Draco Malfoy Tem Medo Do Escuro
1 Meu Herói
Notas iniciais
Seu pesadelo havia começado exatamente um dia após receber a marca negra. Quando Macnair o chamou sorrindo, dizendo que o Lorde das Trevas tinha uma iniciação especial pra ele, sabia que seria torturado, nada que fosse bom faria aquele velho sorrir. Draco estava certo, realmente havia sido torturado, mas nunca imaginou que chegaria àquelas proporções.
Ele estava no banheiro, havia acabado de voltar de uma reunião com Vodemort, aquelas reuniões...não eram somente pra saber como andava a missão que tinha lhe dado. Seu corpo tremeu fortemente, ele apoiava as mãos na pia tentando conter o choro. Estava com dor, e ela não era apenas física. A murta estava em um box próximo, conversando com ele. Era reconfortante poder chorar na frente de alguém.
— Não —ele a ouviu dizer tristemente. — Não... me conte qual é o problema... posso ajudar você...
— Ninguém pode me ajudar — respondeu. Todo o seu corpo tremia. — Não posso fazer isso... não posso... não vai dar certo... e se eu não fizer logo... ele diz que vai me matar...e... – Draco ofegou, havia alguém ali, estremecendo, ele olhou para o espelho, Harry estava ali, encarando-o com olhos verdes confusos.
Girou nos calcanhares puxando a varinha. Instintivamente, Harry sacou a dele. Seu feitiço passou a centímetros de Harry e quebrou um lampião na parede ao seu lado; Harry se atirou para um lado, mentalizou Levicorpus! e acenou com a varinha, mas Malfoy bloqueou o feitiço e ergueu a varinha para revidar...
— Não! Não! Parem com isso! — guinchou a Murta-Que-Geme, sua voz ecoando nos azulejos do banheiro. — Parem! PAREM!
Houve um forte estampido, e a lata de lixo atrás de Harry explodiu; Harry experimentou um Feitiço das Pernas Presas, que ricocheteou na parede do lado da orelha de Malfoy e partiu a cisterna embaixo da Murta, fazendo-a berrar; a água vazou para todo lado, e Harry escorregou na hora em que Malfoy, de rosto contorcido, exclamou:
— Cruci ...
–SECTUMSEMPRA – urrou Harry do chão, agitando a varinha freneticamente.
O sangue espirrou do rosto e do peito de Malfoy como se ele tivesse sido cortado por uma espada invisível. Ele recuou, vacilante, e caiu no chão inundado, espalhando água e deixando cair a varinha da mão direita frouxa. Dor, ele pensou, mais dor. Ele sentiu o sangue saindo em golfadas. Talvez morresse, talvez morrer fosse bom. Devia agradecer, pensou observando o sangue, seu sangue.
— Não... — exclamou Harry.
Ele se levantou, escorregando e cambaleando, e se precipitou para Malfoy, cujo rosto agora brilhava escarlate, suas mãos pálidas apalpavam o peito encharcado de sangue.
— Não... eu não...
Harry não sabia o que estava dizendo; caiu de joelhos ao lado de Malfoy, que tremia, descontrolado, em uma poça do próprio sangue. Draco o olhou sem falar nada, sentiu vontade de mandar Potter embora, afinal aquele grifinório estupido não se importava com ele, a verdade é que não poderia ser um herói e um assassino ao mesmo tempo. A Murta-Que-Geme soltou um urro ensurdecedor, fazendo com que Draco virasse o rosto em sua direção.
— CRIME! CRIME! CRIME NO BANHEIRO! CRIME!
A porta se escancarou e Harry ergueu a cabeça, aterrorizado: Snape invadira o banheiro com o rosto lívido. Empurrando Harry com violência, ajoelhou-se ao lado de Malfoy, tirou a varinha e passou-a por cima dos profundos cortes que o feitiço de Harry produzira, murmurando um encantamento que parecia quase uma canção. O fluxo de sangue pareceu diminuir; Snape limpou o coágulo do rosto do garoto e repetiu o encantamento. Agora os cortes pareciam estar se fechando.
