Draco Malfoy Tem Medo Do Escuro
2 Hermione como Conselheira
Draco acordou com a luz do sol, fazia muito tempo que não dormia assim, que não se sentia seguro desta forma. Seu rosto estava encostado no peito de Harry, e o braço do grifinório estava envolta de sua cintura. Ele se espreguiçou gostosamente, sem querer pensar no que havia acontecido no dia anterior.
—Bom dia – Harry falou sorrindo, era um sorriso doce que chagava até os olhos, ele tinha olhado Draco desde que acordara e agora tirava vagarosamente o braço de sua cintura.
O sonserino nada respondeu, ficando roxo de vergonha, havia algo de muito íntimo naquele sorriso. Ele não tinha ideia que o outro estava acordado, mas na verdade Harry já estava até de uniforme, e os raios de sol entrando pela janela denunciavam que era tarde.
—Você está bem? – Harry perguntou preocupado, pousou a mão na testa de Draco pra ter certeza que a febre não voltara, mas ele parecia bem.
—Melhor – disse sem olhar pra Harry. Sentia aquela sensação de intimidade outra vez, e não sabia como agir, estava envergonhado por ter mostrado suas fraquezas tão abertamente a ele.
—Ótimo – Harry sorriu novamente. Ele olhava para Draco, com a face vermelha e o pijama de ursinhos, e sentia uma imensa vontade de abraçá-lo, mas não queria assustar o sonserino. — Eu fui até a cozinha pela manhã, peguei seu café – ele pegou uma bandeja que estava na cômoda e, depois que Draco sentou-se, depositou-a em seu colo. – O leite deve estar frio, os biscoitos também, mas o resto deve estar bom, eu peguei as dez, então não deu tempo de algo estragar.
—Você disse às 10? – Draco o olhou perplexo – Que horas são Potter?
—Hummm... Bem... – Harry hesitava, com medo de contar e o garoto ter um treco – Bem...já passa do meio-dia.
—Não! – Draco empurrou a bandeja de lado — Tenho aula agora, Potter!! – o sonserino levantou procurando pelas roupas freneticamente.
Harry não pode deixar de rir, Draco estava muito fofo andando pelo quarto desnorteadamente, ainda mais naquele pijama. Esse era Draco Malfoy sem máscaras, e Harry gostou desse Draco.
O sonserino finalmente achou o que procurava, e Harry se sentiu um idiota imediatamente. Por que não tinha posto aquelas roupas fora, no fim das contas?
Elas estavam embaixo da cama, ele as pegou e levantou, vendo que estavam completamente sujas de sangue. Estremecendo, ele deixou-as cair com um baque surdo. Oh não, não choraria novamente, pensou ao sentir seus olhos úmidos. Ele recuou alguns passos, até estremecer ao bater no peito protetor de Harry.
—Draco... – o virando de frente Harry o abraçou.
—Estou bem... – adivinhando a pergunta, ele respondeu com voz trêmula, respirou profundamente para se acalmar e saiu dos braços do grifinório, sentando-se na cama – Pronto, já passou...
Harry sentou-se ao lado dele, lhe fazendo cafuné. Draco ficou muito vermelho, mas não se afastou, tinha que admitir que era um carinho gostoso.
—Você precisa comer, Draco – Harry sorriu quando o sonserino soltou um muxoxo malcriado – É sério, vi que você mal tocou na comida ontem, coma ao menos um pouquinho... Posso fazer aviãozinho se quiser – Harry riu.
—Não sei o que é “aviãozinho” – respondeu Draco mal-humorado, sem o menor sinal de tocar na comida.
—Oh...avião é um meio de transporte trouxa, é uma maquina grande que voa. – Harry sorriu pegando uma colher e enchendo-a com pudim de abóbora – Já aviãozinho é algo que as mães trouxas fazem para as crianças comerem. É assim que funciona... – ele começou a imitar um avião com a boca enquanto manobrava a colher, Draco só conseguia o olhar abismado.
—Mas que droga você está fazendo? – ele perguntou enquanto Harry continuava fazer aqueles barulhos estranhos com a boca – Só trouxas pra fazer algo tão ridículo!
—Preparar para aterrissagem... – disse sem se abalar, na verdade estava achando as reações do sonserino divertidíssimas. – Agora você tem que abrir a boca, Draco!!
