Naquela manha Draco acordou antes de Harry. O braço do grifinório estava na cintura de Draco, como quando ele acordava e ficava olhando-o. Aparentemente Harry gostava daquela posição mesmo dormindo. Draco mordeu o lábio, imaginado se Harry acordaria com facilidade caso o tocasse.

Suspendendo a respiração ele tocou o braço de Harry. O grifinório nem se mexeu. Mais seguro, Draco passou a mão por toda a extensão do braço, sentindo cada músculo dele com um estremecimento. Draco passou a acariciar a barriga de Harry sobre a blusa. Ele sorriu, Harry era tão bonito, e estava interessado nele! Mesmo depois de ver todas as cicatrizes, de saber o que aconteceu com ele. Ele adentrou a camisa de Harry, tocando a pele, fascinado. Aquilo era bom.

Draco hesitou por um momento antes de pousar a mão delicadamente na coxa do moreno. Ele a deixou parada por um tempo antes de movê-la devagar. Desceu a mão pela lateral com a respiração acelerada, e voltou pela frente, roçando na parte interna. Harry gemeu, fazendo Draco se afastar. O sonserino olhou para cima, para os olhos abertos e bem acordados de Harry, o moreno havia sentido quando Draco começou a acariciar sua barriga, e apesar de surpreso se forçou a não reagir. Draco estava tão concentrado que não percebera.

—O que estava fazendo? – Harry perguntou, fingindo-se de sério.

—Eu... – Draco gaguejou, seu rosto vermelho voltado para baixo – Não é o que está pensando... – ele sussurrou.

—Ah... não – Harry sorriu prendendo as mãos de Draco sobre a cabeça – Então você não estava... abusando de mim enquanto eu dormia? – Harry havia escolhido a palavra propositalmente, para deixar Draco ainda mais nervoso. Deu certo.

—Eu... me desculpe... – ele fez aquele beicinho encantador, completamente envergonhado – Eu... Eu pensei ... Eu só... – as frases não faziam sentindo. Pensei que você gostaria? Não podia dizer isso.

—Eu não posso te desculpar... – Harry interrompeu o balbucio de Draco, o sonserino ficou ainda mais nervoso e se remexeu inquieto – A não ser... que me deixe fazer o mesmo.

Draco se remexeu um pouco mais quando Harry se aproximou. Sua respiração estava descompassada e o beijo que o moreno lhe deu, calmo e amoroso, fez com que se arqueasse pra ele em um suspiro, Harry sentiu o volume meio formado entre as pernas do sonserino. Ele o acariciou sobre a calça, fazendo Draco estremecer, as mãos dele se firmaram nos ombros de Harry assim que o grifinório as soltou. Harry nunca lhe faria mal.

As mãos de Harry abriram a camisa do loirinho em um único puxão, fazendo os botões voarem. Quando Draco estremeceu Harry sorriu ternamente em um pedido de desculpas e lhe beijou a testa, não queria assustá-lo, afinal.

—Se não quiser que eu faça algo, ou quiser pedir que eu faça algo – Harry disse olhando-o com adoração – Basta me pedir, se quiser parar também, é só avisar.

Draco assentiu envergonhado. Harry passou a mão por seu tórax e abdome, sem nem um pouco da timidez com que Draco havia feito isso. O loirinho gemeu, completamente entregue a ele.

Draco sentiu seu corpo quente e mole. Harry trouxe a mão de Draco até seu rosto e a beijou com carinho. Então ele desceu os lábios ao peito de Draco, tão magrinho, tão pequeno. Draco marcou as costas de Harry com suas unhas quando as mãos do grifinório voltaram a estimular seu sexo.

Conforme os beijos desciam as mãos de Draco se enroscavam no lençol, precisando de mais apoio. Ele gemeu, arqueando o corpo para Harry em um pedido mudo. Seu pedido foi atendido, Harry abrira o botão da calça com facilidade, ele desceu a boca sobre a intimidade de Draco, o sonserino abriu a boca em um “ah” de surpresa mudo. Seus dedos se apertaram no lençol e seu corpo se arqueou.

Ele estremeceu e tremeu para Harry. O grifinório estava concentrado em dar prazer, era tudo o que queria. Ele sorveu Draco até a última gota. E depois, quando aninhou o pequeno em seus braços, ele continuava trêmulo pelo prazer recém-descoberto.

