voz do moreno soou amorosa e cálida, ele puxou o queixo de Draco fitando os dois olhos inchados – Pode me perdoar? Eu não queria ter ido tão rapidamente... quer dizer, eu nem sabia como você iria reagir.
—Tudo bem – ele se aconchegou em Harry sentindo-se imediatamente aquecido – eu gostei... só me assustei um pouco – seu rosto estava escondido na curva do pescoço de Harry, mas o moreno sabia que ele estava completamente vermelho. – Se... – Draco se apertou contra ele, ficando ainda mais vermelho – Se forem apenas beijos...
Harry sorriu, o sorriso que Draco tinha aprendido a amar. Aquele que chegava até os olhos e o fazia parecer o homem mais bonito da terra. Mas Draco não viu o sorriso que tanto gostava, Harry colou seus lábios em um beijo dócil, persuasivo e carinhoso. Draco correspondeu, sentindo seu corpo amolecer.
Um pouco mais tarde eles tentaram fazer o trabalho de Snape, mas como Harry não podia e manter sem tocar e beijar Draco ao fim da tarde apenas metade havia sido feita. O fato não irritou Draco, ele estava feliz por poder contar com Harry, por ter alguém que soubesse o seu segredo sem julgar.
—Será que nós temos alguma coisa em comum? – Draco soltou pensativo.
—Além do fato de que vamos nos ferrar com Snape? – Harry riu acompanhado de Draco – Nós dois somos apanhadores e estudamos no mesmo colégio, somos bons em defesa contra arte das trevas.
—Até parece – Draco sentiu a repentina vontade de se aproximar ainda mais de Harry, mas não teve coragem – Eu não sou bom em DCAT, sou bom em tudo e estarmos no mesmo colégio não conta... e também... –Draco corou olhando para as próprias mãos, mãos de dedos longos e finos. Para sua mãe eram mãos de pianista, para o pai, de apanhador. Seu pai que sempre lhe fez todas as vontades, nem se mostrou desapontado quando ele mostrou não ser um talento nato do quadribol – Todos sabem... que paguei para estar no time.
—Que bom para o seu time – Harry falou sem se alterar – Porque você é ótimo.
Draco não achava que fosse verdade, Harry era ótimo, Harry havia nascido para isso. Nada era natural para Draco como era para ele. Olhando para as mãos de Harry ele viu os dedos longos, mãos de apanhador, como diria seu pai, mas as mãos dele não pareciam com as suas, talvez mais largas, talvez não tão delicadas, sua mãe jamais diria que eram mãos de pianista. Ninguém diria, ele pensou, talvez devesse ter escutado sua mãe e virado pianista.
—É sério, Draco – Harry o puxou delicadamente para mais perto, satisfazendo um desejo seu que Draco compartilhava – Você é bom.
—Não como você. – Draco sabia que tom denotara inveja, mas ele sentia inveja, ele queria ser como Harry, alguém importante de quem seus pais pudessem se orgulhar.
—Você é bom o bastante para se tornar um profissional. – Harry disse categórico – Sabe disso, não sabe?
—Você é bom o bastante para se tornar uma lenda – Draco sorriu, Harry era uma lenda, não precisava virar uma – Sabe disso, não sabe? – ele virou o rosto na direção de Harry, querendo beijo.
Harry atendeu ao pedido. Ele deixou que Draco ditasse ritmo dessa vez, queria que ele tivesse o controle um pouco. Draco era tímido e doce, e estava deixando Harry completamente insano, tinha vontade de jogar o sonserino na cama e... enfim, tinha muitas vontades, mas Draco não estava pronto para nenhuma delas.
—Também gosto de te beijar – Harry disse – Isso é um ponto em comum – mas ele sabia que Draco estava procurando por algo que não fosse físico.
—Como você se acha, Potter! – Draco revirou os olhos, mas como Harry pensava, ele havia se chateado por não ter encontrado nada que pudessem partilhar.
—Isso seria mais um ponto em comum? – Harry riu afundando o rosto nos cabelos de Draco, tinha gostado tanto da sensação que não sabia se poderia ficar sem ela – Eu não sou o único a me achar aqui, não é mesmo? – Harry acariciou a face de Draco – Quer fingir que nada existe hoje? – ele perguntou e viu os olhos do sonserino brilharem – Podemos dedicar o dia a descobrir o que temos em comum.