Harry continuava a olhar horrorizado o que fizera sem se dar conta de que ele também estava empapado de água e sangue. A Murta-Que-Geme soluçava e gemia. Depois de executar o contra-feitiço pela terceira vez, Snape ajudou Malfoy a se levantar.
— Você precisa da ala hospitalar. Talvez fiquem muitas cicatrizes, mas, se tomar ditamno imediatamente, talvez possamos evitar até isso... venha...
Ele amparou Malfoy pelo banheiro, virando-se à porta para dizer com a voz gelada de fúria:
— E você, Potter... você espere por mim aqui.
Draco olhou para Potter uma ultima vez, não se importava com uma cicatriz, uma a mais ou a menos, não faria muita diferença. Snape o levou até a enfermaria, deixando-o com Madame Pomfrey e rapidamente saiu.
—Senhor Malfoy, beba isso —ela entregou um frasco que Draco bebeu indiferente – Tire sua camisa, e sente-se ali. – a enfermeira apontou uma das camas. Quando Draco retirou a camisa, ela sentiu o coração parar, o sonserino era cheio de marcas de tortura, algumas antigas, outras recentes. As costas do garoto estavam cheias de marcas de açoites, algumas ainda abertas, havia enormes roxos por seus tórax e braços, um deles enfaixado até o cotovelo, e marcas de mordidas em seu pescoço. – Como conseguiu essas cicatrizes, senhor Malfoy?
—Quadribol –ele disse olhando pros próprios pés.
Papoula não precisava olhar duas vezes pra ver que ele estava mentindo – Devia falar com Dumbledore – ela disse, e suspirou – Se voltar a se machucar, volte.
—Eu posso ir agora? – perguntou desconfortável.
—Sim – ela disse resignada – O senhor vai se recuperar.
Harry estava se sentindo terrivelmente culpado, ele tinha machucado Draco de verdade, e isso era algo que nem passara pela sua cabeça. Queria pedir desculpas, mas raramente via o sonserino, era sempre nas aulas conjuntas, das quais ele chegava e saia tão rápido que Harry não conseguia nem ir atrás dele, ou quando olhava no mapa do maroto e o via quietinho em seu quarto. O resto do tempo, ele presumira, Draco passava na sala precisa, fazendo sabe-se lá o quê. Isso estava o deixando louco, já não conseguia dormir direito, toda vez que fechava os olhos via o sonserino trêmulo e cheio de sangue; ou então, apoiado na pia, chorando.
Numa quarta-feira, Harry decidiu esperar pelo sonserino na porta da sala precisa. Cuidou cada passo dele nesse dia, observou-o sentar à mesa remexendo no prato sem comer quase nada. Quando o sonserino levantou, ele fez o mesmo. E assim que viu Draco entrar na sala precisa foi até lá e, cobrindo-se com a capa da invisibilidade, se preparou para passar um longo tempo ali.
Draco observou o lugar onde várias coisas estavam escondidas, então viu o armário sumidouro. Ele estremeceu, iria entrar ali e ser levado para uma nova tortura. Não podia arriscar a vida de seus pais, se não fosse Voldemort os mataria, e ele seria castigado severamente. Ele abriu a porta tremendo e entrou. Fez o que já tinha feito milhares de vezes, bateu na porta e Macnair abriu, já não estava mais em Hogwarts. Foi arrastado por um corredor frio e escuro, olhando para o chão, até escutar o comensal bater em uma porta e a voz arrastada do Lorde dando permissão para que entrasse.
—Divirta-se, Malfoy. – Macnair riu, abrindo a porta para que ele passasse – Estarei aqui para levá-lo de volta.
Draco adentrou vagarosamente. Sentia que aqueles passos eram decisivos, passos que levariam um pouco mais da sua alma, como o mais impiedoso e lento beijo de um dementador. A porta foi fechada lentamente, rangendo. As mãos de Draco tremeram e a ele as escondeu, sabia o que viria agora.