—Você... – Draco se acomodou exausto nos braços do grifinório, mas se obrigou a perguntar, mesmo com vergonha – Você quer que eu... faça pra você? – ele sussurrou a última parte.

—Uhn... Realmente tentador – Harry puxou Draco para mais perto, roçando os lábios em seus cabelos. Os lábios do sonserino estavam inchados, os olhos sonolentos e o corpo corado. A vontade de Harry era ataca-lo ali mesmo – Mas não, você está cansado, durma um pouco.

Draco adormeceu imediatamente, Harry duvidou que ele conseguisse fazer algo estando com tanto sono. Como o sonserino não iria acordar tão cedo, Harry foi tomar um banho, um banho bem frio. Ele deixou a porta do banheiro aberta para poder ouvir caso Draco acordasse e se banhou o mais rápido possível, vestindo uma calça de moletom e uma camiseta preta.

Com um pano embebido em água morna ele limpou o sonserino, Draco nem se mexeu. Sem resistir Harry o vestiu com um pijama estampado com gatinhos. Ele riu pra si mesmo, daqui a pouco isso viraria um fetiche. Ele se enroscou na cama junto de Draco. Sonolento e preguiçoso, esqueceu completamente de terminar o trabalho de DCAT.

Eles só acordaram bem mais tarde, às cinco horas. Na verdade Draco acordou Harry, sacudiu-o reclamando que estava com fome. Harry ficou absurdamente contente com isso, Draco não andava comendo direito e ele estava muito magro. O grifinório se agarrou a isso como se fosse um sinal de melhora em Draco. Ele estava melhorando, Harry queria desesperadamente acreditar nisso.

—Você fica aqui sozinho? – perguntou enquanto acariciava o sonserino.

—Aham — o pequeno suspirou amolecido.

Assim que Harry saiu do quarto ele se sentiu sozinho. O grifinório foi correndo até a cozinha, ele pediu a Dobby que fizesse todos os pratos que Draco poderia gostar. A espera foi um inferno, ele andava de um lado para o outro nervosamente.

Voltou correndo com a bandeja cheia, algumas cabeças viraram para olhar. Harry entrou no quarto, ele suspirou e andou até a cama devagar, largando a comida na mesinha de cabeceira, Draco estava encolhido debaixo das cobertas. O loirinho não estava chorando, mas seu corpo tremia.

—Draco... – ele puxou o sonserino em sua direção, abraçando-o – Você está tremendo.

—Estou com frio – ele sussurrou, mas seus braços apertaram Harry em um movimento que foi praticamente involuntário.

Harry entendeu que ele não queria mais falar sobre aquilo. Ele acariciou o cabelo de Draco com carinho. Olhando para bandeja ele pegou um pedaço de bolo de chocolate.

—Como, Draco – ele sorriu, o sonserino parara de tremer – Bolo de chocolate. Mas depois tem que comer algo salgado.

—E o que mais tem aí? – ele pegou o bolo que Harry ofereceu e sorriu, mas continuou segurando a mão de Harry.

Feliz por fazer o sonserino comer, ele descreveu tudo que havia trazido fazendo Draco provar um pouco de cada prato. Distraídos, os dois não se lembraram do trabalho de defesa contras as artes das trevas e passaram o dia conversando. Com Harry aproveitando para paparicar o sonserino durante o restante do dia.

Na segunda, Harry acordou antes de Draco. Ele lembrou imediatamente do trabalho que tinham para fazer, mas como DCAT era o primeiro período de segunda achou melhor não avisar Draco. Algo lhe dizia que ele ficaria desesperado.

Draco não quis tomar café da manhã na cama, ele quis tomar café no salão principal, na mesa da sonserina. Harry tentou fazer com que ele fosse para a mesa da grifinória ou sentar-se ao lado dele na mesa da sonserina, mas Draco apenas disse que era “inapropriado” e espantou Harry como se ele fosse uma mosca. O moreno se chateou por não poder monitorar de perto o que Draco estava comendo, e como Harry desconfiou que ele faria, mal tocou na comida.

Apesar de não aceitar a companhia no café-da-manhã, Draco foi obrigado a aceitar que Harry sentasse ao seu lado na aula de DCAT, na verdade ele não reclamou de Harry sentar ao seu lado. Harry virou para trás para conversar com Hermione e Rony, Draco se distraiu, observando que havia um clima tenso entre Harry e Weasley. Sob a mesa ele apertou a mão do grifinório.