Depois de Draco concordar timidamente eles passaram o dia conversando banalidades, comparando suas vidas. Não havia muito em comum. Harry contou sobre sua vida no armário da casa dos Dursley, como se sentiu solitário naqueles anos, como Hogwarts fora sua luz no fim do túnel, onde encontrara seus primeiros amigos.
—Sinto muito, Harry – Draco queria confortá-lo e por isso segurou a mão do moreno receoso da rejeição, mas Harry envolveu sua mão na dele sem parecer disposto a soltá-la. – Eu e meus pais sempre fomos próximos, embora muita gente pense ao contrário.
—Eu nunca pensei – disse Harry, ele podia ver o carinho que Draco tinha pelos pais, e também o contrário. — Você quase pulou em cima de mim aquele dia na Madame Malkin, antes do começo do ano letivo, lembra?
—Lembro – Draco disse corado, aquela havia sido uma situação bem vexatória – Eu teria conseguido dar uns belos socos em você se não fosse aquela maldita barra comprida.
—Quer tentar agora? – Harry riu, provocando-o. Draco estava fazendo beicinho novamente, ele ficava tão sexy daquele jeito.
—Oh, não – Draco sorriu, ele nunca fazia isso longe de Harry – Não precisa se preocupar. Já lhe perdoei. Mas... – ele disse maliciosamente – Se quiser um castigo eu posso parar de te beijar. – ele tinha medo que a resposta de Harry a sua brincadeira fosse um “não me importo”. Tinha começado a gostar muito dele, a depender dele.
—Não! – Harry disse teatralmente e abraçou Draco beijando-lhe o pescoço e livrando-o de seus medos. – Eu preciso te beijar mais. – o tom necessitado; Harry não viu, mas soube; deixou Draco vermelho. A verdade é que desde que provara não conseguia mais tirar os lábios de Draco, ou as mãos. Precisava senti-lo.
Harry continuou distribuindo beijos pelo pescoço do sonserino, as mãos o exploravam. Harry arfava de desejo sabendo que não podia continuar com aquilo, mas sem forças para interromper. Draco gemia entre desejoso e temeroso.
Harry não parou onde sabia que deveria ter parado, ele tirou a camisa de Draco diante de seu olhar assustado e envergonhado, beijando-lhe o tórax e a abdome, testando limites, sem pensar nas consequências. Draco sentia prazer, Harry podia ver isso, mas quando Harry ameaçou abrir o botão de sua calça o medo superou o prazer e ele se afastou, tremendo, com os lábios inchados e o rosto ruborizado.
— Me perdoe– Harry disse envergonhado – Eu... eu sou um idiota – ele ajeitou os óculos no rosto e entregou a camisa para Draco timidamente – Eu... não consigo me controlar perto de você... eu tenho essa vontade tão grande de...eu te quero tanto... – era verdade, Harry estava fazendo uma força absurda para não pular em cima de Draco no momento. Draco não estava pronto, e Harry colocava isso acima de seu próprio desejo. Mesmo que fosse... um desejo aterrador.
—Eu... Eu não consigo, Harry – Draco balbuciou – E eu não posso dizer se um dia eu... vou conseguir – Draco não olhava para Harry. Ele se sentia frustrado, não por se sentir inadequado, mas porque ele desejava aquilo também, mas tinha medo demais para tentar. Sua vida era regida pelo medo.
—Eu posso esperar eternamente por você – ele disse beijando a testa de Draco com carinho – Não se preocupe com isso, as coisas vão acontecer no tempo certo... eu é que deveria ser mais paciente.
Draco pensou em como aquilo era estranho, o carinho de Harry era estranho, a preocupação era estranha. E era estranha sua falta de debate interno, Draco não pode deixar de pensar, ele não se perguntou se era gay nenhuma vez durante toda a sua vida. Tudo que queria antes era viver com seus pais, casar com a sangue-puro que eles escolhessem e fim.
O fato de que isso não era mais sua ideia de vida perfeita deveria ter causado nele alguma reação mais forte, mas não causou. Harry estava lá e lhe ofereceu carinho quando precisou, ele aceitou sem perguntas. Talvez fosse normal fazer isso quando alguém te oferecia a mão que te tiraria do fundo do poço, talvez porque ele tivesse coisas mais importantes para se preocupar do que amar um homem ou uma mulher. Talvez amar não fosse a palavra.
—Você sempre gostou de homens? – Draco soltou, sua voz saiu baixa e tímida.
Harry sorriu pra ele, Harry fazia muito isso. Draco queria essa felicidade também – Você é o primeiro – o moreno disse, ele notou que as bochechas do loirinho se avermelharam mais quando disse gostar – E você?