—Enlouqueceu, Potter?! – era só o que faltava, Harry Potter estava zombando dele! – Eu não vou... – Draco foi interrompido quando Harry empurrou a colher para dentro de sua boca, Draco puxou a colher de volta lambendo os lábios – Isso é pudim de abóbora? — perguntou incrivelmente mais calmo – Está delicioso.
—Perguntei a Dobby o que você gostaria de comer... – Harry sorriu quando Draco atacou o prato de pudim – Devia ir lá... para agradecê-lo.
—Por quê? – a curiosidade do sonserino era genuína – Ele é um elfo domestico, é o trabalho dele. – Draco deu de ombros.
—Não, Malfoy – Harry falou exasperado – Dobby trabalha para Hogwarts agora e não é obrigação dele ficar mimando você. – ele suspirou, Draco estava sensível, ele não devia estar usando esse tom de voz. – A questão é que ele se esforçou, e devia ir lá elogiá-lo, para que ele ficasse feliz.
—Mas o favor foi pra você... – Draco começou a sentir um aperto no peito, ele tinha gostado de como seu nome soava na boca de Harry, e ouvi-lo o chamar de Malfoy incomodou. – Ele não se importa se eu for lá... – Draco engoliu o choro, não choraria novamente na frente do grifinório, ainda mais por algo tão pequeno.
Harry percebeu a carinha de choro de Malfoy. De repente respirar tinha ficado bem mais difícil. Ele podia se imaginar consolando o sonserino de formas nada convencionais, e tinha que apagar essas imagens da mente, pensou apertando uma coxa contra a outra. Oh, por Merlin! Precisava falar com ele sobre o que tinha acontecido no dia anterior e não queria que ele se assustasse.
—Tudo bem, Draco – Harry teve que apertar as mãos para não acariciar ou beijar o loirinho, tinha vontade de enchê-lo de beijos e carinhos. – Olha, sei que não quer, mas temos que falar sobre ontem.
Draco se encolheu como se tivesse levado um soco, aquilo doeu em Harry – Não, não temos – ele disse olhando para Harry com fúria – Me ajudou, e eu... agradeço, mas você não tem nada haver com isso.
—Draco... – Harry usou sua voz mais doce – Quero te ajudar... só que para isso tem que me dizer o que aconteceu.
—O que quer saber, Potter?! – Draco estava vermelho de raiva. Queria espernear. Queria bater naquele maldito. Queria...queria que Harry o abraçasse mais um pouco.
—Não precisa dizer o que não quiser – Harry manteve o tom de voz calmo. – Preciso saber se essa pessoa está em Hogwarts ou se tem como chegar até você, por que eu vi como você entrou na sala precisa e vi como saiu.
—Não está. – Draco suspirou, ele não sabia até onde contar aquela história não podia falar que se deixava estuprar para salvar os pais, Harry iria amarrá-lo e não o deixaria fazer o que tinha que fazer. Além do mais, tinha um lado seu, o mesmo lado que tinha nojo do que estava fazendo, que dizia que Harry teria nojo dele. – Foi... quem fez isso foi Você-Sabe-Quem.
Harry estremeceu, ele nunca desejou tanto matar alguém. Realmente odiou Voldemort naquele momento, realmente quis matá-lo por ter ousado tocar naquele garoto mimado e frágil.
—Temos que falar com Dumbledore, Draco – Harry começou a acariciar os cabelos de Draco, os fios eram finos e macios – Ele vai te ajudar, e seu segredo estará seguro.
—Posso perguntar como tem tanta certeza? – Draco se esquivou das mãos de Harry, estava se zangando com ele, sabia que o garoto queria ajudar, mas será que ele não entendia quão humilhante era aquilo tudo? Draco já se sentia mal por ter chorado na frente de Harry, falar com Dumbledore estava fora de cogitação.
—Dumbledore é confiável – disse Harry dando de ombros, triste pelo sonserino ter se afastado, ele queria muito ajudar Draco. – Sei que não quer que ninguém saiba do que aconteceu, mas precisa de ajuda, ele não vai poder te tocar enquanto estiver aqui em Hogwarts, depois podemos te esconder em algum lugar...
Draco balançou a cabeça negativamente, Potter não tinha entendido nada. É claro que queria ser protegido, queria se encolher nos braços dele e deixar que o escondesse, mas não podia, não até tirar seus pais do alcance de Voldemort. Além disso, ele pensou desviando os olhos para o próprio braço por um segundo, havia a marca negra; Voldemort saberia onde estava não importa pra onde fosse.