Snape adentrou a sala pontualmente, ele sentou-se em sua mesa e, ríspido, pediu os trabalhos. Draco ficou lívido. Ele tinha feito o trabalho apenas até a metade, mas Harry se levantou e colocou um rolo de pergaminho sobre a mesa do professor, assim como os outros alunos.

—Harry... – Draco sussurrou – Snape vai nos dar zero por um pergaminho pela metade.

—Eu quase terminei o trabalho – Harry sussurrou de volta – Faltou apenas um paragrafo, talvez ele nem note.

Draco sorriu da ingenuidade de Harry. Provavelmente levariam um zero. Mal podia acreditar nisso! Claro que se explicasse o que aconteceu para Snape, o professor seria compreensivo, mas não queria depender dele. Jamais contaria a verdade e não queria inventar uma desculpa, mas se Harry precisasse da nota...

—Quero que leiam o capítulo vinte do livro – a voz de Snape soou alta na classe extremamente silenciosa – E me entreguem um resumo no final da aula.

Não é necessário dizer que ao final apenas Hermione e Draco tinham resumos prontos. Snape olhou a todos os outros com ar de reprovação e murmurou algo sobre já conhecer aquele tipo de incompetência, depois disse que queria conversar com Harry.

—Será que ele viu que o trabalho está incompleto? – Draco perguntou nervoso.

—Não – Harry descartou a opção e apertou a mão de Draco, tentando acalmá-lo – Se fosse isso ele teria chamado você também.

—Eu... – Draco corou, soltando sua mão da de Harry. – eu vou te esperar ali fora.

—Claro! – Harry sorriu. – Hermione e Rony vão esperar com você – ele puxou os dois amigos e pediu que esperassem. Hermione sorriu simpática, Rony fez a maior cara de mártir que conseguiu.

Assim que todos saíram Snape fechou a porta e sentou-se em uma das cadeiras dos alunos, convidando Harry a sentar em sua frente.

—Potter... – Snape começou cruzando os dedos – Eu... queria falar com você... sobre Draco.

—Draco? – Harry repetiu na defensiva, para depois observar o professor, ele não parecia hostil, na verdade parecia muito triste, parecia humano– Sobre o quê? – ele falou amigavelmente, era obvio que Snape estava preocupado.

—Ele não anda muito bem... – Snape falou, medindo as palavras – Mas ele parece melhor ao seu lado...e...e você parece estar cuidando dele, sendo carinhoso...

—Eu não vou machucá-lo, professor – Harry disse sério – Não precisa se preocupar quanto a isso.

—Não estou – ele disse calmo – Só quero ter certeza de que entende a responsabilidade disso, Draco passou a confiar e depender de você, ele está com problemas e se você o magoar de algum modo... eu não sei o que pode acontecer. – ele encarou Harry – Você entende, Potter?

—Sim – Harry disse sem pestanejar – Você não sabe o que aconteceu com ele?

—Não – os olhos de Snape brilharam esperançosos – Mas você sabe... – seu orgulho e desejo de proteger brigaram por um instante, até que o último venceu – Por favor, Potter, me diga o que está acontecendo... – o olhar de Snape nesse momento foi tão desesperado que beirava a loucura.

—Não posso trair a confiança dele – Harry falou – Mas vou cuidar dele.

—Pelo amor de Merlin, Potter!! – Snape pressionou a mão sobre os olhos – Pelo amor de Merlin... – repetiu – Como...como vai protegê-lo?

—Eu vou! –Harry disse confiante – Se eu achar que não vou conseguir, então falo com o senhor.

—Tudo bem – Snape falou – Mas preste atenção, Draco está envolvido em coisas muito perigosas. Se acontecer algo a ele eu mato você.

—Eu não vou deixar... – Harry falou sentindo sua respiração descompassar e a boca secar. Ele não podia, percebeu, deixar que algo acontecesse com Draco.

—Certo, Potter – Snape assentiu, percebendo a preocupação do menino – Se precisar de algo, me peça. – ele dispensou Harry com um aceno de cabeça, mas continuava preocupado com o loirinho.

Harry saiu da sala sob os olhares curiosos de Rony, Hermione e Draco. Os três o olharam esperando alguma explicação, mas Harry apenas caminhou ao lado deles parecendo atordoado e preocupado.

—Então... – Draco tomou coragem para perguntar – Não era sobre o trabalho, era?