—Não...eu... – Draco respirou fundo tomando coragem – Você é o primeiro também – ele olhou para Harry, perguntando o que realmente queria saber – Você não se importa? Quer dizer, não se perguntou se era... gay de verdade?
—Um pouco, no começo – Harry respondeu com uma naturalidade que o sonserino não esperava – Mas eu não me importo se é homem ou mulher, o que eu sinto é o mais importante.
—Mas... Você não tem medo do que os outros vão dizer?
—Não – lá estava a naturalidade novamente – Você tem? – Draco assentiu envergonhado, pra ele a situação não era normal como para Harry, mas ele queria que fosse- Não fique com vergonha, Draco – o grifinório o acarinhou – Você tem medo de não ser aceito, e isso é normal – Harry beijou-lhe a face sem conseguir resistir – Não é você que está errado.
—Mas e você? – o loirinho perguntou, ainda envergonhado – Você não tem medo.
—Eu nunca fui bem aceito, Draco. – o grifinório afirmou. – No mundo dos trouxas sempre fui taxado de esquisito, no mundo bruxo, de herói. As poucas pessoas que me aceitaram, farão isso de qualquer modo.
—Weasley e Granger. – Draco falou desdenhoso.
—Sim... e agora, você também- Harry disse sorrindo malicioso – Não precisa ficar com ciúmes.
—Ora! Seu... –Draco falou exaltado – Quem você pensa que é!! – ele bufou furioso, o rosto pálido avermelhou-se, os lábios crisparam-se – Veja se é possível! Eu... com ciúmes!! – Draco levantou-se, então, o dedo em riste – Quem pensa que é pra me provocar ciúmes?!
Harry puxou Draco pela mão fazendo com que ele fosse de encontro ao seu corpo, o beijando ternamente ele cessou os protestos do sonserino. Draco deixou a cabeça pender no ombro de Harry, o moreno beijou seu cabelo e deixou que ele se aconchegasse ali.
—Harry... – ele sussurrou. Tinha que dizer algo, mas não sabia exatamente o quê. Ele se deixou ficar em silêncio, aproveitando o contato com o grifinório.
Harry entrelaçou seus dedos no do sonserino, mantendo o silêncio. Ele pensava em Draco, em como protegê-lo. Ele crispou os lábios, se enfurecia por Voldemort tê-lo machucado quando, ironicamente, tinha machucado Draco também. Por mais que soubesse que não era a mesma coisa, ainda se sentia um monstro.
Ele olhou para Draco, o sonserino havia adormecido em seus braços. A imagem da inocência enquanto dormia, era um peste quando acordado. Harry sorriu enternecido, ele soube nesse momento que seu coração havia batido forte o bastante para quebrar suas costelas, romper a carne e se aninhar junto ao de Draco.
Harry deitou Draco na cama. Com a certeza de que sua sanidade estava comprometida ele sentou-se à escrivaninha para terminar o trabalho. Sempre de olho em Draco, Harry cuidava para o sonserino não acordar assustado. Havia luz, mas mesmo assim, Draco podia acordar com medo se o moreno não estivesse ao seu lado.
Foi o que aconteceu quando Harry estava quase terminando o trabalho. Draco acordou de um pesadelo e começou a chorar, ele chamou pelo nome de Harry. Não demorou mais do que um piscar de olhos para que o moreno estivesse ao seu lado, abraçando-o.
—Eu tive um pesadelo — Draco disse sonolento. Ele tinha pesadelos todas as noites, se Harry não estivesse ali teria se encolhido chorando de medo.
—Tá tudo bem agora. – Harry beijou a testa de Draco. Estava muito preocupado com o sonserino. Draco não estava bem, psicologicamente falando, e Harry queria ajudá-lo a superar o que aconteceu, mas não sabia como.
—Você vai ficar aqui agora, não vai? – as mãos do sonserino estavam fechadas na camisa de Harry.
—Claro. – Harry sorriu, não havia como dizer não para Draco quando ele fazia aquele beicinho, ainda mais com os olhos vermelhos de choro. Harry secou uma lágrima remanescente – Podemos terminar o trabalho amanhã.
Draco então passou os braços pelo pescoço de Harry e amoleceu o corpo – Que bom... – murmurou deixando que Harry deitasse com ele sobre si.
Notas finais
Próximo capítulo as coisas começam a esquentar...hehe.
Ah... vai ter mais Rony também!
Comentem, por favor, eu preciso saber o que estão achando!
Beijos.
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