—Malfoy... – Voldemort disse deleitosamente, como um sopro, exprimindo todo prazer sádico que sentia. – Tire sua roupa.
Draco sentiu seus olhos arderem enquanto segurava o choro. Ele já tinha aprendido que o melhor era obedecer, o Lorde queria humilhá-lo, e o sonserino já havia perdido qualquer resquício de orgulho, ele só queria apanhar o menos possível e voltar logo para Hogwarts, onde poderia se encolher na cama e mentir pra si mesmo dizendo que estava seguro. Levou as mãos trêmulas até a camisa, ele se desnudou o mais vagarosamente possível. Quando terminou Voldemort veio até ele, e o virou de costas. Draco tremia; grossas lágrimas escorriam por seu rosto, ele não havia aguentado segurá-las por mais tempo, não importava quantas vezes fosse violado, não se acostumava com isso.
—Bom garoto – Voldemort sussurrou em seu ouvido, ele passou as mãos gélidas pelo pescoço de Draco, acompanhando a linha da coluna até chegar às nádegas, Draco soltou um soluço, o Lorde sorriu – Eu faço isso para que aprenda a me servir melhor, Malfoy. – disse escorregando a mão pela cintura do garoto até apertar o pênis com força, fazendo-o gemer de dor – Sabe que merece isso, não?
—S...Sim My Lord, é…uma honra servi-lo – Draco falou, ele ainda lembrava dos açoites que levara por não dar a resposta corretamente.
Harry estava esperando há um bom tempo, Draco tinha saído logo depois do almoço e já era seis e meia. Ele sempre procurava o sonserino pelo mapa do maroto, então tinha alguma noção de sua rotina, sabia que há essa hora Malfoy estaria em seu quarto. Ele estava muito atrasado, e Harry se perguntava se algo teria acontecido. Logo ele viu a porta da sala precisasse abrir, e ficou aliviado, mas não por muito tempo. A porta foi aberta vagarosamente, a visão do sonserino fez Harry estremecer, Draco estava coberto de sangue, nem os fios loiros escapavam, ele parecia frágil, tremia muito e parecia que iria cair no chão a qualquer momento. Olhou surpreso paro o garoto, então se levantou rapidamente e envolveu a cintura do sonserino. Draco ganiu com a dor do toque, procurou sua fonte, arfando ao encarar Potter. Ele jogou o corpo pra frente, tentando se livrar dos braços que o prendiam.
—Malfoy...machuquei você? – perguntou preocupado – Venha, se apoie em mim, vou levá-lo pra enfermaria.
—Não... –Draco arregalou os olhos assustado. Se fosse para a enfermaria, Madame Pomfrey teria que relatar aos professores e todos ficariam sabendo, ele esperneou e empurrou tentando fazer Harry soltá-lo –Não...não pode me obrigar... – os olhos começaram a ficar embaçados pelas lágrimas, não queria isso, não queria que ninguém soubesse – Me solta...Potter... – ele sentiu Harry o arrastando de um lado pro outro, enquanto se debatia, e depois pra frente, através da porta que tinha surgido na parede.
—Pode se acalmar agora. – Harry suspirou, mas não soltou a cintura do sonserino – Não vou te levar para a enfermaria.
Ele parou de se mexer e deu um puxão pra frente, desta vez Harry permitiu que saísse de seus braços. Sem a força do grifinório lhe mantendo em pé Draco teve que se apoiar na parede. Passou uma mão sobre os olhos, enxugando-os, vendo que a sala precisa fora transformado em um quarto decorado com cores claras, havia um grande guarda-roupa de madeira escura e ricamente entalhada, a cama de casal gigantesca combinava perfeitamente, assim como a mesa de cabeceira abarrotada de poções. Ao lado da cama havia uma confortável poltrona de veludo cor de pêssego, e ao fundo uma porta.