—Não – Harry respondeu simplesmente, dando o assunto por encerrado.

Draco entendeu na hora que o moreno não queria falar sobre aquilo e se calou, Harry sorriu para ele, como que dizendo “não fique chateado”, mas isso nem passou pela cabeça do sonserino, ele entendia Harry perfeitamente bem. Já Rony chegou a abrir a boca para perguntar o que Snape queria, mas foi calado por um olhar de Hermione.

Nesse dia Harry e Draco não tinham mais nenhuma aula em comum. Harry passou o dia nervoso, roendo as unhas, Draco não tinha aparecido na hora do almoço, Harry pegou o mapa do maroto e não o encontrou em lugar nenhum. Logo deduziu que ele estava na sala precisa. Correu até lá, branco como uma folha e superpreocupado, mas assim que as aulas da tarde começaram a porta se abriu e Draco saiu de lá, intacto.

—Graças a Merlin! – Harry falou abraçando o sonserino e beijando-o na boca, não havia ninguém no corredor, mas Harry beijaria Draco na frente do mundo inteiro.

Assim que soltou Draco, que ficou com as pernas bambas, conferiu mais uma vez pra ter certeza de que ele estava bem. O sonserino não podia negar que gostava da preocupação, seria bom ter Harry para lhe abraçar quando saísse da sala precisa, afinal precisava ir mais vezes lá, tinha que dar uma olhada no armário todos os dias. Se algo acontecesse àquela porcaria ele estava morto.

—Como sabia que eu estava aqui? – perguntou enrubescendo.

—Mágica, é claro! – Harry sorriu e beijou Draco mais uma vez. – Hermione tem aula de artimância com você agora, não têm? – ele não deu tempo de Draco responder – Sente-se com ela.

—Sentar com a Granger? – Draco deixou sua boca abrir, surpreso. – Você enlouqueceu, Harry? Não vou sentar com a Granger!

—Por que não? — perguntou sorrindo docemente – Vocês vão se dar bem, os dois adoram estudar, são obcecados por notas, tiram boas notas em poções...

—Tá legal! – Draco bufou, ele não queria sentar com a sangue-ruim, ela era nojenta! Mas se dissesse isso a Harry ele ficaria bravo– Tudo bem. – disse, e suas bochechas se avermelharam instintivamente – Se ela quiser...

—Já falei com Hermione – Harry teve que controlar a vontade de mostrar a língua para o loirinho, estava claro que ele não havia gostado da idéia, saber que Draco aceitou por ele, fez Harry se sentir cheio de si.

Enquanto Draco foi para aula com Hermione, Harry foi para aula com Rony. Não com Rony exatamente, porque o ruivo não estava falando com ele, até bufou quando Harry sentou ao seu lado. O moreno revirou os olhos, Rony sempre gostou de um drama, mas ao contrário de Draco ele não ficava nada fofo fazendo isso.

—O que foi? – Harry usou seu tom mais diplomático ao falar – Vai me dizer o que está acontecendo? – não que ele não soubesse.

—Você sabe o quê! – ele resmungou – Você está confraternizando com o inimigo!

Ah não! Harry pensou, era só o que faltava essa história de “confraternizando com o inimigo” novamente. Será possível que o crescimento de Rony foi todo em tamanho e nem um pouco em mentalidade?!

—Qual é, Rony! – Harry o olhou sério – Você fez isso no quarto ano, lembra como terminou? – a imagem dele pedindo um autógrafo a Draco passou pela mente de Harry.

—Não tem graça! – o rosto do garoto tomou a tonalidade de seus cabelos em um piscar de olhos.

—Você vai ficar bravo comigo por causa do Draco?! – ele suspirou – Ele não é tão mau assim.

—Hermione disse... – Rony hesitou – ela disse que... ele sofreu muito e que você estava ajudando. – Rony corou, de vergonha, não de raiva – Você gosta dele? Você gosta, gosta dele?

—Sim – Harry sorriu, feliz por ele ter compreendido – Eu realmente gosto dele.

— Não vou brigar com você – ele disse, afinal, não seria justo. Harry sempre esteve ao seu lado, sempre apoiaram um ao outro, agora não seria diferente. Claro, isso não queria dizer que faria a vida de Malfoy mais fácil – Não gosto dele – completou.