—Eu tenho aula agora. – ele disse. Precisava de roupas, precisava sair dali, precisava pensar. Ele não tinha a menor intenção de ir para a aula, só queria voltar para o seu quarto na sonserina, onde todos o ignorariam. Sua família perdeu o prestigio que tinha com o Lorde das Trevas, pensou, ele perdeu os “amigos”.
—Não! – Harry disse desesperado para manter Draco ali, não achava que ele fosse deixar que se aproximasse novamente. –Por que você não descansa até o fim do dia? Já perdemos a maior parte das aulas. Prometo não tocar mais nesse assunto.
—Tudo bem – ele tentou evitar mostrar o quanto estava feliz – Se você promete...
—Eu prometo. – Harry sorriu, seria bom ter o dia de folga, e também não achava que Draco estivesse em condições de andar pra lá e pra cá. Ele deitou puxando Draco junto, o sonserino bochinchou, dizendo algo sobre “Potter pegajoso”, mas nem por isso se afastou. Harry estava perdido sobre como ajudar Draco, felizmente tinha uma pessoa de sua confiança a quem podia perguntar.
Foi o que ele fez, logo após ter deixado Draco ir, muito a contragosto. Ele procurou por Hermione. Ela estava no salão comunal da grifinória, lendo um livro de mais de novecentas páginas com aquela carinha de concentração que Harry adorava desfazer. Era sempre um desafio, afinal.
—Hermione... – ele chamou – Preciso falar com você urgentemente.
—Estou ouvindo – ela respondeu, sem desviar o rosto do livro nem um milímetro.
—É sério! – ele falou, agradecendo pelo salão estar vazio naquela hora – Hermione... eu acho que eu sou gay.
Isso despertou a atenção dela, Hermione fechou o livro na hora, esquecendo até mesmo de marcar a página em que estava. Não achava que Harry ainda estivesse apaixonado por Cho... mas jamais havia captado algum sinal de que o amigo gostasse de homens.
—Ok. – ela disse franzindo a testa – Você está falando sério ou fez isso pra chamar minha atenção?
—As duas coisas – Harry pigarreou diante da face desconfiada da amiga – Não era minha intenção inicial discutir sobre isso, mas é verdade.
—E... posso saber o que te fez pensar nisso? – ou quem, ela disse para si mesma. Porque se Harry achava que era gay devia estar sentindo algo por algum homem – Quer dizer, foi assim de repente?
—É... – Harry enrubesceu – Bem... tem um cara e eu... ele é muito bonito e uma graça também... e eu tenho essa vontade de ficar beijando-o o tempo todo e de protegê-lo...
—Por Merlin! – Hermione o interrompeu – Acho que está apaixonado... Ele também gosta de homens, Harry?
—Na verdade eu não sei – ele disse, não sabia mesmo, não sabia de nada. Não sabia se Draco gostava de homens, mas imaginava que depois do que tinha passado era última coisa que iria querer. Também não sabia se estava apaixonado, embora sentisse desejo – Não tenho certeza se apaixonado é a palavra certa... ele passou por muita coisa, entende? Sofreu muito e...
—E você tem duvida, se é paixão ou pena... – Hermione suspirou – Por que não deixa “rolar naturalmente” como dizem por aí. Com o tempo você vai descobrir o que sente... e isso ainda vai te dar tempo de observar se ele gosta de homens.
—Tem mais uma coisa... – Harry suspirou — Era disso que eu queria falar a principio... Eu me aproximei dele porque o estava procurando. Usei o mapa do maroto, e assim que o vi fui até ele. Hermione... o modo como o encontrei... o que fizeram a ele... eu... – Harry estremeceu. Lembrar do jeito como encontrou Draco o fazia querer estrangular alguém, também o fazia querer proteger Draco, abraçá-lo e não deixar que fosse nunca mais.
—Acho que entendi, Harry. – Hermione suspirou, provavelmente tinha entendido mais do que deveria. Não tinha a menor ideia de como isso tinha acontecido de baixo do seu nariz sem que percebesse. – Vai me contar o que aconteceu entre você e Draco Malfoy?
—Como... – Harry franziu o cenho – eu não falei...
—Não – ela suspirou – Você não falou nada sobre ele, mas deu pra adivinhar, quer dizer... – Hermione franziu o cenho – Faz algum tempo que você anda pensando no Malfoy, faz dias que só fala nele, Harry... – na verdade era tão obvio que ela se perguntava como não tinha percebido antes. – O que foi que fizeram com ele, Harry? Ou melhor, o que você-sabe-quem fez com ele?