Harry nunca pensou que Malfoy pudesse ser tão fofo. Ele observava todas as reações do sonserino, imaginando quem o teria torturado, quem teria feito aquele ser orgulhoso e irônico agir como um gatinho assustado. O moreno suspirou, sentia vontade de proteger Draco, cuidar dele. Era estranho, uma vez que ele odiava Malfoy , que quisesse abraça-lo e beijá-lo até que o loirinho se acalmasse. Andou devagar em sua direção. Isso não importava agora, tinha que ajudá-lo, o garoto tremia muito. Harry tocou sua testa com as costas da mão, ele estava muito quente.
— Você está com febre... – Harry voltou a colocar as mãos na cintura do garoto – Vem, é melhor você deitar um pouco...
—Para com isso... Potter. – Draco queria ter gritado, mas sua voz estava fraca, ele estava fraco. – O que você quer? Por que está fazendo isso?
—Porque está doente – Harry soltou um braço da cintura do sonserino e não resistiu a lhe acariciar o rosto – Vem... – ele disse apoiando o sonserino até chegar à cama, ajudou Draco a deitar bem devagar. O sonserino tinha ficado ofegante, como se tivesse feito um grande esforço, e deixou Harry preocupado, ele se virou procurando o remédio pra febre.
—O que está fazendo? – Draco tateou as cobertas e se enfiou embaixo delas.
—Vou cuidar da sua febre e dos seus machucados – Harry achou um frasco com liquido roxo e separou-o.
—Não... – Draco se levantou abruptamente – Não precisa... – ele tentou manter-se em pé, cambaleando, e Harry teve que segurá-lo.
—Draco... – Harry suspirou, viu o sonserino se encolher, aquilo fez com que sentisse novamente aquela estranha vontade de beijá-lo. – Quero cuidar de você – fez o sonserino voltar pra cama, apoiando seu tronco com um dos braços, levou o frasco até os lábios de Draco, ele os entreabriu bebendo a poção. Deitou o sonserino novamente, e tentou abrir sua camisa, mas ele não deixou, encolhendo-se na cama.
—Não ... – o loiro sussurrou cruzando os braços sobre o peito com o máximo de força que tinha.
Harry acariciou seus cabelos, acalmando-o – Draco... – chamou baixinho, esperando o sonserino virar o rosto em sua direção – Eu preciso tirar sua roupa agora, para poder passar a poção. – ele mostrou um frasco grande com liquido verde brilhante dentro – Não precisa ficar com vergonha ou medo...
— Harry... – ele testou o nome do grifinório com um sussurro – Eu...o que aconteceu comigo...eu...ahn... – Draco percebeu que não era capaz de formular uma frase coerente que explicasse o que Voldemort havia feito com ele, mesmo que Harry dissesse para não ter vergonha, ele não sabia o que tinha acontecido. Desistindo de falar, Draco tirou os braços, permitindo que Harry retirasse sua camisa.
O moreno retirou-a, mas não estava preparado para o que ia ver, o peito magro exibia cortes profundos, e alguém o mordera até tirar sangue nos mamilos e no pescoço, ali também havia marcas roxas, assim como envolta do umbigo. Harry ficou chocado ao perceber o que realmente tinha acontecido com Draco, a palavra estupro pulsava em sua mente.
Draco tinha o rosto virado para o lado, e Harry o acariciou, como se isso pudesse amenizar de alguma forma a dor do sonserino. Levou as mãos a calça do loiro, viu Draco olhar pra ele com um brilho de temor nos olhos, mas logo fechou-os, virando o rosto novamente. O toque de Harry era quente e gentil, muito diferente de quando o Lorde das Trevas o tocava, não tinha medo, mas ainda tinha vergonha.
O moreno derrubou o liquido nas mãos passando nos ferimentos trazendo alivio. Virou o sonserino de bruços, ele havia sido severamente açoitado, suas costas e coxas estavam muito machucadas. Harry terminou de passar a poção ali, levou as mãos a cueca de Draco fazendo-o estremecer, o grifinório entendia porque, o tecido branco estava completamente manchado de sangue.