Já Hermione e Draco estavam se dando absurdamente bem. Embora Draco ainda torcesse o nariz por Hermione ser uma sangue-ruim, não podia negar que os dois eram igualmente inteligentes e davam a mesma atenção ao estudo. Além disso, Draco sabia que Harry ficaria feliz caso tivesse uma relação amigável com Granger e Weasley, embora não achasse que seria possível com Rony, afinal, a Granger era simpática, e Weasley nem isso era.

Os quatro se encontraram na janta, Draco foi até eles para falar com Harry e não pode deixar de notar como o clima estava menos tenso. Não apenas entre Harry e Rony ou entre ele e Hermione, mas entre todos os quatro. Depois de combinar se encontrar com Harry mais tarde ele foi jantar na mesa da sonserina, apesar dos protestos do moreno, que como sabia muito bem queria controlar o que estava comendo, ou melhor, Draco pensou deixando um sorriso bobo surgir e desaparecer de seus lábios, o moreno queria cuidar dele.

Draco apenas brincou com a comida em seu prato, ele estava sem fome. Quarta-feira estava chegando, logo ele teria que passar por aquilo de novo, ao menos agora ele tinha Harry.

Ainda faltava um tempo até a hora que marcara de se encontrar com Harry, e Draco decidiu fazer algo que há muito não fazia, ir à biblioteca. Estava vazia, a não ser por Madame Pince. Ele aproveitou para escolher um livro com paciência.

Ele estava bem, não estava nervoso, mas foi então que ele viu o vulto se esgueirando pelos corredores. Assustado ele derrubou um exemplar de História da Magia, ele saiu do corredor andando até a mesa principal, mas Madame Pince não estava lá. Assustado e trêmulo ele correu e correu e correu. As lágrimas atrapalhavam sua visão, e sem enxergar para onde ia ele tropeçou em alguém. Soluçando ele tremeu e se arrastou para trás. Não quero mais dor, pensou, não aqui, não em Hogwarts.

—Harry... – ele chamou chorando, mas sabia que o moreno não viria – Harry...

—Eu te levo até ele – o homem enorme se abaixou mantendo alguma distância, Rony ficou surpreso ao ver Malfoy desse jeito – Vem, Malfoy. Harry está na Grifinória.

O ruivo se levantou, esperando que Draco fizesse o mesmo. O loiro pareceu responder ao ouvir o nome do grifinório, ele olhou para Rony e levantou-se devagar. Draco o seguiu um pouco afastado, de tempos em tempos ele virava para trás assustado, era como se esperasse que alguém pulasse das sombras. A Mulher Gorda reclamou por Rony ter trazido o sonserino, mas ao ver o quanto o garoto tremia, ela se compadeceu e abriu passagem.

No momento em que os olhos de Draco acharam Harry, nada mais importava. Ele passou pela entrada correndo, e sem se importar se alguém estava olhando, se atirou nos braços de Harry. Rony olhou abismado, assim como todos os outros que estavam na sala comunal, enquanto Harry abraçava o sonserino com carinho.

Harry pegou o loirinho no colo e Draco imediatamente se aninhou em seu peito. O grifinório subiu as escadas que levavam ao quarto, chamando Rony para que viesse junto. Assim que a porta se fechou um burburinho encheu o ar da sala.

—O que houve? – Harry perguntou deitando Draco em sua cama – Você se machucou? – ele observou o sonserino, mas ele parecia fisicamente bem. Draco balançou a cabeça negando e confirmando sua opinião – O que foi então? – perguntou com carinho, mas Draco não respondeu, apenas voltou a chorar. Harry abraçou-o, apertando-o contra o peito e beijando-lhe a cabeça.

Rony entendia o carinho de Harry agora. Ele jamais esperara ver o sonserino agindo dessa forma. E a dependência que ele tinha de Harry... É claro que Harry estava interessado, aquela dependência devia estar massageando seu ego.

—Rony! – ele chamou acalentando Draco que ainda chorava – Pegue o mapa do maroto e veja onde está Snape.

O ruivo localizou o professor mais que depressa, o nervosismo de Harry o deixava nervoso também. Snape estava em seu quarto, na sonserina.

—Preciso da senha da sonserina– ele disse olhando para Harry, Draco estava encolhido em seus braços e parecia mais calmo.

—Draco... – a voz de Harry era suave – pode me dizer a senha da sonserina?

—É basilisco... – o garoto sussurrou se agarrando com mais força no moreno.