—Eu... – Harry não se sentia no direito de contar um segredo de Draco, no entanto Hermione era tão mais inteligente do que ele, ela provavelmente saberia como ajudar. – Ele não quer me deixar ajudar e eu não sei o que fazer. – Harry colocou as mãos sobre o rosto, de repente ele parecia dez anos mais velho e muito cansado – Sei que ele me odeia, aliás, nós nos odiávamos, e que ele só me aceitou porque estava desesperado. Mas saber o que ele passou, sei que não é minha culpa, mas eu queria ter matado Voldemort, em algum dos encontros que tivemos ao longo desses anos, queria ter sido forte o bastante para matá-lo.
Harry jamais mostrara vontade de matar Voldemort, ele jamais teve esse desejo. Hermione não queria saber o que havia acontecido com Draco, talvez fosse porque ele estivesse apaixonado, mas em nenhuma outra situação a raiva de Harry foi tão grande. Era obvio que Malfoy havia sofrido muito, mas ela não tinha vontade de pensar o quanto.
— Harry – Hermione pousou a mão delicadamente no ombro dele, a conversa havia bagunçado sua cabeça, ela podia imaginar como estava a dele. – Se algo aconteceu a Malfoy dentro da escola Dumbledore tem que saber.
—Ele não quer falar, tentei convencê-lo – Harry suspirou abraçando Hermione quando queria estar abraçando Draco. – Não quero falar sem o consentimento dele.
—Você já pensou que pode estar arriscando a sua vida? – Hermione abraçou-o de volta, ela não podia dizer que não entendia, também não falaria com Dumbledore sem o consentimento de Harry – Draco provavelmente é um comensal da morte, se ele achou um jeito de sair e entrar sem ser notado, Você-Sabe-Quem pode achar um jeito de entrar.
Harry não havia visto a marca negra, mas o que mais estaria de baixo daquela faixa que ele tinha no braço? Sabia que Draco era Comensal, mas se pudesse protegê-lo, assim faria.
—Acho que tem razão – mas ele não estava pensando em sua segurança no momento, além disso, se trouxesse Draco para o lado da Ordem não precisaria mais se preocupar com que Voldemort tramava – Mas não é por isso que ele não quer falar, ele tem vergonha.
—Certo. – Hermione não tinha certeza do que era certo nessa situação, e isso era uma sensação nova para ela – Já pensou que pode estar arriscando a vida dele?
O semblante de Harry ficou assustador. Sombrio. Como se ele estivesse pensando em várias formas de tortura para Voldemort, ou, se tratando de Harry, Hermione pensou, em Draco morto por sua culpa.
—Vou protegê-lo – ele disse. Uma certeza inabalável, Hermione não duvidou que ele conseguisse – Voldemort não pode pegá-lo aqui, foi o que ele me disse, e acredito nele.
—Harry... me desculpe por isso – Hermione disse, ela realmente não queria perguntar aquilo. Harry não queria dizer e ela não queria saber. – Acho que eu entenderia melhor se você me dissesse o que foi exatamente que Voldemort fez com Draco, porque pela sua reação parece que ele... – Hermione não conseguiu continuar, ela preferia pensar que Voldemort não havia abusado de Draco, era obvio que ele havia sido torturado, mas isso... Ela olhou nos olhos de Harry e soube que era verdade, estava estampado ali o que havia sido feito com Draco.
—Não conte a ninguém – ele disse, confirmando a sua suspeita – Por favor, Hermione... – o desespero na voz de Harry era palpável, ele sofria ao pensar naquilo, ao rever as imagens.
—Oh, Merlin! – Hermione se sentiu enjoada, ela pressionou as mãos sobre o rosto tentando se acalmar – Isso é horrível! Isso...Isso é... – ela não conseguiu pensar em nada útil para dizer. Acalme-se, disse a si mesma, Seja racional. – Ele deve estar psicologicamente abalado... e... – ela pressionou as mãos com mais força sobre o rosto – E fisicamente... tenho certeza que você cuidou disso e...
—Essa não foi a primeira vez – Harry sentiu os olhos embaçarem – Lembra quando nós brigamos no banheiro? – Harry apertou as mãos sobre os olhos, se perguntando se uma das cicatrizes que viu em Draco havia sido feita por ele – Eu o machuquei... depois dele ter passado por aquilo... ele estava chorando aquele dia... eu juro que não queria que aquilo acontecesse....eu juro...