O loiro mordeu os lábios com força, lágrimas saiam dos olhos fechados. Estava se esforçando pra que Harry não percebesse que estava chorando, não entendia porque ele estava o tratando desse jeito, mas por mais que fossem inimigos, sabia que Potter não o enganaria, ele era certinho demais para isso... e Draco estava tão cansado de cuidar de si mesmo, ele se sentia protegido com Harry ali. Ele sentiu as mãos de Harry em sua pele, sentiu a dor passar, e saber que ele tinha visto a prova de sua violação o fez soltar um soluço.
—Draco? – ele o virou de frente, Malfoy encolheu-se na cama, os braços sobre o rosto enquanto chorava – O que foi? – perguntou preocupado – Está com dor? – o loiro balançou a cabeça negativamente – O que foi então? – acariciou os cabelos do sonserino carinhosamente.
—É...eu... –Draco sussurrava baixinho, fazia força pra conter o choro – É...porque você viu... não viu?
—Vi – Harry engoliu em seco – Mas não precisa chorar. – Ele retirou as mãos de Malfoy da frente do rosto e enxugou suas lágrimas – Eu não vou deixar ninguém mais te machucar. – no momento em que as palavras saíram de sua boca, Harry soube que era verdade, mas isso não fez com que Draco se sentisse melhor, na verdade o corpo pequeno começou a ser sacudido por enormes soluços. Harry, vendo que as palavras não estavam adiantando, sentou na cama e puxou Draco para um abraço. Riu quando o sonserino puxou o lençol para se cobrir, mas ajeitou-o em cima dele.
O loiro escondeu o rosto no peito de Harry, nunca pensou que teria sua alma salva por um inimigo. Sentia que faltara pouco pra que virasse um corpo vazio, mas poder abraçar o grifinório e chorar o reconfortava de algum modo. Draco se sentia sujo, e o que Harry estava fazendo era exatamente o que ele precisava para se sentir melhor.
Já o grifinório estava assustado em ver Draco chorar tanto, sentia raiva do que tinham feito a ele. Sabia que tinha que conversar com o sonserino seriamente, e o mais difícil, convencê-lo a falar com Dumbledore, mas isso depois de lhe dar um banho. Esperou Draco se acalmar e levantou-se com ele no colo, deixando o lençol escorregar do corpo em direção à cama. Draco era tão leve que Harry não sentiu dificuldade alguma ao pegá-lo
—Ei!...Me solta! – Draco esperneou envergonhado, afinal, estava sem roupa no colo do Potter.
—Se você continuar se mexendo assim, vou acabar vendo o que fez tanta questão de esconder agora a pouco – Harry respondeu dando uma longa olhada no corpo do sonserino, isso foi o bastante pra fazê-lo ficar quieto e se encolher.
Quando o moreno abriu a porta pode escutar Draco dando um suspiro agradecido, embora não parecesse nem um pouco impressionado com a grandiosidade do lugar. Havia uma banheira no centro e foi pra lá que se dirigiu, colocando o loirinho no chão e entregando-lhe uma toalha. Ele a aceitou prontamente, e enrolou na cintura em velocidade impressionante enquanto Harry enchia a banheira magicamente de água e espuma.
Malfoy entrou correndo, só tirando a toalha depois que as bolhas o escondiam. Suspirou quando seu corpo entrou em contato com a água quente, sentindo seus músculos amolecerem. Olhou pra Harry, ele não demonstrava a menor intenção de sair. O sonserino corou.
—Para de me olhar assim. – disse desviando os olhos, podia sentir o carinho vindo em ondas, mas ainda não sabia o que sentia a respeito disso, quer dizer isso com certeza veio da pena ou da culpa que o grifinório sentia.
—Assim como? – Harry sorriu chegando mais perto – Não precisa ficar com vergonha, afinal eu já vi tudo. – ele deu de ombros, olhando-o timidamente.