O loirinho roçou os lábios nos de Harry perante o olhar chocado de Rony, Harry correspondeu com um selinho, deixando Rony ainda mais surpreso. Mas isso explicava algumas coisas, se a relação dos dois á tinha atingido esse nível, fazia mais sentido o carinho dado a Draco.

Rony deixou o quarto para se dirigir a sonserina com rapidez. Não imaginava porque de todos os professores ele tinha que chamar justo o seboso. E entrar na sonserina foi um inferno, ele já havia estado ali antes, mas antes havia a poção polissuco, sem ela os sonserinos o cercaram ameaçadores.

—O que está fazendo aqui, Weasley? – Blaise Zabini foi o primeiro a se manifestar, Crabbe e Goyle o ladeavam como outrora faziam com Draco.

—Vim falar com Snape – os lábios de Rony se crisparam e ele forçou passagem até a porta do quarto do professor.

Assim que Snape abriu a porta os sonserinos se dispersaram. Ele olhou para Rony com um mau pressentimento, a única coisa pessoa que poderia ter mandado o ruivo ali era Potter, e só havia um motivo para isso.

—É o Draco – Rony disse sem dar tempo de o professor perguntar qualquer coisa – Ele teve um ataque de pânico.

—Espere aqui. – ele disse sério, entrando no quarto. Snape saiu tão rápido quanto entrou, sua capa preta ondulando atrás, enquanto caminhava a passos ligeiros com Rony a seu lado.

Os dois chegaram a grifinória em tempo recorde e Snape, para a surpresa de todos no salão, subiu as escadas para o dormitório com as faces levemente coradas. Ele olhou para Draco, o sonserino estava encolhido no colo de Harry, a respiração pesada e os olhos cerrados. Severo suspirou aliviado.

—Ele acaba de dormir – Harry disse, uma de suas mãos mantinha o corpo de Draco de encontro a seu peito, a outra estava entrelaçada com os dedos do sonserino.

—Venha comigo, Potter – Snape disse ríspido – Consegue carregá-lo?

—Sim, professor. – Harry suspirou, ele levantou trazendo Draco junto. O sonserino estava ainda mais leve, Harry concluiu preocupado.

Harry e Rony seguiram Snape. Os dois sabiam pelo jeito como as pessoas olhavam que no outro dia seriam o tema das fofocas. Rony estava vermelho de raiva por antecipação, Harry estava preocupado com o que Draco iria pensar.

Snape os levou até o corredor da enfermaria. Ele abriu uma porta qualquer, as salas dali raramente eram usadas porque muitos dos tratamentos envolviam dor, e os gritos poderiam atrapalhar as aulas, mas para o que precisava viria bem a calhar. O professor precisou apenas de um aceno da varinha para transformar mesas, cadeiras e o resto na mobília de um quarto confortável para duas pessoas.

—Professor... – Harry chamou timidamente, Snape havia colocado duas camas no quarto – Uma cama de casal seria melhor. – quando Harry terminou de falar Rony ficou vermelho até as orelhas, Snape ficou lívido – Não pensem bobagem! – Harry revirou os olhos, sabendo muito bem que não era tão bobagem assim o que aqueles dois estavam pensando – Draco acorda assustado à noite. Ele tem medo do escuro.

Um tanto contrafeito Snape transformou as duas camas em uma de casal.

—Eu vou pegar as coisas de Draco e trazê-las pra cá – ele olhou sério, assumindo aquela expressão enjoada que geralmente tinha – Já que o Weasley veio até aqui ele pode aproveitar e trazer as suas coisas. – Snape tirou do bolso um pequeno frasco – Isso é um calmante, caso ele fique muito nervoso. Agora escute bem, Potter... – sibilou ameaçadoramente – Se eu desconfiar que você tocou em Draco, mato você. Entendeu? – ele observou Harry engolir em seco e assentir, sua boca se curvou rapidamente em um sorriso sarcástico – Ótimo! – ele se virou de súbito e deixou o quarto, a capa serpenteando atrás dele.

Rony chegou mais perto, sentindo-se mais confiante sem a presença do professor, ele observou Draco. O cabelo loiro sobre os olhos, a boca semiaberta e a mão, entre os dedos de Harry, bem fechada, como se não quisesse deixa-lo ir de modo algum. Ele parecia u anjinho desse jeito. Rony sorriu. – Até que ele bonitinho – falou antes de deixar o quarto para seguir o conselho de Snape e ir pegar as coisas de Harry.