—Eu sei... – Hermione abraçou Harry com força – Eu estava com... um pouco de inveja, sabe? – Harry a soltou encarando-a, ela deu de ombros envergonhada – Eu realmente acho que o príncipe não é lá uma pessoa muito boa – ela suspirou – Boa ou não ele é brilhante e talvez aja algo de bom ali, mas é perigoso e se você for usar... use com cautela, pra algo bom.
—Estava escrito que era para inimigos – Harry puxou algo de dentro da capa que Hermione reconheceu como o mapa do maroto – Ele não é meu inimigo.
Não, ele não era; Hermione pensou; ele não merecia nada daquilo. Harry desdobrou o mapa do maroto e viu o nome Draco Malfoy, no quarto, na sonserina. Dormindo, Harry pensou, talvez chorando, mas estava seguro.
—Eu vou ficar de olho nele. — Harry disse – Não vou deixar que nada de mau aconteça.
—Eu acho... – Hermione disse – Que podíamos dar apoio a ele, sabe – ela suspirou – Ele anda tão sozinho... podíamos começar a andar com ele, não é?
—Hum... – Harry assentiu – Mas não acho que ele vá querer andar com a gente. De qualquer forma podemos tentar. – Harry olhou de soslaio para o mapa, vendo que Draco não se mexera. – E Rony?
—Não vai dar para evitar que Rony seja grosso com Malfoy, mas Harry – Hermione sorriu – Draco não é um menino indefeso, lembra?
Não, Harry pensou, era difícil lembrar. Principalmente quando tinha visto Draco tremendo e chorando, não quando ele estava tão machucado. Mas sabia que Hermione tinha razão, se Draco não fosse forte não teria aguentado tudo que aguentou.
—Eu estava pensado – Harry disse – Em todos os anos que Malfoy... importunou você... não se importa com isso?
—O que você quer que eu diga Harry? – Hermione deu de ombros – Quer que eu diga que Malfoy merece o que está acontecendo?
—Não! – Harry respondeu agoniado – isso nem passou pela minha cabeça!
—Nem pela minha, Harry. – Hermione deixou o corpo pesar contra o encosto do sofá – Além disso, a implicância do Malfoy sempre foi com você, eu só sou a sangue-ruim que anda com o Potter Perfeito, por isso que ele é assim comigo, ou você acha que sou a única nascida trouxa de Hogwarts?
—Então acha que é apenas eu? – perguntou Harry atônito– Que a implicância é só comigo?
—Talvez você não se lembre, mas Malfoy já quis fazer amizade com você, no primeiro ano. – Hermione sempre usava o tom de uma professora da primeira série quando estava explicando as coisas, aquele tom que te faz pensar que ela está dez passos à frente, mas você só tem capacidade para compreender cinco. – A família de Draco quer prestigio e poder a todo custo, foi isso que ele viu em você, Draco Malfoy sempre invejou você.
—Talvez – Harry respondeu, mas a ideia fazia sentido. Sabia que os Malfoy tinham prestigio no mundo bruxo, também sabia que fariam de tudo para se manter assim e ele Harry Potter, não era a melhor opção? Isso não acabaria com os rumores sobre a família Malfoy e Voldemort?
—Harry... – Hermione endireitou a coluna e encarou Harry. Não achava que fosse verdade, mas tinha que falar, afinal era Draco Malfoy, e agora ele era um comensal da morte. – Já pensou que pode ser um plano? Pra te levar até Voldemort... ou trazê-lo até aqui...
—Hermione... – Harry sacudiu a cabeça negativamente, como para afastar uma visão desagradável – se ele ficou do jeito como eu o vi para que Voldemort tente me matar, ainda quero ajudá-lo.
—Eu não quero que nada de ruim aconteça com ele, Harry – Hermione suspirou, ele podia ver a mente dela trabalhando, buscando uma forma de ajuda-lo incansavelmente – Mas se eu tiver que escolher um, você é minha escolha, Harry. Entende?
— Não se preocupe – Harry sorriu – Eu não vou entrar em nenhuma missão suicida.
—Podemos começar... – Hermione sorriu puxando seu livro de volta, ela já não olhava para Harry, procurando a página que havia perdido – forçando uma amizade...
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