—Potter! – Draco rugiu, jogando água para todos os lados – Saia daqui!!! Saia daqui agora!
Harry nem pensou em discutir, saiu rapidamente, deixando o sonserino com os próprios pensamentos. Foi até o guarda-roupa, afinal tinha que trocar as vestes molhadas.
Viu ali, na pilha enorme de pijamas a sua frente, um azul escuro cheio de ursinhos, sorriu sabendo que o sonserino ficaria furioso e separou aquele, enquanto pra si escolheu uma calça de moletom cinza e uma camiseta preta. Ouviu um choro baixinho vindo do banheiro, correu até lá, não devia ter deixado Draco sozinho.
Quando entrou, o garoto estava encolhido na banheira, apertando as pernas contra o peito. Harry sentiu seu coração apertar, Draco tinha o rosto apoiado nos joelhos que mal apareciam fora da água. O grifinório correu até o armário, pegando uma toalha que fosse grande o bastante para não deixar o sonserino envergonhado.
—Eu não vou olhar – disse Harry puxando o sonserino pra fora da banheira e colocando a toalha sobre os ombros, vendo ela cobri-lo até os joelhos, o sonserino soluçava alto, tremendo. Harry o pegou no colo, desta vez Draco não reclamou, apenas escondeu o rosto em seu pescoço – Pode chorar o quanto quiser. – falou apertando o sonserino.
Harry levou-o para a cama, o secou e vestiu com cuidado e carinho. Draco manteve o rosto de lado o tempo todo, as bochechas vermelhas de vergonha, os lábios presos deixavam que apenas murmúrios e soluços abafados fossem ouvidos.
Assim que Harry soltou-o Draco se enfiou debaixo das cobertas, cobrindo-se até a cabeça. Sentiu a mão de Harry acariciando-o sobre as cobertas. Era tão patético... ficar chorando assim na frente do Potter, mas não conseguia parar. Se ele não estivesse ali, se não tivesse oferecido carinho, já teria voltado ao normal. Era culpa do Potter se sentia tudo o que estava escondendo transbordar, era culpa dele se estava chorando, era culpa dele e ele tinha que arcar com a responsabilidade, Draco pensou fazendo bico, o sonserino se levantou com um impulso forte o bastante pra assustar Harry e se atirou no colo do moreno.
—Vai ficar tudo bem – Harry disse enquanto acariciava os fios loiros, surpreso pela reação de Draco – Porque não tenta dormir? Eu vou ficar aqui com você.
Draco deitou, sentia Potter lhe acariciar; e mesmo que o odiasse, sentia-se seguro com ele ali. Sentiu o sono chegar, seu corpo estava cansado e sua mente também. Agarrou a mão de Harry entrelaçando seus dedos.
Infelizmente o carinho com que Harry o tratava não impediu que tivesse um pesadelo. Sonhou com Voldemort vindo busca-lo, fazendo coisas ruins com ele, acordou sobressaltado. A primeira coisa que fez foi tatear por Harry, mas ele não estava na cama, seus olhos ficaram embaçados, ele esfregou-os para afastar as lágrimas. Estava com muito medo, o sonho havia sido muito real, ele sentia como se Voldemort fosse pular em cima dele a qualquer momento. Via seu rosto na escuridão.
O sonserino se levantou tremendo, viu Harry encolhido na poltrona ao lado da cama. A mão do grifinório estava caída, obviamente ele só havia soltado a mão de Draco por que adormecera. Malfoy se empoleirou no braço da poltrona e envolveu o grifinório com os braços, sem querer acordá-lo.
Harry acordou no meio da noite, Draco havia caído em seu colo, e o peso dele acabou por acordá-lo. Harry sorriu vendo os braços de Draco ao redor de seu pescoço e lhe acariciou os cabelos, presumindo que ele tivera medo de dormir sozinho na cama. O grifinório deitou Draco na cama, deitando-se de frente para ele e o abraçando, assim o sonserino não ficaria com medo.
Fale com o autor